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Vivi pra ver: Índios colocam deputados para correr na Câmara Legislativa Federal

por Rosangela Basso
 
Vivi pra ver: Índios colocam deputados para correr na Câmara Legislativa Federal

Que tudo! 

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20 horas atrás

Jovens héteros postam foto, no Facebook, de mãos dadas para dizer Homofobia Não

por Rosangela Basso
 
Jovens héteros postam foto, no Facebook, de mãos dadas para dizer  Homofobia Não 

Olha que lindo! Jovens de cabeça aberta, antenados e sem homofobia fazem protesto com carinho para dizer NÃO AO PRECONCEITO. Foto recebeu mais de 10 mil curtidas em 6 horas, no Facebook. Parabéns!!!!!!

“galera, vou esclarecer o que ta acontecendo.. tava eu os mlk da minha sala, comentando como a sociedade é besta , em falar que gays não são gente e tals, não gostarem,não aceitarem eles na sociedade, EU NÃO SOU gay ,tenho namorada, O MARCOS NÃO É GAY, ELE TEM NAMORADA, agnt resolveu andar de mãos dadas pra tipo dizer.. NÃO AO PRECONCEITO, ai um amigo nosso tiro uma foto ,e resolvi postar com aquele texto, nem sabia que ia ter isso tudo de curtidas e comentários, mais obrigado por vocês serem pessoas dignas, e que sabem que a felicidade é a base de tudo,muito OBRIGADO mesmo, desculpa qualquer coisa ;*” Nelson Junior

 
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20 horas atrás

Alckmin faz propostas para menores infratores e não dá tratamento psiquiátricos aos que já estão nesta situação

por Rosangela Basso
 
Alckmin faz propostas para menores infratores e não dá tratamento psiquiátricos aos que já estão nesta situação

A hipocrisia é triste, porém sempre aparece.

Prisão perpétua à brasileira

29.Abr.11

IstoÉ

Mesmo sem condenação, seis jovens não têm data para sair de uma espécie de cadeia onde deveriam receber tratamento psiquiátrico. Saiba como vivem esses ex-internos da Febem que estão encarcerados em São Paulo

Solange Azevedo

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CÁRCERE
Champinha (abaixo) está internado na unidade (acima), que é ligada à Secretaria da Saúde, há 4 anos
 img1.jpg Apesar do nome sugestivo, a Unidade Experimental de Saúde (UES) não é um hospital. O atendimento psiquiátrico ali é precário. Secundário, até. Embora ostente muros de sete metros de altura, seja vigiada por câmeras e agentes penitenciários, tecnicamente, ela não pode ser chamada de prisão. Afinal, os seis rapazes que vivem no local não estão cumprindo pena nem têm data definida para sair. Também não se trata de um centro de ressocialização porque não há atividades pedagógicas e laborais que ajudem a prepará-los para retomar a rotina do lado de fora. Nas últimas semanas, a reportagem de ISTOÉ entrevistou profissionais do direito e da saúde mental, além de integrantes do governo paulista, para desvendar os mistérios que cercam a criação e a manutenção da UES. Por que ela existe? Como funciona? “A Secretaria da Saúde não permite a entrada de mais nenhum interno na Unidade. Ela está fechada”, garante Arthur Pinto Filho, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo. “Precisamos encontrar soluções para os seis jovens que estão lá.” A UES nasceu vinculada à Fundação Casa (antiga Febem). Foi concebida para abrigar infratores diagnosticados com transtorno de personalidade. A ideia era oferecer atendimento especializado enquanto eles cumprissem medida socioeducativa. A Unidade, porém, nunca serviu ao propósito inicial e se tornou o que é a partir de um embate entre o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o governo do Estado sobre o que fazer com Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha. Junto com quatro adultos, ele sequestrou e matou Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em 2003. Felipe, 19 anos, tombou com um tiro. Liana, 16, acabou estuprada durante quatro dias e assassinada a facadas. A crueldade contra os adolescentes, estudantes do tradicional Colégio São Luís, motivou debates acerca da saúde mental dos criminosos e de propostas para a redução da maioridade penal. Como Champinha tinha 16 anos, estava sujeito à punição prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – três anos de internação. img6.jpg
CRIME
Felipe e Liana acabaram assassinados pelo grupo
de Champinha. A adolescente também foi estuprada
 Às vésperas da medida socioeducativa de Champinha terminar, a Justiça paulista tomou duas decisões baseadas num laudo que afirmava que ele sofria de transtorno de personalidade e que a probabilidade de reincidência criminal era alta: primeiro o enquadrou numa medida chamada “protetiva”, o que permitiria que permanecesse mais tempo na Fundação, depois o interditou civilmente e determinou sua internação psiquiátrica – em regime de contenção. “Além do transtorno de personalidade antissocial, Champinha tem retardo mental. Age por impulso. Não tem freios”, afirma o psiquiatra forense Paulo Sergio Calvo, que o atendeu durante três anos na Fundação. “Embora esse tipo de transtorno não tenha cura, se Champinha tiver excelente respaldo familiar e social e acompanhamento terapêutico rígido, seu potencial ofensivo pode diminuir. Infelizmente, casos como o dele são subdiagnosticados e os jovens saem da Fundação sem nenhum tratamento.” As manobras jurídicas usadas para reter Champinha e os outros cinco jovens, embora desconhecidas do público, não eram inéditas em São Paulo. Antes deles, diversos infratores foram interditados e ficaram encarcerados além do que prega o ECA. A diferença é que saíam da Fundação ao completar 21 anos. Champinha tem 24 e está preso há sete anos e meio. Agora não por ter tirado a vida de Liana e Felipe, mas para tratamento psiquiátrico – e é exatamente neste ponto que a legalidade da UES está sendo questionada. Para alguns juristas, a Unidade não estaria às margens da lei se sua prioridade fosse a saúde dos internos. “O local está sendo utilizado apenas para contenção”, constatou a juíza Mônica Paukoski, do Departamento de Execuções da Infância e da Juventude, numa visita à UES, em maio de 2008.img5.jpg
“Ficam com essa conversa mole de tratamento
de saúde (…). Isso é prisão perpétua”

Luís Fernando Vidal, presidente da Associação Juízes para a Democracia De lá para cá, a Unidade foi fiscalizada pelo menos mais duas vezes e nada mudou. Em fevereiro, representantes do MP, do Conselho Regional de Medicina e do Conselho Regional de Psicologia (CRP) a inspecionaram. “A estrutura física é boa”, conta o promotor Pinto Filho. “Mas o equilíbrio é precário. Ainda se tenta estabelecer procedimentos de tratamento. Falta um trabalho individualizado.” Carla Biancha Angelucci, presidente do CRP, é mais enfática. “Os jovens não têm acesso aos prontuários médicos, não há projetos terapêuticos definidos, portanto, também não há perspectivas de melhora e de ressocialização”, relata. “Não digo que aqueles rapazes têm de ser soltos imediatamente porque não sou inconsequente, mas eles não podem ficar lá eternamente.” Depois de sair da alçada da Fundação, a UES foi transferida para a pasta da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Mas nem os profissionais da SES são favoráveis à internação prolongada porque está na contramão do que a psiquiatria moderna defende. ISTOÉ teve acesso a correspondências do período em que a UES estava sendo criada e essa discordância fica evidente. “Torna-se imperioso enfatizar que a longa permanência de pacientes psiquiátricos em hospitais cronifica sua patologia, tornando-os incapazes de retornar à sociedade, ou seja, esses pacientes se quedam institucionalizados; deslocados do contexto social acabam perdendo a sua cidadania o que é, infelizmente, facilmente comprovado na história da psiquiatria mundial”, escreveu o médico Nilson Paschoa, então secretário-adjunto da Saúde, para a juíza Mônica. Integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas, antigos responsáveis pelo atendimento na UES, comunicaram à SES recentemente que tratamento em regime de contenção não surte efeito. A Secretaria repassou essa informação para o Ministério da Justiça.  img4.jpg
“Infelizmente, casos como o de Champinha são
sub-diagnosticados na Fundação Casa”

Paulo Sergio Calvo, psiquiatra forense do Instituto
de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo
 A UES fica na zona norte da capital paulista e tem capacidade para 40 pessoas. A estrutura é parecida com a de uma vila. Há cinco casas – com dois quartos cada, equipadas com camas, geladeira, sofá, tevê – horta, quadra de esportes e uma sala com computadores onde estão instalados joguinhos violentos, daqueles de atirar e matar. A casa que Champinha divide com dois internos – também acusados de crimes sexuais – é protegida por uma cerca alta porque os outros não os aceitam no mesmo espaço. Esses jovens, que obrigaram Champinha e seus colegas a ficarem confinados dentro do confinamento, vieram do interior. São todos homicidas. O cotidiano da UES é regulado pelos horários das refeições. Quem quiser tomar café da manhã, por exemplo, precisa estar de pé antes das 7h para receber a quentinha. “A Unidade não oferece nenhuma atividade”, afirma Fabiana Botelho Zapata, defensora de três internos. “Durante muito tempo, juízes determinavam a internação no local por não saber como funcionava.” “Cabe ao Estado dar tratamento médico a essas pessoas, para a proteção delas próprias e da sociedade. Mas se os indivíduos ficam confinados e sem atendimento adequado, é óbvio que a Unidade é irregular”, avalia Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (SP). “A legislação precisa ser aperfeiçoada. É necessário criar medida de segurança para menores. Caso contrário, eles podem ficar num limbo jurídico, num espaço sem regras.” “Medida de segurança” é aplicada a doentes mentais que praticaram crimes quando adultos e, por causa disso, não podem ser responsabilizados. Esses indivíduos vão para hospitais de custódia e são liberados quando recebem um laudo médico atestando que a enfermidade está controlada. Isso pode demorar apenas um ano ou décadas. “A Justiça não fixou periodicidade para que Roberto (Champinha) seja reavaliado. Há quase dois anos e meio ele não tem acompanhamento. Aquilo é uma prisão disfarçada de hospital”, diz o advogado Daniel Adolpho Daltin Assis.img3.jpg
“Aquilo é uma prisão disfarçada de hospital.
Está caracterizado o Estado de exceção”

Daniel Adolpho Daltin Assis, advogado de Champinha Embora decisões judiciais respaldem a permanência desses jovens na UES, o Estado terá de provar o que está sendo feito para tratá-los e mostrar quais são as perspectivas de cada um. Nos corredores da Secretaria da Saúde, o que se diz é que a UES só existe porque a Justiça abriu suas portas à força quando determinou a contenção de Champinha e é questão de tempo os tribunais superiores a declararem ilegal. Os advogados de Champinha e dos outros internos prometem denunciar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. “Com um remedinho aqui, uma terapiazinha acolá, ficam com essa conversa mole de tratamento de saúde”, afirma o juiz Luís Fernando Vidal, presidente da Associação Juízes para a Democracia e coordenador da Comissão de Infância e Juventude do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. “Essa unidade é cópia de um manicômio, mas com uma agravante: os jovens cumpriram medida socioeducativa e estão presos sem ter sido condenados por outros crimes. Isso é prisão perpétua.” O grande nó dessa questão é que o clamor social para que Champinha continue preso é forte. Se o assassinato de Liana e Felipe não tivesse repercutido, provavelmente, a UES não existiria e ele já estaria solto – assim como centenas de outros infratores considerados de alta periculosidade que precisariam de tratamento. “A culpa é da legislação, que é ruim”, acredita o psiquiatra forense Guido Palomba. “Quem nasce psicopata, vai morrer psicopata. Isso não tem cura. Não tem remédio. Do ponto de vista médico, está correto que esses indivíduos fiquem longe da sociedade. O problema é que não há previsão legal para isso. Mais cedo ou mais tarde, eles terão de ser soltos”. img2.jpg
“Se os indivíduos ficam confinados e sem
atendimento adequado, a Unidade é irregular”

Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (SP) grafico.jpg

20 horas atrás

Cultura de estupro: até nas salas de aula?

por Rosangela Basso
 
Cultura de estupro: até nas salas de aula?

