PAUL MCCARTNEY E O MAL-ENTENDIDO DOS FUNQUEIROS

por Alexfig
 
 
Por Alexandre Figueiredo

Mais um factoide surge para alimentar o lobby poderoso do “funk carioca”, a menina dos olhos da grande mídia, principalmente as Organizações Globo e o grupo Folha.

Uma conversa entre o famoso músico Paul McCartney e o produtor Mark Ronson estavam testando um som e Paul ensaiava um som dançante, que o produtor disse parecer o Bonde do Rolê, em entrevista à revista Rolling Stone.Em certo momento, Paul teria perguntado ao produtor: “Como conseguimos esse tipo de energia”?

O episódio, na verdade, é um grande mal-entendido que acabou alimentando o marketing do “funk carioca”, ritmo mais conhecido por sua sofisticada estratégia publicitária e pela arrojada blindagem intelectual, que camuflam a baixa qualidade artística do gênero, um dos carros-chefes da imbecilização cultural que assola o Brasil.

Para Paul, evidentemente, o Bonde do Rolê, grupo surgido em Curitiba, é uma banda de rock que mistura o gênero com outros sons. Mas do jeito que Mark Ronson divulgou na entrevista, o que soa mais uma conversa de pescador, deu a crer que o ex-beatle queria “uma energia de ‘baile funk'” para seu novo disco.

O factoide repercutiu na mídia brasileira, conhecida pelo seu provincianismo narcisista, algo como um bairrismo megalomaníaco que exagera nos fenômenos que tentam aparentemente repercutir lá fora. Michel Teló tocou em biroscas europeias e inexpressivos programas de televisão e virou “cidadão do mundo”. Valesca Popozuda também arrumou espaços de terceira categoria na Europa e deu no mesmo trololó.

No país onde se faz sensacionalismo com qualquer coisa, onde qualquer ídolo medíocre é visto, dentro do território nacional, como “rei do planeta” quando apenas bota a carinha no exterior, mesmo nos espaços mais vagabundos, a classe funqueira ficou exaltada, havendo quem quisesse interpretar músicas dos Beatles em ritmo de “batidão”.

Depois do “mico” dos estudantes da Universidade Federal Fluminense em usar a Valesca Popozuda como patronesse de sua formatura, o factoide de Paul McCartney foi tão somente o mal-entendido que só serviu para alimentar a publicidade de um ritmo sem qualquer serventia. Uma reportagem chegou a ser publicada definindo Paul como o “mais novo funkeiro do mundo”, mas depois ela aparentemente saiu do ar.

Só mesmo um país marcado pelas tolices veiculadas pela velha grande mídia para aceitar uma má interpretação dessas. O “funk carioca”, que faz apologia à miséria e faz as favelas suas reféns, se alimenta às custas de qualquer tolice. E as classes populares nunca foram realmente beneficiadas com essa campanha de defesa do “funk carioca” que só enriqueceu seus empresários e os barões da grande mídia.