Tag Archive: araçatuba


Conhece as cobras de Araçatuba

por Hélio Consolaro
 

 Gosto das pessoas mais simples. Acho que isso em mim se deve à minha trajetória: sempre cheguei à casa grande por meio da senzala. 
O Rui Barbosa da Silva, professor de Educação Física, é um sujeito que eu converso com satisfação, não sinto nele armadilhas. Nunca pedi dele certidão ideológica. É bom e pronto. Quem não presta sou eu.  Nunca conversamos sobre dinheiro ainda. Deve ser isso. Como canta o samba: “Cachorro é melhor amigo do homem porque não conhece dinheiro”.  
Então. Na Lagoa do Miguelão, estávamos conversando sobre cobras, pois o local convidava ao assunto, e ele fez um arrazoado sobre ofídios, apesar de não citar Vital Brasil. Cheguei à conclusão de que ele é o homem que mais conhece cobras em Araçatuba. Não sei se venenosas ou não venenosas,  cegas ou não. Ele é um bom “cobreiro”. 
Como é pai-de-santo, me classifica como povo de Xangô. Outro dia me levou a um terreiro. Afinal, como Secretário Municipal de Cultura, preciso conhecer com mais afinco a africanidade. Não fui fazer despachos, porque faço isso em meu gabinete, mas as cobras não apareceram por lá.    Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

“Liberdade sempre” mostra as facetas da ditura militar

por Hélio Consolaro
 
De obras faraônicas ao ato que instituiu censura extrema. Esses são alguns dos aspectos abordados na exposição sobre ditadura, “Liberdade Sempre”, do professor Euclides Garcia Paes de Almeida. A exposição multimídia conta com banners, telão com exibição de trechos de músicas que criticavam o período, além de um jogo interativo com as principais datas históricas dos “anos de chumbo”.

A exposição “Liberdade Sempre” traz um pouco do período em que ocorreu a Ditadura Militar no País. Com o relato de quem viveu momentos de dor e angústia, o professor Euclides se emociona em relatar a aqueles que têm tempo e vontade de aprender, um pouco mais daquilo que veio a ser um período negro na história do País. Como torturado, ele lembra os três dias em que viveu em cárcere, e os anos de exílio pela América Latina, onde também foi perseguido a mando dos generais brasileiros. 

Professor Euclides relata os momentos de tortura no período da ditadura

Na região 
A exposição também aborda como a Ditadura atuou em Araçatuba e região. Os temas são tratados de maneira educativa, com uma linguagem acessível tanto para alunos quanto para especialistas, resultado de uma pesquisa minuciosa feita pelo idealizador do projeto.

A mostra está em exibição no saguão da Biblioteca Municipal “Rubens do Amaral”, das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 8h às 13h. 
O projeto foi subsidiado pelo Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Araçatuba, atendendo a edital da Secretaria Municipal de Cultura. 

Os visitantes podem visualizar banners com gráficos e recortes da época 

/ Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

Delfim e a doméstica que virou manicure

por Hélio Consolaro
 
 31/03/2013 – Folha de São Paulo

Elio Gaspari

Veio do professor Antonio Delfim Netto a boa resposta aos sábios que defendem uma freada na economia. Numa breve declaração à repórter Gabriela Valente, ele disse o seguinte: – A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses “gênios” é fazer com que ela volte a usar sabão de coco aumentando os juros. Aos 84 anos, com 13 de ministério, durante os quais mandou na economia como ninguém, mais 20 de Câmara dos Deputados, Delfim diz que o Brasil vive um “processo civilizatório”. Graças ao restabelecimento do valor da moeda por Fernando Henrique Cardoso e ao foco social expandido por Lula, Pindorama passa por uma experiência semelhante à dos Estados Unidos durante o governo de Franklin Roosevelt. Em poucas palavras: ou tem capitalismo para todo mundo, ou não tem para ninguém. Ao tempo dos gênios, um ministro do Trabalho disse que o Brasil não tinha desemprego, mas gente sem condições de empregabilidade. Em 2002 havia no país seis milhões de desocupados. Entre eles estivera o engenheiro Odil Garcez Filho. Em 1982, quando Delfim era ministro do Planejamento, ele fora demitido, decidiu abrir uma lanchonete na avenida Paulista e batizou-a de “O Engenheiro que virou Suco”. No vidro da caixa colou seu diploma. Garcez morreu em 2001 e não viveu uma época em que faltam engenheiros no mercado. A doméstica que virou manicure da metáfora de Delfim Netto não tem identidade, mas é um contraponto ao Brasil de Garcez, de uma época em que os gênios viriam a atribuir a falta de absorventes femininos a um “aquecimento da demanda”, como se o Plano Cruzado tivesse interferido no ciclo biológico das mulheres. Com seu sabonete Dove a manicure de Delfim entrou num mercado de higiene pessoal que em 2012 faturou mais R$ 30 bilhões. O “processo civilizatório” incomoda. Empregada doméstica com hora extra e acesso à multa do FGTS, o sujeito de bermuda e chinelo no check-in do aeroporto, cotistas e bolsistas do ProUni na mesma faculdade do Júnior, são um estorvo para a ordem natural das coisas. Como o foram a jornada de oito horas, os nordestinos migrando para São Paulo e o voto do analfabeto. Quando Roosevelt redesenhou a sociedade americana, a oposição republicana levou décadas para entender que estava diante de um fenômeno histórico. Descontando-se os oito anos em que o país foi presidido pelo general Eisenhower, ela só voltou verdadeiramente ao poder em 1969, com Richard Nixon, 36 anos depois. 
Elio Gaspari, nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por “As Ilusões Armadas”. Escreve às quartas-feiras e domingos na versão impressa de “Poder”. Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