Ontem fui pego de surpresa ao saber que minha prima de 16 anos, sempre muito tranquila e calma, havia sido suspensa da escola. O motivo: numa discussão em sala de aula sobre o estupro ocorrido contra uma turista dentro de uma van no Rio de Janeiro, ela se posicionou contrária ao professor que, após fazer piadas do tipo “Ela foi peso pesado! Aguentou três brutamontes!”, argumentou que a investigação para ser justa deveria considerar a roupa que a vítima vestia para ver se ela não “estava pedindo”. Minha prima disse que aquele era um comentário machista idiota. E foi convidada a sair de sala. O infeliz comentário do professor em sala de aula já seria preocupante pelo simples fato dele ser formador de conhecimento para centenas de jovens mentes em aprendizado. No entanto, o que mais preocupa é saber que a visão dele não é isolada, mas faz parte de uma forma ainda muito enraizada em nossa sociedade de modo geral: sugerir que a vítima é parcialmente ou totalmente culpada pelo estupro. O perigo desse pensamento machista é o seu efeito de revitimização, ou seja, encorajar a culparem a vítima e responsabilizá-la pelo estupro, ao invés de culparem o estuprador pelo seu ato criminoso. O ponto é: a vítima nunca é culpada pelo estupro, em hipótese alguma. Embora não tenha sido esse o pensamento predominante no caso do estupro da estrangeira dentro da van, há outras formas igualmente perversas ao lidar com o episódio atreladas à maneira de se pensar a cidade e a segurança pública. O primeiro diz respeito ao modo que alguns meios de comunicação repercutiram o caso, manchetes como “Estupro: imagem do Rio afetada” e “Ataque a turistas americanos dentro de van é revés em bom momento vivido pela cidade”. O estupro de uma mulher não é meramente um “revés” para a cidade, mas um ato de violência brutal e inadmissível que afeta antes de qualquer coisa a vida da mulher violentada. A preocupação central não deveria ser com a repercussão e impacto negativos sobre a imagem e turismo da cidade, mas sim com a segurança de todas as mulheres ao garantir seu direito de ir e vir dentro do espaço público, antes de tudo. Fica evidente a lógica predominante de se pensar o Rio de Janeiro enquanto cidade-mercadoria , num estágio tão extremo que até o estupro de uma mulher é visto apenas como um problema que prejudica a imagem do “produto” (o Rio de Janeiro) e sua “venda” (a atração de turistas). Declarações oficiais do governo afirmaram recentemente que o estupro da jovem americana numa van foi uma “atrocidade”, mas que a violência contra a mulher não é uma prática comum no Brasil nem no Rio. De fato, constatar que o estupro é uma atrocidade é o mínimo de sensatez esperado, contudo, afirmar que as práticas violentas contra as mulheres brasileiras e cariocas são incomuns é perigosamente ilusório. A verdade é que é muito mais comum do que gostaríamos de admitir. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, apenas em 2012 foram registrados mais de 6 mil casos de estupro apenas no Rio de Janeiro, isso representa uma média de 16 estupros por dia. Embora o índice represente também uma vitória do crescimento do número de pessoas que passam a confiar cada vez mais na denúncia desse tipo de crime, ainda assim, seis mil mulheres violentadas dentro do Rio de Janeiro será sempre uma derrota social. Para o poder público e parte da mídia, o problema foi o estupro ter ocorrido com uma turista num dos cartões postais da cidade, Copacabana, o que denigre a imagem da cidade internacionalmente. O perigo de não se reconhecer a violência estrutural contra a mulher é tornar invisíveis os estupros diários cometidos contra a parcela mais exposta da população carioca: mulheres, moradoras de áreas periféricas e de baixa renda. De alguma forma, as violências vivenciadas todos os dias contra essas mulheres não merecem a mesma atenção? Não querer reconhecer a dura realidade da cultura de estupro em que o Rio está imerso em prol de salvaguardar a “boa imagem da cidade-produto”, é perpetuar a própria violência contra as mulheres ao negligenciar que as violações ocorrem e que deveriam, portanto, serem combatidas efetivamente. Negar a violência contra a mulher não faz com que ela deixe de existir, apenas permite que ela se reproduza em silêncios, lágrimas e traumas calados sem a espetacularização da mídia. Há muito que ser feito ainda. Um bom primeiro passo é reconhecer e convidar duas alunas muito mais perigosas e problemáticas para fora da sala de aula carioca do que a minha prima: a cultura do estupro e a lógica da cidade-mercadoria do Rio de Janeiro. Convidar não. Expulsar. Matheus Bizarria

um dia atrás

Catador depõe, e skinhead pode pegar 24 anos de prisão

por Rosangela Basso
 
Catador depõe, e skinhead pode pegar 24 anos de prisão 

Quaquaraquaquá quem riu? Quaquaraquaquá, Fui eu!

Com depoimento da vítima, suspeitos serão investigados por crime de tortura

BERNARDO MIRANDA Ricardo Vasconcelos Jornal OTEMPO 
FOTO: PAULA HUVEN  Em BH. Acompanhado de policiais, Antônio Donato chegou ontem após ser preso no interior de SP A Polícia Civil ouviu o catador de material reciclável Luiz Célio Damásio, 42, que foi agredido pelo skinhead Antônio Donato Baudson Peret, 25, na praça da Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Donato foi preso anteontem pela Polícia Civil, em Americana (SP). Outros dois neonazistas foram detidos em Belo Horizonte, também no último domingo: Marcus Vinícius Garcia Cunha, 26, e João Matheus Vetter de Moura, 20. Donato chegou, ontem, a Belo Horizonte e será apresentado pela polícia na manhã de hoje.

Segundo o catador, o crime ocorreu no dia 5 de abril, quando ele estava com seu carrinho, na rua Pernambuco com Cristovão Colombo, na Savassi. Damásio explicou que Donato começou a insultá-lo dizendo que ele estava usando drogas. Em seguida, o skinhead, que estava acompanhado de Marcus Cunha, o encurralou, e, para se defender, o próprio catador tirou uma corrente do carrinho. Donato, então, tomou o objeto dele e o usou para enforcá-lo.

Damásio contou que estava prestes a desmaiar quando uma terceira pessoa – que ele disse não lembrar quem – interviu, e Donato o soltou. Ele disse que durante a agressão, Marcos Cunha fez a foto que foi divulgada por Antonio Donato no Facebook, o que provocou o início da investigação policial. Ao lado da imagem, Donato justificou a agressão dizendo que Luiz estaria fumando crack. O catador de material reciclável disse que não usa drogas.

Com a identificação da vítima da agressão, Donato também será investigado pelo crime de lesão corporal e tortura. Essas investigações ficarão a cargo da 1ª Delegacia-Sul. Já na Delegacia de Crimes Cibernéticos, Donato e os outros dois skinheads presos ainda são investigados pelos delitos de incitação ao crime, apologia ao nazismo e ao racismo e formação de quadrilha.

Donato e Cunha ainda são suspeitos de corrupção de menor, por divulgarem fotos com material nazista ao lado de um garoto de 5 anos, que é filho de Cunha.

Somando as penas máximas dos crimes pelos quais Donato é investigado, ele pode ser condenado a 24 anos e seis meses de prisão. No caso de Marcus Cunha, a pena máxima pode chegar a 15 anos e seis meses, e a de Vetter, a 11 anos e seis meses de prisão.

16 de Abril de 2013 12:31

Intolerância acorrentada

por Rosangela Basso
 
Intolerância acorrentada

Prisão de skinheads acusados de racismo e formação de quadrilha expõe rede de suspeitos de crimes de ódio relacionados à ideologia neonazista. Vítimas relatam as agressões em BH  
Mateus Parreiras e Pedro Ferreira
Estado de Minas: 16/04/2013 

Antônio Donato, que tem várias passagens policiais, foi preso ao desembarcar em Americana (SP) (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)  
Antônio Donato, que tem várias passagens policiais, foi preso ao desembarcar em Americana (SP)

As prisões em São Paulo e em Belo Horizonte, por racismo e formação de quadrilha, de três integrantes de uma gangue de skinheads que agia na capital mineira chamaram a atenção para uma situação ainda mais preocupante. Antes rivais, radicais paulistas e mineiros estão se aliando e podem intensificar suas ações. De acordo com a chefe da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, Margarete Barreto, a mudança se deu quando o grupo ao qual é ligado Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos – detido no último domingo, em Americana (SP) –, assassinou um líder dos cabeças raspadas mineiros, o estudante de direito Bernardo Dayrell Pedroso, de 24, e sua namorada, de 21, em 2009, no Paraná, nas comemorações do aniversário de 120 anos do nascimento de Adolf Hitler. 

Além de Donato – que causou revolta ao posar numa foto veiculada na internet estrangulando um homem negro, identificado como morador de rua, com uma corrente – foram presos, também no domingo, em Belo Horizonte, Marcus Vinícius Garcia Cunha, de 26, e João Matheus Vetter de Moura, de 20, que pertencem ao mesmo grupo skinhead na capital mineira. Uma quarta pessoa teve seu apartamento vasculhado pela polícia. Quatro suspeitos ainda são investigados.

 

A prisão de Donato em Americana foi feita pela Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos (DEICC), de BH, e pela Guarda Municipal do município paulista. Donato foi detido no momento em que o ônibus de viagem em que estava chegou da capital, São Paulo, à rodoviária da cidade do interior paulista. O suspeito não reagiu à prisão, mas com ele foram encontradas um faca de cozinha, uma faca tática, um facão tipo machete e um soco inglês. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que vai apresentar os suspeitos hoje.

 

Apesar de estar sendo investigado por racismo e formação de quadrilha, Donato parece ser ainda mais perigoso do que essas acusações indicam. Só em Minas, segundo o Estado de Minas apurou junto à                        Polícia Militar, o rapaz se envolveu em pelo menos dez ocorrências, entre embriaguez ao volante, agressão, lesão corporal e ameaça. No estado, ele responde ainda a três processos por agredir homossexuais. Em São Paulo, são duas ocorrências por lesão corporal.

Um dos parceiros contumazes de Donato em São Paulo, segundo a Delegacia de Crimes Raciais, é Artur Ruda Gomes Fonseca, de 20. Os dois chegaram a ser presos no estado, em 2011, depois de terem agredido um grupo de 11 skatistas na Avenida Paulista, nos Jardins.

Clima de alívio na Região da Savassi

A prisão dos três rapazes que se identificam como skinheads, no domingo, sob a acusação de racismo e formação de quadrilha, trouxe alívio para as vítimas das agressões cometidas e para comerciantes da Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ferido a golpes de soco inglês no rosto quando tinha apenas 16 anos, o estudante A.A.M.C., hoje com 18, comemora a prisão de seu agressor, Antônio Donato Peret. “Sinto-me aliviado ao saber que não tem um cidadão como esse circulando mais pelas ruas da cidade. Tenho pena dele, pela cabeça que ele tem. ”

O estudante não consegue esquecer os momentos de terror que viveu ao ser atacado por Antônio Donato e outros três homens na Avenida Getúlio Vargas com Rua Tomé de Souza, na Savassi. “Fiquei completamente sem entender. Eram umas 21h e eu tinha saído de um shopping para encontrar amigos na Savassi. Alguém bateu no meu ombro e quando virei começaram a me agredir. Fiquei em choque”, conta. Para ele, Antônio Donato não tem condições de viver em sociedade.

