Category: cultura


3 horas atrás

O que Carla Vilhena deve ter escrito na carta de despedida que foi proibida de ler?

por Kiko Nogueira
 

Eis a pergunta que não quer calar.   Carla Vilhena teria sido proibida de se despedir de sua audiência no Bom Dia São Paulo, o jornal que apresentava desde 2010. De acordo com o colunista de TV Daniel Castro, ela soube que seria substituída pela imprensa. Não pôde ler sua nota de adeus e, abalada,

O post O que Carla Vilhena deve ter escrito na carta de despedida que foi proibida de ler? apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

11 horas atrás

A Thatcher da minha vida

por Mauro Donato
 

As memórias sentimentais de nosso colunista de seus dias com uma legítima dama de ferro. Durante minha juventude, meus avós tinham duas cadelas. Brigitte Bardot e Margaret Thatcher. Brigitte fora batizada numa irônica homenagem devido sua terrível feiura. Nunca soube, entretanto, o que havia motivado o nome Thatcher para aquela que, imaginem, era filha de

O post A Thatcher da minha vida apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

as ilustrações satíricas de pawel kuczynski

por margarete ms
 

O ilustrador polonês Pawel Kuczynski usa a sátira para retratar a realidade, social, política e cultural.À primeira vista suas ilustrações parecem engraçadas mas a intenção é retratar o que realmente acontece no mundo. 
Ler o artigo completo
   
4 horas atrás

contos de fada na palma da mão

por rejane borges
 

Delicadeza e paciência são as palavras que definem esta série de pinturas manuais.

Ler o artigo completo
   

Curiosas Lendas que Muita Gente Acreditou (ou acredita)

por literatortura
 

 

 Por Ubi Diego, 

O mundo não acabou em 2012 (óbvio, né…), mas, uso o exemplo para mostrar como fenômenos dessa maneira podem se espalhar pelo mundo inteiro. É comum o surgimento desse tipo de lenda, que, com a expansão das redes sociais vão se tornando cada vez mais populares.                      

Um dos casos mais recentes são os estranhos sons, semelhantes ao de uma enorme máquina, vindos do céu e registrados em vídeo em vários países. Não se sabe se são reais ou não. No início, acreditava-se que se tratava do viral para algum filme ou seriado, mas os vídeos continuam surgindo e nenhuma explicação foi dada.                                                                                                        

Essas lendas é claro, rondam também as produções cinematográficas, o mundo da música etc. Por isso, separei apenas alguns desses casos, não apenas do cinema ou da música, mas boatos que foram divulgados na imprensa internacional e que muita gente acredita até hoje – e, que fique bem claro, não estou julgando ninguém e nenhuma crença, apenas estou relatando histórias que não foram OFICIALMENTE comprovadas.

 

01 – Filmes Amaldiçoados

O Corvo, Apocalipse Now, Poltergeist… As lendas que sugerem maldições em produções cinematográficas são tão numerosas que renderiam um post único. Por isso, destacarei aqui apenas duas delas.                                        

Começando pelo clássico O Exorcista, que segundo boatos, não desmentidos pela produção, 9 pessoas envolvidas no filme teriam morrido de repente. Um incêndio também teria destruído grande parte do cenário. No dia da premiére do filme em Roma, um raio destruiu uma cruz que existia há séculos. Dizem que William Friedkin, o diretor, chegou a pedir que um padre exorcizasse o set de filmagens.                                                                                                           

Há também, um filme não tão conhecido, até porque, segundo comentários, foi arquivado por ser amaldiçoado. Trata-se de Incubus, uma produção de 1965 dirigida por Leslie Stevens e com Willian Shatner (do seriado Jornada nas Estrelas) no elenco. 6 meses após a estreia, o ator principal Milos Milos matou sua namorada e se suicidou. Dois anos após as filmagens, a filha da atriz Eloise Hardt  foi seqüestrada e morta. Meses após a produção, alguns cenários foram incendiados misteriosamente. A atriz Ann Atmar cometeu suicídio 12 dias antes da estreia do filme.  A produtora Daystar Productions, que pertencia ao diretor, entrou em Concordata. Na semana em que Incubus foi lançado em DVD, Nerine Kidd-Shatner, a terceira esposa de Will Shatner se afogou na piscina.

 

02 – Paul McCartney está Morto

 

Paul McCartney morreu em 09 de novembro de 1966. Como os Beatles estavam no auge da carreira, colocaram em seu lugar um sósia que até hoje lota shows usando o nome do ídolo por aí. Pelo menos é o que diz lenda que gerou até livros. A causa da morte teria sido um atropelamento e após a farsa, John Lennon, que não concordava com o segredo espalhara “mensagens subliminares” nos discos.                                                                                                  

Essas mensagens seriam pistas como na capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band que lembra um funeral e na contracapa do mesmo disco no qual Paul é o único da banda de costas.                                                        

No encarte de Magical Mistery Tour, na foto central, estaria escrito na bateria de ringo: “Love 3 Beatles”, sugerindo que só restavam 3 beatles. Já no álbum Abbey Road, Paul é o único que atravessa a rua descalço [que, segundo alguns boatos, seria um “símbolo mítico” para quem “atravessa o outro caminho”]. Além disso, ele segura o cigarro na mão direita, porém o “verdadeiro” beatle era canhoto.                                                                                                                                      

O que leva muitos “crentes” à loucura é que no final da canção Strawberry Fields Forever, aparentemente Lennon diz “I buried Paul”, ou “Eu Enterrei Paul”. Porém, um tempo depois John afirmou que na verdade o que ele diz é “Cranberry Sauce” que é um molho de tempero.                                                     Desenhos de uma mão sobre a cabeça de Paul nos discos, mensagens em letras… Alguns levaram tão a sério que dedicaram muito tempo procurando essas possíveis pistas que dariam uma lista enorme.

 

03 – Chupa Cabras

 

Eu confesso: fui uma criança que teve medo do Chupa Cabras nos anos 90. A história desse personagem começou em Porto Rico, onde alguns animais como galinhas e ovelhas foram encontrados mortos com marcas de presas, corpo sem órgãos e com o sangue totalmente sugado. O fenômeno foi se repetindo em diversos lugares até chegar ao Brasil em 1996, onde foram encontrados diversos animais mortos com as mesmas características.                       

O “Monstro” foi noticia em diversos jornais. Ainda me lembro de comentários feitos no Jornal Nacional e no Programa do Gugu. Gente com medo, gente que afirmava ter visto a criatura. Contudo, a história logo foi sendo esquecida e se tornou só mais uma lenda. O personagem ganhou até mesmo um filme brasileiro em 2012, bem nojentinho por sinal, intitulado A Noite do Chupa Cabras.

