O cidadão corrompe o policial. E o policial extorque o cidadão

por redacao
 

Saiu na Carta Capital, artigo de Mauricio Dias, na imperdivel “Rosa dos Ventos: 

Corrupção da polícia

O cidadão suborna, a polícia chantageia – José Eduardo Cardozo não viu isso ao divulgar pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça.
A relação entre a sociedade e o aparato policial se dá de maneira assustadora. Não é o contato civilizado entre cidadão e autoridade que deve protegê-lo. Longe disso. Não tem sido assim desde os tempos anteriores a dom João Charuto. A polícia regular, criada em 1808, a exemplo da informal que a precedia, foi orientada para reprimir os “de baixo”, arrancados da África e tornados escravos no Brasil.
Uma pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela Secretaria Nacional de Segurança do Ministério da Justiça, divulgada nos primeiros dias de abril e realizada em 26 estados com 78 mil entrevistas, reflete o resultado dessa origem: o alto nível de corrupção policial em todo o País.
O Rio de Janeiro, com 43 mil policiais militares e 10 mil civis, virou manchete ao ser apresentado como o caso exemplar. É o maior índice de corrupção policial entre todos os estados da Federação.
“Iniciativa importante, a pesquisa não se destinou a estabelecer o ranking da corrupção entre as polícias, como vem sendo lida, e sim oferecer elementos para a elaboração de políticas racionais para enfrentá-la”, diz Jorge da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coronel aposentado da PM e, sem dúvida, um dos mais respeitados especialistas sobre violência pública.
Tanto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quanto a secretária Nacional de Segurança, Regina Miki, no entanto, escolheram o caminho oposto, mais fácil para transitar e ganhar espaço na mídia. Ambos sustentaram um debate sobre a expulsão de policiais militares da corporação.
Melhor expulsar? Melhor não expulsar? Esse é o problema secundário.
“O que mais importa é a revelação de que a corrupção policial é uma das chagas da nossa sociedade e que abordá-la com a batida teoria das ‘maçãs podres’ é atitude diversionista, pois equipara corporações de dezenas de milhares de integrantes a quitandas”, ironiza Silva. E justifica com uma observação que acerta a mosca:
“Há décadas, todos os governadores e autoridades da segurança têm invocado essa teoria para mostrar quão eficientes são. Ora, se o caminho se resumisse a expulsar efetivos, a polícia brasileira já seria uma das mais íntegras do mundo há muito tempo”.
Invocando o óbvio: policiais apanhados na prática de corrupção devem ser expulsos da corporação. Mas isso não resolve o problema.
“Na verdade, lutar contra esse mal de forma objetiva é empreendimento necessariamente precedido de pelo menos três indagações: 1. Qual o nível de corrupção geral existente na sociedade em que se cogita combater a corrupção policial? 2. Na relação dos policiais corruptos com suas vítimas, qual o papel do suborno? 3. Num ambiente determinado, o que estaria pesando mais: os desvios isolados de policiais com fraqueza de caráter ou a estrutura social, ou ainda os modelos gerenciais que favorecem a corrupção sistêmica?”, pergunta Jorge da Silva.
Por que a polícia militar se corrompe? Salvo desprezível índice de exceção, só se ingressa nessa instituição de 200 anos de vida com a ficha pessoal limpa. Logo depois, porém, no exercício do policiamento ostensivo, a ficha começa a ficar suja.
Com salário baixo e sujeito a pressões, o policial sucumbe ao apelo do corruptor: o cidadão. Em seguida, o corrompido passa à extorsão sobre os próprios corruptores. Esse é o óleo que faz o mecanismo girar ao contrário do que devia.

Clique aqui para ler “Dilma não tem um xerife. Tem um Zé”.

Clique aqui para ler “Carta aos brasileiros, Eduardo Campriles”.

15 de Abril de 2013 15:35

Carta aos brasileiros, Eduardo Campriles

por redacao
 

Clique aqui para ler “Capriles: é bom a Dilma botar as barbas de molho”.

Amigos e amigas, 

Tomo a liberdade de apresentar meu nome como candidato do PSB à Presidência da República, em 2014.

Tomei essa decisão em nome de princípios.

O primeiro, é o principio da renovação.

A Democracia é o regime da renovação, da alternância, do regime em que a minoria de hoje é a maioria da amanhã.

As Democracias precisam abrir a janela de deixar o sol da renovação entrar.

Sou candidato em nome da coerência.

Sempre estive ao lado do Brasil e ao lado do homem e da mulher brasileira.

Do rico e do pobre, como meu avô e mestre, Miguel Arraes.

Em nome dessa coerência apoiei – e disso me orgulho – o grande brasileiro – e pernambucano – Luis Inácio Lula da Silva.

E, se, agora, decido tomar outro caminho é porque, civilizadamente, dentro dos mais transparentes princípios da Democracia, faço sérias restrições ao projeto que se instalou no Brasil, depois de dois notáveis Governos de Lula.