A mãe do jovem, que é enfermeira, ficou impressionada com a violência do ataque. “Meu filho sofreu um ferimento na boca e levou oito pontos.” Ela espera que os suspeitos continuem presos. “São extremamente violentos, deram vários socos no estômago do meu filho e o chutaram.” O dono de um bar da Tomé de Souza chamou a polícia e os agressores foram presos.
Ex-colegas de trabalho de outro dos presos no domingo, Marcus Cunha, ficaram surpresos com a notícia de que ele estaria envolvido em um grupo neonazista. Marcos já trabalhou como coordenador de atendimento em um dos restaurantes mais tradicionais de Belo Horizonte, na Pampulha. “Estou perplexo com o que fiquei sabendo dele. Ele nunca deixou transparecer nada sobre esse seu comportamento no ambiente de trabalho”, disse o gerente operacional da casa, Ronaldo Costa.

Ronaldo conta que Marcus Cunha passou por avaliação psicológica antes de ser contratado, e que comandava uma equipe de 20 garçons e que o relacionamento entre eles era bom. “Ele pediu demissão por ter recebido uma oferta de trabalho melhor”, disse o gerente operacional.

Cansados de acompanhar a violência praticada por Antônio Donato e seu grupo contra gays, negros, moradores de rua e hippies, comerciantes da Savassi comemoraram a prisão de três dos acusados dos crimes. “Com eles presos, a Savassi vai ficar mais segura e tranquila. Antônio Donato sempre estava no meio da confusão”, disse o dono de um bar.

 

A mãe do jovem, que é enfermeira, ficou impressionada com a violência do ataque. “Meu filho sofreu um ferimento na boca e levou oito pontos.” Ela espera que os suspeitos continuem presos. “São extremamente violentos, deram vários socos no estômago do meu filho e o chutaram.” O dono de um bar da Tomé de Souza chamou a polícia e os agressores foram presos.
Ex-colegas de trabalho de outro dos presos no domingo, Marcus Cunha, ficaram surpresos com a notícia de que ele estaria envolvido em um grupo neonazista. Marcos já trabalhou como coordenador de atendimento em um dos restaurantes mais tradicionais de Belo Horizonte, na Pampulha. “Estou perplexo com o que fiquei sabendo dele. Ele nunca deixou transparecer nada sobre esse seu comportamento no ambiente de trabalho”, disse o gerente operacional da casa, Ronaldo Costa.

Ronaldo conta que Marcus Cunha passou por avaliação psicológica antes de ser contratado, e que comandava uma equipe de 20 garçons e que o relacionamento entre eles era bom. “Ele pediu demissão por ter recebido uma oferta de trabalho melhor”, disse o gerente operacional.

Cansados de acompanhar a violência praticada por Antônio Donato e seu grupo contra gays, negros, moradores de rua e hippies, comerciantes da Savassi comemoraram a prisão de três dos acusados dos crimes. “Com eles presos, a Savassi vai ficar mais segura e tranquila. Antônio Donato sempre estava no meio da confusão”, disse o dono de um bar.

 

16 de Abril de 2013 11:58

Cultura e religião não podem justificar preconceito contra gays, diz secretário-geral da ONU

por Rosangela Basso
 
Perfeito: Cultura e religião não podem justificar preconceito contra gays, diz secretário-geral da ONU

Portal EBC

 O secretário-geral das Nações Unidas fez uma promessa aos LGBTs: “estou com vocês. Vou denunciar os ataques contra vocês” (UN News Centre/CC) O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, denunciu nesta segunda-feira (15) o preconceito e discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT). O representante máximo do organismo internacional alertou que religião, cultura e tradições não “devem nunca ser uma justificativa para excluir deles os direitos básicos”. 
“Os governos têm como dever legal proteger a todos”, disse Ban em uma mensagem gravada e exibida em vídeo na Conferência dos Direitos Humanos, Orientação Sexuai e Identidade de Gênero, que acontece em Oslo (Noruega). Na oportunidade, Ban rechaçou qualquer tipo de agressão, prisão e assassinato dos LGBTs. “”Alguns evocam cultura, tradição e religião para justificar seus pensamentos”, apontou. 
O secretário-geral criticou o fato de  tais argumentos [cultura, religião e tradição] também serem usados para justificar a escravidão, o casamento de crianças, a mutilação genital feminina. “Eu respeito a cultura, a tradição e a religião – mas elas não podem ser usadas para a negação dos direitos básicos”, aduziu. 
“Este é um dos maiores desafios dos nossos tempos”, disse Ban ao contar que vários países ainda teimam em reconhecer a  “injustiça da violência homofóbica e da discriminação”. 
Na mensagem, Ban foi ainda mais enfático na luta pelos direitos LGBTs. “A minha promessa para as lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros da família humana é esse: Eu estou com vocês. Eu prometo que enquanto secretário-geral vou denunciar os ataques contra vocês. Vou pressionar os líderes com o objetivo de termos progressos nessa área”, finalizou. 
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16 de Abril de 2013 11:14

Assinatura da homofobia: Não bastava matá-lo. Era preciso humilhá-lo após a morte e condenar sua sexualidade mesmo morto

por Rosangela Basso
 
Assinatura da homofobia: Não bastava matá-lo. Era preciso humilhá-lo após a morte e condenar sua sexualidade mesmo morto

Me doeu até a alma, até quando, até quando? 

Um lugar para beijar

Malu Fontes – Correio

Diante da morte do estudante de Produção Cultural da Faculdade de Comunicação da Ufba Itamar Ferreira, em virtude das circunstâncias em que o corpo e a roupa foram encontrados, não há como não pensar em uma morte dupla, medieval e com a assinatura nítida do preconceito, seja ela deixada por ladrões comuns que queriam roubar gadjets e deixar pistas falsas após golpeá-lo, ou por um homofóbico típico capaz de tudo. O que quer que tenha acontecido para matar Itamar, o que houve naquela cena do crime representa uma morte dupla, marcada pela assinatura da homofobia, encenada ou patológica. 
 
Todos os dias ladrões matam pessoas, movidos pelo desejo de levar seus objetos. Já homofóbicos matam exclusivamente homossexuais e o fazem movidos pelo ódio sexual, embora haja quem pregue que toda morte causada por homofobia não passa de latrocínio comum. A assinatura perversa deixada na morte dupla de Itamar é traduzida na forma como ele foi largado dentro de uma fonte de praça pública, já morto ou deixado inconsciente para afogar-se após uma agressão na cabeça, mas com um detalhe extra para marcá-lo e matá-lo de novo, dessa vez moralmente: a bermuda abaixada até os joelhos. 
 
Assim como assassinar uma pessoa com vários tiros no rosto significa, no código do crime, ajuste de contas, vingança por traição, jogar um homem morto numa praça com as calças arreadas é uma assinatura a serviço dos argumentos de quem vive alimentando o preconceito contra gays. Quantos não irão repetir coisas do tipo: ‘estão vendo? A homossexualidade é coisa do diabo e Deus pune’. Não são de frases assim que são feitas as declarações de Felicianos e Malafaias? A forma como a roupa de Itamar foi deixada não lhe dá, perante os preconceituosos para quem os gays procuram a morte por desafiar as leis da natureza sexual ou de Deus, o direito de ser vítima. E quem o matou, por mais tosco que seja, queria justamente isso. Não bastava matá-lo e levar suas coisas. Era preciso deixá-lo humilhado após a morte, condenar sua sexualidade mesmo morto, matá-lo moralmente perante o mundo Feliciano. 
 
Independentemente do contexto que levou Itamar à morte, ele é, foi, vítima. E se ele tiver provocado ou aceitado uma paquera em relação a quem o matou? Ora, em que isso o torna moralmente culpado? Quanto a isso, vale citar um filme fundamental para entender o preconceito contra os gays. Em 2009, a jornalista Neide Duarte, da Rede Globo, lançou um documentário que, em tempos de tanta gente que não se constrange em ofender homossexuais, é uma aula. O documentário chama-se Um Lugar para Beijar, pode ser visto no Youtube e mostra como o preconceito, inclusive o familiar, empurra os gays, principalmente os mais pobres, para as zonas de risco da vida: as áreas escuras da cidade, os botecos copos-sujos, onde nada no entorno soa familiar e seguro, pois é somente nesses espaços de perigo e nas madrugadas desertas que encontram alguma privacidade. Afinal, quem aqui é macho o suficiente para saber o que é poder beijar outro homem à luz do dia numa área nobre?  Do xingamento a uma tacada de golfe na cabeça, a imprensa mostra todo dia que tudo é possível. Sobra o gueto, o escuro e a madrugada ameaçadora.

* Malu Fontes é jornalista e professora de Jornalismo da Ufba.

16 de Abril de 2013 10:37

Horror: Policiais gritavam: “Deus cria, a Rota mata”, diz sobrevivente do Carandiru

por Rosangela Basso
 
Horror: Policiais gritavam: “Deus cria, a Rota mata”, diz sobrevivente do Carandiru

Primeira etapa do julgamento do Carandiru começou nesta segunda-feira no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste) Foto: Fernando Borges / Terra
Primeira etapa do julgamento do Carandiru começou nesta segunda-feira no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste)Foto: Fernando Borges / Terra

No primeiro dia de julgamento de 26 policiais envolvidos no caso que ficou conhecido como massacre do Carandiru, o ex-detento Marco Antonio de Moura afirmou à Justiça que tem fresco na memória o que ocorreu no dia 2 de outubro de 1992 na Casa de Detenção de São Paulo. Na ocasião, 111 presos foram mortos após uma briga entre criminosos e a invasão da Polícia Militar ao pavilhão 9, local em que estavam mais de 2 mil presos naquela tarde. “Passaram 21 anos. Para mim foi como se fosse ontem”, disse ele, que levou um tiro no pé na ocasião. De acordo com o sobrevivente, os policiais já entraram no presídio atirando contra os presos. “Quando deixamos o pavilhão, para ir para o pátio, eles gritavam: ‘Deus cria, a Rota mata. Viva o choque'”. Moura estava no segundo pavimento do pavilhão 9, onde o processo relata que 15 detentos morreram. Por conta dessas mortes, 26 policiais são julgados no Fórum da Barra Funda a partir desta segunda-feira. O júri popular deve se estender pelo menos até o início da próxima semana – seis homens e uma mulher compõem o conselho de sentença, que decidirá o destino dos réus. O ex-detento afirma que não se tratava de uma rebelião e que a intervenção da polícia era desnecessária. “Não era rebelião. Era um acerto de contas entre bandidos”, afirmou. O sobrevivente afirma que, ao perceber que a Polícia Militar iria invadir o local, previu o pior. “Nós vamos apanhar demais. É deles fazer corredor polonês e bater em você.”, contou. Ele nega que os detentos tenham tentado enfrentar os policiais. “Não tem como enfrentar policial armado até o dente. Quem tinha faca entregou. Ao perceber os disparos nas galerias do presídio, ele disse que a situação era mais séria do que ele pensava. “Foram muitos tiros, não era comum”. Moura, que foi preso por roubo (simulando estar armado) e respondeu por uma tentativa de homicídio (que foi arquivada por falta de provas), conta como levou o tiro no pé. “Havia umas 30 pessoas dentro da minha cela. Na correria, começou a entrar um monte de gente. Em um determinado momento, o policial pôs a cara no guichê (espécie de janelinha na porta da cela) e foi muito disparo”, disse ele. Entre as rajadas de metralhadoras em seu andar, ele disse que o que mais ouvia eram gritos de “pelo amor de Deus”. Perguntado pelo juiz se reconheceria algum policial que participou da operação, ele foi direto. “Não tenho vontade de olhar para a cara de nenhum deles. Só lembro que tinha um de olho azul”. O detento disse ainda se recordar que tiros foram disparados por policiais que estavam sobre um helicóptero, que sobrevoava o pavilhão. “Eu dei sorte. Eu ia subir no telhado. Mas se tivesse subido, teria morrido”. Preso inicialmente em 1988, ele deixou o sistema carcerário em 1994 e, segundo ele, desde então trabalha com “carteira assinada” e não teve mais nenhum problema com a Justiça. É casado e tem três filhos. Moura foi a segunda testemunha de acusação a depor no primeiro julgamento dos policiais acusados de homicídio – os demais júris ocorrerão ainda em 2013, já que o caso foi desmembrado devido ao grande número de réus. Ao todo, 23 testemunhas foram convocadas para depor pela defesa e pelo Ministério Público. 20 anos do massacre do Carandiru Em 2 de outubro de 1992 uma briga entre presos da Casa de Detenção de São Paulo – o Carandiru – deu início a um tumulto no Pavilhão 9, que culminou com a invasão da Polícia Militar e a morte de 111 detentos. Conheça os detalhes do episódio, que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”. Julgamento
Passados 20 anos do episódio que terminou com 111 presos mortos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, em outubro de 1992, 26 policiais militares serão julgados pelo caso que ficou conhecido como Massacre do Carandiru. Pelo menos 79 PMs acusados de envolvimento nas mortes aguardam julgamento. O único que recebeu a sentença foi o coronel da Polícia Militar Ubiratan Guimarães, que coordenava a operação no dia do massacre, mas teve sua pena de 632 anos de prisão anulada em 2006, sete meses antes de ser assassinado. Em 2 de outubro de 1992, uma briga entre presos da Casa de Detenção de São Paulo – o Carandiru – deu início a um tumulto no Pavilhão 9, que culminou com a invasão da Polícia Militar e a morte de 111 detentos. Entre as versões para o início da briga está a disputa por um varal ou pelo controle de drogas no presídio por dois grupos rivais. Ex-funcionários da Casa de Detenção afirmam que a situação ficou incontrolável e por isso a presença da PM se tornou imprescindível. A defesa afirma que os policiais militares foram hostilizados e que os presos estavam armados. Já os detentos garantem que atiraram todas as armas brancas pela janela das celas assim que perceberam a invasão. Do total de mortos, 102 presos foram baleados e outros nove morreram em decorrência de ferimentos provocados por armas brancas. De acordo com o relatório da Polícia Militar, 22 policiais ficaram feridos. Nenhum deles a bala. 
 Terra 

