Tarso Genro: “Liberdade de expressão existe, o que não existe é liberdade de fazer circular as opiniões”

por Betho Flávio
 

 

Tarso Genro

Um debate sobre a “regulação” da mídia que ocorreu aqui no Rio Grande do Sul por ocasião do “Fórum da Liberdade”, do qual não participei e do “Fórum da Igualdade”, do qual participei como conferencista inaugural, teve ampla repercussão no Estado e refletiu nacionalmente através uma matéria decente publicada na Folha de São Paulo. Foi um episódio que demonstrou, mais uma vez, a intolerância e a arrogância da “Grande Mídia”, para traficar os seus valores – fundados no lucro e na anarquia do mercado – no sentido de os tornarem artificialmente universais.

Como julgo este assunto extremamente importante, para a esquerda e para o projeto democrático de nação que está em disputa no país, vou relatar o conteúdo da minha exposição no “Fórum da Igualdade”. Não vou citar nomes de pessoas nem de empresas, porque não só não tenho interesse de promover um debate personalizado sobre o assunto, como também entendo que esta matéria não é restrita ao nosso Rio Grande e deve ser alvo de discussões que não podem ser banalizadas por conjunturas regionais.

Tudo começou com a minha ausência no “Fórum da Liberdade”, onde eu participaria como autoridade da sessão inaugural e a minha presença no “Fórum da Igualdade”, para o qual eu fora convidado como conferencista de abertura, tendo como ouvintes sindicalistas, militantes de esquerda, parlamentares de partidos que formam o grupo de opinião que rejeita o projeto neoliberal e também dirigentes de movimentos sociais.

Este Fórum, com escassa repercussão midiática, porque composto de grupos, entidades e pessoas com força econômica escassa, para ter qualquer interferência promocional na grande mídia, é diferente do “Fórum da Liberdade”. Este, como se sabe, é compostos por doutrinadores, empresários, executivos de empresas que defendem – já de forma um pouco monótona – a redução dos gastos sociais (“improdutivos”), o “enxugamento do Estado” (nos salários e nas políticas sociais) e a “redução da carga tributária”, não sem militar pelo aumento dos investimentos públicos em infraestrutura, pelas renúncias fiscais e pelos financiamentos subsidiados para as grandes empresas.

É uma pauta legítima na sociedade que vivemos, é claro, mas que cumprida integralmente levaria o nosso país ao caos social, quem sabe a uma ruptura anárquica pela direita autoritária, já que a devastação das escassas políticas de coesão social mínima, que conseguimos implementar nos últimos anos, geraria uma revolta generalizada entre os pobres do país, que usufruem de direitos sociais muito limitados ainda hoje no nosso Brasil.

A fala que proferi no “Fórum da Igualdade” despertou a ira no “Fórum da Liberdade” e também uma divulgação viciada do conteúdo da minha palestra, interditando o debate que ali propus, através dos estereótipos de costume: “quer o controle da mídia”, “quer a censura a imprensa “, “quer vedar o direito de opinião”, etc. A argumentação mais sólida que ofereceram foi o “exemplo tomate”. Este exemplo, passará para a história da liberdade de imprensa no país, já que uma conhecida editorialista disse, mais ou menos o seguinte: “essa questão da mídia livre é que nem o tomate, que está caro, ou seja, não se compra; se não gostou das matérias, muda de emissora ou de jornal”. Só que o tomate não é uma concessão pública, nem o acesso a ele está regulado pela Constituição Federal. Um detalhe insignificante que muda tudo. Vejamos o que eu disse no “Fórum da Igualdade.”

Tratei, fundamentalmente, de dois assuntos na minha palestra para os trabalhadores: primeiro, que as empresas de comunicação, em regra, não cumprem a finalidade constitucional das concessões, pois a norma que as regula orienta que a programação das emissoras contemple conteúdos regionais, educativos, culturais, e proteja os valores da família – ou seja também tenha como sentido valorizar a comunidade familiar – obviamente adequando-se à moralidade contemporânea. Disse, ainda, na minha fala, que oitenta por cento dos programas sairiam do ar, se esta norma constitucional fosse cumprida.

