Eduardo a caminho da Cerra

por redacao
 

 

 

O Conversa Afiada localizou o Oráculo de Delfos, dessa vez na catedral de São Paulo, em Londres, onde espera o Fernando Henrique para as exéquias de Margaret Thatcher:

Prezado Oráculo, para onde caminha o Eduardo?

Ele respondeu num fôlego só:

Fechados os caminhos de uma candidatura situacionista (Dilma, diante do lançamento da candidatura do
Eduardo pela midia e aceita tacitamente por ele, declarou a dela;  não há como retirar o PMDB da vice e nem deve) resta a lógica inevitável de se tornar uma candidatura de oposição.

Os conservadores não o deixarão escapar pela tangente a menos que dispense ajuda financeira.

Breve ele terá que dizer que é a favor do regime de concessão da Petrobras.

Ainda assim, o que justificaria uma candidatura dissidente?

Rejeição ao PMDB?

E as coligações do PSB com o mesmo PMDB e, pior, com o PSDB, Brasil a fora?

Projeto de governo? Seria contra a política social, contra a revolução na infraestrutura material da economia, inclusive em Pernambuco?

Contra a política internacional?

Aventar modificações e melhorias na margem dos processos em curso não justifica a abertura de uma dissidência nesse nível.

Em nome de quê o PSB, que convive com todos os partidos da coalizão desde Lula e nunca reclamou, apresentará um candidato presidencial ou vice alternativo?

O PSDB não tem discurso porque seja incompetente, mas porque, no período em andamento, não há discurso fora do governo senão o do conservadorismo dos costumes: sexo, corrupção, levando passo a passo até a direita.

Cerra que o diga.

Pano rápido.

7 horas atrás

Santayana e o MPF vs Lula. Quem brinca com fogo …

por redacao
 

 

O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana:

O PROCESSO CONTRA LULA E A FORÇA DO SIMBOLISMO


(Carta Maior) – O Ministério Público do Distrito Federal –  por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover  investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais.

O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo seqüestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena.

Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT.

O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal – mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.

Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula  que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.

Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país.

É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe trabalhadora numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de soberania.

Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.

Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.

Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalga-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.

Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. 

8 horas atrás

A Privataria é Imortal ! Amaury na Academia ! Assine !

por redacao
 

 

Conversa Afiada reproduz manifesto em defesa da imortalidade da Privataria Tucana (quando o presidente Barbosa legitimará a Satiagraha ?):

“A PRIVATARIA É IMORTAL – Amaury Ribeiro Júnior para a Academia Brasileira de Letras


Não é a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras tem a oportunidade de abrir suas portas para o talento literário de um jornalista. Caso marcante é o de Roberto Marinho, mentor de obras inesquecíveis, como o editorial de 2 de abril de 64:

“Ressurge a Democracia, Vive a Nação dias gloriosos” – o texto na capa de “O Globo” comemorava a derrubada do presidente constitucional João Goulart, e não estava assinado, mas trazia o estilo inconfundível desse defensor das liberdades. Marinho tornou-se, em boa hora, companheiro de Machado de Assis e de José Lins do Rego.

Incomodada com a morte prematura de “doutor” Roberto, a Academia acolheu há pouco outro bravo homem de imprensa: Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção.

Esses antecedentes, “per si”, já nos deixariam à vontade para pleitear – agora – a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Junior à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras.

Amaury, caros acadêmicos e queridos brasileiros, não é um jornalista qualquer. É ele o autor de “A Privataria Tucana” – obra fundadora para a compreensão do Brasil do fim do século XX.

Graças ao trabalho de Amaury, a Privataria já é imortal! Amaury Ribeiro Junior também passou pelo diário criado por Irineu Marinho (o escritor cubano José Marti diria que Amaury conhece, por dentro, as entranhas do monstro).

Mas ao contrário dos imortais supracitados, Amaury caminha por outras tradições. Repórter premiado, não teme o cheiro do povo. Para colher boas histórias, andou pelas ruas e estradas empoeiradas do Brasil. E não só pelos corredores do poder.

Amaury já trabalhou em “O Globo”, “Correio Braziliense”, “IstoÉ”, “Estado de Minas”, e hoje é produtor especial de reportagens na “TV Record”. Ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Tudo isso já o recomendaria para a gloriosa Academia. A obra mais importante do repórter, entretanto, não surge dos jornais e revistas. “A Privataria Tucana” – com mais de 120 mil exemplares comercializados – é o livro que imortaliza o jornalista.

A Privataria é imortal – repetimos!

O livro de Amaury não é ficção, mas é arte pura. Arte de revelar ao Brasil a verdade sobre sua história recente. Seguindo a trilha aberta por Aloysio Biondi (outro jornalista que se dedicou a pesquisar os descaminhos das privatizações), Amaury Ribeiro Junior avançou rumo ao Caribe, passeou por Miami, fartou-se com as histórias que brotam dos paraísos fiscais.

Estranhamente, o livro de Amaury foi ignorado pela imprensa dos homens bons do Brasil. Isso não impediu o sucesso espetacular nas livrarias – o que diz muito sobre a imprensa pátria e mais ainda sobre a importância dos fatos narrados pelo talentoso repórter.

A Privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Junior rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC é o ex-sociólogo que – ao virar presidente – implorou aos brasileiros: “Esqueçam o que eu escrevi”. A ABL saberá levar isso em conta, temos certeza. É preciso esquecer.

Difícil, no entanto, é não lembrar o que FHC fez pelo Brasil. Eleito em 1994 com o apoio de Itamar Franco (pai do Plano Real), FHC prometeu enterrar a Era Vargas. Tentou. Esmerou-se em desmontar até a Petrobras. Contou, para isso, com o apoio dos homens bons que comandam a imprensa brasileira. Mas não teve sucesso completo.

O Estado Nacional, a duras penas, resistiu aos impulsos destrutivos do intelectual Fernando.

Em 95, 96 e 97, enquanto o martelo da Privataria tucana descia velozmente sobre as cabeças do povo brasileiro, Amaury dedicava-se a contar histórias sobre outra página vergonhosa do Brasil – a ditadura militar de 64. Em uma de suas reportagens mais importantes, sobre o massacre de guerrilheiros no Araguaia, Amaury Ribeiro Junior denunciou os abusos cometidos pela ditadura militar (que “doutor” Roberto preferia chamar de Movimento Democrático).

FHC vendia a Vale por uma ninharia. Amaury ganhava o Prêmio Esso…

FHC entregava a CSN por uns trocados. Amaury estava nas ruas, atrás de boas histórias, para ganhar mais um prêmio logo adiante…

As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso.

Celso Lafer – ex-ministro de FHC – é quem cumpre agora a boa tarefa de recuperar a memória do intelectual Fernando, ao apresentar a candidatura do ex-presidente à ABL. A Academia, quem sabe, pode prestar também uma homenagem ao governo de FHC, um governo simples, em que ministros andavam com os pés no chão – especialmente quando tinham que entrar nos Estados Unidos.

Amaury não esqueceu a obra de FHC. Mostrou os vãos e os desvãos, com destaque para o caminho do dinheiro da Privataria na volta ao Brasil. Todos os caminhos apontam para São Paulo. A São Paulo de Higienópolis e Alto de Pinheiros. A São Paulo de 32, antivarguista e antinacional. A São Paulo de FHC e do velho amigo José Serra – também imortalizado no livro de Amaury.

Durante uma década, o repórter debruçou-se sobre as tenebrosas transações. E desse trabalho brotou “A Privataria Tucana”.

Por isso, dizemos: se FHC ganhar a indicação, a vitória será da Privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: a Privataria é imortal!

===

Se você apoia Amaury para a ABL, deixe abaixo seu nome, profissão e/ou entidade. Veja quem já aderiu à campanha “A Privataria é imortal”:

Altamiro Borges
Antonio Cantisani Filho
Breno Altman
Daniel Freitas
Dermi Azevedo
Diogo Moysés
Elis Regina Brito Almeida
Emiliano José
Emir Sader
Enio Squeff
Ermínia Maricato
Flavio Wolf Aguiar
Gilberto Maringoni
Inácio Neutzling
Ivana Jinkins
Joaquim Ernesto Palhares
Joaquim Soriano
João Brant
José Arbex Jr.
Julio Guilherme De Goes Valverde
Katarina Peixoto
Ladislau Dowbor
Laurindo Leal Filho
Lúcio Manfredo Lisboa
Luiz Carlos Azenha
Luiz Fernando Emediato
Luiz Gonzaga Belluzzo
Marcel Gomes
Marcio Pochmann
Marco Aurelio Weissheimer
Marcos Dantas
Paulo Henrique Amorim
Paulo Salvador
Raul Millet Filho
Reginaldo Nasser
José Reinaldo Carvalho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Samuel Pinheiro Guimarães
Venício Lima
Wagner Nabuco”

 

 

Clique aqui para assinar !

 

8 horas atrás

Londres vai às ruas por Thatcher

por redacao
 

 

 

O Conversa Afiada aceita sugestão do amigo navegante:

jbmartins Contra o PIG o Golpe da Midia

Enviado em 08/04/2013 às 19:06

A Thatcher morreu, como aqui e como lá a Privataria foi muito boa, olhe as fotos http://esquerdopata.blogspot.com.br/2013/04/britanicos-comemoram-nas-ruas-morte-de.html

 

(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

9 horas atrás

Barbosa não vai à Costa Rica contra Dirceu

por redacao
 

 

Saiu na Folha (*):

Sintonia fina

VERA MAGALHÃES

Com a proximidade da fase de recursos do mensalão, Joaquim Barbosa viajará no começo de maio para evento sobre liberdade de expressão na Costa Rica e se reunirá com Diego García-Sayá, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O presidente do STF espera que Sayá reitere o entendimento de que não cabe revisão do julgamento – cujo acórdão sai nesta semana- em instâncias internacionais, uma das estratégias de defesa de réus como José Dirceu. 

CEP errado Durante jantar em março, em Brasília, Sayá havia dito a Barbosa que, se recursos batessem na corte, seriam devolvidos. Ele justificou que o país é uma democracia e os réus tiveram amplo direito de defesa.

 

Navalha

Conversa Afiada considera que esse é um daqueles furos n’água do PiG (**).

O presidente Barbosa, que, breve, legitimará a Satiagraha, seria incapaz de tentar manipular a decisão soberana de um presidente de Corte Internacional de Direitos Humanos.

Primeiro, porque a decisão não é só dele, mas da Corte.

Segundo, essa mesma Corte não tem muita simpatia pelo Supremo brasileiro.

Foi ela que considerou a anistia à Lei Anistia, aprovada pelo Supremo com a relatoria de Eros Grau, uma “vergonha para o continente”.

Não haveria de ser, agora, com a repercussão do julgamento do mensalão (o do PT, porque, segundo o professor Falcão, o do PSDB, bem, sabe como é, esse, nem pensar) que a respeitável Corte de Direitos Humanos deixaria de apreciar a“condenação” do deputado João Paulo Cunha.

Ainda mais que o Ministro García-Sayá, muito bem informado, há de saber das movimentações patrióticas do Gilmar Dantas (***) e do Ataulfo Merval para não renovar o Supremo.

Seria inconcebível um juiz interceder junto a um juiz que vai julgar recurso de decisão que tomou.

Justiniano jamais imaginou que isso pudesse acontecer.

Só na Folha.

Conversa Afiada repudia de forma categórica a suposta “informação” do Painel da Folha.

Por falar em Folha (que breve seguirá os passos do Estadão), leia “a Folha foi tosquiar o Maduro e saiu sem lã”.

Conversa Afiada recomenda ao Ministro García-Sayá que leia o livro do Paulo Moreira Leite sobre a “outra história do mensalão”.

Encontrará ali “erros” de ruborizar o Thomas Jefferson.

 

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

10 horas atrás

Wanderley: a coalizão-baleia da Dilma pare sardinhas

por redacao
 

Aqui, um resumo leigo da aula do professor Wanderley Guilherme dos Santos na revista “Insight”, de janeiro-fevereiro-março de 2013 – http://www.insightinteligencia.com.br/60/PDFs/pdf1.pdf:

No Governo Lula, todos ganharam.

Agora, também, mas em velocidade menor.

Para manter as políticas dirigidas às classes C e D, a velocidade dos ganhos das classes A e B será menor.

Aí há certo risco, porque manter aquelas políticas gera menos consenso.

As classes C e D são a maioria, mas as classes A e B tem mais articulação nas instituições.

Por isso, é importante analisar o tipo de coalizão do Governo Dilma.

Ela busca a “coalizão de segurança máxima”.

Persegue o maior numero de apoiadores e não deixa de fora quem possa entrar.

Aí é que está o nó.

Na hora de votar as questões relevantes essa segurança máxima funciona ?

Não está funcionando.

Muitos deputados da base aliada votam com a oposição.

E outros não votam: saem do plenário na hora de votar.

Dilma por isso já sofreu derrotas importantes.

É extraordinariamente complexo administrar os interesses dentro de uma “segurança máxima”.

A “segurança máxima” é bem inferior àquela por que a Dilma paga.