Dá para fazer mais, amigos e amigas.

Até Lula é capaz de concordar com isso.

Basta ele comparar o ritmo de crescimento dos Governos dele, com o que o sucedeu.

O Brasil parou, amigos e amigas.

E dá para fazer mais, muito mais.

A economia estagnou, o investimento em infra-estrutura estagnou.

As estradas de ferro não tem trilhos.

As rodovias são fábricas de morte.

Os portos serão destruídos.

A exuberância do Governo Lula foi sufocada pelo centralismo, pelo dirigismo, pelo mandonismo.

A centralização excessiva e o excesso de poder levam à arrogância, que se traduz em medidas sucessivas, contraditórias, em zig-zag, que confundem os empreendedores e frustram o consumidor.

O Brasil voltou ao pacote – agora é um pacote por dia.

E é preciso dividir o poder.

Mudar.

Porque dá para fazer mais.

A Presidenta Dilma, que tanto fez por Pernambuco e pelo Nordeste, poderia fazer mais.

E por que não faz ?

Porque a Presidenta Dilma é o que sempre foi.

Ela só acredita no Estado.

E nós, do Partido Socialista, acreditamos em parceria, em troca de experiencias, em movimentos coordenados e criativos do Estado e da livre iniciativa.

O que foi, também, o motor do crescimento nos dois mandatos do Presidente Lula.

Nós do PSB acreditamos que os Estados da Federação devem ter mais apoio, porque estão mais perto do cidadão.

O município deve ter mais apoio porque está ainda mais próximo do cidadão.

E o Brasil se trancou em Brasília.

E se perdeu.

Perdeu a política social, a política educacional, a política de saúde.

Dá para fazer mais !

Queremos um Lula novo, renovado, contemporâneo.

Os marcos da estabilidade econômica, sobre os quais Lula pôde construir, são intocáveis: as metas de inflação; a geração e o respeito inflexível ao superávit primário, sem truques; a independência – prevista em Lei, de preferencia – do Banco Central.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, uma jóia rara da construção da nossa Democracia.

A flexibilização desses princípios de estabilidade está na origem do PIB, que se chama de pibinho, e da inflação que bate no teto e não volta.

É uma ilusão imaginar que um pibinho e uma inflação a caminho do descontrole serão capazes de manter o emprego alto.

Essa mágica tem prazo de validade.

Dá para fazer mais !

Há outro principio em jogo, amigos e amigas.

De que adianta você fazer faxina, se os seus amigos, os que frequentam a sua casa não são de confiança ?

Como se apresentar como um padrão de virtude e moral, se não você pode exibir o aliados ?

Tem que escondê-los.

Um Governo é o Governo todo.

Não adianta o líder ser integro se o conjunto é suspeito.

O brasileiro parece cansado da leniência com a corrupção.

O que, por si só, explica o entusiasmo do povo com o Supremo Tribunal Federal, depois de condenar os mensaleiros do PT, com José Dirceu à frente.

Dá para fazer mais no combate à corrupção, a começar pela base aliada do Governo.

A sociedade brasileira não se vende por geladeira ou televisão de tela plana.

A sociedade quer se olhar no espelho e ver o Governo refletido nela.

E você, amigo, amiga está com medo.

As grandes cidades brasileiras, a qualquer hora do dia, foram ocupadas por marginais que operam com a garantia da impunidade.

Não há Lei.

Não há Ordem !

E onde está o Governo Federal ?

Quem é o xerife da segurança pública ?

Onde está o Ministro da Justiça – que justiça, que segurança ele oferece a você, amiga e amiga ?

Os Estados não resolvem tudo.

Porque, antes de mais nada, falta liderança !

Falta um rosto que a sociedade possa identificar: sim, este rosto zela por mim, por meu filho, quando volta da escola.

Dá ou não dá para fazer mais, amigo, amiga ?

Por que não ter um gerente da Segurança ?

Precisamos de uma politica externa que reflita os interesses do Brasil e, não, de um partido só.

O PSB quer ser amigo de todas as nações – e quer ser mais amigo de quem é mais nosso amigo.

Pais vizinho não significa melhor vizinho.

Não precisamos da claustrofobia dos acordos regionais, se o mundo é vasto e as oportunidades infinitas.

Essa mesma lógica se estende, por exemplo, à exploração da grande riqueza nacional, que são as jazidas de petróleo.

Não adianta ter e não ter.

É preciso agregar competência e, sobretudo, dinheiro para extrair essa riqueza em tempo hábil.

Por isso, por que discriminar os que sabem e tem dinheiro ?

Porque a Petrobrás é de um partido ?

Ou é do Brasil ? 

Ou a Petrobrás manda no Brasil ?  

Como Lula, seremos rigorosos no respeito aos contratos.

Mesmo que seja para reduzir tarifas de energia, ou agregar competência ao sistema logístico, contratos são sagrados.

São a base da confiança que faz a economia funcionar.