Segundo, tratei da evolução da questão das liberdades, que percorreu a gênese da democracia. Primeiro como lutas pela “liberdade de pensamento” (já que era vedado inclusive na intimidade, mesmo sem publicizar, desconfiar da validade da religião católica); depois, como “luta pela liberdade de expressão”, já no Renascimento, quando alguns eruditos brilhantes começam a se libertar da dogmática religiosa absoluta e resolveram expressar-se em público como dissidentes “humanistas” (os painéis de Michelangelo na Capela Sistina vêem um Deus Homem, promovendo uma inversão figurativa da Teologia: o Deus abstrato e longínquo passa a ser concebido como um forte Homem concreto); depois, abordei uma importante liberdade dos modernos, a “liberdade de imprensa”, que se consagra na Revolução Francesa, avassala a Europa (liberdade de dizer em público e imprimir o “dito”, que subverte o monopólio da fala pelas elites) e torna-se um valor democrático altamente respeitado.

Finalmente, abordei um quarto tema. A questão da “liberdade de fazer circular livremente as opiniões”. Sustentei que hoje existe uma absoluta desigualdade de meios, para que as opiniões possam circular de maneira equânime, embora as redes na internet tenham aberto novas fronteiras para a circulação da comunicação. Mas, atenção: as redes são acessíveis a todas as opiniões (e é bom que o sejam), mas as TVs e Rádios das “Grandes Mídias” empresariais com tendência monopolista, não são acessíveis a todas as opiniões.

As opiniões, nas “Grandes Mídias”, inclusive podem ser (e frequentemente o são) filtradas, editadas, selecionados, distorcidas ou manipuladas, inclusive com o enquadramento dos jornalistas da própria empresa. Nem sempre, nem em todos os momentos, nem em todas as empresas de comunicação isso ocorre. Mas todas estão disponíveis para estes métodos, ao gosto dos seus proprietários.

Sustentei, portanto, que há um bloqueio radical da circulação da opinião, cuja divulgação é orientada pela empresa de comunicação, a partir dos valores culturais, ideológicos e políticos dos seus proprietários. Qual a sugestão que dei no Forum da Igualdade, que me convidou para a fazer a abertura solene do seu evento? Censura? Expropriação de empresas? Não. Disse que o Estado deve promover políticas de financiamento e subsídios (que as atuais instituições de comunicação empresariais inclusive já tem) e novos marcos regulatórios, para que possam surgir mil canais de comunicação, com igualdade de qualidade tecnológica e profissional (com mais oportunidades de trabalho livre para os próprios jornalistas), através instituições de comunicação que não dependam do mercado e dos grandes anunciantes.

Canais que possam ter uma política de informação mais objetiva e aberta e um debate político mais amplo do que a ladainha neoliberal. Canais que não adotem como mercadoria-notícia a escalada da cultura da força e da violência, dentro da qual concorrem os principais meios de comunicação do país. Trata-se de dar novas oportunidades de escolha aos cidadãos, aos pais, às mães, aos consumidores, que somos todos nós, para que possamos ver e ouvir outras coisas, debater outras idéias, sem qualquer tipo de censura, seja do Estado, seja dos proprietários das empresas e dos seus anunciantes.

Isso certamente foi demais e a “circulação da opinião restrita”, que eu mencionara nos meus argumentos em favor da “circulação da opinião mais livre”, foi comprovada pela voz massiva e monocórdia das respostas à palestra, que proferi aos trabalhadores. Revolveram a tese do “controle dos meios de comunicação pelo Estado” – como se já não houvesse controle do Estado, que é o poder concedente dos canais – misturando este assunto com a minha ausência no “Fórum da Liberdade”. O mesmo em que o Vice-Governador do Estado, em outro momento de abertura, foi solenemente vaiado porque ousou dizer que o Governo Lula melhorou o Brasil.

A intolerância demonstrada pela “Grande Mídia”, também neste episódio, prova que ainda temos um largo caminho a percorrer, para permitir que as opiniões divergentes circulem livremente na nossa democracia limitada, hoje já mais sufocada pela força do poder econômico e da ganância. Estas questões não interessam ao “Fórum da Liberdade”, mas certamente interessam ao “Fórum da Igualdade”. Por isso fui neste, mais fraco. Não no outro, mais forte.

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uma hora atrás

MARADONA VISITA FIDEL

por Betho Flávio
 

Craque argentino e líder cubano são amigos desde 1987.