Tem o comportamento “carona”: o deputado não assina, se ausenta do plenário como se fosse ao toalete e só será chamado às falas se o Governo perder a votação.

O Governo deveria saber quem são os “aliados” desleais a descoberto, que votam com a oposição,  e quem são os encapotados, os ausentes.

Como está todo mundo na coalizão, não custa nada pular o muro.

O Planalto deveria mudar a estratégia e fazer uma coalizão menor e mais forme.

Num Congresso de 513, uma coalizão de 280 dá.

Seria melhor integrar mais o PMDB, dar-lhe mais espaço e cobrar lealdade com severidade.

Dilma deveria usar a coerção com “aliados”: sem assumir os ônus, não se leva o bônus.

Os acordos não podem mudar em cada votação.

O Governo tem que parar de se mostrar acuado, fragilizado, amedrontado.

Do ponto de vista da presença e da visibilidade, o Governo Dilma é mais opaco do que o do Lula.

Não há quem explicite publicamente as linhas do Governo.

Não há porta-vozes nem intérpretes autorizados.

Qual seu pensamento político ?

O que está fazendo a administração ?

O Governo atual não se comunica, não fala.

Esta coalizão baleia só está parindo sardinhas de apoio ao Governo.

11 horas atrás

PiG teme que novo STF absolva Dirceu

por redacao
 

 

Conversa Afiada reproduz texto do Edu no Blog da Cidadania: 

Mídia teme que novos membros do STF absolvam “mensaleiros”


Na surdina – mas nem tanto –, o Supremo Tribunal Federal vem sofrendo pressões da mídia tida e sabida como de oposição ao governo Dilma Rousseff e adversária política do PT. Tais pressões visam impedir que a troca de membros daquela Corte (que está em pleno curso) resulte em reversão de condenações do “núcleo político” do julgamento do mensalão.

Desde o fim do julgamento da Ação Penal 470, abriram-se duas vagas para novos ministros e uma terceira ainda não foi aberta por razões eminentemente políticas.

Dos 11 ministros que participaram do julgamento do mensalão e condenaram os petistas José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, dois já deixaram o STF. Cesar Peluso e Carlos Ayres Brito abriram duas vagas, mas apenas uma foi preenchida. Teori Zavascki, ex-ministro do STJ, ocupou a vaga de Peluso, mas a de Britto, aberta em novembro, até agora não foi preenchida.

Além das vagas de Peluso e Britto, em março deveria ter sido aberta mais uma vaga, a do ministro Celso de Mello, quem, em meados de 2012, antes do início do julgamento do mensalão, anunciou sua disposição de se aposentar em março deste ano, o que não aconteceu.

Globo (televisões, rádios, jornais e revistas), Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, a revista Veja, o PSDB, o DEM, o PPS e, acima de todos, o ministro do STF Gilmar Mendes vêm pressionando o STF, plantando “notícias” e fazendo pressão para que o ministro Mello, um dos mais afoitos em condenar petistas, não se aposente até que o julgamento termine de fato, com a apreciação de todos os embargos que podem, em tese, inocentar aqueles condenados.

No fim de 2012, a revista Veja chegou a criar a campanha “Fica, Celso de Mello”. Fontes no STF relatam que o ministro, que anunciara sua aposentadoria em julho do ano passado, vem recebendo “incontáveis apelos” para que postergue sua aposentadoria, pois inimigos do PT acreditam que tanto o já nomeado Zavascki quanto outros novos ministros optarão pela linha legalista e rejeitarão as condenações sem provas feitas por Peluso, Britto e Mello sob pressão da mídia.

No momento, a prioridade da oposição partidária, judiciária e midiática é impedir a nomeação do advogado tributarista Heleno Torres para a vaga de Britto.

Torres conta com a simpatia do ministro Ricardo Lewandowski, um dos poucos que divergiu da maioria que condenou réus do “núcleo político” do mensalão e denunciou a impropriedade da teoria do “domínio do fato” para promover tais condenações – o uso da teoria dispensou provas, baseando-se em “verossimilhança” de culpas.

É voz corrente no STF que não existe o menor sentido em Heleno Torres divulgar antecipadamente que seria escolhido, pois tal divulgação só faria “queimá-lo”. No entanto, o jornal O Estado de São Paulo e a revista Veja, na semana passada, divulgaram que Torres estaria espalhando que já teria sido escolhido.

Neste fim de semana, a revista Época, da Globo, fez uma “denúncia” contra o ministro Lewandowski, de que teria “primeiro prendido e depois mandado soltar” o britânico Michael Misick, quem o Reino Unido acusa de crimes e tenta fazer o Brasil extraditar.

Segundo a revista, Lewandowski teria agido assim porque o britânico contratou o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado pelo PT de São Paulo. A insinuação da matéria da Época é a de que Lewandowski, que diz ser “ligado ao PT”, mudou de ideia sobre Misick quando ele contratou um “advogado petista”.

No último sábado, o jornalista Luis Nassif publicou em seu blog a explicação de Lewandowski. Entre tudo que a assessoria do ministro explicou, o fato principal é o de que o Reino Unido não apresentou a tempo a fundamentação de seu pedido para manter Misick preso.

Nos corredores do STF, até os bebedouros sabem que as variadas pressões da mídia sobre aquela Corte (supra descritas) guardam relação com o preenchimento das duas vagas de ministro – uma aberta e outra por se abrir – com a – ainda possível – aposentadoria de Celso de Mello.

Com a tentativa de levarem o ex-presidente Lula ao banco dos réus, a mídia acredita que o preenchimento por Dilma de uma ou duas vagas de ministros no STF e da vaga de procurador-geral da República (que se abrirá em julho) pode anular seus planos de destruir o PT antes da eleição presidencial do ano que vem.

11 horas atrás

Genoino: Jefferson é a única “prova” do STF

por redacao
 

Assista à entrevista de José Genoino a Kennedy Alencar, na RedeTV:

 

“Não enriqueci na política”

Clique aqui para ler a entrevista que ele deu, logo após o julgamento, ao Conversa Afiada ; aqui para ler “O que Barbosa omitiu para poder condenar Jão Paulo Cunha”; e aqui para ler “Barbosa não vai à Costa Rica contra o Dirceu”.

12 horas atrás

O que Barbosa ignorou para “condenar” João Paulo

por redacao
 

O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, da “Retrato do Brasil”, já tinha demonstrado inequivocamente que o dinheiro da Visanet não é público.

Agora, na edição número 68 da revista, ele demonstra, de novo, de forma inequívoca, que Joaquim Barbosa inocorreu em erros gravíssimos – Raimundo chama de “a grande arte” de Barbosa –  para condenar o deputado João Paulo Cunha.

O que justifica a revisão da condenação – clique aqui para ler “o PiG (*) teme que o novo STF absolva o Dirceu” – e/ou o recurso à Corte de Direitos Humanos da OEA.

Conversa Afiada reproduz a reportagm de Raimundo.

Ela prova:

1) Sindicância de Câmara e do Tribunal de Contas da União absolvem João Paulo categoricamente;

2) Para condenar Simone Vasconcelos, diretora da agência de publicidade do Marcos Valeriodantas – clique aqui para ler “quem botava dinheiro no duto do Valeriodantas” – , o relator Joaquim Barbosa omitiu propositadamente uma ação de “caixa dois” – o que resultaria numa condenação pela Justiça Eleitoral –  para configurar “formação de quadrilha” e “compra de votos”.

Ao recusar os resultados da sindicância da Câmara e do TCU, Barbosa  conseguiu “convencer” outros ministros – mas, não, Lewandowski – de que houve “dinheiro público” para comprar deputados que votassem no PT.

Barbosa também não podia aceitar a tese do “caixa dois”, porque significaria eliminar o “mensalão” – ou seja, a “denúncia” do grande brasileiro Thomas Jefferson, de que deputados recebiam uma “mesada” para votar no PT.

(Era o caso, por exemplo, do deputado Luizinho que, nessa linha de raciocínio, votava no PT não porque fosse líder do PT da Câmara, mas porque gostava de mesada …)

Como se sabe, toda a arquitetura Golpista do julgamento do mensalão (o do PT) se resume, ao fim e ao cabo, à “denúncia” do Roberto Jefferson.

Clique aqui para ler o professor Falcão que, da tribuna global, confirma que a Globo condenou o Dirceu.

O texto de Raimundo comprova, de novo, a tese do Mino Carta: não se provou o mensalão.

Nem se provará.

O que houve foi Caixa Dois, que não existe no PSDB, no PSB, no PTB, no DEM … só no PT.

Como diz a Hildegarde Angel, tratou-se de um “um mentirão”, com a finalidade de interromper o ciclo trabalhista que governa o Brasil, exitosamente.

Em tempo: quando o implacável presidente Barbosa vai legitimar a Satiagraha ?

RETRATO DO BRASIL – Edição n° 68

A GRANDE ARTE DE JOAQUIM BARBOSA


Como o atual presidente do Supremo Tribunal Federal armou as condenações de João Paulo Cunha e dos dirigentes da agência SMP&B por um suposto desvio de dinheiro da Câmara dos Deputados por Raimundo Rodrigues Pereira

O diabo mora nos detalhes, é o ditado. Para tentar entender a condenação de João Paulo Cunha e dos dirigentes da agência de publicidade mineira SMP&B por desvio de dinheiro público num contrato de publicidade de 10,7 milhões de reais assinado pelo então presidente da Câmara dos Deputados e a agência no final de 2003, sugerimos que o leitor comece revendo um curto trecho da 31ª sessão do julgamento da Ação Penal 470 (AP 470) no Supremo Tribunal Federal, no dia 16 de agosto do ano passado. Esse detalhe está perto do final da fala do ministro Joaquim Barbosa, o relator da ação. Barbosa falara praticamente sozinho durante quase quatro horas. Sua fala fora repetitiva, pesada. Ele apresentou e reapresentou fatos que provariam a justeza de sua condenação. Cunha, o principal acusado, teria cometido quatro crimes: um de corrupção passiva, por ter recebido propina de 50 mil reais; outro, de lavagem de dinheiro, por ter tentado ocultar o recebimento dessa vantagem; e dois de peculato: um por ter se beneficiado de dinheiro público, cerca de 250 mil reais da Câmara, através da contratação de um assessor pessoal, e outro porque teria repassado cerca de 1,1 milhão de reais, também da Câmara, não para a SMP&B, mas, na verdade, para o PT.

Os 20 segundos escolhidos pelo repórter estão perto do final da sessão. Podem ser vistos no YouTube: AP 470, 16/08/12, 2/2. É a segunda parte da sessão. Barbosa está cansado, nervoso, como se pode ver nos 11 fotogramas da página ao lado tirados desses 20 segundos. Ele vinha lendo pausadamente seu voto – longuíssimo, 159 páginas. Teria provado, como escreveu à página 75 e leu para o plenário, que “o crime” estava “materializado”. Cunha teria desviado a maior parte do dinheiro da Câmara para o PT por ter contratado a agência SMP&B para que não fizesse praticamente nada. Dos quase 11 milhões pagos pela Câmara no contrato, menos de um centésimo seria trabalho feito efetivamente pela agência.
O cronômetro no YouTube marca 1h03min10s, ou seja, essa segunda parte da sessão já tem uma hora, três minutos e dez segundos de duração. Aparentemente, então, Barbosa percebe que é preciso destacar também o contraditório, a defesa de Cunha. Cita, nesse sentido, um trecho da conclusão do acórdão 430 do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2008: o trabalho efetuado pela agência tem um valor maior, 11,32% do contrato. E, então, de repente, como se percebesse a extensão da diferença entre o que vinha afirmando e o que o TCU diz – 11% é mil vezes 0,01% –, interrompe a leitura, ergue a cabeça, sai do script e, como se falasse diretamente para o espectador da TV Justiça, que transmite a sessão, fala, gesticulando rapidamente com o indicador da mão direita, com a mão inteira e com todo o braço: “Uma secretaria disse uma coisa… o que eu já citei”. Ri rapidamente e conclui: “Foi trocada toda a equipe, que posteriormente diz o contrário”.

Com isso, claramente, o ministro Barbosa tentou passar para o País a tese de que a absolvição de Cunha e da SMP&B pelo TCU fora armada. No entender do repórter, isso é uma insinuação grosseira, sem fundamento. E é pouco provável que Barbosa mantenha esse improviso no acórdão com a sentença a ser publicada, a princípio, até o final deste mês de março. Não foi o TCU que tentou armar a absolvição dos acusados. Foram as artes do ministro que construíram a condenação do STF. Para condenar, Barbosa selecionou, basicamente, informações dos meses após o 6 de junho de 2005, quando foi feita a denúncia do deputado Roberto Jefferson sobre a existência do chamado “mensalão”, e desprezou as principais investigações feitas – das quais a do TCU é apenas uma – que provam exatamente o contrário, isto é, que não houve desvio de dinheiro da Câmara dos Deputados no contrato da Câmara com a SMP&B. Cunha, um parlamentar com sete mandatos populares – de vereador, deputado federal e estadual –, com uma carreira sem mácula, foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão. A SMP&B era até então uma das principais empresas de publicidade do País, com mais de 30 anos de atividades. Foi destruída: em menos de dois meses não tinha mais condições de funcionamento e demitiu todos os seus quase 200 funcionários.