16 de Abril de 2013 10:28

O apresentador, a opinião e o crime

por Rosangela Basso
 
O apresentador, a opinião e o crime

Por Gleison Luiz Zambon – Observatório da Imprensa

A polêmica eleição do pastor e deputado Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ganhou um novo tempero nos últimos dias. O jornalista Alexandre Garcia saiu em defesa do polêmico deputado, invocando o direito constitucional à livre expressão. Em vídeo que vem sendo amplamente divulgado nas redes sociais, o ex-âncora da Rede Globo disse, entre outras opiniões controversas, a seguinte frase: “Se ele é acusado por opinião, supõe-se que aqui no Brasil exista crime de opinião, e não existe. Ele não pode ser acusado de opinião se a opinião é livre e protegida pela Constituição.” Desculpem-me os defensores de tal pensamento, mas discordo dele. Para começar, um sujeito que foi porta-voz do governo na ditadura militar não tem lá muita moral para falar em liberdade de expressão ou temas afins. E talvez ele não saiba, ou não queira dizer, que a mesma Constituição que garante a liberdade de expressão prevê limitações a tal direito e punição a quem se exceder. Se fosse como ele alega, não existiriam, entre outros, os crimes de injúria, calúnia e difamação previstos no Código Penal, e os de racismo e preconceito previstos na Lei nº 7.716/89 e na própria Constituição (Art. 5º, XLII). Assim, entendo que o direito constitucional à livre expressão não pode ser invocado para justificar a prática do racismo e as manifestações de preconceito, pois a própria Constituição prevê limitações a tal direito. Simples assim: seu direito termina onde começa o direito do outro; ou se preferir, o direito de ser respeitado implica no dever de respeitar. E é por esta razão que, por mais que eu tenha vontade, não posso manifestar tudo o que penso sobre Marco Feliciano, Alexandre Garcia ou quem compartilha destas opiniões. E não é por ser jornalista da poderosa Rede Globo que ele é dono da verdade. Pelo contrário, neste caso acho que ele meteu os pés pelas mãos, como muitos jornalistas fazem. Aliás, acho que existe uma “distância infinita” (utilizando a mesma expressão utilizado pelo jornalista) entre uma pessoa meramente expressar sua opinião e dizer que “negros descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé”. Isso, sim, é crime. Expressão de opinião é o que fazemos aqui, expondo nossos pontos de vista sem ofender ou cometer algum crime. Invocar o direito constitucional à livre expressão para cometer crime de racismo, para mim, é o mesmo que invocar o direito à livre iniciativa e ao exercício do trabalho para cultivar maconha ou refinar cocaína… *** *** Gleison Luiz Zambon é oficial de Justiça, Piracicaba, SP

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16 de Abril de 2013 10:18

Vídeo da prisão de neonazista investigado por agredir gays e negros em BH

por Rosangela Basso
 
Vídeo da prisão de neonazista investigado por agredir gays e negros em BH

Antônio Donato postou, nas redes sociais, várias fotos de apologia ao nazismo, incluindo imagens de uma criança com acessórios que fazem referência ao regime.

Informações do BHaz
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16 de Abril de 2013 09:51

Excrescência da política brasileira

por Rosangela Basso
 
Excrescência da política brasileira

Mário Augusto Jakobskind – Direto da Redação
 

O caso do pastor Marco Feliciano, que se arrasta há um mês, não se restringe apenas ao parlamentar, muito menos à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Trata-se de uma ofensiva conservadora, especialmente fundamentalista religiosa, que representa um retrocesso para o país.

 

Feliciano, segundo a Folha de S. Paulo, agora em defesa protocolada no Supremo Tribunal Federal, confirmou suas anteriores declaraçõe racistas afirmando que “paira sobre os africanos uma maldição divina”.

 

Remover Feliciano do cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias é uma necessidade, sem dúvida, mas não basta. Ele representa uma excrescência da política brasileira e é preciso frear a ousadia de seus pares que formam a Frente Parlamentar Evangélica.

 

Se isso não for feito o quanto antes, o Parlamento brasileiro acabará até aprovando projeto do Deputado João Campos, do PSDB, que, pasmem, na prática levará ao fim do estado laico.

 

O correligionário de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, entre outros, elaborou proposta incluindo as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Se aprovado em plenário, já foi na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, o projeto irá para votação no Senado. Se este retrocesso não for abortado, as entidades religiosas poderão questionar decisões judiciais já adotadas pelos Ministros do STF, desde a autorização para o uso de células troncos até a união estável para casais do mesmo sexo.

 

Podem imaginar como um retrocesso dessa natureza em pleno século XXI repercutiria no exterior? Enquanto os Parlamentos da Argentina e Uruguai aprovam a união estável, no Brasil uma Frente Parlamentar Evangélica se mobiliza até para acabar com a laicidade do Estado.

 

Como se não bastasse a desmoralização da Comissão de Direitos Humanos sob a presidência de Feliciano, integra também o espaço agora dominado pelos fundamentalistas uma outra excrescência da política brasileira, o Deputado Jair Bolsonaro, que além de defensor veemente do golpe de 64, em várias ocasiões chegou a justificar a tortura.

 

Mas a ocupação da Comissão pelos fundamentalistas se deve basicamente a partidos como o PMDB, PT, PSDB, PC do B e outros, que se desinteressaram pelo tema deixando que o Partido Social Cristão (PSC) indicasse Feliciano.

 

Além de declarações racistas e homofóbicas, bem como proceder de forma autoritária e policialesca como presidente da Comissão ao proibir a entrada do povo em sessões, para não falar das acusações de estelionato que responde no STF, Feliciano tem passado dos limites com menções sobre “satanás” e outras contra parlamentares que não rezam por sua cartilha fundamentalista.

 

Tem até vídeo em que este senhor farsante afirma que as mortes de John Lenon e do grupo Mamonas Assassinas foram uma ação de deus. Pode uma coisa destas presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados?

 

Neste contexto, que não se restringe ao PSC, soma-se a recente declaração do Senador do PSDB, Aécio Neves considerando o golpe de 1964 como “revolução de 64”. O político mineiro se traiu, porque geralmente os que se utilizam da referida linguagem sempre apoiaram a quebra da ordem constitucional que representou a derrubada do Presidente João Goulart.

 

Para completar a ofensiva conservadora, que passa também pela Opus Dei, o Governador de São Paulo tem como assessor particular um tal de Ricardo Salles, defensor veemente do golpe de 64 e fundador do grupo intitulado Endireita Brasil.

 

Salles representa a velha direita, acoplada a nova direita que ao longo dos últimos anos tem feito de tudo para doar o que ainda resta sob controle do Estado brasileiro. Nesta ofensiva se inserem os leilões de petróleo, já marcados para maio próximo, e que tiveram início no governo entreguista de FHC.

 

Por estas e muitas outras, se não houver uma maciça mobilização dos movimentos sociais, o Brasil será palco em breve de um retrocesso que remonta aos piores momentos de sua história no século passado.

 

Seria uma espécie de repetição como farsa, agora caminhando para 50 anos, do golpe civil militar de 64.

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O Palácio do Planalto espera que aborto e casamento homoafetivo não sejam centrais na disputa por 2014

por Rosangela Basso
 
O Palácio do Planalto espera que aborto e casamento homoafetivo não sejam centrais na disputa por 2014

Dilma foge de polêmica para manter paz com evangélicos

Governo se afasta da disputa entre o deputado Marco Feliciano e ativistas Presidente não quer se vincular à pauta das igrejas e não pretende mudar legislações sobre aborto e casamento gay

NATUZA NERYDE BRASÍLIA
A presidente Dilma Rousseff pretende manter intocadas as legislações sobre aborto e casamento gay, como prometeu em 2010. Mas o governo também não quer se vincular à pauta dos evangélicos, que considera conservadora. No Palácio do Planalto, a tônica na relação com as denominações pentecostais e neopentecostais é uma só: manter uma “união estável”. 
De olho nessa estabilidade, Dilma mandou sua equipe tomar distância da polêmica em torno do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Críticas, se forem inevitáveis, devem ser feitas ao deputado e pastor, jamais aos evangélicos. 
Durante os dois primeiros anos de governo Dilma, a relação do Planalto com as igrejas evangélicas e católica tem sido pulverizada e distante. O diálogo é melhor com as denominações protestantes tradicionais, como luterana, metodista e presbiteriana. 
Nas pentecostais, caso da Assembleia de Deus (12,3 milhões de fiéis em 2010), e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus (1,8 milhão), a relação é mais difícil e vista por setores do Executivo como mais utilitarista. 
Embora com um rebanho muito menor, a Universal conquistou o Ministério da Pesca em 2012. Motivo: ajudar o PT na eleição municipal. Titular da pasta, Marcelo Crivella tem sido um dos interlocutores, ao lado do colega Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), responsável formal pela ponte entre Planalto e igrejas em geral. 
A nomeação despertou o interesse de outras denominações. Há algumas semanas, a Assembleia de Deus tentou emplacar um fiel congressista do PR no Ministério dos Transportes. Dilma, porém, optou por outro nome do partido, o ex-governador baiano César Borges. 
No legislativo, a bancada evangélica costuma se unir em torno de temas caros à religião, como casamento gay e aborto. Atrai, com isso, alas católicas e congressistas de linha mais conservadora.