O craque Diego Armando Maradona e o líder cubano em encontro neste sábado (13) em Havana (Foto: AFP)

O craque Diego Armando Maradona e o líder cubano em encontro neste sábado (13) em Havana (Foto: AFP)

 

O líder cubano Fidel Castro teve um encontro no sábado com o amigo e ex-jogador argentino Diego Maradona, informou a imprensa de Havana nesta segunda-feira (15).

Castro, de 86 anos e afastado do poder desde julho de 2006 por uma grave crise de saúde, “teve na tarde de sábado um encontro fraterno com o astro, ex-jogador de futebol, argentino Diego Armando Maradona”, que “constituiu uma animada e frutífera conversa entre dois velhos amigos”, afirma o jornal oficial “Granma”.

Maradona chegou a Havana na sexta-feira procedente de Caracas, onde “visitou o histórico Quartel da Montanha e prestou homenagem emocionada ao Comandante Supremo da Revolução Bolivariana, Hugo Rafael Chávez”, falecido em 5 de março, afirma o jornal do Partido Comunista (único).

Maradona também visitou em Caracas Nicolás Maduro, que venceu as eleições presidenciais de domingo na Venezuela por uma margem estreita de votos sobre o opositor Henrique Capriles.

Castro e Maradona são amigos desde a primeira visita do astro à ilha, em 1987.

Maradona entrevistou o líder da revolução cubana em novembro de 2005 para o programa “La Noche del 10”, que apresentava na televisão argentina.

O argentino recebeu tratamento médico na ilha por seu vício em cocaína e outros problemas de saúde.

DO SOLIDÁRIOS

2 horas atrás

Telefónica lucra 4 bi vendendo o que não entrega

por Betho Flávio
 

Telefónica: lucros nas alturas e serviços ruins para os usuários 

Lucro líquido da multinacional em 2012 foi de R$ 4,452 bi, o quarto maior entre as empresas instaladas no país

O lucro líquido da Telefónica/Vivo, R$ 4,452 bilhões, divulgado na segunda-feira, é o quarto maior entre as empresas instaladas no país. Das empresas não-financeiras (isto é, fora os cinco maiores bancos), somente a Petrobrás, a Vale e a hoje belgo-americana Ambev têm lucro líquido maior que a Telefónica.

O escândalo, naturalmente, está em que a atividade da Telefónica é meramente a de parasita monopolista, propiciada pela privatização da Telesp no governo Fernando Henrique Cardoso (a holding controladora das empresas da Telefónica no Brasil continua sendo a “SP Telecomunicações Participações Ltda.”, por sua vez controlada pela Telefónica Internacional S.A. – que tem três acionistas principais: o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, hoje o maior banco do sul dos EUA, a Caja de Ahorros y Pensiones de Barcelona e os norte-americanos da Blackrock, maior empresa de “gestão financeira” de Wall Street, com origem no falecido First Boston, um banco que era ramificação do Credit Suisse e do Morgan Stanley).

O faturamento (receita bruta) da Telefónica no Brasil em 2012 foi R$ 50,279 bilhões (o que significa que a Telefónica abocanhou 1/4 do faturamento total do mais rentável setor privado do país).

 

SETOR

 

Mas trata-se de um setor com alguns problemas, como diria o ministro Paulo Bernardo: apesar de privatizado e altamente lucrativo, desde 2003 até 2012 ele absorveu desembolsos do BNDES num total de R$ 29,15 bilhões. Somente em 2012, foram R$ 4,84 bilhões; para ser justo, quase 30% dos desembolsos do BNDES para as teles, desde 2003, foram feitos nos últimos dois anos (cf. BNDES, Estatísticas Operacionais – Desembolso Anual por Setor CNAE).

No entanto, é um setor que não funciona desde que foi privatizado pelos tucanos. Não há quem esteja satisfeito com os carroceiros serviços das empresas de telecomunicação, sempre por preço de ouro. Até a ANATEL, conhecida pela extraordinária complacência, de vez em quando tem que tomar alguma medida, ainda que marketeira, ou seja, apenas para passar ao público que está fazendo alguma coisa.

Porém, de toda essa quadrilha que se instalou nas telecomunicações com os fernando-henrique, mendonça-de-barros, elena-lalau e outros augustos zeladores do patrimônio público e do dinheiro público, nenhuma é pior que a Telefónica – uma recordista de multas e punições da União Europeia, agora recordista de reclamações ao Procon, sempre por ação de monopólio e deslealdade com os usuários e outras empresas (na Espanha ficou famosa a derrubada na velocidade da Internet, provocada pela Telefónica quando o usuário não era cliente do seu provedor, o Terra).