11 horas atrás

Por que as cotas raciais deram certo no Brasil

por Hélio Consolaro
 
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Política de inclusão de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os índices de evasão. Acima de tudo, está transformando a vida de milhares de brasileiros

Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso

Antes de pedalar pelas ruas de Amsterdã com uma bicicleta vermelha e um sorriso largo, como fez na tarde da quarta-feira da semana passada, Ícaro Luís Vidal dos Santos, 25 anos, percorreu um caminho duro, mas que poderia ter sido bem mais tortuoso. Talvez instransponível. Ele foi o primeiro cotista negro a entrar na Faculdade de Medicina da Federal da Bahia. Formando da turma de 2011, Ícaro trabalha como clínico geral em um hospital de Salvador. A foto ao lado celebra a alegria de alguém que tinha tudo para não estar ali. É que, no Brasil, a cor da pele determina as chances de uma pessoa chegar à universidade. Para pobres e alunos de escolas públicas, também são poucas as rotas disponíveis. Como tantos outros, Ícaro reúne várias barreiras numa só pessoa: sempre frequentou colégio gratuito, sempre foi pobre – e é negro. Mesmo assim, sua história é diferente. Contra todas as probabilidades, tornou-se doutor diplomado, com dinheiro suficiente para cruzar o Atlântico e saborear a primeira viagem internacional. Sem a política de cotas, ele teria passado os últimos dias pedalando nas pontes erguidas sobre os canais de Amsterdã? Impossível dizer com certeza, mas a resposta lógica seria “não”. 
01.jpg LEIA TODA A REPORTAGEM DA REVISTA “ISTO É” CLICANDO AQUI Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade pública pelo sistema de cotas, há dez anos, muita bobagem foi dita por aí. Os críticos ferozes afirmaram que o modelo rebaixaria o  nível educacional e degradaria as universidades. Eles também disseram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desistência dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclusão. Os arautos do pessimismo profetizaram discrepâncias do próprio vestibular, pois os cotistas seriam aprovados com notas vexatórias se comparadas com o desempenho da turma considerada mais capaz. Para os apocalípticos, o sistema de cotas culminaria numa decrepitude completa: o ódio racial seria instalado nas salas de aula universitárias, enquanto negros e brancos construiriam muros imaginários entre si. A segregação venceria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acadêmico brasileiro. Mas, surpresa: nada disso aconteceu. Um por um, todos os argumentos foram derrotados pela simples constatação da realidade. “Até agora, nenhuma das justificativas das pessoas contrárias às cotas se mostrou verdadeira”, diz Ricardo Vieiralves de Castro, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).  As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim, frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. ISTOÉ entrevistou educadores e todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos. Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró-reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo.”  Por ser recente, o sistema de cotas para negros carece de estudos que reúnam dados gerais do conjunto de universidades brasileiras. Mesmo analisados separadamente, eles trazem respostas extraordinárias. É de se imaginar que os alunos oriundos de colégios privados tenham, na universidade, desempenho muito acima de seus pares cotistas. Afinal, eles tiveram uma educação exemplar, amparada em mensalidades que custam pequenas fortunas. Mas a esperada superioridade estudantil dos não cotistas está longe de ser verdade. A Uerj analisou as notas de seus alunos durante 5 anos. Os negros tiraram, em média, 6,41. Já os não cotistas marcaram 6,37 pontos. Caso isolado? De jeito nenhum. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também é referência no País, uma pesquisa demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema parecido com as cotas tiveram performance melhor do que os não beneficiados. E ninguém está falando aqui de disciplinas sem prestígio. Em engenharia de computação, uma das novas fronteiras do mercado de trabalho, os estudantes negros, pobres e que frequentaram escolas públicas tiraram, no terceiro semestre, média de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em física, um bicho de sete cabeças para a maioria das pessoas, o primeiro grupo cravou 5,4 pontos, mais dos que os 4,1 dos outros (o que dá uma diferença espantosa de 32%). Em um relatório interno, a Unicamp avaliou que seu programa para pobres e negros resultou em um bônus inesperado. “Além de promover a inclusão social e étnica, obtivemos um ganho acadêmico”, diz o texto. Ora, os pessimistas não diziam que os alunos favorecidos pelas cotas acabariam com a meritocracia? Não afirmavam que a qualidade das universidades seria colocada em xeque? Por uma sublime ironia, foi o inverso que aconteceu. E se a diferença entre cotistas e não cotistas fosse realmente grande, significaria que os programas de inclusão estariam condenados ao fracasso? Esse tipo de análise é igualmente discutível. “Em um País tão desigual quanto o Brasil, falar em meritocracia não faz sentido”, diz Nelson Inocêncio, coordenador do núcleo de estudos afrobrasileiros da UnB. “Com