 

04 – Elvis não Morreu

“Elvis não morreu, só foi pra casa” é o que diz O Agente K, personagem de Tommy Lee Jones, no primeiro MIB – Homens de Preto, sugerindo que o Rockstar era um alienígena. Não acho que muita gente acredite que o músico tenha mesmo vindo de outro planeta, mas a parte do “Não Morreu”, essa sim tem muitos seguidores.            

O que muitos acreditam é que Elvis havia realizado a farsa para poder descansar, já que a carreira estava se tornando um enorme peso. Além disso, ele estaria sendo ameaçado por mafiosos, por razões não claras. Várias pessoas dizem ter visto o ídolo após sua suposta “falsa morte”. Uma dessas testemunhas o teria visto na Argentina. Realmente é fato que o Rei do Rock possuía uma casa no país, contudo, nenhuma das aparições foi provada.                                                                                                                                              

No livro Is Elvis Alive?: The Most Incredible Elvis Presley Story Ever Told, de 1988, o autor Gail Brewer-Giorgio fala sobre as evidências de que Presley não teria morrido em 1977.

 

05 – Robert Johnson e seu Pacto com o Diabo

 

Robert Johnson, um dos maiores, senão o maior nome do Blues teria feito um pacto com o Anti-Cristo para poder obter todo esse respaldo. Reza a lenda que ele vendeu sua alma na encruzilhada das rodovias 49 e 61 no Sul dos Estados Unidos.                                                                                                                  Aparentemente o boato surgiu pelo também cantor de Blues, Son House, que era tutor de Johnson e acreditou que esta fosse a única explicação, para o Jovem Robert, que tocava tão mal, aparecer pouco tempo depois como um fenômeno dos violões.                                                                                                                       

O filme Crossroad – A Encruzilhada do Diabo, de 1986, com Ralph Machio, é baseado na lenda em que Robert Johnson e outros músicos teriam feito este pacto. No filme, um garoto parte em busca de uma canção perdida de Johnson.                                                                                                                            Só pra constar, o músico morreu aos 27 anos.

Aproveita para conferir: Robert Johnson e as raízes do blues

06 – Alienígenas e a Área 51

A lenda diz que um disco voador acabou caindo em Roswell, estado do Novo México(EUA) em 1947. Acidente que vitimou fatalmente alguns tripulantes. Porém, ao dizerem que se tratava de um balão meteorológico, logo a história caiu no esquecimento. O caso permaneceu esquecido, por 30 anos, até que em 78 um fotógrafo da marinha americana, já aposentado, apresentou fotos do que diz ser corpos de alienígenas, recolhidos no tal acidente.                                                   

O caso trouxe muitas polêmicas, até que explicações foram dadas sobre as fotos, sobre o acidente e tudo mais. A questão é que muitos acreditam até hoje que seres alienígenas se acidentaram no nosso planeta na década de 40. O caso é associado à Área 51, dos Estados Unidos. Que aparentemente seria uma base militar secreta (ou nem tão secreta) que nem ao menos consta nos mapas. O nome “Área 51” foi usado nas décadas de 50 e 60, mas hoje é chamada Air Force Flight Test Center, Detachment 3, o Centro de Testes de Vôo da Força Aérea.                                                                                             

Nenhuma aeronave tem permissão para sobrevoar o local e acredita-se que o local abriga destroços de óvnis, o que é negado pelo governo americano, é claro. A base já foi tema de diversos filmes, HQ’s, seriados e até de games. O lugar teria sido fundado em 1951, mas sua existência só foi admitida pelo governo em 1994.

 

*Bônus: A cantora Elba Ramalho diz ter sido abduzida por seres extraterrestres que lhe implantaram um chip, que mais tarde foi retirado por seres divinos iluminados. Raul Seixas e muitos outros artistas também afirmam que trocaram experiências com seres de outros planetas e Fiuk alega que sua depressão foi curada após ver um Disco Voador.

É claro que existem muito mais mitos, lendas e teorias de conspirações que acabaram ficando de fora dessa lista. Alguns deles criados por quem realmente tem fé naquilo, outros são frutos de alguma brincadeira. Imagino quantas pessoas devem estar esperando a menina que os mataria caso não repassassem suas correntes nas redes sociais.                                                            

Sou muito cético a quase tudo, mas por mais incríveis que sejam as lendas, muitas pessoas acreditam. E, repito, o meu papel aqui não é de julgar, por favor, é apenas o de apresentar algumas histórias misteriosas, intituladas de “lendas”, pois não foram OFICIALMENTE comprovadas. Além do mais, admiro e realmente me divirto muito com a criatividade daqueles que criam tais lendas.

******

Gostou deste post? O literatortura lançou uma revista com temática exclusivamente cultural, para que nossos leitores possam aproveitar de um conteúdo ainda mais aprofundado e qualificado! Não perca! Clique na imagem e assine!

_________________________________________________________________________________________________

Diego (Ubi) cursa História na Unioeste, é fã de Histórias em Quadrinhos, Rock n’ roll e acredita que foi rejeitado pela Seleção Natural de Darwin.”Ubi Diego

 

_________________________________________________________________________________________________

6 horas atrás

REVIEW | Guerra Dos Tronos 3X02: Dark Wings, Dark Words

por literatortura
 

joffrey e mar

 

Por Gustavo Magnani, 

Como prevíamos no primeiro episódio, este aqui foi focado em três principais personagens: Arya, Bran e Jaime. Daenerys, Stannis e alguns outros, ou foram completamente deixados de lado, ou apareceram muito pouco – caso de Tyrion, Jon, Sam e Robb.

Mas, uma das qualidades – ao meu ver – do seriado é justamente aquilo que alguns acham defeito: sua diversidade de personagens. Não precisamos ficar preso a tramas ou a situações, pois sempre aparecerão novos conflitos e dilemas. E isso ficou muito claro no segundo episódio da temporada. Bem melhor dosado que o primeiro, tivemos bons momentos e boas apresentações. Porém, o mais notável foi a sensação de que algo muito bom está por  vir. De que a série está em movimento e, uma hora ou outra, “explodirá”. Bastante diferente do primeiro episódio, que não foi ruim, mas ficou numa malemolência incômoda.

 

Os irmãos Reed finalmente apareceram – eles fazem parte do segundo livro, mas, para a série, entraram apenas agora –. E vieram de uma maneira bastante intrigante, causando um belo ar de mistério nos personagens. Principalmente no irmão. Confesso que, comparativamente, o Jojen é muito mais carismático no seriado do que na obra literária. Ponto para os produtores. Bela mudança.  Podemos esperar muitas novidades no mundo de Bran.