Nos últimos três anos, depois da “consolidação” retroativa com a Vivo, a Telefónica faturou, no Brasil, R$ 45,888 bilhões (2010), R$ 49,100 bilhões (2011) e R$ 50,279 bilhões – isto é, em três anos, um faturamento de R$ 145,267 bilhões (números extraídos dos balanços da Telefónica/Vivo).

Ah, sim, mas isso, diria o sr. Valente, presidente da filial no Brasil da benemérita multinacional, é faturamento, receita bruta. Não estamos descontando os gastos, em especial os… investimentos.

É verdade. O problema é que ninguém viu esses investimentos, apesar deles serem declarados com fartura em sucessivos balanços. Apenas transcreveremos aqui um pequeno trecho do último estudo da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) sobre as atividades da Telefónica no seu nicho monopólico, isto é, em São Paulo:

Interface com o Usuário:

 

“Call Center: Atendimento de baixa-média qualidade

 

“Postos de Serviços: Em fase de desativação

 

“Orelhões: Em más condições de manutenção

 

“Rede Física: Em más condições de manutenção e expansão

 

“Rede Subterrânea: Em más condições de manutenção e expansão

 

“Serviços em si: Baixa-média qualidade

 

“Tarifas e Preços: Elevados

 

“Avaliação técnica: Nota 4,5 (Escala de 0 a 10) – Estrutura Reprovada quando comparada com países do 1º Mundo” (v. AET, “Telecomunicações na cidade de São Paulo“, maio/2012, pág. 59).

Em compensação, as remessas de lucros e as importações são mais do que visíveis (o setor de telecomunicações aumentou suas remessas de lucros, entre 2007 e 2011, em 430,80%; quanto às importações das teles, elas aumentaram 320,80% entre 2004 e 2011 – sem contar as importações de componentes de telecomunicações em geral, apenas as importações feitas diretamente pelas teles).

 

VÍCIO

 

Bem, leitor, parece óbvio que uma empresa com um lucro líquido (isto é, lucro depois de pagas todas as despesas e feitos todos os gastos) de R$ 4,452 bilhões, tem dinheiro de sobra para investir. E, considerando o seu inveterado vício de arrancar o couro da população, não mereceria um prêmio por suas atividades. No entanto, não é essa a opinião do ministro Paulo Bernardo.

No último dia 18, o Ministério das Comunicações divulgou decreto isentando “as empresas, a maioria estrangeira, do pagamento do PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A pretexto de investir em infraestrutura, as teles exigiram a desoneração de tributos. Além das desonerações, o presidente da Anatel, João Rezende, sinalizou na terça-feira (19) premiar as teles com isenção das multas por má prestação de serviços: ‘Colocaremos sete metodologias de aplicação de multa em debate. Entre elas, a possibilidade de reverter as multas em investimentos, mas só em março isso só deverá ser colocado em consulta pública’, disse João Rezende, durante o Seminário Políticas de Telecomunicações” (v. HP, 20/02/2013).

 

REMESSAS

 

Para que servirá isso, senão para aumentar as remessas de lucros e as importações? Como escreveu Gustavo Gindre, em outubro do ano passado:

“… a Vivo (com ações vendidas na Bovespa) segue sendo uma empresa lucrativa. Mas, o mesmo não ocorre com sua matriz espanhola (onde funciona com a marca Telefónica) e nos demais países europeus (através da marca O2). A empresa deve US$ 58 bilhões, sendo US$ 15 bilhões com vencimento nos próximos dois anos. E não para de encolher em sua terra natal, graças à crise que destrói a economia do país. Nos últimos tempos a Telefonica tem feito tudo para conseguir recursos. Vendeu sua participação em uma operadora chinesa e a totalidade da Atento (gigante mundial do telemarketing). Bem como se prepara para ofertar em bolsa 23% da O2 alemã. O problema é que isso não parece ser suficiente. Enquanto sangra na Europa, a América Latina segue sendo a galinha dos ovos de ouro. (…) Ainda está vivo (sem trocadilhos) na memória dos paulistas os seguidos problemas do Speedy (…). Pois, é bom que o órgão regulador brasileiro fique de olho nos investimentos da Vivo, uma vez que as remessas de dólares do Brasil para a Espanha passaram a ser determinantes para o futuro da Telefónica“.

