Category: mundo


10 April 2013 Last updated at 00:32 GMT

Iceland volcano ash cloud triggers plankton bloom

By Mark KinverEnvironment reporter, BBC News

Ash plume from the Eyjafjallajokull volcano, Iceland (image: Jon Short)The eruption grounded thousands of flights across Europe over a five-week period in 2010

The 2010 Icelandic volcanic eruption, which disrupted European flights, also had a “significant but short-lived” impact on ocean life, a study shows.

Ash from the Eyjafjallajokull volcano deposited dissolved iron into the North Atlantic, triggering a plankton bloom.

The authors said it was good fortune they were at sea at the time as it provided a unique opportunity to sample the ocean during a volcanic eruption.

The findings appear in the Geophysical Research Letters journal.

In April 2010, the eruption sent an ash plume several kilometres into the atmosphere, causing ash to deposited across up to 570,000 sq km of the North Atlantic Ocean.

The five-week volcanic activity was still ongoing when a team of researchers arrived in the Iceland Basin region aboard a research vessel.

“Our study was unique in the sense that we were the first to undertake sampling at sea of volcanic ash deposition and the chemical and biological effects in the surface ocean,” explained lead author Eric Achterberg from the National Oceanography Centre Southampton, UK.

“In addition, we were able to sample the ocean region again a few months after the eruption and observe the changes since the eruption.

“The opportunity to sample during the eruption and also a couple of months after the event allowed us to obtain a unique insight into the effects of the ash deposition on the biology and chemistry of the Iceland Basin.”

Iron deficiency

Three years earlier, the team had shown that the production of phytoplankton – microscopic plants that form a key component of marine food chains – was limited by the availability of dissolved iron, which was essential for the tiny plants’ growth.

Ash plume from the Eyjafjallajokull volcano, Iceland (Getty Images)The plume reached several kilometres in height, depositing ash over a large area of ocean

Prof Achterberg told BBC News what the in-situ team was able to record: “Biological experiments showed that the volcanic ash released the iron that stimulated phytoplankton growth.

“The effect of the volcanic ash inputs were nevertheless short-lived as the extra iron supplied by the volcano resulted in rapid biological nitrate removal, thereby causing nitrogen limitation of the phytoplankton population.”

So while the additional dissolved iron triggered an earlier-than-usual phytoplankton bloom, as the metal triggered growth in a greater number of phytoplankton cells, the bloom was only 15-20% larger than normal because the growth was limited by the amount of available nitrogen, another vital ingredient required for the organisms to develop.

As well as playing an important role in food chains, phytoplankton also absorb carbon dioxide from the atmosphere.

Oceans are considered to be one of the planet major players in the global carbon cycle, but the carbon uptake in the region where the eruption occurred has limited capacity.

“The high latitude North Atlantic Ocean is a globally important ocean region, as it is a sink for atmospheric carbon dioxide and an area where deep water formation takes place,” Prof Achterberg observed.

“A limit to the availability of iron in this region means that the ocean is less efficient in its uptake of atmospheric carbon dioxide.”

However during the bloom triggered by the ash deposits from the eruption, the team recorded that it was a shortage of nitrogen that limited the size of the phytoplankton bloom and – as a result – the volume of carbon dioxide uptake.

Prof Achterberg concluded: “The 2010 Eyjafjallajokull eruption therefore resulted in a significant but short lived perturbation to the biogeochemistry of the Iceland Basin.”

Thatcher sem mistificações

por Betho Flávio
 

 

Paulo Moreira Leite

Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.

  • Thatcher sem mistificações

    A morte de Margaret Thatcher tem sido ilustrada por balanços ambíguos e avaliações incompletas. É preciso falar claro: sua passagem pelo governo britânico e a influência internacional que adquiriu contribuíram para tornar o mundo pior.

    Sua contribuição ao debate de ideias é uma mistificação e o saldo final é um retrocesso.

    Foi a partir de Thatcher que o capitalismo voltou a aceitar com naturalidade o que antes era uma vergonha. Depois da construção do Estado de Bem-Estar Social, a partir dos anos 30 do século XX, já não era mais moralmente aceitável nem politicamente conveniente sacrificar os mais pobres e menos protegidos em nome do crescimento e da acumulação de lucros.

    Com Thatcher, valores como solidariedade social e responsabilidade do Estado passaram a ser tratados como estímulo à preguiça e à vagabundagem, sendo substituídos por um individualismo selvagem. O egoísmo passou a ser visto como benéfico para a economia e a sociedade – noção típica do capitalismo primitivo do século XVIII.

    A guerra contra os serviços públicos ingleses, que chegaram a ser um exemplo para o mundo desenvolvido, reduziu o padrão de vida da população britânica a um nível espantoso.

    A guerra contra os sindicatos só contribuiu para elevar a desigualdade e facilitar o enriquecimento dos mais ricos. A Inglaterra tornou-se o paraíso dos bancos e daquela clientela que enriquece a sua volta.

    A maior fonte de riqueza de sua passagem pelo governo consistiu na descoberta do petróleo do Mar do Norte, que ajudou os empobrecidos britânicos a pagar suas contas. (É curioso observar que, apesar disso, ela nunca foi acusada de fazer petro-populismo no estilo de… Hugo Chávez, certo?)

    Após um conjunto de medidas impopulares, Thatcher salvou-se graças à Guerra das Malvinas, travada como uma celebração colonial.

    A ausência de compromissos reais com a democracia ficou demonstrada pelo apoio incondicional a Augusto Pinochet, que manchou a história do Chile e da humanidade a partir do golpe que derrubou um presidente eleito em 1973. Com um empenho sem limites e sem escrúpulos, Thatcher manteve-se leal a Pinochet até o último momento.

    Na cena final, a ironia da história. Apresentada como defensora do cidadão, inimiga dos impostos, a madrinha do neoliberalismo foi forçada a deixar o governo. O motivo? Uma revolta popular contra impostos altos.

Derrubaram a estátua de Thatcher

por Miguel do Rosário
 

Cardápio variado hoje para assinantes do Cafezinho: informações atualizadas sobre volume dos reservatórios; notícias sobre a candidatura de Campos; comentário sobre a iminente ruptura entre PMDB e PT no Rio; e uma análise sobre a morte de Thatcher, e a defesa (às vezes constrangida) de sua herança, nos jornalões.

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7 horas atrás

Barbosa e a síndrome do poder

por Miguel do Rosário
 

QUE RESORTS HÁ EM CURITIBA OU BH, DR. JOAQUIM BARBOSA?

Pobre Joaquim Barbosa. Dá pena imaginar o choque que sofrerá quando se der conta de que é apenas um dos 200 milhões de brasileiros, não o dono do Brasil

Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

9 DE ABRIL DE 2013 ÀS 12:55

O presidente do STF pôs associações de magistrados, OAB e até a Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo (Adepol) em pé-de-guerra. Mas sua mise-en-scène acrescentou mais um tijolinho à imagem de grilo falante da República que vem erigindo.

Os vergonhosos convescotes patrocinados por empresas para as associações de juízes nos tais “resorts” em “grandes praias” conferem um falso sentido à conduta desairosa de Joaquim Barbosa na reunião com os representantes dessas entidades.

Todavia, ainda está por provar-se a teoria de que a criação de novos Tribunais Regionais Federais não passa de desperdício de bilhões de reais de dinheiro público.

Misturar os resorts aos quais grandes empresas cheias de ações na Justiça levam aqueles que julgarão as causas que interessam a elas com a criação de maior estrutura para o sobrecarregado Poder Judiciário, foi uma jogada que visou predispor o cidadão desatento.

Uma breve reflexão, porém, faz lembrar que falta estrutura à Justiça brasileira, razão pela qual ela é tão lenta.

O Brasil terá, agora, mais quatro Tribunais Regionais Federais – em Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Manaus. O Projeto de Emenda Constitucional 544, que criou os novos TRFs, teve origem em proposta do senador Arlindo Porto (PT/MG), em 2001. Mas a reivindicação tem pelo menos 20 anos no Paraná.

O que desgostou Barbosa e o levou a essa postura danosa ao país, então, não foi o interesse público, mas seus delírios de poder e sua egolatria, como ficou patente na reunião em seu gabinete na qual humilhou magistrados, quando bradou: “Não fui ouvido pelo Congresso!”.

Esse é o problema de Barbosa com os novos Tribunais Regionais Federais. Uma iniciativa do Congresso que tramita há tanto tempo e que é uma reivindicação antiga da Justiça fez com que o presidente do Supremo enviasse um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados exigindo que o projeto não fosse aprovado.

A ousadia derivada dos delírios de poder de Barbosa ao tentar dar ordem ao Legislativo, porém, teve efeito inverso. No dia seguinte ao ofício, a PEC 544 foi aprovada por votação maciça — 371 votos a favor, 54 contra e apenas 5 abstenções.

Queira Barbosa ou não, a PEC modificou o formato da Justiça Federal brasileira. É uma realidade, não há retorno.

Que argumento o furioso presidente do STF apresentou contra a criação dos TRFs? Que serão construídos em “resorts” e “grandes praias” onde os que lá trabalharem desfrutarão de mordomias às custas do Erário.

Custarão caro? Alguém se perguntou qual é o custo da lentidão da Justiça?

Ora, faça-me o favor, doutor Barbosa!

A frase de efeito do presidente do STF busca açular o senso comum de uma sociedade insatisfeita justamente com a falta de estrutura da Justiça, mas é vazia como um balão de gás. Que “resorts” e “grandes praias” há em Belo Horizonte, Curitiba ou Manaus, dr. Barbosa?

A medida aumentará a capacidade de uma Justiça sobrecarregada. Abaixo, a nova estrutura do Judiciário Federal.

TRF-1 – Com sede em Brasília, passará de 13 para 6 estados: MT, GO, TO, PI, PA e MA, mais o DF.

TRF-2 – com RJ e ES, continuará igual.

TRF-3 – Ficará somente com SP.

TRF-4 – Com sede em Porto Alegre, ficará reduzido ao RS.

TRF-5 – Perderá SE, ficando com PE, CE, RN, PB e AL.

Os novos Tribunais serão o TRF-6, com sede em Curitiba e englobando MS e SC; o TRF-7, com MG; o TRF-8, com BA e SE; e o TRF-9, com sede em Manaus e jurisdicionando RO, RR e AC.

O Brasil precisa de mais estrutura para sua Justiça dar conta de uma carga de trabalho que qualquer um, por menos conhecimento que tenha sobre o tema, sabe que está acima de sua capacidade.

A frase sobre os “resorts” e “grandes praias” esconde o que motivou a decisão soberana do Poder Legislativo: a lentidão da Justiça brasileira.

O ególatra Joaquim Barbosa, portanto, em seus delírios de poder – fomentados por uma mídia que o está enlouquecendo com suas bajulações –, ficou contra a medida porque a considerou uma afronta a si.

Pobre Joaquim Barbosa. Dá pena imaginar o choque que sofrerá quando se der conta de que é apenas um dos 200 milhões de brasileiros, não o dono do Brasil.

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10 horas atrás

Jânio de Freitas põe o dedo na ferida

por Miguel do Rosário
 

Questões para os juízes
Janio de Freitas, na Folha (Via Esquerdopata)

Os ministros do Supremo Tribunal Federal vão deparar com grandes novidades em documentos e dados, quando apreciem os recursos à sentença formal, esperada para os próximos dias, da ação penal 470 ou caso mensalão. Muitos desses elementos novos provêm de fontes oficiais e oficiosas, como Banco do Brasil, Tribunal de Contas da União e auditorias. E incidem sobre pontos decisivos no teor da acusação e em grande número dos votos orais no STF.

A complexidade e a dimensão das investigações e, depois, da ação penal deram-lhes muitos pontos cruciais, para a definição dos rumos desses trabalhos. Dificuldades a que se acrescentaram problemas como a exiguidade de prazo certa vez mencionada pelo encarregado do inquérito na Polícia Federal, delegado Luiz Flávio Zampronha. Inquérito do qual se originou, por exemplo, um ponto fundamental na acusação apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República e abrigada pelo tribunal.

Trata-se, aí, do apontado repasse de quase R$ 74 milhões à DNA Propaganda, dinheiro do Banco do Brasil via fundo Visanet, sem a correspondente prestação de quaisquer serviços, segundo a perícia criminal da PF. Estariam assim caracterizados peculato do dirigente do BB responsável pelo repasse e, fator decisivo em muitas condenações proferidas, desvio de dinheiro público.

Por sua vez, perícia de especialistas do Banco do Brasil concluiu pela existência das comprovações necessárias de que os serviços foram prestados pela DNA. E de que foi adequado o pagamento dos R$ 73,850 milhões, feito com recursos da sociedade Visanet e não do BB, como constou. Perícia e documentos que os ministros vão encontrar em breve.

No mesmo ponto da ação, outra incidência decisiva está revista: nem Henrique Pizzolato era o representante do Banco do Brasil junto à Visanet nem assinou sozinho contrato, pagamento ou aporte financeiro. Documento do BB vai mostrar esses atos sempre assinados pelo conjunto de dirigentes setoriais (vários nomeados ainda por Fernando Henrique e então mantidos por Lula). A propósito: os ministros talvez não, mas os meios de comunicação sabem muito bem o que é e como funciona a “bonificação por volume”, em transações de publicidade e marketing, que figurou com distorção acusatória no quesito BB/Visanet/DNA do julgamento.

A indagação que os novos documentos e dados trazem não é, porém, apenas sobre elementos de acusação encaminhados pela Procuradoria-Geral -aparentemente nem sempre testada a afirmação policial- e utilizados em julgamento do Supremo. Um aspecto importante diz respeito ao próprio Supremo. Quantos dos seus ministros serão capazes de debruçar-se com neutralidade devida pelos juízes, sem predisposição alguma, sobre os recursos que as defesas apresentem? E, se for o caso, reconsiderar conceitos ou decisões -o que, afinal de contas, é uma eventualidade a que o juiz se tornou sujeito ao se tornar juiz, ou julga sem ser magistrado.

Pode haver pressentimento, sugerido por ocasiões passadas, mas não há resposta segura para as interrogações. Talvez nem de alguns dos próprios juízes para si mesmos.

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Ingleses comemoram a notícia da morte da “ Dama de Ferro”

por Betho Flávio
 

O povo não é bobo.

Thatcher fez um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.

Foi o fim do que restou do neoliberalismo, que tanto sofrimento trouxe ao povo britânico e a tantos outros povos do mundo.