A condenação de Cunha por corrupção e o suposto desvio de dinheiro da Câmara, logo na primeira sentença da AP 470, criaram o clima para o que alguns já chamam hoje, como veremos no último capítulo de nossa história, o “mentirão”, um julgamento com condenações por indícios, não por provas. No caso de Cunha foi até pior: ele foi condenado contra as provas. Ele provou que os 50 mil reais recebidos eram de um esquema de caixa dois do PT e apresentou as testemunhas e os recibos de que gastou esse dinheiro com pesquisas eleitorais. Mas a maioria dos juízes preferiu condená-lo pelo que supunha ter acontecido. A ministra Cármen Lúcia, por exemplo, disse que achava que ele tentou esconder o fato de ter recebido os 50 mil por ter mandado sua esposa, Márcia Regina, receber o dinheiro e tê-lo feito às claras, deixando recibo.

A GRANDE INVESTIGAÇÃO DA CÂMARA

Ela resultou de pedido do próprio João Paulo Cunha. Foi de 2005 a 2011 e concluiu: não houve qualquer desvio de dinheiro público
Para entender os interesses políticos por trás do escândalo chamado “mensalão”, um episódio a ser revisto, mesmo que rapidamente, é a eleição do pernambucano Severino Cavalcanti, do Partido Progressista (PP), a presidente da Câmara dos Deputados em meados de fevereiro de 2005. Severino ganhou a eleição porque o PT se dividiu e apresentou um candidato dissidente, Virgílio Guimarães (PT-MG), no mesmo pleito. Severino, com 124 votos, e Virgílio, com 117, tinham sido derrotados no primeiro turno pelo candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh, que tivera 207 votos. No segundo turno, Severino bateu Greenhalgh por 300 a 195 votos. Virgílio foi o homem que apresentou Marcos Valério, mineiro de Curvelo como ele e diretor financeiro das empresas de publicidade DNA e SMP&B, a Delúbio Soares, o tesoureiro do PT, a quem Valério ajudou na tarefa de obter dinheiro para o partido.

Na nossa história, a candidatura de Virgílio contra o candidato oficial do seu partido serve para ressaltar o fato conhecido de que o PT é formado por várias correntes. O grande apoio a Severino e a baixa votação de Greenhalgh no segundo turno mostram ainda que a já então chamada base aliada estava longe de ser petista. A vitória de Severino, a rigor, foi o fato que puxou o enredo da trama política para um lado: contra o PT e a favor da invenção do “mensalão”. No caso da Câmara, ajudou a criar a historinha contra o ex-presidente da casa. Da assessoria do pernambucano emerge Alexis Souza, o operador na produção do principal documento usado por Barbosa na condenação de Cunha e dos dirigentes da agência SMP&B.
Alexis é um funcionário da Câmara ligado ao PP. Com Severino na presidência, Alexis foi para a chefia da Secretaria de Controle Interno (Secin) da Câmara. Quando Severino renunciou à presidência, sete meses depois, Alexis tornou-se assessor da bancada de deputados do PP. Até meados de fevereiro estava no gabinete da vice-presidência da Câmara, ocupada pelo deputado Eduardo da Fonte, também do PP de Pernambuco, como Severino. Foi lá que Alexis conversou com RB no início de fevereiro. Pouco antes, o repórter desta história tinha revisto, no YouTube, a condenação de Cunha por Barbosa e citou para Alexis o fato de o ministro ter destacado o seu documento na condenação. Aparentemente, Alexis ficou orgulhoso com o reconhecimento, mas pediu para que não fossem registradas as avaliações que fez inicialmente sobre a natureza política do “mensalão”. Sua presença se destaca na história contada a seguir primeiro pelo relatório e depois por seus depoimentos nos autos da grande investigação feita pela Câmara dos Deputados a respeito do contrato SMP&B-Câmara assinado em dezembro de 2003.

A investigação começou com um pedido formal do deputado Cunha a Severino: que a Câmara oficiasse ao Tribunal de Contas da União para ser feita uma investigação do contrato. O pedido foi feito a 7 de julho de 2005, logo que Cunha foi apontado como receptor de dinheiro do chamado valerioduto e surgiu a tese de que isso fora uma propina para ele aprovar o contrato com a SMP&B. Severino não só encaminhou o pedido ao TCU como deu ordem a Alexis, segundo o próprio repete em seus depoimentos, para realizar uma investigação sobre o caso. E o chefe da Secin a fez, de imediato. Quando, de 25 de julho a 3 de agosto de 2005, o TCU mandou uma equipe da sua Terceira Secretaria de Controle Externo (3ª Secex) à Câmara para uma investigação inicial, Alexis repassou a essa equipe as conclusões a que tinha chegado. O trabalho da 3ª Secex seguiu em frente e foi desembocar no acórdão 430 do TCU, de 2008, que absolve Cunha e a SMP&B. Esse acórdão é o mesmo torpedeado pela diatribe de Barbosa citada no início deste artigo. A investigação e as conclusões do TCU serão examinadas no segundo capítulo de nossa história. Por enquanto, se descreverá a investigação da Câmara, que começa com o relatório de Alexis e é a que o repórter considera mais importante.

O relatório final dessa investigação é de 26 de fevereiro de 2010 e está ao final do oitavo volume de um conjunto de 1.929 páginas. Basicamente, ela se desenvolve em três etapas: 1) a iniciada com o pedido de Cunha, a 7 de julho de 2005, e comandada por Alexis, que produz dois relatórios: um dois meses depois, em setembro, e outro, a seguir, em outubro; 2) a conduzida pelo Núcleo Jurídico da administração da Câmara, entre o final de 2005 e meados de 2006; 3) e a que se passa daí em diante, conduzida por uma Comissão de Sindicância (CS) criada pela direção administrativa da Câmara na época em que era presidente da Casa o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Como as comissões de sindicância só podem, pelo estatuto da Câmara, funcionar por 30 dias, prorrogáveis por mais 30, a rigor foram nomeadas oito dessas comissões, sempre com o mesmo presidente e praticamente com os mesmos funcionários, o que permite considerá-las uma só.

Nas suas conclusões finais, a CS diz que sua investigação consumiu 480 dias de trabalho, descontados os 1.115 dias nos quais os autos tramitaram entre os diversos órgãos interessados, que são: a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, na qual Cunha foi julgado e absolvido; a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, cujo relatório foi publicado no início de 2006 e enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR); a Polícia Legislativa da Câmara, que fez inquéritos sobre a denúncia de crimes que teriam sido cometidos na apresentação de propostas e na execução dos contratos; a Procuradoria-Geral da República, que apresentou a denúncia contra Cunha e outras 39 pessoas do grupo dos chamados “mensaleiros” ao Supremo Tribunal Federal, logo depois do relatório da CPMI; e, finalmente, o próprio STF, por meio do ministro Joaquim Barbosa, que presidiu o inquérito da PGR e, após a aceitação da denúncia pela corte suprema, tornou-se o relator da AP 470.

Não existe a menor dúvida de que a CS foi criada para ajudar a esclarecer a denúncia básica do “mensalão”: a de que o PT usara dinheiro público para realizar seu projeto político pela compra de voto dos parlamentares. E, a esse respeito, também não existe a menor dúvida nas quase 2 mil páginas dos autos: o contrato da Câmara com a SMP&B foi absolutamente legal, os pagamentos à agência estavam de acordo com os termos contratados e todos os trabalhos previstos nele foram realizados.

Não é o que disse e repete Alexis. A primeira parte do seu relatório, entregue a 28 de setembro de 2005, condena completamente a licitação feita durante a gestão de Cunha. Ela não teria um objeto bem definido, não incluiria um indispensável parcelamento de tarefas e teria a participação de empresas com sinais de conluio entre si. A licitação teria sido, ainda, julgada por critérios subjetivos, entre os quais o preconceito da comissão licitante contra uma das concorrentes, a empresa Ogilvy, por ela ter adquirido a Denison Propaganda, vencedora de licitação semelhante realizada em 2001, quando o presidente da Câmara era Aécio Neves (PSDB-MG). No segundo documento, de outubro, Alexis analisa sete de 52 processos de compra de serviços conduzidos pela SMP&B através de tomada de preços entre três fornecedores para cada compra e diz ter encontrado neles inúmeros sinais de irregularidade, entre os quais: a presença de empresas de existência duvidosa; a falsificação de propostas de serviços para simular concorrência; a introdução de elementos estranhos em pesquisa de opinião pública, com perguntas que citavam o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o próprio presidente da Câmara, João Paulo Cunha; e, finalmente, a falta de comprovação da veiculação de anúncios em 76 jornais do interior. Nesse segundo documento, Alexis faz também a avaliação que, depois, o ministro Barbosa usaria com, digamos, uma ênfase exagerada. Alexis diz que a SMP&B não tinha feito praticamente nada: 99,9% dos serviços do contrato teriam sido terceirizados. Barbosa multiplicou isso por, como diriam os matemáticos, 10-1 (10 à potência menos 1): em vez de a agência ter feito apenas 0,1%, um décimo por cento dos serviços, teria feito apenas 0,01%, um centésimo por cento dos serviços.

Alexis entregou esse segundo relatório com Severino já fora do comando da Casa, depois da posse de Aldo Rebelo, a 28 de setembro de 2005. Logo a seguir, a revista Época, semanário das Organizações Globo, de 28 de novembro publica matéria dizendo que Alexis havia entregado, ao novo presidente, carta de renúncia a seu mandato na Secin, que só terminaria em 2006. Seu relatório é, visivelmente, a base da matéria, que diz haver “fraudes e mais fraudes” no contrato em discussão. Tudo indica, no entanto, que Alexis nem chegou a ser efetivamente secretário de Controle Interno da Câmara. O deputado Cunha pretende entrar com um embargo ao acórdão a ser publicado pelo STF com sua condenação, no qual declarará que o relatório de Alexis é nulo de pleno direito porque ele não foi nomeado efetivamente diretor da Secin. Foi indicado para o cargo por Severino, mas a nomeação não se consumou porque necessitava de aprovação dos outros integrantes da mesa da Câmara e isso não ocorreu. E, a despeito de Joaquim Barbosa dizer que o relatório de Alexis era de um colegiado, a investigação da Câmara não conseguiu esclarecer quem elaborou o relatório com ele, embora repetidamente lhe tenha pedido esses nomes. O relatório só tem a assinatura de Alexis, que alega ter sido isso uma decisão sua, para proteger de represálias os demais participantes.

O debate do relatório de Alexis continuou na Câmara após sua saída da Secin. No final de 2006, a Câmara decidiu instalar a CS já citada, que só começou a funcionar meio ano depois, como vimos. Enquanto isso não ocorria, a 9 de novembro, o Núcleo Jurídico da casa encaminhou o relatório de Alexis para os cinco membros da Comissão Especial que havia realizado a licitação do contrato. Num documento assinado por todos os cinco, essa comissão refutou as acusações ponto por ponto. No essencial, disse que o contrato era a cópia melhorada do que havia sido usado pela Câmara para a licitação que acabara resultando na contratação da agência de publicidade Denison em 2001, quando o presidente era o mineiro Aécio Neves. Esse contrato também previa o pagamento, por parte da Câmara, de três tipos de serviços a serem produzidos ou supervisionados pela agência: 1) os de criação própria de peças publicitárias; 2) os de supervisão de serviços de terceiros, que não os de veiculação de publicidade; e 3) os de veiculação de publicidade. Em relação à criação própria, a Câmara pagaria com base numa tabela de preços do Sindicato das Agências de Propaganda do Distrito Federal, e a SMP&B daria um desconto de 80% sobre o total. Sobre os serviços de terceiros, a agência receberia uma comissão de 5%. Quanto à veiculação de publicidade, dos descontos de 20% normalmente concedidos pelos veículos – TVs, jornais, revistas –, 5% seriam repassados à Câmara pela agência.

Feitas as contas, como faria depois o ministro revisor da AP 470, Ricardo Lewandowski, no julgamento do caso, chega-se à conclusão de que os trabalhos da SMP&B, pelos termos do contrato, valeram: 948,3 mil reais pelo serviço de acompanhamento e planejamento da veiculação de publicidade; 129,5 mil reais pela comissão devida ao acompanhamento de serviços de terceiros; e 14,6 mil reais pelos trabalhos próprios de criação (veja as conclusões de Lewandowski no quadro com sua foto, nesta página). Por esse detalhamento feito pelo ministro revisor, fica evidente que a conta de Barbosa para chegar ao 0,01% implicou excluir os outros dois rendimentos aos quais a SMP&B tinha direito pelo contrato e considerar apenas os 14,6 mil reais. Foi uma contabilidade criativa, digamos, mas não muito honesta. Nos autos estava também, para comparação, o contrato feito antes, em 2001, pela Câmara, ganho pela agência Denison. Como deu um desconto de 100% nos trabalhos próprios, a Denison, pelo critério de Barbosa, não fez absolutamente nada.