CARLOS LOPES 

2 horas atrás

Com lucro semelhante ao dos bancos, teles ganham isenção

por Betho Flávio
 

 

GLOBO

Com lucro semelhante ao dos bancos, teles ganham isenção

Ministro anuncia “desoneração” de R$ 6 bilhões

Somente entre 2005 e 2012, a receita líquida – ou seja, depois de pagos os impostos e feitos alguns descontos – dos monopólios de telecomunicações no Brasil montou a R$ 911 bilhões e 437 milhões, quase um trilhão de reais.

Os números de cada ano estão na Pesquisa Anual de Serviços do IBGE (e, no caso de 2011 e 2012, como ainda não foram publicadas as pesquisas do IBGE referente a esses anos, usamos os números do próprio balanço das teles).

Quase um trilhão de reais, depois de pagos os impostos. São esses pobres oprimidos e explorados pelos terríveis impostos que o Estado brasileiro lhes cobra, que o ministro Paulo Bernardo, na última terça-feira, resolveu “desonerar” em nada menos do que R$ 6 bilhões. Diz Bernardo que, com essa isenção de impostos, ele espera que as teles façam investimentos de R$ 18 bilhões até 2016.

O ministro deveria ler os balanços das teles. Saberia, por exemplo, que a Telefónica/Vivo declarou que fez investimentos de R$ 6,117 bilhões em 2012 – e, só nos últimos três anos (2010, 2011 e 2012), dizem os balanços, a Telefónica investiu, no Brasil, R$ 16 bilhões e 788 milhões! O mesmo, mais ou menos, fizeram as outras teles – no balanço.

Isso, sem qualquer “desoneração” de impostos. Então, porque precisariam de R$ 6 bilhões de isenção para – todas juntas e somadas – investirem apenas R$ 18 bilhões até 2016?

Sobretudo se considerarmos que, desde 1998 – ou seja, desde a privatização -, as teles receberam do BNDES, em financiamentos para investir, R$ 38 bilhões e 381 milhões.

Certamente que o investimento declarado pelas teles em seus balanços é uma farsa. Mas o próprio fato de declararem esses “investimentos” e mesmo assim lucrarem quase tanto quanto os quatro maiores bancos instalados no país, mostra que elas não precisam de “desoneração” alguma para investir – o necessário é que o poder público (o Ministério das Comunicações, antes de tudo) acabe com essa farsa.

Porém, se elas não investiram foi porque sua opção preferencial é aumentar os lucros para remetê-los ao exterior. Entre 2002 e 2011 as remessas de lucros oficiais(ou seja, declaradas oficialmente) das teles para suas matrizes aumentaram 1.099,51%. Mesmo em 2012, ano em que elas diminuíram um pouco, atingiram US$ 1,027 bilhão (1 bilhão e 27 milhões de dólares), sem contar os pagamentos de empréstimos intercompanhias e outros artifícios para enviar lucros sem declará-los.

No entanto, o próprio ministro Bernardo declarou que as teles estavam “retardando” seus investimentos. Como “retardando”? E os balanços que elas publicaram? Será que o ministro acha que os investimentos que constam dos balanços das teles não são reais? Não acreditamos…

Porém, em vez de responder a um inquérito policial, as teles receberam R$ 6 bilhões em isenção de impostos, mais a promessa de acabar com o regime público  na telefonia (apesar de que, segundo o ministro, “isso não foi conversado com a presidente Dilma e precisamos da autorização dela para tocar pra frente”) e, ainda por cima, Bernardo falou em recursos do PAC para investir em redes de fibra ótica. Que redes? Somente pode ser a rede das teles, pois a do governo já existe há muito – e as teles, há muito, querem usá-la.

A “desoneração” do ministro Paulo Bernardo, portanto, é um plano para substituir a rede de cabos de cobre das teles por redes de fibra ótica, às custas do Erário, ou seja, do distinto público. Em vez delas gastarem uma parte dos seus lucros (só o lucro líquido da Telefónica, em 2012, foi mais de R$ 4 bilhões), gastarão dinheiro público – os impostos que não pagarão ao Estado.

Isso, na melhor das hipóteses. Podem, também, embolsar essa “desoneração”, ou seja, aumentar sua margem de lucro à custa de não pagar impostos, e continuar declarando investimentos fantásticos em seus balanços.