Quanto a outra Stark que foi foco do episódio [Arya] tudo se conduziu de maneira bastante coesa. Ponto alto – literalmente – para a flechada de Angus para o ar, quase caindo na cabeça do “culpado pela fome de Westeros” – fazia tempo que eu não ria com Game Of Thrones. Surpresa agradável. A Irmandade pode render bons momentos para o seriado.

Porém, me incomodei com a descoberta de Arya através dos olhos do Cão-de-caça. Eu sabia que aconteceria assim, porém, foi muita burrice para uma personagem sagaz como a caçula Stark, querer passar pelo lado do cavaleiro. Ela poderia ter ido pelos fundos, abaixado, criado uma confusão, não sei. Mais interessante seria ela ter tentado escapar, os homens da Irmandade a pararem e, então, Clegane perceber quem ela se tratava. Tive a impressão de que eles quiseram apressar a cena, mas, apressar aqui para ficar de embrotion com Shae e Tyrion?

Ciuminho daqui, ciuminho dali. Se essa cena serviu de algo foi para mostrar que Tyrion é vulnerável quando se trata de sua amada. E, talvez para sabermos que ele está informado do interesse de Mindinho em Sansa – já reclamei dessa baboseira no episódio passado, não me repitirei.

Quanto a Sansa, sua cena com Margaery e a avó, foi realmente muito boa. Tecer elogios à produção de arte de Guerra dos Tronos é querer se repetir. Mas, a gente tem que se repetir, as vezes, para valorizar o incrível trabalho desse pessoal e da HBO, num todo. A vivacidade da velha remonta aos melhores personagens dessa trama. Sua aspereza e sinceridade elevam o nível de qualquer diálogo. E se ela quer queijo agora, ora bolas, deve ter queijo agora!

Margaery protagonizou outra cena excepcional: ela segurando a besta do, digo, de, Joffrey. A química entre os personagens chega a ser um tanto assombrosa. A gente sempre imaginou que o reizinho não pudesse se relacionar decentemente com ninguém – principalmente depois do espancamento de prostitutas na temporada passada -, mas, Margaery soube domar o leão muito bem e valorizar aquilo que ele queria que fosse valorizado. Joffrey é o tipo de pessoa que só ouve o que quer ouvir. Isso é terrível para quem quer o bem do próprio [por exemplo, Cersei], mas, ótimo para quem quer se aproximar.

 

Jaime é outro personagem que rouba a cena quando aparece, tanto pelo visual imponente quanto pela psíque do personagem. Provocar Braine já não é muito difícil – em Westeros, uma mulher querer ser guerreira já é motivo de piada – e o Lannister sabe disso. Quando, enfim, começam a lutar, ele mesmo com as mãos acorrentadas dá certo trabalho para a guardiã. Por pouco tempo. Até que o cansaço o domina. Mas, em meio a isso, uma pergunta interessante foi jogada: Brainne não pode matar Jaime pelo juramento que serviu a Lady Stark. Assim, de certa maneira, o Regicida está “protegido” tanto dela, quanto dos outros.

Isso seria verdade se um pequeno grupo de cavaleiros não tivesse aparecido para encurralar os dois. Como o seriado abriu mão de algumas coisas do livro – inclusive de um personagem que os acompanha nessa jornada -, o caminho para fazer com que Jaime fosse reconhecido foi, realmente, muito bom. Um andarilho – ao qual Brainne decidiu poupar – os entregou e recebeu sua moeda de prata. O futuro do prisioneiro não parece muito para ele, mas extremamente benéfico para o seriado. Para onde irá, agora, Jaime Lannister?

Para finalizar, o segundo episódio foi melhor que o primeiro. Mais coeso e mais “criador de expectativas”. Tivemos, inclusive, Theon – que só aparece no quarto livro – sendo torturado. Bem verdade que ainda falta um pouco de explosão, de momentos realmente marcantes. Porém, a sensação de que eles estão sendo construídos, para mim, está bastando.

______

No trono dos leitores: O seriado está tomando um caminho diferente da obra literária, mas, que terá, acredito eu, o mesmo destino. É claro que os leitores, como eu,  ficam apreensivos e colocam a qualidade do seriado em cheque, pois algumas decisões são, realmente, incompreensíveis – por enquanto, pelo menos -. Por exemplo, o diálogo de Sansa e Mindinho. Agora, o diálogo de Shae e Tyrion. Theon aparecer é o “correto”. O personagem ganhou grande apelo na temporada passada e seria um erro deixar de mencioná-lo por hora. Todavia, estou vendo que as coisas estão apressadas demais. Depois da segunda temporada, aprendi a confiar na capacidade de adaptação dos produtores. Mas, confesso estar receoso com o rumo de algumas dessas decisões. É esperar para ver.

No trono das amizades improváveis: Joffrey conquistou um amigo nesse novo episódio, pela sua frase “mulheres inteligentes são aquelas que obedecem”. Marco Feliciano comemorou! 

*****

Gostou do post? O literatortura lançou uma revista com temática exclusivamente cultural, para que nossos leitores possam aproveitar de um conteúdo ainda mais aprofundado e qualificado! Não perca! Clique na imagem e assine!

_______________________________________________________________________________________________________

Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

SOMOS BURROS DEMAIS PRA LIDAR COM DINHEIRO

por Cult Carioca
 
 
A civilização existe há mais ou menos 10 mil anos. Mas o primeiro ser que dá para chamar de humano apareceu bem antes, há 2 milhões de anos. Era o Homo erectus, nosso ancestral direto. Passamos quase toda a nossa história como espécie tendo de lidar o tempo todo com questões de sobrevivência. Foi 99,5% do tempo na selvageria contra 0,5% na civilização. Nosso cérebro tomou forma nessa realidade. E ainda acha que vive nela, num mundo onde havia duas regras de ouro 
1) Não levar desaforo para casa. Nós vivíamos em grupos de, no máximo, 100, 150 indivíduos. Todo o mundo se conhecia. Então perder o respeito do grupo significava o fim da sua vida – e viver sozinho no meio da savana africana, onde tanto os erectus como nós, os sapiens, passaram a maior parte do tempo, não era um bom negócio (ainda não é, por sinal).