No total, o valor dos serviços da SMP&B, por contrato, é de 1,09 milhão de reais, ou 11,32% do total de 10,7 milhões, como dizem Lewandowski e o TCU, e não 0,1%, como diz o relatório de Alexis, nem muito menos 0,01%, como disse Barbosa no seu frenesi acusatório. Os cinco membros da Comissão de Licitação afirmaram também que as eventuais fraudes na apresentação de propostas tinham sido encaminhadas para a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (PL-CD) e estavam sendo investigadas. A Secretaria de Comunicação Social da Câmara (Secom) tinha sido dirigida na gestão de Cunha por Márcio Araújo, também integrante da Comissão de Licitação e um dos principais responsáveis pelos problemas encontrados na licitação e aplicação do contrato, segundo Alexis. O setor jurídico da Câmara mobilizou, então, a nova direção da Secom, da gestão Rebelo, para responder às acusações de pagamentos feitos indevidamente. Eram várias. Uma se referia a campanha de cerca de 850 mil reais com anúncios de promoção das atividades da Câmara em 153 jornais, sendo 76 deles fora das capitais. Esse montante correspondia a 21% do valor total dos anúncios, mas seus comprovantes não tinham sido localizados e constava no relatório de Alexis a suspeita de que fossem falsos. Em meados de janeiro de 2006, no entanto, a nova Secom encontrou a grande maioria das comprovações e ficou faltando apenas uma dúzia delas.

Perto do final de 2006, a CS apresentou seu primeiro relatório. Resumiu toda a história: as alegações do relatório de Alexis, o exame que o então diretor da Secin fez nos contratos de compra de serviços e materiais e das veiculações de publicidade e as primeiras conclusões da 3ª Secex do TCU. E concluiu: 1) quanto à elaboração do edital: “nada” havia de desabonador; 2) quanto ao tipo de licitação, com base na chamada “melhor técnica”, que o relatório de Alexis considerara muito subjetivo: o tipo de melhor técnica, por se tratar de trabalho intelectual, era, de fato, o mais indicado, como já fora na licitação de 2001. Além disso, a SMP&B assumira o menor preço entre os apresentados por mais sete concorrentes; 3) e, quanto à avaliação das propostas de compra de serviços e materiais: “não encontrou nenhuma irregularidade administrativa”. Por fim, a conclusão da CS era que o processo deveria ser encerrado e os autos, arquivados.

A CS deixou aberta, no entanto, a questão da investigação de eventuais fraudes na apresentação de propostas para as compras de serviços e materiais, a despeito de todas as compras e serviços terem sido considerados realmente feitos. Para saber se as propostas falsas existiram e se teriam falseado a concorrência em um conluio de perdedores com ganhadores se deveria constituir uma nova Comissão de Sindicância. Aparentemente, a investigação, do ponto de vista da apuração do “mensalão”, o “crime histórico” do suposto desvio de dinheiro público para o PT, estava encerrada. Restavam malfeitos de detalhe numa concorrência como muitas outras. A apresentação de propostas falsas para simular concorrência não deveria ser tolerada, mas faria parte de outra investigação, menor. Possivelmente, é a aceitação da denúncia do “mensalão” pelo STF, em agosto de 2007, que leva à reinstalação da Comissão de Sindicância por mais seis períodos de dois meses cada, três no mandato de Arlindo Chinaglia (PT-SP) como presidente da Câmara (2007-2008) e mais três no de Michel Temer (2009-2010).

No entanto, como a CS foi praticamente a mesma, como se disse, o que ela faz é basicamente eliminar uma lista de problemas remanescentes, especialmente quanto às fraudes porventura existentes nas propostas perdedoras e os anúncios da campanha da Câmara publicados em jornais do interior cujos comprovantes ainda não tinham sido todos encontrados. Os trabalhos nesse período têm esse sentido e a CS resolve encerrá-los definitivamente no início de 2010, como citado. Faz, então, um balanço final dessas pendências: tinham sido analisados os 40 procedimentos de contratação de compras e serviços, impugnados, de modo geral, pelo relatório de Alexis. Os ganhadores dessas contratações tinham executado todos esses contratos e apresentado as notas fiscais correspondentes. À base de três propostas para cada contratação, eram 119 empresas – uma delas havia apresentado duas propostas. A CS oficia então a todas as 79 empresas perdedoras para saber se realmente tinham apresentado as propostas derrotadas e, assim, confirmar a existência, de fato, de concorrência. Resultado da consulta: 11 empresas não foram localizadas, 24 não mandaram resposta e 44 responderam, das quais 36 confirmaram as propostas em poder da comissão e seis não confirmaram.

Que mais a sindicância da Câmara deveria fazer? Já tinha concluído que a licitação vencida pela SMP&B fora benfeita e os serviços tinham sido executados sem que tivesse havido qualquer desvio de dinheiro público. Do ponto de vista do que deveria ser o objetivo central do STF, provar ou não se houve o famoso “mensalão” – em essência, o desvio de dinheiro público da Câmara para a compra de votos pelo PT –, o caso estava liquidado. A sindicância deveria prosseguir para apurar todos os eventuais malfeitos nas 40 contratações, para descobrir se os seis que negaram ter feito as propostas tinham sido substituídos por falsários e se os 35 que não foram localizados ou não responderam tinham, talvez, algo a esconder? Um exemplo de uma investigação dessas que foi bem longe sem qualquer resultado razoável foi feita num contrato de produção de textos para a primeira-secretaria da Câmara, na época ocupada pelo deputado Geddel Vieira Lima, vencido pela empresa GLT com uma proposta de 10 mil reais mensais e perdido pelas empresas Cogito e Agenda, que apresentaram propostas de 11 mil e 11,3 mil reais mensais, respectivamente.

O diligente Alexis diz, em depoimento de junho de 2008 à PL-CD, que teria sido avisado pelo TCU, logo após o início de sua investigação, de que a proposta da Cogito tinha sido assinada por uma funcionária da Câmara, o que implicaria uma contravenção penal. Afirma ainda que, por esse motivo, ouviu a funcionária e a encaminhou para exame grafotécnico depois de ela negar ter assinado o documento.

Essa investigação prosperou. Foi aberto um inquérito policial pela PL-CD e localizados os dirigentes das três empresas, que se submeteram a exame grafotécnico. Abriu-se também um inquérito na Polícia Federal (PF). Dois de seus agentes foram a Belo Horizonte para ouvir uma funcionária da SMP&B sobre o caso. Nos autos da investigação da Câmara, essa história desaparece depois que o dirigente da GLT, a empresa da proposta vencedora, não comparece para prestar depoimento e apresenta atestado médico creditando sua ausência ao fato de ter se submetido a operação de catarata. No entender do repórter, quem tentar ir mais longe no esclarecimento de eventuais malfeitos semelhantes, que possam ter existido no contrato SMP&B-Câmara, dizendo que faz isso para esclarecer o “mensalão”, confunde e não esclarece nada. Embora possa até pensar que está combatendo o desvio de dinheiro público para fins políticos escusos, na prática pode mesmo é estar desviando dinheiro público de atividades que poderiam ser concebidas de modo mais sensato.

DOIS FATOS EMBARALHADOS, E UM DELES É FALSO

A história de Simone, diretora da SMP&B, é outra prova: o STF desprezou o crime existente e inventou um outro

Num ato recente, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, pela anulação do julgamento do “mensalão”, com a presença de cerca de 800 pessoas, a colunista social Hildegard Angel deu um depoimento emocionante no qual misturou a história da morte de três parentes no período da ditadura militar – sua mãe, Zuzu Angel, e dois irmãos – com a defesa dos condenados no “mensalão”. Disse que, no julgamento militar de um de seus irmãos, quando ele já estava morto, fatos levaram a junta militar a decretar sua absolvição. Hildegard rebatizou o “mensalão” como “mentirão”, pelo fato de, no julgamento da AP 470, o STF ter ignorado direitos elementares dos acusados e fatos básicos da história, que a própria ditadura levou em conta no caso de seu irmão, pelo menos para uma absolvição póstuma.

A história de Simone Vasconcelos, diretora da SMP&B, uma das pessoas responsáveis pela administração do dinheiro da agência, confirma essa avaliação: fatos básicos da história na qual ela foi envolvida e direitos elementares de sua defesa foram ignorados pelo Supremo. RB foi encontrá-la na casa de parentes, no interior de Minas, durante o Carnaval. Dores na coluna fizeram com que ela ficasse de pé durante a maior parte do tempo da entrevista, de cerca de uma hora. Simone trabalhou seis anos na SMP&B, depois de 15 como funcionária administrativa no governo de Minas. Assinou inúmeros pagamentos pela agência. Na página ao lado, junto com sua foto, está o recibo de um deles, de 860.742,57 reais para a TV Globo, e a história de outro, de 300 mil reais para um certo Davi Rodrigues. O da Globo é um dos que a emissora recebeu por propaganda veiculada para a Câmara, pelo contrato da SMP&B. Como se viu no voto do ministro Lewandowski, citado anteriormente, a veiculação de publicidade pela televisão, jornais, revistas e internet corresponde a mais de 65% das despesas desse contrato. E a TV Globo foi a que mais recebeu: 2,73 milhões do total. O pagamento a Rodrigues é igualmente muito significativo. Como está nos autos da AP 470, Rodrigues foi o intermediário de um doleiro que recebia numa agência do Rural o dinheiro depositado por Simone e, depois, o enviava ao exterior, para uma conta de Duda Mendonça no BankBoston, nas Bahamas.

Como também está nos autos, Duda, que foi o publicitário da campanha de Lula para presidente em 2002 e fez outras campanhas para o PT em 2004, confessou ter recebido 15,5 milhões de reais do partido, sendo 10,5 milhões na conta do BankBoston nas Bahamas. O que um pagamento tem a ver com o outro? Ambos são assinados por Simone, mas se ligam a duas histórias completamente distintas. Uma, a da TV Globo, se refere a um contrato absolutamente legal, analisado exaustivamente e aprovado por diversos órgãos. Foi vencido pela SMP&B em licitação com mais sete concorrentes, em que nenhum contestou o resultado. O outro é um pagamento pelo famoso “caixa dois”. Em nenhum momento, a despeito da fúria da maioria dos juízes do STF e da quase unanimidade da grande mídia que os açulava, ninguém disse que Duda recebeu esse dinheiro porque estava envolvido no suposto “maior escândalo de corrupção da história da República, no qual o PT corrompeu o processo político brasileiro comprando voto de deputados”.

Por que Simone foi condenada a 12 anos e sete meses de prisão, inclusive por crime de evasão de divisas, se o próprio Duda, que indubitavelmente recebeu o dinheiro que chegou a ele por meio da assinatura de Simone num cheque, foi absolvido? Porque o STF embaralhou dois fatos: 1) o crime do caixa dois, que existiu, do qual Simone foi uma das executoras e no qual estão o dinheiro recebido por Duda e mais o de duas dúzias de políticos e intermediários seus; e 2) o “mensalão”, uma criatura fictícia, batizada com esse nome pelo deputado Roberto Jefferson em junho de 2005 e animada finalmente pelo STF com sua sentença no julgamento da AP 470 no final do ano passado.

O dinheiro que Simone disponibilizava ao PT, por ordem de Marcos Valério, era de empréstimos tomados pela SMP&B dos bancos mineiros Rural e BMG e repassados ao partido. Simone apenas cumpria ordens. Foi arrolada como integrante de uma “quadrilha publicitária” porque o crime de formação de quadrilha exige quatro integrantes e a acusação só tinha três donos efetivos na agência de publicidade: Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Marcos Valério. A “quadrilha publicitária” a que Simone “pertencia” foi subordinada a outra: a “quadrilha política”, em que estaria o chefão de todos, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo. Também teria havido o incentivo de uma terceira, a “quadrilha de banqueiros”, liderada pela presidente do Banco Rural, Kátia Rebelo. E isso tudo porque três quadrilhas articuladas e com um propósito grandioso ficavam bem na teoria do “maior crime da história da República”. Simone parece ser uma mulher forte. Tem noção das forças poderosas que foram desencadeadas para a construção da história do “mensalão” e o apoio entusiasmado dos seus familiares, além de uma leve esperança de que a verdade seja restabelecida.

O ministro Barbosa disse, na sua sentença contra Cunha e a SMP&B, que se apoiava em três decisões colegiadas. Uma delas, a de Alexis, como vimos no capítulo anterior, tudo indica, não é válida e não se sabe se é, de fato, colegiada. A terceira é a do TCU, com a qual encerraremos nossa história. E a segunda, por fim, é a de uma equipe do Instituto Nacional de Criminalística, órgão da Polícia Federal encarregado, entre outras coisas, da análise de documentos. Nossa história não entrará em detalhes dessa investigação por três motivos: 1) ela é confusa, tanto que foi usada pelo ministro Barbosa para condenar os acusados e pelo ministro Lewandowski para absolvê-los; 2) os técnicos encarregados de realizá-la não conseguiram separar as atividades da SMP&B nas três modalidades previstas expressamente no contrato – ao que tudo indica, por não serem especialistas no assunto, como insistem tanto os defensores de Cunha como os da SMP&B; e 3) a principal acusação que é feita, a de que os trabalhos da empresa IFT – Ideias, Fatos e Textos, do jornalista Luiz Costa Pinto, de assessoria a Cunha, não foram confirmados, está em absoluta contradição com a avaliação do processo que resultou no acórdão do TCU de 2008, em cujos autos estão, claramente, os comprovantes da realização dos serviços.