A liberdade de imprensa é intocável.

A única forma possível de regulá-la é através do controle remoto.

Somos a favor de uma gestão profissional da política de publicidade do Governo Federal e suas empresas: o mais eficiente, o que dá mais retorno ao recurso público merece receber mais.

Precisamos construir amplas e rápidas estradas de banda larga para o povo receber informação, educação, ter entretenimento.

Se for preciso, por que não ceder bens obsoletos às empresas de telefonia, para que possam levar o progresso sob a forma de conexão digital ?

A lógica da ideologia ultrapassada não pode se transformar num obstáculo à chegada do mundo novo. 

Ofereço meu nome a você, amigo amigo, nessa hora amarga que atravessamos.

O mundo lá fora está em crise.

É a crise que nos imobiliza, aqui.

E para essa crise não fomos capazes de encontrar saídas duradouras.

Construídas sob princípios da boa gestão.

Eu me proponho a buscar saídas.

E ofereço meu passado de gestor que o povo de Pernambuco elegeu duas vezes.

Humildemente.

Quero ouvir todos os brasileiros.

Sair do Palácio.

Não há SECOM que me esconda nas trevas palacianas !

Exercer a Democracia, com a ajuda de uma imprensa absolutamente livre !

Não tenho compromissos ideológicos.

Meu compromisso é com o Brasil. Com você !

Porque dá para fazer mais !

Ribeirão Preto, 15 de abril, 2002

Eduardo Campriles

15 de Abril de 2013 12:00

Capriles: é bom a Dilma botar as barbas de molho

por redacao
 

Conversa Afiada reproduz importante artigo de Marco Weissheimer do Viomundo: 

Marco Weissheimer: O PT que coloque as barbas de molho

A mensagem que sai das urnas na Venezuela

por Marco Weissheimer, no  Sul21

Vitória apertada de Nicolas Maduro envia sinal de alerta para esquerda latinoamericana.

O enviado especial da Carta Maior a Caracas, Gilberto Maringoni, fez uma boa síntese da vitória apertada de Nicolas Maduro, nas eleições realizadas neste domingo, na Venezuela. A diferença em favor de Maduro, 234.935 votos, foi mínima, mas real, garantidora da legitimidade do pleito e de seu resultado. O candidato oposicionista exerce seu direito de espernear ao pedir uma recontagem total dos votos, algo com que Maduro chegou a concordar em seu primeiro pronunciamento após a divulgação do resultado, ainda na noite de domingo. O principal fator que emerge das urnas, no entanto, é que ele foi uma surpresa negativa para o governo e para o projeto da Revolução Bolivariana como um todo. Maringoni, historiador e jornalista que acompanha a vida política na Venezuela há muitos anos, escreve em seu artigo intitulado “Vitória apertada, mas vitória”:

Maduro venceu apertado, mas venceu. Na ponta do lápis, a questão está resolvida: o chavismo continua sem Chávez. Mas o resultado tem de ser examinado além das planilhas. O governo não estava preparado para essa diferença. Possivelmente Capriles – que cogitou não concorrer, logo após a morte de Chávez – também não. Os chavistas avaliaram que dariam uma lavada na oposição, repetindo ou aumentando a diferença de 12% (56 a 44%) das eleições de outubro, quando Capriles enfrentou Chávez em sua última disputa.

E acrescenta

Entre os mais de sete milhões de votantes em Capriles, a maioria seguramente é constituída por pobres. Olhando as planilhas de outubro passado, uma conclusão inicial pode ser feita, lembrando que Chávez teve 8.191.132 votos e Capriles 6.591.304.Em seis meses, a oposição ganhou cerca de 680 mil votos, enquanto o governo perdeu ao redor de 700 mil. Pode ter havido uma migração de um lado para o outro. Saber onde e porque isso aconteceu é vital para a continuidade e estabilização do governo Maduro.

No pronunciamento que fez na noite de domingo, Nicolas Maduro deu sinais de que já sabe quais foram alguns dos problemas, ao falar da necessidade de enfrentar os temas da corrupção e da ineficiência. No plano político, enfrentará outro grande problema que é a divisão do país praticamente ao meio e o fortalecimento de uma oposição que nos últimos anos andava bastante enfraquecida. E no plano internacional, terá que lidar com um cenário de retração econômica que atinge hoje as principais economias do mundo. Ou seja, Maduro começará a governar em um novo cenário político e econômico, em nível interno e externo.

O resultado da Venezuela serve de alerta para os demais governos de esquerda e centro-esquerda da América Latina e para os respectivos partidos e forças sociais que os apoiam. A conjuntura que mudou o mapa político da região parece estar mudando e quem apostar na inércia para seguir governando pode se dar mal. Nos próximos dias, deverão surgir muitas análises sobre a mensagem que sai das urnas venezuelanas. E, de fato, o resultado exige uma reflexão mais atenta e aprofundada. Não foi pouca coisa o que aconteceu e o que isso parece sinalizar.