 

2) Fazer o que os outros estão fazendo. Se todo o mundo sair correndo, corre também. Vai na fé, amigo erectus. O mais provável é que algum predador tenha aparecido e só você não tenha visto. É para esse instinto de ir com os outros, inclusive, que temos nossos neurônios-espelho, os que fazem a gente sentir o que os outros estão sentindo como se fosse telepatia. São eles que dão a sensação de “vergonha alheia”, são eles que fazem você rir de verdade quando todo o mundo está rindo – mesmo que não tenha entendido a piada, são eles que fazem você gritar “ai” quando vê alguém se espatifando no chão, são eles que fazem uma criança escolher que vai torcer para aquele time de futebol quando você a leva para a arquibancada pela primeira vez. E também são os neurônios-espelho que levam investidores a fazer besteira.

 

É por isso que a a teoria lá do último post está errada, pelo menos em parte. Ela diz que uma empresa é igual um saco de pão. Ou seja: que a “inteligência” do mercado determina o preço das ações dela.

 

Os criadores dessa tese, a “teoria dos mercados eficientes”, até fizeram uma boa aproximação sobre as forças ocultas por trás do preço de uma ação. Mas a teoria deles não enxerga uma constante universal: a estupidez. Ela não leva em conta que o cérebro é uma entidade propensa a erros grotescos.

 

Um ramo recente da ciência, a economia comportamental, surgiu nos anos 70 para tentar explicar como a nossa cabeça cria distorções no mercado financeiro. Psicólogos, neurocientistas e economistas têm aprofundado os estudos nessa área nos últimos anos. No começo foram desacreditados. Mas começaram a chamar a atenção depois que a bolha da internet e a crise de 2008 fizeram com que a vida real servisse de laboratório para suas teses. E hoje essa ciência tem até um nome bonito: neuroeconomia.

 

A neuroeconomia começa com uma premissa: a gente até engana, mas lá no fundo nossa mente é tosca. Ela existe para lidar com o ambiente selvagem do nosso amigo aqui embaixo, seu avô de 80 mil gerações atrás.

 

Vamos voltar, então, ao mundo desse sujeito e considerar a primeira regra de lá, a do “não levar desaforo pra casa”. O instinto de manter uma boa imagem perante o grupo – e diante do próprio espelho – cria uma aberração. Você fica feliz quando se dá bem e triste quando as coisas não dão certo. Ok. Mas não existe uma simetria aí. O desespero quando algo dá errado é maior do que a alegria de quando dá certo, segundo os neuroeconomistas. Fazer um gol levanta a autoestima, digamos, em 10 pontos. Mas levar um gol do outro time abaixa em 20. Na bolsa é a mesma coisa.

 

Como a aversão à perda é muito grande, investidores tendem a pular fora do barco quando as ações estão caindo, mesmo que percam dinheiro com isso. É uma atitude irracional: o mais equilibrado seria esperar alguma subida para repor um pouco do prejuízo com a queda e aí, sim, vender. Ainda mais sensato seria mirar só na saúde financeira da empresa por trás da ação e não ligar para a queda de preço caso a companhia esteja bem. Mas não: a tendência é vender no momento de perda justamente para aplacar a dor da perda. E esse comportamento irracional ajuda a tragar o mercado inteiro para baixo nas épocas de vacas magras. É quando as bolhas estouram.

 

Quem chegou a essa conclusão nem foram economistas. Mas psicólogos. Os primeiros a verificar como a parte selvagem, puramente instintiva, do cérebro influencia o preço das ações foram o americano Daniel Kahneman, de Princeton, e o israelense Amos Tversky, de Stanford. Kahneman ganharia o Nobel de Economia em 2002 – sem nunca ter aberto um livro de economia, segundo o próprio. A academia sueca justificou o prêmio dizendo que Kahneman integrara “inovações da psicologia nas ciências econômicas, especialmente no que concerne ao julgamento humano e à tomada de decisões sob incerteza” (Tversky não recebeu o prêmio junto porque tinha morrido seis anos antes – e não existe Prêmio Nobel post-mortem).

 

A dupla chegou a essas conclusões depois de anos de experimentos com voluntários, como acontece normalmente na elaboração de teses de psicologia. O mais famoso desses testes é o Jogo do Ultimato.

 

Famoso e simples: dá até para fazer em casa. Você só precisa de R$ 100 e de uma dupla de humanos para usar de cobaia. Por razões de sonoridade, vamos chamar essa dupla de Tonico e Tinoco.

 

Você pega e dá R$ 100 em notas de R$ 10 na mão do Tonico. Aí explica para a dupla:

 

– Olha, o Tonico tá com esse dinheiro na mão. Mas ele só vai levar alguma coisa se der uma parte para você, Tinoco.

 

– Posso pedir quanto eu quiser?

 

– Não, Tinoco. É o Tonico quem decide quanto dos R$ 100 fica com ele e quanto fica com você.

 

– Tenho de dividir o dinheiro com o Tinoco, então?

 

– Só se você quiser, Tonico. Mas tem um detalhe importante: se o Tinoco recusar sua oferta, nem você nem ele ganham nada. Vão ter de me voltar o dinheiro, tá?

 

– Tá bão!

 

Começa o jogo. Tonico pensa um pouco e conclui: “Eita… Não preciso dar grande coisa pro Tinoco, não. Se eu der só R$ 10 e ficar com R$ 90, ele não vai ser besta de recusar. Porque aí nem R$ 10 o Tinoco ganha. Melhor um passarin na mão que dois avoano e…”.

 

– Toma aí, Tinoco, dez conto de réis procê.

 

– Quero não, Tonico.

 

– Mas Tinoco, se você recusar não vai ganhar é nada, sô!

 

– Tá me achando com cara de sonso, ô animar? Quero não.

 

E Tonico tem de devolver o dinheiro para a banca. Os dois acabam de mãos abanando. Então você chama outra dupla para o teste: Milionário e José Rico. Dá os R$ 100 para o sr. Milionário, e ele nem pensa duas vezes: passa R$ 50 pro amigo. Zé Rico aceita o acordo. E a dupla sai do jogo R$ 100 mais abonada, justificando o nome.

 

Nos testes de verdade, a maioria das pessoas agia como Milionário e José Rico. Uma amostra de racionalidade. Mas quase sempre que alguém oferecia menos da metade do dinheiro, o outro preferia ficar sem nada.

 

Conclusão dos psicólogos: a dor de não ganhar R$ 50 é tão maior que a eventual alegria de levar R$ 10 de graça que vale mais a pena punir a cobiça do outro do que ficar com o dinheiro. Isso se reflete na bolsa também.

 

Quando as ações estão caindo, uma parte razoável dos investidores tende a pensar: “Quer saber? Tô fora dessa palhaçada de bolsa. Aqui não tem otário, não”. E tira o dinheiro no impulso, mesmo perdendo. Prefere frear o prejuízo a esperar para ver se os papéis sobem.