Finalmente, quanto ao esforço de Barbosa para desmoralizar a conclusão do TCU, ele não a estudou, ao que tudo indica. O que cita como sendo uma decisão colegiada da corte de contas é o relatório preliminar apresentado pela equipe de inspeção da 3ª Secex do tribunal, após a visita à Câmara e a consulta ao trabalho de Alexis Souza, já citadas. Inclusive, esse relatório da Secex, de agosto de 2005, repetia o argumento apresentado depois em forma exagerada por Barbosa, de que os serviços do contrato tinham sido terceirizados pela SMP&B em 99,9%. Pedia, ainda, que fossem ouvidos, em 15 dias, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha; o diretor da Secom, Márcio Araújo; e o diretor-geral da Câmara, Sergio Contreras, e os ameaçava com multa de 252 mil reais, equivalentes ao valor do trabalho do IFT prestado ao presidente da Câmara, serviço esse que o relatório considerava ilegal. Além disso, no detalhe, também pedia a Cunha, Araújo e Contreras explicações sobre os mesmos pontos cobrados na investigação da Secin.

Essa posição foi sendo desmontada totalmente à medida que a investigação do TCU evoluía. Já em meados de setembro de 2005, o secretário da 3ª Secex decidiu que todas as medidas determinativas do primeiro relatório deveriam aguardar o exame do mérito da questão. No início de outubro, o então ministro relator do caso no TCU, Lincoln Rocha, reduziu ainda mais o caráter repressivo das propostas: acolheu apenas a de sobrestar a prestação de contas da Câmara dos Deputados do exercício de 2004 e determinou à 3ª Secex que acompanhasse o desdobramento das investigações na Câmara e analisasse especialmente a prestação de contas da assessoria denunciada, a dos serviços prestados pela IFT.
Com a criação da Comissão de Sindicância da Câmara, em meados de 2006, e para verificar mais informações enviadas ao TCU, o novo ministro relator do caso, Benjamin Zymler, enviou nova equipe da Secex para mais uma inspeção na Câmara, feita nos primeiros dias de março de 2007. A preocupação principal era verificar a possibilidade de terem ocorrido pagamentos por serviços não realizados. Em relação à IFT, que estava no topo das preocupações, a Secex considerou corretas as explicações dadas pela Câmara e a suspeita foi afastada. Outras irregularidades, no entanto, ainda continuaram em análise.

A questão das contratações de terceiros foi esclarecida logo depois. A 3ª Secex concordou com a avaliação da Câmara de que elas correspondiam não aos 99,9% apresentados pela Secin, mas a 88,68%, e o relator Zymler disse que, nas auditorias realizadas pelo TCU em diversos órgãos e entidades da administração pública federal na área de publicidade e propaganda no segundo semestre de 2005, os contratos examinados mostraram graus semelhantes de terceirização. Posteriormente, o TCU aceitou a explicação dada pela Câmara para praticamente todas as outras pendências e, a 19 de março de 2008, o caso foi levado ao plenário do tribunal, tendo como relator o ministro Raimundo Carreiro, que apresentou voto, acompanhado unanimemente pelos membros da corte, considerando as informações prestadas pela direção-geral da Câmara “suficientes para demonstrar a regularidade nos atos de gestão analisados”. Ao final, Carreiro lembrou que as eventuais propostas falsas apresentadas por perdedores de concorrências, como a da Cogito Consultoria, deveriam ser analisadas em inquéritos policiais, como efetivamente, no exemplo, a Câmara continuava fazendo. Por fim, após recomendar o aprimoramento do modelo de contrato da Câmara para as próximas licitações que visarem a contratar agência de publicidade, deu o caso por encerrado e mandou arquivar os autos.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


13 horas atrás

Inesquecível: Dilma explica por que mentia sob tortura

por redacao
 

Sugestão do amigo navegante Nilson faz perguntar: onde está a Dilma do Agripino ?

A SECOM a escondeu, diria o Agripino.

 

 

Clique aqui para ler o professor Wanderley Guilherme dos Santos sobre a estratégia de coalizão da Dilma e o sumiço que a SECOM deu nela.

7 de Abril de 2013 11:00

O Globo elogia o Bernardo. Esse Mino …

por redacao
 

 

Saiu na pág. 18 do Globo, na seção “Uma Opinião Só”, notável editorial de título “Há regulação da mídia e ‘regulação da mídia’ ”.

O editorial se derrama em elogios ao Ministro do plim-plim e do trim-trim, segundo memorável capa da Carta Capital, agora revisitada por editorial do Mino, de título “Bernardo – Ato II”.

O Globo diz que Bernardo faz “correta defesa”.

“Nada mais acertado”.

O Globo ressalta que o Bernardo faz o que a Presidenta manda.

E que esse negócio de “regular a mídia” visa interferir no conteúdo jornalístico !

O Globo elogia a posição de Bernardo em “não dar andamento a uma proposta de ‘regulação da mídia’ ”.

A SECOM não teria dito melhor que o editorialista do Globo.

Viva o Brasil !

Para o Globo, o que interessa é barrar a entrada das telefônicas e do Google (leia “em tempo”) no mercadão que só a Globo controla.

A empresa monopolista da publicidade brasileira em meios de comunicação – ela detém 60% de TODA a publicidade do país – elogia o Ministro da Comunicação de um Governo trabalhista !

Esse Mino …

Em tempo: segundo notícia da Teletime, depois da Globo, hoje, no Brasil, quem detém mais publicidade é o Google.

Por isso, os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio, a menos que o Rodrigo Vianna os identifique como os donos do BV – querem que o ministro do plim-plim combata o Google.

Sobre o papel Golpista da Globovisión, leia “A Folha foi tosquiar o Maduro e saiu tosquiada”.

Paulo Henrique Amorim

7 de Abril de 2013 10:00

FHC: só ele pode ir à Metrópole. E dividir o PSDB

por redacao
 

Saiu no Estadão, que vai demitir 50 jornalistas e manter, apenas o caderno “Mensalão”, como diz aquele amigo navegante:

‘Cansei de ver o PSDB dividido’, diz FHC


Fernando Henrique Cardoso diz que o partido ‘tem tudo para vencer’ em 2014.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em um discurso inflamado neste sábado, 6, durante congresso estadual do PSDB paulista, que o partido “tem tudo para vencer (em 2014)” caso resolva o dilema da unidade interna. “O primeiro passo é a unidade. Cansei de ver o PSDB dividido. Chega!”, disse ele, gritando, diante de uma plateia de dirigentes e militantes.

Saiu também no moribundo:

Razão e bom senso


Apesar de parecer difícil guardar otimismo e manter esperanças diante do quadro atual de crise financeira e desatinos políticos, sempre se há de tentar construir um futuro melhor.

(…)

O governo, por exemplo, percebeu que o futuro depende do conhecimento e que existe um quase apagão de gente qualificada para o País encarar o futuro com maior otimismo. Logo, havia que propor a “grande solução”: em vez de termos minguados 8.500 bolsistas no exterior, passaríamos logo a 100 mil em quatro anos! Resultado: uma profusão de bolsas, um menoscabo da capacidade universitária já instalada e o envio ao exterior de muitos que nem sequer conhecem bem a língua do país onde vão estudar.

 

Navalha

Quem divide o PSDB é ele.

Entre os que querem se eleger – como o Padim Pade Cerra – e não levam o FHC para o palanque.

E os que não querem se eleger – como o Aecio Never, que prefere o Alto Leblon e se transforma em papagaio de pirata da Teoria da Dependência.

E sobre o Ciência Sem Fronteiras ?

O Farol de Alexandria, o Príncipe dos Sociólogos Marxistas, está uma fera porque 100 mil brasileiros vão a Paris e a Boston estudar.

Que horror !

Bom era quando só ele e os meninos da PUC podiam estudar no exterior.

E voltavam à Colônia com o mapa da Metrópole.

 

Paulo Henrique Amorim

7 de Abril de 2013 09:00

A herança maldita de Cerra a Haddad

por redacao
 

 

Saiu na Carta Maior artigo de Saul Leblon:

Serra/Kassab: 8 anos de desprezo por São Paulo


Oito anos de consórcio Serra/Kassab na cidade de São Paulo e, só agora, com a administração Haddad, vem à luz o resultado dramático de um abandono apenas intuído.

Ele não explica sozinho a deriva em que se encontram os serviços e espaços públicos da cidade. Obra meticulosa e secular de elites predadoras.

Mas ajuda a entender por que motivo a Prefeitura se consolidou aos olhos da população como uma ferramenta irrelevante, incapaz de se contrapor à tragédia estrutural e ao desastre cotidiano.

O artigo do secretário de educação, Cesar Callegari, publicado na Folha, nesta 5ª feira, faz o balanço das causas profundas desse estado de espírito na área da educação.

É arrasador.

Acerta a administração Haddad se fizer disso um compromisso: expor em assembleias da cidadania, organizadas pelas administrações regionais, a radiografia objetiva do que significou, em cada serviço, e em cada bairro, a aplicação da ‘excelência administrativa’ daqueles que, de forma recorrente, avocam-se a missão de submeter o país a um ‘choque de gestão’.

Somente a compreensão de suas causas pode desfazer a tragédia que se completa com o descrédito da população em relação ao seu próprio peso na ordenação da cidade.

A missão mais difícil do prefeito Fernando Haddad é sacudir esse olhar entorpecido de uma cidadania há muito alijada das decisões referentes ao seu destino e ao destino do seu lugar.

Não há solução apenas administrativa para o caos deliberadamente construído pelos que sequestraram a cidade dos seus cidadãos.

Expor o custo desse alijamento meticuloso é um primeiro passo.

É o que o secretário Callegari faz ao mostrar que:

a)São Paulo ocupa o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação, medida pelo Ideb;

b) 28% das crianças paulistanas concluem o 1º ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados;

c) em 2012, a rede municipal contabilizou 903 mil faltas de professores desmotivados e doentes;

d) há 97 mil crianças na fila, sem creche ;

e) a construção de 88 escolas foi contratada ‘criativamente’, sem terrenos;

f) 50 mil alunos ficaram sem livros didáticos este ano, porque não foram solicitados ao MEC, ‘por um lapso’ da administração anterior.

Engana-se, porém, quem atribuir esse saldo à força de uma inépcia especializada na área educacional.

Troque-se a escola pela a saúde.

Reafirma-se o mesmo padrão.

A seguir, alguns números pinçados também de uma reportagem da Folha, desta 5ª feira, que, por misterioso critério da Secretaria de Redação, deixou de figurar entre as 9 chamadas da 1ª página neste dia:

a) a Prefeitura de SP pagou, em 2012, R$ 2,1 bilhões a entidades privadas de saúde, ‘sem fins lucrativos’ — fórmula de terceirização de serviços públicos elogiadíssima por Serra na disputa eleitoral contra Haddad;

b) 530.151 consultas deveriam ter sido realizadas por esse valor; mas apenas 347.454 foram de fato executadas;

c) não foi um ponto fora da curva: em 2011, as mesmas entidades deixariam de realizar 41% dos atendimentos previstos. Repita-se 41% do atendimento terceirizado não foi feito;

d) apesar disso, receberam integralmente os repasses estipulados nos dois anos. Sem ônus, sem fiscalização, sem inquérito, sem arguição pelo descalabro.

Qual é o nome disso?

O nome disso é desprezo pela sorte da população.

O nome disso é uma esférica certeza na impunidade ancorada no torpor das vítimas, desprovidas dos meios democráticos para reagir.

Mas também é o reflexo de um conluio inoxidável com a mídia de São Paulo, que denuncia nas horas vagas, mas nunca lhes sonegou o acobertamento no calendário decisivo da urna.

Leia, a seguir, a íntegra dos dois artigos mencionados:

Heranças e desafios da educação paulistana
04/04/2013 – Folha de S.Paulo

Inútil a tentativa do ex-secretário Alexandre Schneider de, em artigo recente (“Sobre parcerias e lealdades”, em 29/3), fabricar uma “vacina” tardia contra avaliações negativas dos problemas deixados por seus sete anos de gestão à frente da Educação no município de São Paulo.

A eleição já passou, a população já fez a sua avaliação e já elegeu o programa de metas educacionais do prefeito Fernando Haddad. São elas que nos animam e mobilizam. Já dedicamos muito tempo e energia para solucionar os problemas que encontramos. São imensos os desafios à nossa frente.

É inaceitável que São Paulo ocupe o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação medida pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). As crianças paulistanas não merecem e precisamos avançar.

Ano após ano, os alunos foram automaticamente aprovados. Mas 28% deles terminaram o primeiro ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados. Isso não é normal. Daí o nosso esforço para a Alfabetização na Idade Certa: todos lendo e escrevendo até os oito anos.