Também há outra pauta comum, mas de reivindicação individual: a cobrança por patrocínio público para eventos gospel, concessões de rádio e televisão e pedidos de mais propaganda oficial nos veículos evangélicos. 
Nas demais demandas, como cargos, a negociação segue a liturgia tradicional dos deputados e senadores da base do governo, o varejo. 
Um dos principais expoentes da bancada evangélica é o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), embora seja da Sara Nossa Terra, muito menor que as outras igrejas.

Em 2010, ele foi um dos que ajudou Dilma a desarmar boatos de que a petista liberaria, se eleita, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, discussão explorada à época por seu adversário tucano, José Serra. 
Dilma já se posicionou a favor da descriminalização do aborto, mas mudou de ideia na campanha eleitoral. 
O Palácio do Planalto espera que os dois temas não sejam centrais na disputa por 2014, o que diminuiria o peso das demandas evangélicas na corrida eleitoral. 
Entre os líderes com maior interlocução com o Planalto estão Manuel Ferreira e Paulo Freire, ambos da Assembleia de Deus, e o próprio Marcelo Crivella.

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15 de Abril de 2013 09:00

Belas, ricas e casadas

por Rosangela Basso
 
Belas, ricas e casadas

Tory Oliveira – Carta capital

O que é preciso para ser uma princesa? A antropóloga Michele Escoura fez essa pergunta para meninos e meninas de duas escolas públicas e uma particular do interior de São Paulo. As respostas dos 200 alunos de 5 anos reuniram as seguintes características: ser jovem, bonita, magra, possuir joias e vestidos e casar-se com um príncipe. O objetivo da pesquisa era entender como as princesas de duas animações da Disney influenciavam a visão de feminilidade de meninos e meninas da pré-escola. As reações das crianças diante de duas histórias centradas em protagonistas femininas – Cinderela (1950) e Mulan (1998) – mostraram que a ideia de “princesa” para elas está associada a obter sucesso no amor romântico e possuir beleza tradicional. “Esse ideal de feminilidade está presente na sociedade como um todo, e as princesas da Disney traduzem isso para essa faixa etária”, analisa Michele. Os primeiros passos para a pesquisa foram dados ainda durante a graduação em Ciências Sociais na Universidade Estadual Paulista (Unesp), quando a antropóloga passou a se interessar pelo campo dos estudos de gênero. Fundada na década de 1960, a área procura investigar como a sociedade influencia na construção da masculinidade e da feminilidade. Partindo desse pressuposto, Michele passou a investigar a primeira infância. “Quando comecei a entrar em contato com as crianças, percebi que Cinderela era uma referência muito presente no cotidiano das meninas, que falavam sobre a personagem e tinham muitos produtos”, relata. A popularidade da personagem, criada na década de 1950, intrigou a antropóloga, que resolveu estudar o que o filme poderia estar ensinando para as meninas. No entanto, uma das razões encontradas para o sucesso de Cinderela é comercial. A personagem faz parte da marca “Princesas Disney”, criada em 2000 com o objetivo de licenciar a imagem de personagens específicas para diversos tipos de produto. “As crianças conhecem as personagens pelos produtos e só depois buscam os filmes”, conta. A pesquisa se ampliou durante o mestrado na Universidade de São Paulo, quando Michele passou a analisar o que os pequenos entendiam e aprendiam com as personagens. Na época, a Disney dividia as princesas entre “clássicas” e “rebeldes”. Do lado clássico ficavam personagens como Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida. Já Ariel (A Pequena Sereia), Jasmin (Aladin) e Mulan foram classificadas como rebeldes. Por causa da divisão, Michele delimitou o estudo a duas obras de animação, cada uma com um tipo de princesa. A primeira é Cinderela, clássico adaptado do francês Charles Perrault, sobre a menina bondosa impedida de ir ao baile real pela madrasta malvada e que é ajudada por uma fada madrinha e reconhecida pelo príncipe encantado por meio de seu sapatinho de cristal. O outro filme é Mulan, animação de 1998 protagonizada por uma jovem corajosa que se traveste de homem para representar sua família no exército da China. Jovens e loiras
Entre 2009 e 2011, Michele passou a frequentar as salas de aula de cada escola ao longo de quatro meses, três vezes por semana. A pesquisadora assistiu aos dois filmes com crianças de três escolas nas cidades de Marília e Jundiaí, no estado de São Paulo. Durante as sessões, anotava os comentários feitos espontaneamente pelos alunos e, após os filmes, pedia que as crianças desenhassem a parte de que mais gostaram e explicassem o porquê. “Ficou claro que Mulan, ao contrário de Cinderela, não era considerada uma princesa”, conta Michele. Algumas crianças afirmaram que Mulan não era uma princesa porque a chinesa não chegava a se casar no fim da história – apenas é sugerido um encontro com seu par romântico. Uma menina discordou e reconheceu Mulan como princesa, mas desenhou a personagem, dona de traços orientais e cabelo escuro, com o cabelo amarelo, loiro. “As crianças já compreendem que o padrão de beleza mais valorizado é esse”, afirma Michele. A posse de joias, coroas e vestidos também foi apontada pelos pequenos como a marca que caracterizava uma princesa, assim como a juventude. A antropóloga explica que esse ideal de beleza está presente não só nas princesas da Disney, mas também em novelas, revistas femininas e na mídia de modo geral. “O risco é as crianças só terem contato com um único referencial de beleza e feminilidade. Precisamos valorizar e dar importância para outros tipos de feminilidade.” Para Michele, as princesas estão mudando conforme novas personagens femininas ganham características diferentes em filmes mais recentes. “A Disney acompanha essa transformação social que amplia o papel da mulher”, analisa. A antropóloga acredita, porém, que há espaço para mudanças ainda maiores. “Mulan é uma heroína corajosa, mas que ainda mantém traços de feminilidade arraigados, como a centralidade na beleza e no amor romântico. Será que não podemos avançar mais?

15 de Abril de 2013 08:57

Cotistas são os acadêmicos que menos abandonam e menos faltam às aulas

por Rosangela Basso
 
Cotistas são os acadêmicos que menos abandonam e menos faltam às aulas 

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Pesquisa feita pela UFS também avalia desempenho acadêmico

Notícias Sergipe Por Sílvio Oliveira Uma pesquisa feita pelo Programa de Ações Afirmativas (Paaf) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) aponta que os cotistas são os universitários que menos faltam às aulas e menos abandonam os cursos. O desempenho acadêmico varia em relação às áreas de exatas e humanas, e a média ponderada da Universidade não se modificou, após adotar o sistema de contas. 
O coordenador da pesquisa, professor Paulo Neves (foto principal), informa que a média da universidade é de 5.7, dos não cotistas 5.8 e os cotistas pontuaram 5.6. Os dados se referem a 2011, ou seja, segundo ano em que a universidade optou por utilizar as cotas. 
Segundo Neves, na UFS não há uma disparidade entre cotistas e não cotistas em relação ao quesito desempenho, abandono e falta. Os conceitos apontados por seguimentos contrários à aprovação da lei nº 12.711/2012 (Lei das Costas), de que os cotistas não iriam acompanhar o ritmo acadêmico, que haveria discriminação e rebaixaria a qualidade do ensino não procederam e há uma realidade, por vezes, até melhor para os cotistas. 
A pesquisa observou que dos 365 universitários que ingressaram na UFS em 2010, e que abandonaram o curso em 2011, 228 foram considerados não cotistas e 137 foram candidatos advindos das escolas públicas e tiveram alguma declaração de cota étnico-racial ou portadores de necessidades educacionais. Ou seja, 62,5% do abandono são de não cotistas. 
Quando à questão da falta às aulas, também é observada positivamente para os cotistas. Como são considerados os alunos mais motivados, eles faltam menos e, nos primeiros anos, tentam acompanhar mais as aulas para compensarem a defasagem do ensino médio, principalmente nas áreas de exatas. 
“Os cotistas abandonam menos, reprovam menos por falta, entram mais motivados. Como eles têm menos oportunidades de cursar outras universidades, de fazer outros vestibulares, eles se mantêm mais estáveis no curso. E, ao mesmo tempo, têm uma tendência a diminuir o diferencial inicial com o passar do tempo”, avaliou professor Paulo Neves, que também é coordenador do Núcleo de Estudos Afro-descendentes da UFS. 
Desempenho acadêmico O risco de que os alunos advindos das escolas públicas diminuíssem as médias ponderadas das universidades por apresentarem médias menos elevadas do que os não cotistas também foi desconstruído pela pesquisa. 
De acordo com o professor, ao contrário do que se pensava, as disparidades não são tão importantes quanto se pensava que seriam. E, ao mesmo tempo, essas disparidades nem sempre são beneficiadoras dos alunos não cotistas. “O que temos observado nos dois primeiros anos de vigência é que as médias gerais ponderadas de cotistas e não cotistas são muito próximas.”, afirmou. 
A realidade mais díspare no desempenho está ligada aos cursos nas áreas de exatas, principalmente nas “engenharias”. No curso de engenharia civil, o mais tradicional, a média dos alunos não cotistas é de 3.8, os cotistas têm media de 2.4, ou seja, mostra um quadro ruim para todos. “Isso está relacionado, basicamente, ao fato de o que mais reprova serem as matérias ligadas aos cálculos”, explicou. 
O professor aponta que a causa da reprovação em cálculos está ligado à problemática no ensino das matérias básicas, tais como português (interpretação) e matemática, além de que nas matérias exatas são ensinadas fórmulas decoradas sem creditaram o sucesso nos cálculos ao entendimento do aluno. 
Nos cursos considerados tradicionais, a exemplo de Medicina, as médias são muito próximas, ou seja, cotistas 8.2 e não cotistas 8.1. No curso de Odontologia, no primeiro ano, os alunos cotistas tiveram média maior do que os não cotistas. No curso de direito noturno, as médias são também muito próximas. 50% das vagas O sistema de cotas faz parte da política de ações afirmativas do Governo Federal, cujo intuito é inserir candidatos das escolas públicas na academia, ou que se declaram negros, pardos ou índios, além de alunos que tenham renda familiar inferior a um salário mínimo. 
A UFS adotou o sistema em 2010, mesmo com o Governo Federal indicando que as universidades federais pudessem implantar gradativamente até chegar ao teto de cotas em 50% do valor total das vagas oferecidas. 
Foto: Sílvio Oliveira

14 de Abril de 2013 23:44

Acabou o tomate? Vem aí a cebola

por Rosangela Basso
 
Acabou o tomate? Vem aí a cebola 
Tenho, obrigatoriamente, que rir dessa imprensa brasileira. Eu almoço em um restaurante todos os dias da semana, ou o tomate não teve essa fama toda, todo dia tinha tomate fartamente, ou o restaurante engana com a sua aparência de “humilde” ou teve prejuízo.