 

 

Fuck the Thatcher legacy

4 horas atrás

Depois do muro do apartheid, Israel cria ônibus do apartheid

por Betho Flávio
 

“Os palestinos sofrem uma discriminação sistemática simplesmente por sua raça, etnia e origem nacional. São privados de eletricidade, água, educação e acesso a estradas, enquanto os colonos judeus gozam de todos estes benefícios”, disse Carroll Bogert, subdiretora-executiva para relações exteriores da organização Human Rights Watch (HRW).

Israel lançou na Cisjordânia uma nova linha de ônibus exclusivos para palestinos, após reclamações de colonos judeus de que sua segurança estaria “ameaçada”

Por Mel Frykberg, da IPS/Envolverde

“Pelo menos não nos tratam como cães”, disse à IPS o diarista Amjad Samara, de 30 anos, da cidade de Naplusa, na Cisjordânia, em referência a como se sente utilizando um novo serviço de ônibus exclusivo para palestinos. Ele e um grupo de palestinos estavam em um posto de controle próximo da localidade de Qalqilia, esperando seu transporte para Israel para um dia de trabalho.

Israel lançou na Cisjordânia uma nova linha de ônibus exclusivos para palestinos, para que os colonos judeus possam “evitar” o “incômodo” de compartilhar o transporte com árabes. O serviço foi criado depois da queixa apresentada pelos colonos no ano passado às autoridades militares israelenses segundo a qual os palestinos que viajavam em “seus ônibus” representavam uma ameaça para sua segurança.

O governo israelense rechaçou as acusações de organizações de direitos humanos, de que o novo serviço é racista e representa uma forma de apartheid (sistema de segregação), e argumentou que a linha foi “planejada para melhorar o transporte de palestinos que entram em Israel”. Mas alguns membros liberais do parlamento israelense não estão convencidos. “Isto se parece com o apartheid”, escreveu a presidente do partido Meretz, Zahava Gal, em seu mural no Facebook.

Yariv Oppenheimer, do movimento Peace Now, contrário às colônias judias, afirmou que a criação do novo serviço envia uma mensagem inadequada. “Em vez de lutar contra o racismo, este governo de fato colabora com o sistema racista e cria ônibus diferentes para palestinos e para colonos israelenses. Na Cisjordânia não há democracia. Se parece mais com o apartheid do que com a democracia”, afirmou.

Funcionários do Ministério do Transporte israelense asseguram que os palestinos não estão oficialmente excluídos dos ônibus para colonos, mas os diaristas contam experiências que contradizem essa afirmação.

“Antes eu procurava pegar ônibus de colonos, mas, em geral, o veículo não parava e seguia viagem. Ou, se parava, para a entrada de colonos, o motorista me dizia que não podia entrar”, contou à IPS o palestino Adnan Omar, de 28 anos, da localidade de Azzun Atme. “E, quando nos deixavam subir, era uma experiência muito desagradável ter de viajar com os colonos, que nos deixavam bem claro que não éramos bem-vindos. Nos olhavam feio e às vezes nos insultavam”, disse Samara à IPS

Motoristas da empresa de ônibus Afikim asseguraram que não são eles que impedem a entrada de palestinos nos veículos, mas os soldados israelenses nos postos de controle. Vários jornalistas que acompanharam de perto a situação informaram que viram palestinos impedidos de subir nos ônibus, ou obrigados a descer deles.

Yirsael Maidad, porta-voz do Conselho de Colonos Judeus, disse que a resistência dos israelenses em compartilhar ônibus com os palestinos se explica pela constante ameaça dos atacantes suicidas. Apesar das críticas de ativistas, alguns dos 29 mil diaristas palestinos que viajam todos os dias a Israel consideram que o novo serviço tem vantagens.

“Esses veículos são mais baratos do que os micro-ônibus palestinos que muitos colegas meus usam para atravessar a Linha Verde para Israel. Também nos sentimos mais seguros do que nos ônibus com colonos, porque não sofremos hostilidades que, às vezes incluíam ataques físicos”, disse Omar à IPS. O novo serviço de transporte para palestinos, que funcionários israelenses admitiram de forma particular que não foi criado por razões altruístas, alimenta os argumentos dos que acusam Israel de adotar um sistema segregacionista.

A Cisjordânia está dividida nas áreas A, sob teórico controle palestino; B, sob controle misto, e C (que representa mais de 60% do território) sob pleno domínio israelense. Os mais de 300 mil colonos judeus na área C gozam de todos os privilégios que foram tirados da população local.

“Os palestinos sofrem uma discriminação sistemática simplesmente por sua raça, etnia e origem nacional. São privados de eletricidade, água, educação e acesso a estradas, enquanto os colonos judeus gozam de todos estes benefícios”, disse Carroll Bogert, subdiretora-executiva para relações exteriores da organização Human Rights Watch (HRW).

“Enquanto se multiplicam os assentamentos, os palestinos sob controle israelense vivem em um túnel do tempo, não apenas separados e em condição desigual, mas também, às vezes, expulsos de suas próprias terras e casas”, lamentou Bogert. “Ao tornarem suas comunidades praticamente inabitáveis, as políticas discriminatórias de Israel frequentemente têm o efeito de obrigar os residentes a abandoná-las”, acrescentou.

A HRW investigou a área C e Jerusalém oriental, e concluiu que a administração israelense fornece generosos benefícios financeiros e infraestrutura aos colonos judeus, enquanto deliberadamente priva de serviços básicos e impõe duras condições às comunidades palestinas. Essa discriminação é feita com base em critérios raciais, de etnia e de nação, o que viola o direito internacional, afirmou a organização.

4 horas atrás

Ditadura Argentina ajudou a criar o mito “Dama de Ferro”

por Betho Flávio
 
Dois fatos definiram a vida política de Margaret Thatcher: a guerra das Malvinas e o radical programa de privatização econômica. Ambos tiveram a particular contribuição da junta militar argentina encabeçada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri (foto acima) à história universal do século XX: sem as Malvinas, Thatcher não teria se convertido na heroína da economia de mercado que começou a se expandir por todo o planeta desde meados dos 80. O artigo é de Marcelo Justo, de Londres. 
Marcelo Justo, em Carta Maior 
Londres – No plano internacional ela era a “dama de ferro”. Entre os britânicos tinha outro apelido mais emblemático: “ladra do copo de leite”. Dois fatos definiram sua vida política: a guerra das Malvinas e o radical programa de privatização econômica. Ambos marcam a particular contribuição da junta militar argentina encabeçada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri à história universal do século XX: sem as Malvinas, Thatcher não teria se convertido na heroína da economia de mercado que começou a se expandir por todo o planeta desde meados dos 80. 
Nascida Margaret Roberts no dia 13 de outubro de 1925, em Grantham (norte da Inglaterra), de um quitandeiro e pastor laico metodista, de quem diria em sua autobiografia teria aprendido “tudo o que sabia de política”, Thatcher chegou ao Parlamento em 1959 e aos primeiros escalões do governo, dois anos mais tarde. Obteve um grande apoio político das mãos do conservador Edward Heath, que agradeceu seu apoio em sua eleição como líder partidário, nomeando-a ministra da Educação em 1970 com a missão de reduzir o gasto estatal. 
Convencida que a presença do Estado na economia e na vida individual era uma das grandes maldições do Reino Unido, Thatcher agradeceu a oportunidade dada por Heath e eliminou o copo de leite para as crianças entre 7 e 11 anos, episódio que lhe valeu o apelido de ladra. “Aprendi uma lição muito importante”, diria em sua autobiografia, “consegui atrair o máximo nível de ódio coletivo com o mínimo nível de benefício político”. 
O governo de Edward Heath caiu em 1974 arrastado por uma crise petroleira internacional e – fato que a dama de ferro jamais esqueceria – e pela greve de mineiros e a semana de trabalho de três dias por causa dos cortes no fornecimento de energia. Em 1975, foi ao escritório de seu mentor político, o mesmo Heath, para informá-lo que tentaria disputar a liderança do Partido Conservador. “Nunca ganhará. Bom dia”, foi a resposta de Heath. 
Convertida em líder da oposição, um diário soviético a chamou de “dama de ferro” após um virulento discurso contra a política de direitos humanos da União Soviética, ajudando-a como ninguém a forjar, com esse apelido, sua imagem pública. A crise econômica do governo trabalhista de James Callaghan e o famoso “inverno do descontentamento”, com greves de lixeiros e coveiros que deixaram uma imagem de paralisia absoluta de um país onde nem os mortos podiam descansar em paz, prepararam o caminho para sua vitória nas eleições de 1979. 
Seu primeiro encontro com a imprensa é lembrado por uma citação que fez de São Francisco de Assis e por um pouco usual tom pacificador. “Onde houver desacordo, que eu traga harmonia. Onde houver erro, que eu traga a verdade. E onde houver desespero, espero trazer esperança”. São Francisco de Assis não voltou a frequentar seus discursos. 
Com um duríssimo programa de austeridade, com cortes do gasto público e aumento de impostos, a economia afundou em uma recessão e, em dezembro de 1980, só 23% dos britânicos a apoiavam, o nível mais baixo desde o início das pesquisas de avaliação de um primeiro ministro. Os violentos distúrbios sociais nas principais cidades britânicas em 1981 e um desemprego que superou a casa de três milhões de pessoas – o triplo do que havia com o governo trabalhista – golpearam ainda mais a escassa popularidade de seu governo. 
Tudo seguiu assim até que apareceu a junta militar argentina. A guerra das Malvinas permitiu-lhe reafirmar como nunca antes sua imagem de dama de ferro por mais que documentos secretos liberados no ano passado mostrem que durante o conflito sua posição mais flutuante do que foi propagado com a vitória militar. Esta vitória abriu caminho para o triunfo eleitoral em 1983 com uma maioria absoluta que lhe permitiu avançar com um radical programa de privatização e desregulação financeira que mudariam o Reino Unido do pós-guerra. 
A forte presença estatal na economia foi drasticamente reduzida (venda da indústria automobilística Jaguar, da telefônica British Telecom, da British Aerospace, da British Gas, etc.) e praticamente aniquilada com a segunda onda de privatizações que se seguiu à vitória eleitoral de 1987 (aço, petróleo, a British Airways, a Rolls Royce, água e eletricidade). Apenas o Serviço Nacional de Saúde e o sistema ferroviário se salvaram da poda que incluiu o poderoso setor de habitações municipais construído no pós-guerra. A esta revolução neoliberal se somou a desregulação do setor financeiro com as novas regras que passaram a reger a Bolsa de Londres em 1986, o célebre Big Bang que muitos analistas situam como a origem da turbulência financeira mundial que sacode o mundo desde 2007-2008. 
Ao mesmo tempo, sua imagem de dama implacável se consolidou com o atentado que sofreu do IRA em 1984 e com sua vitória sobre a greve dos mineiros que terminou de desarticular o poderoso movimento operário britânico do pós-guerra. Essa imagem, tão importante em sua carreira política, terminou convertendo-se na armadilha que precipitaria sua queda. 
Apaixonada por sua própria intransigência principista, assumindo ares de rainha com o eleitorado e com seu próprio gabinete, Thatcher implantou um imposto municipal que se baseava no número de pessoas que vivia em uma casa e não no valor do imóvel. Em março de 1990, uma manifestação de centenas de milhares de pessoas no centro de Londres abriu a cortina para a primeira cena do último ato. 
Apesar de só 12% dos britânicos terem apoiado a medida, Thatcher apelou a esse escudo público que havia forjado nos anos mais exitosos de sua carreira – “vocês mudem, esta dama jamais fará isso”, disse certa vez – e se negou a recuar. Foi um erro gigantesco. A gota que fez o copo d’água transbordar foram suas eternas brigas com a Europa e o desdém público com que tratou o seu então vice-primeiro ministro Geoffrey Howe – um dos cérebros econômicos do thatcherismo – forçando sua renúncia. 
Em novembro de 1991, um ex-ministro, Michael Heseltine, forçou uma votação sobre a liderança do Partido Conservador e ainda que Thatcher tenha vencido o primeiro turno, seus próprios ministros e assessores deixaram claro que perderia o segundo. “Foi a típica traição com um sorriso nos lábios”, diria Thatcher a BBC. Desconsolada, a dama de ferro renunciou ao seu cargo. Uma foto da época mostra-a com os olhos chorosos olhando desde a janela de sua limusine a parta de 10 Downing Street, residência oficial que acabava de deixar após 11 anos no poder. Era uma imagem atípica, feroz, que muitos britânicos celebraram nos pubs. Nada havia comovido a dama de ferro em todos esses anos. Nada salvo esse sonho desfeito de eterno poder. 
Tradução: Katarina Peixoto 
3 horas atrás

Canonizando Margaret

por Esquerdopata
 
 Vladimir Safatle

“Não existe esse negócio de sociedade. Existem apenas homens e mulheres individuais, e há famílias.” Foi com essa filosofia bizarra que Margaret Thatcher conseguiu transformar o Reino Unido em um dos mais brutais laboratórios do neoliberalismo. 
Com uma visão que transformara em inimigo toda instituição de luta por direitos sociais globais, como sindicatos, Thatcher impôs a seu país uma política de desregulamentação do mercado de trabalho, de privatização e de sucateamento de serviços públicos, que seus seguidores ainda sonham em aplicar ao resto do mundo. 
De nada adianta lembrar que o Reino Unido é, atualmente, um país com economia menor do que a da França e foi, durante um tempo, detentor de um PIB menor que o brasileiro. Muito menos lembrar que os pilares de sua política nunca foram questionados por seus sucessores, produzindo, ao final, um país sacudido por motins populares, parceiro dos piores delírios belicistas norte-americanos, com economia completamente financeirizada, trens privatizados que descarrilam e universidades com preços proibitivos. 
Os defensores de Thatcher dirão que foi uma mulher “corajosa” e, como afirmou David Cameron, teria salvo o Reino Unido (Deus sabe exatamente do quê). É sempre bom lembrar, no entanto, que não é exatamente difícil mostrar coragem quando se escolhe como inimigo os setores mais vulneráveis da sociedade e quando “salvar” um país equivale, entre outras coisas, a fechar 165 minas. 
Contudo, em um mundo que gostava de se ver como “pós-ideológico”, Thatcher tinha, ao menos, o mérito de não esconder como sua ideologia moldava suas ações. 
A mesma mulher que chamou Nelson Mandela de ” terrorista” visitou Augusto Pinochet quando ele estava preso na Inglaterra, por ver no ditador chileno um “amigo” que estivera ao seu lado na Guerra das Malvinas e um defensor do “livre-mercado”. 
Depois do colapso do neoliberalismo em 2008, ninguém nunca ouviu uma simples autocrítica sua a respeito da crise que destroçou a economia de seu país, toda ela inspirada em ideias que ela colocou em circulação. O que não é estranho para alguém que, cinco anos depois de assumir o governo do Reino Unido, produziu o declínio da produção industrial, o fim de fato do salário mínimo, dois anos de recessão e o pior índice de desemprego da história britânica desde o fim da Segunda Guerra (11,9%, em abril de 1984). Nesse caso, também sem a mínima autocrítica. 
Thatcher gostava de dizer que governar um país era como aplicar as regras do bom governo de sua “home”. Bem, se alguém governasse minha casa dessa forma, não duraria muito. 