Os números da eleição Venezuela representam, por outro lado, um sopro de oxigênio para a direita latino-americana que quase obteve uma vitória num dos países onde estava mais enfraquecida. Ela ainda não tem uma agenda própria exatamente, tanto é que a campanha de Capriles, guardadas as devidas proporções, repetiu a estratégia usada por José Fogaça em Porto Alegre para interromper a série de 16 anos de governos do PT na cidade. Mimetizou os principais pontos do programa do adversário e acenou com a necessidade de mudança, de renovação. É uma mensagem que costuma ter seu apelo, especialmente quando a economia e a vida cotidiana da população não vão muito bem. Capriles prometeu manter os principais programas sociais implementados por Chávez e reivindicou a figura de Lula como modelo de equilíbrio e moderação que pretendia seguir. Aqui no Brasil já tem gente ensaiando discursos parecido para as eleições de 2014.

O PT que coloque suas barbas de molho, portanto. A Venezuela mostra que não se mantém um projeto político só com retórica e piloto automático em funcionamento. A capacidade de ler a conjuntura, identificar sinais de mudança e conseguir definir políticas e rumos de ação sintonizados com esses sinais sempre foram, e seguem sendo, condições indispensáveis da tática e da estratégia na política e na vida. A morte de Hugo Chávez, pelo que representa em si mesma, já foi uma mudança brutal na América Latina, cujas repercussões ainda vão ecoar no tempo. A surpresa eleitoral de ontem é outra. Quem quiser, e tiver juízo, que ouça.

PS do Viomundo: Isso me faz lembrar, ao Azenha, da palestra da qual participei ao lado do senador Requião, em Curitiba, no sábado. Segundo ele, os discursos que faz em defesa de Lula e de políticas do governo Dilma raramente são aparteados por colegas petistas!

Em tempo2 (do ansioso blog): é bom a equipe da Dilma levantar da cadeira. Parar de ver a Globo e achar que é assim mesmo, que tudo se resolve no controle remoto. Que a oposição não tem candidato. Em 2010, o Cerra foi um Capriles: disse que era o mais preparado para levar o Lula adiante. Agora, são três: o tucanuardo (“não podemos perder 2013″), o Aécio Never e o próprio (imortal) Cerra. Eles se apossam da agenda do Lulilma – “dá para fazer melhor”- e depois vendem o pré-sal à Chevron. Truque velho. Mas que dá certo. Ou quase, como na Venezuela. – PHA 

15 de Abril de 2013 11:30

Sicsú: Dilma vai ter que investir mais

por redacao
 

 

 

Saiu na Carta Capital artigo de João Sicsú: 

A chave de 2013: o investimento

O crescimento econômico de qualidade necessita ser impulsionado pelo investimento. Por exemplo, o investimento público em transportes pode melhorar a qualidade de vida da população. Mais: quando um empresário investe em máquinas e equipamentos que aumentam a produtividade do seu negócio, isto é, quando há uma diminuição de custos, então poderá haver redução de preços e poderá haver aumento de salários dos seus empregados. Além disso, o aumento da produtividade aumentará a capacidade do empresário de realizar novos investimentos. Portanto, os ganhos advindos da redução de custos podem ser divididos entre trabalhadores, consumidores e empresários.

O aumento do investimento qualifica o crescimento econômico porque pavimenta a trajetória que possibilitará a continuidade do próprio crescimento da economia. Em outras palavras, o investimento numa hidroelétrica possibilitará a geração de mais energia que, por sua vez, possibilitará a instalação de novas fábricas consumidoras de energia. Logo, o investimento não somente impulsiona o crescimento de hoje, ele também abre a possibilidade para que haja mais crescimento com novos investimentos no futuro. Esta possibilidade de haver maior crescimento de forma contínua é chamada de PIB potencial – que é quanto uma economia pode crescer sem esbarrar em gargalos.

Durante a gestão econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), os investimentos públicos e privados eram baixos. As causas do fraco investimento eram variadas. Primeiro, investimentos do governo não combinavam com a visão de Estado mínimo: investimento público era sinônimo de intervencionismo. Segundo, faltavam recursos orçamentários: devido à falta de crescimento as contas públicas apresentavam resultados desastrosos. Terceiro, como não havia expectativas de crescimento mais robusto da economia, os empresários preferiam participar da especulação financeira a construir novas fábricas.

Houve a retomada dos investimentos na gestão do presidente Lula. As barreiras ideológicas, orçamentárias e as expectativas negativas foram superadas. O lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em 2007, é o marco da virada ideológica. Foi naquele momento que o governo explicitou à sociedade que é dever do Estado organizar grandes projetos e realizar investimentos vultosos. O governo e as estatais federais passaram a investir. E a economia, que já tinha dado o primeiro salto entre 2004-2006, passou a crescer em média 4,6% ao ano até 2010. Com mais crescimento, houve aumento da arrecadação e folga orçamentária para a realização de gastos públicos com novos investimentos. E com expectativas positivas sobre a economia, os empresários voltaram a investir no mundo real.