 

Quando esse tipo de reação junta-se àquele outro instinto animalesco, o de fazer o que os outros estão fazendo sem pensar, tudo degringola.

 

E na vida real os dois comportamentos vêm sempre no mesmo pacote. É o efeito manada: “Se todo o mundo está correndo da bolsa, é melhor eu correr também”. O problema é que, quanto mais gente corre da bolsa, mais as ações caem. E mais gente corre da bolsa. E mais as ações caem. E mais gente corre da bolsa. E mais as ações caem.

 

As fugas em massa da bolsa são eventos raros – a última vez que isso aconteceu pra valer, de uma vez e no mundo todo foi em 2008. Mas investidores correndo em debandada das ações de alguma empresa específica, vendendo os papeis por puro medo de que a ação caia mais ainda, é algo que acontece todo dia.

 

Eike Batista sabe bem: viu o preço das ações de sua OGX cair de R$ 23, em 2010, para R$ 1,71, em 2013.

 

Quando o movimento é para cima, funciona do mesmo jeito. As ações começam a subir. As notícias de que “tem bagulho bom aí” vão se espalhando. Cada vez mais gente entra na bolsa para não perder esse trem. Quanto mais gente entra, mais as ações sobem… As pessoas começam a comprar exclusivamente porque os preços estão subindo. Não querem nem saber que trolha de empresa estão comprando – se ela dá lucro, se não dá… As ações ganham vida própria.

 

Só para ficar no caso da OGX: as ações chegaram a subir de R$ 2,75, em 2008, para o pico de R$ 23, dois anos depois. Quem colocou R$ 10 mil nessa em 2008 e vendeu quando a ação estava, digamos, a R$ 20, embolsou R$ 73 mil. Quem botou um carro (R$ 50 mil) sacou um apartamento (R$ 365 mil). São 627% de lucro. Em dois anos. Não há Homo sapiens que resista à tentação de entrar num bonde desses. Por isso a ação ainda teve “força” para chegar aos R$ 23, tudo antes de a empresa extrair sua primeira gota de petróleo.

 

Mas uma hora alguém se toca de que está comprando vento. Então a queda começa. Geralmente de forma mais violenta que a subida. É aquela história: a dor de perder é mais forte que a alegria de ganhar. E o pessoal pula fora em menos tempo do que levou para embarcar. Pois é: desde os primórdios, até hoje em dia, o mercado ainda faz o que o erectus fazia.

 

P/Alexandre Versignassi Subscribe in a reader

maria lassnig: consciência do corpo pela deformação

por diana guerra
 

Maria Lassnig é uma das pintoras mais conhecidas na actualidade: privou com André Breton e outros surrealistas nos anos 40 e hoje tem trabalhos expostos permanentemente no MoMA, em Nova Iorque. Conheça uma pouco melhor esta artista austríaca, que foi a primeira mulher a ganhar o Grand Austrian State Prize, em 1988.

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

as estrelas do Óscar e os seus piores trabalhos no cinema

por Lynn Francis Colling
 

Seleção especial de ganhadores do Óscar e alguns dos momentos mais questionáveis de suas carreiras.

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

sobre a ilusão

por Larissa Caramel
 

Porque nem sempre a realidade é suficiente. 
Ler o artigo completo
   
3 horas atrás

hoje li na kama robson crusoé em francês

por Valéria Scavone
 

Estudar ou tentar decorar a tabela periódica tem lá muitas dificuldades. Há mais de uma década, quando eu estava no colégio, o que nos restava era ficar repetindo 200 vezes frases criadas pelos professores para fixar na cabeça a família e os elementos. Decoreba total! Agora imagine poder visualizar os elementos em imagens macro? É o que fez o fotógrafo japonês Tanaka. Dá uma olhada!

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

bob dylan: o “repórter” do folk.

por Henrique Fernandes Coradini
 

Como Bob Dylan, por fins estilísticos, fez uso de recursos da técnica de redação jornalística em canções da primeira fase de sua carreira.

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

nina simone, música e liberdade

por Mylanne Mendonça
 

No ano em que completaria 80 anos, Nina Simone continua presente como diva da música americana e símbolo de força, luta e orgulho não apenas de um povo, mas de uma geração.

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

em tempos de slacktivism

por João Lopes
 

‘Slacktivism’ é um neologismo criado a partir da língua inglesa, em tradução livre, significa ‘ativismo de sofá’ ou ‘ativismo preguiçoso’, ‘revolução de sofá’ etc. As lutas pelos direitos humanos ganham novo caráter a partir do uso da internet. Como lidar com esse mecanismo parece ser um desafio imenso para os homens do século XXI. A efetividade das campanhas vinculadas na rede ainda são um caminho incerto. Sair às ruas parece ser a última opção daqueles que reclamam seus direitos, mesmo assim cada vez mais em menor expressão.

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

“corre, forrest, corre!”

por fabita
 

Ele não ficou em meados da década de 1990. Forrest Gump permanece na boca e no coração dos mais sensíveis, que ainda tiram preciosas lições do personagem que é incrível em sua simplicidade

Ler o artigo completo
   

3 horas atrás

o pulsar de steve reich

por José Luis Marques
 

Steve Reich é unanimemente considerado um dos mais eminentes compositores contemporâneos. Figura central na evolução do minimalismo, este arquitecto sónico nova-iorquino tem influenciado igualmente diversas áreas da música, que vão da electrónica às texturas mais ambientais. Music for 18 Musicians é a sua obra mais conhecida e laureada, um dos marcos da música minimal. Foi editada em 1978, mas o tempo não passa por ela.

Ler o artigo completo
   

 

O julgamento popular de Margaret Thatcher

PAULO NOGUEIRA 9 DE ABRIL DE 2013 0

Muita gente comemorou sua morte, e ninguém chorou.

Festa para muitos na Inglaterra

Festa para muitos na Inglaterra

Abaixo, você pode ler a essência da manifestação de Morrisey, cantor do Smiths, à morte de Thatcher.

Cada movimento que ela fez foi marcado pela negatividade.

 Ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava os pobres, ela odiava o Greenpeace e os todas as entidades de proteção ambiental.

 Ela deu a ordem para explodir o Belgrano já quando o navio argentino estava se afastando das Malvinas. E quando os meninos argentinos a bordo do Belgrano sofreram uma morte terrível e injusta, Thatcher deu o sinal sinal de positivo para a imprensa britânica.

 Ela odiava feministas ainda que tenha sido graças a elas que o povo britânico aceitou que um primeiro-ministro pudesse realmente ser do sexo feminino.

 Thatcher era um horror sem um átomo da humanidade.”