Educação com qualidade, sabemos, depende das condições em que se realiza o trabalho dos professores. Encontramos muitos deles adoecidos e desmotivados. Em 2012, houve 903 mil faltas por motivo de saúde -uma média de 15 dias por professor.

Foi necessário criar uma força-tarefa entre as secretarias de Educação, Saúde e Gestão, ouvir os sindicatos e passar a tratar desse problema com urgência. Estamos determinados a valorizar todos os educadores, apoiar o seu trabalho e investir na sua formação com a criação de 32 polos da Universidade Aberta do Brasil, em parceria com 22 das melhores universidades do país.

Herdamos, no dia 1º de janeiro de 2013, uma fila com 97 mil crianças à espera de vagas em creche. Fora as 1.600 que foram matriculadas em unidades que não estavam prontas. Um problemão. Nossa meta é zerar o deficit herdado e abrir ainda mais vagas, com a construção de 240 novas escolas, ampliação de convênios e estímulos para que as empresas atendam às necessidades educacionais dos filhos de seus empregados.

Estamos trabalhando muito para conseguir os terrenos para construir as 88 escolas que foram criativamente contratadas (sem terrenos) pela gestão anterior. Da mesma forma, estamos reduzindo os atrasos na entrega de material e uniforme causados por problemas havidos no ano passado.

É verdade que educação com qualidade se faz com cooperação e parcerias. Não continuaremos desprezando os apoios dos governos federal e estadual como vinha acontecendo. Eles são necessários.

Não “esqueceremos” de pedir livros didáticos ao MEC (Ministério da Educação) -lapso que prejudicou 50 mil alunos neste ano. Em dois meses, 312 de nossas escolas já se cadastraram nos programas de educação integral do MEC contra apenas 33 dos últimos quatro anos. Logo no primeiro mês, já obtivemos a liberação de R$ 20 milhões do governo estadual para a construção de novas creches.

A educação não pode ficar à mercê de diferenças político-partidárias. Portanto, tudo que foi produzido de bom nos últimos anos é tratado com o devido zelo à causa pública.

E tudo que mereça ser auditado, avaliado, mudado e melhorado será feito em respeito ao compromisso maior assumido com a população de São Paulo: fazer dela uma cidade educadora.

Cesar Callegari, 60, sociólogo, é secretário de Educação do município de São Paulo

* * *

Prefeitura paga entidades da saúde por consultas não feitas
04/04/2013 – Folha de S.Paulo

Entidades privadas contratadas pela prefeitura para agilizar o atendimento médico na cidade de São Paulo deixaram de fazer três em cada dez consultas com especialistas pelas quais foram pagas pelo poder público.

O dado consta de levantamento da Folha sobre prestações de contas feitas à prefeitura pelas OSs (Organizações Sociais), instituições sem fins lucrativos pagas para cuidar de unidades e complementar serviços de saúde.

As entidades deveriam ter realizado 530.151 consultas nos Ambulatórios Especialidade e nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) Especialidade em 2012. Mas apenas 347.454 foram feitas.

O cenário repete o que aconteceu em 2011, quando as entidades deixaram de realizar 41% dos atendimentos previstos. Nesses dois anos, elas receberam todos os repasses do município normalmente.

As instituições também não cumpriram os contratos dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial), onde são atendidos, por exemplo, dependentes de drogas que não conseguem ser internados.

Em 2012, só 35% desses atendimentos intensivos (com acompanhamento diário de pacientes) foram feitos.

Entidades privadas de saúde receberam no ano passado R$ 2,1 bilhões da prefeitura. Cerca de 72% das consultas da rede hoje são feitas por elas (ao menos 34% por OSs).

A falta de realização de consultas tem reflexo na fila de espera da saúde. Em dezembro passado, 800.224 pedidos médicos aguardavam na fila na rede inteira (não só nas unidades administradas por OSs). Desses, 311.627 eram com especialistas.

PACIENTES
São casos como o do pedreiro José Cândido da Silva, 54, que só conseguiu uma consulta com um cardiologista ontem, após dois meses de espera, e da doméstica Maria de Assis, 59, que aguarda há sete meses para ser atendida por um reumatologista.

“Tenho osteoporose, estou com dor. Fazia um acompanhamento com uma médica, que deixou de trabalhar aqui em setembro do ano passado e até hoje não foi substituída. Sem a consulta, não consigo o remédio”, dizia Maria, ontem, na porta da AMA Especialidade Isolina Mazzei, na Vila Guilherme (zona norte).

Uma das justificativas das OSs para o não cumprimento dos contratos é a dificuldade em contratar especialistas.

O principal argumento da prefeitura para adotar o modelo era justamente a facilidade que elas teriam para isso, já que têm liberdade para pagar melhores salários.

A não realização de consultas não implica em desconto dos repasses feitos às OSs.

Mesmo deixando de fazer o atendimento, elas continuam a receber a mesma verba.

“Elas são remuneradas pela capacidade operacional que disponibilizam. É um sistema ineficiente”, diz Mauricio Faria, conselheiro da área de saúde do TCM (Tribunal de Contas do Município).

Em tempo: o Padim Pade Cerra considera um bem ao Brasil a candidatura de Eduardo Campos – PHA

 

6 de Abril de 2013 15:19

Falcão: Globo julgou o mensalão. O do PSDB ? Nem pensar !

por redacao
 

 

Na foto, de uniforme e cassetete, a “opiniao pública” de Nova York, em 1968, assiste ao casamento do jovem gay

 

O professor Joaquim Falcão, da Faculdade de Direito de FGV, RJ, escreveu a orelha do livro – oh !, suprema honra ! – do Ataulfo Merval de Paiva (*), esse best seller que tem o prefácio do Big Ben de Propriá.

De uns tempos a essa parte, o professor Falcão preferiu incorporar-se a uma categoria de pensadores muito peculiar: são os “intelectuais orgânicos da Globo”.

É onde se encontra, por exemplo, aquele camaleão, o Caetano Veloso.

Na edição desta semana da revista (da Globo) Época, Falcão, com a costumeira inteligência, anuncia a edição de um livro sobre o mensalão (tomara que venda mais do que o do Ataulfo …).

E confirma o que sempre se soube: que a Globo condenou o Dirceu no Supremo.

Diz o professor:

– A opinião pública e a mídia tiveram nota 10 no julgamento (sic).

– Houve um avanço qualitativo (sic), que veio para ficar (a mídia substituir o Supremo): “uma mídia analítica, a favor da independência (sic) do leitor”. (Com essa nem o Ataulfo concorda … independência … ?)

– (Sobre a estratégia do relator Joaquim Barbosa de dividir o voto por núcleos) Foi para não desmobilizar a mídia. (O professor, educadamente, se refere à Globo como “mídia”.)

– A estratégia de Barbosa permitiu, primeiro, mobilizar a opinião publica (que o Paulo Moreira Leite chama de “publicada”).

– (E sobre o mensalão do tucanos? ) Depende da mídia, da opinião pública.

Ou seja, da Globo e do Merval.

Logo, julgamento do mensalão tucano … nem pensar !

E quando o Presidente Barbosa vai legitimar a Satiagraha ?

O repórter da Globo, educadamente, poupou o professor Falcão da incômoda pergunta.

Em tempo: o professor Falcão comete imperdoável equívoco. Para justificar o papel da Globo e seus 18′ no linchamento do mensalão, ele diz: “em nome de quem a Suprema Corte (americana) resolveu apreciar o casamento gay ? Em nome da opinião pública”.  “Opinião pública”, aí, não significa absolutamente nada.

Mas, o professor Falcão ignora a longa e sangrenta batalha dos gays americanos por seu reconhecimento nas Leis. Não foi um Ataulfo nem uma Globo que enfiou a faca no pescoço da Suprema Corte para julgar a matéria. Recomenda-se ao professor uma leitura superficial dos Stonewall Riots , de 1968 (!), em Nova York, para ver onde e como essa batalha começou. O que leva a crer que o professor não seja um especialista em “opinião pública” e muito menos em gays.

Clique aqui para ler sobre outra cobertura “independente” do Ataulfo Merval: o julgamento do Lula será sumário e os recursos do Dirceu serão rejeitados de plano”.

Em tempo2: Falcão fez parte da equipe de Fernando Lyra no Ministério da Justiça de Tancredo Neves. Clique aqui para ler “Fernando Lyra, o que importa é o rumo”.

aqui para ler “PPS adere a Eduardo. Ou será o contrário ?”.


Paulo Henrique Amorim

(*) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais mediocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.

6 de Abril de 2013 12:00

Lula será sumariamente julgado. Não haverá revisão do Dirceu

por redacao
 

 

Saiu na Folha (*)

PF vai investigar se Lula participou do mensalão


Pela primeira vez ex-presidente será objeto de inquérito criminal sobre o caso.

Medida foi pedida pelo Ministério Público com base na afirmação de Valério de que Lula negociou repasse ao PT.

 

Navalha

O Ministério Público do Antonio Fernando e do brindeiro Gurgel – que o senador Collor chama de “prevaricador” – não quis saber quem botava grana no duto do Marcos Valério.

Eles procuram o que bem entendem.

A PF do Zé – é assim que os amigos de imaculado banqueiro se referem ao Ministro José Eduardo Cardozo – não vai atrás do imaculado banqueiro.

Não deixe de ler documento histórico sobre a “flexibilidade“ da PF do Zé e informações sobre como achar o imaculado as pegadas do imaculado banqueiro no duto do Valério.

(Clique aqui para ler “Fala, Valério, fala !” e aqui para ler “Fala, Pizzolatto, fala !”.

E, como o imaculado banqueiro está na outra ponto do duto do Valério, a PF do Zé, portanto, não quer saber quem botava grana no duto.

Mas, a PF do Zé, republicanamente, quer botar o Lula na cadeia.

Não tenha dúvida, amigo navegante, o objetivo da Casa Grande, na acepção do Mino Carta, expresso no PiG (**), no brindeiro Gurgel, na PF do Zé e no comportamento do Supremo no julgamento do mensalão (o do PT) é de solar obviedade: encanar o Lula em setembro ou outubro de 2014, na véspera da eleição de 2014.

Assim como o Big Ben de Propriá condenou o Dirceu na hora em que o eleitor de São Paulo se encaminhava para votar no Haddad.

Vai ser o mesmo Big Ben.

Preciso, implacável.

No julgamento do mensalão, o ansioso blogueiro previu, modestamente: primeiro, o pescoço do Dirceu; depois, o do Lula

E, por fim, o da Dilma.

A sequência se cumprirá inexoravelmente.

“Tecnicamente”, como faz a SECOM da Dilma.

O Marcos Valeriodantas está desesperado com medo da cana.

Diz qualquer coisa.

(Menos sobre o imaculado banqueiro.)

E blefa.

E se candidata a uma posição de honra no “Panteão dos Heróis da Pátria (e do Mensalão)”, ao lado do Thomas Jefferson.

Não conseguiram, ali, pegar o “safo” – como a Lula se refere o Ministro Marco Aurelio (Collor de) Mello –, ali na AP 470.

Mas, o MP e a Policia Federal, que tem medo do Dantas, tem uma missão histórica.

Interromper o ciclo trabalhista no Governo do Brasil.

E enfiar as algemas no Lula em 2014.

Como se sabe, a Casa Grande (na acepção do Mino Carta) e a Globo não tem voto: dão Golpe: “G” de Globo, “G”de Golpe.

Por isso, o Ataulfo Merval de Paiva (***), notável jurisconsulto, tem razão.

O Supremo não julgará os recursos do Dirceu.

Não julgará os recursos do Marcio Thomaz Bastos.

Não vai dar posse a ministro que, longinquamente, possa ouvir o Dirceu.

O Globo tomou conta do pedaço.

Levou o Big Ben de Propriá para o livro do Ataulfo – com a presença conspícua do Gilmar Dantas (****), e para a ONG da Souza Cruz, o “Palavra Aberta”.

E o Presidente Barbosa para a festa com o Alex Atalla e a Regina Casé: ele faz a diferença !

Ainda bem que ali deu um recado ao Gilmar Dantas (****) e defendeu a liberdade de expressão.

Mas, Barbosa já encurtou os prazos para os recursos, já deu um chega pra lá no Marcio Thomaz Bastos, não quer saber de pena alternativa e reclama dos prazos (breves) de prescrição.

E a sociedade (reunida na varanda da Casa Grande, na acepção do Mino Carta) bate palmas.

O Golpe está em marcha.

Leva a eleição ao segundo turno, com a mão de gato do Eduardo Campos e do PPS.

E, no segundo turno, o Gilberto Freire com ï”(*****), o do jornal da bolinha e dos 18′, encaminha a decisão ao STF do Paraguai.

Viva o Brasil !

Se o PT acha que a Dilma vai ser uma barbada, é melhor levantar da cadeira e começar a trabalhar o Contra-Golpe.

Depois, a Casa Grande arma um pelotão de fuzilamento no jardim e a opinião publicada – como diz o PML, um best seller – vai bater palmas.