as cotas, não é o mérito que se deve discutir, mas, sim, a questão da oportunidade.” Ricardo Vieiralves de Castro fala do dever intrínseco das universidades em, afinal, transformar  seus alunos – mesmo que cheguem à sala de aula com deficiências de aprendizado. “Se você não acredita que a educação é um processo modificador e civilizatório, que o conhecimento é capaz de provocar grandes mudanças, não faz sentido existir professores.” Não faz sentido existir nem sequer universidade. Mas o que explica o desempenho estudantil eficiente dos cotistas? “Os alunos do modelo de inclusão são sobreviventes, aqueles que sempre foram os melhores de sua turma”, diz Maurício Kleinke, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp. Kleinke faz uma análise interessante do fenômeno. “Eles querem, acima de tudo, mostrar para os outros que são capazes e, por isso, se esforçam mais.” Segundo o professor da Unicamp, os mais favorecidos sabem que, se tudo der errado na universidade, podem simplesmente deixar o curso e voltar para os braços firmes e seguros de seus pais. Para os negros e pobres, é diferente. “Eles não sofrem da crise existencial que afeta muitos alunos universitários e que faz com que estes desistam do curso para tentar qualquer outra coisa.” Advogado que entrou na PUC do Rio por meio de um sistema de cotas, Renato Ferreira dos Santos concorda com essa teoria. “Nós, negros, não podemos fazer corpo mole na universidade”, diz. Também professor do departamento de psicologia da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro vai além. “Há um esforço diferenciado do aluno cotista, que agarra essa oportunidade como uma chance de vida”, diz o educador. “Ele faz um esforço pessoal de superação.” Esse empenho, diz o especialista, é detectável a cada período estudantil. “O cotista começa a universidade com uma performance mediana, mas depois se iguala ao não cotista e, por fim, o supera em muitos casos.”  O cotista não desiste. Se desistir, terá de voltar ao passado e enfrentar a falta de oportunidades que a vida ofereceu. Por isso, os índices de evasão dos alunos dos programas de inclusão são baixos e, em diversas universidades, até inferiores aos dos não cotistas. Para os críticos teimosos, que achavam que as cotas não teriam efeito positivo, o que se observa é a inserção maior de negros no mercado de trabalho. “Fizemos uma avaliação com 500 cotistas e descobrimos que 91% deles estão empregados em diversas carreiras, até naquelas que têm mais dificuldade para empregar”, diz Ricardo Vieiralves de Castro. Com o diploma em mãos, os negros alcançam postos de melhor remuneração, o que, por sua vez, significa uma chance de transformação para o seu grupo social. Não é difícil imaginar como os filhos dos cotistas terão uma vida mais confortável – e de mais oportunidades – do que seus pais jamais tiveram. Por mais que os críticos gritem contra o sistema de cotas, a realidade nua e crua é que ele tem gerado uma série de efeitos positivos. Hoje, os negros estão mais presentes no ambiente universitário. Há 15 anos, apenas 2% deles tinham ensino superior concluído. Hoje, o índice triplicou para 6%. Ou seja: até outro dia, as salas de aula das universidades brasileiras lembravam mais a Suécia do que o próprio Brasil. Apesar da evolução, o percentual é ridículo. Afinal de contas, praticamente a metade dos brasileiros é negra ou parda. Nos Estados Unidos, a porcentagem da população chamada afrodescendente corresponde exatamente à participação dela nas universidades: 13%. Quem diz que não existe racismo no Brasil está enganado ou fala isso de má-fé. Nos Estados Unidos, veem-se negros ocupando o mesmo espaço dos brancos – nos shoppings, nos restaurantes bacanas, no aeroporto, na televisão, nos cargos de chefia. No Brasil, a classe média branca raramente convive com pessoas de uma cor de pele diferente da sua e talvez isso explique por que muita gente refuta os programas de cotas raciais. No fundo, o que muitos brancos temem é que os negros ocupem o seu lugar ou o de seus filhos na universidade. Não há outra palavra para expressar isso a não ser racismo. 
 Com a aprovação recente, pelo Senado, do projeto que regulamenta o sistema de cotas nas universidades federais (e que prevê que até 2016 25% do total de vagas seja destinado aos estudantes negros), as próximas gerações vão conhecer uma transformação ainda mais profunda. Os negros terão, enfim, as condições ideais para anular os impedimentos que há 205 anos, desde a fundação da primeira faculdade brasileira, os afastavam do ensino superior. Por mais que os críticos se assustem com essa mudança, ela é justa por fazer uma devida reparação. “São muitos anos de escravidão para poucos anos de cotas”, diz o pedagogo Jorge Alberto Saboya, que fez sua tese de doutorado sobre o sistema de inclusão no ensino superior. Acima de tudo, são muitos anos de preconceito. Como se elimina isso? “Não se combate o racismo com palavras”, diz o sociólogo Muniz Sodré, pesquisador da UFRJ. “O que combate o racismo é a proximidade entre as diferenças.” Não é a proximidade entre as diferenças o que, afinal, promove o sistema de cotas brasileiro? Fotos: Arquivo pessoal; Adriano Machado/Ag. Istoé; Ana Carolina Fernandes; Orestes Locatel; Link Photodesign Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