Hoje, depois de tudo o que aconteceu desde 1998, ninguém duvidaria dessa possibilidade – exceto alguma besta, que sempre as há por aí.

O plano do governo Lula, elaborado pelo engenheiro Rogério Santanna, primeiro presidente da Telebrás após sua reativação, era utilizar a rede de fibras óticas das estatais – especialmente a Eletrobrás e a Petrobrás – para universalizar a banda larga. Em suma, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) partia do reconhecimento de que as teles, com seus preços extorsivos e sua concentração nos aglomerados de maior renda do país,  eram incapazes de universalizar até mesmo a telefonia fixa, inventada por Antonio Meucci em 1856 – quanto mais a banda larga.

Como declarou o então presidente da Telebrás ao HP:

“Vislumbramos, então, a seguinte proposta: (…) Em lugar de carregar o passado, o cabo de cobre, todas as tecnologias antigas, nós podíamos usar essa infraestrutura [de fibras óticas estatais] para criar uma rede independente – deixar as teles com a rede delas e criar uma rede neutra, pública. A partir de uma tecnologia mais nova, mais barata, gerar essa rede neutra e vender serviços só no atacado” (HP, 22/10/2010, entrevista de Rogério Santanna).

A venda de serviços no varejo (a chamada “última milha”, a conexão até a casa ou estabelecimento do usuário) seria feita por empresas nacionais privadas. Como disse Santanna, “não precisamos fazer a ‘última milha’, porque os pequenos provedores associados podem fazê-la, e nós vamos gerar milhares de oportunidades de negócios que hoje são reprimidos”.

O que fez Paulo Bernardo foi acabar com o PNBL – em primeiro lugar, amofinando a presidente Dilma para demitir o seu criador da presidência da Telebrás. O objetivo de Bernardo era – mas, hoje, é mais – evidente: privilegiar as teles, uma quadrilha de monopolistas que nem mesmo construiu suas empresas: pelo contrário, receberam de presente o resultado de décadas de esforço do povo brasileiro. E, para quem estranhe esse “de presente”, lembremos, além do patrimônio dessas empresas, que, na época da privatização, Aloysio Biondi demonstrou que o governo Fernando Henrique gastou mais na “preparação” das empresas estatais de telecomunicações para privatizá-las, do que recebeu por elas. Estamos nos referindo, é natural, ao que foi recebido legalmente.

CARLOS LOPES

2 horas atrás

O cansaço do filósofo esloveno

por Betho Flávio
 

Em conversa com o Jornal do Commercio, o filósofo esloveno diz que procura mostrar agora seu trabalho mais teórico e que o momento é de pensar a crise.

 

“Eu acho que mais do que nunca a ideologia é hoje parte da nossa vida cotidiana”, diz Zizek

Conhecido como polemista e figura midiática, Slavoj Zizek está cansado de falar da cultura pop. Cada vez se vê mais como um filósofo – ainda que um filósofo pouco convencional, de ideias ousadas e quase contraditórias.

JC – Seu trabalho passa por diversos campos teóricos, da teoria cultural ao multiculturalismo. O que, para você, o faz tão lido em diversos círculos acadêmicos?
SLAVOJ ZIZEK – Bem, eu conecto algumas semiteorias, como as de Hegel, as de Jacques Lacan e a crítica de Marx da ideologia com elementos da cultura popular, referências ao cinema, entre outros. Eu dei a psicanálise, junto com alguns amigos, uma orientação diferente. Lacan, quando eu e meus amigos começamos a trabalhar, era visto em geral como um psicanalista crítico, um pouco ligado à teoria da cultura, mas não como alguém cujo trabalho cria referências para o campo político. Existe talvez outro aspecto: eu – e é por isso que eu tenho vários opositores – provoco, quebro posições estabelecidas. Por exemplo, você mencionou o multiculturalismo. Eu sou completamente contra o tema do multiculturalismo, do establishment cultural. Eu resisto em absoluto a ser parte do multiculturalismo. Eu disse em um ensaio meu de dez anos atrás: o multiculturalismo é a principal ideologia do capitalismo tardio global. Eu não vejo nada de subversivo no multiculturalismo. Também não sou, definitivamente, parte do que é chamado de análise do discurso ou do desconstrucionismo francês de Michel Foucault e outros. Não! Eu defendo, se você quiser chamar assim, um retorno à grande metafísica. Mas, em algum momento, eu devo desapontá-lo: eu estou ficando um pouco cansado das análises culturais e políticas. Nos últimos anos, eu tenho retornado para o campo da pura filosofia. Estou ficando velho e acho que devo focar no que eu realmente tenho a dizer.