Aqui, em Washington e em Assunção.

 

Clique aqui para ler no Edu “O indiciamento de Lula e o preço da covardia petista”. 

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais mediocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.

(****) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste  em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo… 

(*****) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros tres), deu-se de antropologo e sociologo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

6 de Abril de 2013 11:00

Falta o Dr Roberto na Comissão da Verdade

por redacao
 

 

Falcão e o Dr Roberto. Ao fundo, João Havelange ! Viva o Brasil !

 

 

Conversa Afiada reproduz o texto de abertura da “Rosa dos Ventos”, imperdível seção do Mauricio Dias, na Carta Capital:

A mídia na ditadura

Falta um tema na variada agenda da Comissão Nacional da Verdade. Criada com a finalidade de apurar as violações dos direitos humanos ela não incluiu na pauta de trabalho a análise do papel da imprensa, como é feito com a Igreja, por exemplo, durante a ditadura, tramada e sustentada por civis e militares. 

A imprensa foi arauto da trama golpista contra o presidente João Goulart. Sempre conservadores, os “barões da mídia” brasileira agem sempre na fronteira do reacionarismo. Apoiar golpes, por isso, não chega ser exatamente novidade. Alardeiam o principio do liberalismo sem, no entanto, comprometer-se com a democracia. Assim, promovem feitiços, como o de 1964, e tornam a própria imprensa vítima da feitiçaria.

Patrões e empregados são testemunhas importantes de uma história que precisa ser passada a limpo. É necessário ir além do que já se sabe. Isso só ocorrerá com o depoimento daqueles que viveram os episódios ou estiverem próximos deles.

A ditadura “exerceu o terror de Estado e provocou medo na sociedade civil. Não há indícios, porém, de que o medo fosse a razão do consentimento” que a imprensa deu aos generais, como anota a cientista política Anne-Marie Smith, no livro “Um acordo forçado”.

Ela põe o dedo na ferida ainda aberta – “E se outros jornais tivessem protestado quando o general Abreu proibiu qualquer publicidade do governo no Jornal do Brasil em 1978?” – e se aproxima da resposta: “Os obstáculos à solidariedade não foram criados, nem reforçados, nem explorados pelo regime. A falta de solidariedade foi uma desvantagem gerada pela própria imprensa”.

Império da mídia brasileira, o apoio do sistema O Globo à ditadura nunca foi negado, embora hoje seja disfarçado. Uma das razões para esse comportamento passado, que se encaixa na reflexão de Smith, encontra explicação no livro “Dossiê Geisel”, de Celso Castro e Maria Celina D’Araujo.

No governo Geisel, o ministro das Comunicações Euclides Quandt vetou novas concessões ao nascente sistema Globo por receio de que Roberto Marinho chegasse ao monopólio da opinião pública. Ele, então, foi ao ministro da Justiça, Armando Falcão e falou “do constante apoio” que deu ao governo.

“Disse também que o comportamento da Rede Globo deveria fazê-la merecedora de atenção e favores especiais do governo”, registra o livro.

Marinho apelou sem constrangimentos. Ameaçou vender a Rede Globo caso não tivesse apoio para continuar a crescer. O resto da história todo mundo sabe.

A mídia reage, hoje, ao projeto sobre a atualização das leis de comunicação com argumento falso e insensato que o objetivo é o de censurar. No entanto, em plena ditadura, adotou a inércia, o silêncio, diante dos atos concretos de restrição à liberdade de escrever. Não de escrever sobre tudo, mas, somente sobre certos assuntos como tortura e assassinato nos porões da ditadura. Essa é a diferença em relação à genérica denúncia de restrição à festejada liberdade de imprensa.

A censura, nesse contexto, cumpria outro papel. Excluía a responsabilidade direta dos donos da mídia e de muitos editores autoritários coniventes que sempre se desculparam ao apontar a censura governamental como a razão do silêncio.

A ditadura seria outra – talvez Ditabranda – contada a partir do que foi publicado na ocasião.

Para a imprensa conservadora, reacionária nos anos de chumbo, esse tema dói. É um nervo exposto.

(*) Golpe militar que o Aécio Never chama de “revolução” – PHA

6 de Abril de 2013 10:00

Comissão da Verdade (SP) vai atrás do Dr Roberto

por redacao
 

A propósito do artigo do Mauricio Dias sobre a imprensa e o Golpe (que o Aecio Never chama de “revolução”) – clique aqui para ler “Falta o Dr Roberto na Comissão da Verdade (e da tortura)” – o Edu, sujíssimo blogueiro do Blog da Cidadania, que vive entre champagne e caviar, graças aos critérios “técnicos” da SECOM,  enviou importante contribuição:

Petista afirma que Comissão da Verdade investigará imprensa

Nas últimas semanas, a imprensa tem veiculado que a Comissão da Verdade, que apura o colaboracionismo de agente públicos e privados com a ditadura militar que vigeu no Brasil entre 1964 e 1985 a fim de produzir um relatório histórico, está investigando a participação de empresários e até de entidades dirigentes do futebol com aquele regime.

Todavia, até o momento a Comissão da Verdade não divulgou se irá apurar a atuação de certos agentes privados que tiveram participação preponderante para a efetivação do golpe de 1964 e para sua sustentação nos anos seguintes, até que a repressão aumentasse ao ponto de que aqueles que pediram e sustentaram a ditadura entendessem que em ditaduras só quem ganha é o ditador.

Para entender como é possível que uma Comissão que pretende apurar a verdade esteja, aparentemente, deixando de fora justamente o setor da sociedade que trabalhou com maior êxito e mais ostensivamente para a implantação do regime autoritário no Brasil dos anos 1960, o Blog da Cidadania recorreu ao presidente da Comissão Estadual da Verdade do Estado de São Paulo e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa paulista, o deputado Adriano Diogo (PT-SP).

Leia abaixo, portanto, a entrevista que o deputado estadual em questão deu ao Blog da Cidadania nesta terça-feira, 19 de março de 2013.

ADRIANO DIOGO – O golpe foi dado com apoio total da imprensa. Total. O único jornal de grande circulação que ficou contra o golpe foi o jornal Última Hora. É claro que os Bloch [revista Manchete] foram muito cautelosos… Mas, na grande imprensa, o golpe foi alardeado e bancado, principalmente nos primeiros anos [da ditadura], por muitos setores da imprensa.

O Estadão e o Jornal da Tarde,  de apoiadores da ditadura, do golpe, de apoiadores do Ademar de Barros e da Marcha da Família com Deus pela Liberdade – que era um absurdo, era o golpe –,  acabaram atingidos pela censura.

O Estadão e O Globo foram jornais importantíssimos para a decretação do golpe e a sua sustentação, o que não significa que os jornalistas dessas empresas fossem golpistas. Foram os patrões deles.

Aquele jornal Shopping News ou City News, tinha um jornalista que escrevia artigos contra o Wladimir Herzog, contra o Sindicato dos Jornalistas e contra a TV Cultura. Pedia a cabeça do Wlado e de seus companheiros todo fim de semana em São Paulo. Pedia a prisão do Wlado.

Então, a atuação da imprensa [durante a ditadura] foi uma coisa cruel.

BLOG DA CIDADANIA – Então, deputado, mas o senhor me relata a atuação da imprensa nesse período que é, mais ou menos, uma coisa que todos conhecem. Mas na Comissão da Verdade, ao menos pelo que tem noticiado a imprensa, não se fala nada sobre apurar essa atuação da imprensa.

ADRIANO DIOGO – Bom, a atuação da Comissão Nacional da Verdade agora mudou de coordenador. Agora, assumiu a Comissão Nacional o diplomata Paulo Sergio Pinheiro.  Antes, era o ex-procurador-geral da República doutor Claudio Fonteles.

Possivelmente, agora eles vão mudar a técnica de abordagem. E eu acho que, uma hora, esse capítulo terá que ser abordado – sempre lembrando que uma coisa foi a imprensa, outra coisa foram certas empresas jornalísticas que emprestaram veículos [para a ditadura transportar presos políticos], [que estimularam] a repressão e tiveram um papel direto [na ditadura]. Um papel direto!

É evidente que essas questões vão ter que ser abordadas. Senão, a verdade nã será completa. Vai ser uma comissão de meia verdade. E não existe meia verdade.

Agora, tudo é um processo. Neste ano, no dia 31 de março, o golpe vai fazer 49 anos e nada – ou muito pouco – se sabe do golpe de 64. É um assunto proibido. É muito difícil dizer a verdade no país da mentira.

6 de Abril de 2013 09:00

PPS adere a Eduardo. Ou é o contrario ?

por redacao
 

 

Saiu no Globo, no Ilimar Franco:

PPS rumo a Eduardo Campos

O PPS vai realizar, em maio, um Congresso Extraordinário, para desembarcar de sua aliança com o PSDB. A maioria do partido está a caminho de uma coligação ou de uma fusão com o PSB, caso se confirme a candidatura ao Planalto do governador Eduardo Campos (PE). A fusão implica em muitos ajustes regionais, mas se ocorrer o novo partido já teria até nome: “PS40”.

Também saiu no Globo, no melhor Proust que Brasília foi capaz de conceber:

Dilma e Eduardo se estranharam na reunião em que Dilma anunciou em Fortaleza um programa contra a seca. Enquanto Eduardo falava, Dilma conversava com Cid Campos, do mesmo partido de Eduardo e aliado de Dilma.

Não deu a menor bola para o que Eduardo dizia.

Eduardo ficou de cara amarrada.

Saiu na Folha (*):

Num comício em Santos, Eduardo disse:

Precisamos de uma nova agenda porque a crise que atingiu os Estados Unidos está chegando (sic) ao Brasil.

 

Navalha

Ele é o profeta da catástrofe.

Deve ler muito a Urubóloga.

Seguir a editoria “o Brasil é uma m…”, do jornal nacional.

Ou como diz o Mauricio Dias, é o candidato do quanto melhor (para a Dilma), pior (para o Eduardo).

Ou seja, ele torce contra.

Como o Roberto Freire, esse campeão de votos, presidente do PPS.

Um ex-comunista que aderiu à Carta … de Vinhos do FHC.

Pelo jeito, Freire desistiu do PSDB, já que o PSDB pode ter desistido do Padim Pade Cerra.

E o PSDB do Freire é o do Cerra, o da Sabesp e do FHC.

À falta do Cerra e do Farol de Alexandria, Freire com seu balaio de votos para o Eduardo.

Ou é o contrário ?

 

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

5 de Abril de 2013 19:41

Torres não disse que é ministro

por redacao
 

 

O Estadão noticiou que o tributarista e professor da USP Heleno Torres substituirá Ayres Britto no STF.

E invocou o testemunho de Gaudencio Torquato, articulista do Estadão e professor da USP, que, no twitter (???), teria dito que o proprio Torres lhe tinha comunicado a escolha da Presidenta.

Não é verdade.

Leia aqui O Estadão é o primeiro do PiG (*) a fechar”.

Torres almoçava em Brasilia com o Advogado Geral da União, Adams.

Na mesa ao lado, Torquato, o vice-presidente Michel Temer e o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello.

Os três, Torquato, Bandeira de Mello e Temer foram cumprimentar Torres e Adams.

E Torquato perguntou a Torres se já poderia se preparar para a posse.

Torres disse que não.

E não disse que já tinha sido convidado pela Presidenta.

(Os dois, Dilma e Torres, conversaram esta semana, na presença de Adams e do Ministro José Eduardo Cardozo. Cardozo é notório candidato a uma cadeira no STF, o que seria o maior presente que a Presidenta poderia dar a certo imaculado banqueiro, já que os amigos de certo imaculado se referem ao Ministro Cardozo como Zé)

Torres invoca o testemunho dos outros presentes: Temer, Bandeira de Mello e Adams: ele não disse a Torquato que tinha sido convidado.

Ou Torquato se enganou.

Ou o Estadão, como de hábito, mente.

Ou mente ou é organicamente inepto.

Em tempo: outra barriga do Estadão, a caminho do precipício.

Saiu no Blog do Planalto:

Nota à imprensa

Não é verdadeira a informação de que a presidenta Dilma Rousseff tenha escolhido o nome do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão for tomada, o anúncio será feito através de nota oficial.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

5 de Abril de 2013 19:00

O Estadão se prepara para fechar. Já vai tarde !

por redacao
 

 

Só para ficar no últimos dias.

O Estadão disse que a Dilma mandou espionar o Pauzinho do Dantas no porto de Suape e é mentira: ela chamou o Estadão de irresponsável.

O Estadão disse que a Dilma ia criar o Ministério da Água.

Mentira.

O Estadão disse que Heleno Torres disse que a Dilma disse que ele tinha sido escolhido para a vaga do Big Ben de Propriá.

Mentira.

O responsável por essa careira brilhante rumo ao precipício é um “diretor de conteúdo”, de nome Gandour.

E os banqueiros que assumiram o lugar da família Mesquita na gestão da empresa.

Como se sabe, os 298 Mesquita que mandavam no jornal hoje só mandam nas páginas 2 e 3, onde escrevem o Padim Pade Cerra, o Farol de Alexandria e o chanceler da Dependência, o dos sapatos, Celso Lafer.