O baixo crescimento de 2011 e 2012 adormeceu as expectativas empresariais. De 2007 a 2010, o investimento crescia duas a três vezes o crescimento de toda a economia. Em 2011, devido à desaceleração da economia provocada pelo governo, o investimento cresceu apenas 4,7%. Cabe lembrar que, em 2010, havia crescido 21,3%. Em 2012, o cenário de desaceleração foi contaminado pelo pessimismo espalhado pela crise econômica européia e o investimento teve um desempenho negativo de 4%.

A reversão do quadro de expectativas empresariais estabelecido em 2011 e 2012 dependerá da realização dos investimentos públicos planejados e de liderança política. A realização do investimento público estimula o investimento privado porque estabelece condições de redução de custos empresariais e porque reduz incertezas de demanda futura. Já a liderança política oferece garantias aos empresários de continuidade dos investimentos públicos e do baixo desemprego.

Caso, em 2013, não haja a reversão do quadro de modesto crescimento com baixo investimento, poderá ser decretada a morte do modelo da Era Lula estabelecido no seu segundo mandato. Serão três anos com ruptura, de 2011 a 2013: o Brasil terá ingressado em outra trajetória. Na Era Lula, o investimento público foi elevado de 2,6% do PIB para mais que 4%, o que é significativo porque o Estado brasileiro tinha sido praticamente desmontado. A trajetória de recuperação do investimento público é uma necessidade da economia brasileira. E infelizmente para os pessimistas de plantão, há fortes indicadores de que houve uma recuperação consistente dos investimentos (público e privado) no primeiro trimestre de 2013.

Por último, não é verdade que a Era Lula foi caracterizada por um modelo de estímulo exclusivo ao consumo. Foi também. E foi exatamente o crescimento do consumo associado ao aumento do investimento público, sustentado pela liderança política do presidente, que estabeleceram um modelo de crescimento com qualidade econômica (elevado investimento) e inclusão social.

15 de Abril de 2013 11:00

Raimundo: Dirceu é inocente ! Quem não confessa tem culpa

por redacao
 

 

Saiu no blog do Dirceu:

Raimundo Pereira: AP 470 deixou de lado princípio básico da Justiça


Divido com vocês a entrevista que o Diário da Manhã, de Goiânia, publica hoje com o jornalista Raimundo Pereira, um dos autores do livro A Outra Tese do Mensalão (Editoria Manifesto) e responsável pela revista Retrato do Brasil.

Nós já mostramos aqui na semana passada um resumo da edição especial da Retrato que mostra como foi construída a tese do mensalão, sem provas.

Na entrevista ao Diário da Manhã, cujo título é uma declaração de Raimundo – “José Dirceu é inocente” –, o jornalista de sólida reputação reforça que não há provas de pagamento a parlamentares da base aliada.

“Ao contrário, na defesa do deputado José Genoíno existe uma ampla lista de depoimentos em contrário e um estudo feito com as datas de entrada de dinheiro do valerioduto nas contas de parlamentares ou de seus prepostos mostra não haver qualquer relação com as votações das emendas cujos resultados teriam sido comprados.”

E muito menos houve desvio de recursos públicos do Banco do Brasil, como disse a Suprema Corte:  “Nas milhares de páginas das auditorias do BB que estão nos autos da AP 470 existe uma multidão de indícios de que os serviços de publicidade da DNA, para o BB, com o dinheiro da Visanet foram realizados. Você acha, nos autos, por exemplo, dezenas e dezenas de páginas de empresas que contabilizam a quantidade de vezes que um anúncio para a venda de cartões de bandeira Visa pelo BB foi veiculado nestas tevês de aeroportos ou foi mostrado nesta ou naquela cobertura de ponto de ônibus, nesta ou naquela rua, desta ou daquela cidade”.

“Não houve o crime básico que ela supõe, o desvio de dinheiro do BB, repassado para gastos do banco, seja de que forma, pelo Fundo de Incentivos Visanet, para a publicidade da venda de cartões de bandeira Visa”, afirma.

Sobre mim, Raimundo afirma: “Do que ele é acusado na AP 470, de comandar uma quadrilha que desviou dinheiro público para comprar deputados, eu não tenho dúvidas de que ele é inocente”.

“Foi um julgamento medieval. Naqueles tempos não se precisava, primeiro, provar o crime, e só depois ir em busca dos possíveis culpados. Se pegava a bruxa e se torturava, para que ela confessasse os crimes que teria cometido. Se ela não confessasse nenhum crime depois de torturada, como disse num de seus livros o irônico cientista Carl Sagan, aí sim é que estavam provadas suas infames práticas, pois só quem tivesse um pacto com demônio teria aquele tipo de resistência. A procuradoria e o ministro Barbosa esqueceram o princípio básico que separou a justiça medieval da Justiça surgida do Iluminismo: provar a materialidade do crime em primeiro lugar. No caso, provar o desvio de dinheiro do BB”, afirma o jornalista.

