REVIEW | ‘Game of Thrones’ 3×03: Walk of Punishment: Melhor uma mão do que…

por literatortura
 

 

Por Gustavo Magnani,

Há alguma dúvida de que esse foi o melhor episódio da temporada até então? Já começarei a resenha assumindo o quão difícil é escrever sobre um episódio que deixou grandes ganchos para o próximo, sendo que eu, como leitor, já sei o resultado desse suspense. Como manter o equilíbrio entre a emoção, dúvida, raiva que eu sei que o espectador está tendo  pela primeira vez, quando eu já a tive ao ler o livro? Cheguei, então, a um “denominador” razoável.

Aos leitores dos livros, para evitar spoilers dos próximos episódios, espero que entendam a minha omissão em vários pontos e o tom que escreverei determinadas passagens. Farei dessa maneira para não entregar o ouro – ou a safira – ao espectador não-leitor. Ao final, comento, no “Trono dos Leitores” algumas coisas especialmente para vocês. Aliás, o título “Melhor uma mão do que…” não é nenhum spoiler para quem não assistiu o episódio. Então, está tudo certo. 

Com a morte de Lorde Tully, fomos apresentados ao imponente “Blackfish”, irmão do falecido, que arrancou o arco das mãos da mão de Edmure – que passou um carão no funeral do próprio pai – e acertou o pequeno barquinho que carregava o dono de toda aquela propriedade, agora, pertencente ao filho “glorioso”. Glorioso? Robb Stark mostrou-se um ótimo estrategista de guerra ao confrontar o tio e dizer o quão estúpido ele foi por querer uma glória que não lhe cabia

Robb é, de fato, um estrategista incrível e um rei muito mais nobre e honrado do que Joffrey, porém, seu único erro [casar-se] custou boa parte de seus homens, que parecem diminuir cada vez mais. Como o Rei Lobo se sobreporá a esse conflito, veremos nos próximos episódios. A única certeza é que o crescimento de Robb ao longo das temporadas supera o “notabilíssimo”, sendo um dos personagens mais consistentes de toda a série.

Stannis e Melisandre fizeram as vezes de Tyrion e Shae no último episódio. Só que de uma maneira muito pior. Não sei se foi opção da atriz ou instrução da direção, mas a cara de pena, de “ó, desculpe, mamãe tem que trabalhar agora” foi lamentável, tirando a aura misteriosa e única que a feiticeira possui. Stannis, por sua vez, parecia mais tarado do que rei. Sei que a depressão pós-guerra atinge o “legítimo” rei em cheio, mas, a série anda meio incoerente com o personagem. Desde a segunda temporada, onde ele **deflorou** Melisandre para criar a Sombra, houve muitas reclamações – na ocasião, apoiei e achei a cena extremamente linda. Porém, daí a fazer dele um bebê chorão são outros quinhentos.

Daenerys, a Filha da Tormenta, a Nascido pelo Fogo, A Mãe de Dragões,  assustou a audiência ao oferecer um de seus dragões pelos pouco mais de oito mil imaculados. Ao ouvir a proposta, fiquei extremamente surpreso e irritado. Logo após, instantaneamente, desenvolvi uma teoria pessoal [isso na leitura do livro], a qual não mencionarei aqui para não frustrar qualquer tipo de expectativa. O único comentário que deixo é: Dracarys!

A trama de Theon continua sendo adiantada – eu que parei no quarto livro já estou pegando spoiler! – e interessante. Nunca escondi minha admiração pelo mais “humano” dos personagens: Theon é burro em demasia, orgulhoso em demasia, estúpido em demasia, ingênuo em demasia. Qualquer adjetivo que você tiver na mente, Theon o é em demasia. Tenho um misto de piedade e carinho pelo personagem que me fez torcer, depois de tudo o que ele fez, para sua fuga.

Minha curiosidade está aguçada para saber quem é esse protetor de Theon e o que ele quer. Tenho [quase] absoluta certeza que não é nenhum enviado de sua irmã, mas, o que seria, então? Por que matou os outros homens? Essa resposta eu realmente não sei.

Guerra Dos Tronos, nesta temporada, tem sido, em alguns momentos, quase que uma “Piada dos Tronos”, geralmente desenvolvida pela situação, o bom humor aparece várias vezes nesse episódio. Tanto em “Winterhell” do Torta-Quente, quanto na cena em que Podrick traz o ouro de volta e é solicitado a aconselhar Tyrion e Bronn, sexualmente. Esse último momento, principalmente, pareceu muito sitcom da idade média. Por mais que uma prostituta goste do trabalho, ela não recusa o pagamento. Ainda mais três delas, uma mais habilidosa do que a outra – só de pensar no que aquela mulher fez em começo a ter câimbras.