4 horas atrás

Grandes novidades para os ministros do Supremo

por Esquerdopata
 
Questões para os juízes 
Janio de Freitas

Os ministros do Supremo Tribunal Federal vão deparar com grandes novidades em documentos e dados, quando apreciem os recursos à sentença formal, esperada para os próximos dias, da ação penal 470 ou caso mensalão. Muitos desses elementos novos provêm de fontes oficiais e oficiosas, como Banco do Brasil, Tribunal de Contas da União e auditorias. E incidem sobre pontos decisivos no teor da acusação e em grande número dos votos orais no STF. 
A complexidade e a dimensão das investigações e, depois, da ação penal deram-lhes muitos pontos cruciais, para a definição dos rumos desses trabalhos. Dificuldades a que se acrescentaram problemas como a exiguidade de prazo certa vez mencionada pelo encarregado do inquérito na Polícia Federal, delegado Luiz Flávio Zampronha. Inquérito do qual se originou, por exemplo, um ponto fundamental na acusação apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República e abrigada pelo tribunal. 
Trata-se, aí, do apontado repasse de quase R$ 74 milhões à DNA Propaganda, dinheiro do Banco do Brasil via fundo Visanet, sem a correspondente prestação de quaisquer serviços, segundo a perícia criminal da PF. Estariam assim caracterizados peculato do dirigente do BB responsável pelo repasse e, fator decisivo em muitas condenações proferidas, desvio de dinheiro público. 
Por sua vez, perícia de especialistas do Banco do Brasil concluiu pela existência das comprovações necessárias de que os serviços foram prestados pela DNA. E de que foi adequado o pagamento dos R$ 73,850 milhões, feito com recursos da sociedade Visanet e não do BB, como constou. Perícia e documentos que os ministros vão encontrar em breve. 
No mesmo ponto da ação, outra incidência decisiva está revista: nem Henrique Pizzolato era o representante do Banco do Brasil junto à Visanet nem assinou sozinho contrato, pagamento ou aporte financeiro. Documento do BB vai mostrar esses atos sempre assinados pelo conjunto de dirigentes setoriais (vários nomeados ainda por Fernando Henrique e então mantidos por Lula). A propósito: os ministros talvez não, mas os meios de comunicação sabem muito bem o que é e como funciona a “bonificação por volume”, em transações de publicidade e marketing, que figurou com distorção acusatória no quesito BB/Visanet/DNA do julgamento. 
A indagação que os novos documentos e dados trazem não é, porém, apenas sobre elementos de acusação encaminhados pela Procuradoria-Geral -aparentemente nem sempre testada a afirmação policial- e utilizados em julgamento do Supremo. Um aspecto importante diz respeito ao próprio Supremo. Quantos dos seus ministros serão capazes de debruçar-se com neutralidade devida pelos juízes, sem predisposição alguma, sobre os recursos que as defesas apresentem? E, se for o caso, reconsiderar conceitos ou decisões -o que, afinal de contas, é uma eventualidade a que o juiz se tornou sujeito ao se tornar juiz, ou julga sem ser magistrado. 
Pode haver pressentimento, sugerido por ocasiões passadas, mas não há resposta segura para as interrogações. Talvez nem de alguns dos próprios juízes para si mesmos. 

O julgamento popular de Margaret Thatcher

por noreply@blogger.com (SARAIVA13)
 

 

Do Diário do Centro do Mundo –  9 de abril de 2013  
Muita gente comemorou sua morte, e ninguém chorou.   
Festa para muitos na Inglaterra Festa para muitos na Inglaterra 
Paulo Nogueira 

Abaixo, você pode ler a essência da manifestação de Morrisey, cantor do Smiths, à morte de Thatcher.

“Cada movimento que ela fez foi marcado pela negatividade.

 Ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava os pobres, ela odiava o Greenpeace e os todas as entidades de proteção ambiental.

 Ela deu a ordem para explodir o Belgrano já quando o navio argentino estava se afastando das Malvinas. E quando os meninos argentinos a bordo do Belgrano sofreram uma morte terrível e injusta, Thatcher deu o sinal sinal de positivo para a imprensa britânica.

 Ela odiava feministas ainda que tenha sido graças a elas que o povo britânico aceitou que um primeiro-ministro pudesse realmente ser do sexo feminino.
 Thatcher era um horror sem um átomo da humanidade.”
  
Quanto a mim: sabia, evidentemente, que Thatcher era uma figura que dividia os ingleses.

Mas não imaginava, até ver as reações a sua morte aqui na Inglaterra e em outras partes do Reino Unido, quanto o ódio que ela despertou suplantava o amor e a admiração.
Horas depois do anúncio da morte, enfrentaram-se em Manchester os dois times locais, o United e o City.

Não houve minuto de silêncio. A torcida teria devastado o tributo.

Em Liverpool, os torcedores cantavam em comemoração à morte de Thatcher. Numa tragédia em que morreram muitos torcedores no estádio do Liverpool nos dias de Thatcher, a polícia acusou a torcida local – erradamente, como se veria depois.

Thatcher condenou a torcida e apoiou a versão falaciosa da polícia. Jamais foi perdoada.

Em Glasgow, uma multidão foi às ruas celebrar a morte. Os escoceses acham que foram tratados como subespécies por Thatcher.

No twitter, o congressista George Galloway lembrou que ouviu Thatcher chamar Mandela, no Parlamento, de “terrorista”. (Alguém disse que houve justiça poética em Mandela, tão combalido, ter sobrevivido a ela.)

“Que ela arda no inferno”, disse Galloway, sob numerosas manifestações de apoio e poucas de protesto. Alguém pediu respeito a Galloway.

A melhor maneira de mostrar respeito hoje é esta, respondeu Galloway – e postou um link que ia dar no seu partido, chamado exatamente Respeito.

Fora da galhofa, Galloway disse algo que merece reflexão.

Ele comparou a reação à morte de Thatcher com a reação à morte de Chávez, um mês atrás.

O povo não é bobo.

Thatcher fez um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.
Chávez governou para os pobres.

O reconhecimento da voz rouca das ruas — vital para o que vai ficar registrado para a posteridade nos livros – irrompe com potência sublime e comovedora na morte de pessoas públicas.

É a aprovação definitiva, ou a reprovação, ou a indiferença.

Chávez foi amplamente aprovado, como gritaram as filas de catorze horas formadas por venezuelanos desesperados por vê-lo pela última vez em Caracas – num lamento épico e histórico protagonizado não pelo Comandante, mas pelos excluídos ao longo da história por uma elite corrupta e predadora controlada pelos Estados Unidos.

Thatcher foi reprovada.

*PauloNogueira. Jornalista baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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PITACO DO ContrapontoPIG 
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As ações do governo Thatcher foram mais nefastas para a humanidade do que as ações de muitos dos grandes criminosos de guerra.

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Jornalista inglês: ‘Estou de luto pelo dia em que Thatcher nasceu’

por redacao
 

Conversa Afiada reproduz sugestão do editor João Andrade:

Paulo,

O jornalista esportivo Tim Vickery fez duras críticas a Margaret Thatcher no programa ‘Redação Sportv’ de hoje.

Só para contextualizar, o Tim Vickery é um jornalista inglês, correspondente da BBC aqui na América do Sul, e comentarista do programa do Sportv às terças. Costumo dizer que o melhor jornalista esportivo do Brasil é inglês. Gosto muito dele e acho bastante coerente.

Voltando ao vídeo, ele foi perguntado se estava de luto pela morte de Thatcher e, sem pensar muito, disse estar de luto pelo nascimento dela. E, em 4 minutos de vídeo, discorre sobre o tema.

Vale a pena assisti-lo.

Tim Vickery sobre Margareth Thatcher: ‘Estou de luto pelo dia em que ela nasceu’

 

 

Clique na imagem para assistir ao vídeo

 

Caso o vídeo não abra no primeiro clique, atualize a página ou aperte o F5.

 

5 horas atrás

A agonia do Estadão

por redacao
 

Conversa Afiada reproduz post do Blog do Miro:

A agonia do Estadão


Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O Estadão está virtualmente morto.

Está cumprindo todas as excruciantes etapas da agonia dos jornais (e das revistas) na era da internet: demissões, demissões, demissões. Menos páginas, borderôs menores.

E futuro nenhum.

Pode ser que, em breve, o Estadão circule duas ou três vezes por semana, como está acontecendo com tantos jornais no mundo.

A Folha, em outras circunstâncias, vibraria. Na gestão Frias, um dos dogmas na Barão de Limeira era que apenas um jornal sobreviveria em São Paulo.

Semimorto o Estado, ficaria a Folha, portanto.

Mas os problemas da Folha são exatamente os do Estado. Pela extrema má gestão dos Mesquitas, eles apenas estão levando mais cedo o Estadão ao cemitério.

Isso quer dizer que não vai sobrar nenhum.

Lamento, evidentemente, cada emprego perdido por jornalistas que tiveram o azar de estar na hora errada na redação errada sob a administração errada derivada da família proprietária errada. (Os demitidos, importante que eles se lembrem disso, terão a oportunidade de respirar ares mais enriquecedores, sobretudo na mídia digital.)

Mas o jornal, em si, não deixará saudade.

Qual a contribuição do Estadão ao país?

O golpe de 1964, por exemplo. O Estadão, como o Globo, tem um currículo impecável quando se trata de abraçar causas ruins e misturar genuínos interesses privados com interesses públicos fajutos. No mundo perfeito, segundo o Estadão, os brasileiros serviriam basicamente de mordomos para os Mesquitas.

Ainda hoje, moribundo, gasta suas últimas reservas na defesa de um país em que o Estado (governo) deve servir de babá para uma minoria que, no poder, fez do Brasil um dos campeões mundiais em desigualdade.

Que colunista se salva? Quem oferece uma visão alternativa? Quem quer um país melhor, menos injusto?

Dora Kramer? Pausa para risada.

Os editorialistas mentalmente decrépitos que davam conselhos à Casa Branca mas jamais conseguiram cuidar do próprio quintal? Nova pausa.

Articulistas como Jabor? Pausa mais longa, porque é gargalhada.

O Estadão pertence a um mundo em decomposição, e cujo passamento não deixa ninguém triste.

Combateu o mau combate. Perdeu, e se vai. Poderia ter ido antes. Muitas árvores teriam sido poupadas.

Chove sobre Porto Alegre e dez mil pessoas protestam

por Cristóvão Feil
 

Vídeo do Coletivo Catarse sobre a mega manifestação de protesto em Porto Alegre contra os preços abusivos das passagens de ônibus urbanos. O fato ocorreu na semana passada, quinta-feira, 4 de abril. 