Sobre a imprensa, Raimundo diz que o papel “dos grandes jornais e revistas conservadores foi muito ruim. Como disse um de seus destacados colunistas no início de 2012: o Supremo deveria julgar a AP47 ‘com a faca no pescoço’. A faca era e foi essa mídia”.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra

Clique aqui para ler “Escolha de ministro do Supremo tem que ser no pau” – PHA 

15 de Abril de 2013 10:30

Bernardo não mete medo à Globo. E mete nos blogueiros sujos

por redacao
 

 

 

Em entrevista ao programa “É Noticia”, de Kennedy Alencar, na Rede TV, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, comentou a oposição que tem sofrido do PT.

Segundo Paulo Bernardo, ele não discorda do PT quanto a regulação da mídia.

Porém, é contra qualquer tipo de regulação da mídia impressa: “eu concordo que tem de haver regulação de mídia eletrônica como em qualquer setor”.

Para mídia impressa, o Ministro defende uma que garanta o direito de resposta.

Como seria a regulação da mídia?

Bernardo defende a proteção do conteúdo e minimiza a concentração do mercado.

Sobre a existência de oligopólio o ministro desconversou:

“Eu acho que há uma concentração da mídia em poucos grupos – isso é, não tem como negar. Agora, qual o limite disso? Como você faz isso? O pessoal diz que nós temos que fazer uma lei de médios, como da Argentina. Na Argentina, o que eu leio sobre lá, é que o grupo Clarín tinha 92 licenças de transmissão, 92 outorgas, aqui o limite é cinco. O que acontece é que aqui tem o fenômeno da rede afiliada.”

Sobre a propriedade cruzada, o ministro alega que a convergência de mídia torna a questão inócua, já que todas as mídias estão passando pela internet.

O ministro também comentou o novo fundo criado pelo Instituto Barão de Itararé para socorrer blogueiros sujos em dificuldades com processos judiciais.

Veja o vídeo do início do 3 bloco até os 4 minutos do vídeo.

Segundo o ministro: “primeiro, nós temos que defender o principio da liberdade de expressão. Na internet isso vai ao seu ponto máximo, as pessoas falam e escrevem o que querem, e eu acho importante que seja assim. No caso da internet acho importante que se tenha liberdade total, portanto, as pessoas que são criticadas – eu mesmo sou muito criticado por determinadas situações – acho que nós temos que ter muita tolerância com criticas.

Kennedy – O senhor não processou ninguém?

P. Bernardo – Eu já processei sim,

Kennedy – Mas nesse episódio recente não?

P. Bernardo – Não, quando é critica política… Alguém te critica porque você esta favorecendo as teles, tá fazendo desoneração… isso faz parte da política. Eu tenho uma posição e tenho que defender daqueles que à atacam. Eu digo assim, quando alguém ataca pessoalmente, na honra, ai eu acho que é razoável que quem se sinta ofendido procure a Justiça. Até porque, recorrer a Justiça também é um direito fundamental das pessoas. Porque se não, qual é a outra forma de resolver? Vamos marcar um duelo no Ibirapuera?

Kennedy – Mas o argumento é: que quem recorre tem um poder econômico muito maior que o do blogueiro, e isso cria uma disparidade…

P. Bernardo: Eu acho que isso pode até ser verdade, mas a Justiça sabe avaliar isso, ou pelo menos deveria. Eu nunca recorreria a Justiça por critica política, mas tem gente que acha que pode falar qualquer coisa. Eu não vou entrar no caso especifico, mas eu acho que tem de haver direito para que todos se manifestem como queiram, mas tem que haver o direito de ir para a Justiça também.

15 de Abril de 2013 09:48

Capriles quer recontar. Os votos e o pré-sal

por redacao
 

O chavismo ganhou dezessete de 18 eleições de que participou (e ainda dizem que aquilo é uma ditadura).

Perdeu um plebiscito (em 2007) por menos de 0,1%.

E acatou o resultado.

Todas as eleições na Venezuela chavista foram acompanhadas por observadores internacionais.

O mais conhecido deles é Jimmy Carter, ex-presidente americano, que, por diversas vezes, atestou a qualidade do sistema eleitoral venezuelano.

Lá, como se sabe, o voto eletrônico pode ser conferido pelo “papelzinho” correspondente cada urna.

O “papelzinho” do Brizola, que sabia como a Casa Grande tentou lhe tomar uma eleição no computador.

Capriles foi eleito governador de Miranda por uma diferença de 40 mil votos.

E o chavista perdedor acatou o resultado.

Felipe Calderón foi eleito presidente do México por 0,56% de diferença e o Superior Tribunal Eleitoral não aceitou recontar os votos.

George Bush, filho, ganhou por menos de 1% de diferença e, mesmo assim, jamais se saberá se ele, de fato, ganhou na Florida.