 Quanto a mim: sabia, evidentemente, que Thatcher era uma figura que dividia os ingleses.

Mas não imaginava, até ver as reações a sua morte aqui na Inglaterra e em outras partes do Reino Unido, quanto o ódio que ela despertou suplantava o amor e a admiração.

Horas depois do anúncio da morte, enfrentaram-se em Manchester os dois times locais, o United e o City.

Não houve minuto de silêncio. A torcida teria devastado o tributo.

Em Liverpool, os torcedores cantavam em comemoração à morte de Thatcher. Numa tragédia em que morreram muitos torcedores no estádio do Liverpool nos dias de Thatcher, a polícia acusou a torcida local – erradamente, como se veria depois.

Thatcher condenou a torcida e apoiou a versão falaciosa da polícia. Jamais foi perdoada.

Em Glasgow, uma multidão foi às ruas celebrar a morte. Os escoceses acham que foram tratados como subespécies por Thatcher.

No twitter, o congressista George Galloway lembrou que ouviu Thatcher chamar Mandela, no Parlamento, de “terrorista”. (Alguém disse que houve justiça poética em Mandela, tão combalido, ter sobrevivido a ela.)

“Que ela arda no inferno”, disse Galloway, sob numerosas manifestações de apoio e poucas de protesto. Alguém pediu respeito a Galloway.

A melhor maneira de mostrar respeito hoje é esta, respondeu Galloway – e postou um link que ia dar no seu partido, chamado exatamente Respeito.

Fora da galhofa, Galloway disse algo que merece reflexão.

Ele comparou a reação à morte de Thatcher com a reação à morte de Chávez, um mês atrás.

O povo não é bobo.

Thatcher fez um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.

Chávez governou para os pobres.

O reconhecimento da voz rouca das ruas — vital para o que vai ficar registrado para a posteridade nos livros – irrompe com potência sublime e comovedora na morte de pessoas públicas.

É a aprovação definitiva, ou a reprovação, ou a indiferença.

Chávez foi amplamente aprovado, como gritaram as filas de catorze horas formadas por venezuelanos desesperados por vê-lo pela última vez em Caracas – num lamento épico e histórico protagonizado não pelo Comandante, mas pelos excluídos ao longo da história por uma elite corrupta e predadora controlada pelos Estados Unidos.

Thatcher foi reprovada.

Não foi o que aconteceu com Chávez

Não foi o que aconteceu com Chávez

A despedida de Chávez

A despedida de Chávez

 
Postado em » Mundo

Sobre o autor: Paulo NogueiraVeja todos os posts do autor 
O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Esculacharam a favela de Salve Jorge

DIARIO DO CENTRO DO MUNDO 9 DE ABRIL DE 2013 0

A moçada não trabalha, não estuda e só tem quatro ou cinco tipos de ações: bater perna, bater boca, postar coisas na internet, tomar sol na laje e dançar, do funk ao pagode.

Não é bem assim

Não é bem assim

O texto abaixo foi publicado, originalmente, no site Blogueiras Negras. A autora é a escritora Cidinha Silva.

A autora de Salve Jorge está esculachando a favela, como diria uma carioca atenta. Poxa, é uma moçada jovem que não trabalha, não estuda e só tem quatro ou cinco tipos de ações: batem perna, batem boca e gritam, postam coisas na internet, tomam sol na laje e dançam, do funk ao pagode. De quebra, fecham com o pessoal do movimento e planejam subir na vida arrumando marido rico.

O tal do pescoço (Nando Cunha) é um personagem caricato que a mim incomoda muito. É a reificação de um modelo de homem negro vagabundo, aproveitador, desonesto. Sim, eles também existem, não nego, mas lamento que não haja um contraponto de homem negro honesto, bonitão, subordinado a uma mulher no trabalho, como os auxiliares da delegada Helô (Giovanna Antonelli).

Maria Vanúbia é outra personagem mega estereotipada. Uma pena, Roberta Rodrigues vinha fazendo bons papéis na TV. Vão dizer que a personagem é boa. Sim, deve ser. O problema é que sua riqueza não é explorada. Em mim fica a sensação daquele humor apelativo em que à medida que o público responde positivamente, os trejeitos da personagem são exacerbados.

Não vi trabalhos anteriores de Lucy Ramos, mas a interpretação de Sheila é naturalizada demais, como também o é a da protagonista Morena (Nanda Costa), bem como D. Diva (Neusa Borges) e o neto (Mussunzinho). Sinto falta de mais interpretação. Algo que só vejo nos trabalhos dramaturgicamente mais convincentes de Lucimar (Dira Paes), Deuzuite (Susana Badin) e de Clóvis (Walter Breda), marido de D. Diva.

Sou habitué do teleférico do Alemão e lá de cima vejo tanta coisa interessante além das moças tomando banho de sol na laje em trajes sumários: tem as crianças brincando nas numerosas piscinas de plástico, churrascos animados, gente andando de uniforme escolar pelas ruas e tem a criativa pintura dos barracos. Adoro uma casa que tem Bob Marley fumando um charutão de marijuana, outra tem Nelson Mandela, outra, instrumentos musicais, outra, palavras de ordem da luta negra. Tem quadra de esportes também.

Entretanto, às telespectadoras da novela não é dado ver essa favela esteticamente negra. Tampouco a locação em terra reflete a diversidade dos morros cariocas. A moçada jovem do folhetim pode não fazer nada de útil na vida, tudo bem, é uma opção de quem criou a trama, mas tanta coisa acontece ao redor daquelas moças e do rapaz: tem sempre um espaço onde funciona um curso de pré-vestibular comunitário, a associação de bairro, uma ONG, uma creche.

A diversidade na caracterização de um espaço físico é fruto de vontade política e compromisso com a própria diversidade, para não mencionar o conhecimento abrangente de um ambiente, pré-requisito para quem cria o cenário.

Na primeira vez que liguei um aparelho de TV numa cidade dos EUA assisti a um comercial surpreendente, tendo em vista minhas referências brasileiras. Pensando bem, até hoje ainda seria. Tratava-se de uma propaganda de shampoo para cabelos lisos estrelada por uma atriz famosa, o marido e duas crianças, típica família branca estadunidense. O homem saca uma máquina e começa a fotografar as crianças e a mulher brincando com um cachorro enorme. Os cabelos de todos voam, desembaraçados e perfumados pelo shampoo (a mãe cheira o cabelo dos filhos).