 
 

14 de Abril de 2013 21:00

Teologia da prosperidade!: Feliciano cobrou R$10 mil para pregar no ES

por Rosangela Basso
 
Teologia da prosperidade!: Feliciano cobrou R$10 mil para pregar no ES 

Folha do ES

Ele já pregou por valor maior em eventos das prefeituras do ES

No Ano passado (novembro 2012), o setor financeiro da Igreja Batista Renovada, do pastor Marcos Mansur e também deputado estadual pelo (PSDB-ES), deixou vazar o balancete das despesas com o deputado federal Marcos Feliciano (PSC-SP) no valor de R$ 10 mil livres de custos para uma mensagem evangelística de uma 1h30, promovendo escândalo entre os membros que não sabiam da generosa oferta; e religiosos da cidade de Cachoeiro de Itapemirim-ES, de 200 mil habitantes. Jabes de Alencar recebeu R$ 7 mil na mesma conferência, aliado do pastor Silas Malafaia. 
Os escândalos sofridos pela Assembleia de Deus no Brasil, principalmente de ordem financeira, denunciados pelos seus ícones, fracionou a denominação e deu mais evidência a falsos profetas, entre eles, um bem conhecido: Marco Feliciano. Este, no congresso dos Gideões, chegou, em uma de suas mensagens eloquentes, dizer que por nada deixaria o ministério por propostas para ser político. Alguns anos depois, se torna deputado federal e criou seu próprio Ministério com várias Igrejas. Prega em festejos de cidades e Igrejas cobrando cachês acima de R$ 10 mil livres. Sua vaidade não cabe dentro de si. 
O ídolo de Marcos Feliciano é o precursor da teologia da prosperidade, Benny Hinn, que depois de, recentemente, assumir caso com amante, está tentando a reconciliação com a esposa, além de estar sendo investigado pelas autoridades dos EUA por crimes de ordem fiscal e fraudes. Ele estará com seu pupilo no início de fevereiro pregando sobre avivamento em São Paulo. 
Para não alongar o texto entre tantos exemplos flagrantes e criminosos contra a boa fé do povo, Edir Macedo, Waldemiro Santiago e Silas Malafaia – os mais conhecidos seguem o mesmo caminho entre o santo para o profano no quesito do que se chamam falsos profetas, ainda que o trabalho e as mensagens atinjam os corações dos fiéis de boa fé. 
Aos que preferem ao fanatismo, o tempo se incumbe de revelar os lobos em pele de cordeiro.

14 de Abril de 2013 20:43

União homoafetiva: Direito à partilha baseia-se no esforço comum do casal

por Rosangela Basso
 
 União homoafetiva: Direito à partilha baseia-se no esforço comum do casal

Por Elton Bezerra

A partilha de bens fundamenta-se na comprovação do esforço comum, e não na existência de união estável. Com esse entendimento, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido para que fosse repartido o produto da venda de um imóvel adquirido enquanto um casal homoafetivo manteve relacionamento. Segundo a decisão, o imóvel em disputa foi adquirido a partir de dinheiro doado pelo pai de uma das partes. Segundo advogados que defendem o proprietário do imóvel, membros do escritório Machado de Campos Pizzo e Barreto, a decisão é importante pois estabelece uma distinção entre sociedade de fato e união estável. O casal manteve um relacionamento homoafetivo durante 11 anos. Na primeira instância, a Justiça declarou a existência de sociedade de fato entre janeiro de 1998 e janeiro de 2007, decretou a sua dissolução e determinou a partilha apenas dos bens móveis. No Tribunal de Justiça, o apelante alegou que contribuiu, com dinheiro e trabalho, para a constituição do patrimônio comum e pediu o reconhecimento dos direitos inerentes à união estável e à partilha do acréscimo patrimonial. A tese foi rechaçada pela 1ª Câmara de Direito Privado. “O conjunto probatório é no sentido de que, no longo período de convivência, as partes não tiveram rendimentos consideráveis resultantes de seu trabalho, vivendo da ajuda financeira fornecida pelo do autor”, afirma o relator, Alcides Leopoldo e Silva Júnior. O apelante inclusive deixou de trabalhar fora e passou a cuidar da administração da casa e do atelier em que trabalhavam, o que, para a TJ-SP, não basta para ter direito à partilha. “As declarações do Imposto de Renda do apelado são prova das importâncias recebidas em doação suficientes para aquisição dos bens e realização das reformas, inexistindo esforço comum”. Clique aqui para ler o acórdão. 
Conjur

14 de Abril de 2013 20:30

Mulheres muçulmanas se organizam em protesto contra as integrantes do grupo Femen

por Rosangela Basso
 
Mulheres muçulmanas se organizam em protesto contra as integrantes do grupo Femen  
Feministas em pé de guerra

Mulheres muçulmanas se organizam em protesto contra as integrantes do grupo Femen e as acusam de imperialismo ao tomar sua voz na luta contra o sexismo. Pesquisadoras divergem ao analisar a polêmica. Por: Sofia MoutinhoFeministas em pé de guerra Ativistas muçulmanas, acima, parodiam protesto do Femen, abaixo, em frente à mesquita em Berlim, Alemanha. (foto: Muslim Woman against Femen) O movimento feminista Femen, conhecido pelos protestos com mulheres de seios à mostra, desagradou outro grupo de feministas, este formado por islâmicas. Muçulmanas contrárias ao sexismo, em sua maioria vivendo em países ocidentais, criaram uma página no Facebook de combate à ‘cruzada’ feminista do Femen e à ideia de que o Islã oprime as mulheres. Tudo começou depois de um protesto típico do Femen cujo alvo era o islamismo. As ativistas feministas convocaram suas integrantes ao redor do mundo a sair às ruas de seios de fora com o torso pintado com dizeres contra a religião no chamado Topless Jirah Day. O ato foi uma resposta à ameaça de apedrejamento até a morte que uma das adeptas do movimento, a tunisiana Amina Tyler, recebeu do líder muçulmano Adel Almi depois de mostrar seus seios na página Femen-Tunísia do Facebook com os dizeres em árabe: “Meu corpo me pertence e não é motivo de honra de ninguém”. No protesto, que teve adeptos inclusive no Brasil, as integrantes do Femen usaram toalhas na cabeça e barbas postiças fazendo referências aos homens árabes e seguraram cartazes que diziam “Mulheres árabes contra o islamismo, não temam a liberdade”, “Liberdade nua”, “Dane-se sua moral!”. Ofendidas, 13 muçulmanas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, criaram a página Muçulmanas contra o Femen no Facebook, que já conquistou mais de seis mil seguidores. A comunidade virtual é descrita como um espaço para “expor o Femen como as imperialistas islamofóbicas que são”. Além dos posts no Facebook, as manifestantes organizaram uma ação pedindo que mulheres islâmicas postassem fotos suas com cartazes contra o Femen no Twitter. 
Na página do movimento no Facebook, a moderadora explica que o espaço não é para xingamentos nem para acusar as feministas ocidentais de serem prostitutas por exibirem o corpo, mas reforça que “o Femen está criticando o Islã e não ajudando mulheres que possam realmente estar oprimidas”.Em um manifesto assinado pelo grupo e traduzido para o português pela revista virtualPittacos, as mulheres acusam o Femen de ter tomado partido em uma luta que não é das ocidentais e não deveria ser feita usando a nudez. As muçulmanas também argumentam que as integrantes do Femen são preconceituosas em relação ao Islã. 
“Entendemos que deve ser difícil para muitas de vocês, feministas brancas colonialistas, acreditar que as mulheres muçulmanas, assim como a demais não brancas, têm sua própria autonomia e podem lutar e falar por si mesmas”, diz o documento em tom irônico. “Somos orgulhosas de ser muçulmanas e cansadas de sua verborragia racista e colonialista, sempre disfarçada de ‘Liberação Feminina’”. Sobre a situação que desencadeou a confusão, a ameaça sofrida pela jovem da Tunísia, uma das líderes do movimento feminista muçulmano, Sofia Ahmed, diz no Facebook: “A chamada pelo apedrejamento foi feita por uma figura isolada na Tunísia e não representa as opiniões de todos os muçulmanos pelo mundo. Damos suporte a protestos contra o sexismo, mas acreditamos que para serem eficientes eles precisam ser culturalmente específicos. Vemos o Islã como forma de empoderamento e liberdade, não precisamos do Femen para falar por nós.”

Tunisiana Amina Tyler
As fotos da jovem tunisiana Amina Tyler que deram início aos protestos. (foto: Femen)

A líder ucraniana do Femen, Inna Shevchenko, respondeu também na rede social que não acredita no protesto das muçulmanas. “Elas dizem que são contra nós, mas continuamos afirmando que estamos aqui por elas. Elas escrevem que não precisam de libertação, mas em seus olhos está escrito ‘Ajude-me’.”

Feminismo e religião

A antropóloga Maria Lygia Quartim, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concorda que o Islã tem componentes machistas e comenta a tentativa do grupo de mulheres muçulmanas de mesclar religião e feminismo.  
Quartim, por outro lado, questiona a estratégia do Femen de usar o seio como ferramenta de protesto e compreende que as mulheres muçulmanas não se identifiquem com a nudez.“É claro que o islamismo, como praticamente todas as religiões, é machista”, diz. “Não podemos esquecer que no Brasil também enfrentamos o atraso e o puritanismo das Igrejas católica e evangélica. Um dos maiores problemas para a consolidação da democracia é justamente a tentativa de sobrepor preconceitos religiosos aos princípios republicanos. Basta citar a desastrosa atuação do pastor Feliciano, que invoca satanás e exige a senha dos cartões de seus seguidores.” “Trata-se de um grupo de jovens cuja principal forma de atuação política é a provocação”, comenta. “Sem sombra de dúvidas, há uma enorme receptividade midiática – e esse parece ser o objetivo. Mas, imagine que um grupo de jovens do sexo masculino resolvesse exibir a parte do corpo mais saliente, dizendo que a moral se dane? Provavelmente, seriam processados por atentado ao pudor. Se é para exibir o corpo, fico mais com o nudismo que não faz diferença de gênero.”

Protestos feministas
Fotos do protesto do Femen e das Muçulmanas contra o Femen. (fotos: Femen e Muslim Woman against Femen)

Já Samira Osman, especialista em história da Ásia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defende que o islamismo em si não diminui a mulher. Para ela, o problema está na interpretação que é dada ao Alcorão por governos autoritários. “Há várias passagens do Alcorão que tratam da defesa dos direitos das mulheres numa sociedade pagã e patriarcal na qual o infanticídio feminino era prática comum e passou a ser proibido com o advento do Islã”, lembra. “Claro que a expansão por diferentes culturas fez com que costumes tribais e étnicos fossem incorporados às práticas do Islã, levando a uma confusão entre o que o islamismo prega originalmente e como é praticado.” Osman concorda com a reivindicação das muçulmanas e aponta que o Ocidente – e muitas feministas – têm uma visão distorcida do Islã como fonte de fanatismo e violência. 
“Tudo o que a gente conhece de islamismo, e particularmente sobre as mulheres islâmicas, é produto de uma ótica ocidental”, diz Osman. “Para as mulheres islâmicas há sempre um viés em retratá-las como infelizes e oprimidas, de forma generalizante, desconsiderando como o Islã é múltiplo e poliforme. As feministas adoram apontar a opressão feminina no Islã com um discurso redentor de que o Ocidente irá libertá-las. Como se o Ocidente não sofresse dos mesmos problemas em relação à mulher.”

Sofia MoutinhoCiência Hoje On-lin 

14 de Abril de 2013 17:28

Caetano desabafa sobre Feliciano: “por que mentir tão descaradamente?”

por Rosangela Basso
 
Caetano desabafa sobre Feliciano: “por que mentir tão descaradamente?” 