Depois, como se sabe, a Suprema Corte lhe conferiu a vitória com o voto decisivo do Maior de Todos os Conservadores, Scalia, uma espécie de Gilmar Dantas (*) mais competente, muito mais.

Como se lê no twitter:  en #Chile, Pdte Lagos fue electo con 187 mil votos de diferencia. Pdte Piñera, con 223 mil. En Venezuela, Maduro con 300 mil

Capriles diz que Maduro foi derrotado, já que a eleição foi roubada. 

E quer a recontagem, voto a voto.

Maduro concorda: vamos recontar !

Maximilian Forte ‏@1D4TW 20h 
Henrique Capriles: still making accusations of vote rigging, as he prepares excuses for his defeat. http://bit.ly/16WfFTm  #VenezuelaDecide
Retweeted 27 times 
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Heather Marsh ‏@GeorgieBC 6h 
Maduro immediately accepted complete audit: “Let’s do it! No problem.”

A estratégia de Capriles se anunciava desde a manhã da eleição: antes que o primeiro voto fosse contado, ele denunciou no twitter que Maduro ia roubar a eleição.

Clique aqui para ler umas tantas verdades sobre o grande democrata Capriles.

O objetivo de Capriles, desde já, é transformar Maduro num presidente ilegítimo.

Porque, já o definiu como um incompetente, um despreparado.

(Foi o que pensava a Folha, que saiu tosquiada.)

Como, aqui, se disse e diz do Lulilma: despreparado, incompetente, que “dá para fazer mais !”.

Só eles sabem governar…

Sabem governar, sobretudo, o petróleo.

A Venezuela tem a maior jazida de petróleo do mundo.

Chávez criou um fundo para usar o dinheiro do petróleo em programas sociais.

Os tucanos, aqui, por exemplo, queriam fundar a Petrobrax, e entregar o pré-sal à Chevron.

É o que está em jogo na Venezuela – e aqui, amigo navegante: com quem fica o petróleo ?

Com os tucanos/americanos ou com o povo ?

Aqui, a Dilma quer entregar o dinheiro do pré-sal à Educação.

Se o Sérgio Cabral, gentilmente, permitir, antes de nomear a filha do Fux desembargadora.

Clique aqui para votar na trepidante enquete “quem é mais talentosa – a filha de Cerra ou de Fux ?”; e aqui para ler “escolha de ministro do Supremo tem que ser no pau”.

Clique aqui para ler “Dilma vai ter que ajudar Maduro a evitar o Golpe na TV”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

15 de Abril de 2013 09:11

Maduro agradece a Lula. Dilma vai ter que ajudar

por redacao
 

Dilma vai ter que ajudar a evitar o Golpe.

Clique aqui para ver a manchete do PiG venezuelano nesta manhã de segunda feira.

O primeiro passo da estratégia do Golpe é não conferir legitimidade à vitória de Maduro.

Como se sabe, o sistema de votação na Venezuela é mais seguro e democrático que o brasileiro.

Mais democrático, porque permite a conferência do voto eletrônico com o “papelzinho” do Brizola.

O jenial voto eletrônico brasileiro, sem conferência, é obra prima do Nelson Johnbim e do Eduardo mensalão tucano Azeredo, com esse sub-produto: permitir a fraude inconferível de uma eleição.

Aqui, se o Cerra perdesse por essa diferença do Capriles, e como não há como recontar os votos, o Cerra ganhava na crise.

Ele instalava uma crise institucional na Globo e o Supremo o elegia.

Mais ou menos como o Bush filho fez na primeira eleição.

Ganhou com a TV Fox e o Supremo.

Na Venezuela é diferente.

Lá o Golpe, começa na televisão, como já fizeram com Chávez.

Maduro pode ser deposto na Globovisión: Globo de lá.

Ou pelo Cisneros, o sub-Globo.

Porque, como se sabe, na Venezuela há mais liberdade de expressão do que no Brasil.

(Clique aqui para ver como Maduro tosquiou a Folha (*).)

O Supremo da Venezuela foi saneado por Chávez.

Portanto, a possibilidade de um Golpe Supremo, como no Paraguai e em Honduras, é menor.

O Golpe vai ser televisivo.

E, como lá existe uma embaixada americana, com a ajuda a embaixada americana.

Porque, como diz o Correa do Equador, nos Estados Unidos não tem Golpe porque não tem embaixada americana.

A associação comercial do Brasil com a Venezuela é inevitável e estratégica, para os dois países.

Independente dos governantes, lá e cá.

A ajuda da Dilma tem que ser outra.

Preventiva.

Mostrar que não vai ter Golpe contra Maduro.

E a primeira demonstração disso será ir à posse de Maduro, com pompa e circunstância, na companhia do Nunca Dantes.

A quem o Maduro fez questão de agradecer, no discurso da vitória.