16 horas atrás

Otimismo pode curar? Veja o mundo mais cor-de-rosa

por Hélio Consolaro
 

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Um estudo norte-americano mostra que flutuações na intensidade do otimismo são capazes de aumentar ou diminuir a resposta do sistema imunológico 11 DE ABRIL DE 2013  Por: Equipe Oásis Que o otimismo (assim como o pessimismo) tem relação com o sistema imunológico humano não é novidade: várias pesquisas já registraram a existência desse vínculo. Hoje, é ponto pacífico que tudo – de uma briga familiar a uma promoção no trabalho – pode, dependendo de sua polaridade, tanto abrir espaço para uma doença e atrasar a recuperação como estimular a cura. Mas, ao compararem apenas otimistas com pessimistas, os estudos deixavam em aberto a possibilidade de que outros fatores, como personalidade e hereditariedade, também influenciassem a resposta imunológica. Um dos flancos abertos nessa área – como flutuações na intensidade do otimismo afetam a relação com o sistema imunológico – já começou a ser abordado, e um estudo divulgado recentemente nos Estados Unidos mostrou, em linhas gerais, que o grau de otimismo tem, sim, influência na regulação da imunidade. A pesquisa, coliderada por Suzanne Segerstrom, professora de psicologia da Universidade de Kentucky e um dos mais conhecidos nomes na área da psicologia positiva, acompanhou as mudanças do otimismo e da resposta imune entre alunos do primeiro ano do curso de direito da Universidade de Kentucky. As informações coletadas revelaram que, conforme tornavam-se mais otimistas, os calouros exibiam uma imunidade mediada por células (o fluxo de células do sistema imunológico que responde a uma invasão por vírus ou bactérias externos) mais forte. O inverso também ocorreu: quando o otimismo caía, a imunidade mediada por células também decrescia. 
 Ligação mais forte “Mostrar que um único indivíduo – com a mesma personalidade e genes – tem função imunológica diferente quando se sente mais ou menos otimista proporciona uma ligação mais forte entre os dois”, afirma Suzanne. Para chegar a essa conclusão, ela convidou 124 alunos que haviam ingressado em direito e solicitou-lhes que respondessem a cinco questionários e testassem sua imunidade durante um ano. Os questionários mediram o otimismo dos alunos por meio de sua identificação com frases como “Vou ser menos bem-sucedido do que a maioria dos meus colegas”. Uma dose de vírus da caxumba morto ou levedura de cândida foi injetada sob a pele do antebraço, a fim de testar a imunidade. O sistema imunológico responde a essa “agressão” produzindo um pequeno inchaço no local da injeção, e é medindo essa protuberância que os pesquisadores avaliam a força da resposta imune.
As vivências de aulas, provas e entrevistas de estágio fizeram os níveis de otimismo dos estudantes subirem e descerem. Sua imunidade mediada por células seguiu um caminho similar: um incremento no otimismo elevava a resposta imune; uma queda a enfraquecia.  A aferição do vínculo otimismo- sistema imunológico foi feita pelos cientistas a partir de um cálculo estatístico denominado “tamanho do efeito”. No caso do otimismo, o tamanho do efeito registrou 0,19. Para comparar, diz Suzanne, o tamanho do efeito na massa óssea quando uma pessoa normal toma cálcio é 0,08, e o da ingestão de remédio para pressão arterial em relação ao seu risco de derrame é de 0,03. “Assim, à luz dessas outras relações biomédicas que consideramos grandes e importantes, esse efeito certamente se coadunaria”, observa a cientista. Para Suzanne, os dados coletados indicam ainda que o aumento de emoções positivas pode ter responsabilidade parcial pela influência do otimismo sobre a imunidade. O passo seguinte, afirma a cientista, é investigar essa relação em pessoas mais velhas, cujo sistema imunológico poderia estar mais frágil e vulnerável a infecções. Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