Animado, o paizão fotografa coisas do jardim, o dia ensolarado e num dado momento, fotografa o vizinho abraçado pelo filho ao chegar da rua, ambos negros. E por que aparecem um adulto e uma criança negra naquele anúncio de shampoo para cabelos lisos e sem qualquer relação outra com o produto? Por que negro é gente e faz parte daquela paisagem humana. Porque houve vontade política ou exigência de colocá-los ali em respeito aos negros que potencialmente não se interessarão por aquele tipo de shampoo, mas, pode haver uma versão para cabelos crespos. Porque negros assistem televisão, são consumidores e querem se ver representados em toda parte, mesmo que indiretamente ligados aos produtos em tela.

Quando houver empenho da autora e da telenovela em refletir a diversidade das telespectadoras que garantem a audiência, moradoras de favelas e de outros lugares empobrecidos será fácil, fácil de fazer. Basta olhar em volta e pescar elementos múltiplos da realidade.

o realismo mágico de garcía márquez

por sergio coletto
 

Com enredos fantásticos e narrações que ultrapassam o limite da criatividade, o ganhador do Prêmio Nobel de literatura consegue promover reflexões polítizadas sobre o modo de vida da sociedade do século XX, além de divertir, emocionar e fazer sonhar.

Ler o artigo completo
   

21 horas atrás

burton: o homem das mil faces e uma face

por Ana Calazans
 

Polêmico e indecifrável, ele foi espião, aventureiro, antropólogo, diplomata, místico, tradutor, poeta, explorador e só Allah sabe o que mais! Sir Richard Francis Burton é um personagem muito mais complexo e misterioso que os heróis das Mil e Uma Noites e do Kama Sutra, obras que traduziu. Primeiro ocidental a entrar em Meca e descobridor da nascente do Nilo, Burton era um polímata que poderia ser descrito como um típico homem renascentista em plena era vitoriana.

Ler o artigo completo
   

21 horas atrás

a hole life in a day

por Talita Aquino
 

O filme As Horas sugere, com doces viagens temporais, a condição feminina e a tragédia humana. Puramente representada, amplamente interpretada, escorrendo pelos dedos, cientes ou não, merecidos ou não, usurpados ou não, de Virgina Woolf.

Ler o artigo completo
   

21 horas atrás

a técnica além das “fatcaps”

por Rodrigo Tedim
 

Caps de spray, também conhecidos como pontas ou bicos de spray são usados para produzir traços grossos ou finos. O artista iNO explora essa arte como ninguém e atrai olhares para a perspectiva de desenho de um escritor de muros. […]

Ler o artigo completo
   

21 horas atrás

something`s got to give: o último filme de marilyn

por vitor dirami
 

Something’s Got to Give é simplesmente o mais famoso filme não terminado da história do cinema. A última produção em que Marilyn Monroe trabalhou, antes de morrer, não é passível de uma classificação menor que esta. Durante os 50 anos que separam 1962 dos dias atuais, centenas de livros e documentários foram rendidos à tarefa de revelar os bastidores da sua produção, uma das mais turbulentas do cinema hollywoodiano. Estrelando Marilyn Monroe, Dean Martin e Cyd Charisse.

Ler o artigo completo
   

21 horas atrás

o som ao redor: uma representação dos conflitos da classe média.

por Cleidson Lourenço
 

Em seu primeiro longa, Kleber Mendonça Filho debruça suas lentes (e microfones) sobre a Recife atual, e no seu passado escravista, para representar o que pensa ser as ambições e preocupações da classe média.

Ler o artigo completo
   

7 de Abril de 2013 19:50

arnaldo baptista da pós-tentativa

por fabita
 

Um ser fantástico, ainda mais artístico, que voltou à vida graças ao amor de mãe e às novas criaturas em sintonia

Ler o artigo completo

FAROESTE CABOCLO | Divulgado Trailer da Adaptação da música de Renato Russo

por literatortura
 

Faroeste Caboclo

 

Por Gustavo Magnani,

Uma das letras mais amadas e odiadas da música brasileira é a base deste filme. “Faroeste Cabloco” é, para mim, uma obra-prima. Uma obra-prima que eu já enjooei, bem verdade. Mas, precisamos aprender a diferenciar um pouco aquilo que gostamos e aquilo que é ruim. Também admiro Renato Russo, mas, de tanto ouví-lo, agora apenas aproveito sua música em bares, festas, casa de amigos etc. Não é algo ruim. Pelo contrário, é bom demais.

Bom, também, é saber que o artista está ganhando destaque no cinema. Depois do Trailer de “Somos Tão Jovens” mostrar a juventude de Renato Russo, temos aqui a “adaptação” de uma de suas mais famosas músicas. Confira!

 

 

 

 

 

A trama do filme acompanhará João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) saindo de Salvador para Brasília, onde começa a traficar drogas. Na capital, ele se apaixona por Maria Lucia (Ísis Valverde) e se envolve em uma disputa com Jeremias (Felipe Abib), outro traficante. Marcos Paulo, que faleceu em novembro do ano passado, também integra o elenco. Antonio Calloni faz o oficial corrupto Marco Aurélio e César Troncoso vive Pablo. O roteiro foi escrito por Marcos Bernstein (O Outro Lado da Rua) e Victor Atherino. A direção é do estreante em longas René Sampaio. A produção da Gávea Filmes e da Globo Filmes será distribuída pela Europa Filmes. Faroeste Caboclo chega aos cinemas em 30 de maio. [retirado de omelete]

*****

Gostou do post? O literatortura lançou uma revista com temática exclusivamente cultural, para que nossos leitores possam aproveitar de um conteúdo ainda mais aprofundado e qualificado! Não perca! Clique na imagem e assine!

_______________________________________________________________________________________________________

Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

Política »

A agonia do Estadão

A agonia do Estadão

A verdade é que muita árvore foi derrubada à toa pelo jornal dos Mesquitas.

A renovação no Supremo é uma boa notícia

A renovação no Supremo é uma boa notícia

O nome provável é Heleno Torres, professor da USP que disse coisas interessantes sobre o mensalão.

“Afif é como uma bactéria no pudim do PSDB”, diz um membro do partido

“Afif é como uma bactéria no pudim do PSDB”, diz um membro do partido

O vice de Geraldo Alckmin, convidado a ser ministro, tem um compromisso ideológico: ele mesmo.

Para a sociedade avançar, os privilégios da mídia têm que acabar

Para a sociedade avançar, os privilégios da mídia têm que acabar

O dinheiro do contribuinte tem que ser mais bem empregado.

Mundo »

Thatcher morreu como a mãe do 1% e a madrasta dos 99%

Thatcher morreu como a mãe do 1% e a madrasta dos 99%

O modelo político que na década de 1980 ela ajudou tanto a espalhar resultou no mundo de extrema desigualdade de hoje.