8 de Abril de 2013 10:28

Thatcher: morreu hoje a mulher que quis matar a política

por Cristóvão Feil
 
 
[A propósito da morte, ocorrida hoje, da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, republicamos o comentário que fizemos ao filme ‘A Dama de Ferro’, publicado originalmente neste blog DG em 23 de abril de 2012.] 
 ‘A Dama de Ferro’ é uma alegoria sobre o declínio do neoliberalismo 
Ontem à noite, quando saí do cinema onde assistira ao filme da diretora britânica Phyllida Lloyd, me ocorreram três coisas. Senti uma vontade danada de beber uísque. Pura sugestão, é que madame Thatcher bebe o tempo inteiro do filme. Lembrei de Getúlio Vargas e da jornalista Gilda Marinho, uma figura meio folclórica no cenário high society porto-alegrense dos anos 70 e 80. 
Me explico: Gilda Marinho foi atacada uma vez por um inimigo oculto e dado a brincadeiras pesadas e maliciosas. Tal pessoa mandou publicar nos classificados em jornal edição dominical um anúncio onde se vendiam dezenas ou centenas de garrafas de uísque vazias. “Tratar com Gilda Marinho, no telefone tal” – dizia o anúncio. 
Confesso que desconhecia essa propensão à sede da Baronesa Thatcher. Quantas garrafas vazias ela estaria em condições de vender, hoje? Sendo assim, vejo que a guerra das Malvinas foi um verdadeiro duelo de pinguços. Ninguém desconhecia na Argentina e arredores que o general Leopoldo Galtieri, presidente-ditador na época da guerra pelas ilhas do Atlântico Sul, era outro que abrigava uma pedra de sal na garganta e buscava a cura através da ingestão de hectolitros de álcool. 
E falando sobre Getúlio Vargas já podemos comentar o filme sobre a dama de ferro. A imortal frase de Vargas, na hora da morte, “saio da vida para entrar na história”, não serve para a senhora Thatcher. Ela ainda vive, mas a história já a abandonou, antes mesmo de convidá-la a adentrar o seu templo de glórias e ilusões. 
A qualidade do filme de Phyllida Lloyd está justamente no fato de não entrar muito no mérito político da ex-primeira ministra da Grã-Bretanha. Ao mostrá-la no fim da vida, já enferma pelo Alzheimer, açoitada por fantasmas os mais diversos, mas em especial, Denis, o marido pimentinha, Phyllida faz um julgamento branco do legado político da Baronesa. 
David Cameron, o atual primeiro-ministro britânico, igualmente conservador como ela, não gostou do filme, e perguntou “por que logo agora aparece um filme sobre Thatcher?”. 
Ora, a resposta parece óbvia. Tudo aquilo que foi sólido e sagrado, tudo o que foi construído/destruído por Thatcher agora se desmancha no ar e é profanado. Margaret não saiu da vida e nem entrou para a história. 
Margaret é um zumbi condenado a escutar vozes e a ter que ligar todos os eletrodomésticos da sua vetusta residência para ter um segundo de sossego e paz de espírito. Como já não pode mais fazer uma faxina nacional no País, o faz no seu quarto atulhado de lembranças e espectros zombeteiros. 
A abertura do filme é brilhante. Margaret apanha meio litro de leite numa mercearia de esquina e não é reconhecida por ninguém. Ao contrário, é ignorada com ênfase de má educação, um sujeito se atravessa no balcão e não respeita a fila do caixa, um negro jovem e muito alto roça o seu traseiro e não presta a atenção à sua idade e sobretudo à sua antiga condição de primeira mandatária do País. 
Ela sente que voltou a ser a moça do cotidiano (esse “nocivo espaço da atualidade”, como dizia Lukács), quando auxiliava o seu pai na quitanda da família, interior da velha Inglaterra. Chega em casa e tem uma pilha de livros para autografar, até que volta a assinar Margaret Roberts, seu nome de solteira. O inconsciente é malcriado, mesmo não consultado emite seus pareceres sobre nós mesmos, e sobretudo contra nós mesmos. 
O carrossel da história volta ao seu ponto de partida. Tudo o que fez de sagrado, está sendo profanado. Ela já não se reconhece no mundo por ela forjado. 
‘A Dama de Ferro’ é um filme sobre o ocaso do neoliberalismo, mesmo sem citá-lo uma única vez e ainda que modelado na linguagem da subjetividade de uma senhora muito idosa governada por sua memória, nem sempre amigável. 
Margaret Thatcher foi a face do neoliberalismo, agora está no declínio da existência, cumpre um roteiro meramente biológico, porque a história já a rechaçou e a economia não mais a reconhece. 
Margaret sente que já não é mais deste mundo e o fantasma de Denis Thatcher (o marido, que morreu em 2003) insiste em apontar-lhe o excesso de ambição pessoal e o excesso de uísque. Neste ponto, a diretora e a roteirista (Abi Morgan) usam um recurso narrativo de sutil mas aguda crueldade: os fantasmas são uma forma de autocrítica para quem – arrogante – é incapaz de fazer autocrítica. 
O fenômeno Thatcher resultou da profunda crise de acumulação do capital experimentada pela Grã-Bretanha nos anos 1970. O sindicalismo foi muito organizado e logrou obter êxito na disputa por melhores salários, condições de trabalho e demais conquistas sociais do chamado welfare state
Enquanto houve excedente para ser dividido com o capital, os trabalhadores ingleses souberam negociar de forma a se apropriar de parte do bolo produtivo. Quando sobreveio a crise escasseou a redistribuição, surgiram os conflitos, as greves (que não ocorriam desde 1926), a estagflação (inflação de 26%) e rápido aumento das taxas de desemprego (cerca de 1 milhão de pessoas, em 1975). 
Passou a haver crise de legitimidade, aumento das dificuldades fiscais, crise na balança de pagamento e monumentais deficits orçamentários. Trabalhistas e conservadores (partido de Thatcher) se revezavam no poder entre 1974 e 1979, com aprofundamento crescente da crise e recrudescimento das greves (transportes, limpeza urbana, setor saúde e inclusive coveiros fizeram paralisações prolongadas). 
É neste contexto de profunda crise do capital pondo fim a uma prolongada política de aliança de classes entre os trabalhadores e a grande burguesia decadente que emerge ascensional a estrela de Maggie Thatcher. 
O filme mostra a dificuldade sentida por ela para se impor junto aoestablishment do partido conservador, não só por ser mulher, mas sobretudo por ser filha de um pastor metodista e pequeno comerciante do Norte do País. Uma outsider adventícia no seio do baronato que foi e é íntimo da Coroa inglesa. 
Pois, para não decepcionar la crema y nata da velha nobreza inglesa, a filha do quitandeiro (como a chamavam à socapa nos corredores do partido) fez de tudo para se impor como a mais realista do Reino Unido. 
Assumiu o poder em maio de 1979, já mostrando a que veio. Fez provocações diretas aos então fortíssimos sindicatos de trabalhadores e esgarçou o frágil tecido das relações capital/trabalho ao máximo. Conseguiu com isso, estimular muitas greves prolongadas e que paralisaram o país, por muitos meses. A greve dos mineiros durou quase um ano de confrontos entre o Estado e os sindicatos. Tudo o que ela desejava, politicamente. 
O desmantelamento do Estado de bem-estar social atacou as áreas da saúde, assistência social, educação pública, Universidades, a burocracia estatal e o poder judiciário. O salário mínimo foi extinto e os impostos passaram a ser regressivos (poll tax, onde os ricos pagam menos e os trabalhadores pagam mais impostos), como forma de estimular os investimentos privados, já que o Estado estava se exonerando da economia. 
Thatcher comprava briga em várias frentes ao mesmo tempo e procurava se legitimar através de um programa habitacional de venda direta das propriedades do Estado aos seus antigos locatários. 
O discurso para conseguir o consentimento legitimador calcava nas consignas do ultraliberalismo de Friedrich Hayek: direito de propriedade individual (o plano habitacional garantia isso), cultura do empreendedorismo e do individualismo, regras de controle, responsabilidade financeira e produtividade nas instituições públicas, estímulo aos valores conservadores da classe média (Thatcher é o próprio triunfo da classe média), incentivo ao consumo intensivo à custa do endividamento em massa dos assalariados (como forma de criar um compromisso inescapável com o sistema). 
A partir deste ponto, o centro da vida é o mercado. A mercadificação de tudo significa direitos de propriedade sobre processos, coisas e relações sociais (Harvey), supondo que tudo sob o céu é passível de ser atribuído um preço – em dinheiro – e portanto negociável nos termos de um contrato legal. 
É o surgimento do chamado homem unidimensional, de que falava Marcuse ainda em 1964. O mercado (e as mercadorias) é um guia próprio para todas as ações humanas, ou seja, o mercado é uma ética. 
A meu ver o mais grave dos legados da era Thatcher (1979-1990) é a tentativa de abolição da esfera política. 
A queda de braço com o movimento sindical visava a eliminação física dos trabalhadores, como atores sociais reconhecidos. Ela decidiu importar carvão mineral para não negociar a agenda dos mineiros ingleses. 
Preferiu comprometer mais e mais as finanças já combalidas do Estado a recuar um milímetro no seu intento de esmagar a capacidade política e orgânica dos sindicatos. 
A anulação e a subsunção da esfera política às desigualdades do mercado é a suprema maldade do ultraliberalismo thatcherista. É o seu legado mais forte e permanente. Se a política diz respeito à coexistência e associação de homens diferentes, como nos ensina Hannah Arendt, já se vê que a sua derrocada representa um retrocesso civilizatório. 
Aniquilar o fazer político é o mesmo que erradicar a pluralidade humana, estreitar a capacidade que adquirimos culturalmente de buscar objetivos que contemplem o diferente e o desigual, numa síntese dinâmica, provisória e em vias de permanente aperfeiçoamento. Matar a política é o mesmo que condenar o homem a renunciar a sua liberdade, é mantê-lo escravo das suas próprias contingências, batendo cabeça num eterno cotidiano opressivo e redutor. 
O neoliberalismo é uma fórmula perversa de apagar a política em favor da ditadura dos mercados. 
Os governos que sucederam a primeira-ministra Thatcher conseguiram abolir algumas medidas antissociais da ex-quitandeira, como: o salário mínimo (Tony Blair, trabalhista) e o imposto regressivo (John Major, conservador), mas a desqualificação da esfera política está sendo de difícil reversão, até porque isso se alastrou pelo mundo todo, com a crescente importância da economia sobre a política. 
Nem a duplicação da taxa de pobreza na Grã-Bretanha, durante os 11 anos de Maggie no poder, pode ter repercussões tão deletérias como o ataque à política. 
Talvez por esse motivo o filme de Phyllida Lloyd tenha igualmente um olhar tão distante da política propriamente dita, embora não seja um filme apolítico. Não o é. Mas, não falar não significa não ser. 
‘A Dama de Ferro’ é um filme fortemente político, exageradamente politizado. Uma alegoria se notabiliza precisamente por não falar diretamente sobre a sua identidade. Uma alegoria é sempre um disfarce, uma representação do objeto ao qual se refere. 
A diretora Phyllida e a roteirista Abi quiseram falar do neoliberalismo, justamente no momento do seu lento e inexorável crepúsculo, e o fizeram falando e narrando sobre Thatcher – hoje Baronesa Thatcher de Kesteven (viram, ela também viroula crema y nata da sociedade british!) – no ocaso de sua vida biológica. Simples e direto como pôr um ovo em pé. 
Não é à toa que a direita britânica, a começar pelo primeiro-ministro Cameron, não gostou do filme. 
Claro, foram cínicos, alegaram que a ex-primeira-ministra foi retratada na sua demência senil, que isso é cruel, etc. Mas jamais admitiram que falar de Thatcher é falar da senilidade do próprio sistemão que ela criou. 
Por esse singelo motivo eu reputo o filme ‘A Dama de Ferro’ de genial. E, depois, mulheres fazendo cinema, sempre resulta em algo inteligente e instigante.

Ah!, Meryl Streep está soberba como a Baronesa demente. Na saída do cinema ouvi alguém perguntar: “E a Meryl Streep, onde aparece no filme?” É o melhor elogio que uma atriz pode receber, melhor que o Oscar 2012

Como funciona a independência do Banco Central no Japão

por Gilmar Crestani
 

Aécio Neves, seguindo os conselho do Armínio Fraga, acusa Dilma de intervencionismo no Banco Central. Pela sua filosofia econômica o Banco Central tem de ser independente do governo e dependente dos banqueiros. Esta foi uma máxima que proliferou nos anos do neoliberalismo. O PSDB ainda se ressente da banqueirização da economia. Juros baixos incomoda mais que desemprego, por isso essa aliança com o Itaú, com a cobertura beneplácita dos grupos mafiomidiáticos. O Japão bota a corda no pescoço do Aécio Neves. Prende mas não enforca, porque para isso precisaria que Aécio tivesse cabeça mas ele só tem gogó.

Japón lanza su revolución monetaria

El gobernador Kuroda hace suya la estrategia de Bernanke con inyecciones masivas de liquidez Duplica el balance del banco central para situarlo en el equivalente al 55% del PIB en 2014

Alicia González Madrid 7 ABR 2013 – 00:53 CET84

El nuevo gobernador del Banco de Japón (BOJ), Haruhiko Kuroda, / FRANCK ROBICHON (EFE)

Pocas veces un estreno en un cargo de una institución económica había resultado tan apabullante y drástico. Apenas dos semanas después de tomar las riendas del Banco de Japón, Harukiro Kuroda anunció el pasado jueves una de las mayores inyecciones monetarias que se recuerdan en la historia de los bancos centrales y que supone insuflar a la economía el equivalente al 30% del PIB en solo dos años. Con esta estrategia, el banco central de la tercera economía del mundo espera poner fin a más de 15 años de deflación y depresión económica, aunque para ello haya tenido que abrir la caja de pandora, con los riesgos —algunos desconocidos— que conlleva.

Arranca, así, la historia del nuevo Banco de Japón, como lo definen los analistas. El comité del banco central japonés ha apostado por una nueva fase de relajación monetaria, tanto en términos cuantitativos como cualitativos. El objetivo es situar la inflación en el 2% cuanto antes, a más tardar en un plazo de dos años. Sólo como referencia, los precios cayeron en enero, en tasa interanual un 0,2% y excluidos los precios más volátiles de la energía y los alimentos, el descenso fue del 0,7%.

 

Las medidas del nuevo plan

– La base monetaria se incrementará a un ritmo de entre 473.000 y 552.000 millones de euros anuales. De esta forma, el volumen de la base monetaria pasará de 1,08 billones de euros a finales de 2012 a 2,13 billones a finales de 2014, según los cálculos de la entidad.

– Aumentará la compra de bonos a un ritmo de unos 394.000 millones de euros al año (frente a los 55.200 millones fijados en el programa actual) y se podrán adquirir títulos con vencimiento de hasta 40 años. Así, la vida media de los bonos adquiridos por la autoridad monetaria se alargará de tres a siete años.

– Se efectuará un incremento anual de 79.000 millones de euros en las compras de fondos cotizados (ETF) y de 236 millones en las de fondos inmobiliarios japoneses (J-REIT).

– Se mantendrá la compra de deuda corporativa privada y se relajarán las condiciones de acceso a las entidades financieras en próximas reuniones para impulsar el crédito.

– Suspensión temporal de la regla de los billetes, lo que supone que el total de compras de deuda pueden superar el nivel de los billetes en circulación de la economía.

– Se da por finalizado el actual programa de compra de activos que estaba dotado con unos 800.000 millones de euros.

Para alcanzar ese objetivo, el banco abandona la referencia de los tipos de interés —que ya están próximos a cero— como principal instrumento de su política y apuesta por duplicar la base monetaria, es decir, la suma del dinero en circulación en la economía y las reservas que las instituciones mantienen en el banco central. De esta forma espera que su volumen pasará de los 138 billones de yenes (1,08 billones de euros) de 2012 a 270 billones (2,13 billones de euros) a finales de 2014, lo que supondrá en torno al 55% del PIB de Japón.

De esta forma, Kuroda ha hecho suya la estrategia que puso en marcha Ben Bernanke al frente de la Reserva Federal estadounidense tras la caída de Lehman Brothers, en septiembre de 2008. Aunque quizás sería más apropiado decir que, en todo caso, se trata de un viaje de ida y vuelta puesto que Bernanke presume de haber estudiado en profundidad el papel de Koreikiyo Takahashi al frente del Ministerio de Finanzas de Japón entre 1931 y 1936, los años de la Gran Depresión, y cuyas medidas “salvaron brillantemente a Japón de la depresión mundial”, según el banquero estadounidense. La receta aplicada entonces sería, traducida a la actualidad, una combinación de estímulos fiscales, relajación cuantitativa y depreciación del tipo de cambio. Pero Bernanke, además, ha reconocido en varias intervenciones que su objetivo es evitar las consecuencias que una falta de decisión en la adopción de medidas o la retirada anticipada de los estímulos pueden tener sobre la economía, lo que le ha sucedido a Japón desde la década de los años 90 y que explican en buena medida la situación actual.

Porque si algo ha puesto de manifiesto la actual crisis financiera es la limitación de los tipos de interés —que en la mayoría de los países desarrollados rondan el 0%— como instrumento de política monetaria y que ha forzado a los bancos centrales a optar por otras medidas de relajación para sacar a flote sus economías. Japón llevaba muchos años en esa situación y el nuevo plan va mucho más allá. Basta compararlo con lo que han hecho otros bancos centrales en este tiempo. Según los cálculos de Estefanía Ponte, de Cortal Consors, la Reserva Federal de EE UU ha aumentado su balance un 233% desde 2007, lo que situaba a finales de febrero la base monetaria de la Reserva en el equivalente a 2,11 billones de euros. Una cifra muy parecida a la meta que ahora se ha fijado Japón, sólo que EE UU tiene una economía tres veces mayor que la nipona y lo ha llevado a cabo en un plazo de cinco años frente a los dos que se ha marcado Tokio. Hablamos de una avalancha de liquidez de proporciones históricas.