“As pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba”, diz o baiano

Caetano Veloso resolveu se manifestar sobre o vídeo em que o deputado Marco Feliciano insinua que o cantor fez um pacto com o diabo . O desabafo foi publicado na coluna do jornal O Globo deste domingo (14). Confira na íntegra: “Nem estou acreditando que volto ao assunto do pastor/deputado/presidente da CDHM. Mas, como muitos devem ter visto, ele mentiu reiterada e estridentemente sobre mim. Há um vídeo no YouTube em que Feliciano, esbravejando de modo descontrolado, diz-se com Deus contra o diabo e, para provar isso, mente e mente mais. As pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba. Faz pouco, ele se sentiu no direito de julgar os vivos e os mortos, explicando por meio de uma teologia grotesca a morte dos garotos dos Mamonas e sagrando-se justiçador de John Lennon. Agora, aferra-se à mentira. Meu colega Wanderlino Nogueira notava, com ironia histórica sobre as espertezas da igreja católica, que a mentira não está entre os sete pecados capitais. Mas sabemos que “levantar falso testemunho” é condenado pelo Deus de Moisés. Por que mentir tão descaradamente sobre fatos conhecidos? Será que minha calma observação, aqui neste espaço, de que sua persona pública é inadequada ao cargo para o qual foi escolhido (matizada pela esperança no papel das igrejas evangélicas) o ameaça tão fortemente? Eu diria a pastores, padres, rabinos ou imãs — sem falar em pais de santo e médiuns espíritas, que são diretamente agredidos por ele — que atentassem para o comportamento de Feliciano: como pode falar em nome de Deus quem mente com tão evidente consciência de que está mentindo?”, diz ele indignado. E continua: “Sim, porque não há, dentre aqueles que prestam atenção no meu trabalho, quem não saiba que, ao cantar a genial canção de Peninha “Sozinho” num show, eu indefectivelmente dizia não apenas que me apaixonara por ela através das gravações de Sandra de Sá e de Tim Maia: eu afirmava que cantá-la ao violão era só um modo de chamar a atenção para aquelas gravações. Como pode Feliciano dizer que “a imprensa foi rastrear” e descobriu que a música já tinha sido gravada por Sandra e Tim? Essas duas gravações eram sucessos radiofônicos. E como pode ele, sem piedade daqueles que com tanta confiança o ouvem em seu templo, afirmar que eu disse em entrevista coisa que nunca disse e nunca diria, ou seja, que o êxito inesperado de minha versão de “Sozinho” se deveu a eu ter mostrado a faixa a Mãe Menininha e esta ter-lhe posto uma bênção que, para Feliciano, seria trabalho do diabo? Mãe Menininha, figura importante da história cultural brasileira, já tinha morrido fazia cerca de dez anos quando gravei a canção”, explica. “É muita loucura demais. E muita desonestidade. Aprendi com meu pai os gestos da honestidade — e tomei o ensinamento de modo radical. Me enoja ver a improbidade. Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo. Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa. Eu me dirigiria aqui àqueles que o são”, ressalta o baiano. “Os homens crentes devem tomar atitude mais séria em relação a episódios como esse. O que menos desejo é ver o Brasil dividido por uma polaridade idiota, em que, de um lado, se unem os que querem avanços nos costumes, e de outro, os que necessitam fundamentos de fé, ambos gritando mais do que o conveniente, e alguns, como Feliciano, saindo dos limites do respeito humano. Eu preferiria dialogar com crentes honestos (ou ao menos lúcidos). Não aqueles que já se põem a uma distância segura da onda neopentecostal. Eu gostaria de dialogar com um Silas Malafaia, de quem tanto discordo, mas que respeita regras da retórica e da lógica. Marina Silva seria ideal, mas poupemo-la. Não é preocupante, eu perguntaria a alguém assim, que um dos seus minta de modo tão escancarado? É fácil provar que nunca fiz aquelas declarações e é fácil provar que Sandra e Tim tiveram êxito com a obra-prima de Peninha. E que eu louvei esse êxito ao cantar a canção. Foram dezenas de milhares de brasileiros que ouviram. Se Feliciano precisa, para afirmar sua postura religiosa, criar uma caricatura caluniosa dos baianos e da Bahia, algo é muito frágil em sua fé. A maré montante do evangelismo não dá direito à soberba irrefreada. O boneco tem pés de barro. E cairá. Eu creio na justiça e na verdade. Esses valores atribuídos a Deus têm minha adesão irrestrita. Não sei que Deus sustenta a injustiça e a mentira. Ou será que é aí que o diabo está?”, finaliza. 
Correio 24 horas 

14 de Abril de 2013 14:36

Pai do vocalista do Mamonas Assassinas entra com processo contra o pastor deputado Feliciano

por Rosangela Basso
 
Pai do vocalista do Mamonas Assassinas entra com processo contra o pastor deputado Feliciano

Marco Feliciano: Pai do vocalista do Mamonas Assassinas entra com processo contra o deputado Depois da repercussão das declarações do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) sobre a morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas, o pai do vocalista Dinho, Hildebrando Alves, entra com processo de danos morais na Justiça de São Paulo contra o presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias  na Câmara Federal. As informações são do jornal Diário de Guarulhos.

“O avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus, lá na serra da Cantareira. Ao invés de virar para um lado, o manche tocou para o outro. O anjo pôs o dedo no manche, e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças”, disse o deputado pastor sobre o acidente fatal ocorrido com a banda, em março de 1996, em um culto de sua igreja.

“Ele (Feliciano) é louco. Deus não mata ninguém, Deus é amor. O acidente que aconteceu foi uma fatalidade, eles viajavam muito de avião”, esclarece na entrevista ao jornal Hildebrando indignado com as afirmações do pastor.

Feliciano ataca nominalmente Dinho, o filho de Hildebrando e vocalista da banda. “Pior! Quem era o Dinho? Era da igreja Assembleia de Deus em Guarulhos. Vendeu a comunhão dele (…). Se vendeu ao Diabo pelo vil dinheiro! Dizem por aí, que todo homem tem seu preço. Nós temos que ser diferentes. Nosso preço já foi pago na cruz do calvário”.

O pai de Dinho rebate: “A mãe do Dinho era da Assembleia de Deus; o meu filho só frequentava (os cultos) com ela, na infância. Nós entramos hoje com um processo de danos morais”.

AcheBelem 

14 de Abril de 2013 14:19

Violência é amor?: Bancada evangélica luta para que os pais possam continuar aplicando castigos físicos nos filhos

por Rosangela Basso
 
Violência é amor?: Bancada evangélica luta para que os pais possam continuar aplicando castigos físicos nos filhos

Bancada evangélica age para barrar mudanças polêmicas no Código Penal

Grupo de 68 deputados e três senadores teme que a reforma caminhe para pontos como a legalização do aborto e concessão de direitos a homossexuais

A bancada evangélica traçou como estratégia de atuação para este ano impedir a reforma do Código Penal. O temor é que, no rol das mudanças, atualmente analisadas por uma comissão especial no Senado, o Congresso flexibilize a legislação sobre temas que são caros aos religiosos, como aborto, eutanásia e a questão da homofobia, por exemplo.“Não vamos admitir nada que atente contra a família, a vida ou a liberdade de expressão ou religiosa”, disse o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), um assíduo membro da frente parlamentar. O esboço da reforma do Código Penal já havia sido feito uma seleção de juristas que durante sete meses se debruçaram sobre cada ponto. O anteprojeto foi entregue ao então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em julho do ano passado. A partir disso começou a tramitar como projeto de lei do Senado (PLS 236/2012). O relator, senador Pedro Taques (PDT-MT), que não faz parte da bancada religiosa, tem dado prosseguimento às discussões antes de fechar seu texto. Já fez inclusive convite ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, para emitir opinião sobre a reforma em audiência pública no Senado. O convite, segundo o senador, já foi aceito. Na contramão das discussões, os evangélicos querem que tudo fique como está. O receio é de que a reforma aponte para rumos menos conservadores. O senador Magno Malta (PR-ES) apressou-se em colocar em prática a estratégia tratada. Ele conseguiu aprovar na comissão especial um requerimento para se ouvir em audiência pública, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Ávila. O senador quer cobrar explicações do médico sobre a proposta apoiada pelo CFM na qual o aborto não se configuraria crime caso fosse realizado até a décima segunda semana de gestação. Essa seria mais uma exceção diante das já previstas na lei brasileira que admite o aborto em casos de gravidez resultante de estupro, quando há risco de morte para a mãe, ou diante da impossibilidade de vida do feto após o nascimento, como é o caso da anencefalia, questão julgada pelo STF. Na discussão sobre a criminalização da homofobia, os evangélicos são acusados pelos movimentos sociais de tentarem manter o direito à discriminação em suas pregações, dentro e fora da igreja. Eles rebatem os argumentos dizendo que a criminalização da homofobia, como ocorre atualmente com o racismo, fere o direito de expressão e de culto religioso, expressos na Constituição. “Dizer que o homossexualismo não é aprovado por Deus faz parte da homilia, da pregação. Estamos falando e liberdade de expressão e religiosa. Isso não pode ser considerado um incentivo ao crime”, argumentou o deputado Marcos Rogério. No discurso dos evangélicos, a reforma, como está sendo pensada, poderá até “legalizar a pedofilia”. “Não queremos essas mudanças. Essa reforma vai legalizar a pedofilia. Antes a punição para quem fazia sexo com crianças ou adolescentes referia-se a 16 anos, depois baixaram para 14 e agora querem baixar para 12”, apontou Marcos Rogério. Embate com o governo A forte atuação da bancada tem causado preocupação ao governo. Um dos temas que coloca os evangélicos contrários ao Planalto é o que trata dos castigos físicos impostos por pais aos filhos. A proposta é de autoria da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCL) da Câmara no ano passado em caráter terminativo. No entanto, falta votar a redação final para que o projeto siga para o Senado. Toda semana, a tropa evangélica se articula para não retirar o texto da pauta. Na alegação dos religiosos, acabar com a possibilidade de impor castigos físicos às crianças também acaba com o “pátrio poder”. Outro tema que preocupa o governo é mudança na Constituição proposta pelo coordenador da bancada, deputado João Campos (PSDB-GO) que inclui as instituições religiosas entre as entidades com competência para questionar leis junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa possibilidade seria útil aos evangélicos para entrarem com Adins (Aguição de Inconstitucionalidade) em relação a leis aprovadas no Congresso. Também é de autoria do deputado João Campos a proposta tenta invalidar duas resoluções do Conselho Federal de Psicologia que estabelece punições para profissionais que tratam a homossexualidade como doença. A proposta ficou conhecida como a que permite a “cura gay”. Poder pentecostal A contar pelo tamanho da bancada, nunca os religiosos tiveram tanto poder no Congresso. Nessa legislatura 73 parlamentares evangélicos tomaram posse, 70 deputados e três senadores. Eles conseguiram reverter o desfalque que amargaram nas eleições de 2006 quando a bancada se viu reduzida a 36 integrantes. As últimas eleições demonstraram que a atuação religiosa rende votos. Dos 36 deputados, 34 foram reeleitos e a eles se somaram 39 novos parlamentares evangélicos. Após as eleições municipais do ano passado, o grupo se assentou em 68 deputados e 3 senadores. Neste ano, dois dos seus representantes assumiram cargos de liderança de suas bancadas. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), da igreja Sara Nossa Terra, é um dos principais articuladores do grupo e da chegada do polêmico deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho assumiu a liderança de seu partido, o PR. Além das lideranças partidárias, o poder dos evangélicos também se faz forte no comando da Comissão de Legislação Participativa, sob a presidência do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), que tem grande trânsito junto a líderes de outros partidos e ao Palácio do Planalto. O grupo também ficou com 18 das 132 vagas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Um número que não representa a maioria, mas que faz diferença ao se aliarem a outra bancada poderosa, a ruralista, nas votações de matérias que tratam da questão territorial, principalmente envolvendo comunidades indígenas e quilombolas. Na comissão de Ciência e Tecnologia, responsável por analisar as concessões de rádio e televisão, a bancada evangélica ocupou 14 das 42 vagas. O grupo é liderado pela Assembleia de Deus que tem 22 representantes e a coordenação da bancada nas mãos do deputado João Campos (PSDB-GO). A bancada conta ainda com 11 representantes da Igreja Batista, 8 da Igreja Presbiteriana, um da Igreja Universal, 3 da Igreja Quadrangular e 3 da Igreja Internacional da Graça de Deus. Outros 14 deputados pertencem a outras instituições religiosas menores.