16 horas atrás

ABL elege Rosiska Darcy para cadeira 10

por Hélio Consolaro
 
A escritora foi eleita para a vaga aberta com a morte do poeta alagoano Ledo Ivo por 23 votos, contra seis dados ao poeta Antônio Cícero, cinco ao também poeta Marcus Accioly e quatro à historiadora Mary del Priore; dos 38 acadêmicos, 26 votaram na sessão plenária e 12 por carta Paulo Virgílio
Repórter da Agência Brasil Brasília – A escritora Rosiska Darcy de Oliveira é a nova ocupante da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras (ABL), deixada vaga com a morte, em dezembro do ano passado, do poeta alagoano Ledo Ivo. Ela foi eleita na tarde de hoje (11) com 23 votos, contra seis dados ao poeta Antônio Cícero, cinco ao também poeta Marcus Accioly e quatro à historiadora Mary del Priore. Dos 38 acadêmicos, 26 votaram na sessão plenária e 12 por carta. “A Academia está muito contente com a eleição de Rosiska Darcy de Oliveira e se sente enriquecida com o aumento de seu naipe feminino”, disse o secretário-geral entidade, Geraldo Holanda Cavalcanti, que presidiu a sessão, substituindo a presidenta da Casa, Ana Maria Machado, ausente por motivos particulares. Além da presidenta e da agora eleita Rosiska, outras três mulheres integram a ABL, as escritoras Nélida Piñon e Lygia Fagundes Telles e a professora de literatura Cleonice Berardinelli. Jornalista, escritora, ensaísta e conferencista, Rosiska Darcy de Oliveira, formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, esteve exilada durante a ditadura militar. Na Suíça, tornou-se doutora em educação e lecionou durante dez anos na Universidade de Genebra, na Suíça. De volta ao Brasil, fundou o Instituto de Ação Cultural (Idac) e foi assessora especial do professor Darcy Ribeiro, na época vice-governador do Rio de Janeiro. No governo federal, presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e foi embaixadora do Brasil na Comissão Interamericana de Mulheres da Organização dos Estados Americanos (OEA). É consultora de organismos internacionais e membro do Painel Mundial sobre Democracia da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A questão feminina é o tema dos dois primeiros livros de Rosiska – Le féminin ambigu e La culture des femmes – publicados na Europa, e também de Elogio da diferença, lançado no Brasil e nos Estados Unidos. Colunista dos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, publicou outros quatro livros que reúnem suas crônicas A dama do unicórnio, Outono de ouro e sangue, A natureza do escorpião e Chão de terra. Dedicada à questão da cidadania, a recém-eleita acadêmica preside a organização não-governamental Rio Como Vamos, que tem como objetivo monitorar a gestão municipal da cidade do Rio de Janeiro. Ao todo, 15 candidatos concorreram à cadeira 10, uma das duas em aberto na Academia. A outra era ocupada pelo jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo, que morreu no dia 22 de março. As inscrições para esta segunda vaga ainda estão abertas e um dos candidatos é o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. 

Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

A Igreja do Diabo – comédia em Araçatuba

por Hélio Consolaro
 
Promoção: Mancomunados – produções artísticas
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura

Cena da peça

Dia 18 de abril,quinta-feira, 20h30, abertura do Cenata 2013 – Festival de Cenas Curtas de Araçatuba. Local: teatro municipal Castro Alves -Araçatuba.
Cia. Teatral Boccaccione, de Ribeirão Preto. Entrada: R$ 5,00 – meia: R$ 2,50

Cansado de ser desorganizado e de ficar com as circunstanciais sobras das diferentes manifestações de fé, o Diabo tem a idewia de fundar uma igreja e organizar seu rebanho. Após comunicar Deus de seu futuro ato, volta a terra e funda, com muito sucesso, a igreja que idolatra os defeitos humanos. 

Classificação: 16 anos. 

Clique aqui para ver a programação de Cenata 2013

Baseado no conto homônimo de Machado de Assis. LEIA O CONTO AQUI

Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

6 horas atrás

CEU – Araçatuba

por Hélio Consolaro
 
CEU de Toledo-PR, já inaugurado

Hélio Consolaro* 
Percebe-se que boa parte dos moradores das zonas nobres de Araçatuba não conhece a cidade em seu todo. Às vezes, por isso, até criticam a atual administração por desconhecimento. Só observar por cima, de um avião, não revela os detalhes de nossa urbe.

 

No conjunto habitacional Atlântico, por exemplo, moram quase 1.000 famílias. Trata-se de investimento do programa do governo federal chamado “Minha casa, minha vida”, que é bastante amplo, mas nesse caso privilegia família com renda inferior a 03 salários mínimos. Gente que não era beneficiada pelo sistema financeiro por falta de renda, por isso morava de favor em casa de parentes ou mesmo em sub-habitação.

 

Considerada uma população de alta vulnerabilidade social, o conjunto habitacional foi escolhido pelo prefeito Cido Sério (PT) para receber o CEU – Centro de Artes e Esportes Unificados. Antes era o PEC – Praça de Esportes e Cultura, mas como se trata de obra do Ministério da Cultura, a ministra Marta Suplicy adotou CEU, como forma de reportar à sua ação como prefeita de São Paulo, quando construiu CEUs pela periferia da capital paulista.

 

O CEU de Araçatuba, em construção

O CEU de Araçatuba, já está em construção, tem 3 mil metros quadrados, com quadras cobertas, biblioteca, auditório, “lan house” e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), além de pista para caminhada em seu entorno. Ele será um próprio municipal com gestão compartilhada. 
No CEU, haverá ações das seguintes secretarias municipais: Cultura, Esportes, Assistência Social e Participação Cidadã. Esta última cuidará da gestão compartilhada, que implantará um conselho gestor com participação dos moradores.

 

    

 

O CEU é uma espécie de Centro Social Urbano (CSU) – bairro Morada dos Nobres – ou Caic (governo Collor), construído no bairro São José. Ambos tiveram problemas em seu início, pois não houve um trabalho prévio de mobilização social para que a gestão fosse compartilhada.

 

Estive em São Paulo, num dos auditórios da Funarte, participando de um seminário: dias, 27 e 28 de março de 2013. Além de mim, Araçatuba se representou por Luana Daniela dos Santos (moradora), Reginalva de Oliveira (Participação Cidadã).  

 

Durante o seminário, houve momentos fortes de discussão de como fazer a mobilização social. Sertãozinho, por exemplo, já está com o CEU funcionando, apresentou a todos as primeiras experiências. E assim foi com outros municípios que, às vezes, nem começaram ainda a obra. Estes têm até agosto para fazê-lo.

 

Saímos de lá com a certeza de os moradores precisam ser os protagonistas na gestão do CEU, porque aquele espaço vai tornar a vida deles mais fácil. Assim, teremos a oportunidade de tirar crianças das ruas, fazendo a educação complementar, proporcionando o lazer. Temos certeza de que foi uma grande conquista do prefeito Cido Sério (PT). Todos os araçatubenses precisam conhecer nossos bairros para não criticar apenas por ouvir dizer. Há muito por fazer, mas muita coisa já foi feita.  

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP.

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

tem a ver comigo

por Betina Siegmann

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