A Venezuela segundo a Folha

A Venezuela segundo a Folha

Pobres leitores.

As crianças mortas que nós desprezamos

As crianças mortas que nós desprezamos

Os americanos vão devastando o mundo árabe sob o silêncio omisso de todos nós.

Casamento gay na Suécia sequer é notícia

Casamento gay na Suécia sequer é notícia

Até a Igreja Luterana admite bispos homossexuais.

Mídia »

Por que o embate entre Carlos Dornelles e a Globo é de grande interesse público

Por que o embate entre Carlos Dornelles e a Globo é de grande interesse público

A sociedade tem que saber mais sobre as práticas fiscais de corporações como a Globo.

A ira santa de Mino Carta

A ira santa de Mino Carta

Numa quase solidão oceânica, ele combate o bom combate.

Os próximos passos do Diário

Os próximos passos do Diário

Ultrapassamos a marca de 1 milhão de acessos, e aqui estão nossos planos.

O pai do jornalismo investigativo

O pai do jornalismo investigativo

Todos nós, jornalistas modernos, somos de alguma forma filhos do editor inglês William Stead (1849-1912).

Galeria do Diário »

 
 

China

Mulher pratica tai chi durante a primavera chinesa

Brasil »

Marcelo Rubens Paiva e o secretário de Alckmin

Marcelo Rubens Paiva e o secretário de Alckmin

A ditadura que o secretário defende matou o pai de Marcelo.

Policiais são julgados enfim por massacre do Carandiru

Policiais são julgados enfim por massacre do Carandiru

Julgamento demorou mais de 20 anos.

O poder da religião na política brasileira

O poder da religião na política brasileira

Caso Feliciano expõe um drama.

‘Também estou marcada para morrer’

‘Também estou marcada para morrer’

É o que diz Laísa, cuja irmã foi assassinada no Pará, num caso que mobilizou entidades internacionais de direitos humanos.

Economia »

Repórteres de todo o mundo se juntam para expor as contas secretas dos paraísos fiscais

Repórteres de todo o mundo se juntam para expor as contas secretas dos paraísos fiscais

2,5 milhões de documentos sobre contas secretas vazam, e a repercussão está sendo mundial — mas não no Brasil.

Por que a Monsanto é tão detestada

Por que a Monsanto é tão detestada

Raras vezes uma empresa uniu tanta repulsa no mundo.

A hipocrisia de ações ‘filantrópicas’ como o Criança Esperança

A hipocrisia de ações ‘filantrópicas’ como o Criança Esperança

Dar com uma mão e pegar muito mais com a outra é indefensável moralmente.

O legado miserável de Thatcher e Reagan

O legado miserável de Thatcher e Reagan

No livro “Doutrina do Choque”, a escritora Naomi Klein mostra que os dois armaram uma bomba relógio.

Cultura & Entretenimento »

Nova música mostra que Liam Gallagher não precisa mais do irmão

Nova música mostra que Liam Gallagher não precisa mais do irmão

O ex cantor do Oasis lançou um ótimo single ontem na rádio americana KCRW.

As confissões de Casanova

As confissões de Casanova

Com a palavra um dos maiores conquistadores de todos os tempos.

Por que você deveria estar no Pheed

Por que você deveria estar no Pheed

Esta nova rede social está ganhando adeptos rapidamente e vem sendo muito elogiada por seus usuários.

Sai daí, Adnet, antes que o Zorra Total te pegue

Sai daí, Adnet, antes que o Zorra Total te pegue

A estreia de Marcelo Adnet na Globo é o que se esperava: não tem nada a ver com Marcelo Adnet.

Comportamento »

Carta aberta a Marco Feliciano

Carta aberta a Marco Feliciano

Nosso crítico de música ficou ofendido com o video do pastor e deixa uma carta que espera que chegue a ele.

‘Deus matou Lennon’

‘Deus matou Lennon’

É o que disse – melhor, gritou — Feliciano, o Profeta do Ódio.

O amor é ingrato como o rei que matou o soldado que o salvou

O amor é ingrato como o rei que matou o soldado que o salvou

É o que defende o escritor cubano Fabio Hernandez.

Por que você deveria estar no Pheed

Por que você deveria estar no Pheed

Esta nova rede social está ganhando adeptos rapidamente e vem sendo muito elogiada por seus usuários.

Esporte »

Ronaldo Fenômeno está certo quando diz que o futebol precisa se renovar, mas não será com ele

Ronaldo Fenômeno está certo quando diz que o futebol precisa se renovar, mas não será com ele

As declarações do ex-jogador e empresário contra Marin devem ser ouvidas com três pés atrás.

‘RG10 é melhor do que Neymar’

‘RG10 é melhor do que Neymar’

Mas por não jogar no eixo Rio-São Paulo isso parece não importar.

A seleção tinha que ser Ronaldinho e mais dez

A seleção tinha que ser Ronaldinho e mais dez

Ele é o último grande craque brasileiro.

Vídeo: melhores momentos da vitória do Corinthians na Libertadores

Vídeo: melhores momentos da vitória do Corinthians na Libertadores

E o Timão caminha para mais um ano consagrador.

tem a ver comigo

por Betina Siegmann

InterNey Consultoria

Consultor de Marketing especializado em Conteúdo, Eventos e Redes Sociais

Arquivos da Amanda

Blog antigo da Amanda Vieira

Luíz Müller Blog

Espaço de divulgação de textos e ações que defendem trabalho decente no Rio Grande e no Brasil

silvio.evanni's Blog

"O HOMEM DEPENDE DO SEU PENSAMENTO" - Informação; Política; Saúde; Cultura; Esporte; Turismo...

queerlandia

Different from the norm

Alexandre Melo Franco de M. Bahia

Constituição, Direitos Fundamentais, Diversidade.....

ALÔ BRASIL

O caminho para sua salvação é saber a verdade..

Joelson Miranda

ITAQUAQUECETUBA/SP

Para além da aula: blog do Professor Celso

Orientações e dicas para os estudantes do Ensino Médio

Blog do murilopohl

A serviço do PT, Democrático, Socialista e Revolucionário

RC TV Interativa

Jornalismo Verdade

Enseada Turismo

Sua agência virtual

Blog do EASON

Política, Música & Outros Papos

Poemas e contos da anja e para anja

poemas e contos sensuais e eróticos

following the open way

commenting the content of "The open way"

Mamilus de venus

TOQUE PERTUBADO NA MENTE SUTIL

nadandonapororoca

Just another WordPress.com site

lolilolapt

Just another WordPress.com site

%d blogueiros gostam disto: