Tag Archive: MUNDO


A intromissão descabida dos EUA

JUSTICEIRA por Blog Justiceira de Esquerda
 
 Altamiro Borges Por José Dirceu, em seu blog
Após os resultados mostrando a vitória de Nicolás Maduro para a Presidência da Venezuela, os Estados Unidos resolveram pedir a recontagem manual dos votos, assim como fez o candidato oposicionista, Henrique Capriles. A Casa Branca disse que considera que uma auditoria nos resultados das eleições presidenciais da Venezuela seria um passo “importante, prudente e necessário”. 
Só faltava esta. É como se a Venezuela pedisse na eleição de George W. Bush, em 2000, a recontagem dos votos ou uma auditoria e apoiasse o candidato democrata em sua solicitação.  
É uma prova da intromissão indevida e descabida dos EUA nos assuntos internos da Venezuela, particularmente porque Maduro aceitou a auditoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), sem evidentemente aceitar a não proclamação dos resultados.  
Isso foi o óbvio a ser feito, já que abrir mão da proclamação seria aceitar que houve fraudes. Fica evidente que a oposição que apenas tumultua, já que uma vitória eventual de Capriles seria aceita como democrática.  
O fato é que o CNE proclamou Maduro como presidente eleito e rejeitou o pedido de Capriles para recontar os votos. Maduro obteve 50,75% contra 48,97% de Capriles, uma diferença de 262.473 votos. 
Aproveito para recomendar a leitura do artigo de Breno Altman sobre o resultado:“Vitória de Maduro é incontestável, mas representa novos desafios”Altamiro Borges: A intromissão descabida dos EUA
5 horas atrás

Seminário “A vida indígena no RS: Memória, Realidade e Perspectivas”, dia 19 de abril, às 9h

RACISMO por racismoambiental
 

Enviada por Susan De Oliveira Guarani Kaiowá para Combate Racismo Ambiental.

5 horas atrás

Charge do Bessinha

BRASIL , BRASIL por Nogueira Junior
 
 
5 horas atrás

Gilmar Mendes processa ator José de Abreu pela segunda vez

BRASIL , BRASIL por Nogueira Junior
 
Gilmar Mendes

iG / Poder Online 
“O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está processando o ator José de Abreu pela segunda vez. No dia 10 de outubro de 2012, o ator tuitou: “E o Gilmar Mendes que contratou o Dadá? 19 anos de cadeia pro contratado. E pro contratante? Domínio do fato?”, referindo-se ao espião envolvido em diversos casos de grampo, como o do bicheiro Carlinhos Cachoeira, quando foi preso. Mendes alega que Abreu quer desmoralizá-lo.

No ano passado, o ator já havia recebido uma notificação judicial do ministro por tê-lo chamado de corrupto no Twitter. Na época, Abreu fez uma retratação formal e o caso foi encerrado. Desta vez, o ator afirmou que não vai se retratar.

“Foi uma piada, não tenho porque me retratar. Imagina se eu quis dizer que ele (Gilmar Mendes) tem que responder por tudo o que o Dadá fez? Só na cabeça dele, é fora de qualquer lógica imaginar que ele, ministro, é responsável pelo Dadá. Não é possível que ele não tenha coisa mais séria para fazer do que implicar com o que eu tuito”, disse o ator.” 

5 horas atrás

Theodora: 1ª Criança a Ser Adotada Por Pois Pais é Coautora em Livro Que Conta a Sua História.

FORA DO ARMARIO por Sergio Viula
 

Theodora: 1ª Criança a Ser Adotada Por Pois Pais é Coautora em Livro Que Conta a Sua História.

O livro será lançado no próximo dia 20 de Abril, a partir das 9h30 na Pérgula da Praça da República em Catanduva

A história da 1ª adoção com dupla paternidade do Brasil acaba de virar um livro: “Dois Pais”. Os cabeleireiros, professores, promoters e pais: Vasco P. da Gama e Júnior de Carvalho acabam de virar também  escritores com a publicação do livro “Dois Pais” pela editora Scortecci, com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, programa de ação cultural (ProAC) 2011.   O livro será lançado no próximo dia 20 de Abril, a partir das 9h30 na Pérgula da Praça da República em Catanduva.      A idéia do livro surgiu quando o Vasco se increveu no programa do Governo do Estado de São Paulo de incentivo a ações culturais LGTT – ProAC em 2011. Mesmo sem ter o livro pronto o projeto foi escolhido para apoio. Uma verba do governo como incentivo e o contrato assinado dava início a um compromisso assumido e então o sonho começava a virar realidade começava então a descobrir que era autor. A 15 anos escrevendo colunas sociais para jornais e revistas da cidade e região, espaço no blog Mix Brasil entre uma matéria e outra o conteúdo do livro virou um apanhado de matérias sobre a primeira adoção.  
Demandou tempo, dinheiro, persistência e muita paixão pela literatura e este filho que começava a ser gerado – noites sem dormir, dias e dias de enclausuramento, certa alienação e até mesmo uma certa obsessão. Mas no final das contas estamos descobrindo que valeu a pena. 
Não pensam em ficar ricos com a venda, mas sim em enriquecer as pessoas com o conhecimento. Renovar conceitos e esclarecer dúvidas enraizadas no preconceito homofóbico e relutante.  “Estamos vivendo intensamente este momento de ser escritor” comentou Vasco P. da Gama. “antes era um sonho que também se tornou realidade” acrescentou. Não pensamos em ficar ricos com esta literatura. Pensamos em enriquecer as pessoas com ela”. 
Para Júnior de Carvalho que também faz a orelha do livro,”O livro vai além da concepção comum sobre a adoção e mostra aquilo que para muitos pode não ser natural, mas para nós é poesia. DOIS PAIS é um livro  onde o pouco se torna muito e o óbvio pode revelar e exteriorizar emoções. Espere encontrar nas páginas muito mais que simples relatos. Espere se emocionar ou ter a impressão de que a vida é diferente daquilo que você conhece e o grande mistério da existência e das lembranças são as puras concretizações da existência do amor ao próximo”.   O livro resume de forma leve e agradável fatos e experiências que Vasco e Júnior vivem no dia-a-dia e na luta incessante de ensinar e aprender com as filhas Theodora, 11 anos e Helena, 2anos.   Para a advogada Dra. Ivânia M. Camargo Marconi, responsável pelo processo da adoção da segunda filha do casal e que também faz a apresentação do livro na contra-capa diz que o processo de adoção foi um marco na justiça brasileira. “Hoje é difícil um advogado que defenda não só a adoção homoafetiva (casal homosexual) mas uma adoção seja ela tardia ou não, ou mesmo as mais comuns, que não cite em seus argumentos e relatórios o caso de Vasco e Júnior na adoção de Theodora” comenta. “Theodora foi a primeira, mas Helena depois de sete anos já não foi a segunda, e nem a décima. Foram muitos casos de adoções que acabaram sendo favorecidos com esta feliz decisão da Dra. Sueli em 2006” Acrescentou.   Júnior ainda resume “De Uma maneira bem simples e simplificando ainda mais o assunto em que se trata a obra, podemos de forma muita sucinta dizer que o amor é a forma mais simples que o ser humano encontra de trazer para si mesmo a felicidade…..”   O lançamento será no sábado dia 20 de abril, na Pérgula da Praça da Republica em Catanduva a partir das 9h30. O livro será vendido por R$28,00 e também poderá ser adquirido no site da Editora Scortecci  – www.asabeça.com.br, na Livraria Cultura e Livraria Martins Fontes Paulista  ou na Livraria Santa Rita também em Catanduva.   A CAPA   A capa é uma ilustração do recifence Céo Pontual, e é uma das granes surpresas do livro, fazendo surpresa com a capa, os autores deixaram para revelar a capa somente no dia do lançamento. Céo Pontual, trabalhou como diretor por quase 20 anos em agências de publicidade em Recife, São Paulo e Lisboa, até que resolveu retornar ao seu sonho de infância e virar ilustrador. Hoje trabalha em casa, como designer gráfico, que é sua formação, e ilustrador, que sempre foi. Desenvolvendo trabalhos de marca, identidade visual, capas de livro, cartazes, convites, Ilustrando livros infantis didáticos e paradidáticos, decoração infantil, personagens, campanhas publicitárias, tirinhas entre outros.   Céo Pontual mantém os blogs Frases Ilustradas e Ô Vidinha, que juntos tem mais de 2.000 acessos diários e foi lá que o par Vasco e Júnior conheceram os seus trabalhos.  
“Adoramos a ilustração que Céo Pontual fez de nós. Já eramos fãs de seus trabalhos e ter ele criando a capa de nosso livro foi uma grande alegria”, disse Theodora ainda encantada,  fazendo cara de suspense e tampando com a mão a ilustração principal do seu livro.   Fonte: Enviado por e-mail por Vasco, pai dela. 

5 horas atrás

O caso da FSB e o poder das assessorias de comunicação

LUIS NASSIF por luisnassif
 

Por José Ribeiro Jr.

Da Folha

Informar, qualificar, influenciar

DE SÃO PAULO

Duas semanas atrás, a revista “Época”, da Editora Globo, publicou uma “denúncia a partir de informações do PMDB” ou “a partir de documentos obtidos com o PMDB”, no dizer do jornal “O Globo”.

Em sua própria edição, a revista admitiu tratar-se de “dossiê”, porém “desta vez os documentos divulgados não são vazios, como costuma acontecer com a maioria dos dossiês que circulam nas campanhas”.

No enunciado da “Época”, a notícia seria um “pagamento de propina a Lindberg Farias”, senador do PT que deve concorrer com o candidato do PMDB a governador do Rio em 2014, Luiz Fernando Pezão.

Dias depois, a concorrente “Veja”, da Abril, informou que Lindberg, antes do “início da guerra explícita”, já “tinha receio da capacidade da FSB de levantar informações negativas a seu respeito” e tentou contratar a assessoria.

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5 horas atrás

Sindicatos protestam contra possível alta dos juros

 
Danilo Verpa: SÃO PAULO, SP, 17.04.2013: PROTESTO/JUROS/SP - Centrais sindicais realizam protesto em frente ao Banco Central na avenida Paulista contra a alta dos juros. Consolida-se no mercado financeiro a aposta em aumento do juro básico da economia (taxa Selic) nestCinco centrais sindicais fizeram um protesto em frente ao edifício do Banco Central, localizado na avenida Paulista, contra uma possível elevação da taxa básica de juros, a Selic; “A taxa de juros muito alta gera desemprego e recessão econômica”, disse João Carlos Gonçalves Juruma, secretário-geral da Força Sindical. 
5 horas atrás

Luiz Fux é uma vergonha para a justiça brasileira

PRAGMATISMO por Luis Soares
 

Se com sua espantosa fraqueza emocional Luiz Fux chegou afinal ao STF não foi por ter impressionado pela obra, pelo saber e pelo caráter. O Brasil precisa encontrar, urgentemente, fórmulas para desvincular a Justiça e o Executivo

Paulo Nogueira, em seu blog

Feliciano pode continuar onde está?

Os brasileiros parecem ter a resposta já consolidada para isso.

E o juiz Luiz Fux, pode?

Esta é outra discussão que deve ser travada em caráter de urgência pela sociedade brasileira, dada a importância do Supremo Tribunal Federal, do qual Fux é um dos integrantes.

entrevista que a Folha publicou com José Dirceu, o réu entre os réus do Mensalão, grita isso – que se verifique se Fux pode permanecer no Supremo.

luiz fux dirceu justiça

Fux fez uma louca cavalgada em busca do STF, e uma parada vital foi em Dirceu (Foto: Divulgação)

Um juiz desmoralizado desmoraliza o STF: este é o ponto.

Na entrevista, Dirceu afirma que Fux o procurou durante seis meses em busca de apoio para sua nomeação para o STF.

Fux estava um degrau abaixo, no STJ. Dirceu era então um homem de grande influência no governo, e Fux tinha uma ambição desmedida.

Segundo Dirceu, quando o encontro foi enfim realizado, Fux prometeu a ele que o absolveria no julgamento.

Deu no que deu.

As acusações de Dirceu, evidentemente, têm que ser investigadas. Mas seja lembrado que à mesma Folha ele admitiu já ter sim corrido atrás de Dirceu na sua louca cavalgada pelo Supremo.

Escreveu a Folha depois de ouvir Fux, há alguns meses: no último ano do governo Lula, “Fux “grudou” em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários. E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão.”

Fux admitiu, para a Folha, a reunião. “Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula.”

O contato mais explosivo, naturalmente, foi o com Dirceu. Na época, as acusações contra Dirceu já eram de conhecimento amplo, geral e irrestrito. E Dirceu seria julgado, não muito depois, pelo STF para o qual Fux tentava desesperadamente ser admitido.

Tudo bem? Pode? É assim mesmo que funcionam as coisas?

Fux afirma que quando procurou Dirceu não se lembrou de que ele era réu do Mensalão. Mesmo com o beneficio da dúvida, é uma daquelas situações em que se aplica a grande frase de Wellington; “Quem acredita nisso acredita em tudo”.

Fux demostra uma falta de equilíbrio inaceitável para o Supremo. Considere a narração dele próprio do encontro que teve com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no qual acabaria recebendo a notícia de que atingira o objetivo: estava no STF.

Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: “Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal”. Foi aí que eu chorei. Extravasei.”

Fux, no julgamento, chancelou basicamente tudo que Joaquim Barbosa defendeu, para frustração e raiva das pessoas que ele procurara para conseguir a nomeação, a começar por Dirceu.

Fux é, em si, uma prova torrencial de quanto o STF está longe de ser o reduto de Catões que muitos brasileiros, ingenuamente, pensam ser.

O caso Fux tem outros desdobramentos, naturalmente.

O país tem que encontrar, urgentemente, fórmulas para desvincular a Justiça e o Executivo.

Se com sua espantosa fraqueza emocional Fux chegou afinal ao STF não foi por ter impressionado pela obra, pelo saber e pelo caráter.

Foi — como sugerem fortemente os depoimentos à Folha de Dirceu e dele mesmo, Fux — por ter dito o que os que definiriam a escolha queriam ouvir.

Não é um bom critério. Não é um critério justo.

A Justiça tem que manter distância altiva da política — e da mídia, igualmente. As fotos de alegre cumplicidade de integrantes do STF com jornalistas como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo são moralmente repulsivas. Que isenção se poderia esperar do STF ao julgar eventuais causas que envolvam não exatamente tais jornalistas, peixes pequenos, mas as empresas para as quais trabalham? E que tipo de tratamento jornalístico os leitores devem esperar de uma relação tão camarada?

Como Feliciano em outra esfera, Fux representa, hoje, uma crise moral na justiça brasileira, um embaraço.

Como ele não se autonomeou, é preciso não esquecer que para consolidar a justiça brasileira – e a democracia — os métodos de nomeação devem ser urgentemente aprimorados.

O post Luiz Fux é uma vergonha para a justiça brasileira apareceu primeiro em Pragmatismo Político.

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Interceptada carta a Obama com substância letal

 
: Porta-voz do serviço secreto dos Estados Unidos, Ed Donovan disse que a carta foi interceptada em uma instalação fora da Casa Branca e que agentes estão trabalhando com a Polícia do Capitólio e o FBI, a Polícia Federal norte-americana, para descobrir sua origem; inicialmente, a substância foi descrita como “suspeita”, mas o FBI já confirmou, a partir de exame preliminar, que se tratava de ricina, uma toxina que pode levar à morte; segundo os investigadores, não há ligação entre a carta e as explosões em Boston 
4 horas atrás

Maduro sai da defensiva, e critica Capriles e EUA

SUJO por Esquerdopata
 
Não confundam nossos anseios de paz com debilidade  

Jonatas Campos e Vinicius Mansur – ComunicaSul  

Caracas – O presidente recém-eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o tom e partiu para o ataque no debate político por todo o dia de hoje (16). Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, Maduro afirmou que vai usar “mão dura contra o fascismo” e proibiu uma marcha chamada pelo candidato derrotado Henrique Capriles Radonski para esta quarta-feira (17). O chavista ainda avisou que seu governo não vai reconhecer governadores que o considerem ilegítimo. Capriles é governador do Estado de Miranda. 
Maduro também acusou a embaixada norte-americana de estar financiando a oposição. O governo dos Estados Unidos é um dos únicos das Américas que aderiu à campanha da oposição de pedir a recontagem dos votos. Ele anunciou medidas de segurança para o sistema elétrico do país que, segundo ele, vem sofrendo inúmeras tentativas de sabotagem. 
Na segunda-feira (15), Capriles pediu nas redes sociais que seus seguidores “descarregassem sua raiva” ante a proclamação do presidente Nicolás Maduro no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e convocou um “panelaço” para as 20h da noite. Como resultados dos protestos desde ontem à noite, o governo afirma que ocorreram setes mortes perpetradas por ataques de pessoas ligadas à oposição.  
“Agora estão planejando uma marcha ao centro de Caracas. Não vamos permitir. Vocês não vão para lá enchê-lo (o centro) de morte e sangue, não vou permitir que façam o que querem fazer. Vou usar a mão dura contra o fascismo e a intolerância, então digo, se querem me derrubar, venham para mim, aqui estou com o povo e uma Força Armada, seu burguês”, asseverou Maduro em uma inauguração de um centro de saúde. 
Já a tarde, em um evento com trabalhadores da Petróleos da Venezuela (PDVSA), o presidente eleito acusou a embaixada dos Estados Unidos de financiar os atos de violência e alcunhou o seu opositor como o “novo Carmona”, referindo-se ao empresário Pedro Carmona, que liderou o golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez em abril de 2002. 
Em sua terceira aparição, já inaugurando um hospital no Estado Aragua, a algumas horas de Caracas, Maduro disse não reconhecer Capriles como governador o chamou os chavistas a protestar em favor do governo. “Chamo a todo o povo chavista, nacionalista e patriota, para isolar os golpistas. Não venha agora a disfarçar-se de pacifista. Não confundam nossos anseios de paz com debilidade”, disse o presidente em franco ataque. 
Carta Maior 
4 horas atrás

BERNARD SHAW – Frases

CULT CARIOCA por Cult Carioca
 
 “Nenhuma pergunta é tão difícil de responder quanto aquela cuja resposta é óbvia.” ~ “Daqui a alguns anos quando esta geração jovem for geração antiga, muitos dos seus integrantes vão implorar por respeito, fraternidade e amor… coisas que estão negando agora!!!”. ~ “O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e por fim acaba sabendo tudo sobre nada”. ~ “O sucesso encobre uma infinita quantidade de erros”. ~ “As idéias são como pulgas, saltam de uns para outros, mas não mordem a todos”. ~ “O que a história nos ensina é que a história não nos ensina nada. ~ “Só temos tempo o bastante para pensar no futuro quando já não temos futuro em que pensar”. ~ “A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente”. ~ “A virtude consiste não só em abster-se do vício, mas também em não o desejar”. ~ “O homem seria muito feliz se se esforçasse tanto, em não cometer asneiras, como depois para as remedia”. ~ “A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do gênio”. ~ “A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito.” ~ “Quando eu era moço observei que nove das dez coisas que eu fazia fracassavam. Como não desejava fracassar, eu trabalhava dez vezes mais.” ~ “A virtude não passa de tentação insuficiente”. ~ “O segredo do sucesso é ofender o maior número de pessoas”. ~ “Cuidado com o homem que não devolve a bofetada. Ele não a perdoou, nem permitiu que você se perdoasse”. ~ “Todas as religiões são conspirações contra os profanos”. ~ “A moda, afinal, não passa de uma epidemia induzida”. ~ “A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens”. ~ “Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização”. Bernard Shaw    

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4 horas atrás

O craque cai-cai

BOILERDO por Betho Flávio
 

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É isso aí, parece que aos poucos o povo vai percebendo que o craque da Globo e garoto propaganda das grandes corporação não passa de um engodo, pelo menos com a camisa amarelinha.

Tá Facebook , desconheço o autor.

4 horas atrás

TST lança site para combater trabalho infantil

RACISMO por racismoambiental
 

Marta Crisóstomo/MB – TST

“O Tribunal Superior do Trabalho (TST) vem promovendo o resgate uma dívida histórica da Justiça do Trabalho, ao se engajar no combate ao trabalho de crianças e adolescentes. Estamos buscando trazer para nós, magistrados trabalhistas, a responsabilidade pelas autorizações judiciais, em caráter excepcionalíssimo, para o trabalho de crianças e adolescentes”. Foi o que afirmou anteontem (15) o presidente do TST e do Conselho Nacional da Justiça do trabalho (CSJT), ministro Carlos Alberto Reis de Paula, ao lançar o site da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho (CETI), instituída no ano passado.

O site da Comissão, ressalta o ministro, é mais um instrumento de comunicação da Justiça do Trabalho com a sociedade, “para despertar a consciência de todos sobre o fato de que o direito à educação das crianças e adolescentes deve ser preservado acima de tudo”.

Segundo a legislação brasileira, qualquer forma de trabalho é proibida para crianças até 14 anos. Jovens de 15 e 16 anos podem exercer atividade remunerada como aprendizes, em atividades com fins claros de profissionalização e sob a supervisão de uma instituição de ensino daquele ofício. Ocorre que é possível à criança com idade inferior a 14 anos solicitar autorização judicial para o trabalho, diante da exceção feita pela Convenção nº 138 da OIT sobre trabalho infantil, adotada pelo país.

A Convenção estabelece, em seu artigo 8º, ser possível a autorização individual de trabalho inferior à idade mínima, “excepcionalmente e com garantias de proteção integral e prioritária”, ao artista infanto-juvenil. Fora esse caso, nenhuma autorização judicial de trabalho pode ser dada para quem ainda não completou 16 anos de idade,  explica a Comissão.

Competência para autorização é da JT

Desde 2005, com o advento da Emenda Constitucional 45/2004, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho para todas as relações de trabalho e não apenas os de emprego, a Justiça do Trabalho entende que a autorização, em casos excepcionais (trabalho infanto-juvenil artístico e esportivo), para o trabalho de crianças e adolescentes, insere-se na sua alçada, mesmo que a CLT ainda tenha artigo indicando a competência do juiz da infância e juventude.  Para os magistrados trabalhistas, o caráter especializado da JT permite avanço na proteção do trabalho também nessa espécie de relação contratual.

Assim sendo, a Justiça do Trabalho está engajada na luta pela erradicação do trabalho infantil, buscando cumprir o compromisso assumido pelo Brasil diante da comunidade internacional, de extinguir as piores formas de trabalho infantil até 2015, e quaisquer formas até 2020.

Com a criação da Comissão para Erradicação do Trabalho Infantil da JT, foi promovido o seminário ”Trabalho Infantil, Aprendizagem e Justiça do Trabalho”, realizado propositalmente em outubro, mês da criança, que resultou na edição da Carta de Brasília pela Erradicação do Trabalho Infantil – Outubro 2012 . Entre os seus 12 itens, o documento reafirma a competência material da Justiça do Trabalho para conhecer e decidir sobre autorização para trabalho de criança e do adolescente.

Além disso, a Comissão publicou um livreto destinado aos magistrados trabalhistas sobre o assunto (disponível no site), e agora faz o lançamento de sua página na internet. Integram a CETI oito magistrados do Trabalho de diversas regiões do Brasil, sob a coordenação do ministro Lélio Bentes, do TST.

Com essas medidas, a Justiça do Trabalho está buscando sensibilizar e instrumentalizar os juízes do trabalho, seus servidores e o conjunto da sociedade brasileira, para reconhecer o trabalho infantil como grave forma de violação de direitos humanos, e a responsabilidade de todos no seu combate e erradicação. Para os magistrados trabalhistas, o sucesso dessa luta dependerá da articulação de governo, judiciário, legislativo, ministério público e organizações não governamentais da sociedade civil.

Como resultado do engajamento, a Justiça do Trabalho, representada pela CETI, foi o único segmento do Judiciário brasileiro a ser convidado a participar da organização da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, que será realizada pela primeira vez no Brasil, em Brasília, em outubro de 2013.

Conteúdo

A página da CETI na internet  veicula notícias, informações técnicas, links para instituições e programas contra o trabalho da criança e do adolescente, vídeos e normas referentes ao combate à exploração das crianças no mundo do trabalho. Registra ainda eventos relacionados ao tema, abre espaço para denúncias de violência ou exploração contra a criança e oferece um canal “tira dúvidas”.

Trabalho infantil no Brasil

Em 2011, havia no país cerca de 3,7 milhões de trabalhadores de cinco a 17 anos de idade, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados em setembro do ano passado.  Em 2011, ano base da pesquisa, 704 mil crianças e adolescentes (de cinco a 13 anos) estavam trabalhando no país de forma ilegal. A maioria atua na produção agrícola.

Em 2011, o rendimento mensal domiciliar per capita real dos trabalhadores de cinco a 17 anos de idade foi de R$ 452,00, enquanto o dos que não trabalhavam foi de R$ 490,00. Em média, esse contingente de pessoas trabalhava, habitualmente, 27,4 horas por semana. A taxa de escolarização deste grupo ficou em 80,4%, sendo que 37,9% deles não recebiam contrapartida de remuneração. A população ocupada de cinco a 13 anos de idade estava mais concentrada em atividade agrícola (63,5%). Aproximadamente 74,4%, nessa faixa, estavam alocadas em trabalho sem contrapartida de remuneração (não remunerados e trabalhadores para o próprio consumo ou na construção para o próprio uso).

De acordo com a legislação brasileira, apenas jovens com 14 anos ou mais podem exercer algum tipo de profissão, e na condição de aprendiz, desde que o menor não seja submetido a algum tipo de situação de risco. Mesmo assim, na faixa dos cinco aos 17 anos, havia no país cerca de 3,7 milhões de trabalhadores, o que representa uma redução de 597 mil (14%) em relação ao Pnad 2009. Das crianças de cinco a nove anos, 89 mil declararam exercer algum tipo de profissão; 615 mil trabalham na faixa de dez a 13 anos; e três milhões entre 14 a 17 anos. Nas três situações, o sexo masculino é predominante.

O trabalho de crianças e adolescentes reduz a presença deste segmento na escola. O percentual de pessoas que não frequentava escola e trabalhava, no grupo de idade de dez a 14 anos, era de 10,5% do total. Já para os que não tinham emprego essa proporção era menor: 3,1% do total de crianças nessa faixa etária, de acordo com dados do Censo Demográfico de 2010 do IBGE.

No mundo

De acordo com estimativas da OIT, há cerca de 215 milhões de crianças trabalhadoras (de cinco a 17 anos) no mundo, sendo que cinco milhões estão presas em trabalhos forçados, inclusive em condições de exploração comercial para fins sexuais e servidão por dívidas.

Enviada por Ruben Siqueira para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Orações para Bobby

DIVERSIDADE CATOLICA por Equipe Diversidade Católica
 
 
4 horas atrás

Sem-teto protestam em frente à prefeitura de SP

 
Marcelo Camargo/ABr: São Paulo - O prefeito Fernando Haddad fala a membros de movimentos de luta por moradia, que realizaram protesto em frente a prefeitura de São Paulo. Falando aos manifestantes, prefeito Fernando Haddad reafirmou o compromisso de construir a quantidade de casas apontadas na campanha eleitoral, mas declarou que os programas de governo devem atender diferentes camadas da população: “A maioria é HIS [Habitação de Interesse Social]. Agora não posso trazer para a região central somente a população de uma faixa de renda, senão vou transformá-lo em um lugar homogêneo” 
4 horas atrás

Aborto é feito por quase 1 milhão de brasileiras que vivem as consequências da ilegalidade do ato

RACISMO por racismoambiental
 
“Arrumei uma enfermeira, indicada por uma amiga, que me levou para a casa dela. Fui sedada e, quando acordei, ela disse que naminha barriga tinha gêmeos. Chorei muito” – M. S. A., de 41 anos

Mulheres podem até ser detidas, mas a verdadeira prisão que as envolve é a culpa e as consequências para a saúde, como infecções, perda do útero e até da vida

Luciane Evans – Saúde Plena

Em silêncio, 300 mulheres morrem anualmente no Brasil por cometerem o que hoje ainda é crime no país: o aborto ilegal. Estima-se que de 800 mil a 1 milhão de brasileiras façam o procedimento por ano, muitas delas em condições desumanas, com uso de talo de couve, agulha de crochê e até aspirador de pó para a retirada do feto, o que daria algo em torno de 2,7 mil abortos por dia. Por hora, cerca de 115. Ricas ou pobres, elas encontram na clandestinidade o apoio para dizer “não” a uma gravidez indesejada. São, perante as leis brasileiras, criminosas, com risco de pena pelo delito de um a três anos de detenção. Para muitas, a prisão está na culpa carregada pelo resto da vida ou nas sequelas sentidas pelo corpo, entre elas, a perda do útero. Polêmico, o assunto é questão de saúde pública e o Brasil começa a dar seus passos para retirá-lo do Código Penal e torná-lo um direito da mulher.

O gatilho para a discussão vem com a reforma do Código Penal, para qual o Conselho Federal de Medicina (CFM) manifestou apoio a autonomia da gestante de abortar até a 12ª semana de gestação. Ou seja, a entidade defende que o Brasil não considere o procedimento como crime, garantindo estrutura médica para o ato. O órgão, que representa 400 mil médicos, fez votação entre os conselhos regionais e outras entidades, compostas por médicos, juristas e até padres, e o resultado, divulgado em março, jogou luz sobre o tema. Antes disso, o Conselho Federal de Psicologia já havia se manifestado a favor da descriminalização do aborto, em junho de 2012. Atualmente, o aborto é permitido no Brasil em casos de risco de vida para a mãe, estupro comprovado ou fetos anencéfalos.

“Não queremos que o problema seja de polícia, mas que seja encarado como de saúde pública. São 300 mulheres por ano que poderiam estar vivas se morassem em Portugal, por exemplo, onde o aborto não é crime, assim como na maioria dos países europeus. Quando feito em hospital, o procedimento é mais seguro. Fora dele, elas correm 100 vezes mais riscos”, defende o obstetra e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Olímpio Morais.

Diante da mudança, que pode ou não acorrer no Código Penal, hoje o Estado de Minas dá início a uma série de reportagens sobre o assunto, revelando um pouco dessa silenciosa realidade brasileira. O tema, que envolve questões de ética médica e pessoal, será tratado aqui como uma questão de saúde, mostrando os riscos e sequelas resultantes de quem faz o procedimento na ilegalidade. Por ser um crime cometido “por baixo dos panos” em clínicas clandestinas ou em casa, a Febrasgo estima entre 800 mil e 1 milhão as mulheres que buscam a prática para interromperem uma gravidez. “É algo comum entre as brasileiras. Até os 40 anos, uma em cada cinco mulheres já usaram o método clandestino. Basta olhar ao lado e contar até cinco: uma dessas mulheres, pelo menos, fará um aborto ao longo da vida. E elas têm o perfil de uma mulher comum: pode ser sua vizinha, sua filha, sua irmã. Casadas ou não, com ou sem religião”, comenta o sociólogo e economista Marcelo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB) e um dos responsáveis pela Pesquisa Nacional de Aborto, premiada, no ano passado, pela Organização Pan-Americana de Saúde.

No estudo, ele e antropóloga Débora Diniz, professora do Departamento de Serviço Social da UnB e pesquisadora do Instituto de Bioética, apontam que a maior parte das mulheres no Brasil aborta usando o abortivo misoprostol. “O problema é que nem sempre elas têm acesso ao medicamento com qualidade e na dose certa, e muitas não têm acesso à higiene pós-aborto para evitar complicações, uma das principais causas de internação feminina no país. É um caso de saúde pública, mas tratado de polícia”, diz Medeiros.

Depoimentos:

M. S. A., de 41 anos

“Não tinha estrutura para ter um filho. Estava com 18 anos e trabalhava em casa de família. Arrumei uma enfermeira, indicada por uma amiga, que me levou para a casa dela. Fui sedada e, quando acordei, ela disse que na minha barriga tinha gêmeos. Chorei muito. Engravidei de novo e tentei abortar. Dessa vez com a tal borrachinha, uma espécie de tubo que eles enfiam na gente. Não deu certo. Cinco anos depois, tive um mioma no útero e o médico disse que pode ter sido causado pelo primeiro aborto. Perdi o útero. Durante seis anos, não saí de casa. Tive depressão e desenvolvi transtorno bipolar. Tentei suicídio duas vezes, porque o aborto sempre vem à minha cabeça. Quando você se arrepende, dói mesmo. Pedi perdão a Deus, mas nunca mais fui a mesma.”

M. A. D. – 40 anos

“Era meu nono filho. Eu e meu marido não tínhamos mais condições de ter mais uma criança dentro de casa. Com cinco meses de gravidez, tomei coragem e abortei. Injetei 12 comprimidos do remédio que provoca aborto e outros dois. Passei muito mal. Tive uma hemorragia intensa. Achei que ia morrer. Fui levada para um hospital e tive uma parada cardíaca. Os médicos me salvaram e retiraram ‘o resto’ do feto de mim. Ele foi embrulhado em um saco de lixo e entregue ao meu marido. Foi a cena mais triste da minha vida. Não tive problemas depois. Hoje tenho 12 filhos.”


MAIOR INTERNAÇÃO NO SUS

Por ser considerado crime, não há números oficiais sobre os abortos provocados feitos no país. Mas, ao se submeterem a condições inseguras para o ato, muitas mulheres, de acordo com especialistas, passam mal e são socorridas em pronto-socorros e maternidades, onde, por medo, não informam o motivo de estarem ali. São submetidas à curetagem. Sem distinguir quantos casos foram provocados ou de aborto natural, os órgãos públicos divulgam o número de curetagens uterinas pós-aborto, procedimento médico para a retirada de material placentário ou endometrial da cavidade uterina. Em Minas Gerais, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde, foram feitas no ano passado 23.262 curetagens, o que custou ao SUS pouco mais de R$ 5 milhões. Em 2011, os números foram similares.

Os números são considerados altos por médicos especializados em ginecologia e obstetrícia. No Rio de Janeiro, nos mesmos anos, foram cerca de 14 mil procedimentos de curetagem pós-abortamento, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde fluminense. Em Belo Horizonte, foram 2.931 procedimentos, em 2011. Em 2012, outros 2.588. Segundo especialistas, de cada 100 gestações, 20 evoluem para o aborto espontâneo. A maioria não precisa de curetagem. “Do total de curetagem registrado nos estados, 60% são feitos como socorro às mulheres que fizeram aborto ilegal”, estima Olímpio.

Levantamento de 2010 do Instituto do Coração, da Universidade de São Paulo (USP), da médica Pai Ching Yu, e coordenado por Débora Diniz, mostrou que a curetagem depois do aborto foi a cirurgia mais realizada no SUS entre 1995 e 2007. O procedimento foi responsável pelo maior número de internações, com mais de 238 mil registros/ano. A maioria dos procedimentos é da interrupção provocada da gravidez. Além disso, a pesquisa de Débora, com Marcelo Medeiros, apontou que 15% das brasileiras já abortaram e 55% delas foram internadas por complicações.

Quarta causa de morte

“O abortamento é a quarta causa de morte materna”, diz a ginecologista e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alamanda Kfoury. Ela explica que quando se faz um aborto por medicamento abortivo, o remédio provoca uma contração contínua no útero. “É uma contração intensa, que faz com que o colo uterino abra e elimine o embrião. Em maternidades e hospitais, ele é usado, por exemplo, em casos de morte embrionária. A paciente é internada e toma a dose certa. Pode ser usado via oral ou intravaginal”, explica. Na clandestinidade, a medicação, que pode ser comprada até pela internet, por cerca de R$ 300, é tomada pela maioria das mulheres que quer abortar. “Porém, sem acompanhamento médico, elas o tomam de forma excessiva e, na maioria das vezes, apresentam hemorragia ou ruptura do útero, podendo até perdê-lo”, alerta a médica.

Outros métodos são a curetagem e aspiração ultrauterina. “São procedimentos cirúrgicos, com internação, sedação e raspagem do útero.” A ginecologista diz que em clínicas clandestinas o procedimento, muitas vezes, é feito com a introdução de um tubo de plástico, chamado cânula, no útero. “Dão um analgésico à mulher e o risco é de hemorragia. Muitas vezes, não houve a perda do feto, então há infecções e elas recorrem aos hospitais, e muitas não falam o motivo do sangramento”, conta Alamanda, lembrando que o risco de morte nesses casos é alto.

“Quando elas buscam socorro, temem ser punidas pela ilegalidade e se calam. Quando uma mulher morre, morre a família inteira”. lamenta o coordenador da Atenção da Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde de BH, Virgílio Queiroz.

Enviada por José Carlos para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Como funciona o processo eleitoral na Venezuela

LUIS NASSIF por luisnassif
 

Por O Escritor

Para entender a tentativa de golpe de Estado na Venezuela

Em 2011, o ex-presidente americano Jimmy Carter afirmou que o Processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo”.

É este processo que está sendo questionado pelo candidato derrotado Henrique Capriles, pelo governo dos Estados Unidos e pela grande mídia nacional.

Como se dá a votação na Venezuela?

1. O teste da realidade.

O país passou por 18 eleições nos últimos 14 anos, todas acompanhadas por observadores internacionais e consideradas “limpas”. Em 2012, na eleição de Hugo Chávez, observadores de 30 países acompanharam o processo.

2. A identificação do eleitor.

O eleitor identifica-se aos mesários primeiro por meio de uma carteira de identidade. Depois, há uma conferência eletrônica dessa identificação através da biometria: o eleitor pressiona o polegar direito num aparelho, e suas digitais acionam uma tela onde aparecem os dados do eleitor, que são conferidos com os dados da carteira de identidade.  Se os dados batem, o eleitor é liberado para votar. Detalhe: a própria urna eleitoral é desbloqueada somente pelas impressões digitais do polegar direito do eleitor.

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4 horas atrás

“Caso MF”: um paradigma na relação religião-mídia-política no Brasil

RACISMO por racismoambiental
 

Blog de um Sem-Mídia

“Quem se surpreende com o que Feliciano diz e com o apoio que ele recebe de diversos segmentos evangélicos desconhece o DNA deste grupo. Não há nada de novo aqui. O que há é maior visibilidade pela projeção que a mídia religiosa e não-religiosa têm dado a este discurso”, afirma Magali do Nascimento Cunha, jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo e autora do livro A Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário evangélico contemporâneo (Ed. Mauad).

Segundo ela, “o caso Marco Feliciano pode ser considerado um paradigma pelo fato de ser a primeira vez na história em que os evangélicos se colocam como um bloco organicamente articulado, com projeto temático definido: uma pretensa defesa da família. Com a polarização estimulada pelas mídias entre o deputado Feliciano e ativistas homossexuais foi apagada a discussão de origem quanto à indicação do seu nome em torno das afirmações racistas e de seu total distanciamento da defesa dos direitos humanos”.

“Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora – continua Magali – em diferentes espaços sociais – do Congresso Nacional às mídias – que reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz”.

Para a jornalista, “é possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos conservadores no Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica”. Eis o artigo.

Nestes meses de março e abril de 2013 temos lido, ouvido e assistido a um episódio sem precedentes no Congresso Nacional, que coloca em evidência a relação religião-política-mídia. Em 5 de março foi anunciada pelo Partido Socialista Cristão (PSC), a indicação do membro de sua bancada o pastor evangélico deputado federal Marco Feliciano (SP) como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal (CDH). Foram imediatas as reações de grupos pela causa dos Direitos Humanos ao nome de Marco Feliciano, com a alegação de que o deputado era conhecido em espaços midiáticos por declarações discriminatórias em relação a pessoas negras e a homossexuais. O PSC se defendeu dizendo que seguiu um protocolo que lhe deu o direito de indicar a presidência dessa comissão, um processo que estava dentro dos trâmites da democracia tal como estabelecida no Parlamento brasileiro. Isto, certamente, é fonte de reflexões, em especial quanto ao porquê da defesa dos Direitos Humanos ser colocada pelos grandes partidos como “moeda de troca barata”, como bem expôs Renato Janine Ribeiro em artigo publicado no Observatório da Imprensa (n. 740, 2/4/2013). Soma-se a isto o fato de o deputado indicado e o seu partido não apresentarem qualquer histórico de envolvimento com a causa dos Direitos Humanos que os qualificassem para o posto.

O que tem chamado a atenção neste caso, e que é objeto desta reflexão, é a “bola de neve” que ele provocou a partir das reações ao nome do deputado, formada por protestos públicos da parte de diversos segmentos da sociedade civil, mais a criação de uma frente parlamentar de oposição à eleição de Feliciano, e pelo estabelecimento de uma guerra religiosa entre evangélicos e ativistas do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), e entre evangélicos e não-cristãos. E esta bola de neve é produto de fatores que se apresentam para além da CDH, e a expõem como um elemento a mais no complexo quadro da relação entre religião e sociedade no Brasil. Pensemos um pouco sobre estes fatores; vamos elencar quatro.

1. A reconfiguração do lugar dos evangélicos na política
Desde o Congresso Constituinte de 1986 e a formação da primeira Bancada Evangélica e seus desdobramentos, a máxima “crente não se mete em política” construída com base na separação igreja-mundo foi sepultada. A máxima passou a ser “irmão vota em irmão”.

Depois de altos e baixos em termos numéricos, decorrentes de casos de corrupção e fisiologismo, a bancada evangélica se consolidou como força no Congresso Nacional, o que resultou na criação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) em 2004, ampliada nas eleições de 2010 para 73 congressistas, de 17 igrejas diferentes, 13 delas pentecostais. Os parlamentares evangélicos não são identificados como conservadores, do ponto de vista sociopolítico e econômico, como o é a Maioria Moral nos Estados Unidos, por exemplo. Seus projetos raramente interferem na ordem social e se revertem em “praças da Bíblia”, criação de feriados para concorrer com os católicos, benefícios para templos. Basta conferir o perfil dos partidos aos quais a maioria dos políticos evangélicos está afiliada e os recorrentes casos de fisiologismo.

Mais recentemente é o forte tradicionalismo moral que tem marcado a atuação da FPE, que trouxe para si o mandato da defesa da família e da moral cristã contra a plataforma dos movimentos feministas e de homossexuais, valendo-se de alianças até mesmo com parlamentares católicos tradicionalistas, diálogo impensável no campo eclesiástico.

Os números do Censo 2010 são fonte para a demanda de legitimidade social entre os evangélicos, e certamente de conquista de mais espaço de influência. Estudos mostram que desde 2002, período da legislatura em que a FPE foi criada, a cada eleição, o número de evangélicos no Parlamento (Câmara e Senado) aumenta em torno de 30% do total anterior. A estimativa, mantido este índice, é de chegarem a 100 cadeiras em 2014, o que representaria em torno de 20% das 513 do Congresso, refletindo a representatividade dos evangélicos no Brasil revelada pelo Censo 2010. Este é um projeto cada vez mais nítido deste segmento social que certamente visa, como os demais grupos políticos, muito mais do que cadeiras no Congresso, mas também presidências de comissões e de ministérios relevantes (para além do único atual tímido Ministério da Pesca, sob a liderança do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivela).

A polêmica com Marco Feliciano deixa este projeto em evidência, já que não só uma presidência inédita de comissão foi alcançada, mas também maior visibilidade aos evangélicos na política e ao próprio PSC, que tem o nome “Cristão”, mas sempre se caracterizou como um partido de aluguel para quem desejasse candidatura independentemente de confissão de fé. Pelo fato de estar nas manchetes durante semanas, o PSC já prevê que Feliciano, eleito com 212 mil votos por São Paulo em 2010, se tornará um “campeão de votos” nas próximas eleições, podendo atingir um milhão de votos, e ainda alavancará a candidatura do pastor Everaldo Pereira (PSC/SP) a presidente da República. Aliado de Marco Feliciano, o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, figura sempre presente nas mídias, declarou: “Se o Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Mais uma vez, é possível afirmar que a cada novo episódio, a relação evangélicos- política é dinâmica complexa que inclui disputas por poder e hegemonia no campo religioso, ambição dos políticos que veem no pragmatismo dos evangélicos fonte para suas barganhas de campanha, concorrência de grupos que competem por poder sociopolítico e econômico como as empresas de mídia, como veremos adiante.

2. O conservadorismo de Marco Feliciano e de seus “soldados”
A imagem dos “evangélicos” foi construída fundamentalmente com base na identidade de dois grupos de cristãos não-católicos: os protestantes de diferentes confissões que chegaram ao Brasil por meio de missões dos Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XIX, e os pentecostais, que aportaram em terras brasileiras na primeira década do século XX, vindos daquele mesmo país. Esta imagem sempre mostrou ao Brasil um segmento cristão predominantemente conservador teologicamente, marcado por um fundamentalismo bíblico, um dualismo que separava a igreja do “mundo”/a sociedade e um anticatolicismo.

Desta forma, não é surpresa que um pastor evangélico, no caso Marco Feliciano, reproduza em seus sermões modernos e de forte apelo emocional, uma abordagem teológica tão antiga como a que embasa a ideologia racista, por meio da leitura fundamentalista de textos do Gênesis que contêm a narrativa da descendência de Noé. Também não é surpresa que Marco Feliciano conduza sua reflexão teológica por meio de bases que justifiquem a existência de um Deus Guerreiro e Belicoso, que tem ao seu redor anjos vingadores, que destrói do Titanic John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, continuando o que já fazia com os povos africanos herdeiros do filho de Noé, e que, nesta linha, certamente fará aos que assumem e apregoam o homossexualismo. Menos surpreendente é ainda que o líder religioso reaja a quem lhe faz oposição ou tenha posição diferente da sua classificando-o como agente do diabo e assim foram sinalizadas a própria formação anterior da Comissão de Direitos Humanos e celebridades como o cantor Caetano Veloso.

Quem se surpreende com o que Feliciano diz e com o apoio que ele recebe de diversos segmentos evangélicos desconhece o DNA deste grupo. Não há nada de novo aqui. O que há é maior visibilidade pela projeção que a mídia religiosa e não-religiosa têm dado a este discurso. Em 2010, por exemplo, o pastor estadunidense Pat Robertson, dono de um canal de televisão, declarou que o trágico terremoto no Haiti naquele ano era consequência de um pacto dos haitianos com o diabo no passado para se tornarem independentes da França. A declaração de Robertson, amplamente veiculada, provocou manifestações contrárias em todo o mundo. As palavras de Marco Feliciano no Brasil de 2013 são apenas o eco da mesma teologia.

Há algo novo, sim, neste processo, relacionado à articulação dos apoios a Feliciano que coloca em evidência o conservadorismo, antes atribuído mais diretamente aos evangélicos, que reflete uma tendência forte na sociedade brasileira de um modo geral.

É nesse contexto que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), suplente da CDH, afirmou que se sente como “irmão” do presidente da comissão. “Como capitão do Exército, sou um soldado do Feliciano“, declarou Bolsonaro, em matérias divulgadas pelas mídias em 27 de março, e acrescentou: “A agenda antes era outra, de uma minoria que não tinha nada a ver. Hoje, representamos as verdadeiras minorias. Acredito no Feliciano, de coração. Até parece que ele é meu irmão de muito tempo. Não sinto mais aquele cheiro esquisito que tinha aqui dentro e aquele peso nas costas. Aqui, era uma comissão que era voltada contra os interesses humanos, contra os interesses das crianças e contra os interesses da família. Agora, essa comissão está no caminho certo. Parabéns, Feliciano”.

O deputado Bolsonaro tem um histórico de posicionamentos racistas e de conflito com ativistas sociais e militantes de movimentos gays. Em novembro de 2011, ele chegou a pedir, da tribuna da Câmara, à presidente Dilma Rousseff para que ela assumisse se gostava de homossexuais. Em março do mesmo ano, respondeu que “não discutiria promiscuidade” ao ser questionado em um programa de TV pela cantora Preta Gil sobre como reagiria caso o filho namorasse uma mulher negra.

No campo das igrejas, o já citado pastor Silas Malafaia, conhecido por polêmicas midiáticas desde a campanha presidencial de 2010, se alistou nas fileiras do deputado Feliciano e se tornou seu árduo defensor e colaborador desde o início da controvérsia da presidência da CDH. Até a Igreja Católica, explícita em suas posições quanto à ampliação de direitos civis de homossexuais, mas clássico “inimigo” dos evangélicos, é colocada por Feliciano na lista de aliados. Em entrevista à TV Folha-UOL (2/4/2013), o deputado explicitou: “Tenho alguns contatos com algumas pessoas da CNBB, mas com os grandes líderes do movimento católico não tive contato até porque quase não tenho tempo. Acredito que, nesse momento, todos eles me conhecem até porque o que eu sofro hoje de perseguição dado ao movimento LGBT, a Igreja Católica sofre isso no mundo todo. Inclusive, o novo papa, o papa Francisco, na Argentina quase foi linchado por esse grupo. Então, nós temos algumas coisas que, acredito, nos fazem pensar igual.(…) Eu fiquei feliz por termos ali um papa que ainda é bem ortodoxo, é bem conservador e que prima por aquilo eu acredito também, que a família é a base da sociedade. Aliás, a família é antes da sociedade”.

Estas alianças estão produzindo efeitos até na qualidade do discurso de Marco Feliciano. Os benefícios proporcionados pela aproximação com lideranças mais experientes ficam evidentes nas mudanças no discurso do deputado como: “Só saio da presidência da CDH morto” para “Só saio da presidência da CDH se os deputados condenados pelo julgamento do mensalão, José Genoíno e João Paulo Cunha, deixarem a Comissão de Constituição e Justiça”. Com isso, Feliciano atraiu para si a simpatia da mídia que se fartou na cobertura do julgamento do Superior Tribunal de Justiça e de segmentos conservadores, que, embora não concordem com seu nome na presidência da CDH, querem “a cabeça” dos condenados. Feliciano usa uma controvérsia ética para justificar a controvérsia de sua própria eleição – a CDH como moeda de troca partidária.

Alianças do religioso com o não-religioso formando exércitos que marcham em defesa da moral e dos bons costumes – em defesa da família – não é algo novo no Brasil, mas é bastante novo no espaço político que envolve os evangélicos e suas conquistas na esfera pública. Em matéria na Folha de São Paulo, de 7/4/2013, o diretor do instituto de pesquisa Datafolha, Mauro Paulino, declarou que o discurso de Feliciano atinge preocupações de parte da população: “Entre os brasileiros, 14% se posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito de conferir notoriedade a ele.” Isto significa que apesar dos tantos slogans divulgados em manifestações presenciais e nas redes sociais – “Feliciano não me representa” – FelicianoBolsonaro e tantos outros são eleitos e ganham espaço e legitimidade. Portanto, há quem se sinta representado, sim, não somente do ponto de vista da popularidade mas do peso das articulações ideológicas em curso na sociedade brasileira.

3. Inimigos, um componente do imaginário evangélico
Exércitos precisam de inimigos. A teologia de um Deus Guerreiro e Belicoso sempre esteve presente na formação fundamentalista dos evangélicos brasileiros, compondo o seu imaginário e criando a necessidade da identificação de inimigos a serem combatidos. Historicamente a Igreja Católica Romana sempre foi identificadas como tal e sempre foi combatida no campo simbólico mas também no físico-geográfico. Da mesma forma as religiões afro-brasileiras também ocupam este lugar, especialmente, no imaginário dos grupos pentecostais.

Periodicamente, estes “inimigos” restritos ao campo religioso perdem força quando ou se renovam, como é o caso da Igreja Católica, a partir dos anos de 1960, ou quando aparecem outros que trazem ameaças mais amplas. Assim foram interpretados os comunistas no período da guerra fria no mundo e da ditadura militar. Há também um imperativo imaginário de se atualizar os combates, quando a insistência em determinados grupos leva a um desgaste da guerra. Durante o processo de redemocratização brasileira nos anos 80, o espaço que vinha sendo conquistado pelo Partido dos Trabalhadores, interpretado como nítido representante do perigo comunista, foi reconhecido como ameaça e campanhas evangélicas contra o PT reverberaram de forma religiosa o que se expunha nas trincheiras da política.

Com o enfraquecimento do ideal comunista nos anos 90 e com o PT chegando ao poder nacional com o apoio dos próprios evangélicos, a força das construções ideológicas estadunidenses abriu lugar à atenção à ameaça islâmica e houve algum espaço entre evangélicos no Brasil para discursos de combate ao islam. No entanto, como esta ameaça está bem distante da realidade brasileira – não se configura um inimigo tão perigoso nestas terras -, emerge, mais uma vez, o imperativo de se atualizar os combates. Não mais catolicismo, nem comunismo, não tanto islamismo… quem se configuraria como novo inimigo? Desta vez, um inimigo contra a religião e seus princípios, contra a Bíblia, contra Deus, contra o Brasil e as famílias: o homossexualismo.

Declarações de Marco Feliciano na mídia noticiosa expressam bem este espírito belicoso: “É um assunto tão podre! Toda vez que se fala de sexo entre pessoas do mesmo sexo ninguém quer colocar a mão, porque é podre. Por causa disso, um grupo de 2% da população – os gays – consegue se levantar e oprimir uma nação com 90% de cristãos, entre católicos e evangélicos, e até pessoas que não têm religião, mas que primam pelo bem-estar da família, pelo curso natural das coisas” (Rede Brasil Atual, 1/3/2013). “Existe uma ditadura chamada (…) “gayzista”. Eles querem impor o seu estilo de vida e a sua condição sobre mim. E eles lutam contra a minha liberdade de pensamento e de expressão. Eles lutam pela liberdade sexual deles. Só que antes da liberdade sexual deles, que é secundária, tem que ser permitida a minha liberdade intelectual. A minha liberdade de expressão. Eu posso pensar. Se tirarem o meu poder de pensar, eu não vivo. Eu vegeto e morro”. (TV Folha-UOL, 2/4/2013).

Consequência da eleição de inimigos e do combate a eles é o discurso de que há uma perseguição a quem se faz contrário, promovida pelo maior inimigo de Deus, Satanás. Esta ideia está claramente presente em afirmações de Feliciano como: “Eu morro, mas não abandono minha fé”; “A situação está tomando dimensões muito estranhas. É assustador, estou me sentindo perseguido como aquela cubana lá. Como é o nome? A Yoani Sánchez“; “Se é para gritar, tem um povo que sabe o que é grito. […] Nós (evangélicos) sabemos qual é o poder da nossa fé.”

A insistência da mídia noticiosa em enfatizar a guerra Feliciano-homossexuais, com o lado “inimigo” representado por um deputado, na mesma condição do primeiro, Jean Wyllys (PSOL/RJ), ativista do movimento LGBT, só faz reforçar a reconstrução do imaginário evangélico da guerra aos inimigos e da perseguição consequente. Isso tem gerado manifestações diversas de apoio a Feliciano entre evangélicos dos mais diferentes segmentos e ações como a da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), realizada em Brasília neste abril, que aprovou uma moção de apoio a Feliciano, aprovada em votação simbólica por unanimidade. Feliciano agradeceu o apoio dizendo que “nunca houve uma comissão com tanta oração. Os pastores estão orando pela minha vida e pela comissão. Venceremos esta batalha”.

Há ainda uma explosão de postagens em nas mídias digitais, em especial nas redes sociais. Por exemplo, uma montagem com foto de Marco Feliciano com uma faixa presidencial tem sido veiculada por usuários do Facebook, e, na primeira semana de abril já havia superado a marca de 65 mil compartilhamentos. A campanha pede que favoráveis à candidatura do pastor à presidência da República em 2014 compartilhem a imagem para demonstrar força nas redes sociais: “Campanha urgente: Marco Feliciano presidente do Brasil”, diz o texto.

Uma segunda imagem com comparações entre Marco Feliciano Jean Wyllys também veiculada no Facebook, já havia superado 100 mil compartilhamentos em meados de abril, registrando mais de 7,5 mil comentários. Na imagem, há dados sobre o número de votos de cada um dos deputados, além de comparações entre as bandeiras políticas defendidas por cada um deles. A imagem quando compartilhada revela declarações pessoais de quem “curtiu” com texto que manifesta apoio ao pastor Feliciano: “Eu sou cristão, a favor da democracia, da vida e da família brasileira. Marco Feliciano me representa”.

A declaração de Silas Malafaia à Folha de São Paulo (7/4/2013) sobre a repercussão do caso entre os evangélicos e simpatizantes reflete bem este espírito: “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014″.

Toda e qualquer análise e ação em torno da presença dos evangélicos nas mídias e na política não pode ignorar esta dimensão do imaginário da necessidade da criação de inimigos e da consequente perseguição. Isto é característico de religiões numericamente não-majoritárias, sendo portanto, fruto, entre outros aspectos, do caráter minoritário da presença evangélica em terras brasileiras.

4. As transformações e as revelações na relação mídia-religião
O histórico da presença evangélicas nas mídias não-religiosas no Brasil revela a hegemonia católica-romana que vem pouco a pouco sendo diminuída por conta do espaço que os evangélicos vêm conquistando na esfera pública. Enquanto católicos sempre apareceram para expressar sua fé nas datas clássicas do calendário religioso e para se manifestar sobre temas amplos, à exceção dos casos controversos inevitáveis como a pedofilia praticada por clérigos, cuidadosamente tratados, evangélicos tinham espaço garantido quando se tratava de escândalos de corrupção ou situações bizarras.

Na última década, a expressiva representatividade dos evangélicos no país com o consequente declínio do catolicismo, e a ampliação de sua presença nas mídias e na política, torna este segmento não só visível mas um alvo mercadológico. As mídias passam a prestar a atenção no segmento e na lucratividade possível, em torno da cultura do consumo vigente.

Um exemplo ilustrativo se dá quando um personagem, por vezes protagonista, por vezes coadjuvante, como o pastor Silas Malafaia, que assume o papel da pessoa controvertida em todo este contexto e constrói sua imagem midiática como “aquele que diz as verdades”, é convidado para uma conversa com o vice-diretor das Organizações Globo, João Roberto Marinho (PINHEIRO, Daniela. Vitória em Cristo. Revista Piauí, n. 60, set 2011). Aí é possível identificar o patamar em que se encontra o segmento evangélico nas mídias. Segundo depoimento do pastor depois da conversa, Marinho teria alegado precisar conhecer mais o mundo dos evangélicos já que a emissora teria percebido que Edir Macedo não seria “a voz” dos protestantes no Brasil. O pastor Malafaia ganhou, então, trânsito em um canal destacado de comunicação e teve várias aparições no programa de maior audiência da Rede Globo, o Jornal Nacional.

Além do contato com Malafaia, as Organizações Globo, por meio da gravadora Som Livre, já contrataram grandes nomes do mercado da música evangélica que têm, a partir daí, espaço garantido na programação da Rede Globo. A Globo tirou da Rede Record, em 2011, o evento de premiação dos melhores da música evangélica, tendo criado o Troféu PromessasA Rede Globo é também, a partir de 2011, patrocinadora de eventos evangélicos como a Marcha para Jesus e de festivais gospel.

Noticiário inédito do mundo evangélico tem ganhado espaço na Rede, como por exemplo, a matéria sobre a reeleição de José Wellington Bezerra à presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus veiculada em matéria de 1’44 no Jornal da Globo, de 1’52 na Globo News, em 11 de abril, além de nota na CBN e no portal G1.

Neste contexto, o caso Marco Feliciano tem sido amplamente tratado pela grande mídia. Feliciano já foi entrevistado por todos os grandes veículos de imprensa e já participou dos mais variados programas de entretenimento – de talk-shows a games. Foi tratado com simpatia na entrevista de Veja e defendido pelo jornalista Alexandre Garcia em comentário na Rádio Metrópole (5/4/2013) com o argumento de “liberdade de opinião”. Fica nítido que estes veículos não desprezam a dimensão do escândalo e da bizarrice relacionada ao caso, somada à atraente questão da homossexualidade que mexe com as emoções e paixões humanas e expõe a vida íntima de celebridades, como o caso da cantora Daniela Mercury que veio à tona na trilha desta história.