O resto do jornal,  o “conteúdo” do Gandour, vai para o saco:

Da Carta Capital:

Estadão anuncia mudanças e deve demitir 50 jornalistas

 


Em comunicado interno divulgado nesta sexta-feira 5, o diretor de Conteúdo de o Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, anunciou mudanças na “configuração de cadernos” do centenário jornal diário. O anúncio foi acompanhado pela notícia, ainda não oficializada, de que cerca de 50 profissionais da Redação serão demitidos. Dezenas de jornalistas haviam deixado o jornal recentemente em razão do fechamento do Jornal da Tarde.

O anúncio interno foi republicado no site Blue Bus.

Segundo Gandour, o Estadão terá, a partir do próximo dia 22, apenas três cadernos e um suplemento. Haverá somente uma edição, que será fechada às 21h30. Antes, havia as versões “nacional”, que fechava antes, e a “São Paulo”, que rodava no fim da noite e permitia a inclusão de notícias de última hora aos leitores paulistanos. Isso significa, por exemplo, que o Estadão não conseguirá noticiar jogos de futebol iniciados a partir das 22 horas.

Um único caderno trará as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorporará comportamento digital e literatura.

A decisão foi tomada, segundo a nota, em razão de pesquisas qualitativas e entrevistas em profundidade com diversos setores da sociedade. Esses levantamentos, ainda de acordo com o editor, mostraram que os leitores querem mais conveniência e eficiência de leitura e um jornal mais compacto em dias úteis.

Confira a nota interna republicada pelo Blue Bus:

Caros, No próximo dia 22, 2a feira, ‘O Estado de S.Paulo’ estréia uma nova configuraçao de cadernos e um novo processo de produçao industrial e logístico. O jornal adotará a configuraçao de 3 cadernos mais 1 suplemento. Além disso, termina a distinçao entre as ediçoes BR e SP. O fechamento será único, às 21:30, com trocas programadas no decorrer da rodagem. Os fechamentos de domingo (jornada de sábado) nao se alteram. Também no dia 22, estréia o novo App do Estadao “mobile”, adaptável a qualquer dispositivo móvel”

“O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura”.

“Na 2a feira, circulará o suplemento Ediçao de Esportes, retomando marca clássica do grupo. Link e Negócios viram seçoes dentro de Economia. Na 3a, o Viagem. Na 4a, Jornal do Carro. Na 5a, o Paladar e os Classificados. Na 6a, o Divirta-se. No sábado, os Classificados ganharao mais espaço editorial. No domingo, também circula a Ediçao de Esportes, o Casa, e o Aliás se amplia com a nova seçao ‘Olhar Estadao’, e circulam os Classificados”.

“Pesquisas qualitativas e entrevistas em profundidade com diversos setores da sociedade, realizadas nos últimos meses, comprovaram o que vem sendo debatido entre nós desde o Redesenho de 2010: os leitores – em geral, e também os do Estado — querem mais conveniência e eficiência de leitura, mais apostas de ediçao, um jornal mais compacto – principalmente nos dias úteis. Tudo isso sem perder o aprofundamento e o poder de análise que caracterizam o jornalismo do Estado”.

“Um grupo de trabalho multidisciplinar, capitaneado por Conteúdo e Mercado Leitor e que congregou todas as áreas da empresa, trabalhou durante 6 meses na revisao detalhada de todo o processo produtivo. O objetivo: redesenhar o produto e sua configuraçao física, buscando uma soluçao que atendesse às demandas dos leitores. E acentuando o foco em reportagens exclusivas e abordagens analíticas”.

“A partir dessa nova configuraçao e do novo fechamento, mais simplificado, revisaram-se os processos de trabalho e a composiçao das equipes, cujas alteraçoes estao sendo divulgadas na data de hoje. Tais providências se inserem na necessária e permanente gestao de recursos, imprescindível para a competitividade da nossa marca e seu lugar no futuro das mídias”.

“Gostaria de convocar todos os jornalistas para estarem hoje às 15:30 no auditório, para uma explanaçao detalhada de todo o projeto, seus movimentos e agenda para os próximos dias. Falaremos sobre como ficará o jornal em cada dia da semana, que novas seçoes e colunistas teremos, as novidades digitais que vem por aí, além de responder a quaisquer dúvidas”.

 

Navalha

 

Breve será a Folha (*).

Como se sabe, o que sustenta a Folha é o UOL.

(Assim como quem sustenta o Globo é a Rede Globo.)

E o UOL hoje não é mais uma empresa jornalística.

É uma empresa de TI.

A IBM está muito preocupada com vertiginosa progressão do UOL no mercado global de TI !

Em tempo: outra barriga do Estadão, a caminho do precipício.

Saiu no Blog do Planalto: 

Nota à imprensa

Não é verdadeira a informação de que a presidenta Dilma Rousseff tenha escolhido o nome do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão for tomada, o anuncio será feito através de nota oficial.

 

Paulo Henrique Amorim

 

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

5 de Abril de 2013 18:17

Mino: “O Brasil” e Paulo Bernardo – II

por redacao
 

 

Cadê o Merval ? Veio à noite de autógrafos ? Não vi …

 

 

Em um mês, o romance “O Brasil”, de Mino Carta, vendeu a primeira edição de 5 mil exemplares; a segunda de 2 mil; e se prepara para vender a terceira, de 3 mil.

Dez mil em um mês, com boicote total do PiG (*).

Se tivesse a publicidade do livro do Ataulfo Merval de Paiva (**), seria um Paulo Coelho.

(Como se sabe, o livro “A outra história do Mensalão”, do Paulo Moreira Leite, dá uma surra no do Ataulfo sobre o mesmo tema. E o Ataulfo teve 18′ no jornal nacional e outras carícias das Organizações Globo, a que serve com febril dedicação. Ou seja, nem a Globo consegue vender um mau produto.)

O romance do Mino – clique aqui para ler “O Brasil” do Mino é pior do que você pensa” –  na opinião deste ansioso blogueiro, presta singela homenagem ao Ataulfo.

Faz dele seu protagonista.

É a Imortalidade !

Mino, como se sabe, além de romancista é jornalista.

Não por direito divino, mas com sangue, suor e lágrimas.

E, nessa qualidade, escreveu o editorial desta semana da revista que lhe tomou o nome, Carta Capital.

E volta ao tema do Bernardo plim-plim e trim-trim.

O amigo navegante perceberá que, no Brasil, a Economist não passaria nos critérios “técnicos” da SECOM. 

(Não perca “Dilma perdeu boa chance de defender o Azenha”, para a felicidade do Kamel)

O dinheiro da SECOM ia todo para a Veja, o detrito de maré baixa, mas de “técnica” impecável.

Está aqui: 

 

Paulo Bernardo, II ato

Proponho um teste aos leitores. Qual é o país onde a mídia está na mão dos oligopólios? Qual é o país onde esta mesma mídia alinha-se de um lado só, sistematicamente contrária a qualquer esforço igualitário e, portanto, a favor da reação? Qual é o país onde os profissionais do jornalismo chamam o patrão de colega? Qual é o país onde nas redações ainda se afirma o diretor por direito divino? Evitarei fornecer a resposta certa ao pé da página, eventualmente impressa de cabeça para baixo. De fato, a resposta é do conhecimento até do mundo mineral.

Poderia, porém, acrescentar outras perguntas ao questionário. Por exemplo. Qual é o país que se recusa a valorizar a memória a bem de seu progresso? Qual é o país onde uma ditadura feroz é apresentada como ditabranda e onde uma comissão dita da verdade, chamada a reconstituir os crimes que se seguiram ao golpe civil-militar, hesita e negaceia?

Há áreas do mapa-múndi onde certas questões foram resolvidas há tempo. Lembro-me que aos 22 anos saí do Brasil para trabalhar como jornalista na Itália, primeiro em Turim, depois em Roma, e, para minha surpresa, descobri uma lei em pleno vigor pela qual dono de jornal não podia ser diretor de redação. Mais: qualquer mudança da linha ideológica do diário justificaria o pedido de demissão do profissional que não concordasse com a guinada, com direito a indenização.

No governo Lula, o então ministro Franklin Martins bateu-se a favor de uma nova lei que regulamentasse a atuação da mídia, ao sabor, inclusive, dos avanços tecnológicos. Não chegou lá. Seu sucessor no governo Dilma, o ministro Paulo Bernardo, depois de brindar o Estadão com uma entrevista conciliatória, digamos assim, a prometer que tudo fica como está em relação à mídia, apressa-se a informar que um projeto de regulação ainda sairá (ça ira era o grito da Revolução Francesa de barrete frígio) até as eleições de 2014. Veremos o que veremos, como afirmava Danny Kaye, na sua inolvidável interpretação do Inspetor Geral.

A expressão marco regulatório tem certa imponência, mas o que seria conveniente, em última análise, à incipiente democracia brasileira? O fim do oligopólio, e nem se fale do monopólio. Se o pensamento é democrático, bastaria abrir uma porta escancarada. Enfim, impedir de vez a propriedade cruzada, que confere aos atuais barões midiáticos um poder de fogo exorbitante.

As leis a que me referi acima tinham sido estudadas, debatidas e aprovadas pelo Parlamento de uma Itália bem diferente da atual. De todo modo, neste ponto a questão revela suas dificuldades. Leis iguais àquelas teriam condições de ser aprovadas pelo nosso Congresso? Como dobrar os interesses dos inúmeros congressistas que dispõem em seus
rincões de concessões globais e outras, e são donos eles próprios de publicações variadas? E como contrariar as autoridades que gostam mesmo de aparecer no vídeo da Globo e nas páginas dos jornalões
a serviço da casa-grande?

CartaCapital não advoga aqui em causa própria, embora nos prejudiquem os critérios ditos técnicos pelos distribuidores da publicidade governista. Tampouco nos apresentamos como isolados, solitários praticantes do jornalismo honesto. Não deixamos, contudo, de observar que a The Economist teria vida difícil fosse ela brasileira. A semanal mais prestigiada do mundo distribui no Reino Unido pouco mais de 200 mil exemplares, menos do que semanais nativas, sem dizer de Veja, este insuperável exemplo de delírio e desatino. Os tais critérios técnicos puniriam inexoravelmente até a The Economist. Costumamos arrolar o País na categoria dos países democráticos, mas a afirmação soa ousada na terra da casa-grande e da senzala. A resistência desta dicotomia medieval, característica exclusiva, explica por enquanto por que a regulação da mídia e a recuperação das verdades dos chamados anos de chumbo não passam de propostas vagas, de tímidos propósitos.

 

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais medíocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.

5 de Abril de 2013 14:00

Mercadante: Eduardo se esquece de Arraes e Lula

por redacao
 

De entrevista de Aloizio Mercadante a Caio Junqueira e Rosângela Bittar, no Valor, o PiG (*) cheiroso: 

“O PT não me deve nada”, diz ministro da Educação

Quando Arraes tomou posse em 1963 ele disse o seguinte no discurso: “No Brasil de hoje, como em qualquer outro país em atraso, as lutas sectárias têm que ser evitadas. Do processo da revolução brasileira devem participar todos aqueles realmente interessados na superação da miséria e do atraso”. Essa frase é profética, porque logo em seguida a divisão no campo popular levou ao retrocesso histórico, à ditadura (de 1964) que já conhecemos.

Valor: Com que argumento o governo pretende reconquistar o governador Eduardo Campos para a base?

Mercadante: Quando começamos, em 1989, fui com Lula inúmeras vezes a Pernambuco conversar com aquela grande liderança histórica que era [o avô de Campos] Miguel Arraes. Naquele momento tivemos ali uma participação decisiva do PSB de Arraes. A Frente Brasil Popular era PT, PCdoB e PSB. O PSB sempre esteve no governo conosco. O Eduardo foi ministro do Lula, extremamente dedicado ao projeto e o governo dele em Pernambuco é um êxito compartilhado com o esforço que o governo federal fez. Só em investimentos federais foram R$ 60 bilhões: reforma do porto, estaleiro Atlântico, duplicação de rodovia, ferrovia Transnordestina, fábrica de hemoderivados, refinaria, polo petroquímico, a presença da Fiat [o ministro cita de memória todas as iniciativas federais em Pernambuco]. Tudo isso foi construído em um empenho muito grande em levar projetos estruturantes que mudaram a história de Pernambuco. Essa aliança foi muito importante para nós e para o êxito do governo dele. Por isso, no que depender de nós estaremos sempre empenhados em mantê-la.

Clique aqui para votar em trepidante enquete “o que a Casa Grande vai exigir de Eduardo, antes de deixar ele entrar?”.

aqui para ver que seu parceiro de conclave no PPS, o Aécio Never, chama de “revolução” o Golpe militar que encarcerou e destituiu seu avô.

Não deixe de ler “Fernando Lyra, o que importa é o rumo”, que trata da distinção entre os do “lado de cá”, “interessados na superação da miséria e do atraso”, os do “lado de lá”, o PiG (*) que deu o Golpe militar e o saudou como se fosse uma “revolução redentora”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.