Leia o artigo de Rodrigo Vianna, escrito logos após a oficialização da vitoria:

A vitória apertada e o trunfo de Maduro


por Rodrigo Vianna

A vitória do chavismo foi apertada. Mas incontestável: Nicolás Maduro teve 50,66%, contra 49,07% de Capriles (isso faltando menos de 1% para totalizar). Diferença de mais de 200 mil votos.  A Venezuela votou no candidato de Chavez. Na Democracia é assim: 50% mais um significam vitória. E ponto.

Ano passado, nos EUA, Barack Obama ganhou a reeleição por dois pontos percentuais no voto popular. Foi uma eleição radicalizada. Do outro lado, havia eleitores republicanos que consideravam Obama uma espécie de “demônio socialista”, por conta do projeto de assistência pública de saúde. Os EUA viraram um país “dividido” e “ingovernável”? Não. Obama governa. E Mitt Romney sumiu, no fundo das xícaras do Tea Party.

A diferença é que nos EUA não há embaixada americana para fomentar golpe e instabilidade…

Isso quer dizer que a vida de Maduro será fácil? Não. A direita venezuelana mostrou força. A tendência dos chavistas, de tratar todo adversário como “fascista” e “oligarca”, não cola. Metade do país é fascista? Maduro terá que moderar o discurso…

Chavez tirou o Estado (e o petróleo) das mãos da oligarquia, criou programas sociais, deu dignidade para os pobres. Isso tudo é fato. Vi de perto, em quatro viagens à Venezuela nos últimos cinco anos. Mas há problemas sérios de gestão. E isso ficou claro desde a primeira vez que visitei Caracas, em 2007.

Desde aquela época, escrevi: a oposição, com 45% dos votos (era o que conseguia, na época), tem força para fazer a disputa democrática, em vez de apelar para o golpismo.

E aí vamos ao segundo ponto. A derrota por margem estreita tira o argumento daqueles que – em Caracas, em Washington ou no Jardim Botânico carioca – afirmam: a Venezuela chavista é uma ditadura. Bobagem. A oposição tem força midiática, presença nas TVs e jornais, liberdade de organização. E há um esquema limpo para contagem de votos.

O resultado, por margem estreita, é um chamado para a moderação. De lado a lado. A vitória apertada porde ser um trunfo de Maduro, na legitimação de seu governo. Só que os chavistas precisam agora dialogar com o centro, com aqueles que até apóiam as políticas sociais do governo – mas estão insatisfeitos com a gestão do dia-a-dia. Em Caracas, por exemplo, há problemas sérios nas áreas de segurança, coleta de lixo, transporte…

Capriles deveria apostar no institucional, cobrando que o governo resolva os problemas concretos da população. Os tempos de subir no muro da Embaixada cubana e de fomentar golpes acabaram. Será que Capriles terá grandeza para assumir o novo papel? O problema é que parte da oposição quer golpe e confronto. E o outro problema são os gringos, acostumados com o jogo sujo. Nos últimos dias, surgiram indícios de que a CIA pode ter infiltrado mercenários armados na Venezuela.

Maduro, por seu lado, terá que enfrentar uma burguesia e uma classe média furibundas (é esse o núcleo duro da oposição, com 30% a 40% dos votos) e, ao mesmo tempo, dialogar com aqueles 10% a 15% que votaram em Capriles mas não são “oligarcas” antipovo.

Não basta mais invocar a figura de Chavez apenas. O presidente morto levou Maduro até o Palácio. Agora Maduro é quem precisa escrever sua história.

Não podemos descartar que setores da oposição partam para campanhas abertas de desestabilização nos próximos dias. Mas será difícil justificar atos de violência quando – pelo voto – a oposição foi capaz de “quase” ganhar.

Contraditoriamente, portanto, a aparente fragilidade de Maduro (“ganhou por apenas 2 pontos”) é também sua força estabilizadora. A Venezuela é uma democracia. E deve ser respeitada como tal.

O Brasil terá um papel importante, rechaçando qualquer tentativa de ataque “por fora” da Democracia.

Fiquemos atentos. E não esqueçamos: em Caracas, há embaixada dos Estados Unidos. Fonte de golpes e instabilidade na história da América Latina.

Nos próximos meses também podem aparecer mais detalhes sobre o câncer que matou Chavez. A Venezuela segue a ser o centro de uma batalha continental. Os Estados Unidos querem retomar o velho quintal…

PS: assim que acabei de escrever esse texto, já na madrugada de segunda-feira, Henrique Capriles anunciou que não reconhecia os resultados eleitorais; vai pedir recontagem total de votos. Joga na instabilidade, o que na verdade pode tirar dele parte do eleitorado (não chavista, mas tampouco antichavista). É uma jogada arriscada. E que pode incendiar a Venezuela. Difícil acreditar que Capriles tome essa direção sem apoio externo daqueles que já fizeram tombar governos legítimos em Honduras e no Paraguai. Espero estar errado, mas acho que tempos difíceis nos aguardam na América do Sul. E esse clima pode “contaminar” o Brasil.

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Paulo Henrique Amorim