Aliás, o presente de Tyrion não existe no livro, mas caiu muito bem no seriado, tanto para retornar ao lugares que a HBO tanto gosta, quanto por criar as situações já citadas e mostrar que, de fato, o anão será o tesoureiro do reino. Essa informação é mais interessante para quem já conhece a obra literária, pois quer dizer que os ventos estão indo para onde deveriam ir.

Se um Lannister ganhou um emprego novo, outro acabou de perder. E que maneira de perder! Sou fã declarado do ator, que, impecavelmente mostrou o choque de seu personagem. Jaime realmente acha[va] que chamar o nome do Pai [Tywin Lannister é quase um Deus em Westeros], o livraria de tudo. Então, quando ele tem sua mão cortada, o desespero toma conta de seu rosto. Detalhe importantíssimo que algumas pessoas não se atentarem: não cortaram qualquer mão de Jaime. Cortaram a mão da espada. E, sabemos que Jaime só servia como guerreiro. Não há dúvidas de que a dor psicológica por ter perdido seu maior dom, foi bem maior do que a física. O que será de Jaime Lannister sem sua espada?!

Em um apanhado geral, o terceiro episódio foi o melhor da temporada, mas, pelo preview do quarto, seu posto não durará por muito tempo. Bastante ação no espera no domingo que vem! 

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Trono de Gelo: E esse Jon Snow não vai “conhecer a beijada pelo fogo”, não?

Trono do Esquecimento: Minhas desculpas por não ter mencionado o monólogo de Catelyn no último episódio, onde ela revela ter rezado pela morte de Jon e depois rezado para que ele não morresse. Acabou passando despercebido na resenha, mesmo tendo sido um dos pontos mais chamativos do episódio, pois não é algo escrito em nenhum dos livros lançados até agora. Porém, segundo informações, foi o próprio George Martín quem sugeriu o acréscimo dessa cena. Segundo ele, seria importante para o personagem. Então, por mais esquisito que tenha sido, não questionarei haha.

Trono das cadeiras: A música do Vinny nunca foi tão pontual: “Mexe a cadeira e bota na beira da sala. Mexe a cadeira agora bem na minha cara. Mexe a cadeira da maneira que te tara. Mexe a cadeira e perde a vergonha na cara a cadeira” a cena logo no começo do episódio, com Cersei, silenciosamente, movendo sua cadeira ao lado do pai e depois Tyrion, fazendo mais barulho do que explosão de fogo vivo, se posicionando na outra ponta – onde sentam as pessoas mais “importantes”, foi realmente algo muito bacana e que demonstra o quão parecido com Xadrez é o jogo dos tronos, onde cada um se move no intuito de melhor se posicionar para dar “Xeque-Mate”.

Trono da HBO: 

Trono dos Leitores [só para quem já LEU o livro – contém spoilers]: Va lá, já tinha gente achando que o Jaime não perderia a mão. Ótima a cena, não? Ainda melhor que a do livro. Veja bem, adoro o Martín, mas, as vezes, acho que ele pula demais os momentos críticos. Esperamos tanto para eles aconteceram e tem hora que ele deixa o gancho para o próximo capítulo. Mas, quando o próximo capítulo acontece, o clímax já pasosu e nós já estamos “recolhendo os cadáveres”. 

É interessante como o Lorde Bolton tem surgido na temporada. Como já sabemos o que acontece, o destaque dado a ele é até maior do que no livro. Acredito que seja questão de adaptação de mídias. Na Tv, o personagem precisa ser visto – muitas vezes, ser participativo – para ser lembrado. No livro, não. Basta uma menção, um pensamento. Para mim, estão seguindo o caminho certo para o Casamento Vermelho. 

Tenho palpite de que a Melisandre foi buscar o filho de Robert Baratheon para ser sacrificado. Essa saída dela no livro não existe. E, como o bastardo real não existe na série, unir as duas coisas deve ser o caminho. 

Aliás, na resenha passada, teve alguns comentários dizendo que a Brienne, o Anguy e o Theon participavam apenas do quinto livro. Mas, Brienne e Anguy são mencionados constantemente na terceira obra: ela está com ele quando perde a mão, depois luta com o urso e ganha a espada de Jaime. Já Anguy é o arqueiro que está com a Irmandade e fica cuidando de Arya em determinadas ocasiões – se não me engano, tem inclusive o nariz quebrado por ela. E Theon, pelo que me lembro, é mencionado por cima. 

Promo do quarto episódio:

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Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

 

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