“Kuroda lo ha hecho”, titulaban su informe los analistas del banco de inversión japonés Nomura, como reflejo de su propia sorpresa. “Nadie creía que Kuroda tendría el coraje de hacer lo que ha hecho”, admitía el multimillonario George Soros en una entrevista con la CNBC “Hay que dar un voto de confianza al Banco de Japón por su full monty de expansión monetaria”, señalaba Steen Jacobsen, economista jefe de Saxo Bank, en una nota a clientes.

El banco que dirigía hasta el pasado 19 de marzo Masaaki Shirakawa estaba más centrado en el correcto funcionamiento del mercado y en la disciplina fiscal, como explica Kiichi Murashima de Citi Research, temeroso de un rápido repunte de precios si la economía volvía a crecer de forma sostenida o de financiar los déficit del gobierno. Kuroda ha decidido dejar de lado los paños calientes y tomar de golpe, y en su primera reunión, todas las medidas necesarias para alcanzar su objetivo. Aunque para ello haya tenido que suspender la regla de los billetes, “inevitablemente”, según Yujiro Goto, de Nomura. Esa regla, implantada en 2001 por la entidad, obligaba a la autoridad monetaria a situar el total de las compras de bonos por debajo del volumen de billetes en circulación. Con la nueva oleada de compras agresivas de bonos esa regla deja de estar en vigor, temporalmente, según la entidad.

“Con la introducción de estas medidas, el Banco de Japón está siendo muy contundente para impulsar el crecimiento y lograr que la inflación se sitúe en el 2% lo antes posible”, asegura José Ramón Díez Guijarro, profesor de Entorno Económico de IE Business School. “No obstante, el Banco y en particular Kuroda se han plegado de lleno a la presión del Gobierno de [Shinzo] Abe en la primera oportunidad que han tenido para ello, menoscabando la independencia del banco central”, advierte.

Abe ganó las elecciones del pasado mes de diciembre con una decidida apuesta porla recuperación de la economía, con un plan basado tres pilares: estímulos fiscales, una política monetaria agresiva para lograr que la inflación se sitúe en el 2% y un plan de reformas estructurales. Es la Abeconomía, como lo denominan los analistas. Su plan le llevó incluso, a plantear acabar con la independencia del banco central, uno de los paradigmas económicos de las últimos décadas y por la que mantuvo un agrio enfrentamiento con el presidente del Bundesbank, Jens Weidmann, el pasado mes de enero. “Intencionadamente o no, con la intereferencia del gobierno en la política del banco central Japón puede desatar una guerra de divisas”, advertía entonces Weidmann.

Desde su llegada al gobierno Abe no ha ocultado su intención de propiciar una devaluación del yen con el objetivo de impulsar sus exportaciones, en directa competencia con sus vecinos de Corea del Sur y China. Entre enero de 2008 y el pasado mes de enero, las exportaciones japonesas han caído un 16,4%, según datos de Capital Economics. Eso puede cambiar radicalmente en los próximos meses ya que en lo que va de año el yen ha perdido un 11% de su valor y solo desde que se conoció el plan del Banco de Japón, la divisa ha retrocedido un 2,5%, hasta las 97,57 unidades por dólar y los 126,79 yenes por euro del cierre del pasado viernes.

Jeremy Hale, de Citi Research, calcula que el yen puede situarse en las 115 unidades por dólar a finales de 2014. Pero Hale advierte: “Claramente, esto dependerá en buena medida de lo que hagan otros bancos centrales, en concreto, la Reserva Federal, y de la evolución de los bonos a 10 años”. De lo que no cabe duda es que, dados los niveles actuales, para conseguir el objetivo del 2% de inflación, el yen debe depreciarse mucho más de lo que lo ha hecho hasta el momento. Y no está nada claro que el resto de las grandes potencias mundiales vayan a permitir a Japón semejante ventaja en un momento en el que el desapalancamiento interno de las economías industrializadas hace de las exportaciones el motor soñado de la recuperación.

“En esta semana en la que ha habido reuniones de varios bancos centrales, la principal conclusión es la inexistencia de cualquier tipo de coordinación en sus decisiones”, señala Díez Guijarro, del IE Business School. “Estas divergencias en la filosofía de los grandes bancos centrales van a tener, sin duda, efectos muy importantes en el comportamiento de los mercados financieros de los próximos años, tras décadas en las que existió una visión muy homogénea sobre el papel que deben jugar. Y ya veremos quién tiene razón”.

No falta quienes dudan de que, pese a la magnitud de las decisiones adoptadas, el Banco de Japón vaya a lograr su propósito inflacionista e incluso quienes advierten que incluso en el caso de tener éxito en su empeño “la inflación importada por la debilidad del yen puede dar al traste con la incipiente recuperación de la economía”, como advierten los analistas de Capital Economics.

En esa línea, Raymond Van Der Putten, de BNP Paribas, sostiene que la compra masiva de bonos “puede provocar burbujas especulativas en el mercado”, con las consecuencias de todos conocidas. Lo cierto es que hay pocos precedentes de una política monetaria tan agresiva y aplicada en tan poco tiempo y lo que temen los expertos es que “una vez que el genio salga de la lámpara veremos lo que pasa”, como sostiene Díez Guijarro.

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16 horas atrás

Inimigo de meu inimigo

por Gilmar Crestani
 

… é meu amigo! Assim também pensa a direita mafiomidiática argentina. Detesta Pepe Mujica por tudo o que significa, mas como zombou de Cristina Kirchner virou herói nacional. Passados os tempos de golpes militares patrocinados por gorilas sob mando dos EUA, os golpistas armam-se com qualquer arbusto, mesmo um brusacul, para ensaiar um retorno nada democrático ao poder. São os mesmos grupos que chamam Chávez, mesmo depois de 16 eleições, de ditador, mas chamam o golpista paraguaio de presidente. Já venderam as consciências, mas como elas não valiam nada e as dívidas na democracia cresceram, deram então para venderem os prédios. Deve mesmo estarem com saudade dos tempos ditatoriais, quando cresceram nababescamente.

Una vieja terca

El ídolo pobre de los ricos argentinos dedicó un piropo machista a la presidente CFK. Su terquedad le permitió sortear las peores presiones sin apartarse de un rumbo que el electorado plebiscitó hace un año y medio y que volverá a ponerse en juego este año. Alta tasa de empleo y baja tasa de desocupación, con un mercado interno robusto por el que la desaceleración no se tradujo en recesión.

 Por Horacio Verbitsky

La fijación de los orientales con esta banda del río Uruguay es una de las más acendradas tradiciones regionales que, de tanto en tanto, eclosiona incontenible y sale por el desagüe de las bañaderas como una inundación o con la fuerza de un exabrupto por un micrófono inadvertido. El jueves le tocó al ídolo pobre de los ricos porteños, José Mujica, quien se despachó de lo lindo sobre Néstor Kirchner y su esposa, la presidente CFK. “Esta vieja es peor que el tuerto. El tuerto era más político, ésta es terca”, bisbiseó por la web oficial de su gobierno, en diálogo con un intendente.

Guillermo Pomi, un embajador que tiene línea directa con Mujica y muy buena relación con figuras importantes del entorno presidencial argentino, desdeñó la máxima “No aclares que oscurece” y se esforzó por apaciguar las reacciones. Recién a última hora la cancillería lo citó y emitió una comunicación formal de malestar, centrada en la denigración de Kirchner, quien no puede contestar. Pero Cristina, que sí puede, decidió no hacerlo. Ni dijo ni dirá nada, porque no tiene sentido pelearse por una chuscada de un vecino cuya escala le permite cosas que entre pares serían inadmisibles. La misma condescendencia tuvo Lula hace unos años, cuando Evo Morales envió al Ejército boliviano a ocupar instalaciones petroleras de empresas brasileñas.

Nada ni nadie

Estado tapón, creado por la diplomacia británica del siglo XIX para impedir la conformación de un bloque poderoso que incluyera a la Argentina y el Brasil, el Uruguay del siglo XXI oscila entre las posiciones liberales de su vicepresidente Danilo Astori, quien preferiría arrojarse en brazos de Estados Unidos y desentenderse de las engorrosas negociaciones con los vecinos, y las de Mujica, quien aún cree en el destino sudamericano del paisito y está dispuesto a tragarse el orgullo cada vez que sea necesario en aras de ese objetivo estratégico. Lo compensa, de tanto en tanto con macanas como la del jueves, luego de la cual lanzó un obvio “nada ni nadie podrá separarnos”. Ni su propia liviandad, se entiende.

Pero tal vez haya otras razones para el sensato silencio de Cristina, acaso la definición del ex rehén de la dictadura uruguaya no le disguste por completo. Las gracias del bufón suelen contener verdades inapelables. Mujica les llama viejas a todas las mujeres, incluyendo la propia. Que Cristina es terca y que Kirchner era más político son datos de la realidad que no deberían ofender a nadie, más allá de lo chabacano de la expresión, problema del que en todo caso deberían preocuparse los orientales. Más aún, la terquedad es una de las virtudes que le han permitido sortear situaciones adversas ante las que dirigentes con menos temple hubieran sucumbido. A su manera, el presidente uruguayo le dedicó un piropo machista.

En los cinco años que lleva de gobierno esa obstinación fue decisiva para seguir adelante con un rumbo fijo, sin amedrentarse ni distraerse. La calidad de la gestión es un problema aparte, pero esa es una característica estructural del Estado argentino. No ha habido administración que pueda ser añorada en ese rubro. El caso de las inundaciones en Buenos Aires y La Plata es elocuente. Hace ocho años, como parte del acuerdo amistoso celebrado ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos con los integrantes de Memoria Activa víctimas del atentado a la AMIA, Kirchner firmó el decreto 812/05 en el que reconoció la responsabilidad del Estado Nacional y se comprometió a ejecutar una agenda acordada por las partes. Su artículo 4 disponía crear una unidad especializada en catástrofes, tanto naturales como provocadas y la elaboración de un plan de contingencia, que implicaba acuerdos entre la Nación, la Ciudad Autónoma de Buenos Aires y las provincias. Desde entonces, la Capital ha tenido tres jefes de gobierno de distinto signo, y ninguno ha hecho su parte del trato. Ocho años después, nada se ha avanzado en esa dirección y todo sigue dependiendo de la buena voluntad una vez ocurrido el desastre. Si eso no singulariza al actual Poder Ejecutivo, su determinación para perseguir una meta preestablecida sin apartarse por los contratiempos del camino, no tiene precedentes. Quienes dentro del país la quieren menos que Pepe Mujica le llaman a eso ambición de poder o sus distintas variantes según las ocasiones. A veces cuesta distinguir si es mayor el odio o la envidia. En cualquier caso, no son buenos materiales para la construcción política.

Fuga hacia delante

El caso emblemático transcurrió durante el primer año de su presidencia, cuando las cámaras patronales agropecuarias le plantearon un desafío a todo o nada, con una dimensión simbólica que iba mucho más allá de la resistencia a las retenciones móviles por la comercialización de granos. Durante tres meses cortaron rutas, desabastecieron a las ciudades, amenazaron a los legisladores y por ese y otros métodos más discretos, torcieron voluntades y frustraron el proyecto oficial por la deserción de varios senadores, que resultaron protegidos por la escandalosa deserción del vicepresidente. Aun así, al agradecer a los diputados y senadores justicialistas y aliados CFK dijo que estaba orgullosa porque por primera vez en el Congreso se discutieron intereses de los grandes capitales y no se construyeron mayorías con la Banelco. “Perdimos la votación pero ganamos como proyecto porque hubo una fuerza política que actuó por convicción, cuando en otras décadas sólo había voces solitarias como la mía”, agregó. Tampoco le hizo mella el mal resultado de las elecciones legislativas de 2009, celebradas en el peor momento de la crisis económica global desencadenada por la burbuja especulativa inmobiliaria en los Estados Unidos y la quiebra de los bancos que la apalancaron. Aun en ese escenario en el que hubo intentos explícitos por forzar su renuncia, puntualizó que en la suma del país ninguna fuerza había obtenido más votos que el Frente para la Victoria. Quienes hubieran querido verla quebrada, la acusaron de negar la realidad. Reaccionó impulsando una reforma del régimen electoral, negociada con los demás partidos, que estableció las Primarias Abiertas, Simultáneas y Obligatorias y el acceso de todos los partidos a espacios gratuitos en la televisión, cuya trascendencia el resto de las fuerzas recién advirtió cuando se aplicó por primera vez. Además dio nuevo impulso a la ley de servicios de comunicación audiovisual, que cambió el eje del debate político, apuntando a los poderes corporativos que subrogaban a la oposición política. También ese año aciago creó la Asignación Universal por Hijo, que desde entonces constituye el mayor programa de transferencia de ingresos, que ha reducido la indigencia y la desigualdad en forma drástica y en menor medida la pobreza. Con la nueva conformación de las cámaras del Congreso, 2010 aparecía como un año muy complicado. Pero en pocos días el Grupo Ahhh… malversó años de prédica contra el autoritarismo y la falta de consensos: acaparó con angurria todos los cargos en las comisiones, relegando al oficialismo muy por debajo de la proporción que le correspondía y con ese control se propuso desgastar al Poder Ejecutivo obligándolo a vetar leyes. La única vez que lo consiguió fue con el 82 por ciento móvil para las jubilaciones. No hubo una sola manifestación de protesta por parte de los presuntos afectados, más conformes con la fórmula de ajuste bianual sancionada por el gobierno que con la promesa de una cifra mágica pero de improbable sustentabilidad, por parte de quienes cuando gobernaron usaron a los jubilados como variable de ajuste. La disponibilidad acuerdista para el reparto de cargos no se repitió en proyectos de fondo y los festejos del Bicentenario revelaron la extensión y profundidad de un apoyo político a Cristina que mucho tiene que ver con ese rasgo de carácter que impresionó al chacarero de Rincón del Cerro. Ese año, el gobierno creó el Fondo de Desendeudamiento del Bicentenario, para saldar con reservas del Banco Central los compromisos externos, lo cual dio lugar a una batalla política y judicial, con el presidente del Banco atrincherado en su despacho y una jueza, hija de un coronel torturador, que emitió dos medidas cautelares, bloqueando la creación del Fondo y el desalojo de Martín Redrado de su barricada. Más allá de las anécdotas, se discutía una cuestión estructural: en vez del Fondo de Desendeudamiento, desde distintos sectores de la oposición se proponía reanudar el ciclo del endeudamiento, interrumpido. Esta presión se intensificó durante la campaña electoral de 2011, cuando una trama de hombres del sector financiero, como el propio Redrado, Javier González Fraga, Eduardo Amadeo, Mario Brodersohn y Alfonso de Prat Gay, reclamaron sustituir el populismo kirchnerista por las ortodoxas metas de inflación, con aumento de tasas de interés, reducción del gasto público y las retenciones, apreciación cambiaria y nuevo endeudamiento público, medidas similares a las que se estaban aplicando en Europa, con resultados que la Argentina ya conoció. Los mismos intereses se manifestaron cuando la Fragata Libertad quedó retenida en Ghana y a raíz del fallo del juez neoyorquino Thomas Griesa, sobre los reclamos de los fondos especulativos que no aceptaron ingresar en los canjes de deuda de 2005 y 2010. Cristina no se movió un milímetro en ningún caso. Rechazó cualquier pago para liberar el buque escuela, reclamó ante el Tribunal del Mar por la Convención Internacional violada y no ofreció a los bonistas con sede en paraísos fiscales nada que no hubieran podido aceptar en la última reestructuración de hace tres años. Algo equivalente sucedió con la conformación de las listas de candidatos oficiales para los comicios de octubre de 2011, en las que Cristina relegó a las estructuras políticas y sindicales que se creían con derechos adquiridos y en cambio optó por la incorporación de numerosos jóvenes que sólo reconocen su liderazgo, con los cuales logró una victoria contundente como nadie había obtenido en las cuatro décadas previas, desmintiendo todos los augurios sobre un presunto aislamiento que la castigaría en las urnas.

Espejismos

Inmunes a la experiencia, en cuanto terminó el escrutinio los medios y fuerzas de oposición reanudaron sus esfuerzos por construir una realidad a la medida de sus deseos. Pero a medida que se aproxima la fecha de las PASO, constatan la inconsistencia de ese espejismo y ya han comenzado a buscar explicaciones para la nueva frustración que temen. Viven anhelando un milagro porque saben que librados a sus propias fuerzas están perdidos. Y cuando el milagro se produce, se limitan a abrir la boca de asombro sólo para ver que quien actúa es una vez más Cristina. El encuentro en el que la presidente le explicó al Papa Francisco qué eran un mate y un termo, según se percibió el diálogo desde el Uruguay, habría cambiado las relaciones de fuerza a favor del gobierno, sostienen, con un ostensible desprecio por los ciudadanos, a quienes atribuyen el pensamiento mágico que ellos practican. ¡Si todo fuera tan fácil! Dentro de esta empecinada construcción de la realidad figuran los catorce pedidos de audiencia que Cristina no le habría respondido al Papa cuando era Arzobispo porteño. Ante la desmentida de la Conferencia Episcopal, según la cual Bergoglio nunca pidió una entrevista personal con la presidencia y que cuando lo hizo como titular del Episcopado fue recibido junto con los demás miembros de la Comisión Ejecutiva, en vez de explicar cuál fue el origen de la versión falsa, el diario La Nación dijo que la aclaración había sido reclamada al Episcopado por el gobierno. Con el mismo temerario desinterés por la realidad, las columnas políticas de los principales medios repiten desde hace meses que la cuñada presidencial encabezará la lista de candidatos a diputados nacionales de su fuerza este año. Lo único que varía de artículo en artículo son las hipótesis acerca de quienes la acompañarían en la lista y contra quienes debería competir. El pequeño detalle que en forma deliberada o por mero desconocimiento omiten es que Alicia Kirchner nunca fijó domicilio en la provincia de Buenos Aires, por lo que no será candidata en ese distrito. La deontología profesional se reduce a la añeja consigna de no permitir nunca que la realidad arruine una buena nota.

Página/12 :: El país :: Una vieja terca

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20 horas atrás

A criação do mundo

por Gilmar Crestani
 

Na era da tecnologia instantânea a RBS demora mais tempo para reconhecer um erro que o Deus para criar o mundo. Pior, só faz isso sem dar ampla divulgação. Poderia dizer que seria de vergonha. Não, é de sem vergonha. Publica apenas como forma de construir um álibi. Não é o Grupo RBS que faz o “mea culpa”, mas uma sub do sub. Tudo isso que Zero Hora traz hoje estampei no mesmo dia dos eventos. O ocorrido prova muitas coisas. Primeiro, que os subalternos estão com o boca torta de pelo cachimbo do puxa-saquismo. Segundo, que uma empresa que vive de explorar a informação e não souber informar está no ramo errado. Segundo, quando encontrar o erro, deve pedir desculpas aos que levianamente ofendeu. A RB$ é um lixo e não há nada que se possa fazer para limpa-la porque é da sua natureza, trazida do berço. É fruto da ditadura!

A arrogância da Diretora de Redação explica porque é… Diretora de Redação: “Durante esta semana, fizemos uma autocrítica na Redação.” Adivinhe de onde veio a autocrítica: “repercussões em redes sociais”. A burrice é tão grande que ao se expor, fica nua. O nível argumentativo indica o lugar onde trabalha.

Escrevi e não mudo uma vírgula do publiquei no dia 2:

Criminalização dos Movimentos Sociais

A RBS é uma escola da bandidagem. Não só porque apóia todo tipo de truculência, como domestica quem por ela passa. As sacanagens, as orgias políticas no Piratini durante a estadia dos seus dois ex-funcionários, Antônio Britto & Yeda Crusius são por demais reveladoras. Para não deixar passar em branco, basta lembrar que Antônio Britto deu as cartas e a RBS jogou de mão na privatização da CRT. A putaria mereceu capa do Correio do Povo. Com Yeda Crusius, a orgia e a cafajestagem política também está documentada em fotos e processos judiciais, como o da PENSANT de Santa Maria, a quem um ex-funcionário da RBS, José Barrionuevo dava e recebia expediente. Não bastasse ser fruto da ditadura, a RBS se consolidou encima do patrocínio da violência contra os movimentos sociais. Sua sociedade com a FARSUL, a farsa do sul, transformou vítima em culpado: “O MST ganha o seu Mártir”. Todos os dias a RBS escala seus colonistas e demais capachos para acusar os manifestantes de baderneiros. E, por isso, o sintomático o espanto em forma de manchete nesta terça a respeito do Ato contra aumento de passagens reúne milhares em Porto Alegre, de ontem: “Mobilização contra reajuste da passagem de ônibus termina sem confrontos na Capital”. Até parece que a RBS estava torcendo por confronto. Não se isso renderia mais venda ou ibope para seus produtos. O certo é que esta obsessão doentia mostra uma preocupação atávica contra os movimentos sociais. Quem tem estuprador dentro de casa deveria ter um pouco mais cautela para tratar manifestações pacíficas como se fossem bandidos afeitos à violência.

A cobertura das manifestações

06 de abril de 201316

Durante esta semana, fizemos uma autocrítica na Redação. Avaliamos que não cobrimos por todos os lados, na segunda-feira, dia 1º, a manifestação que ocorreu no centro de Porto Alegre contra o reajuste nas passagens dos ônibus. Enfocamos um aspecto – o protesto ocorreu sem violência, diferentemente do anterior – e não outros. Não enfatizamos que a manifestação cresceu muito, nem mostramos quem formava a massa de milhares de pessoas. Recebemos críticas por isso. É uma longa história, que vou tentar resumir em capítulos:

Episódio 1 – Na manifestação do dia 27 de março em frente à prefeitura, foram quebradas vidraças, veículos da guarda municipal foram danificados e o secretário Cezar Busatto foi atingido com tinta vermelha.  Zero Hora estampou na capa, no dia seguinte, a foto de um veículo com vidros quebrados e, numa imagem menor, o secretário.

Uma das repercussões em redes sociais: “A capa de Zero Hora de hoje chega a dar nojo. Diz que foi depredação o que ocorreu ontem no protesto, e coloca a foto do secretário todo sujo de tinta”. Outra: “Zero Hora pode limitar nosso protesto (exigência de subsídio) chamando-o apenas de depredação, tudo bem, teve, dentre outras coisas bem (mas beeeem) mais importantes”. E mais uma: “Sou contra o subsídio, não é justo que toda a sociedade pague para benefícios de alguns. Acho muito mais justo discutir esse excesso de gratuidades. Mas qualquer protesto que faz o que foi feito ontem perde todo o meu apoio. Quem vandaliza uma viatura não pode reclamar a falta de segurança. Quem quebra o patrimônio público, não pode reclamar que falta dinheiro para saúde. Quem fere quem se predispõe a ter o diálogo do teu protesto, não pode reclamar de decisões técnicas tomadas nos gabinetes!!!”

Episódio 2 – Na manifestação seguinte, a da segunda-feira, dia 1º, o número de participantes chegou a 5 mil, segundo a Brigada Militar. Publicamos na capa uma foto impressionante, da massa nas ruas do Centro. Acreditamos que aquela imagem resumiu muito bem o que aconteceu. Mas – aí vem a autocrítica que fizemos – , a reportagem enfocou predominantemente a ausência de confusão e tumulto, já que no protesto anterior esta tinha sido a tônica. Não reproduzimos adequadamente o crescimento da manifestação, nem demos relevância ao motivo da união daquelas pessoas: o valor da tarifa e a qualidade do transporte. Recebemos críticas, vindas de apoiadores dos protestos. Uma delas:

“A chamada do site de ZH imediatamente após o protesto não foi a manifestação, a quantidade de pessoas que lá estiveram, a unidade construída pelo enorme grupo, ou o caráter justo inseparável das reivindicações. A manchete foi que a mobilização ‘terminou sem confrontos’. É a não-notícia de quem viciou-se, pelo costume institucionalizado, naturalizado, em cobrir manifestações apenas para criminalizá-las”.

Na terça-feira à tarde, dia 2, chamei uma reunião com os editores de Política e de Geral, responsáveis pela cobertura, para avaliar nosso trabalho. Concluímos que, sim, o enfoque correto não era apenas “menos confusão”, era também a grande mobilização e o debate sobre o transporte coletivo. Quem são, o que querem, como se organizam os líderes e manifestantes?

Combinamos que, para o dia seguinte, daríamos visibilidade a este fenômeno que reúne diferentes perfis e grupos. E publicamos esta reportagem:

No texto de Carlos Rollsing, mostramos quem são e o que pensam os vários grupos que formam esses protestos. O que não nos impediu de levar chumbo nas redes sociais, de novo. Alguns exemplos:

“Primeiro a ZH mete o pau nos manifestantes sendo que os demais veículos falaram totalmente o contrário, claro, vocês não podem ir contra quem larga MUITA grana aí, depois ficam assoprando a ferida pra não passarem por ruim. Na real, qual a posição de vocês?”

“Zero Hora se fazendo de bonita agora que o protesto tomou corpo. Antes era tudo um bando de baderneiros, vândalos, bandidos”.

Mas também recebemos elogios:

“Parabéns pela primeira matéria decente e não tendenciosa que vocês fazem sobre o aumento de passagem”.

“Parabéns pela matéria do Carlos. Avaliação muito bem feita, apesar de enfatizar o papel dos partidos e dos anarquistas. Eles ainda têm uma posição mais diminuta na conjuntura, tanto os partidos quanto os anarca, mas a avaliação de vocês foi muito mais política do que ideológica desta vez”.

Ok. Não estamos aqui para agradar a todos. Nosso propósito é mostrar todos os lados, para que o leitor tire suas conclusões. Quando erramos, procuramos corrigir. E, mesmo que nem todos acreditem, ouvimos o que os leitores dizem, fazemos autocrítica e auscultamos as redes sociais como mais um elemento para melhorar nosso trabalho.

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Postado por taise_santos, às 12:00

Categorias: Carta do Editor

Comentários (16)
  • Alexandre Haubrich diz:6 de abril de 2013

    Marta, seria legal colocar as fontes dos comentários, especialmente os que não são de redes sociais, mas de blogs. 
    É o caso do seguinte trecho “A chamada do site de ZH imediatamente após o protesto não foi a manifestação, a quantidade de pessoas que lá estiveram, a unidade construída pelo enorme grupo, ou o caráter justo inseparável das reivindicações. A manchete foi que a mobilização ‘terminou sem confrontos’. É a não-notícia de quem viciou-se, pelo costume institucionalizado, naturalizado, em cobrir manifestações apenas para criminalizá-las”. 
    É parte de um artigo do Jornalismo B – http://jornalismob.com/2013/04/01/na-cobertura-de-nova-manifestacao-contra-aumento-das-passagens-zero-hora-publica-a-nao-noticia/ 
    Obrigado

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21 horas atrás

Pablo Neruda tendrá su verdad

por Gilmar Crestani
 

 

El lunes comienza la exhumación de los restos del poeta chileno, fallecido en 1973

Un equipo de forenses investigará si fue asesinado por los afines a Pinochet

Rocío Montes Santiago de Chile 6 ABR 2013 – 00:51 CET17

Pablo Neruda, en junio de 1957. / sergio larraín

Esta tarde, cuando la luz natural todavía ilumine el balneario de Isla Negra, a la orilla del Pacífico, a 100 kilómetros de Santiago de Chile, el juez Mario Carroza y doce peritos comenzarán a remover la tierra de la sepultura de Pablo Neruda. La exhumación, que arrancará mañana apenas amanezca, busca determinar, a 40 años de su muerte, el 23 de septiembre de 1973, si el Premio Nobel fue asesinado por la dictadura militar.

La historia oficial señala que el escritor murió a causa de un cáncer de próstata, 12 días después del golpe de estado, en la clínica Santa María de la capital chilena. En 2011, sin embargo, su exchófer denunció en la revista mexicana Proceso que el régimen de Augusto Pinochet ordenó envenenarlo. “Después del 11 de septiembre, el poeta iba a exiliarse a México junto a su esposa Matilde. El plan era derrocar al tirano desde el extranjero en menos de tres meses. Le iba a pedir ayuda al mundo para echar a Pinochet. Pero antes de que tomara el avión, aprovechando que estaba ingresado en una clínica, le pusieron una inyección letal en el estómago”, explicó Manuel Araya Osorio a EL PAÍS.

El Partido Comunista (PC), donde militaba el escritor, presentó de inmediato una querella para esclarecer las causas de su muerte y la justicia acogió la demanda. El juez Carroza, que ha liderado causas importantes de derechos humanos en Chile, abrió el caso en junio de 2011. Después de dos años de trabajo, en febrero pasado decidió que era necesario extraer el cuerpo. “Toda la investigación, por las contradicciones y dudas, avanzó hacia un punto en que la exhumación se hizo trascendental. La diligencia debería solucionar el caso”, dice el magistrado que en 2012 clarificó judicialmente que el presidente Salvador Allende se había suicidado en La Moneda.

El cuerpo de Neruda fue enterrado en el Cementerio General de Santiago y, en 1992, fue trasladado a petición de su familia frente a su casa de Isla Negra, su favorita. Los restos se encuentran en el patio de su vivienda, que se asemeja a un barco por su arquitectura y decoración, junto a los de su tercera esposa, Matilde Urrutia, fallecida en 1985. El propio Nobel había pedido ser sepultado frente al Pacífico: “Compañeros, enterradme en Isla Negra, / frente al mar que conozco, a cada área rugosa de piedras/ y de olas que mis ojos perdidos/ no volverán a ver…”, escribió en Canto General.

La lápida, según los trabajos de planimetría que el Servicio Médico Legal (SML) realizó en enero, se encuentra a 65 centímetros bajo tierra. El cuerpo está en una pequeña urna que, a su vez, se halla dentro de un ataúd. El director del SML, Patricio Bustos, que desde esta tarde coordinará a los equipos técnicos, explica que “afortunadamente no es un detenido desaparecido, por lo que existe material fotográfico y de vídeo que documentan el momento del entierro. Hay certeza de su identidad”.

El médico indica que, por una parte, los especialistas pretenden esclarecer si Neruda padecía cáncer cuando falleció en la clínica. “Pero también intentaremos responder a las preguntas que nos realiza el magistrado Carroza: ¿La enfermedad es la única causa de muerte? ¿Intervino alguien a través de sustancias químicas, tóxicas u otros elementos? Y para eso están trabajando toxicólogos, genetistas, bioquímicos y médicos”, señala.

Bustos indica que no solamente se concentrarán en buscar veneno sino también la presencia de un medicamento que haya sido mal utilizado y provocado efectos colaterales en el cuerpo de Neruda. El médico reconoce que el proceso será complejo por el estado en que se encuentren los restos después de 40 años y, sobre todo, “por las dificultades para obtener antecedentes sobre la enfermedad del Premio Nobel, como biopsias, protocolos de tratamiento, diagnósticos y fichas clínicas”.

El equipo que trabajará en la exhumación está compuesto por cuatro expertos del SML, cuatro peritos de la Universidad de Chile y cuatro peritos internacionales, entre los que se hallan tres españoles: Guillermo Repetto, de la Universidad Pablo de Olavide de Sevilla; Aurelio Luna, de la Universidad de Murcia; y Francisco Etxeberría, de la Universidad del País Vasco, que asesora desde 2007 a sus colegas chilenos en diferentes causas de derechos humanos. “No tengo ninguna hipótesis de partida”, señaló Etxeberría a Efe.

Esta tarde se instalará una carpa en Isla Negra, para asegurar la privacidad de la diligencia, y comenzará la remoción de tierra. Mañana, a las ocho de la mañana en Chile, se sacará la lápida y se recuperará la urna. El juez, los 12 peritos, el abogado del PC y un sobrino y un sobrino-nieto de Neruda estarán presentes en el proceso. Tres observadores internacionales, entre las que se encuentra la española Mercedes Salado, del Equipo Argentino de Antropología Forense, darán garantías de imparcialidad.

La urna será trasladada de inmediato a un laboratorio del SML en Santiago, que tendrá clave de acceso de seguridad. Los especialistas, antes de abrirla, la escanearán con rayos X. Después de los registros fotográficos y audiovisuales y de los análisis antropológicos y médicos, los técnicos harán una selección de muestras que podrían enviarse a laboratorios de Chile y del extranjero. De acuerdo con Bustos, una de las alternativas sería llevarlos a Sevilla. El juez Carroza no tiene claro cuándo podrá tener los primeros resultados para esclarecer el caso Neruda. El magistrado sabe que tiene una responsabilidad enorme en sus manos: “Neruda, al igual que Allende, es un chileno reconocido en el mundo entero”.

Pablo Neruda tendrá su verdad | Cultura | EL PAÍS

Filed under: ChileDitaduraPablo NerudaTerrorismo de Estado Tagged: Poesia  

21 horas atrás

Nas bancas, reportagem que desmonta o mensalão

por Gilmar Crestani
 

mp

Como diz a propaganda do Ministério Público no feicebuqui “a maioria das condenações foi feita em cima de provas produzidas pelo Ministério Público”.  Maioria não são todas, portanto, houve condenações sem provas porque o MP só conseguiu “produzir” a maior parte e não conseguiu fiscalizar as condenações sem provas nem se levantou contra elas, as condenações sem provas.  Uma super “produção” hollywoodiana abraçada pelos grupos mafiomidiáticos. O MP não se deu conta que a produção dos golpistas é ainda maior. Aquele que era para ser o fiscal da lei tornou-se produtor de condenações… A pergunta é, quais são as provas? A tal de domínio do fato? Isso é fato e não facto nem flactum.

A pergunta que não quer calar, quais foram a provas produzidas pelo Ministério Público? Não querem ser só fiscais da lei, também querem o poder da Polícia Federal!

A linha de produção foi fordiana ou freudiana? Como a linha do MP parece ser a da condenação e da não de fiscal da lei, julgo com base no meu código de ética e no papel do MP neste caso, que  ele não é só dispendioso mas desnecessário!

Nas bancas, reportagem que desmonta o mensalão

:

A próxima Retrato do Brasil, do consagrado jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, trará na capa reportagem sob o título “A construção do mensalão – Como o Supremo Tribunal Federal, sob o comando do ministro Joaquim Barbosa, deu vida à invenção de Roberto Jefferson”

7 de Abril de 2013 às 07:33

247 – Vem aí uma reportagem que promete desmontar a história construída no julgamento da Ação Penal 470 e rotulada como “mensalão”. Escrita por Raimundo Rodrigues Pereira, um dos maiores e mais minuciosos jornalistas brasileiros, ela estará na próxima capa da Retrato do Brasil. A novidade foi anunciada na coluna de Elio Gaspari:

NAS BANCAS

Está chegando às bancas uma edição especial da revista “Retrato”. Sua capa diz tudo:

“A construção do mensalão -Como o Supremo Tribunal Federal, sob o comando do ministro Joaquim Barbosa, deu vida à invenção de Roberto Jefferson”. Coisa do respeitado jornalista Raimundo Rodrigues Pereira.

Numa reportagem anterior, Raimundo já havia demonstrado que os recursos da Visanet, a suposta fonte de dinheiro público do mensalão, foram gastos exatamente de acordo com o fim a que se destinavam: publicidade e propaganda.

Nas bancas, reportagem que desmonta o mensalão | Brasil 24/7

Filed under: Ação 470Joaquim BarbosaRoberto Gurgel Tagged: Golpismo  

21 horas atrás

PSDB tem a receita, mas não tem bafômetro

por Gilmar Crestani
 

PSDB respira através dos aparelhos de mídia. Não passa de paciente em coma que respira por aparelhos midiáticos. Aécio, leniente com bebida alcoólica, só faz hic! hic! hic! Ou ele acha que não sabemos como foi o crescimento na longa idade média do governo FHC? Ele precisa explicar quais eram as taxas de juros e de crescimento… e de desemprego quando o PSDB governava o Brasil. O resto é blablablá de bêbado. Ele quer falar da autonomia do Banco Central mas não consegue sequer fazer o quatro…

Dilma é leniente com a inflação, afirma Aécio

Para tucano, provável rival da petista em 2014, falta autonomia ao Banco Central

Senador mineiro diz ainda que medidas corretas poderiam levar país a crescer acima de 4% ao ano

VALDO CRUZNATUZA NERYEM SÃO PAULO

Em entrevista à Folha na qual se posiciona com clareza como candidato à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) atacou a política macroeconômica de Dilma Rousseff e acusou a presidente de ser “leniente” com a inflação e de querer “até controlar o lucro de empresários”.

O tucano criticou a falta de autonomia do Banco Central para evitar alta nos preços.

“Quando o dragão começa a colocar a cabeça para fora, sabemos que é difícil colocá-lo na caixa de novo”, diz.

O senador promete, num eventual governo tucano, fazer o país crescer pelo menos de 4% a 5% ao ano.

A entrevista foi concedida em São Paulo anteontem, onde esteve ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Folha – Qual sua receita para a economia?

Aécio Neves – Essa política nacional-desenvolvimentista, que acha que o Estado tem de ser o indutor do crescimento econômico, não deu certo. O câmbio flutuante, instrumento importante para suavizar impactos da variação externa de preços, já não existe, é um câmbio quase rígido.

Mas esse “câmbio controlado” ajuda a indústria exportadora, que o PT acusa o PSDB de praticamente destruir.

O problema da indústria exportadora se dá pelo custo Brasil, da logística inexistente. O Brasil, que já participou com cerca de 2,2% do comércio externo, hoje caiu para 1%. Se continuar assim, teremos 0,7% em dez anos.

Mas vocês não costumam dizer que o PT seguiu a política econômica tucana.

Desde a saída do [Antonio] Palocci, ex-ministro da Fazenda, os pressupostos macroeconômicos vêm se fragilizando. Há uma leniência do governo com a inflação, a presidente Dilma é leniente com a inflação.

No governo do PSDB, existia tolerância zero com a inflação. O PT nunca foi muito claro nisso, desde que votou contra o Plano Real. Nos dez anos de governo do PT, apenas em três o centro da meta foi alcançado. No governo Dilma, não será em nenhum dos anos. Isso é gravíssimo.

A população que recebe hoje dois salários mínimos e meio já tem inflação de alimentos de 14%. Quando o dragão começa a colocar a cabeça para fora, sabemos que é difícil colocá-lo na caixa de novo.

O sr. defende subir os juros para baixar a inflação?

Defendo que o Banco Central tenha total autonomia para fazer o que considerar necessário. Se avaliar que é preciso subir juros para conter a inflação que ele mesmo diz ser preocupante, então tem de subir os juros. O que não pode é haver interferência política, de viés eleitoral.

Subir juros gera desemprego, como receitam economistas críticos do governo Dilma?

Acho que é possível controlar a inflação sem riscos maiores de desemprego. O Brasil tem gerado empregos, mas de baixa qualidade.

Mas se acordasse hoje presidente da República e tivesse de tomar uma decisão entre controlar a inflação, mesmo que tivesse de diminuir o emprego, o que faria?

Ninguém vai tomar medida para aumentar o desemprego. É possível ser intolerante com a inflação sem gerar desemprego, garantindo competitividade ao Brasil, fazendo investimentos corretos.

O PT acusa o governo FHC de ser campeão dos juros altos.

São períodos diferentes, enfrentamos crises internacionais seguidas. A agenda prioritária era o controle da inflação.

O sr. diz que o empresariado reclama da presidente…

A presidente quer controlar até o lucro dos empresários. Eles têm de acompanhar é a qualidade do serviço e o que isso representa de bem-estar da população. É natural, no capitalismo, goste ou não dele, que o lucro seja compatível ao risco do investimento.

Mas eles acusam o PSDB de desmontar o Estado e fazer privatização sem controle, com lucro elevado ao empresariado.

Olha, demoraram quase dez anos para fazer concessões ao setor privado. Fizeram isso lá atrás com uma visão equivocada, que deveriam ter a menor tarifa, no caso das concessões rodoviárias. Tudo bem, belo conceito, mas trágico para o Brasil. Resultado: as obras não foram feitas.

O PT diz que o governo tucano acabou com a capacidade de gerenciamento do Estado…

A lógica deles é criar uma nova estatal, é a quinta neste governo. Você sabe que, quando o governo FHC terminou, havia no âmbito na Presidência, um dado que mostra um pouco a lógica do PT, 1.200 cargos comissionados. Hoje são mais de 4.000. Isso é ilógico, é irracional.

A dona de casa viu o governo anunciar luz mais barata e o sr. defender a Cemig. Não ficou do lado errado?

Não, nós também defendemos a diminuição das tarifas. Propusemos uma redução até maior, mais 6%, com diminuição do PIS/Cofins nas contas de luz. O governo do PT, com um populismo enorme, fez disso uma moeda eleitoral. Dilma fez uma intervenção no setor e viu que foi equivocada. Hoje, todas as distribuidoras [de energia] estão pedindo financiamentos ao governo e vão receber dinheiro do Tesouro, o dinheiro da dona Maria, que tinha de ir para saúde, educação.

Quanto a economia no governo tucano pode crescer?

Eu vou ousar, repetindo o que disse outro dia o ex-presidente do BC Armínio Fraga. No governo do PSDB, com as medidas que deveriam ser tomadas rapidamente, o Brasil pode crescer acima de 4%, 5% de forma sustentada.

Leia a íntegra 
folha.com/no1258504

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um dia atrás

Meu reino por uma anúncio

por Gilmar Crestani
 

Se os supermercados de Porto Alegre fossem proibidos de anunciarem nos jornais locais, babaus. Não sobraria um, meu irmão. É por isso que o tomate leva a culpa, mas o supermercado, não. Alguém já se deu conta que nunca saiu uma única notícia negativa sobre qualquer grande rede de supermercados? Muito se comenta que determinada rede, para economizar, desliga a eletricidade à noite. Deve ser lenda urbana, já que isso nunca saiu nem vai sair no jornal, rádio ou tv. Afinal, “economizar é anunciar bem”! Nosso problema é o tomate; dos argentinos, o anúncio… A decadência da mídia, com o avanço da internet e a da liberdade de informação que ela oportuniza, tem levado os meios tradicionais, a velha mídia, à falência. Culpar os governos tem sido o mote de quem nasceu, cresceu à sombra do poder público. Será que Washington Post, Diário de Minas, e tantos outros pelo mundo afora, também vão botar a culpa em anúncios de supermercados?

Já que a SIP não está dando conta sozinha, a saída é o Instituto Millenium abrir uma filial na Argentina…

Jornais sofrem impacto do cerco de Cristina

Proibição de que supermercados anunciem leva à queda de 15% no faturamento anual dos diários de oposição

“Clarín” deu início a programa de demissões voluntárias; decisão do governo foi adotada com congelamento de preços

SYLVIA COLOMBODE BUENOS AIRES

A mais nova estratégia de ataque do governo argentino aos jornais que lhe fazem oposição -a proibição aos supermercados e lojas de eletrodomésticos de publicarem anúncios em suas páginas- começa a dar sinais de sucesso.

“La Nación”, “Clarín” e “Perfil” acusam uma queda em seu faturamento publicitário anual de mais de 15%. “Esse número tende a aumentar se os anunciantes não voltarem”, diz à Folha o secretário de Redação do “La Nación”, Hector D’Amico.

Na última semana, o “Clarín” deu início a um programa de demissões voluntárias e o grupo Perfil, que publica o jornal de mesmo nome e uma série de revistas, segue reformulando produtos.

Os três buscam alternativas no mercado publicitário, mas ainda não conseguiram substituir o prejuízo causado pela saída das grandes cadeias.

A proibição teve início junto com o congelamento de preços anunciado em princípio de fevereiro.

Trata-se de um acordo entre os donos das lojas, firmado sob pressão da Secretaria de Comércio Interior, chefiada por Guillermo Moreno. “Portanto, não há nada no papel. O governo atua com base na intimidação. Os que não seguem o acordo depois são castigados de outras formas”, explica D’Amico.

Entre elas, está o uso da Afip (Receita Federal) para investigar e expor a situação dos impostos dos empreendimentos e vetos a importações e exportações, das quais as mesmas dependem.

“Essa é a última e quiçá a mais aguda e criativa medida do kirchnerismo contra os meios”, diz Gustavo González, editor-executivo do “Perfil”.

Ele ainda lista como medidas de pressão recentes as travas à importação de papel, pressão a anunciantes de outros produtos, intervenção nos telefones da Redação e a negação de acesso dos jornalistas à informação oficial.

D’Amico identifica a medida como uma parte de uma cadeia de ações cujo objetivo é sufocar a imprensa. “Por um lado, esvaziam o jornal desse tipo de anúncio; por outro, retiram a publicidade oficial, que é destinada apenas aos jornais kirchneristas. Depois, controlam o preço do papel produzido na Argentina e aumentam as travas ao papel importado. É uma ação combinada para debilitar a imprensa.”

Martín Etchevers, porta-voz do grupo Clarín, classificou a proibição de “boicote” e de “ato claramente ilegal”.

No caso do conglomerado, principal inimigo do governo Cristina Kirchner, há uma retirada silenciosa de diversos tipos de anunciantes, principalmente os que dependem de regulação oficial, como a empresa Telefónica, que já não veicula mais publicidade em suas páginas.

A estratégia de manipulação do mercado publicitário é usada historicamente na Argentina. Os diretores lembram de ações que remontam aos governos militares.

O presidente do grupo Perfil, Jorge Fontevecchia, repassou, em sua coluna semanal, vários episódios. Pelo mesmo processo passaram o jornal “Perfil”, desde que começou a fazer oposição ao kirchnerismo, em 2003, e o “Crítica”, do jornalista independente Jorge Lanata.

“O Perfil teve que encolher, descontinuando várias publicações e reduzindo pessoal e instalações ao longo desses anos”, escreveu. O “Crítica” teve que fechar suas portas em 2010. “Foi exatamente por esse motivo. Néstor [Kirchner] impediu os anunciantes de publicarem no meu jornal, e o afogou”, diz Lanata à Folha.

Nas últimas semanas, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e a Adepa (Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina) acusaram o governo de asfixiar os meios de comunicação do país. Já o kirchnerismo não se pronuncia sobre esses casos.

REUNIÕES

Os anúncios dos acordos entre as cadeias são divulgados diretamente pelos mesmos donos das empresas, logo depois de longas reuniões com Moreno. “Se você perguntar ao secretário, ele obviamente negará a pressão. Como não há nada escrito, é difícil apontar para o governo diretamente. É como se o acordo fosse voluntário e desinteressado, uma iniciativa dos próprios anunciantes. Não é”, diz D’Amico.

Filed under: GolpismoInstituto MilleniumSIP Tagged: Grupos Mafiomidiaticos  

um dia atrás

Meu reino por um tomate

por Gilmar Crestani
 

E o novo cavalo de batalha dos grupos mafiomidiáticos é o … tomate. Muitos cavalos famosos ganharam a história. De Bucéfalo, de Alexandre Magno, a Incitatus, do Calígula, o Blanc, do Napoleão, passando pelo cavalo paraguaio e o cavalo do comissário. Agora surge um novo cavalo de batalha dos golpistas. Com exceção da Veja, que nunca mais se recuperou do Boimate e tem medo do tomate como o diabo na cruz, os demais montaram no tomate na batalha pelo aumento dos juros. Tudo vale a pena se a imprensa é pequena…

E de repente a arte culinária ficou mais pobre porque o tomate aumentou. E a culpa é do governo porque a criatividade dos gourmets desconhecem vida fora do tomate. É como se o tomate, de repente, tivesse se tornado item imprescindível do nosso cardápio, como se, na ausência do tomate, fôssemos passar fome!?

Fazer do tomate uma guerra para justificar a financeirização da economia não é só uma demonstração de imbecilidade pública, mas também menosprezo pela inteligência alheia, a tal de abstração que, por exemplo, distingue seres humanos das lebres.

Se o governo der importância à casca de banana jogada pelos bananas da imprensa, aí sim estará pisando no tomate.

VINICIUS TORRES FREIRE

Pisar no freio ou no tomate

Impaciência com inflação ganha um símbolo popular, o tomate, mau sinal para o governo

O POVO ainda parece feliz feito pinto no lixo e adora Dilma Rousseff, algo alienado que está dos efeitos de uma economia mal parada, ou que mal se move. Mas a inflação persistente tem seu primeiro símbolo mais ou menos popular, o tomate, que está caro para chuchu e se tornou motivo de conversa e chacota nas praças da internet, as ditas “redes sociais”.

Não dá, claro, para explicar o preço do tomate pelos desarranjos macroeconômicos. Mas o fruto tornou-se o bode expiatório da alta geral dos preços da comida, com perdão pela dissonância biológica, e de certo cansaço com três anos de inflação rodando em torno de 6%.

Nos últimos 12 meses, o preço de comer em casa subiu quase 14%. Na média geral da economia, os preços subiram 6,3%. O preço dos alimentos não subia tanto assim em 12 meses desde 2008. A inflação da comida também tem sido maior que o aumento dos salários, o que também não ocorria fazia uns cinco anos.

Os aumentos de alguns produtos básicos talvez reforcem o mal-estar do tomate. O preço da comida pesa mais na memória e especialmente no bolso dos mais pobres.

Farinhas e massas ficaram 32% mais caras nos últimos 12 meses; batata e legumes, 69%; o grupo de arroz e feijão, 27%; o óleo, 18%. As carnes estão bem comportadas, abaixo da inflação média, mas aves e ovos subiram 21%.

Claro que nem todos os preços sobem assim. Bens duráveis estão mais baratos, carros e eletroeletrônicos, por exemplo. São importados ou enfrentam concorrência do mercado internacional (e tiveram uma mãozinha da redução de impostos).

O preço dos eletroeletrônicos caiu quase 1% em 12 meses. Serviços, como despesas pessoais, médicos e dentista, encarecem mais de 10%.

Os custos domésticos crescem, os salários vão atrás, a indústria nacional padece da carestia, fica menos competitiva, perde mercado, desanima e segura investimentos. E estamos assim algo encalacrados.

Outro sinal de consumo excessivo é o aumento do deficit externo (deficit em conta-corrente, a diferença do valor de bens e serviços que exportamos e importamos). Neste 2013, o deficit deve passar de 3% do PIB, depois de três anos flutuando em torno de 2,2% do PIB (2007 foi o último ano de uma série rara de anos de superavit).

Para piorar, estamos mais e mais financiando o deficit com dívida externa.

Os economistas do governo e adeptos acham que o preço da comida disparou devido a safras ruins pelo mundo e não tão boas no Brasil. O aumento grande do salário mínimo no ano passado teria colocado lenha na fogueira dos preços de comida e serviços (mais dinheiro, mais consumo, mais oportunidade de repasse de preços para o consumidor), coisa que não vai se repetir daqui por diante até 2014, pelo menos.

O problema é que há mais fogo sob a frigideira da inflação que em 2008. O nível de preços teria subido ainda mais agora não fossem controles artificiais como reduções de impostos, do preço da energia elétrica e do adiamento do reajuste da passagem de ônibus. Além do mais, tais medidas estimulam ainda mais o consumo.

Enfim, o mercado de trabalho está muito mais apertado agora do que em 2008.

vinit@uol.com.br

O fantasma hostil de Hugo Chávez

por Amálgama
 

Enrique Krauzena New Republic / 6 de abril

Nicolás Maduro

Quando a doença de Hugo Chávez entrou em seu estágio final, comecei a ponderar sobre sua pós-vida. Ele parecia destinado à santificação imediata, o tipo de elevação quase-religiosa que Evita Perón recebeu. Suspeito que Hugo Chávez continuará a vagar por anos, dado a veneração venezuelana pelo homem forte militar, o caudilho. Nos corações de seus seguidores (e seus muitos simpatizantes pela América Latina), Chávez ocupará o mesmo plano glorioso de Simón Bolívar, o Libertador da América Latina do século XIX. Mesmo seu patrão, Fidel Castro, deve estar se sentindo estranhamente deslocado, inoportuna vítima de parricídio.

É por isso que algo precisa ser dito clara e frequentemente: Hugo Chávez arruinou seu país. Mas só podemos explicar sua deificação póstuma se concedermos a sinceridade de seu comprometimento com os pobres. As clínicas e mercados subsidiados que ele criou nas favelas podem não ter tirado os partidários da pobreza, mas foram presença real em suas vidas. A democracia permanecerá vulnerável na América Latina até que os governos entreguem auxílio significativo para os pobres e marginalizados.

Claro, o futuro da democracia latino-americana depende de muito mais que isso. Ela deve ampliar o alcance das liberdades civis e do estado de direito, as próprias bases do estado liberal. Isso, Chávez não fez. Na verdade, ele detonou as instituições públicas da Venezuela. Chávez não apenas concentrou poder; ele confundiu, ou, mais precisamente, fundiu sua biografia pessoal com a história da Venezuela. Em seu programa semanal de TV e na propaganda de seu regime, ele criou um culto à personalidade; posou como sucessor de Bolívar. Nenhuma democracia pode prosperar quando um homem declara a si mesmo essencial e providencial.

Durante minhas visitas a Caracas nos anos Chávez, notei uma contínua deterioração física da cidade e um aterrador aumento da criminalidade. Mas nada me entristeceu mais do que testemunhar o ódio que Chávez arremessava contra seus opositores políticos. O ódio era onipresente: abundava em cartazes e outdoors, em seus discursos engabeladores e nas rançosas declarações de porta-vozes na televisão. Seu regime utilizou mídias sociais para espalhar teorias da conspiração e preconceitos. Assisti a sociedade venezuelana cair na armadilha do fanatismo ideológico, repentinamente imune à razão e à tolerância. A ausência de violência política no país é nada menos que um milagre.

Mas o que acontecerá agora? Todos os sentimentos públicos de luto, todo o agradecimento pelos programas sociais provavelmente levarão seu escolhido sucessor, Nicolás Maduro, à vitória nas eleições de 14 de abril. Os chavistas continuarão em seu controle do judiciário, do legislativo e da economia – e eles já se entocaram mais fundo do que isso na sociedade. Um empresário ligado a essa elite acabou de comprar a Globovisión, a última rede de televisão que permanecia independente na Venezuela. O governo pode agora esbravejar suas versões oficiais da política e da história sem encontrar contestação.

Mas o luto não poderá continuar para sempre, especialmente em face de uma crise econômica. A evidência da decomposição é bastante conhecida e profundamente perturbadora: um déficit orçamentário de 70 bilhões de dólares, o que corresponde a 22 por cento do produto interno bruto venezuelano, e a maior inflação da América Latina. Profissionais da classe média abandonaram o país, assim como os investidores.

A riqueza do petróleo tem sido administrada com incompetência cômica. Em 1998, o país produzia 3,3 milhões de barris de petróleo por dia e exportava 2,7 milhões deles. Esse ritmo tem caído continuamente. O país extrai atualmente 2,4 milhões de barris da terra e do mar, dos quais apenas 1,2 milhão é diretamente exportado para auferir lucros (a maior parte, para o inimigo declarado de Chávez no hemisfério norte, o “Império”). Ele preferiu usar o petróleo como uma ferramenta de política. Em casa, disponibilizou um petróleo tão barato, que podia simplesmente ter sido dado de graça. Para comprar o apoio de aliados no Caribe, enviou barris a vários países com enormes descontos. Cuba recebia vários carregamentos, o que nominalmente pagava os irmãos Castro pelos médicos, professores e policiais que eles enviavam para a Venezuela. Mas Cuba recebia tanto petróleo venezuelano que chegava a reexportar suprimentos excedentes.

Se Maduro vencer a eleição presidencial, no cargo ele terá a companhia da imagem televisionada de Chávez, infinitamente retransmitida na tevê estatal. Ainda assim, ele não é Chávez; não possui seu poder hipnótico. É fácil imaginar ele em breve sendo culpado por estar aquém de Chávez: “Chávez não teria deixado isso acontecer; Chávez teria previsto tudo isso”.

Enquanto isso, a oposição tem mostrado novos sinais de esperteza. Após anos de querelas intramuros, ela se uniu em apoio a um líder inteligente e corajoso, Henrique Capriles. Durante o declínio físico de Chávez, a oposição cuidadosamente calibrou sua linguagem e ações. Essa foi uma decisão sábia, porque qualquer evidência de triunfalismo ou sentimento de vingança poderia ter provocado uma reação feroz. Agora, a oposição pode tirar vantagem de sua força latente. Em 2007, Chávez realizou um referendo para validar sua filiação mais explícita a um socialismo ao estilo cubano. Mas os estudantes saíram às ruas, e Chávez sofreu uma rara derrota eleitoral. Esse movimento de protesto continua, esperando para ser renovado e fortalecido.

O nível de ódio na sociedade venezuelana é bastante palpável. A possibilidade de violência não pode ser eliminada. Mas se o país conseguiu sobreviver a 14 anos de Chávez na presidência sem violência política real, parece improvável que violência de rua vá se desencadear logo agora. Pelo contrário, existe uma possibilidade de reconciliação num futuro não muito distante. Há moderados no interior do exército, que agora terão maior espaço para dar opiniões. Há uma crise econômica que pressionará o regime. A morte do caudilho messiânico (Maduro lhe chama de “redentor”) pode abrir canais de diálogo.

Um movimento da Venezuela rumo à moderação ecoaria longe. Esperamos pelo dia em que Cuba – o único estado totalitário na América Latina – siga adiante como Rússia e China o fizeram. Sem as perniciosas influências de Chávez e Castro, a região poderia se abrir para um conjunto de opções políticas diferente, mais saudável, um debate robusto entre social democratas e, de outro lado, liberais comprometidos com uma economia mais aberta. O fantasma de Hugo Chávez poderia continuar vagando por aí, mas não precisaríamos mais temê-lo.

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