No entanto, o amplo espaço dado para que Feliciano e seus aliados exponham seus argumentos e sejam exibidos como simpáticos bons sujeitos revela que estas personagens ganham um tratamento bastante afável em comparação à execração imposta a outras em situações críticas da política brasileira, como a que envolveu os parlamentares do PT. Não temos aqui apenas os evangélicos como um segmento de mercado a ser bem tratado, mas, retomando a constatação de que FelicianoMalafaia Bolsonaro representam uma parcela conservadora da sociedade brasileira, é possível que haja uma identidade entre estes líderes e quem emite e produz conteúdos das mídias. Afinal, é a mesma mídia que constrói notícias sobre crimes protagonizados por crianças e adolescentes de forma a promover uma “limpeza” das cidades por meio de campanha por redução da maioridade penal no Brasil, ou que veicula programas que trazem enquetes durante um noticiário sobre crimes urbanos que indagam: “Ligue XXX ou YYY para indicar qual pena merece o criminoso? XXX para prisão ou YYY para morte”.

São transformações na relação mídia e religião, com efeitos políticos, que merecem ser monitoradas e esclarecidas, tendo em vista a complexidade das relações sociais, em especial no que diz respeito à religião, e que devem ser potencializadas no ano eleitoral que se aproxima.

Um paradigma
O caso Marco Feliciano pode ser considerado um paradigma pelo fato de ser a primeira vez na história em que os evangélicos se colocam como um bloco organicamente articulado, com projeto temático definido: uma pretensa defesa da família. Com a polarização estimulada pelas mídias entre o deputado Feliciano e ativistas homossexuais foi apagada a discussão de origem quanto à indicação do seu nome em torno das afirmações racistas e de seu total distanciamento da defesa dos direitos humanos.

Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora em diferentes espaços sociais – do Congresso Nacional às mídias – que reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz.

A postagem de um pastor de uma igreja evangélica no Facebook reflete bem este espírito: “Devemos nos unir cada vez mais, já somos milhões de evangélicos no Brasil, fora os simpatizantes. Temos força, é claro que nossa força vem de Deus. Precisamos nos mobilizar contra as forças das trevas, que querem desvirtuar os bons costumes e a moral e, principalmente que querem afetar a honra da família. Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar e orar, não tem capeta que resista”. E as palavras de Marco Feliciano ecoam como profecia: “Graças a Deus permanecemos firmes até aqui. Chegará o tempo que nós, evangélicos, vamos ter voz em outros lugares. O Brasil todo encara o movimento evangélico com outros olhos”.

Nesse sentido é possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos conservadores no Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica. A ascensão de Celso Russomano nas eleições municipais de São Paulo, em 2012, já havia sido exemplar: um católico num partido evangélico, apoiado por grupos evangélicos os mais distintos. A eleição da presidência da CDH é paradigmática no campo nacional e ainda deve render muitos dividendos a Feliciano, ao PSC, à Bancada Evangélica e a seus aliados. O projeto político que se desenha, de fato, pouco ou nada tem a ver com a defesa da família… os segmentos da sociedade civil, incluindo setores evangélicos não identificados com o projeto aqui descrito, que defendem um Estado laico e socialmente justo, têm grandes tarefas pela frente.

Enviada por José Carlos para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Por favor, não confunda mais…

BOILERDO por Betho Flávio
 

 

Por Millôr

4 horas atrás

Os 80 anos da implantação do futebol profissional no Brasil

LUIS NASSIF por luisnassif
 

Por Carlos Dias

Do Lancenet

Há 80 anos, Fluminense inaugurava o futebol profissional no Brasil

Em 1933, Tricolor empatava em 4 a 4 com o Corinthians, no Estádio das Laranjeiras 

 Arquivo/Fluminense FC) 
Há 80 anos, o Fluminense inaugurava o futebol profissional no Brasil (Foto: Arquivo/Fluminense FC)

Dia 16 de abril de 1933. Há 80 anos o futebol profissional era implementado no Brasil, mais precisamente no estádio das Laranjeiras, sede do Fluminense. Na ocasião, o Tricolor enfrentava o Corinthians e apresentava pela primeira vez para a sociedade a sua equipe de profissionais.

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4 horas atrás

Dilma vai recuar na política de juros?

ALTAMIRO BORGES por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Altamiro Borges

O ringue já está montado. De um lado, banqueiros, agiotas financeiros e a mídia rentista exigem o aumento da taxa básica dos juros e esbravejam que o governo perdeu o controle da inflação e que o país ruma para o caos. Do outro, as centrais sindicais rejeitam a alta dos juros, afirmando que esta receita amarga trava o desenvolvimento e resulta em queda no ritmo de geração de emprego e renda. A data do confronto também está marcada. É hoje, dia 17, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Diante deste confronto, expressão da luta de classes no Brasil, a presidenta Dilma Rousseff dá sinais de que pode recuar na sua política monetária, dobrando-se à pressão dos rentistas. Em discurso ontem em Minas Gerais, ela admitiu a retomada da alta da Selic, mesmo que ela seja tímida. “Jamais voltaremos a ter aqueles juros que, a qualquer necessidade de mexida, elevava a taxa para 15%. Hoje temos taxa de juros real bem baixa. Qualquer necessidade [de alta] para combater a inflação será possível fazer num patamar bem menor”.

A declaração animou os tais “analistas de mercado” – nome fictício dos porta-vozes da ditadura do capital financeiro. Eles já preveem que o Copom elevará a taxa básica de juros, a Selic, na sua reunião que se encerra hoje. Desde outubro de 2011, a taxa se encontra na casa dos 7,25% ao ano, o mais baixo patamar desde 1998. Caso o Banco Central recue, uma nova espiral de alta poderá ter início, com fortes impactos na economia. Daí a correta decisão das centrais sindicais, que promovem hoje um ato de protesto diante do órgão.

4 horas atrás

MST bloqueia rodovia do MS em protesto contra violência

RACISMO por racismoambiental
 

Agência Estado

Um grupo de sem-terra do MST está bloqueando, desde as 6h desta terça-feira, um trecho da rodovia BR-267 situado no distrito de Casa Verde, município de Nova Andradina, região leste de Mato Grosso do Sul. Os manifestantes, estimados em 2.500 pessoas pela Polícia Rodoviária Federal, estão protestando contra a violência no campo e exigem a implantação de novos assentamentos para as famílias acampadas em 54 dos 79 municípios do Estado, além da presença do superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no local.

Segundo o superintendente do Incra no MS, Celso Cestari Pinheiro “não há necessidade da locomoção até o local”. Ele explicou que no início deste mês, os líderes de movimento de sem-terra do MS se reuniram na sede do Incra em Campo Grande, quando foram esclarecidos sobre todas as ações destinadas às famílias que habitam os 178 assentamentos no MS e também aos acampados”. Os esclarecimentos estão descritos no Plano Operacional da SR-16 e no Plano Estratégico da Reforma Agrária e serão entregues aos dirigentes de organizações públicas e privadas ligadas à questão agrária no Mato Grosso do Sul.

Enviada por José Carlos para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Casas Bahia caça cliente para vender eletrodomésticos e programas evangélicos na TV caçam cliente para vender milagres

MARIA DA PENHA NELES por Rosangela Basso
 
 
Casas Bahia caça cliente para vender eletrodomésticos e programas evangélicos na TV caçam cliente para vender milagres

Milagre, um bom negócio

Ricardo Gondim Casas Bahia e Magazine Luiza disputam o mesmo mercado. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Nos comerciais da televisão, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela. A patuleia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio – com um juro embutido entre os maiores do mundo. Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma cantilena se repete nos programas evangélicos na televisão. Pelo menos quatro “ministérios” disputam outro mercado: o religioso. Caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, empreendimentos expansionistas, ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco de seus líderes. Assim, cada programa oferece milagre. Cada um alicerça a promessa de que Deus vai prosperar, amenizar problemas matrimoniais, resolver causas na justiça com testemunho. Entrevistam gente que jura ter sido brindada pelo divino. Não faltam documentos, exames médicos, carros luxuosos. Deus teria usado aquele apóstolo, bispo, missionário, para abençoar inúmeras pessoas para uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso – o milagre – também não é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, caso fossem reguladas pelo conselho nacional de propaganda, teriam que deixar claro, por mais “ungido” que for o missionário, que em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. Um monte de exigência vem embutida na promessa de bênção: ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo, um pecadilho qualquer, impede o Todo Poderoso de concretizar a maravilha. E ainda tem a falta de fé como critério inegociável. Qualquer dúvida é considerada um obstáculo, que mata a possibilidade do milagre. Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Deus apontou o dedo para qual igreja, missionário, apóstolo, pastor ou evangelista? Quem foi “ungido” representante do divino para o privilégio de “operar” esse sem-número de milagres? Um pai que sofre com uma filha com leucemia aguda, não pode se dar ao luxo de errar. Se apela para uma igreja com pouco poder sobrenatural, perde a filha. O seguro seria ele frequentar todas. Mas como? Ele é pobre e não tem como fazer todas as campanhas que produzem o extraordinário. O  acesso ao milagre se complica ainda mais porque essa igrejas-empresas gastam milhões para veicular na mídia um valor simbólico: exceção. Sim, no milagre ofertado pelos televangelistas está a expectativa egocêntrica de que o Todo Poderoso distinguirá apenas um punhado entre todos os outros sete bilhões de habitantes do planeta. “Deus abrirá uma brecha na ordem da vida para privilegiar você”. “Outros podem padecer nos corredores sujos de ambulatórios médicos, mas você que veio aqui na igreja X, não precisará passar por tanta humilhação”. Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a esperança. Elas fortalecem a ideia de que existem agenciadores do favor divino. Alguns com exclusividade. Pelo serviço cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser negociado como bem de quarta categoria. Os televangelistas só oferecem “Brastemps” vindas do céu. Mas, a dúvida persiste: qual o melhor balcão de serviços religiosos? Que varejista está mais aparelhado para distribuir os favores divinos? Os vendilhões do templo de hoje não se comparam aos do tempo de Jesus. Eles se escolaram no marketing. Especializaram-se em conforto. Valem-se da linguagem piedosa que confunde fé com credulidade. Se as grandes redes comerciais devem se conformar ao Código do Consumidor, as igrejas hábeis em produzir milagre não passam por nenhuma regulamentação. Se algo der errado, o cliente nunca tem razão. Se a leucemia matar a filha, o pai, além de enlutado, acabará responsabilizado pela perda. Terá de escutar que a menina não foi curada porque o diabo entrou por alguma “brecha” e matou. Ou que alguém da família não “perseverou na fé” ou “não honrou a Deus com o dízimo”. Assim como na música do Chico Buarque os frequentadores dessas igrejas-caça-níqueis encarnam o Pedro Pedreiro e ficam “esperando, esperando, esperando.
 Esperando o sol, esperando o trem.
 Esperando aumento para o mês que vem.
 Esperando um filho prá esperar também”. Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza se comportam com critérios éticos bem à frente de algumas igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.Soli Deo Gloria

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4 horas atrás

A conferência sobre o pico petrolífero no Oriente Médio

LUIS NASSIF por luisnassif
 

Por Neves.

Do resistir.info

Reflexões acerca da conferência 

Pico Petrolífero: Desafios e oportunidades para os países do CCG 

por Robert L. Hirsch [*]

Tive a sorte de estar entre os poucos ocidentais convidados a comparecer e falar nesta conferência sobre o “pico petrolífero” (PP) – a primeira desta espécie num país do Médio Oriente. O facto de um grande exportador de petróleo do Médio Oriente promover uma conferência sobre um até agora assunto proibido foi bastante notável e uma mudança dramática em relação a décadas de negação do PP. Os dois dias e meio de reunião foram bem participados por pessoas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) bem como outros países da região. 

O pressuposto inicial era que o “pico petrolífero” ocorrerá no futuro próximo. O prazo temporal do início iminente do declínio da produção do petróleo mundial não estava em causa na conferência, ao invés disso o foco principal era o que os países do CCG deveriam fazer a curto prazo para assegurar um futuro próspero a longo prazo. Para muitos de nós que há muito sofre a negação vociferante do PP por partes de países do CCG-OPEP, esta conferência representou uma enorme mudança. Nas palavras de Kjell Aleklett, que resumiu os pontos altos da conferência, a reunião foi “um evento histórico”. 

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4 horas atrás

Documentários sobre Anonymous: Somos uma legião

BOILERDO por Betho Flávio
 

O filme intitulado “We Are Legion: The Story of the Hacktivists”, é dirigido por Brian Knappenberger e tem comentários por Gabriella Coleman, antropóloga que pesquisa o Anonymous. O documentário narra a ascensão de Anonymous que já estreou no SXSW em Austin, Texas. Não só lotou as salas onde foi exibido, como deixou gente para fora.

(EUA, 2012, 93 min. – Direção: Simon Klose)

Num panorama onde as corporações mandam nos governos, onde a lógica do mercado financeiro impera sobre as economias, onde a guerra não encontra barreiras para se instalar, nasce um grupo espalhado, sem rostos, de pessoas que se dispõem e se arriscam para enfrentar as injustiças impostas pela elite global. (docverdade)

“Eles podem fazer as coisas tecnicamente incorretas, talvez sejam ilegais, mas, em suas cabeças, fazem por um propósito ético”

Agradecimentos ao Partido Pirata Argentino.

Via blog do Jader Resende

4 horas atrás

Identidade – Mia Couto

MINHAS POESIAS por Poesias Preferidas
 
Miranda-The-Tempest-John-William-Waterhouse

(Pintura de John William Waterhouse)

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto

 

4 horas atrás

Edu Lobo e Tom Jobim, com Chovendo na Roseira

LUIS NASSIF por luisnassif
 
lucianohortencio

Edu Lobo & Tom Jobim – CHOVENDO NA ROSEIRA – Antonio Carlos Jobim 

    Vídeos:  

4 horas atrás

Silêncio e dor se multiplicam nos campos brasileiros

RACISMO por racismoambiental
 

Nesta série contamos a história de homens e mulheres vítimas da intoxicação por agrotóxicos na atividade agrícola e o que diz a política, a economia e a ciência

Diário do Nordeste

Para garantir a colheita e aumentar a produtividade, passou-se a usar o agrotóxico, que alguns chamam de defensivo químico ou agroquímico. O veneno usado para matar pragas nas lavouras chega com força ao ser humano e ao meio ambiente quanto maior e mais indiscriminado é o seu uso. Mortes silenciosas passam a ocorrer nos campos agrícolas brasileiros e fora deles. Assim foi com Valderi, Wanderlei, Rosália, Liberato e Antônio. Estes são alguns entre milhares de nomes registrados pelo Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox) com óbitos por agrotóxico agrícola.

São trabalhadores rurais do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Bahia, que conhecemos após percorrer quase 6 mil quilômetros. Os seus últimos anos de vida são narrados pelas esposas, as “viúvas do veneno”. Entre as vítimas incluímos Rosália, que lavava diariamente as roupas do marido sujas de veneno. Morreu de leucemia. Deixou três filhos e Marizaldo, o viúvo desta série.

Maria da Conceição cuidou dos últimos dez anos de vida de Valderi. Mas os cinco últimos valeram por outros dez. O agricultor foi perdendo partes do corpo. A reportagem conheceu Valderi logo após ele perder os primeiros dedos do pé, em 2005. Fizemos também a sua última foto em vida, em 2008.

Esta série especial não começa agora, mas há sete anos, em Limoeiro do Norte, cidade de José Maria Filho, uma das fontes exclusivas entre os moradores e lideranças na Chapada do Apodi. Sabíamos, dois anos antes, das ameaças de morte que sofria por denunciar a pulverização aérea onde hoje está um dos maiores polos fruticultores do Nordeste. Mesmo assim, ele insistia em não se calar. Quando foi assassinado, a comunidade de Zé Maria não se calou e os cientistas constataram as doenças causadas pelo veneno denunciado. A partir de amanhã, e até domingo, acontece a Semana Zé Maria do Tomé. Serão dias de protestos pela causa ambiental.

O Brasil é, há mais de quatro anos, o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Somente em 2011 circularam cerca de US$ 8,9 bilhões no comércio de veneno, dominado por nove empresas fabricantes que não concorrem entre si, pois, para cada cultura, uma delas produz um ou vários venenos específicos.

Em todo o País, foram confirmadas 171 mortes por agrotóxico agrícola somente em 2010, ano mais recente levantado pelo Sistema Nacional de Informações Toxicológicas. Mas a subnotificação é um dos grandes imbróglios neste setor. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada caso notificado, existem outros 40 que não são.

E de quem é a culpa? Do modelo agrícola, da desinformação do trabalhador, do lobby dos fabricantes de venenos, da venda a qualquer custo? Desde a “revolução verde”, há 50 anos, não se falou tanto em agrotóxicos no Brasil quanto nestas primeiras décadas do século XXI. “Delicado”, “espinhoso”, “polêmico”, “necessário” são alguns adjetivos dados ao assunto, não importa qual opinião se tenha. No meio disso tudo, um fato: mais pessoas estão morrendo, o solo e a água estão com maiores teores de produtos químicos. Tudo de uma forma silenciosa, só definida com o tempo.

Estivemos também em Campinas (SP) reunidos com autoridades do agronegócio e representantes do segmento fabricante de agrotóxicos. Enquanto tudo isso, o mundo corre para garantir a segurança alimentar para 9 bilhões de pessoas até 2050. Há respostas de cunho político, econômico, social ou científico. Todas elas são consideradas nesta série especial inédita de hoje até o próximo dia 20 de abril.

Enviada por Janete Melo para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Obrigado, Feliciano!

RACISMO por racismoambiental
 

Eduardo d´Albergaria (Duda)*

Há pelo menos 3 décadas, o fundamentalismo religioso vem ganhando espaço no Brasil de forma intensa e silenciosa. Conquistando lugares no parlamento, em cargos executivos, canais de televisão, os fundamentalistas transformaram suas empresas em verdadeiros impérios.

Atuam, sobretudo, nas periferias urbanas, praticamente abandonadas pela Igreja Católica, que até então promovia, nestas áreas, a Teologia da Libertação – isolada e perseguida pela Cúria Romana, que discordava de sua “opção pelos pobres” e pelo seu engajamento nas lutas por direitos.

Os fundamentalistas encontraram terreno fértil para sua pregação: legiões de “sobrantes”, acossados pelo desemprego, pela invisibilidade, pelo terror da violência urbana e policial, ávidos por discursos messiânicos e salvacionistas. No meio da barbárie  e na ausência de projetos coletivos, só mesmo a fé se mostra como caminho de saída do desespero.

Durante a ascensão do fundamentalismo religioso, uma marca sempre esteve presente nos discursos e pregações: a escolha de um inimigo a ser combatido. A velha estratégia de se criar um inimigo fora do grupo, para dar sentido a sua própria existência: uma “batalha espiritual” que divide o mundo entre o bem e o mal.

As primeiras vítimas dos discursos de ódio do fundamentalismo religioso foram as religiões de matriz africana, depreciadas como “rituais macabros”, “manifestações demoníacas”. O(A)s seguidore(a)s do Candomblé e da Umbanda não contaram com a solidariedade da sociedade brasileira. Sozinho(a)s tiveram poucas condições para resistir ao verdadeiro linchamento público a que foram submetido(a)s. Desorganizad@s politicamente, minoritári@s na sociedade e subalternizad@s por um preconceito que, de tão avassalador , sequer se reconhece sua existência: o racismo.

Essa fragilidade das religiões afro tem origem histórica.  Vítimas de uma abolição tutelada, os praticantes do candomblé e da umbanda tiveram, durante muito tempo, sua religiosidade considerada crime e só conseguiam manter abertos seus terreiros caso se  submetessem à proteção de um coronel que trocasse liberdade religiosa por votos.

Curiosamente, os mesmos fundamentalistas que os atacavam (e atacam) incorporam rituais em suas liturgias nos mesmos padrões das religiões de matriz africana. O que levou Vagner Gonçalves da Silva, professor de antropologia da USP, a afirmar: ”Combatem-se essas religiões [afro] para monopolizar seus principais bens no mercado religioso, as mediações mágicas e a experiência do transe religioso, transformando-os em valor interno do sistema neopentecostal.”

Nos últimos anos, os fundamentalistas religiosos resolveram intensificar sua campanha contra outro “inimigo” : os sexodivers@s – gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e todas as pessoas que vivem relações não procriativas (assim, também são rechaçados, em menor intensidade, os heterossexuais que realizam sexo anal e, em alguns casos, até o oral).

Utilizando-se de uma leitura bíblica datada, os fundamentalistas controem um moralismo seletivo – não incorporam todas as proibições bíblicas: como, por exemplo, a de cortar o cabelo e a de comer frutos do mar …

Não à toa, os fundamentalistas escolheram este momento para intensificar seus ataques à comunidade sexodiversa: a governabilidade conservadora dos governos Lula/Dilma – que unificou, na mesma base de apoio, parlamentares “progressistas” e parlamentares fundamentalistas – fez com que muitos dos tradicionais aliados da diversidade sexual – parlamentares do PT, PC do B, PSB – se omitissem na disputa contra o fundamentalismo religioso, agora seu aliado na sustentação de governo. Resultado: deputados-pastores transformaram o plenário do Congresso e programas de TV em púlpitos de sua pregação de ódio e encontraram abandonado o cenário de disputa de valores. Some-se a isso que a resistência não tem vindo de fora do parlamento: o movimento LGBT hegemônico é hoje composto por ONGs que se encontram totalmente tragadas pela dependência ao Estado e reféns do Governismo.

Enquanto isso, a comunidade sexodiversa está totalmente domesticada pelo mercado Pink. A maior vitória do neoliberalismo sobre a comunidade sexodiversa foi consolidar a ideia de que “chique é consumir”, que se engajar numa causa social e refletir sobre o mundo são coisas “cafonas”.

Na esteira do medo e da culpa, os fundamentalistas tentam abrir um novo e lucrativo mercado: o da cura pela “Psicologia Cristã”. Como as normas do Conselho Nacional de Psicologia não reconhecem esta “reorientação de desejo”, os fundamentalistas tentam agora, por meio de sua bancada no Congresso Nacional, fazer uma intervenção no Conselho de Psicologia para mudar as normas da profissão.

Nessa sucessão de “batalhas espirituais”, os fundamentalistas também miraram os povos indígenas. Ressuscitando a velha retórica “missionária” de um povo a ser salvo pela “palavra cristã”, construíram relações bastante complicadas com os povos indígenas. Chegaram a propor, no Congresso Nacional, um projeto que estabelece a visão de que os povos indígenas são infanticidas (até postaram no youtube um filme falsamente documental). Não por acaso, simultaneamente, abriram um vasto mercado de captação de recursos financeiros explorando adoções de crianças indígenas e o desconhecimento por estrangeiros da  realidade dos nossos mais de 220 povos nativos.

Também os usuários de substâncias psicoativas  foram alvo do proselitismo dos fundamentalistas. Na esteira da falência da “guerra às drogas” e na ausência de uma política de educação e saúde mental que construa a autonomia dos sujeitos frente a estas substâncias, os fundamentalistas multiplicaram outro mercado lucrativo: o da cura pela conversão. Em todo o país, “comunidades terapêuticas” recebem recursos públicos para sustentarem seu proselitismo religioso junto aos dependentes químicos.

Mas por que os fundamentalistas escolheram as religiões afro, @s sexodivers@s e os povos indígenas como seus inimigos? Por que não escolheram a religião católica, ainda majoritária no país e com a qual eles disputam espaço?

Uma marca dos fundamentalistas é a covardia: eles só enfrentam inimigos muito mais frágeis que eles. Do total da população brasileira, 1,5% é de seguidores das religiões afro, 5 a 10%  se declaram homossexuais e menos de 900 mil brasileir@s se declaram indígenas. Além de minoritários, esses grupos, têm sido historicamente estigmatizados e inferiorizados.

Certamente, tão cedo, não veremos uma Santa ser chutada novamente por um pastor fundamentalista, mas terreiros seguem sendo violados Brasil a fora sem que isso cause grandes comoções.

O caminho da ascensão fundamentalista vem sendo trilhado sem qualquer resistência: exploração da fé de um povo dilacerado; constituição de um moderno curral eleitoral – transformando Cristo em Cabo Eleitoral –; influência crescente no Parlamento e nos executivos; poder crescente no oligopólio brasileiro de informação; comunidades terapêuticas, empresas de shows, editoras, isenção de impostos…

Uma trajetória que dilacera, aos poucos, nosso nunca integralmente conquistado Estado Laico: leis que, de forma crescente, estabelecem os valores dos fundamentalistas como obrigatórios para o restante da sociedade, proselitismo religioso nas escolas públicas, transferência de dinheiro público para subsidiar comunidades terapêuticas, dinheiro público para marchas para “Jesus”, dinheiro público para parques gospel…

E a sociedade brasileira, passiva, assiste à ascensão do fundamentalismo.

Até que os fundamentalistas resolveram dar um passo “maior que suas pernas”: ter seu quadro político mais extremista como presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Marco Feliciano é uma caricatura pesada demais para a sociedade brasileira. Além dos “tradicionais” ataques aos sexodivers@s, candomblecistas, umbandistas – que ele chegou até a pregar pelos “sepultamentos” –, o deputado-pastor vai além: ataca todos(as) os(as) negros(as) – classificando-os(as) como “amaldiçoados(as)” e resgatando teologia de tempos de apartheid – e as mulheres, que, e segundo ele, deveriam ser subalternizadas pelos homens.

O sectarismo de Feliciano alcança até mesmo os seguidores do catolicismo, que ele chamou de “religião morta e fajuta” e responsabilizou os católicos carismáticos pelo “avivamentos de satanás”. O deputado-pastor ainda vai mais longe:  na mercantilização da fé, promete milagres em troca de senhas de cartões de crédito e vende carnê da casa própria em plena sessão de transe espiritual. Faz uso de seu mandato público para fins privados: contrata pastores, produtores de vídeo e advogados para suas empresas. Demonstra total incapacidade para lidar com o debate democrático, já que, segundo ele, seus adversários seriam Satanás.

Feliciano é uma figura tão indefensável que seus pares (incluída a revista Veja), para protegê-lo, precisam construir as seguintes estratégias tangenciais, entre outras.

 1 – Transformam o debate em uma briga pessoal entre Jean Wyllys e Feliciano. Tod@s @s deputad@s historicamente comprometidos com os Direitos Humanos são contrários a que um homofóbico racista esteja à frente da Comissão de Direitos Humanos. Por que só personificar em Jean Wyllys? Novamente, a costumeira covardia dos fundamentalistas: eles sabem que ainda há muita rejeição na sociedade ao fato de um homossexual ocupar um cargo público.

2 – Afirmam que é uma perseguição aos cristãos. Não é verdade: é crescente o número de cristãos que dizem não a Marco Feliciano. Mais de 150 pastores e lideranças evangélicas assinaram um manifesto em que solicitam a substituição da presidência da Comissão de Direitos Humanos. Esse pedido também foi feito pela Comissão Justiça e Paz da Cnbb e pelo Conselho de Igrejas Cristãs – que congrega a Igreja Católica, Luterana, Presbiteriana, Metodista e Anglicana.

3 – Tentam deslegitimar os movimentos contra Feliciano dizendo que seria mais importante lutar contra Renan e os mensaleiros. Ora, em quem os senadores fundamentalistas votaram para ocupar a presidência do Senado? E, entre os mensaleiros, não estava um dos parlamentares fundamentalistas, Bispo Rodrigues? Portanto, não há sentido em se relativizar uma luta fundamental, ainda mais quando isso é proposto por alguém que não constrói luta cidadã alguma…

Temos muito a “agradecer” a Marco Feliciano por provocar o surgimento de um movimento amplo e plural em defesa do Estado Laico. A sociedade Brasileira parece ter percebido finalmente o risco do Fundamentalismo Religioso.

A disputa em curso é muito maior do que a de quem irá presidir uma Comissão da Câmara dos Deputados.

A luta para derrubar Marco Feliciano é a materialização do confronto entre as posições em defesa  do Estado Laico e o Fundamentalismo Religioso. O que está em jogo é a opinião da sociedade sobre as liberdades individuais e religiosas, sobre a laicidade do Estado e sobre o perigo fascista do fundamentalismo religioso.

Para derrotar o fundamentalismo, não podemos subestimar seu poder. Seus quadros políticos são preparados e exibem grande capacidade de oratória e convencimento. Mas também seria um erro superestimar sua força. Entendê-los como todo-poderosos que não podem ser derrotados criaria um sentimento paralisante na sociedade, que pouco contribuiria para o enfrentamento.

Então é importante conhecer, entre outros, os seguintes pontos de fragilidade dos fundamentalistas.

1 – O debate sobre a imensa fortuna dos pastores (inclusive registrada pela revista “Forbes”) os deixa muito fragilizados:  não há “teologia da prosperidade” que explique que essa prosperidade só chegue para pastores, enquanto seus rebanhos seguem massacrados pelo capitalismo selvagem.

2 – Não é tão fácil quanto eles dizem mobilizar sua base social para uma disputa política aberta. Todas as vezes em que eles mobilizaram multidões foi em torno de temas religiosos mais gerais – as marchas são “para Jesus”, a rejeição ao PLC 122 entra como um tema “acessório”. Seu rebanho é composto de um público domesticado pelos poderes constituídos. Quem já o viu presente em um embate no Congresso percebe como aquelas pessoas ficam acuadas por não entenderem plenamente o que está acontecendo. É verdade que, em tese, os fundamentalistas podem arrastar multidões para o embate público, mas seria uma manobra arriscada tirar essa gente dos currais do fundamentalismo e jogá-la no lugar do contraditório. Eles sabem que os argumentos deles só funcionam sem um contraponto de qualidade.

3 – Felizmente, eles ainda não têm um projeto de poder comum. Cada um tem seu próprio projeto de poder, e eles, muitas vezes, se chocam. Feliciano e outros estão jogando para nichos extremistas, ao passo que parlamentares fundamentalistas como Marcelo Crivela sonham em ocupar um cargo majoritário e, para isso, precisam ser mais “amplos”. Um acirramento de conflito, no patamar realizado por Feliciano, é ruim para os planos deles. E, mesmo dentro do mundo religioso, os fundamentalistas disputam territórios de forma bem pouco “elegante”: se hoje Malafaia e Feliciano se unem por senso de sobrevivência, até pouco tempo se matavam pelo controle da Assembleia de Deus.

Embora os fundamentalistas não compartilhem um projeto de poder, eles agem segundo uma lógica política comum, o que dá lastro a uma articulação importante dentro do parlamento e à aliança recente para defender Feliciano. O perigo é que eles tenham tanto poder daqui a alguns anos, que comecem a aventar um projeto de poder comum.

4 – Os fundamentalistas dependem dos evangélicos conservadores não sectários para terem legitimidade  ao falar em nome do “povo evangélico”. No entanto, as lideranças conservadoras não confiam nos propósitos dos mercadores da fé, que, por isso, não podem ir longe demais nos embates, sob o risco de ficarem isolados no próprio mundo evangélico.

5 – Dentro do movimento evangélico, há setores progressistas e inclusivos, hoje muito isolados, e que precisam ser mais visualizados para demonstrar à sociedade que existe sim evangélicos que não são intolerantes.

Analisar essas contradições dá caminhos mais firmes para o movimento pelo Estado Laico e contra Feliciano.

Dificilmente Feliciano sairá da presidência da Comissão. A não ser que se torne insuportável a pressão institucional crescente:  de seu partido; da Presidência da Câmara, que já se posicionou pela inviabilidade de Marco Feliciano continuar à frente da CDH; da Comissão de Ética, que, diante de uma representação do Psol, julgará o uso do mandato para fins privados.

Feliciano sabe muito bem que, a cada dia que ficar à frente da Comissão, ele ganhará mais votos de um eleitorado extremista.

Ainda que não seja fácil derrubar Feliciano, é fundamental que o movimento siga combativo:  que, a cada dia, os jovens tomem os corredores do Congresso e digam: “Feliciano não nos representa”. Que, a cada dia que a CDH se reunir a portas fechadas, seja evidenciada a incapacidade de sua atual direção de dialogar com os movimentos sociais, a cada dia que uma audiência  se inviabilizar porque os convidados se negam a estar num espaço liderado por um fundamentalista, cresça, na sociedade, a consciência do perigo do fundamentalismo religioso.

A cada dia que Feliciano fica à frente da Comissão,  amplia-se a Frente pelo Estado Laico , que já envolve artistas, lideranças religiosas, movimentos sociais, parlamentares e milhares de ativistas nas ruas e nas redes.

Por isso sigamos insistentes e persistentes ….o tempo que for necessário!

E sejamos “justos”: “Obrigado, Feliciano, pelo nosso fortalecimento para combater o fundamentalismo. Nunca estivemos tão fortes e unidos. Obrigado!”.

*Cientista Social, Especialista em Políticas Públicas (MPOG) e militante da Cia Revolucionária Triângulo Rosa.

Enviada por Ruben Siqueira para Combate Racismo Ambiental.

4 horas atrás

Movimento contra a homofobia no futebol se espalha entre as torcidas

MARIA DA PENHA NELES por Rosangela Basso
 
Movimento contra a homofobia no futebol se espalha entre as torcidas

Um Outro Olhar

Bambi tricolor

Começou com os torcedores do Atlético-MG e se espalhou para as torcedores de outros times de futebol. Agora foi a vez do Bahia entrar na torcida contra a homofobia e o sexismo nos estádios e no futebol em geral. Notícia abaixo do Correio*. Depois do texto, links para as páginas das torcidas no Facebook.
 
Torcedores do Bahia criam movimento contra a homofobia Objetivo do projeto é lutar contra o preconceito de ordem sexual, dentro e fora dos gramados 
Torcedores do Bahia se uniram para criar um projeto contra a homofobia. A inspiração veio da ação “Galo Queer”, lançada pela torcida do Atlético Mineiro na última semana. O objetivo é lutar contra o preconceito contra os homossexuais, dentro e fora dos gramados. 
O grupo responsável por coordenar a ação, E.C. Bahia Livre, explicou que a iniciativa tem “o intuito de dizer ‘basta’ ao machismo, homofobia, sexismo e racismo no futebol brasileiro”. O grupo afirma ainda que “o amor pelo Bahia e por futebol não combina com nenhuma forma de preconceito e violência”. 
Outros times também estão aderindo à campanha. Torcedores de clubes como Corinthians, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Internacional e Atlético-PR já protagonizaram campanhas semelhantes.

Corinthians Livre
E.C. Bahia Livre Galo Queer (Atlético-MG)
Gremio Queer   Flamengo Livre
Furacão – Sem homofobia (Atlético-PR) Palmeiras Livre
QUEERlorado (Internacional)
São Paulo (Bambi tricolor) .

4 horas atrás

Oposição se une a Maria Mendonça para responder a Valadares

 
: Deputada lamentou declarações de Valadares, disse que não atuou contra o PSB e não usou o partido para se eleger, nem traiu seu grupo; “não vou aceitar pecha de traidora. Este episódio tem que ser colocado um basta”, ressaltou; Susana e Zeca que já foram filiados ao PSB fizeram críticas duras ao senador Valadares e reclamaram de falta de espaço dentro da sigla; Zé Franco foi agressivo e falou em “piração” do senador do PSB; Augusto Bezerra disse que acha que Valadares “caducou”; Ana Lúcia falou em “equívoco”; Adelson Barreto disse que nunca dependeu de partido para se eleger e afirmou que votou a favor do Proinveste 
4 horas atrás

Quando achávamos que sabíamos tudo sobre o ‘instinto animal’, vem a grande surpresa.

APOSENTADO INVOCADO por Helio Borba
 
CONSUMIDOR
TAM cobra mais caro de brasileiros Preços dos bilhetes no site da empresa em português são até quatro vezes maiores que na página em inglês. Procon diz que vai notificar a companhia por abuso 

BÁRBARA NASCIMENTO 

O mesmo percurso Brasília-São Paulo-Brasília tem valores distintos, dependendo de onde a passagem é comprada  
O mesmo percurso Brasília-São Paulo-Brasília tem valores distintos, dependendo de onde a passagem é comprada

A companhia aérea TAM comprou briga com os consumidores ao cobrar preços distoantes para os mesmos voos, destinos e horários nos sites em inglês e em português. Em dólares, os valores informados são muito menores do que os cobrados em reais. As variações apontadas pelos clientes  e constatadas pelo Correio chegam a ser de até quatro vezes por trecho, sempre prejudicando os passageiros nacionais. A discrepância deve render à TAM uma notificação do Procon e uma denúncia da Proteste ao Ministério da Justiça. A companhia afirmou, por meio de nota, que ocorreu um erro no sistema e, no fim da tarde de ontem, havia corrigido o problema. 

O trecho de Brasília para São Paulo partindo às 17h54 e chegando ao aeroporto de Congonhas às 19h28 custava, no site em português, R$ 663. Já no portal em inglês, o preço era de 
US$ 89,57 (o equivalente a R$ 179), uma diferença de 270%. O retorno apresentava distorção semelhante. Partindo às 14h57 de Viracopos, em Campinas, e chegando a Brasília às 16h25, o consumidor poderia pagar R$ 391, em português, ou US$ 118,57 (R$ 237,14), em inglês. No total, os dois trechos sairiam por R$ 1.096,26 ou US$ 208,14 (R$ 416,28), uma diferença de 163,46%. 

A coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci, informou que denunciará a companhia aérea por prática abusiva ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça. “De acordo com o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor, não se pode estabelecer valores diferentes para a mesma aquisição ou serviço. É um mesmo público e preços distintos, isso não pode acontecer”, afirmou.

Maria Inês explicou ainda que, quem comprou o bilhete mais caro e conseguir provar que o equivalente no site em inglês estava mais barato, pode pedir à empresa o reembolso. “Sempre que isso acontece, prevalece o menor valor, e os consumidores podem tentar uma reparação”, garantiu.

Perfil
Segundo a TAM, o erro foi corrigido “graças ao alerta dos clientes”. A companhia ressaltou, no entanto, que trabalha com o conceito de composição dinâmica de preços. “Sendo assim, o que determina o valor das passagens é a demanda de cada perfil de passageiro e a oferta disponível, o que pode variar de acordo com cada mercado”, afirmou. 

Além disso, a empresa divulgou que cada versão do site para outros países só permite compras com cartões de crédito oriundos das respectivas localidades. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também foi procurada pelo Correio, mas, até o fechamento da edição, não havia se pronunciado, reforçando o descaso com que trata os consumidores.

4 horas atrás

A proposta de Alckmin para a redução da maioridade penal

LUIS NASSIF por luisnassif
 
Sanzio

Da Folha

Alckmin propõe internação de até 8 anos para jovem infrator

O projeto que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), entrega nesta terça-feira ao Congresso defendendo penas mais rígidas para menores infratores amplia para até oito anos a punição para jovens que cometerem delitos graves.

A proposta quer alterar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Atualmente, a internação máxima prevista pelo estatuto é de três anos, mas uma pessoa pode ficar internada até os 20 anos e 11 meses, se ela for pega na véspera de completar 18 anos.

Na semana passada, após a suspeita de que um rapaz reincidente de 17 anos matou um universitáriodurante um roubo em São Paulo, o governador defendeu penas mais duras. Hoje, ele discute o projeto com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

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Sinpolsan se manifestando – O governador está brincando com fogo

FLIT PARALISANTE por Flit Paralisante
 

Dr. Guerra, parece que o Sinpolsan também está se manifestando.

“O governador está brincando com fogo, esta chegando a hora da categoria policial civil do Estado de São Paulo se manifestar. images-stories-drwalter-204x187.jpg
O governo não esta preocupado com os policiais civis pois sabe que existe uma acomodação”.

Walter de Oliveira Santos Presidente – Sinpolsan

http://www.sinpolsan.com.br/sindical/236-o-governador-esta-brincando-com-fogo.html

 

3 horas atrás

MERVAL PROPÕE GOLPE EM CARACAS

JUSTICEIRA por Blog Justiceira de Esquerda
 
 

Colunista do Globo diz que Henrique Capriles é o vencedor moral da eleição venezuelana deste domingo e afirma que a vitória com apenas dois pontos de vantagem de Nicolás Maduro garante ao chavista apenas três anos de mandato; depois disso, ele sugere um referendo revogatório 
16 DE ABRIL DE 2013  
247 – Nicolás Maduro nem tomou posse em seu mandato de seis anos e, do Brasil, Merval Pereira, colunista do Globo, já propõe um referendo para que ele saia na metade do período. Ele afirma ainda que Henrique Capriles é o vencedor moral da disputa, assim como, no passado, havia campeões morais em torneios de futebol. Leia abaixo: 
Derrota moral – MERVAL PEREIRA A vitória por menos de 2% dos votos não apenas dá margem à desconfiança sobre a lisura do resultado na Venezuela como garante ao candidato oficial Nicolás Maduro apenas os primeiros três anos de mandato, e olhe lá. Isso porque no meio do mandato há a possibilidade de convocação de um “referendo revogatório” que pode tirá-lo do poder, caso o governo não esteja agradando à maioria dos venezuelanos. 
Sem a presença física de Chávez, não tendo surtido efeito o anúncio de que ele reencarnara em um passarinho, a revolução bolivariana, apesar de controlar os meios de comunicação e as instituições oficiais que organizam a eleição, perdeu, pelos números oficiais, cerca de 700 mil eleitores, enquanto o candidato oposicionista Henrique Capriles recebeu cerca de 600 mil votos a mais do que na última eleição presidencial, quando Chávez venceu o mesmo Capriles com uma vantagem de 12% dos votos. 
Maduro venceu em 16 estados, e Capriles em apenas 8, mas, como a diferença entre os dois ficou abaixo dos 2%, isso indica que o oposicionista venceu nos estados mais populosos. Mesmo os chavistas mais ferrenhos admitem que parte de seu eleitorado absteve-se de votar, e outros passaram para a oposição. 
O resultado mostra que Chávez já governava na base da retórica revolucionária e que sem o seu carisma não foi possível impedir a explicitação de um descontentamento não apenas com os métodos revolucionários do chavismo, mas com os resultados do governo, vendidos como expressivos por seus áulicos, mas na verdade insuficientes para manter eternamente a população atrelada aos interesses do governo. 
Se é verdade que a desigualdade foi reduzida e a pobreza combatida através das missões chavistas, também é verdade que a economia venezuelana sofre as consequências de uma política populista que é incapaz de manter os gastos sociais sem provocar efeitos colaterais terríveis como a altíssima inflação – cerca de 30% ao ano -,desabastecimento, déficit público e uma violência descontrolada nas grandes cidades, especialmente Caracas. 
Além de sustentar as políticas assistencialistas, a estatal de petróleo PDVSA também garante uma política de subsídio do preço da gasolina que consome 10% do PIB, isso em uma empresa que sofre com o aparelhamento governista que lhe tira a competitividade e reduz a sua produção, que caiu 25% em relação ao que produzia há 14 anos, quando Chávez assumiu o poder. 
A gasolina quase de graça fez com que o consumo tenha aumentado mais de 60% no período, o que obriga a Venezuela a importar o combustível, mesmo tendo uma das maiores reservas de petróleo do mundo. A escassez de mercadorias nos supermercados e a falta de energia elétrica e de água ora são atribuídas a um boicote das oligarquias, ora a atentados terroristas, quando não surge uma visão cor de rosa que “culpa” o aumento do poder aquisitivo dos mais pobres. Na verdade, trata-se de uma economia disfuncional. 
Como a base de sua pregação política é não fazer acordos com a oligarquia, seguindo os passos de seu chefe, Nicolás Maduro vai ter dificuldade de montar um governo eficiente, ainda mais que enfrentará dissidências dentro da própria aliança chavista. Ele queria vencer por uma diferença maior que a que Chávez conseguiu na última eleição para se impor a seus adversários internos, mas obteve nas urnas uma derrota moral que o prejudicará tanto em relação à oposição, que sai fortalecida do confronto, quanto a seu próprio grupo político. 
Assim como aconteceu entre a ausência de Chávez e o anúncio oficial de sua morte, Maduro governará sendo tutelado por um conjunto de forças no qual se destacam os militares. E a derrota moral do chavismo terá repercussões em toda a América Latina, onde o socialismo bolivariano estava deitando raízes. Não é à toa que foram esses os primeiros governos a acatar os resultados oficiais da Venezuela, inclusive o brasileiro. http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/99022/Merval-prop%C3%B5e-golpe-em-Caracas.htm

3 horas atrás

Comissão da Câmara aprova relatório para tentar solucionar conflitos com Guaranis-Kaiowás

RACISMO por racismoambiental
 

Alex Rodrigues, Agência Brasil

Brasília – A comissão externa criada no fim de outubro de 2012 para acompanhar de perto a situação dos cerca de 170 índios guaranis-kaiowás da aldeia Pyelito Kue, em Iguatemi, em Mato Grosso do Sul, aprovou hoje (16) o relatório apresentado pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), autor da proposta de criação da comissão, que conta ainda com mais sete parlamentares. A aprovação do texto ocorreu durante audiência pública, na Câmara dos Deputados, com a presença de mais de 300 índios que estão em Brasília participando do Abril Indígena .

Acampados às margens do Rio Hovy, na Fazenda Cambará – cujo proprietário tenta obter na Justiça a reintegração de posse, os índios chamaram a atenção, inclusive internacional, ao divulgarem uma carta equivocadamente interpretada como uma ameaça de suicídio coletivo, o que gerou uma onda de manifestações de apoio nas redes sociais.

A carta criticava a decisão da Justiça Federal em Naviraí (MS), que determinava que eles deixassem a fazenda. Posteriormente, a liminar foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que autorizou que o grupo permanecesse no local até a conclusão dos estudos antropológicos conduzidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para verificar se a área se enquadra como ‘território tradicional indígena’. A decisão da desembargadora Cecília Mello de atender ao pedido da Funai e do Ministério Público Federal (MPF), contudo, não pôs fim ao conflito e tanto os índios quanto os fazendeiros ainda aguardam uma solução definitiva e pacífica. O deputado Sarney Filho foi claro quanto ao posicionamento da comissão: “Nossa posição é a de que esta fazenda tem que ser desapropriada e entregue para os índios”.

Em seu relatório, a comissão da Câmara dos Deputados propõe algumas medidas emergenciais para que seja garantida a proteção à vida de toda a comunidade. Uma das propostas parlamentares é que as autoridades permitam o fim do “confinamento forçado da comunidade”, já que, por decisão judicial, os índios podem permanecer no interior da fazenda, mas limitados a uma área diminuta, “sendo reprimidos por seguranças da propriedade quando ultrapassam esses limites”, conforme aponta o relatório.

Ainda entre as medidas emergenciais, a comissão cobra que os índios tenham garantias de locomoção e de acesso aos serviços de saúde e à escola, além do fornecimento de comida pelo Estado. Também destaca a necessidade de atendimento psicológico como forma de evitar e reduzir o elevado número de suicídios, registrado entre os índios sul-mato-grossenses.

Já entre as ações estruturais necessárias, o relatório cita a necessidade de que os fazendeiros instalados nas áreas reconhecidas pela Funai como ‘território tradicional indígena’ sejam devidamente indenizados já que, na avaliação da comissão, “o Estado brasileiro cometeu um erro ao distribuir títulos de terra ou permitir a sua negociação, quando se tratavam de terras tradicionais dos povos indígenas” e que “muitos [produtores rurais] adquiriram essas terras de boa-fé”, estando, hoje, devidamente regularizadas.

O relatório também acatou a sugestão do MPF a respeito da necessidade de que mais servidores públicos sejam contratados pelos órgãos responsáveis por lidar com a questão, como a Funai, e de que mais recursos públicos sejam destinados à recuperação das terras já concedidas aos índios, mas que estejam desgastadas pelo uso agrícola intenso.

A própria comissão reconhece que as medidas, principalmente as de caráter emergencial, amenizam, mas não resolvem a situação dos índios sul-mato-grossenses, que foi classificada como “alarmante” pela subprocuradora-geral da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, Gilda Pereira, em novembro do ano passado, quando ela visitou, além de Pyelito Kue, as aldeias Arroio Korá e Ypo´i, em Paranhos (MS), para averiguar as denúncias de violações aos direitos dos índios guaranis-kaiowás.

“Será necessário concluir o trabalho da Funai de levantamento das terras tradicionais dos indígenas da região e adotar as providências para que estas sejam demarcadas e homologadas para a ocupação pelos grupos indígenas. Para tanto, também se faz necessário indenizar de forma justa os proprietários dessas áreas, quando for o caso” aponta o relatório produzido por Sarney Filho, que aponta o desgaste do solo e a derrubada da vegetação como empecilho ao uso tradicional das terras pelos indígenas. “Portanto, será imprescindível encontrar-se soluções viáveis para que esses grupos possam viver condignamente de seu próprio trabalho, sem deixar de lado sua cultura, religião, tradições etc. Este é o grande desafio. Caso contrário, eles continuarão totalmente dependentes do Poder Público, [dependentes] da distribuição de cestas básicas, por exemplo”.

Edição: Denise Griesinger

3 horas atrás

Conheça o PlusD, a biblioteca de documentos diplomáticos do Wikileaks

RACISMO por racismoambiental
 

Site disponibiliza 2 milhões de documentos dos EUA sobre geopolítica global, incluindo a ditadura brasileira

Plusd – mais de 1,7 milhão de documentos diplomáticos da era Kissinger. Infográfico: Emídio Pedro

Por Natalia Viana, A Pública

“Espero não ler essa conversa daqui a 25 anos na mídia”, disse o ex-secretário-geral do Itamaraty Jorge de Carvalho e Silva, a um diplomata americano no começo de 1973, em plena ditadura militar. Carvalho e Silva estava reclamando da política americana de liberação de documentos oficiais, quase 40 anos antes da Lei de Acesso à Informação brasileira ser aprovada. O tema da desclassificação de documentos era “muito sensível” para a ditadura brasileira, relatou o então embaixador americano John Crimmins em um despacho diplomático no qual comentava o diálogo. Segundo Crimmins, o Itamaraty e o Conselho de Segurança Nacional haviam decidido que documentos secretos do Brasil só deveriam ser liberados após 50 anos, e ainda assim, os pedidos seriam analisados “caso a caso”.

Carvalho e Silva não podia imaginar que, quatro décadas depois, não apenas sua conversa poderia ser publicada pela mídia, mas estaria disponível para 2 bilhões de usuários da internet pelo mundo. O relato em questão pode ser facilmente acessado através do projeto PlusD, Biblioteca de Documentos Diplomáticos dos EUA, lançado pelo WikiLeaks em parceria com 18 veículos internacionais, incluindo as agências de notícias AP e AFP e os jornais La Repubblica, da Itália, La Jornada, do México, Página 12, da Argentina – e a Agência Pública, no Brasil.

Documentos brasileiros no PlusD. Infográfico: Emídio Pedro

Pela primeira vez, a organização de Julian Assange traz não um vazamento, mas uma nova maneira de buscar documentos que já estavam em domínio público. O PlusD agrega 1,7 milhão de documentos diplomáticos de 1973 a 1976 – quando Henry Kissinger dirigia a política externa americana – e 250 mil de 2003 a 2010, constantes no vazamento mais famoso da organização, oCablegate. ”Não se pode confiar no governo americano para registrar a história das suas interações no mundo. Ainda bem que uma organização com tradição de resistir à censura agora tem uma cópia dos arquivos”, diz Julian Assange, fundador do WikiLeaks.

Os documentos da era Kissinger constantes no PlusD foram desclassificados e colocados online pelo National Archives and Records Administration (NARA), o arquivo nacional americano, a partir de 2006, após passarem por uma detalhada revisão do Departamento de Estado e do próprio National Archives. Cerca de 320 mil são documentos originalmente classificados – cerca de 250 mil confidenciais e 70 mil, secretos.

Dentre 1,7 milhão de documentos, mais de 300 mil estão em formato microfilme na sede do National Archives em Washington (não disponíveis no site); e há entre eles 250 mil “cartões de retenção”, indicando os documentos que não foram liberados para desclassificação por serem, ainda hoje, considerados sensíveis para os EUA.

Para o Brasil, o novo projeto do WikiLeaks tem especial importância. Embora parte dos documentos já tenha sido publicada pela imprensa brasileira, o arquivo completo expõe em detalhe as ações de Kissinger em relação à ditadura brasileira entre 1973 e 1976 – em especial, durante o governo do general Ernesto Geisel. Até agora não se sabia a real dimensão deste arquivo. São mais de 8.500 documentos enviados pelo Departamento de Estado dos EUA para o Brasil e mais de 13.200 documentos enviados da embaixada americanas em Brasília e consulados a Washington – mais de 1.400 são confidenciais, e mais de 115 secretos.

Dezenas de despachos mostram que a missão americana acompanhava de perto os relatos de tortura e de censura à imprensa. Também há dezenas de registros de treinamentos policias e militares, sempre encorajados pelo próprio Crimmins e por Henry Kissinger, que primava por ter uma relação próxima com o Brasil – em especial nos temas hemisféricos, como o embargo a Cuba. Também há detalhes sobre como a embaixada lidou com a prisão e tortura de dois cidadãos americanos, o ex-deputado estadual Paulo Stuart Wright, que tinha dupla cidadania, e o missionário Frederick Morris.

A Pública trazer reportagens sobre este rico material a partir de hoje.

FACILITANDO A LIBERAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS AMERICANOS

“Esses documentos são difíceis de acessar, então, na verdade, ainda estão envoltos em uma cortina de segredo”, explica o porta-voz do WikiLeaks Kristinn Hrafnsson. “Eles também dão uma visão geral do que ainda está escondido”. O PlusD traduz na prática premissas defendidas pelos ativistas de dados governamentais abertos – em suma, que as informações devem ser disponibilizadas a todos, de maneira aberta, não proprietária e em formato facilmente pesquisável e manuseável na web. “Isso deveria ser trabalho dos governos, mas eles têm tendência de fazer o oposto”, diz Kristinn.

Segundo a equipe do WikiLeaks, além dos documentos do National Archives estarem disponíveis em arquivos de PDFs isolados – de difícil busca e manuseio – havia imperfeições técnicas que dificultavam a busca por um público amplo. No site do NARA, grafias diferentes para as mesmas palavras levavam a erros na busca. Kissinger, por exemplo, estava escrito de 10 formas diferentes. A equipe do WikiLeaks realizou uma “engenharia reversa” de todos os PDFs, além de uma análise de campos individuais, através de programas desenvolvidos para lidar com o grande volume de dados e corrigir os erros. “É uma expansão do Cablegate. O projeto mostra que o WikiLeaks aprimorou sua capacidade técnica para processar e apresentar ao público grandes bases de dados”, explica o porta-voz.

O PlusD permite busca em formato de texto, permitindo uma maior variedade de campos de pesquisa, como por tipo de documento (despachos diplomáticos, memorandos, relatórios de inteligência), agência que o produziu, classificação original e tamanho do texto. Os telegramas contêm links para todas as outras comunicações que fazem parte da correspondência. O Plus D também está aberto para pessoas que possuem documentos diplomáticos dos EUA e queiram incorporar a essa biblioteca, através do email plusd@wikileaks.org.

“Esses documentos cobrem um período muito turbulento da história contemporânea – em especial em países que sofreram com ditaduras diretamente apoiadas ou endossadas pelos EUA, como na América Latina. É importante que esses países tenham um acesso rápido e fácil para todas as informações relevantes na busca de entender o que acontecer”, diz Kristinn. “O WikiLeaks quer ver isso acontecer no Brasil e em outros países”.

NO BRASIL

Um dos principais objetivos do PlusD é facilitar os pedidos pela Lei de Acesso à Informação americana para liberar documentos que ainda são mantidos em segredo, o que pode ser feito através das informações nos milhares de “cartões de retenção” constantes no site.

Entre os documentos da embaixada no Brasil ainda não liberados – o total é de 2.108  – que podem ser úteis à Comissão da Verdade estão, por exemplo, um telegrama secreto de Brasília, de 26 de abril de 1973, intitulado “Aumento em prisões relacionadas a subversão e alegações de tortura”; outro, do consulado do Rio de Janeiro de 15 de dezembro de 1976 intitulado “Terrorismo da direita: acontecimentos relativos à aliança anti-comunista no Brasil”, de 15 de dezembro de 1976; e outro, do consulado de São Paulo de 6 de agosto de 1975, chamado “Mortes e desaparecimentos de extremistas chilenos”.

Os documentos já liberados sobre o Brasil traçam uma detalhada narrativa histórica das relações bilaterais.  Há por exemplo dezenas de trocas de correspondência entre Henry Kissinger e o ministro do exterior Azeredo da Silveira, além de relatos de conversas com altos membros do governo militar, como o ministro da Justiça Armando Falcão, jornalistas e religiosos como o Cardeal de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.

O público pode ver na íntegra o documento que relata as ameaças recebidas pelo adido político do consulado dos EUA em São Paulo Claris Halliwell, que costumava frequentar a sede do Departamento de Ordem Política e Social entre 1971 e 1973. Halliwell era identificado como “cônsul”, segundo o registro de visitas do DOPS e chegou a ir ao prédio no Largo General Osório – onde ocorriam torturas – duas vezes por mês. A ligação foi feita por um anônimo com sotaque paulista, segundo um telegrama de 26 de outubro de 1973, que disse: “se você não parar de nos atacar, nós vamos tomar medidas contra você”. A Comissão Estadual da Verdade de São Paulo pediu ao Itamaraty que interceda junto aos EUA para pedir mais informações sobre Halliwell.

Outros documentos são particularmente intrigantes, como um breve e ríspido despacho confidencial enviado pelo embaixador americano durante o período, John Crimmins, ao Departamento de Estado em 22 de dezembro de 1976, com o aviso “não distribuir”, no qual ele afirma que “um oficial da embaixada viu Vernon Walters no estacionamento do Ministério do Exterior ontem”. Segundo Crimmins, “o oficial conhece Walters bem e não há absolutamente nenhuma dúvida da sua cabeça de que a pessoa que ele viu foi Walters”. Indignado, o ex-embaixador pergunta a Kissinger: “Walters não deu a conhecer sua presença à embaixada. Qual é o propósito da sua visita?”.

Vernon Walters, que foi adido militar da embaixada brasileira entre 1962 e 1967 – em pleno golpe militar – acabava de deixar o cargo de vice-diretor da CIA, que ocupou de maio de 1972 a julho de 1976. Não há nenhum registro oficial de sua visita ao Brasil em dezembro daquele ano.

Desclassificação e reclassificação de documentos nos EUA

Desde que foi criada em 1966, a Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos prevê a liberação ao público de documentos oficiais classificados (confidenciais e secretos) com mais de 25 anos de idade. Os documentos são revisados pelos Departamentos que os produziram para permitir a sua transferência para o National Archives, que possui algumas bibliotecas abertas ao público. Documentos considerados sensíveis à segurança nacional, ou que contém informações pessoais (nomes completos, número de passaporte), continuam classificados.

“Não dá para dizer que há uma regra geral”, explica o pesquisador Jeremy Bigwood, que há quase duas décadas pesquisa o arquivo e faz pedidos de liberação de documentos restritos. “Cada departamento tem seus critérios e o seu modo de revisar documentos. O pedido de um grupo determinado de documentos de certa época pode trazer resultados diferentes de outro grupo de documentos de outra época”.

A partir de 2006, o National Archives passou a publicar parte do seu gigantesco acervo online, permitindo pesquisas pelo público. Além de documentos diplomáticos, há listas de prisioneiros japoneses na Segunda Guerra, registros de imigrantes que desembarcaram no porto de Nova York no final do século 18, relatórios de inteligência, registros de hospitais e mortuários. “As pessoas usam esses documentos para os mais diversos fins”, explica Bigwood. “Havia muita pressão para liberarem os documentos sobre o Vietnã, por exemplo, pois os soldados precisavam comprovar que foram expostos ao agente laranja para poder pedir indenizações na justiça”.

Quanto aos documentos diplomáticos, pertencentes ao Departamento de Estado, apenas uma pequena fração deles, entre 1973 e 1976, está disponível. Milhares de arquivos foram perdidos quando os documentos foram transferidos em formato digital. Em especial documentos referentes à primeira metade de dezembro de 1975, de março e junho de 1976.

Depois de publicá-los em 2006 e 2007, o NARA diminuiu o ritmo e parou de publicar documentos diplomáticos por ano, limitando-se a coleções temáticas apenas – como os papéis do Chile, por exemplo.

Além disso, desde o final da década de 90, milhares de documentos que haviam sido liberados ao público sumiram das prateleiras do NARA por iniciativa da a CIA, do Pentágono e de outras agências, que passaram a “reclassificar” documentos que consideravam sensíveis, retirando-os do domínio público. Muitos destes documentos eram despachos diplomáticos do Departamento de Estado, liberados durante a administração de Bill Clinton, que, segundo a CIA, continham informações de propriedade da agência, indevidamente liberadas.

O processo se acelerou desde o ataque às Torres Gêmeas em 2001. “Logo depois dos ataques se via muitos espiões nos arquivos revisando documentos”, lembra Bigwood. “Em muitos casos, os funcionários deixam um aviso de que os documentos foram retirados, mas em outros não há nem isso”. Ele se lembra, por exemplo, de um documento que analisava como seria a invasão turca do Chipre em julho de 1974 antes mesmo dela acontecer. “O documento havia sido visto por um pesquisador, mas quando fui aos arquivos, ele havia sumido. Tive que fazer um pedido de acesso à informação para obtê-lo de novo”, diz Jeremy.

Depois de protestos por parte da Associação Nacional de Historiadores em 2006, um auditoria oficial detectou que cerca de 55 mil páginas e documentos haviam sido removidos do domínio público.

QUANDO A LEI DE ACESSO DOS EUA BATEU ÀS PORTAS DA DITADURA

Os tempos eram outros, e o governo militar nem sonhava com a possibilidade do Brasil adotar uma Lei de Acesso à Informação. Mas a lei americana já estava em pleno vigor. Através dela, em dezembro de 1976 o jornalista Marcos Sá Corrêa, então correspondente do Jornal do Brasil, obteve acesso a documentos desclassificados sobre a participação dos EUA no golpe de 64, que estavam na biblioteca Lyndon Johnson, no Texas.

A série de reportagens revelava as articulações dos americanos antes do golpe, mostrando que eles sabiam nos mínimos detalhes o que iria acontecer. Além de gravações de reuniões e despachos diplomáticos, havia documentos da CIA e diversos perfis de altos funcionários do governo militar. Os documentos também revelavam, pela primeira vez detalhes sobre a Operação Brother Sam, um plano de contingência do governo dos EUA que enviou parte da frota naval americana no Caribe em direção ao porto de Santos com 100 toneladas de armas leves, munições, carregamentos de petróleo e aviões de caça para apoiar militarmente o golpe, caso houvesse resistência.

No dia anterior à publicação, a bomba estourou na embaixada. O embaixador John Crimmins recebeu uma ligação de um nervoso José Magalhães Lins, sobrinho do então presidente do Senado Magalhães Pinto, relatando a publicação. “Magalhães Lins diz que ele recebeu essa informação do vice-presidente executivo do Jornal do Brasil Nascimento Brito, um amigo pessoal. Nascimento Brito lhe contou sobre a obtenção dos documentos porque o nome de Magalhães Lins, ao lado de outros brasileiros proeminentes, aparece em muitos deles como fonte de informação (da embaixada)”, escreveu Crimmins em um despacho diplomático em 16 de dezembro. O diretor do jornal prometeu que o nome do amigo seria poupado. Mas o mesmo não poderia ser garantido se O Estado de São Paulo e a Revista Veja obtivessem os mesmos documentos – eles não teriam tanta “consideração”.

Consternado, Crimmins pediu a Kissinger orientações sobre como lidar com a imprensa. “Magalhães Lins está tentando através de contatos de alto nível com os serviços de segurança impedir a publicação pelo menos dos documentos mais sensíveis”, escreve o embaixador, acrescentando que “a embaixada, claro, não está tendo nenhum papel nesse esforço. Magalhães Lins tem consciência da nossa postura de não pôr as mãos nisso, e concorda totalmente”.

Mas em resposta, Kissinger limitou-se a dizer que os documentos haviam sido “desclassificados ou ‘higienizados’ como resultado do processo mandatório de revisão sob ordem executiva” e que estavam todos disponíveis ao público. “Nos casos em que há nomes, nem o contexto nem a substância do evento foi considerado de natureza sensível”.

Para irritação dos militares, a reportagem especial do Jornal do Brasil, publicada ao longo de três dias, explicava que os documentos podiam ser obtidos na biblioteca por apenas 15 centavos.

Antes disso, a embaixada tentara entrar em contato com a alta cúpula do Itamaraty para avisá-los de antemão. Mas só conseguiu contatar o embaixador João Hermes Pereira de Araújo, chefe do Departamento das Américas do Itamaraty, quando a reportagem já estava na rua.

Dias depois, em 23 de dezembro, Crimmins relataria em outro despacho que tanto Hermes Pereira de Araújo quanto o chefe de gabinete do Itamaraty, Luiz Pereira Souto Maior, o haviam procurado, demandado explicações. “Enquanto o ocorrido não nos ajudou muito, já que envolve pessoas ainda ativas e joga dúvidas sobre elas, também implica certos contatos por obter informação. A coisa toda é um pouco desconfortável”, lamentara, ao telefone, o chefe de gabinete Souto Maior.

4 horas atrás

Davi Moraes canta Bossa Capoeira

LUIS NASSIF por luisnassif
 
Assis Ribeiro

Davi Moraes (Bossa Capoeira) – Festival Gran Momentos 2011

Vídeos:  

4 horas atrás

AQUARTELADO, MADURO CRIA “COMANDO ANTIGOLPE”

JUSTICEIRA por Blog Justiceira de Esquerda
 
 

Situação política na Venezuela se deteriora; presidente empossado ontem avisa do Quartel da Montanha, onde acredita-se que pernoitou, que vai ativar o que chamou de “comando antigolpe”; para Nicolás Maduro, atos de vandalismo registrados em Caracas e outras cidades, atribuídos à coordenação do adversário Henrique Capriles, “entraram em uma fase enlouquecida”; manifestantes alegam fraudes nas eleições de domingo e exigem recontagem de votos; dentro do quartel, Maduro foi taxativo: “Quem vier pela via violenta, encontrará o Estado”; risco de guerra civil? 
16 DE ABRIL DE 2013  
247 _ A situação política na Venezuela está se deteriorando velozmente. Centenas de oposicionistas ao presidente empossado ontem, o chavista Nicolás Maduro, estão nas ruas de Caracas e outras cidades do país promovendo quebra-quebras e atos de vandalismo. Aos gritos de “fraude” e exigindo recontagem dos votos dados nas eleições presidenciais do último domingo, não dão mostrar de que pretendem recuar facilmente. Para a quarta-feira 17, uma grande manifestação popular, marcada pelo adversário derrotado Henrique Capriles, já está marcada para a capital. 
Encerrado no Quartel da Montanha, o presidente Maduro vai mandando recados duros à oposição. Ele informou a criação do que chamou de “comando antigolpe” e alertou que “aos que vierem com violênc ia encontrarão o Estado”. Situação se agrava e pode sair do controle, derivando até mesmo para uma guerra civil. 
Abaixo, noticiário da Agência Brasil e da rede Brasil Atual: 
Leandra Felipe Enviada Especial da Agência Brasil/EBC 
Caracas – O presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, informou que o país vai ativar o “comando antigolpe” para enfrentar os protestos da oposição que insiste no pedido de recontagem total dos votos da eleição do último domingo (14). Partidários de Henrique Capriles prometem novos protestos para hoje (16). Para amanhã (17), está prevista uma grande marcha com destino à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em Caracas. O CNE aponta que Maduro obteve 50,75% dos votos e Capriles, 48,97%. 
Na noite de ontem (15), vários protestos, com panelaços e buzinaços, foram registrados em Caracas e em outras cidades. Nas ruas, era comum ouvir os gritos de “fraude, fraude, recontem os votos!” 
À noite, Maduro se manteve no Quartel da Montanha. “Estão saindo da Constituição e da lei. Entraram em uma fase enlouquecida”, comentou. Ele informou que houve mortes e feridos e endureceu o tom contra os manifestantes. “Quem vier pela via violenta, encontrará o Estado”, alertou. 
A tensão pode ser sentida fortemente no país e influencia o cotidiano da população. Na noite de ontem, taxistas evitavam circular pelas partes de Caracas com maior presença da oposição. Não era possível, por exemplo, fazer saques em dinheiro em caixas eletrônicos, segundo a população local, por falta de abastecimento. 
As redes sociais também refletem o momento tenso. Partidários do governo pedem cadeia a Henrique Capriles e a oposição insiste nas denúncias de “fraude” e no pedido de recontagem dos votos. Agora pela manhã o clima é de aparente tranquilidade, mas os panelaços e buzinaços foram mantidos ontem até por volta da meia-noite. 
O governo contabiliza manifestações com queimas de casas do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) e protestos em pelo menos cinco estados. O oposicionista Henrique Capriles manteve a convocação para as marchas e protestos contra a decisão de não verificar os votos, mas pede que as ações sejam realizadas em paz. 
A presidenta do CNE, Tibisay Lucena, informou, durante a cerimônia de proclamação de Maduro, que a auditoria, chamada de “verificação cidadã”, já foi realizada no país por amostragem. O CNE não divulgou detalhes da verificação por amostragem. 
O chefe da missão observadora da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Carlos Alvares, pediu ontem à noite respeito aos resultados eleitorais. O governo convoca a população para atos de apoio à juramentação do presidente eleito, marcada para sexta-feira (19). 
Edição: Lílian Beraldo 
Rede Brasil Atual _O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, informou na madrugada de hoje (16) que vai pedir ao Parlamento uma investigação sobre a responsabilidade de Henrique Capriles nos distúrbios e atos de violência que ocorreram em todo o país desde o anúncio da vitória eleitoral de Nicolás Maduro, no domingo (14). 
“Nesta manhã solicitaremos que a Assembleia Nacional dê início a uma averiguação penal contra Capriles pela violência gerada em todo o país”, escreveu Cabello em sua conta no Twitter. 
Diversos grupos de opositores antichavistas realizaram protestos em vários estados venezuelanos, atacando instalações de centro médicos populares e incendiando sedes regionais do governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Além disso, foram registrados pela polícia diversos disparos feitos por apoiadores de Henrique Capriles contra chavistas. 
O estopim para a violência teria sido o pedido do candidato derrotado para que os opositores de Nicolás Maduro não aceitassem o resultado da eleição e pressionassem o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) pela recontagem de votos. 
A AVN (Agência Venezuelana de Notícias) afirmou que dois jovens morreram na cidade de Baruta, no Estado de Miranda, onde grupos armados atacaram os simpatizantes do chavismo. 
O governador do Estado de Táchira, José Vielma Mora, denunciou a morte de um jovem, que foi assassinado com três disparos feitos por armas de fogo após discutir com grupos armados antichavistas. 
O presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, já havia denunciado ontem (15) que setores da oposição estão provocando atos de violência com o intuito de desestabilizar o novo governo. Como resposta, Maduro convocou a população para “combater em paz”, com “mobilizações em todo o país”. http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/99065/Aquartelado-Maduro-cria-comando-antigolpe.htm

4 horas atrás

Relatoria divulga informe sobre investigação de denúncias de violações decorrentes das atividades da Vale

RACISMO por racismoambiental
 

Plataforma Dhesca

Entre os dias 17 e 28 de março de 2013, a Relatoria do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma Dhesca investigou denúncias de violações de direitos humanos decorrentes do complexo de extração e escoamento de minério de ferro sob responsabilidade da empresa Vale S.A.

O roteiro da missão incluiu os municípios de Parauapebas e Marabá, no Pará, e Açailândia, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Itapecuru-Mirim e São Luís, no Maranhão, todos envolvidos no processo de expansão do compleco minerador da Vale, em especial, no projeto Ferro S11D. O projeto é o maior investimento Vale e inclui uma nova mina na Floresta Nacional de Carajás, o Ramal Ferroviário do Sudeste do Pará e a duplicação da Estrada de Ferro de Carajás (EFC).

A Relatoria visitou ainda projetos relacionados com o ciclo de siderurgia no Maranhão e a construção de um novo pier no Porto Ponta do Madeira, em São Luís do Maranhão. Durante o processo, a Relatoria se reuniu com diversas organizações da sociedade civil, órgãos do Estado e a própria Vale. A missão teve como objetivo entender a cadeia de mineração, seus impactos e propor recomendações de garantia de direitos das populações impactadas.

Um informe preliminar da missão foi produzido com a finalidade de divulgar as análises prévias da Relatoria, feitas a partir das visitas, depoimentos colhidos e reuniões realizadas.

Após levantar mais informações de órgãos públicos e da Vale S.A., a Relatoria de Meio Ambiente produzirá um relatório final com informações e análises mais aprofundadas, que será disseminado através de audiências, debates públicos e coletivas de imprensa. A divulgação do relatório está prevista para o segundo semestre deste ano.

Foto: Marcelo Cruz (Justiça nos Trilhos)

4 horas atrás

Campanha em Belém – Belo Monte: Justiça Já!

RACISMO por racismoambiental
 

Comitê Metropolitano Xingu Vivo

Por que aderir à Campanha por “Justiça Já a Belo Monte”?

Contexto da Campanha

O que é Belo Monte?

UHE Belo Monte é uma hidrelétrica que esta sendo construída no rio Xingu, no Pará. Há uma historia de quase trinta anos de resistência a esse processo que, atualmente, prevê além de inundar uma área (criação dos reservatórios), também secar um trecho de 100 km de rio (desviar o rio causando drástica redução da vazão). Essa construção já trouxe vários prejuízos às populações locais e tem potencial para piorar ainda mais a situação dos povos que vivem na região. Entre as várias populações atingidas estão 13 povos indígenas.

Direito à Consulta Prévia – O que as normas brasileiras dizem sobre instalação de hidrelétricas em terras indígenas?

A Constituição brasileira diz que os estudos para explorar energia em terras indígenas no Brasil só podem acontecer se os povos indígenas forem previamente informados sobre as consequências do projeto em suas terras e vidas e, principalmente, se forem ouvidos a respeito. OITIVAS INDÍGENAS (art. 231, § 3º).

A Convenção 169 da OIT, assinada pelo Brasil, também garante que os povos indígenas e populações tradicionais sejam consultados de forma livre, prévia, informada e em condições culturalmente adequadas toda vez que uma medida administrativa ou legislativa for suscetível de afetar a vida deles. Essa consulta deve alcançar o consentimento esclarecido dessas populações antes que qualquer decisão legislativa ou administrativa que afete as suas vidas seja tomada.

EM BELO MONTE, OS POVOS INDÍGENAS NÃO FORAM OUVIDOS!

Do ponto de vista legal, como anda o projeto?

Desde 2001 até hoje existem 68 ações em andamento questionando as ilegalidades e violações de direitos humanos causados pelo projeto Belo Monte. Desse total, uma única ação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012 e aguarda o julgamento desse tribunal, que é último órgão da justiça capaz de decidir se Belo Monte para ou não. Na ação, o Ministério Público Federal exige, dentre outros, que Belo Monte pare até que todos os povos indígenas da bacia do Xingu sejam consultados sobre a obra. Se o STF determinar que os povos indígenas sejam consultados, Belo Monte PARA! E o rio Xingu e seus povos ainda poderão ser salvos, pois as obras ainda estão no começo.

AINDA PODEMOS SALVAR O RIO XINGU!

Objetivo da campanha

A campanha pretende exigir que o Poder Judiciário brasileiro cumpra seu papel e faça “Justiça Já” ao caso Belo Monte. Para isso, a partir do dia 19/04/13 convidamos a sociedade brasileira e mundial a se juntar aos povos indígenas do Xingu para pedir ao STF que julgue o caso agora e PARE Belo Monte até que o direito à consulta dos povos indígenas seja efetivado.

Como você pode participar?

Para aderir à campanha por “Justiça Já a Belo Monte”, a partir do dia 19 de abril, Dia do Índio, siga estes passos:

1. Acrescente ao seu nome de perfil das mídias sociais (facebook, twitter etc.) a frase “PARE BELO MONTE”. O nome deve ficar assim: “NOME + PARE BELO MONTE”;

2. Coloque na foto do seu perfil uma imagem com uma mensagem onde você pede “JUSTIÇA JÁ” ao caso Belo Monte. Você pode tirar uma foto com um cartaz;

Exemplo: arquivo anexado

É fundamental que na mensagem de todos apareça o termo “JUSTIÇA JÁ”, fazendo ligação à idéia “pare Belo Monte”, pois é o título da campanha. O resto é a sua imaginação que decide (os termos “STF” e “oitivas” ou “consulta” também são bem vindos).

3. Envie suas fotos por mensagem privada (chat) à página do facebook do Movimento Xingu Vivo para Sempre (https://www.facebook.com/movxinguvivo?fref=ts) para que possamos divulgá-la nacionalmente.

Tomemos como exemplo a campanha pelos Guarani-Kaiowás que tomou todo o Brasil todo.  Por mais que a grande mídia tentasse ocultar o caso, a grande repercussão nas redes sociais chamou a atenção da sociedade brasileira, e os latifundiários pecuaristas tiveram que recuar.

Nós temos o poder em nossas mãos. Estamos em maior número e não vamos nos calar.

VIVA O RIO XINGU VIVO, PARA SEMPRE!

Ou a Unasul se mexe ou o sangue correrá de novo na Venezuela

por eduguim
 

 

Em abril de 2002, eu estava em Valencia, no Estado Carabobo, na Venezuela. De lá, acompanhei, passo a passo, os preparativos para a tentativa de golpe que teve como saldo dezenas de mortos e centenas de feridos.

2013. O candidato oposicionista Henrique Capriles está convocando manifestações de seus partidários contra o resultado eleitoral que lhe foi adverso. Os partidários do presidente Nicolás Maduro também se preparam para ir às ruas.

Em 2002, duas manifestações antagônicas (chavistas e antichavistas) se encontraram na Ponte Llaguno, em Caracas. O saldo do encontro das duas marchas: 18 mortos e centenas de feridos.

Enquanto os manifestantes de lado a lado caminhavam para a Ponte Llaguno, as televisões RCTV, Globovisión, Venevisión e outros veículos oposicionistas instigavam os antichavistas a continuarem marchando até o Palácio presidencial de Miraflores.

Pouco antes do golpe, eu estava na Venezuela havia duas semanas, a trabalho. Um cliente antichavista filiado ao partido Acción Democrática me convidara a ir com ele a uma reunião de seu partido com o partido Copei e com sindicatos.

Durante a reunião, foi abordado do golpe até o assassinato de Hugo Chávez.

Parti da Venezuela antes das 47 horas da tentativa de golpe e da retomada do poder pelos chavistas, mas vi clima de confrontação entre governistas e oposicionsitas que precedeu a tentativa de golpe e que em tudo se assemelha ao que se está vendo hoje.

Por conta disso que no post de segunda-feira já previ o agravamento da situação política, pois estou vendo tudo ocorrer de novo como se fosse um filme.

Chefes das forças armadas venezuelanas leais a Chávez, tal como hoje, também garantiram apoio ao governo, mas as articulações oposicionistas cooptaram parte daquelas forças militares e o golpe ocorreu – Chávez foi sequestrado por militares.

Ontem (segunda-feira), o governo dos Estados Unidos recusou-se a reconhecer a vitória de Maduro, em perfeita consonância com a retórica incendiária de Capriles, tal como em 2002, quando a potência hegemônica também ajudou a inflar a guerra retórica de parte a parte que se está vendo.

Quem conhece a Venezuela como este que escreve, está experimentando um legítimo déjà vu. A escalada retórica de parte a parte (governo e oposição), as declarações do Departamento de Estado norte-americano… Tudo igual.

A Unasul foi criada justamente pensando em situações como a que se está assistindo. Só que está demorando demais a se manifestar. Confiar cem por cento no espírito legalista das forças armadas venezuelanas será um erro igual ao de 2002.

Capriles, na noite de domingo, reuniu-se com militares. As manifestações de rua oposicionistas estão sendo armadas de novo. Os EUA estão tomando partido abertamente de novo. A Espanha, idem. É preciso dizer mais?

Os países aliados da Venezuela parecem ter se esquecido da velocidade do golpismo naquele país. Após o golpe, não adiantará nada se reunirem e darem declarações. Nesse ritmo, acontecerá exatamente o mesmo que em Honduras, quando a Unasul não serviu para nada.

O tempo urge. O golpe está em processo. Maduro até já disse isso.

Informações oficiais transmitidas pela rede estatal de televisão venezuelana Telesur aludem a choques violentos, tiroteios, incêndios de carros, casas e até a mortes. A imprensa brasileira não diz um A, está deliberadamente ocultando os fatos.

Na noite de domingo, eu disse no Twitter que temia o surto de violência que acabou ocorrendo. Os choques de oposicionistas com a polícia, os incêndios dos quais as imagens já se espalham, os tiroteios…

Nada disso é aceitável. Uma vitória por pequena margem não é motivo para a oposição venezuelana agir assim. Que vá batalhar nos tribunais, não nas ruas.

A Unasul deve agir de acordo à sua carta constitutiva. Os países filiados devem sustentar o regime venezuelano POR TODOS OS MEIOS PREVISTOS. O sangue que pode voltar a ser derramado será responsabilidade dos omissos.

Depois da Venezuela, quem será? Argentina? Bolívia? Equador? Brasil?

*

Assista, abaixo, à batalha de Puente Llaguno.

 

O cidadão corrompe o policial. E o policial extorque o cidadão

por redacao
 

Saiu na Carta Capital, artigo de Mauricio Dias, na imperdivel “Rosa dos Ventos: 

Corrupção da polícia

O cidadão suborna, a polícia chantageia – José Eduardo Cardozo não viu isso ao divulgar pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça.
A relação entre a sociedade e o aparato policial se dá de maneira assustadora. Não é o contato civilizado entre cidadão e autoridade que deve protegê-lo. Longe disso. Não tem sido assim desde os tempos anteriores a dom João Charuto. A polícia regular, criada em 1808, a exemplo da informal que a precedia, foi orientada para reprimir os “de baixo”, arrancados da África e tornados escravos no Brasil.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela Secretaria Nacional de Segurança do Ministério da Justiça, divulgada nos primeiros dias de abril e realizada em 26 estados com 78 mil entrevistas, reflete o resultado dessa origem: o alto nível de corrupção policial em todo o País.
O Rio de Janeiro, com 43 mil policiais militares e 10 mil civis, virou manchete ao ser apresentado como o caso exemplar. É o maior índice de corrupção policial entre todos os estados da Federação.
“Iniciativa importante, a pesquisa não se destinou a estabelecer o ranking da corrupção entre as polícias, como vem sendo lida, e sim oferecer elementos para a elaboração de políticas racionais para enfrentá-la”, diz Jorge da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coronel aposentado da PM e, sem dúvida, um dos mais respeitados especialistas sobre violência pública.
Tanto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quanto a secretária Nacional de Segurança, Regina Miki, no entanto, escolheram o caminho oposto, mais fácil para transitar e ganhar espaço na mídia. Ambos sustentaram um debate sobre a expulsão de policiais militares da corporação.
Melhor expulsar? Melhor não expulsar? Esse é o problema secundário.
“O que mais importa é a revelação de que a corrupção policial é uma das chagas da nossa sociedade e que abordá-la com a batida teoria das ‘maçãs podres’ é atitude diversionista, pois equipara corporações de dezenas de milhares de integrantes a quitandas”, ironiza Silva. E justifica com uma observação que acerta a mosca:
“Há décadas, todos os governadores e autoridades da segurança têm invocado essa teoria para mostrar quão eficientes são. Ora, se o caminho se resumisse a expulsar efetivos, a polícia brasileira já seria uma das mais íntegras do mundo há muito tempo”.
Invocando o óbvio: policiais apanhados na prática de corrupção devem ser expulsos da corporação. Mas isso não resolve o problema.
“Na verdade, lutar contra esse mal de forma objetiva é empreendimento necessariamente precedido de pelo menos três indagações: 1. Qual o nível de corrupção geral existente na sociedade em que se cogita combater a corrupção policial? 2. Na relação dos policiais corruptos com suas vítimas, qual o papel do suborno? 3. Num ambiente determinado, o que estaria pesando mais: os desvios isolados de policiais com fraqueza de caráter ou a estrutura social, ou ainda os modelos gerenciais que favorecem a corrupção sistêmica?”, pergunta Jorge da Silva.
Por que a polícia militar se corrompe? Salvo desprezível índice de exceção, só se ingressa nessa instituição de 200 anos de vida com a ficha pessoal limpa. Logo depois, porém, no exercício do policiamento ostensivo, a ficha começa a ficar suja.
Com salário baixo e sujeito a pressões, o policial sucumbe ao apelo do corruptor: o cidadão. Em seguida, o corrompido passa à extorsão sobre os próprios corruptores. Esse é o óleo que faz o mecanismo girar ao contrário do que devia.

Clique aqui para ler “Dilma não tem um xerife. Tem um Zé”.

Clique aqui para ler “Carta aos brasileiros, Eduardo Campriles”.

15 de Abril de 2013 15:35

Carta aos brasileiros, Eduardo Campriles

por redacao
 

Clique aqui para ler “Capriles: é bom a Dilma botar as barbas de molho”.

Amigos e amigas, 

Tomo a liberdade de apresentar meu nome como candidato do PSB à Presidência da República, em 2014.

Tomei essa decisão em nome de princípios.

O primeiro, é o principio da renovação.

A Democracia é o regime da renovação, da alternância, do regime em que a minoria de hoje é a maioria da amanhã.

As Democracias precisam abrir a janela de deixar o sol da renovação entrar.

Sou candidato em nome da coerência.

Sempre estive ao lado do Brasil e ao lado do homem e da mulher brasileira.

Do rico e do pobre, como meu avô e mestre, Miguel Arraes.

Em nome dessa coerência apoiei – e disso me orgulho – o grande brasileiro – e pernambucano – Luis Inácio Lula da Silva.

E, se, agora, decido tomar outro caminho é porque, civilizadamente, dentro dos mais transparentes princípios da Democracia, faço sérias restrições ao projeto que se instalou no Brasil, depois de dois notáveis Governos de Lula.

Dá para fazer mais, amigos e amigas.

Até Lula é capaz de concordar com isso.

Basta ele comparar o ritmo de crescimento dos Governos dele, com o que o sucedeu.

O Brasil parou, amigos e amigas.

E dá para fazer mais, muito mais.

A economia estagnou, o investimento em infra-estrutura estagnou.

As estradas de ferro não tem trilhos.

As rodovias são fábricas de morte.

Os portos serão destruídos.

A exuberância do Governo Lula foi sufocada pelo centralismo, pelo dirigismo, pelo mandonismo.

A centralização excessiva e o excesso de poder levam à arrogância, que se traduz em medidas sucessivas, contraditórias, em zig-zag, que confundem os empreendedores e frustram o consumidor.

O Brasil voltou ao pacote – agora é um pacote por dia.

E é preciso dividir o poder.

Mudar.

Porque dá para fazer mais.

A Presidenta Dilma, que tanto fez por Pernambuco e pelo Nordeste, poderia fazer mais.

E por que não faz ?

Porque a Presidenta Dilma é o que sempre foi.

Ela só acredita no Estado.

E nós, do Partido Socialista, acreditamos em parceria, em troca de experiencias, em movimentos coordenados e criativos do Estado e da livre iniciativa.

O que foi, também, o motor do crescimento nos dois mandatos do Presidente Lula.

Nós do PSB acreditamos que os Estados da Federação devem ter mais apoio, porque estão mais perto do cidadão.

O município deve ter mais apoio porque está ainda mais próximo do cidadão.

E o Brasil se trancou em Brasília.

E se perdeu.

Perdeu a política social, a política educacional, a política de saúde.

Dá para fazer mais !

Queremos um Lula novo, renovado, contemporâneo.

Os marcos da estabilidade econômica, sobre os quais Lula pôde construir, são intocáveis: as metas de inflação; a geração e o respeito inflexível ao superávit primário, sem truques; a independência – prevista em Lei, de preferencia – do Banco Central.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, uma jóia rara da construção da nossa Democracia.

A flexibilização desses princípios de estabilidade está na origem do PIB, que se chama de pibinho, e da inflação que bate no teto e não volta.

É uma ilusão imaginar que um pibinho e uma inflação a caminho do descontrole serão capazes de manter o emprego alto.

Essa mágica tem prazo de validade.

Dá para fazer mais !

Há outro principio em jogo, amigos e amigas.

De que adianta você fazer faxina, se os seus amigos, os que frequentam a sua casa não são de confiança ?

Como se apresentar como um padrão de virtude e moral, se não você pode exibir o aliados ?

Tem que escondê-los.

Um Governo é o Governo todo.

Não adianta o líder ser integro se o conjunto é suspeito.

O brasileiro parece cansado da leniência com a corrupção.

O que, por si só, explica o entusiasmo do povo com o Supremo Tribunal Federal, depois de condenar os mensaleiros do PT, com José Dirceu à frente.

Dá para fazer mais no combate à corrupção, a começar pela base aliada do Governo.

A sociedade brasileira não se vende por geladeira ou televisão de tela plana.

A sociedade quer se olhar no espelho e ver o Governo refletido nela.

E você, amigo, amiga está com medo.

As grandes cidades brasileiras, a qualquer hora do dia, foram ocupadas por marginais que operam com a garantia da impunidade.

Não há Lei.

Não há Ordem !

E onde está o Governo Federal ?

Quem é o xerife da segurança pública ?

Onde está o Ministro da Justiça – que justiça, que segurança ele oferece a você, amiga e amiga ?

Os Estados não resolvem tudo.

Porque, antes de mais nada, falta liderança !

Falta um rosto que a sociedade possa identificar: sim, este rosto zela por mim, por meu filho, quando volta da escola.

Dá ou não dá para fazer mais, amigo, amiga ?

Por que não ter um gerente da Segurança ?

Precisamos de uma politica externa que reflita os interesses do Brasil e, não, de um partido só.

O PSB quer ser amigo de todas as nações – e quer ser mais amigo de quem é mais nosso amigo.

Pais vizinho não significa melhor vizinho.

Não precisamos da claustrofobia dos acordos regionais, se o mundo é vasto e as oportunidades infinitas.

Essa mesma lógica se estende, por exemplo, à exploração da grande riqueza nacional, que são as jazidas de petróleo.

Não adianta ter e não ter.

É preciso agregar competência e, sobretudo, dinheiro para extrair essa riqueza em tempo hábil.

Por isso, por que discriminar os que sabem e tem dinheiro ?

Porque a Petrobrás é de um partido ?

Ou é do Brasil ? 

Ou a Petrobrás manda no Brasil ?  

Como Lula, seremos rigorosos no respeito aos contratos.

Mesmo que seja para reduzir tarifas de energia, ou agregar competência ao sistema logístico, contratos são sagrados.

São a base da confiança que faz a economia funcionar.

A liberdade de imprensa é intocável.

A única forma possível de regulá-la é através do controle remoto.

Somos a favor de uma gestão profissional da política de publicidade do Governo Federal e suas empresas: o mais eficiente, o que dá mais retorno ao recurso público merece receber mais.

Precisamos construir amplas e rápidas estradas de banda larga para o povo receber informação, educação, ter entretenimento.

Se for preciso, por que não ceder bens obsoletos às empresas de telefonia, para que possam levar o progresso sob a forma de conexão digital ?

A lógica da ideologia ultrapassada não pode se transformar num obstáculo à chegada do mundo novo. 

Ofereço meu nome a você, amigo amigo, nessa hora amarga que atravessamos.

O mundo lá fora está em crise.

É a crise que nos imobiliza, aqui.

E para essa crise não fomos capazes de encontrar saídas duradouras.

Construídas sob princípios da boa gestão.

Eu me proponho a buscar saídas.

E ofereço meu passado de gestor que o povo de Pernambuco elegeu duas vezes.

Humildemente.

Quero ouvir todos os brasileiros.

Sair do Palácio.

Não há SECOM que me esconda nas trevas palacianas !

Exercer a Democracia, com a ajuda de uma imprensa absolutamente livre !

Não tenho compromissos ideológicos.

Meu compromisso é com o Brasil. Com você !

Porque dá para fazer mais !

Ribeirão Preto, 15 de abril, 2002

Eduardo Campriles

15 de Abril de 2013 12:00

Capriles: é bom a Dilma botar as barbas de molho

por redacao
 

Conversa Afiada reproduz importante artigo de Marco Weissheimer do Viomundo: 

Marco Weissheimer: O PT que coloque as barbas de molho

A mensagem que sai das urnas na Venezuela

por Marco Weissheimer, no  Sul21

Vitória apertada de Nicolas Maduro envia sinal de alerta para esquerda latinoamericana.

O enviado especial da Carta Maior a Caracas, Gilberto Maringoni, fez uma boa síntese da vitória apertada de Nicolas Maduro, nas eleições realizadas neste domingo, na Venezuela. A diferença em favor de Maduro, 234.935 votos, foi mínima, mas real, garantidora da legitimidade do pleito e de seu resultado. O candidato oposicionista exerce seu direito de espernear ao pedir uma recontagem total dos votos, algo com que Maduro chegou a concordar em seu primeiro pronunciamento após a divulgação do resultado, ainda na noite de domingo. O principal fator que emerge das urnas, no entanto, é que ele foi uma surpresa negativa para o governo e para o projeto da Revolução Bolivariana como um todo. Maringoni, historiador e jornalista que acompanha a vida política na Venezuela há muitos anos, escreve em seu artigo intitulado “Vitória apertada, mas vitória”:

Maduro venceu apertado, mas venceu. Na ponta do lápis, a questão está resolvida: o chavismo continua sem Chávez. Mas o resultado tem de ser examinado além das planilhas. O governo não estava preparado para essa diferença. Possivelmente Capriles – que cogitou não concorrer, logo após a morte de Chávez – também não. Os chavistas avaliaram que dariam uma lavada na oposição, repetindo ou aumentando a diferença de 12% (56 a 44%) das eleições de outubro, quando Capriles enfrentou Chávez em sua última disputa.

E acrescenta

Entre os mais de sete milhões de votantes em Capriles, a maioria seguramente é constituída por pobres. Olhando as planilhas de outubro passado, uma conclusão inicial pode ser feita, lembrando que Chávez teve 8.191.132 votos e Capriles 6.591.304.Em seis meses, a oposição ganhou cerca de 680 mil votos, enquanto o governo perdeu ao redor de 700 mil. Pode ter havido uma migração de um lado para o outro. Saber onde e porque isso aconteceu é vital para a continuidade e estabilização do governo Maduro.

No pronunciamento que fez na noite de domingo, Nicolas Maduro deu sinais de que já sabe quais foram alguns dos problemas, ao falar da necessidade de enfrentar os temas da corrupção e da ineficiência. No plano político, enfrentará outro grande problema que é a divisão do país praticamente ao meio e o fortalecimento de uma oposição que nos últimos anos andava bastante enfraquecida. E no plano internacional, terá que lidar com um cenário de retração econômica que atinge hoje as principais economias do mundo. Ou seja, Maduro começará a governar em um novo cenário político e econômico, em nível interno e externo.

O resultado da Venezuela serve de alerta para os demais governos de esquerda e centro-esquerda da América Latina e para os respectivos partidos e forças sociais que os apoiam. A conjuntura que mudou o mapa político da região parece estar mudando e quem apostar na inércia para seguir governando pode se dar mal. Nos próximos dias, deverão surgir muitas análises sobre a mensagem que sai das urnas venezuelanas. E, de fato, o resultado exige uma reflexão mais atenta e aprofundada. Não foi pouca coisa o que aconteceu e o que isso parece sinalizar.

Os números da eleição Venezuela representam, por outro lado, um sopro de oxigênio para a direita latino-americana que quase obteve uma vitória num dos países onde estava mais enfraquecida. Ela ainda não tem uma agenda própria exatamente, tanto é que a campanha de Capriles, guardadas as devidas proporções, repetiu a estratégia usada por José Fogaça em Porto Alegre para interromper a série de 16 anos de governos do PT na cidade. Mimetizou os principais pontos do programa do adversário e acenou com a necessidade de mudança, de renovação. É uma mensagem que costuma ter seu apelo, especialmente quando a economia e a vida cotidiana da população não vão muito bem. Capriles prometeu manter os principais programas sociais implementados por Chávez e reivindicou a figura de Lula como modelo de equilíbrio e moderação que pretendia seguir. Aqui no Brasil já tem gente ensaiando discursos parecido para as eleições de 2014.

O PT que coloque suas barbas de molho, portanto. A Venezuela mostra que não se mantém um projeto político só com retórica e piloto automático em funcionamento. A capacidade de ler a conjuntura, identificar sinais de mudança e conseguir definir políticas e rumos de ação sintonizados com esses sinais sempre foram, e seguem sendo, condições indispensáveis da tática e da estratégia na política e na vida. A morte de Hugo Chávez, pelo que representa em si mesma, já foi uma mudança brutal na América Latina, cujas repercussões ainda vão ecoar no tempo. A surpresa eleitoral de ontem é outra. Quem quiser, e tiver juízo, que ouça.

PS do Viomundo: Isso me faz lembrar, ao Azenha, da palestra da qual participei ao lado do senador Requião, em Curitiba, no sábado. Segundo ele, os discursos que faz em defesa de Lula e de políticas do governo Dilma raramente são aparteados por colegas petistas!

Em tempo2 (do ansioso blog): é bom a equipe da Dilma levantar da cadeira. Parar de ver a Globo e achar que é assim mesmo, que tudo se resolve no controle remoto. Que a oposição não tem candidato. Em 2010, o Cerra foi um Capriles: disse que era o mais preparado para levar o Lula adiante. Agora, são três: o tucanuardo (“não podemos perder 2013″), o Aécio Never e o próprio (imortal) Cerra. Eles se apossam da agenda do Lulilma – “dá para fazer melhor”- e depois vendem o pré-sal à Chevron. Truque velho. Mas que dá certo. Ou quase, como na Venezuela. – PHA 

15 de Abril de 2013 11:30

Sicsú: Dilma vai ter que investir mais

por redacao
 

 

 

Saiu na Carta Capital artigo de João Sicsú: 

A chave de 2013: o investimento

O crescimento econômico de qualidade necessita ser impulsionado pelo investimento. Por exemplo, o investimento público em transportes pode melhorar a qualidade de vida da população. Mais: quando um empresário investe em máquinas e equipamentos que aumentam a produtividade do seu negócio, isto é, quando há uma diminuição de custos, então poderá haver redução de preços e poderá haver aumento de salários dos seus empregados. Além disso, o aumento da produtividade aumentará a capacidade do empresário de realizar novos investimentos. Portanto, os ganhos advindos da redução de custos podem ser divididos entre trabalhadores, consumidores e empresários.

O aumento do investimento qualifica o crescimento econômico porque pavimenta a trajetória que possibilitará a continuidade do próprio crescimento da economia. Em outras palavras, o investimento numa hidroelétrica possibilitará a geração de mais energia que, por sua vez, possibilitará a instalação de novas fábricas consumidoras de energia. Logo, o investimento não somente impulsiona o crescimento de hoje, ele também abre a possibilidade para que haja mais crescimento com novos investimentos no futuro. Esta possibilidade de haver maior crescimento de forma contínua é chamada de PIB potencial – que é quanto uma economia pode crescer sem esbarrar em gargalos.

Durante a gestão econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), os investimentos públicos e privados eram baixos. As causas do fraco investimento eram variadas. Primeiro, investimentos do governo não combinavam com a visão de Estado mínimo: investimento público era sinônimo de intervencionismo. Segundo, faltavam recursos orçamentários: devido à falta de crescimento as contas públicas apresentavam resultados desastrosos. Terceiro, como não havia expectativas de crescimento mais robusto da economia, os empresários preferiam participar da especulação financeira a construir novas fábricas.

Houve a retomada dos investimentos na gestão do presidente Lula. As barreiras ideológicas, orçamentárias e as expectativas negativas foram superadas. O lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em 2007, é o marco da virada ideológica. Foi naquele momento que o governo explicitou à sociedade que é dever do Estado organizar grandes projetos e realizar investimentos vultosos. O governo e as estatais federais passaram a investir. E a economia, que já tinha dado o primeiro salto entre 2004-2006, passou a crescer em média 4,6% ao ano até 2010. Com mais crescimento, houve aumento da arrecadação e folga orçamentária para a realização de gastos públicos com novos investimentos. E com expectativas positivas sobre a economia, os empresários voltaram a investir no mundo real.

O baixo crescimento de 2011 e 2012 adormeceu as expectativas empresariais. De 2007 a 2010, o investimento crescia duas a três vezes o crescimento de toda a economia. Em 2011, devido à desaceleração da economia provocada pelo governo, o investimento cresceu apenas 4,7%. Cabe lembrar que, em 2010, havia crescido 21,3%. Em 2012, o cenário de desaceleração foi contaminado pelo pessimismo espalhado pela crise econômica européia e o investimento teve um desempenho negativo de 4%.

A reversão do quadro de expectativas empresariais estabelecido em 2011 e 2012 dependerá da realização dos investimentos públicos planejados e de liderança política. A realização do investimento público estimula o investimento privado porque estabelece condições de redução de custos empresariais e porque reduz incertezas de demanda futura. Já a liderança política oferece garantias aos empresários de continuidade dos investimentos públicos e do baixo desemprego.

Caso, em 2013, não haja a reversão do quadro de modesto crescimento com baixo investimento, poderá ser decretada a morte do modelo da Era Lula estabelecido no seu segundo mandato. Serão três anos com ruptura, de 2011 a 2013: o Brasil terá ingressado em outra trajetória. Na Era Lula, o investimento público foi elevado de 2,6% do PIB para mais que 4%, o que é significativo porque o Estado brasileiro tinha sido praticamente desmontado. A trajetória de recuperação do investimento público é uma necessidade da economia brasileira. E infelizmente para os pessimistas de plantão, há fortes indicadores de que houve uma recuperação consistente dos investimentos (público e privado) no primeiro trimestre de 2013.

Por último, não é verdade que a Era Lula foi caracterizada por um modelo de estímulo exclusivo ao consumo. Foi também. E foi exatamente o crescimento do consumo associado ao aumento do investimento público, sustentado pela liderança política do presidente, que estabeleceram um modelo de crescimento com qualidade econômica (elevado investimento) e inclusão social.

15 de Abril de 2013 11:00

Raimundo: Dirceu é inocente ! Quem não confessa tem culpa

por redacao
 

 

Saiu no blog do Dirceu:

Raimundo Pereira: AP 470 deixou de lado princípio básico da Justiça


Divido com vocês a entrevista que o Diário da Manhã, de Goiânia, publica hoje com o jornalista Raimundo Pereira, um dos autores do livro A Outra Tese do Mensalão (Editoria Manifesto) e responsável pela revista Retrato do Brasil.

Nós já mostramos aqui na semana passada um resumo da edição especial da Retrato que mostra como foi construída a tese do mensalão, sem provas.

Na entrevista ao Diário da Manhã, cujo título é uma declaração de Raimundo – “José Dirceu é inocente” –, o jornalista de sólida reputação reforça que não há provas de pagamento a parlamentares da base aliada.

“Ao contrário, na defesa do deputado José Genoíno existe uma ampla lista de depoimentos em contrário e um estudo feito com as datas de entrada de dinheiro do valerioduto nas contas de parlamentares ou de seus prepostos mostra não haver qualquer relação com as votações das emendas cujos resultados teriam sido comprados.”

E muito menos houve desvio de recursos públicos do Banco do Brasil, como disse a Suprema Corte:  “Nas milhares de páginas das auditorias do BB que estão nos autos da AP 470 existe uma multidão de indícios de que os serviços de publicidade da DNA, para o BB, com o dinheiro da Visanet foram realizados. Você acha, nos autos, por exemplo, dezenas e dezenas de páginas de empresas que contabilizam a quantidade de vezes que um anúncio para a venda de cartões de bandeira Visa pelo BB foi veiculado nestas tevês de aeroportos ou foi mostrado nesta ou naquela cobertura de ponto de ônibus, nesta ou naquela rua, desta ou daquela cidade”.

“Não houve o crime básico que ela supõe, o desvio de dinheiro do BB, repassado para gastos do banco, seja de que forma, pelo Fundo de Incentivos Visanet, para a publicidade da venda de cartões de bandeira Visa”, afirma.

Sobre mim, Raimundo afirma: “Do que ele é acusado na AP 470, de comandar uma quadrilha que desviou dinheiro público para comprar deputados, eu não tenho dúvidas de que ele é inocente”.

“Foi um julgamento medieval. Naqueles tempos não se precisava, primeiro, provar o crime, e só depois ir em busca dos possíveis culpados. Se pegava a bruxa e se torturava, para que ela confessasse os crimes que teria cometido. Se ela não confessasse nenhum crime depois de torturada, como disse num de seus livros o irônico cientista Carl Sagan, aí sim é que estavam provadas suas infames práticas, pois só quem tivesse um pacto com demônio teria aquele tipo de resistência. A procuradoria e o ministro Barbosa esqueceram o princípio básico que separou a justiça medieval da Justiça surgida do Iluminismo: provar a materialidade do crime em primeiro lugar. No caso, provar o desvio de dinheiro do BB”, afirma o jornalista.

Sobre a imprensa, Raimundo diz que o papel “dos grandes jornais e revistas conservadores foi muito ruim. Como disse um de seus destacados colunistas no início de 2012: o Supremo deveria julgar a AP47 ‘com a faca no pescoço’. A faca era e foi essa mídia”.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra

Clique aqui para ler “Escolha de ministro do Supremo tem que ser no pau” – PHA 

15 de Abril de 2013 10:30

Bernardo não mete medo à Globo. E mete nos blogueiros sujos

por redacao
 

 

 

Em entrevista ao programa “É Noticia”, de Kennedy Alencar, na Rede TV, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, comentou a oposição que tem sofrido do PT.

Segundo Paulo Bernardo, ele não discorda do PT quanto a regulação da mídia.

Porém, é contra qualquer tipo de regulação da mídia impressa: “eu concordo que tem de haver regulação de mídia eletrônica como em qualquer setor”.

Para mídia impressa, o Ministro defende uma que garanta o direito de resposta.

Como seria a regulação da mídia?

Bernardo defende a proteção do conteúdo e minimiza a concentração do mercado.

Sobre a existência de oligopólio o ministro desconversou:

“Eu acho que há uma concentração da mídia em poucos grupos – isso é, não tem como negar. Agora, qual o limite disso? Como você faz isso? O pessoal diz que nós temos que fazer uma lei de médios, como da Argentina. Na Argentina, o que eu leio sobre lá, é que o grupo Clarín tinha 92 licenças de transmissão, 92 outorgas, aqui o limite é cinco. O que acontece é que aqui tem o fenômeno da rede afiliada.”

Sobre a propriedade cruzada, o ministro alega que a convergência de mídia torna a questão inócua, já que todas as mídias estão passando pela internet.

O ministro também comentou o novo fundo criado pelo Instituto Barão de Itararé para socorrer blogueiros sujos em dificuldades com processos judiciais.

Veja o vídeo do início do 3 bloco até os 4 minutos do vídeo.

Segundo o ministro: “primeiro, nós temos que defender o principio da liberdade de expressão. Na internet isso vai ao seu ponto máximo, as pessoas falam e escrevem o que querem, e eu acho importante que seja assim. No caso da internet acho importante que se tenha liberdade total, portanto, as pessoas que são criticadas – eu mesmo sou muito criticado por determinadas situações – acho que nós temos que ter muita tolerância com criticas.

Kennedy – O senhor não processou ninguém?

P. Bernardo – Eu já processei sim,

Kennedy – Mas nesse episódio recente não?

P. Bernardo – Não, quando é critica política… Alguém te critica porque você esta favorecendo as teles, tá fazendo desoneração… isso faz parte da política. Eu tenho uma posição e tenho que defender daqueles que à atacam. Eu digo assim, quando alguém ataca pessoalmente, na honra, ai eu acho que é razoável que quem se sinta ofendido procure a Justiça. Até porque, recorrer a Justiça também é um direito fundamental das pessoas. Porque se não, qual é a outra forma de resolver? Vamos marcar um duelo no Ibirapuera?

Kennedy – Mas o argumento é: que quem recorre tem um poder econômico muito maior que o do blogueiro, e isso cria uma disparidade…

P. Bernardo: Eu acho que isso pode até ser verdade, mas a Justiça sabe avaliar isso, ou pelo menos deveria. Eu nunca recorreria a Justiça por critica política, mas tem gente que acha que pode falar qualquer coisa. Eu não vou entrar no caso especifico, mas eu acho que tem de haver direito para que todos se manifestem como queiram, mas tem que haver o direito de ir para a Justiça também.

15 de Abril de 2013 09:48

Capriles quer recontar. Os votos e o pré-sal

por redacao
 

O chavismo ganhou dezessete de 18 eleições de que participou (e ainda dizem que aquilo é uma ditadura).

Perdeu um plebiscito (em 2007) por menos de 0,1%.

E acatou o resultado.

Todas as eleições na Venezuela chavista foram acompanhadas por observadores internacionais.

O mais conhecido deles é Jimmy Carter, ex-presidente americano, que, por diversas vezes, atestou a qualidade do sistema eleitoral venezuelano.

Lá, como se sabe, o voto eletrônico pode ser conferido pelo “papelzinho” correspondente cada urna.

O “papelzinho” do Brizola, que sabia como a Casa Grande tentou lhe tomar uma eleição no computador.

Capriles foi eleito governador de Miranda por uma diferença de 40 mil votos.

E o chavista perdedor acatou o resultado.

Felipe Calderón foi eleito presidente do México por 0,56% de diferença e o Superior Tribunal Eleitoral não aceitou recontar os votos.

George Bush, filho, ganhou por menos de 1% de diferença e, mesmo assim, jamais se saberá se ele, de fato, ganhou na Florida.

Depois, como se sabe, a Suprema Corte lhe conferiu a vitória com o voto decisivo do Maior de Todos os Conservadores, Scalia, uma espécie de Gilmar Dantas (*) mais competente, muito mais.

Como se lê no twitter:  en #Chile, Pdte Lagos fue electo con 187 mil votos de diferencia. Pdte Piñera, con 223 mil. En Venezuela, Maduro con 300 mil

Capriles diz que Maduro foi derrotado, já que a eleição foi roubada. 

E quer a recontagem, voto a voto.

Maduro concorda: vamos recontar !

Maximilian Forte ‏@1D4TW 20h 
Henrique Capriles: still making accusations of vote rigging, as he prepares excuses for his defeat. http://bit.ly/16WfFTm  #VenezuelaDecide
Retweeted 27 times 
View tweet 
Heather Marsh ‏@GeorgieBC 6h 
Maduro immediately accepted complete audit: “Let’s do it! No problem.”

A estratégia de Capriles se anunciava desde a manhã da eleição: antes que o primeiro voto fosse contado, ele denunciou no twitter que Maduro ia roubar a eleição.

Clique aqui para ler umas tantas verdades sobre o grande democrata Capriles.

O objetivo de Capriles, desde já, é transformar Maduro num presidente ilegítimo.

Porque, já o definiu como um incompetente, um despreparado.

(Foi o que pensava a Folha, que saiu tosquiada.)

Como, aqui, se disse e diz do Lulilma: despreparado, incompetente, que “dá para fazer mais !”.

Só eles sabem governar…

Sabem governar, sobretudo, o petróleo.

A Venezuela tem a maior jazida de petróleo do mundo.

Chávez criou um fundo para usar o dinheiro do petróleo em programas sociais.

Os tucanos, aqui, por exemplo, queriam fundar a Petrobrax, e entregar o pré-sal à Chevron.

É o que está em jogo na Venezuela – e aqui, amigo navegante: com quem fica o petróleo ?

Com os tucanos/americanos ou com o povo ?

Aqui, a Dilma quer entregar o dinheiro do pré-sal à Educação.

Se o Sérgio Cabral, gentilmente, permitir, antes de nomear a filha do Fux desembargadora.

Clique aqui para votar na trepidante enquete “quem é mais talentosa – a filha de Cerra ou de Fux ?”; e aqui para ler “escolha de ministro do Supremo tem que ser no pau”.

Clique aqui para ler “Dilma vai ter que ajudar Maduro a evitar o Golpe na TV”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

15 de Abril de 2013 09:11

Maduro agradece a Lula. Dilma vai ter que ajudar

por redacao
 

Dilma vai ter que ajudar a evitar o Golpe.

Clique aqui para ver a manchete do PiG venezuelano nesta manhã de segunda feira.

O primeiro passo da estratégia do Golpe é não conferir legitimidade à vitória de Maduro.

Como se sabe, o sistema de votação na Venezuela é mais seguro e democrático que o brasileiro.

Mais democrático, porque permite a conferência do voto eletrônico com o “papelzinho” do Brizola.

O jenial voto eletrônico brasileiro, sem conferência, é obra prima do Nelson Johnbim e do Eduardo mensalão tucano Azeredo, com esse sub-produto: permitir a fraude inconferível de uma eleição.

Aqui, se o Cerra perdesse por essa diferença do Capriles, e como não há como recontar os votos, o Cerra ganhava na crise.

Ele instalava uma crise institucional na Globo e o Supremo o elegia.

Mais ou menos como o Bush filho fez na primeira eleição.

Ganhou com a TV Fox e o Supremo.

Na Venezuela é diferente.

Lá o Golpe, começa na televisão, como já fizeram com Chávez.

Maduro pode ser deposto na Globovisión: Globo de lá.

Ou pelo Cisneros, o sub-Globo.

Porque, como se sabe, na Venezuela há mais liberdade de expressão do que no Brasil.

(Clique aqui para ver como Maduro tosquiou a Folha (*).)

O Supremo da Venezuela foi saneado por Chávez.

Portanto, a possibilidade de um Golpe Supremo, como no Paraguai e em Honduras, é menor.

O Golpe vai ser televisivo.

E, como lá existe uma embaixada americana, com a ajuda a embaixada americana.

Porque, como diz o Correa do Equador, nos Estados Unidos não tem Golpe porque não tem embaixada americana.

A associação comercial do Brasil com a Venezuela é inevitável e estratégica, para os dois países.

Independente dos governantes, lá e cá.

A ajuda da Dilma tem que ser outra.

Preventiva.

Mostrar que não vai ter Golpe contra Maduro.

E a primeira demonstração disso será ir à posse de Maduro, com pompa e circunstância, na companhia do Nunca Dantes.

A quem o Maduro fez questão de agradecer, no discurso da vitória.

Leia o artigo de Rodrigo Vianna, escrito logos após a oficialização da vitoria:

A vitória apertada e o trunfo de Maduro


por Rodrigo Vianna

A vitória do chavismo foi apertada. Mas incontestável: Nicolás Maduro teve 50,66%, contra 49,07% de Capriles (isso faltando menos de 1% para totalizar). Diferença de mais de 200 mil votos.  A Venezuela votou no candidato de Chavez. Na Democracia é assim: 50% mais um significam vitória. E ponto.

Ano passado, nos EUA, Barack Obama ganhou a reeleição por dois pontos percentuais no voto popular. Foi uma eleição radicalizada. Do outro lado, havia eleitores republicanos que consideravam Obama uma espécie de “demônio socialista”, por conta do projeto de assistência pública de saúde. Os EUA viraram um país “dividido” e “ingovernável”? Não. Obama governa. E Mitt Romney sumiu, no fundo das xícaras do Tea Party.

A diferença é que nos EUA não há embaixada americana para fomentar golpe e instabilidade…

Isso quer dizer que a vida de Maduro será fácil? Não. A direita venezuelana mostrou força. A tendência dos chavistas, de tratar todo adversário como “fascista” e “oligarca”, não cola. Metade do país é fascista? Maduro terá que moderar o discurso…

Chavez tirou o Estado (e o petróleo) das mãos da oligarquia, criou programas sociais, deu dignidade para os pobres. Isso tudo é fato. Vi de perto, em quatro viagens à Venezuela nos últimos cinco anos. Mas há problemas sérios de gestão. E isso ficou claro desde a primeira vez que visitei Caracas, em 2007.

Desde aquela época, escrevi: a oposição, com 45% dos votos (era o que conseguia, na época), tem força para fazer a disputa democrática, em vez de apelar para o golpismo.

E aí vamos ao segundo ponto. A derrota por margem estreita tira o argumento daqueles que – em Caracas, em Washington ou no Jardim Botânico carioca – afirmam: a Venezuela chavista é uma ditadura. Bobagem. A oposição tem força midiática, presença nas TVs e jornais, liberdade de organização. E há um esquema limpo para contagem de votos.

O resultado, por margem estreita, é um chamado para a moderação. De lado a lado. A vitória apertada porde ser um trunfo de Maduro, na legitimação de seu governo. Só que os chavistas precisam agora dialogar com o centro, com aqueles que até apóiam as políticas sociais do governo – mas estão insatisfeitos com a gestão do dia-a-dia. Em Caracas, por exemplo, há problemas sérios nas áreas de segurança, coleta de lixo, transporte…

Capriles deveria apostar no institucional, cobrando que o governo resolva os problemas concretos da população. Os tempos de subir no muro da Embaixada cubana e de fomentar golpes acabaram. Será que Capriles terá grandeza para assumir o novo papel? O problema é que parte da oposição quer golpe e confronto. E o outro problema são os gringos, acostumados com o jogo sujo. Nos últimos dias, surgiram indícios de que a CIA pode ter infiltrado mercenários armados na Venezuela.

Maduro, por seu lado, terá que enfrentar uma burguesia e uma classe média furibundas (é esse o núcleo duro da oposição, com 30% a 40% dos votos) e, ao mesmo tempo, dialogar com aqueles 10% a 15% que votaram em Capriles mas não são “oligarcas” antipovo.

Não basta mais invocar a figura de Chavez apenas. O presidente morto levou Maduro até o Palácio. Agora Maduro é quem precisa escrever sua história.

Não podemos descartar que setores da oposição partam para campanhas abertas de desestabilização nos próximos dias. Mas será difícil justificar atos de violência quando – pelo voto – a oposição foi capaz de “quase” ganhar.

Contraditoriamente, portanto, a aparente fragilidade de Maduro (“ganhou por apenas 2 pontos”) é também sua força estabilizadora. A Venezuela é uma democracia. E deve ser respeitada como tal.

O Brasil terá um papel importante, rechaçando qualquer tentativa de ataque “por fora” da Democracia.

Fiquemos atentos. E não esqueçamos: em Caracas, há embaixada dos Estados Unidos. Fonte de golpes e instabilidade na história da América Latina.

Nos próximos meses também podem aparecer mais detalhes sobre o câncer que matou Chavez. A Venezuela segue a ser o centro de uma batalha continental. Os Estados Unidos querem retomar o velho quintal…

PS: assim que acabei de escrever esse texto, já na madrugada de segunda-feira, Henrique Capriles anunciou que não reconhecia os resultados eleitorais; vai pedir recontagem total de votos. Joga na instabilidade, o que na verdade pode tirar dele parte do eleitorado (não chavista, mas tampouco antichavista). É uma jogada arriscada. E que pode incendiar a Venezuela. Difícil acreditar que Capriles tome essa direção sem apoio externo daqueles que já fizeram tombar governos legítimos em Honduras e no Paraguai. Espero estar errado, mas acho que tempos difíceis nos aguardam na América do Sul. E esse clima pode “contaminar” o Brasil.

——

Paulo Henrique Amorim

Wladimir Crippa: Contra o vigilantismo na internet, o Partido Pirata

por Conceição Lemes
 

por Wladimir Crippa, via e-mail

Um espectro ronda a internet: o espectro do vigilantismo. Hollywood e governos; a indústria de games e a da música; FBI e CIA; empresas de telecomunicações e meios tradicionais de mídia; todos se unem para pensar e implementar formas de vigiar, controlar, moldar a internet, esta grande rede de pessoas. Controlar eu e você.

São as forças da reação, no sentido literal da palavra, que buscam reagir e tentar impedir estas transformações trazidas pela revolução digital. Esta revolução silenciosa que está mudando as formas de trabalhar, de produzir, de se comunicar e relacionar socialmente. Este processo que possibilitou que nos tornássemos muito mais do que apenas consumidores de informações: tornou-nos também produtores.

A revolução digital está realizando um empoderamento como nunca visto na história da humanidade. Não apenas nos comunicamos, mas também podemos criar, recriar, transformar, inventar, inverter! O bombardeio de informações a que estamos todos submetidos tem levado muitos a questionar também coisas que não eram questionadas. Pessoas que eram completamente alheias ao que ocorre no mundo e no Brasil, na sua cidade, e que agora questionam e se perguntam se as coisas não poderiam ser de outra forma.

Estas forças da reação, percebendo que isto está acontecendo sem que elas possam ter o controle, apresentam-se como defensoras da propriedade intelectual, do direito autoral, da guerra contra a pirataria, da luta contra o terrorismo etc e, usando este discurso, apresentam suas soluções: vigilância, controle do que os usuários acessam, restrições a conteúdos.

Ocorre que esta revolução digital, que gerou o livre compartilhamento de arquivos em escala de massas, a impressão em 3D, o software livre, o hacktivismo, o bitcoin, criou também as condições para a criação dos partidos piratas, que surgem questionando a propriedade intelectual e os direitos autorais, mas também questionando o sistema baseado na democracia representativa, a falta de transparência nos governos (quando a tecnologia pra tornar a atividade administrativa totalmente transparente está aí), propondo o debate da democracia direta, da democracia líquida e, o mais importante: um posicionamento firme em defesa dos direitos civis e das liberdades individuais.

Para os piratas, está bem claro o que está em jogo: a defesa da propriedade intelectual e do direito autoral só é possível com a violação da privacidade individual, com o estabelecimento de um sistema gigante e complexo de vigilância da atividade dos usuários na internet. Não há outra forma!

Nos seus 7 anos de existência, o movimento de partidos piratas chegou a cerca de 80 países, e, onde já se legalizou, vem sendo bem sucedido eleitoralmente. Na Alemanha já são 43 deputados; no Parlamento Europeu, um deputado e uma deputada, eleitos pelo Partido Pirata da Suécia, o primeiro a ser fundado no mundo; na República Tcheca, um senador; na Suíça, um prefeito; cerca de uma centena de vereadores espalhados pela Europa; nas eleições para o parlamento da Islândia, daqui a duas semanas, os piratas aparecem com 8% de intenção de votos. Aqui, as velas também foram içadas e o Partido Pirata do Brasil está em processo de legalização, após ter feito sua primeira convenção nacional ano passado. Todos e todas estão convidados a subir à bordo desta experiência colaborativa na política.

Wladimir Crippa, tesoureiro geral do Partido Pirata do Brasil – PIRATAS

Leia também:

Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores”

CartaCapital: O confronto entre o papel e a rede

O post Wladimir Crippa: Contra o vigilantismo na internet, o Partido Pirata apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

7 horas atrás

Heitor Costa: O modo socialista de governar Pernambuco

por Luiz Carlos Azenha
 

O modo socialista de governar: caso de Pernambuco (I)

por Heitor Scalambrini Costa*

Pernambuco, estado de grandes tradições libertárias, encontra-se hoje governado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Nascido há 65 anos, teve sua existência interrompida pela ditadura militar por 20 anos (1965-1985), retomando suas atividades em 1985.

Teve como presidente, a partir de 1993, Miguel Arraes de Alencar, e desde 2008 até hoje quem o preside é seu neto, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Em sua página na internet, o manifesto do PSB tem como lema “Socialismo e Liberdade”, e apresenta 11 princípios que o orientam. Cabe mencionar o item VII, que afirma que “o objetivo do Partido, no terreno econômico é a transformação da estrutura da sociedade, incluída a gradual e progressiva socialização dos meios de produção, que procurará realizar na medida em que as condições do País a exigirem”.

Verifica-se neste ponto, a maior contradição entre o que está escrito e o que se pratica (dizer e fazer).

Nunca é tarde para lembrar que uma das diferenças fundamentais entre o capitalismo e o socialismo, é que este propõe a socialização de todas as formas produtivas, como indústrias, fazendas, etc, que passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado, não concentrando a riqueza nas mãos de alguns.

Portanto, socialismo é sinônimo de uma sociedade que aboliu a propriedade privada capitalista dos meios de produção, os quais passam a serem propriedades cooperativas ou coletivas dos criadores das riquezas, os trabalhadores.

Bem, vejamos o caso de Pernambuco, cujo governador socialista é o presidente do PSB.

Eleito em 2005 e reeleito em 2010, possui hoje um dos maiores índices (senão o maior) de aceitação popular entre os governadores da República. Seu governo é mostrado ao país e exterior como gestão eficiente, moderna, democrática e transparente.

Uma atuação midiática (ai sim, eficiente) pulverizada pelo Brasil, sem contenção de recursos financeiros, mostra dia após dia uma agenda positiva, de grande gestor, jovem, dinâmico, competente, atraindo empresas para Pernambuco, em particular para o Complexo Industrial Portuário de Suape. Além do amplo respaldo da grande mídia estadual com histórica tradição adesista (não importa qual governo).

Conta com interlocutores no grande empresariado nacional, na siderurgia (em particular), energia, banqueiros, no setor industrial em geral e no comércio. Permitindo assim que circule e seja bem aceito no universo das grandes corporações.

Portanto, aceito pelo povo e pelos empresários, este seria o homem certo para governar o País?

Vejamos como pensa e age este político de berço, conforme seus interesses que hoje se concentram em viabilizar sua candidatura à presidência da República.

De inicio, o fato de falar em nome de um Partido Socialista que propõe a transformação estrutural da sociedade com a socialização dos meios de produção, e sua ação à frente do Executivo pernambucano, demonstra o quanto há de propaganda enganosa, em sua gestão e no partido que comanda.

Como ex-integrante do governo Lula, foi ministro de Ciência e Tecnologia (MCT) de janeiro de 2004 a julho de 2005, em substituição ao ministro Roberto Amaral (também do PSB, o mesmo que publicamente declarou que o Brasil deveria construir sua bomba atômica).

Na sua curta passagem pelo MCT defendeu a ampliação das atividades nucleares no País, realizando a revisão e o soerguimento do Programa Nuclear Brasileiro. Apoiou financeiramente a reestruturação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Como governador defende a instalação de uma usina nuclear em Pernambuco.

Além disso, articulou e foi um dos maiores defensores, juntamente com Ministro da Agricultura da época, Roberto Rodrigues, do uso das sementes transgênicas, sem que se levasse em consideração o principio da precaução, da prevenção e dos possíveis riscos desta tecnologia. A votação da lei 11.105/05, que instituiu a Política Nacional de Biossegurança, chegou ao seu desenlace de forma revoltante para os movimentos ambientalistas e sociais, e para muitos cientistas.

Na verdade foi uma traição (mais uma) do governo Lula ao seu programa eleitoral, onde uma visão de prudência sobre a transgenia aparecia em 3 capítulos: o do meio ambiente, o da saúde e o do Fome Zero.

Com esta lei, pela primeira vez foi aberta uma exceção para a obrigatoriedade do licenciamento ambiental, que somente será exigido quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) assim decidir.

Desde sua criação, em 2005, a CTNBio nunca exigiu licenciamento ambiental para a pesquisa e produção de organismos geneticamente modificados (OGMs).

Em 2012, a produção de soja geneticamente modificada no Brasil (chamada popularmente transgênica), alcançou 89% do total produzido, enquanto que do total de milho a produção transgênica chegou a 85% da área plantada.

Ao se candidatar ao governo de Pernambuco, o discurso de Campos era de lutar contra a guerra fiscal, pois na época afirmava que ela destrói a República, o federalismo. Atualmente, participa ativamente do aprofundamento da guerra fiscal.

Nesta guerra com outros estados pela conquista de empreendimentos, é corriqueiro realizar renúncias tributárias, financeiras e creditícias, sem que a sociedade pernambucana se dê conta do montante do comprometimento das receitas futuras. É comum também oferecer como contrapartida a um empreendimento, a realização das obras de terraplanagem ou de acesso viário.

Para contornar as exigências do serviço público, como a elaboração de projeto básico e executivo e licitações, o Estado acaba financiando a obra, sem a cobrança de juros. A criação do Proinfra em 2011 prevê a concessão de descontos no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e funciona de maneira cumulativa com outros incentivos.

Para o desenvolvimento do estado (talvez para o país?) sua proposta é de crescimento predatório, com completo desrespeito à natureza, ao meio ambiente.

Em Pernambuco nunca se desmatou tanto em tão pouco tempo, como em seu governo. Em 27 de abril de 2010 foi aprovado pela Assembléia Legislativa de Pernambuco o projeto de lei do Executivo número 1.496/2010, que autorizou o desmatamento de 691 hectares (508 de mangue, 166 de restinga e 17 de mata atlântica).

Inicialmente se previa — por pressão popular foi reduzido — desmatar 1.076 hectares (área total equivalente a 1.000 campos de futebol) de vegetação nativa: 893,4 hectares de mangue, 17,03 de mata atlântica e 166,06 de restinga, para a ampliação do Complexo de Suape.

A votação foi simbólica, do tipo em que deputados favoráveis permanecem sentados e os do contra ficam em pé. Com ampla maioria no Legislativo estadual, Campos não teve nenhum problema para aprovar o desmatamento.

Também recentemente a lei número 14.685/2012, de 31 de maio, foi aprovada, prevendo o desmatamento de área correspondente a 1.500 campos de futebol, da caatinga que está na rota da obra de transposição do rio São Francisco.

A justificativa foi de integrar os eixos norte e leste com as bacias hidrográficas de 8 municípios pernambucanos. Trata-se do maior desmatamento de vegetação nativa já legalizada em nível estadual. Neste caso o governo propõe o desmatamento e ele próprio autoriza, visto que a bancada governista na Assembléia Legislativa é majoritária.

Mesmo com as promessas de compensação ambiental (como se fosse possível!!!), e com ampla propaganda enganosa na mídia — de que o meio ambiente está sendo preservado — o que se verifica na realidade é que as exigências feitas pelo Ministério Público Estadual em relação aos Termos de Compromissos assinados entre as partes, para efeitos de compensação e recuperação ambiental, não são cumpridos integralmente em Suape (cumpridos somente na propaganda).

Até hoje o MPE não sabe onde exatamente houve este replantio de mais de 1 milhão de hectares anunciados pela propaganda oficial, com ampla divulgação, em página dupla, nos três jornais de maior circulação no Estado, em 17 de janeiro de 2012.

No que concerne à devastação da caatinga, nem mesmo a compensação ambiental foi anunciada. Verdadeiro crime contra a natureza (e com as pessoas que necessitam dela) está ocorrendo em Pernambuco.

Além da destruição ambiental em Suape e no Sertão, outra violência esta sendo cometida contra os moradores daqueles antigos engenhos onde se localiza o Complexo de Suape. Os direitos de mais de 15.000 famílias estão sendo violados com a omissão dos órgãos que deveriam zelar pelo cumprimento das leis, mas que fazem “vista grossa”.

A retirada do que a Administração de Suape denomina “posseiros” (há controvérsia jurídica a respeito) tem sido através da força e da violência. O que se caracteriza como uma enorme injustiça.

Ao não levar em conta, para efeitos de indenização, o valor da terra, e somente as benfeitorias, os valores pagos resultam irrisórios (em março de 2012 um hectare na região valia em torno de R$ 500.000,00). As indenizações variam de R$ R$ 12.000,00 a R$ R$ 40.000,00 para sítios de 5 a 10 hectares, sendo pagas depois de os moradores serem expulsos dos locais onde praticavam a agricultura familiar ou viviam da pesca artesanal.

Estas denúncias estão devidamente documentadas e já foram entregues ao MPE, ao governo do Estado, à presidência da empresa Suape, entre outros órgãos, sem que os mesmos averiguassem e/ou respondessem aos agredidos. Estas pessoas invisíveis aos olhos da sociedade merecem respeito.

Também se constata uma triste realidade nas cidades que fazem parte do entorno de Suape, nos aspectos de moradia, mobilidade, saúde, educação, lazer, violência urbana…

As denúncias dos moradores estão sendo apresentadas repetidas vezes na mídia estadual, que frente à eminência de convulsão social nestas cidades fica impossibilitada de omitir os descalabros vividos pelos habitantes. No que se refere aos quase 50 mil trabalhadore(a)s vindos de todo o Brasil, as condições de trabalho são deploráveis, conforme denúncias dos sindicatos.

As greves sucessivas por melhores salários e condições de vida mostram como, em pleno século XXI, os operário(a)s são tratados.

Outro grave e recorrente problema, que atinge os 2/3 dos municípios pernambucanos, é a seca. Ano após ano constata-se o abandono de políticas públicas estruturantes que possibilitariam ao conjunto dos agricultores familiares minimizar o sofrimento com a perda da produção e rebanhos dizimados devido à inércia dos governos municipal, estadual e federal, que não atenderam em tempo hábil à demanda destas populações.

Estamos vivenciando a pior seca das últimas décadas no Nordeste. Currais vazios, sítios abandonados, pequenos produtores à beira do desespero na bacia leiteira pernambucana. Mas a propaganda exacerbada na grande mídia mostra o crescimento econômico de Pernambuco para alguns, com um conceito já vivido na década de 70, em plena ditadura militar, de “que é necessário o bolo crescer, para depois dividí-lo”. Este modelo se reproduz em Pernambuco.

O Estado tem hoje mais de 120 municípios em situação de emergência e 1,1 milhão de pessoas sofrendo os efeitos da seca. A situação é muito grave. Famílias estão passando por sérias necessidades, porque não conseguem produzir. Falta água, principalmente. Ano a ano se repete a conduta do governo frente à tragédia humana que a seca acarreta.

Há anúncios de carros pipas, de milhares de reais que nunca chegam e acusações de que o governo federal abandona os sertanejos, além do discurso populista ao lado de ex-lideranças da sociedade civil, agora funcionários do governo.

Mas o que contrapõe de forma inequívoca o discurso da modernidade gerencial, da transparência, é o grau de nepotismo que impera no governo estadual. Existe uma ramificação de parentes, contraparentes que estão instalados nos diversos escalões da administração pública.

A semelhança do governo de Pernambuco com as tradicionais oligarquias nordestinas, que sempre confundiram o público e o privado, não é mera coincidência. Ela existe largamente na administração do Estado. É o neo-coronelismo presente.

O próximo artigo vai abordar as políticas públicas estaduais adotadas (saúde, educação, transporte, seca) nestes 6 anos de governo, e os impactos na qualidade de vida dos pernambucanos. Será analisado o porquê de Campos ter uma gestão tão bem avaliada pela população.

*Professor da Universidade Federal de Pernambuco

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Viomundo mostra que Eduardo Campos tem parentes no governo

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8 horas atrás

Breno Altman: Os obstáculos diante do chavismo

por Luiz Carlos Azenha
 

Venezuelanos tem acesso à sua Carta Magna em qualquer lugar do país, até mesmo nas ruas com ambulantes, como mostra o registro do repórter fotográfico Joka Madrugado ComunicaSul.

ELEIÇÃO NA VENEZUELA

15/04/2013 – 11h20 | Breno Altman | Caracas

Vitória de Maduro é incontestável, mas representa novos desafios

Próxima etapa da revolução bolivariana deverá combinar participação estatal com capital privado, nacional ou estrangeiro

por Breno Altman, no Opera Mundi

O resultado eleitoral venezuelano, com o triunfo do candidato chavista, é fato político amparado pela Constituição local. A reduzida vantagem de Nicolás Maduro sobre o direitista Henrique Capriles, inferior a trezentos mil votos (menos de 2% dos apurados), não anula a legitimidade do processo ou do mandato conquistado nas urnas.

Com mais de 50% dos eleitores sufragando o sucessor de Hugo Chávez, a regra democrática está sendo seguida à risca. A maioria, mesmo por escassa margem, tem o direito de decidir o destino nacional.

A oposição conservadora pode estrilar e urrar, o que também está dentro do jogo, desde que não volte a recorrer ao golpismo e à violência. Mas não há qualquer elemento concreto e provado que coloque sob suspeita a peleja institucional deste domingo (14/04).

A história, diga-se, está cheia de situações semelhantes. Na mais célebre entre essas, nos Estados Unidos, John Kennedy (assassinado em 1963) venceu Richard Nixon, em 1960, por apenas 0,1% dos votos. Quem venceu, levou. Quem foi derrotado, voltou para a fila. Ou para o submundo do magnicídio.

Hugo Chávez atravessou cenário parecido quando perdeu, por menos de vinte mil sufrágios, referendo sobre emenda constitucional, em 2007. Apesar de vários assessores tentarem convencê-lo a pedir recontagem, preferiu reconhecer, de pronto, a vitória de seus adversários. A propósito, sua única derrota em dezessete disputas pelo voto popular no período de catorze anos no qual governou.

O respeito à soberania das urnas e sua defesa perante possíveis ataques, porém, não podem eximir os dirigentes bolivarianos de uma análise acurada sobre os motivos que levaram, em apenas seis meses, à redução importante de sua base eleitoral. A revolução amealhou 700 mil votos menos do que em outubro de 2012, enquanto Capriles arrebanhou 570 mil a mais. Parte dos eleitores chavistas não foi votar. Outra fatia, no entanto, trocou de lado.

Sobram razões, como se vê, para que a pulga esteja atrás da orelha.

Claro que, sem o carisma do ex-presidente, a esquerda ficou mais vulnerável à mídia e, sem sua voz, é capaz do discurso de enfrentamento ter soado excessivamente duro para alguns segmentos mais volúveis. Eventuais ações de sabotagem contra o setor elétrico e outras áreas do cotidiano, denunciadas pelos governistas desde o início da campanha, também podem ter auxiliado nesta sangria, ao lado de casos crônicos de maus serviços e corrupção. Talvez seja o caso, contudo, de buscar resposta mais estrutural, como assinalou o próprio presidente eleito logo depois da apuração, ao conclamar o país à “renovação da revolução bolivariana”.

Nova etapa da revolução



Há muitos indícios de que o primeiro ciclo deste processo tenha se esgotado. Desde que assumiu a liderança venezuelana, em fevereiro de 1999, Chávez concentrou seus esforços administrativos em transferir a parte mais expressiva dos excedentes petroleiros para programas sociais, universalização de direitos e outras iniciativas de distribuição da renda. Os resultados foram eloquentes. Andando na contramão do receituário neoliberal, a Venezuela passou a ser a nação menos desigual da América do Sul, o analfabetismo foi liquidado e a pobreza drasticamente reduzida.

Uma das consequências deste caminho foi a vasta ampliação do mercado interno, como força propulsora da economia, mas aprofundando o desequilíbrio histórico entre o ritmo de expansão do consumo popular e a velocidade do crescimento da produção agrícola e industrial. O modelo da dependência petroleira, que sempre inibiu o desenvolvimento interno venezuelano, não era o alvo principal nos primeiros dez anos de chavismo, apesar de várias iniciativas importantes terem sido tomadas. A questão estratégica era repartir os frutos da exploração do ouro negro a favor dos mais pobres.

Neste quadro, a aceleração da demanda provocou fortes pressões inflacionárias e sobre a balança comercial, com as importações minguando as reservas cambiais. A esse desarranjo se soma o espetacular subsídio para a compra de gasolina no mercado interno, que alguns cálculos apontam como equivalente a 10% do faturamento da PDVSA, a gigante estatal do petróleo.

No programa eleitoral de 2012, Chávez já tinha deixado claras estas dificuldades e anunciou um ambicioso programa de desenvolvimento produtivo. Não viveu o suficiente para dar cabo desse objetivo, que caberá a Maduro enfrentar. Concluído o ciclo inicial de resgate da dívida social, os capítulos seguintes dependerão fundamentalmente dos músculos da economia não-petroleira, de sua capacidade para gerar oportunidades, empregos e renda. Sem essa plataforma, as reformas distributivistas possivelmente ficariam, doravante, mais expostas a problemas de financiamento.

O novo presidente terá que enfrentar inúmeros e urgentes desafios neste terreno. Com as camadas populares ampliando rapidamente seu poder aquisitivo, passaram a ser usuais crises de escassez, tanto de mercadorias e serviços quanto de energia elétrica e água, amplificadas pela fuga de capitais como mecanismo de chantagem das oligarquias. A conta política pode ter sido apresentada nessas últimas eleições.

Para desatar esses nós, Maduro precisará estabelecer estratégia que combine participação estatal com capital privado, nacional ou estrangeiro, estabelecendo marco regulatório que enfrente os dilemas de infraestrutura e produção. A receita com o petróleo, na ponta do lápis, não permite ao Estado fazer todos os investimentos necessários, no prazo que ruge. Essas preocupações, aliás, foram lançadas pelo ex-sindicalista na noite de sua vitória, em que também destacou a necessidade de uma nova cultura de gestão, contraposta à ineficiência, ao burocratismo e ao desperdício do dinheiro público.

Ampliação do voto chavista

A implementação de programa desta envergadura, por fim, poderia ajudar a formar uma nova maioria, que fosse além dos limites atuais do voto chavista, atraindo inclusive pequenos e médios empresários que se sentiram desatendidos ou até ameaçados pela primeira etapa do processo bolivariano, quando todas as energias se voltaram para transferir renda do petróleo aos setores mais despossuídos. E essa maioria ampliada também seria fundamental para apoiar medidas amargas que venham a ser tomadas na reorganização da economia.

A legítima vitória de Nicolás Maduro, nessas circunstâncias, eventualmente serviu de alerta para os problemas que rondam a revolução que passou a chefiar, a maior parte deles provocada pelo sucesso inequívoco das políticas de Chávez em construir um sistema de mais justiça social.

Breno Altman é jornalista, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel

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8 horas atrás

Sidney Skiante: A História que não pode continuar secreta

por Luiz Carlos Azenha
 

Ontem, hoje e sempre… do lado certo (ilustração inserida pelo Viomundo, quando a Época, revista das Organizações Globo, festejava Demóstenes, o impoluto)

por Sidney Skiante, via Facebook

Conheci um certo professor de História do Ensino médio do Colégio de Aplicação da UFSC. Tem como metodologia de trabalho com seus alunos ler os jornais de circulação na cidade diariamente. Pinça certas manchetes e artigos. Consegue, com certa habilidade, fazer a ponte entre os acontecimentos atuais envolvendo com os acontecimentos de um passado não muito distante.

O povo que não conhece seu passado (principalmente aquele não muito distante) não sabe para onde deseja ir e, aí… qualquer caminho serve. E este qualquer caminho é o que interessa as forças dominantes.

Cabe então a uma outra parcela da sociedade (no qual entendo que a imprensa alternativa tem um papel fundamental) necessariamente tem que “acordar”…

Bom fiz minha introdução, agora gostaria de resgatar um pouco desta nossa história recente. Trata-se da certidão de nascimento da Rede Globo. É estarrecedor compreender este “chão” onde pisamos hoje. Além do livro publicado (A História Secreta da Rede Globo) existe alguma pesquisa sobre a dita CPI? Observem o trecho que peguei:

O diretor dos Diários Associados, deputado federal e presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, João Calmon em 13/94/1966 depondo na CPI que investigou as ligações entre a Globo e o Grupo Time-Life: “E esta é uma guerra — não é uma guerra quente, mas um episódio da guerra fria. Entretanto, se perdemos neste episódio, o Brasil deixará de ser um país independente para virar uma colônia, um protetorado. Muito mais fácil, muito mais cômodo e muito mais barato, não exige derramamento de sangue, controlar a opinião pública através dos seus órgãos de divulgação, do que construir bases militares ou financiar tropas de ocupação”.

Roberto Marinho disse em 20/04/1966, depondo na CPI que investigou as ligações entre a Globo e o Grupo Time-Life: “As empresas jornalísticas sofreram, mais talvez do que quaisquer outras, certas injunções, como depressões políticas, acontecimentos militares. Os prognósticos que estamos fazendo na TV Globo dependem muito da normalidade, da tranqüilidade da vida brasileira. Esses planos podem ser profundamente alterados, se houver um imprevisto qualquer ou advir uma situação que não esteja dentro dos esquemas traçados, como se vê nas operações de guerra”.

Boa parcela da população brasileira não consegue fazer a leitura do dito professor… Quem é a mídia hoje e de onde vem …

Fica meu registro e desabafo! Abraço …

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Requião: José Dirceu achava que a Globo era “dele”

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9 horas atrás

Pensamento único: Dilma e a volta do dragão da inflação

por Luiz Carlos Azenha
 

por Luiz Carlos Azenha

Não entendo de economia, mas de mídia tenho alguns anos de estrada.

Exemplo acabado da manifestação do pensamento único: página 2 da Folha de S. Paulo, 15.04.2013.

Colunista Um da Folha:

De cada 100 brasileiros aptos a comparecer às urnas em outubro do ano que vem, 40 tinham menos de 16 anos ou nem haviam nascido quando o Plano Real liquidou a superinflação. Para essa fatia do eleitorado, é fraca a memória de preços galopantes, corridas aos supermercados no dia do pagamento e estresse cotidiano com o valor do dinheiro no banco.

Aécio Neves, candidato presidencial do PSDB, em sua coluna na mesma página:

O PT sempre foi permissivo com a inflação. Basta lembrar que se posicionou contra o Plano Real, instrumento que derrotou a inflação e fez o país entrar numa era de prosperidade*. Os mais jovens não conheceram os dias difíceis vividos pela geração de seus pais e avós nos anos 80 e 90, quando os preços mudavam todos os dias nos supermercados e alcançavam a estratosfera.

Colunista Dois da Folha, na mesma página:

Trágico, porém, é notar que o governo descobriu, tardiamente, que uma inflação girando na casa de 6% durante tanto tempo criou resistência para sua queda. E gera um risco de reindexação da economia. Parece ter acordado apenas depois que a inflação alta caiu na boca do povo**. Deixou de ser um debate entre economistas e passou a fazer parte do cotidiano dos eleitores. Nada pior às vésperas de uma eleição presidencial.

Aécio Neves, candidato presidencial do PSDB, na mesma página:

A alimentação no domicílio saltou cerca de 14% em 12 meses. O bom humor dos brasileiros fez a disparada do preço do tomate virar piada nacional. Mas podia ser a farinha da mandioca, que teve crescimento de 151% em um ano***. O impacto é maior entre as famílias mais pobres. Elas gastam do seu orçamento com comida e bebida bem mais que as famílias mais ricas.

O que eu, Azenha, quero dizer é óbvio: ninguém iria notar se trocassemos de lugar as colunas da Folha ou alterassemos as assinaturas dos colunistas.

A ideia é a mesma: o PT e Dilma Rousseff vão pagar caro se não combaterem duramente a inflação via aumento dos juros.

Pregam, aparentemente, uma freada de arrumação na economia, faltando pouco mais de um ano para a eleição presidencial.

Falam, como sempre, em nome dos mais pobres, dos mais “sacrificados” pela inflação.

Ninguém se dá ao trabalho, como o bom jornalismo pede, de ao menos se perguntar: Há outra maneira de enfrentar o problema que não com aumento de juros? O que mudou na economia brasileira e, portanto, nas receitas do combate à inflação, desde que o Plano Real foi adotado? Os brasileiros estão dispostos a conviver com uma inflação ao redor dos 6% se isso não prejudicar o crescimento econômico? Pobre prefere perder com a inflação ou com o desemprego?

Eu, que nada entendo de economia, acho fascinante a “coincidência” entre o discurso de um candidato à presidência da República pelo PSDB e dois colunistas da Folha, praticamente no mesmo espaço.

Dias atrás, ouvindo a rádio CBN, testemunhei uma conversa entre Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na qual ambos falavam sobre… a inevitabilidade de um aumento na taxa de juros para combater a inflação galopante.

Um deles avançou ao ponto de dizer que, a essa altura, um aumento na taxa de juros deixaria claro o fracasso da política econômica do governo Dilma, que em parte se baseou… na queda da taxa de juros, vendida aos eleitores e à população em geral como um estímulo ao bem estar do País.

Ou seja, se os juros subirem e houver uma freada econômica, Dilma será castigada pelo crescimento anêmico; se os juros ficarem na mesma e a inflação idem, será castigada por permitir a volta do dragão, por pisar no tomate e outros males dos quais, como admitiram tanto o colunista da Folha quanto o candidato do PSDB, boa parte dos eleitores nem se lembra mais. Neste caso, podem contar com aquela reportagem clássica do Jornal Nacional trazendo de volta as máquinas de remarcação de preços e os fiscais do Sarney.

O certo é que, quando José Dirceu acreditava ter uma TV “sua”, a Globo, cometeu um erro que hoje pode ser atribuído à esmagadora maioria do PT. A grande mídia aliada dos tucanos e financiada fartamente pelos governos petistas pauta os debates nacionais, empareda o governo, promove ou exagera crises (depois do inevitável apagão, veio a crise do tomate) e deixa os governos trabalhistas eternamente na defensiva.

Promover a diversidade de conteúdos é muito mais que garantir uma eventual vitória eleitoral. É razão de Estado na defesa de uma democracia que vá além do que pregam, em uníssono, colunistas tucanos e tucanos colunistas.

*A prosperidade citada por Aécio foi tanta que FHC, no segundo mandato, entregou o Brasil ao FMI.

**Também, como a inflação não cairia na boca do povo depois daquele show da Ana Maria Braga?

*** Vem aí a crise da tapioca.

Leia também:

Altamiro Borges: Um colar de tomates a serviço da alta dos juros

Jorge Vianna: “Há uma campanha em curso para os juros subirem”

Montagem do Bastidores da Mídia, no Facebook:

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Maduro alerta que extrema direita prepara golpe de Estado na Venezuela

por Daniel Dantas Lemos
 
Nicolas Maduro, eleito presidente da Venezuela

Publicado originalmente na Carta Potiguar

No site da Telesur

O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, responsabilizou nesta o ex-candidato antichavista, Henrique Capriles Radonski, pelos atos violentos que aconteceram na tarde desta segunda e alertou que a extrema direita do país se prepara para um golpe de estado.

Em uma conferência de imprensa com os meios nacionais e internacionais no Palácio de Miraflores, Maduro denunciou as palavras ditas por um representante da ala política mais conservadora do país, Julio Borges, que galou “da morte da Revolução”.

“Quando o dirigente da burguesia Julio Borges, fala da morte da Revolução, isso se traduz em um golpe de Estado. Eles vão chamar uma greve geral, vão fechar algumas vias principais de circulação (…) Estão alimentando o ódio nas pessoas. Aqui não haverá golpe de Estado”, enfatizou.

Também denunciou que o ex-candidato antichavista e seu assessor, Leopoldo López, a quem assinalou como “o braço armado da embaixada estrangeira na Venezuela”, contratou grupos motorizados para amedentrar a população caraquenha.

Maduro asseguro que os resultados obtidos neste domingo nas eleições presidenciais correspondem a “uma vitória limpa, legal, constitucional que deve fazer com que a outra metade seja sensata e aceite os resultados”.

Com uma fotografía na mão, Maduro mostrou como grupos violentos queimaram duas sedes do Partido Socialista Unido de Venezuela nos estados Anzoátegui e Táchira. Além disso, comentou que queimaram duas motos e um veículo frente à sede do PSUV no estado de Barinas. Neste mesmo estado, tentaram incendiar a residência do Governador, Adán Chávez.

Em Anzoátegui, dispararam quando o governador, Aristóbulo Isturiz, ia ver os restos da casa do PSUV incendiada. Em Barquisimeto causaram destroços em vidraças de uma concessionária de veículos e uma padaria.

Em Caracas, detalhou que os grupos desestabilizadores da direita estão assediando a sede da estatal Venezolana de Televisión (VTV) e mantém fechado o acesso até a zona oeste da cidade na Rodovia Francisco Fajardo.

Por esses atos responsabilizou o candidato derrotado da direita Henrique Capriles : “Você provocou isto por não respeitar os resultados. Estou duvidando que termine como Carmona Estanga, você terá que enfrentar a justiça venezuelana e duvido que tenha tempo de terminar seu palácio em Nova Iorque”.

Apesar disso, diante desta arremetida o mandatário fez um chamado à pobulação venezuelana, a “responder a estes grupos golpistas com trabalho e um grande sorriso” e manifestou que seu governo está disposto a iniciar um diálogo ativo com os opositores do país.

“Essa é a Venezuela que vocês querem? Esta é a democracia? Esta é a Venezuela que você vai promover como candidato perdedor? Você é responsável, porque você chamou a violência nas ruas, se existem mortos, você é o responsável diante do país”, perguntou aos opositores.

6 horas atrás

“Discurso e argumentação no Blog ‘Fatos e Dados’ da Petrobras” à venda na Saraiva

por Daniel Dantas Lemos
 
Agora fico mais feliz.
O livro “Discurso e argumentação no Blog ‘Fatos e Dados’ da Petrobras” já foi cadastrado na Saraiva e, desse modo, será mais fácil a venda pela Internet.

Assim, são várias opções para a compra:

1. Via PagSeguro, aqui.
2. Via Mercado Livre, aqui.
3. Na Saraiva, aqui.

Além disso, o livro está a venda na Cooperativa do Campus, na UFRN, como também diretamente com o autor.

7 horas atrás

FBI considera terroristas os ataques em Boston

por Daniel Dantas Lemos
 
No UOL

O FBI já considera os ataques ocorridos nesta segunda-feira (15) em Boston (EUA) como terroristas, de acordo com a imprensa americana. A chegada da maratona de Boston hoje teve duas explosões que aterrorizaram participantes e espectadores. Ainda não há informações sobre as causas do incidente, nem confirmação oficial do número de mortos e feridos. Segundo informações divulgadas no Twitter do Departamento de Polícia de Boston, pelo menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após as explosões.

A Casa Branca também trata os ataques como um “ato de terrorismo”, segundo informou uma fonte à agência de notícias Reuters. Apesar de ainda não haver certeza sobre a autoria do atentado à maratona de Boston, esta fonte considera que “qualquer incidente com múltiplos artefatos explosivos –como parece ser o caso– é claramente um ato terrorista, e será tratado como tal”, afirmou à agência. “No entanto, nós não sabemos ainda quem executou este ataque, e a investigação ainda deverá determinar se foi planejado por um grupo terrorista, estrangeiro ou doméstico”, acrescentou a fonte da Reuters.

Uma criança de oito anos é uma das duas pessoas mortas pelas explosões, segundo informou a rede de TV americana “CNN”. A rede de TV também cita que haveria pelo menos 110 pessoas feridas, incluindo oito crianças. A polícia de Boston recomendou que os moradores da cidade não saiam de casa por enquanto. A recomendação veio após a confirmação da ocorrência de uma terceira explosão, após as duas primeiras.

A terceira explosão foi na Biblioteca JFK. O local, que fica a cerca de 4,8 quilômetros da linha de chegada da maratona, abriga o memorial e um museu em homenagem ao ex-presidente norte-americano John F. Kennedy.

Aproximadamente três horas depois que os vencedores finalizaram a maratona, a primeira explosão aconteceu próxima a um hotel na Boylston Street, logo antes da linha de chegada. Antes da tragédia, a prova masculina foi vencida pelo etíope Lelisa Desisa, e a queniana Rita Jeptoo ficou com a vitória no feminino. Mais de 100 pessoas ficaram feridas, segundo o jornal “Boston Globe”.

A segunda explosão aconteceu segundos depois da primeira, no mesmo local. Outros dois artefatos explosivos não detonados foram encontrados e desarmados nas proximidades do local das primeiras explosões, segundo oficiais do serviço de inteligência da polícia. Espectadores foram socorridos pelo serviço médico disponível no local para atender aos corredores exaustos.

O comissário da polícia de Boston Ed Davis disse que “artefatos poderosos” causaram as duas explosões e afirmou que a polícia não tinha nenhum suspeito sob custódia. “Estamos interrogando muitas pessoas, mas não há suspeito sob custódia”, declarou Davis. Ele disse ainda que o incêndio na biblioteca, que descreveu como tendo sido causado por um “artefato incendiário”, pode não ter ligação com o incidente na maratona.

O Consulado do Brasil em Boston está de prontidão para eventual necessidade de atendimento a brasileiros. Mas, até agora, ainda não houve nenhum pedido de ajuda ou de emergência.
VÍDEO MOSTRA MOMENTO DA EXPLOSÃO NA MARATONA DE BOSTON
Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou em pronunciamento na noite de hoje que os responsáveis pelas explosões em Boston, que mataram ao menos duas pessoas, irão “sentir o peso da Justiça”.

Obama afirmou que ainda não se sabe quem é a “pessoa ou grupo” responsável pelo ataque. Em seu pronunciamento, no entanto, o presidente americano não chegou a usar o termo “terrorismo” ao falar dos ataques.

“Nós ainda não sabemos quem fez isso ou por quê. As pessoas não devem procurar conclusões até que se tenham todos os fatos”, disse Obama. “Qualquer pessoa ou grupo responsabilizado irá sentir o peso da Justiça”, completou o presidente.

Maduro alerta para atitude “golpista” da oposição e do Jornal Nacional da Rede Globo, Brasil

por Helio Borba
 
ELEIÇÃO NA VENEZUELA 

Maduro alerta para atitude “golpista” da oposição

Presidente eleito da Venezuela classificou a campanha eleitoral do opositor Henrique Capriles como uma “guerra contra o povo” 
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou nesta segunda-feira (14/04) a preparação de um golpe de Estado na Venezuela pela oposição. “Maioria é maioria e a democracia deve ser respeitada. Não podem buscar emboscadas, invenções para deixar vulnerável a soberania popular (…) isso só tem um nome: golpismo. Quem pretende deixar vulnerável a maioria da democracia o que está é chamando um golpe. Um golpe está a caminho”, afirmou Maduro durante proclamação de sua presidência pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral).

“Não foi uma campanha eleitoral, foi uma guerra contra o povo. Tiraram a eletricidade do país. Fizeram uma guerra brutal e psicológica”, disse Maduro. Na eleição presidencial deste domingo (15/04), o candidato chavista conquistou 7.559.349 votos (50,75%), enquanto o opositor Henrique Capriles, 7.296.876 votos (48.98%). Em coletiva hoje, Capriles anunciou uma série de ações, como atos e panelaços, para rechaçar a cerimônia realizada pelo órgão eleitoral.

Agência Efe

Nicolás Maduro deixa o CNE após ser proclamado presidente eleito da Venezuela

Pouco depois das declarações de Capriles, o chefe do comando de campanha Hugo Chávez, Jorge Rodriguez, também fez alertas sobre a possibilidade de um golpe na Venezuela. O que existe por trás de suas palavras de hoje, Senhor Capriles, é um golpe de Estado em andamento, um golpe contra as instituições, e o denuncio ao mundo inteiro. Não voltem a recorrer à aventura golpista”, afirmou Rodriguez.

Rodriguez acusou Capriles de “estar convocando a confrontação de irmãos contra irmãos”, alertando sobre uma tentativa de desestabilização. “Não tenha dúvidas de que nós vamos defender o resultado, a democracia, a Constituição e o legado de Hugo Chávez”, sublinhou o chefe do comando oficialista. “Não caiam nesse chamado à confrontação”, pediu à população.

21 horas atrás

O governo do PT investe como nunca na infraestrutura brasileira, mas os economistas e a indústria só sabem reclamar. Senhores, não somos idiotas!

por Helio Borba
 

Governo vai aplicar R$ 2,2 bilhões por ano em aeroportos regionais

O dinheiro virá da operação dos três grandes terminais privados do País – Guarulhos (SP), Viracopos-Campinas (SP) e Brasília (DF) -, onde a Infraero conta com 49% de participação

Agência Estado Agência Estado

Fábio Pozzebom/ABr Os R$ 2,2 bilhões que o governo aplicará nos aeroportos regionais virão da operação dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília

O governo federal vai aplicar R$ 2,2 bilhões por ano, a partir do ano que vem, na construção, reforma e ampliação de 270 aeroportos regionais, afirmou o presidente da Infraero, Gustavo do Vale. O dinheiro virá da operação dos três grandes terminais privados do País – Guarulhos (SP), Viracopos-Campinas (SP) e Brasília (DF) -, onde a Infraero conta com 49% de participação. Em 2013, o governo estima em R$ 1,1 bilhão os investimentos, a partir de agosto. Com menos aeroportos rentáveis na carteira da Infraero, o governo Dilma Rousseff montou uma triangulação para que os dividendos gerados pela operação desses terminais privados voltem à estatal, e, assim, sejam aplicados nos pequenos aeroportos regionais. As concessionárias vão pagar os dividendos ao Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac), e esses recursos serão operados pela Infraero na “modernização” dos terminais. “Nós perdemos nossa capacidade de investimento, e vamos perder ainda mais quando Galeão e Confins forem concedidos. Mas estruturamos a Infraero justamente para suportarmos a perda de receita. Nossos investimentos serão feitos com dinheiro do fundo”, afirmou Vale. 
Quando ele assumiu a estatal, no início de 2011, a Infraero detinha o controle de 95% dos aeroportos brasileiros, em termos de receita operacional. Após a privatização de Confins (MG) e Galeão (RJ), prevista para o fim deste ano, a Infraero terá menos de 51% da malha. 
“A Infraero realmente diminuiu, mas, até por isso, vamos ter uma operação mais direcionada, mais eficiente”, afirmou o presidente da estatal. 
O governo deve autorizar que, a partir de 2014, parte das receitas de Galeão e Confins seja também transferida ao Fnac, mesmo antes da geração de dividendos, de forma a permitir que a Infraero mantenha os investimentos nos terminais menores. A aposta em Brasília é que os leilões, que devem ocorrer em setembro, atraiam diversos operadores internacionais, aumentando o preço pela concessão desses terminais. Concorrente “São aeroportos com uma perspectiva de crescimento muito grande. O Galeão é um dos melhores sítios aeroportuários do mundo, porque não tem problema de ruído, pode funcionar 24 horas, e tem espaço de sobra para aumentar terminais de cargas, e criar uma terceira pista para pouso e decolagem. Ele será o grande concorrente de Guarulhos no futuro”, disse. 
Com as novas concessões, a conta de R$ 2,2 bilhões anuais de repasse das concessionárias ao Fnac vai aumentar, e, assim, honrar a promessa do governo com o pacote de modernização dos aeroportos regionais. Ao todo, o governo prevê gastar R$ 7,4 bilhões nos 270 terminais. 
“Não basta fazer estrutura aeroportuária, o governo tem que incentivar as companhias aéreas a operarem as rotas entre pequenos aeroportos. Por isso, o nosso pacote vai incluir subsídios às empresas, por meio do pagamento de uma porcentagem dos bilhetes aéreos, e também aos passageiros, ao desonerar a taxa de embarque”, disse o presidente da Infraero. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

21 horas atrás

Tucanos e seus sorrisos falsos se bicam

por Helio Borba
 

Disputa interna adia eleição do PSDB em SP

DE SÃO PAULO 
A direção municipal do PSDB de São Paulo adiou a escolha do novo presidente da sigla, ontem, por causa de disputas internas entre nomes do partido que miram uma candidatura à prefeitura em 2016. 
Há semanas cotado como favorito para o cargo, o vereador Andrea Matarazzo viu ontem seu apoio minguar após uma intensa movimentação de três secretários do governador Geraldo Alckmin (PSDB): Julio Semeghini (Planejamento), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia). 
Covas e Aníbal são pré-candidatos a prefeito, assim como Matarazzo. Semeghini, o atual presidente da sigla, se somou à movimentação por considerar que Andrea não trabalhou “por uma composição ampla” com líderes do PSDB. 
Os três colocaram o nome do ex-deputado estadual Milton Flávio para disputar com Matarazzo, o que dividiu a direção tucana. Flávio é natural da cidade de Botucatu e umbilicalmente ligado a José Aníbal, a quem assessorou na Secretaria de Energia. 
Com a disputa, houve acordo para adiar a votação para amanhã. “Vamos ver se até lá conseguimos contemplar as diversas frentes do partido”, afirmou Semeghini. 
Matarazzo reagiu às críticas de que não teria tentado um acordo. “Passei cinco meses fazendo campanha, e na última semana colocam um candidato. Eu estive na casa do José Aníbal com o Bruno Covas e pedi que indicassem nomes para uma composição. Eles silenciaram.” 

  Gabo Morales – 9.fev.12/Folhapress  
Os tucanos José Anibal, Julio Semeghini, Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli, em evento do PSDB em 2012
Os tucanos José Anibal, Julio Semeghini, Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli, em evento do PSDB em 2012
21 horas atrás

Neoliberalismo

por Helio Borba
 
Classe média invade chalés na Espanha Sem ter como pagar aluguel, famílias ocupam propriedades que não foram vendidas também por causa da crise 
Invasores dizem querer negociar aluguel com quem construiu; país tem mais de 3 milhões de imóveis vazios MARÍA MARTÍN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA O pintor Carlos Antonio Leite, 33, acaba de inaugurar uma casa em Valdemoro, um povoado a 30 km do centro de Madri. É um chalé de 200 m², três andares, garagem, jardim e pátio avaliado em R$ 800 mil. 
É o sonho de muitas famílias. Seria uma casa perfeita para morar com a mulher e os dois filhos, de quatro e nove anos –não fosse o fato de não ser dele e ainda não ter água nem luz. 
Leite já não pode pagar seu aluguel e resolveu ocupar uma casa alheia. Junto com ele, chegaram outras 50 famílias, quatro delas brasileiras, que perderam suas casas e transformaram em lar meia centena de chalés como o de Leite. 
Finalizados em 2008, quando estourou a crise na Espanha, apenas três deles foram vendidos. O resto ficou abandonado, pichado e foi alvo de ladrões que levaram até as torneiras. Os próprios vizinhos legítimos ajudaram as famílias a entrarem pela garagem. 
“Eu trabalho, mas as coisas não estão bem. Quando vim para cá, há oito anos, ganhava € 2.000 por mês (R$ 5.200), mas agora não chego aos € 800 (R$ 2.000)”, justifica Leite, que pagava um aluguel de € 500. 
Antes da crise, os invasores de casas abandonadas eram jovens anarquistas. Neste último ano, com quase 6 milhões de desempregados, famílias até agora consideradas de classe média também começaram a ocupar. 
Entre 2001 e 2011, a Espanha tornou-se líder na construção de moradias na Europa, erguendo quase 5 milhões de casas no período –um crescimento de 24%. Com a chegada da crise e a restrição do financiamento, porém, muitas nunca foram compradas, e outras nem sequer concluídas. 
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o país tem atualmente mais de 3 milhões de imóveis vazios. 
O mecânico brasileiro Roberto, 50, é outro que ocupou um chalé com a família. 
“Há um ano que estou sem emprego, sobrevivo de bicos e o salário de cozinheira da minha mulher é de só € 700. Pagando € 600 de aluguel, imagine o que a gente come?”, conta Roberto, que não quis se identificar por esconder, há meses, sua situação da família no Brasil. 
“Entrei porque estava aberto e abandonado, consertei tudo devagar. Não quero morar de graça; quero negociar com o proprietário para pagar um aluguel social”, diz Roberto. 
Procurado pela Folha, o responsável pela construção dos chalés não respondeu. Jornais espanhóis, contudo, dizem que ele estaria disposto a negociar um aluguel com os novos inquilinos. O que não se sabe é se o proprietário denunciará as famílias. 
Como no Brasil, os invasores só podem ser despejados por ordem de um juiz. A saída depende de um processo judicial que pode demorar até dois anos.
21 horas atrás

Estrangeiros continuam investindo no Brasil porque sabem que a imprensa brasileira não diz a verdade

por Helio Borba
 
Âncora externa Investidores estrangeiros mantêm o interesse no Brasil, apesar da subida do custo de vida e do crescimento fraco

PAULO SILVA PINTO 

Em tempos de inflação em alta e de frustração com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos estrangeiros diretos, aqueles que são destinados à produção, são um alívio nos indicadores do país. Depois de anos seguidos de recorde, os números ainda se mantêm fortes. Em fevereiro, dado mais recente, o fluxo de recursos vindos de fora foi de US$ 2,65 bilhões, contra US$ 2,13 bilhões no mesmo mês em 2012, apesar do quadro de baixa expansão da atividade econômica. “As empresas estrangeiras estão batendo às nossas portas”, atesta o diretor de fusões e aquisições da Ernst Young Terco, Viktor Andrade. “O potencial de crescimento e amadurecimento da nossa economia é grande”, aposta o gerente de fusões e aquisições da Pricewaterhouse Coopers (PwC), Alexandre Pierantoni.

Só na semana passada, houve dois negócios de peso. Na sexta-feira, a Israel Aerospace Industries anunciou a compra de 40% da IACIT, companhia sediada em São José dos Campos (SP), que fornece serviços e equipamentos nas áreas de controle de tráfego aéreo e marítimo, meteorologia e tecnologia da informação. Dois dias antes, na quarta, foi fechada uma aquisição que vinha sendo discutida há meses — essa na área de agribusiness, em que a competitividade brasileira é notória. A multinacional holandesa DSM comprou a Tortuga, que produz nutrientes para bovinos. Fundada em 1954 por um imigrante italiano, a empresa tem sede em São Paulo e unidades em vários estados. O valor da transação foi divulgado, o que é raro: 440 milhões de euros (R$ 1,12 bilhão).

Na semana anterior, houve também duas transações significativas, igualmente nas áreas de tecnologia e de nutrição animal. Na terça, 3 de abril, a Intel, maior fabricante mundial de chips, comprou a Profusion, produtora de softwares de Campinas (SP). No mesmo dia, a norte-americana H.J. Baker ficou com a Fanton, de Bauru (SP), outra produtora de suplemento alimentar para gado. 

A H.J. Baker não está chegando agora. No ano passado, havia adquirido outra fábrica de insumos para criadores, a Rumiphos, de Paranaíba (MS). O faturamento combinado das duas empresas é de R$ 20 milhões anuais, mas a perspectiva é crescer 50% em dois anos. E tem muito mais gente querendo entrar. A italiana Barilla, fabricante de massas, contratou o banco Goldman Sachs para procurar empresas brasileiras que possa comprar ou com as quais possa se associar. A Barilla é presidida desde o ano passado por Claudio Cozzani, que morou no país no período em que foi executivo da Unilever.

Nos três primeiros meses do ano, houve 22 negócios no Brasil envolvendo estrangeiros, de acordo com levantamento do blog Fusões e Aquisições. Desse total, 15 foram com investidores estratégicos — quando uma empresa estrangeira vem para cá — e 7 financeiros, em geral fundos de private equity, que pretendem lucrar, com a venda da fatia que compraram, daqui a alguns anos. “Eles são importantes porque, além do capital que trazem, cobram resultados e aumentam a eficiência das empresas”, diz Pierantoni, da PwC. Segundo ele, vários desses fundos que ainda não estão no Brasil vêm prospectando negócios no país.

Distorções
Desde a crise de 2008, as nações emergentes têm sido o destino preferencial de investimentos externos. E o Brasil se destaca. Foi o país que mais cresceu nesse quesito, no período. Em 2010, aumentou 56% em relação ao ano anterior o montante de líquido (descontando o que saiu) de recursos destinados a aumentar a produção aqui. Em 2011, houve nova subida expressiva, de 24%. Em volume financeiro, o país só perde para a China. 

No ano passado, porém, o crescimento já começou a perder fôlego. Entraram no país 
US$ 65,2 bilhões líquidos (descontado o que saiu), menos do que os US$ 66,7 bilhões de 2011. Em reais o volume foi superior, por conta da volatilidade na cotação das moedas. “De qualquer forma, o que importa é que estamos em um patamar elevado, por conta dos aumentos muito grandes nos anos anteriores”, nota Andrade, da Ernst & Young Terco. 

A consultoria Tendências projeta para este ano um pequeno aumento, que elevará o total para US$ 67 bilhões. “A situação ainda é razoavelmente boa, apesar da piora na condução da política econômica”, aponta o economista da consultoria Bruno Lavieri. Ele critica a falta de previsibilidade quanto aos preços. “O governo não usa mais a política monetária. Tenta segurar a inflação por meio de incentivos que causam distorções na economia”, afirma.

7 horas atrás

Vitória de Maduro é incontestável, mas representa novos desafios

por Esquerdopata
 
 Brasil 247  
Apesar da margem apertada, inferior a 300 mil votos, vitória de Nicolás Maduro sobre Henrique Capriles é incontestável; em 1960, nos EUA, John Kennedy bateu Richard Nixon por diferença de 0,1% e decisão foi aceita normalmente; mas resultado na Venezuela mostra que, como disse o próprio Maduro no discurso da vitória, “é hora de renovar a revolução bolivariana”; por Breno Altman, diretor do Opera Mundi, de Caracas. 
Breno Altman – Opera Mundi 
O resultado eleitoral venezuelano, com o triunfo do candidato chavista,é fato político amparado pela Constituição local. A reduzida vantagem de Nicolás Maduro sobre o direitista Henrique Capriles, inferior a trezentos mil votos (menos de 2% dos apurados), não anula a legitimidade do processo ou do mandato conquistado nas urnas. Com mais de 50% dos eleitores sufragando o sucessor de Hugo Chávez, a regra democrática está sendo seguida à risca. A maioria, mesmo por escassa margem, tem o direito de decidir o destino nacional. 
A oposição conservadora pode estrilar e urrar, o que também está dentro do jogo, desde que não volte a recorrer ao golpismo e à violência. Mas não há qualquer elemento concreto e provado que coloque sob suspeita a peleja institucional deste domingo. A história, diga-se, está cheia de situações semelhantes. Na mais célebre entre essas, nos Estados Unidos, John Kennedy (assassinado em 1963) venceu Richard Nixon, em 1960, por apenas 0,1% dos votos. Quem venceu, levou. Quem foi derrotado, voltou para a fila. Ou para o submundo do magnicídio. 
Hugo Chávez atravessou cenário parecido quando perdeu, por menos de vinte mil sufrágios, referendo sobre emenda constitucional, em 2007. Apesar de vários assessores tentarem convencê-lo a pedir recontagem, preferiu reconhecer, de pronto, a vitória de seus adversários. A propósito, sua única derrota em dezessete disputas pelo voto popular no período de catorze anos no qual governou. 
O respeito à soberania das urnas e sua defesa perante possíveis ataques, porém, não podem eximir os dirigentes bolivarianos de uma análise acurada sobre os motivos que levaram, em apenas seis meses, à redução importante de sua base eleitoral. A revolução amealhou 700 mil votos menos do que em outubro de 2012, enquanto Capriles arrebanhou 570 mil a mais. Parte dos eleitores chavistas não foi votar. Outra fatia, no entanto, trocou de lado. Sobram razões, como se vê, para que a pulga esteja atrás da orelha. 
Claro que, sem o carisma do ex-presidente, a esquerda ficou mais vulnerável à mídia e, sem sua voz, é capaz do discurso de enfrentamento ter soado excessivamente duro para alguns segmentos mais volúveis. Eventuais ações de sabotagem contra o setor elétrico e outras áreas do cotidiano, denunciadas pelos governistas desde o início da campanha, também podem ter auxiliado nesta sangria, ao lado de casos crônicos de maus serviços e corrupção. Talvez seja o caso, contudo, de buscar resposta mais estrutural, como assinalou o próprio presidente eleito logo depois da apuração, ao conclamar o país à “renovação da revolução bolivariana”. 
Há muitos indícios de que o primeiro ciclo deste processo tenha se esgotado. Desde que assumiu a liderança venezuelana, em fevereiro de 1999, Chávez concentrou seus esforços administrativos em transferir a parte mais expressiva dos excedentes petroleiros para programas sociais, universalização de direitos e outras iniciativas de distribuição da renda. Os resultados foram eloquentes. Andando na contramão do receituário neoliberal, a Venezuela passou a ser a nação menos desigual da América do Sul, o analfabetismo foi liquidado e a pobreza drasticamente reduzida. 
Uma das conseqüências deste caminho foi a vasta ampliação do mercado interno, como força propulsora da economia, mas aprofundando o desequilíbrio histórico entre o ritmo de expansão do consumo popular e a velocidade do crescimento da produção agrícola e industrial. O modelo da dependência petroleira, que sempre inibiu o desenvolvimento interno venezuelano, não era o alvo principal nos primeiros dez anos de chavismo, apesar de várias iniciativas importantes terem sido tomadas. A questão estratégica era repartir os frutos da exploração do ouro negro a favor dos mais pobres. 
Neste quadro, a aceleração da demanda provocou fortes pressões inflacionárias e sobre a balança comercial, com as importações minguando as reservas cambiais. A esse desarranjo se soma o espetacular subsídio para a compra de gasolina no mercado interno, que alguns cálculos apontam como equivalente a 10% do faturamento da PDVSA, a gigante estatal do petróleo. 
No programa eleitoral de 2012, Chávez já tinha deixado claro estas dificuldades e anunciou um ambicioso programa de desenvolvimento produtivo. Não viveu o suficiente para dar cabo desse objetivo, que caberá a Maduro enfrentar. Concluída o ciclo inicial de resgate da dívida social, os capítulos seguintes dependerão fundamentalmente dos músculos da economia não-petroleira, de sua capacidade para gerar oportunidades, empregos e renda. Sem essa plataforma, as reformas distributivistas possivelmente ficariam, doravante, mais expostas à problemas de financiamento. 
O novo presidente terá que enfrentar inúmeros e urgentes desafios neste terreno. Com as camadas populares ampliando rapidamente seu poder aquisitivo, passaram a ser usuais crises de escassez, tanto de mercadorias e serviços quanto de energia elétrica e água, amplificadas pela fuga de capitais como mecanismo de chantagem das oligarquias. A conta política pode ter sido apresentada nessas últimas eleições. 
Para desatar estes nós, Maduro precisará estabelecer estratégia que combine participação estatal com capital privado, nacional ou estrangeiro, estabelecendo marco regulatório que enfrente os dilemas de infraestrutura e produção. A receita com o petróleo, na ponta do lápis, não permite ao Estado fazer todos os investimentos necessários, no prazo que ruge. Essas preocupações, aliás, foram lançadas pelo ex-sindicalista na noite de sua vitória, que também destacou a necessidade de uma nova cultura de gestão, contraposta à ineficiência, ao burocratismo e ao desperdício do dinheiro público. 
A implementação de programa desta envergadura, por fim, poderia ajudar a formar uma nova maioria, que fosse além dos limites atuais do voto chavista, atraindo inclusive pequenos e médios empresários que se sentiram desatendidos ou até ameaçados pela primeira etapa do processo bolivariano, quando todas as energias se voltaram para transferir renda do petróleo aos setores mais despossuidos. E essa maioria ampliada também seria fundamental para apoiar medidas amargas que venham a ser tomadas na reorganização da economia. 
A legítima vitória de Nicolás Maduro, nessas circunstâncias, eventualmente serviu de alerta para os problemas que rondam a revolução que passou a chefiar, a maior parte deles provocada pelo sucesso inequívoco das políticas de Chávez em construir um sistema de mais justiça social. 
Breno Altman é jornalista, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel. 

GLOBO APOIA GOLPE AMERICANO NA VENEZUELA…

por Rilton Nunes
 
 
G1

Ela seria passo ‘importante, prudente e necessário’, segundo os EUA.
Chavista Nicolás Maduro bateu Henrique Capriles por pequena margem.

A Casa Branca disse nesta segunda-feira (15) que considera que uma auditoria nos resultados das eleições presidenciais da Venezuela, vencidas pelo chavista Nicolás Maduro, seria um passo “importante, prudente e necessário”.

“Dado o resultado apertado, o candidato da oposição [Henrique Capriles] e pelo menos um membro do conselho eleitoral pediram uma auditoria de 100% dos resultados. Parece ser um passo importante, prudente e necessário para assegurar que todos os venezuelanos tenham confiança nestes resultados”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. “Na nossa visão, correr para uma decisão nessas circunstâncias seria inconsistente com as expectativas dos venezuelanos por um resultado claro e democrático.” A auditoria foi pedida pela oposição, após a vitória apertada de Maduro sobre Capriles neste domingo. No seu discurso de vitória, Maduro, “herdeiro” político do presidente Hugo Chávez, morto em 5 de março, disse quevenceu de maneira “justa e legal”, mas que concorda com a auditoria pedida pela oposição. As autoridades eleitorais ainda o s pronunciaram oficialmente sobre o tema.EUA e Venezuela mantinham uma relação de rivalidade desde a subida de Chávez ao poder, em 1998, e Maduro, como presidente interino, continuou com o discurso anti-americano, apesar dos laços comerciais entre os dois países. 

SINTONIA FINA – @riltonsp 

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por Betina Siegmann

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