Último Segundo

14 de Abril de 2013 13:33

Caridade da semana: A contribuição social da filha de Geraldo Alckmin

por Rosangela Basso
 
Caridade da semana: A contribuição social da filha de Geraldo Alckmin

As pessoas se vestem mal e com roupa de camelô e precisam ser elegantes na hora da entrevista de emprego, né?

Sou rycah

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“Já doei bolsa Prada à Campanha do Agasalho. Neste ano, foram roupas Daslu e Juliana Jabour. Os beneficiados podem precisar de peças assim para uma entrevista de emprego, por exemplo” , Sophia Alckmin




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14 de Abril de 2013 10:16

O índio, a PEC das domésticas, o lixo que você vai ter que engolir, novo capítulo da : Danuza sofre

por Rosangela Basso
 
 
O índio, a PEC das domésticas, o lixo que você vai ter que engolir, novo capítulo da : Danuza sofre

Juro,  penso que esse texto deveria ser classificado como humor. 

Note na Chanel, gente!

O medo, o luxo, a PEC

Danuza Leão – folha de são paulo

Nos dias de hoje é preciso ter cuidado, há quem fique a favor de qualquer invasão, quando ouve falar em luxo

Tem dias que a gente acorda e fica com medo; isso me aconteceu esta semana. 
Tive medo quando vi as fotos dos índios que invadiram o hotel Fazenda da Lagoa, no sul da Bahia. Há pouco tempo, um ou dois meses, conheci o hotel, através de um programa de TV sobre arquitetura; o local parecia o paraíso sobre a terra. 
Era mesmo muito bonito, e dizer que era um hotel de luxo é maneira de falar; na verdade, os bangalôs, a decoração feita apenas com o artesanato local, os jardins, era tudo que podia haver de mais simples e mais brasileiro, e de um enorme bom gosto, o que o tornava luxuoso, no sentido puro da palavra (nos dias de hoje é preciso ter cuidado com esta palavra, pois há quem fique a favor de qualquer invasão, quando ouve falar em luxo). 
Saber que uma propriedade foi invadida traz insegurança, e fico pensando no que deve ter sido para os donos que trabalharam dez anos para fazê-lo admirado no mundo todo. A Funai fez com que os índios saíssem do hotel, mas e se eles voltarem, qual a solução? Botar um bando de seguranças em volta do hotel, no meio dos coqueiros? 
Por mais que o mundo seja hostil, não há refúgio que nos pareça mais seguro do que nossa casa, seja ela um castelo ou um casebre; é nela que nos sentimos protegidos, e quando se imagina que esse espaço pode ser violado, vem o grande medo. 
Já me aconteceu: há muitos anos, cheguei em meu apartamento e encontrei-o todo revirado; tinha sido assaltado. Foi terrível ver minhas gavetas abertas, minha cama usada, a casa toda mexida. O roubo não teve importância, diante da violência que foi a invasão de minha casa. 
E agora vamos a meu assunto predileto, atualmente: a PEC das domésticas, e são duas historinhas verdadeiras. Uma amiga foi contratar uma empregada, e se surpreendeu com a proposta da candidata: por razões pessoais, ela propôs um horário de 16h às 21h. 
Minha amiga ficou radiante: ela sai de casa para o trabalho às 10h e chega, dependendo do trânsito, entre 18h e 19h. Assim, teria quem lhe preparasse um jantarzinho, mas aí, pensou, seria hora extra noturna o que para ela seria muito caro. 
A pretendente ao emprego só estava disponível nesse horário, e como não encontrava trabalho, abriu mão da hora extra noturna, só queria um bom salário. Se acertaram, mas aí criou-se o problema. Segundo a PEC, mesmo as duas partes estando de acordo e assinando um contrato, não pode, pois fica fora da lei. E agora? 
Outro caso: um casal muito muito rico, tem duas empregadas há uns 15 anos, que dormem no emprego. Quando veio a PEC, a dona da casa -que não suporta a ideia de ter um livro de ponto em casa, e ao mesmo tempo quer ter o direito de pedir um chá às 10h da noite-, fez as contas com o contador, soube o quanto lhe custaria pagar as horas extras, e chamou as duas para conversar. 
Nenhuma delas queria virar diarista, pois estavam gostavam do emprego e tinham, cada uma, seu quarto confortável, ar condicionado e televisão; foi combinado, então um bom aumento. Os principais direitos elas já tinham, foi então acrescentado o FGTS, e como nenhuma das duas pretendia ter filhos, os auxílio creche e maternidade estavam fora da questão. 
O que o empregador não aceitava era se sentir vigiada pelo Grande Irmão, de George Orwell, a cada vez que pedisse um chá às 10h da noite. As partes se acertaram, mas talvez estejam vivendo na ilegalidade. 
Tenho a impressão que o governo está interferindo um pouco mais do que o tolerável na relação entre empregado e empregador no trabalho doméstico. 
P.S.: O prefeito do Rio inventou uma multa altíssima para quem jogar um só amendoim nas ruas da cidade. 
Quem comprar um chiclete no jornaleiro vai ter que engolir o papel, pois as (poucas) latas de lixo do Rio são do tamanho de uma sacola Chanel. 

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14 de Abril de 2013 09:38

Vê se entende,Fel… Fel…: Homofobia

por Rosangela Basso
 
Vê se entende,Fel… Fel…: Homofobia 

Arnaldo Viana‏ – Estado de Minas

Anos 1970. O telefone toca na seção de contabilidade da grande empresa. Uma funcionária atende.

– Seu Hélio, telefone para o senhor. É a Sílvia!

Chefe da seção, Hélio se levanta e vai até o telefone.

– Alô! Oi, Silvinha, meu amor. Sim, sim. Pego você às nove. Um beijo!

Volta à mesa, com um leve sorriso nos lábios. Meia hora depois, no café, o Chico, um dos contadores subalternos de Hélio, se aproxima.

– E aí, chefe? Feliz, né? A Sílvia faz muito bem a você.

– É verdade. Sem ela, não sei o que seria de mim…

– Gosto desse tipo de relacionamento. Cada um no seu canto e se amando.

– Quisemos assim. Quando pelo menos um está com saudade ou com vontade, nos encontramos. Saímos, namoramos, essas coisas…

– Parece uma forma mais duradoura, sem muita possibilidade de conflito.

– É verdade.

– Há gente na empresa que tem até inveja do amor de vocês. Mesmo não conhecendo a Sílvia, a quem você nunca nos apresentou. Nem nas nossas festas de fim de ano aparece…

– Quis assim. É muito reservada, na dela, sabe? Tem poucos amigos e amigas. Não gosta de se enturmar. Entendo e aceito. Aliás, na nossa relação há muito de aceitação. E lá se vão quase duas décadas de romance.

Cinco anos depois, a aposentadoria. Hélio ganha uma caneta da empresa e uma placa dos colegas agradecidos pelo compreensivo chefe que tiveram. No dia seguinte, Hélio entra em um hotel da Rua São Paulo. No segundo andar, bate à porta do quarto 21. Uma mulher beirando os 50 anos, olhos fundos e tristes, abre a porta e sorri.

– Oi, Hélio. Entre, por favor. O que o traz aqui a esta hora? Ainda é dia. Não é hora de trabalho? 
– Estou aposentado, Sílvia. Vim aqui dizer que não precisa mais telefonar para o escritório. Não é mais necessário. Sou muito agradecido a você.

– Que isso? Foi até divertido. Vou até sentir saudade. Além do mais, você foi sempre muito bom para mim. Quando a coisa apertou aqui, me emprestou dinheiro e nunca quis receber.

Conversam por mais meia hora. Despedem-se. Hélio prometeu aparecer de vez em quando. Cinco dias depois, ele liga para o Chico.

– Preciso falar com você. Que tal amanhã, no Lucas, lá no Maletta, às oito? Certo. Espero-o lá.

 O ex-colega de trabalho chega ao bar e restaurante 15 minutos depois das oito.

– E aí, Hélio? Como vai a vida de aposentado? E a Sílvia?

– É sobre ela que quero falar. O que eu disser, prefiro que fique entre nós.

– O que aconteceu? Acabou o romance?
– Nunca houve romance.

– Uai, e quem é a Sílvia?

– É uma conterrânea. Encontrei-a por acaso aqui em BH. É prostituta e a propus se passar por minha namorada porque sou homossexual, Chico.

– Precisava disso?

– Precisava. Você sabe. Como homossexual, jamais chegaria aonde cheguei na empresa, que tem padrões rígidos, conservadores. Talvez, nem continuasse no emprego quando descobrissem.

– Isso é verdade. Houve casos de colegas demitidos sem explicação.

– Pois é, a Sílvia e eu nos sentimos iguais quando nos encontramos e ela não se opôs em me ajudar.

Beberam cerveja, falaram sobre outros assuntos e se despediram com aquele frase clássica: “A gente se vê por aí”.

Em tempo: parodiando de novo o amigo Carlos Herculano, esta crônica é para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Fel… Fel… Ah, como diz a música dos Beatles, banda de John Lennon (que não morreu a mando de Cristo), “let it be”. 
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14 de Abril de 2013 09:17

Um projeto drogado

por Rosangela Basso
 
Um projeto drogado – Janio de Freitas

Proposta quer os viciados em drogas registrados num cadastro; eles não teriam benefício algum com isso

A Câmara esteve na iminência de votar quarta-feira um projeto com graves implicações sociais, que precisariam de ampla discussão pública, mas a população nem ao menos sabia da votação prevista. (O jornalismo brasileiro tornou-se muito original). A votação está apenas adiada, em princípio, para terça agora.

De autoria do peemedebista gaúcho Osmar Terra, o projeto quer os viciados em drogas registrados em um cadastro nacional. Os viciados não teriam benefício algum com a medida. Mas, além disso, os futuros recuperados, os recuperáveis e as famílias dos viciados ficariam sujeitos a danos incalculáveis. Expostos, desde o registro e pela vida afora, aos efeitos das visões preconceituosas no mundo do trabalho e nas relações humanas.

A proposta para a formação do cadastro é ainda mais perturbadora. Os profissionais incumbidos do atendimento e de internações estariam obrigados à pronta informação, para o cadastro, sobre o dependente atendido ou, se internado, beneficiado por alta. E aos professores e diretores de escolas caberia a obrigação de mandar para o cadastro os nomes dos alunos consumidores de droga ou com indício de sê-lo. A respeito, não é preciso dizer nada além disso: Alemanha, anos 1930.

Está difícil, e não há esforço algum para facilitar, a compreensão ampla de que ninguém é viciado por querer, seja qual for o vício. No máximo, pode haver indiferença ou conformismo com o vício e suas consequências. Mas todo vício é um sofrimento, porque é dependência e toda dependência é opressiva. O traficante, sim, trafica porque quer, ainda que sob o impulso do próprio vício. Não tem cabimento, portanto, a emenda que o PSDB quer apresentar ao projeto, eliminando o proposto aumento da pena mínima para traficante, em associação com a retirada do cadastro de consumidores de drogas.

A iniciativa de adiamento da votação foi do PSDB, para que a bancada revisse o projeto a pedido de Fernando Henrique, e do PC do B, sem que isso signifique apoio dos demais partidos às barbaridades propostas. Não há indicações de como estão as bancadas partidárias quanto aos itens do projeto. Até por isso, o adiamento por apenas uma semana é a continuada falta da discussão pública do projeto. E agora também das emendas, sejam quais forem, mencionadas pelo líder do PSDB, Carlos Sampaio, para atender a Fernando Henrique.

O projeto tramita há mais de dois anos e, apesar disso, chegou à pauta de votação como uma monstruosidade incólume. Inclusive sem emendas saneadoras do PSDB e do PC do B. O necessário, portanto, é adiá-lo sem data de votação e tentar submetê-lo a algum debate nos meios de comunicação (comunicação?).

folha de são paulo
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tem a ver comigo

por Betina Siegmann

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