JC – Você se tornou uma figura midiática e já chegaram até a inventar uma amizade entre você e Lady Gaga. Isso atrapalha seu trabalho?
ZIZEK – Aquilo foi uma loucura! Eu simplesmente vivo no meu próprio mundo, sem ser afetado por toda essa estupidez. Eu ignoro isso. Eu sou uma pessoa extremamente solitária. Eu não vou a festas, eu não circulo por lugares. Para lhe dar uma ideia, nessa minha turnê pelo Brasil, sabia que eu não estive com outras pessoas? Não estive em nenhum almoço, jantar, ou evento social. Eu insisti nisto: eu faria palestras, daria, talvez, um número limitado de entrevistas, mas o restante do tempo eu iria ter todo para mim mesmo. Então, isso é absurdo, eu tenho uma vida muito privada.

JC – Você é um pensador que gosta de ir aonde o público está, de dialogar. Qual é o papel de um intelectual hoje?
ZIZEK – Tem algo que gosto de repetir: o grande papel dos intelectuais não é dar respostas. As pessoas me perguntam, por exemplo, sobre a crise ecológica: “O que devemos fazer?”. Eu não sei! A principal tarefa do intelectual público hoje, eu acho, é permitir, ou melhor, possibilitar que as pessoas pensem, fazer com que elas façam as perguntas certas. Eu acho que os problemas que nós temos hoje existem porque nós estamos fazendo as perguntas erradas. Nós entendemos qual é o problema real, mas a forma de formular o problema é falsa. Por exemplo, é só tomar o racismo, o sexismo, todos esses “ismos” populares de hoje. Ao menos no Ocidente, eles são traduzidos como um problema de tolerância, de que nós devemos ser mais tolerantes. Eu sou totalmente contra isso. Acho que isso é uma mistificação. Até escrevi um livro curto, lançado na Europa, com o título Elogio da intolerância. Outro exemplo é a ecologia. Todos nós sabemos que há um problema. Mas eu acho que o modo de formularmos o problema costuma ser errado. Por exemplo, todas essas coisas de que eu não gosto, mesmo em Evo Morales, as celebrações de alguma “Mãe Natureza”, com uma abordagem holística, e a visão de como o capitalismo a destrói e como nós a exploramos em excesso – eu não aceito de forma alguma essa visão. Qualquer celebração da natureza que leve em conta alguma ideia de “sabedoria” é, para mim, totalmente errada. Então, não é que eu ofereça respostas fáceis. Eu só quero que as pessoas vejam os problemas econômicos de hoje. Acho crucial convencer as pessoas de que o problema não são a falta de regulações do mercado, os banqueiros gananciosos ou seja lá o que for. O problema está no sistema. Estamos começando a perceber lentamente que existe algum antagonismo desequilibrado, uma falha de construção, por assim dizer, no nosso capitalismo global.

JC – Como se pode continuar a interpretar o mundo de hoje a partir do marxismo?
ZIZEK – Ok, essa é uma questão bastante complicada, mas a primeira coisa que eu diria é que nós, para continuarmos o trabalho de Marx, devemos realmente começar de novo e voltar nossas ferramentas críticas para o próprio marxismo. Claro que não se pode culpar Marx por Stalin ou coisas do tipo. Contudo, o fato é que a experiência comunista marxista global, a experiência de projetos políticos que foram inspirados pelo marxismo no século 20, é, basicamente, uma experiência catastrófica. E eu acho que nós devemos nos perguntar a seguinte questão: será que Marx foi pouco radical? O meu segundo movimento é, em dado ponto, retornar de Marx a Hegel. Eu acho que Hegel não foi um louco racionalista que pensava que na sua mente e na sua lógica ele podia deduzir tudo. Ele era bastante aberto à contingência da história. Nós precisamos disso. Nós precisamos quebrar essa visão marxista de que a história se move do capitalismo para uma ordem superior, o socialismo ou algo do tipo. A história é aberta, na minha opinião. De forma espontânea, ela provavelmente se move em direção a alguma catástrofe.

JC – E por que Hegel é tão importante para entender o mundo de hoje?
ZIZEK – Eu sou bem mais um pessimista histórico, por assim dizer. Eu penso a alienação não no sentido marxista, mas no sentido da não transparência da história. Você faz algo e o resultado é totalmente diferente do que você esperava; você planeja a libertação e o resultado é o terror e o horror. Eu acho que nós devemos ficar mais conscientes disso, dessa impenetrabilidade da história, de como tudo termina de forma diferente do que esperávamos. Hegel estava profundamente ciente disso. Novamente, toda a história da esquerda radical no século 20 demonstra isso. Olhe para a Revolução Chinesa. A maior revolução comunista terminou fazendo do Partido Comunista Chinês o mais implacável e eficiente regulador do novo sistema capitalista. Nós devemos nos preparar para essas surpresas.

JC – E qual é o papel de Lacan para ajudar a entender Hegel?
ZIZEK – Lacan é para mim especialmente importante. Por um lado, ele me dá conceitos para poder ler Hegel e também para compreender como a ideologia funciona hoje. É fascinante dizer hoje que, com exceção de algum louco fundamentalista religioso, nós não temos mais ideologia, somos todos cínicos pragmáticos. Mas não, eu acho que mais do que nunca a ideologia é hoje parte da nossa vida cotidiana. Na verdade, é uma parte até invisível.

JC – Em tempos pós-modernos, você procura trabalhar com a noção de totalidade, de uma teoria que dá conta de toda a sociedade, não é?
ZIZEK – Sim, eu recuso totalmente essa ideia pós-moderna de que não existem mais grandes narrativas, que tudo são só moléculas dispersas. Em todos os níveis, das teorias e da política, eu acho que nós devemos retornar completamente à ideia da totalidade. Eu rejeito totalmente essa ideia de que, como diz Emmanuel Levinas, a noção filosófica da totalidade prepara o caminho para o totalitarismo político.

JC – Esse é o problema que você vê em movimentos como o Occupy Wall Street e a Primavera Árabe?
ZIZEK – Eu não simplesmente os critico. Por exemplo, eu esperava o que aconteceu no Egito. Contudo, o resultado disso não é simplesmente zero. Ainda que agora nós tenhamos um pacto entre os militares corruptos pró-Estados Unidos e os fundamentalistas muçulmanos, não vamos esquecer que alguma coisa sobrevive dos protestos de dois anos atrás. O que ficou foi principalmente uma mobilização incrível da sociedade civil: mulheres, estudantes, sindicatos, etc. Isso é agora um fator bastante forte na vida política do Egito. E a luta não está terminada. Eu não sou simplesmente um pessimista, mas, se você me perguntar se eu vejo algum lugar a se chegar hoje, um movimento político com que eu me identificaria completamente, não há nada muito grande. O movimento de que mais me aproximo é o da Grécia, o Syrila, coalização radical de esquerda que quase ganhou a última eleição.

JC – E o que você vê de positivo no Syrila?
ZIZEK – É difícil entrar em detalhes, mas é esse o motivo: a esquerda até agora sempre foi cooptada pela divisão entre um realismo comprometido – das reformas, das pequenas mudanças feitas dentro do sistema, da busca por fazer o capitalismo mais socialmente sensível, etc -, e um dogmatismo de princípios, mas que é de fato impotente. Eles de certa forma superam essa cisão. Eles têm atitudes baseadas em princípios, contudo, ao mesmo tempo, são impiedosamente pragmáticos.

JC – Parte da sua notoriedade vem de suas palestras e discursos. Qual pensa que é a função dessas conferências?
ZIZEK – Para mim, conferências e palestras são puramente instrumentais. Eu quero levar as pessoas a lerem meus livros. É isso que é importante. Eu acho que eu não sou sequer muito bom. Nas conferências e, principalmente, nas minha entrevistas, eu apenas digo, de forma simplificada mas ainda confusa, o que está dito de forma bem melhor nos meus livros. Eu olho para isso de uma forma totalmente instrumental. Tudo que eu realmente tenho a dizer está nos meus livros.

JC – A teoria pode ajudar a mudar o mundo?
ZIZEK – Faço minhas obras pelo puro amor à filosofia, não para contribuir para a solução da crise da humanidade ou coisa do tipo. Eu sou, por assim dizer, um autor metafísico bastante tradicional. Eu acredito na teoria que serve unicamente a si mesma; você a faz porque ela é uma bela teoria. Mas penso também que esse tipo de teoria, a longo prazo, fornece os melhores resultados práticos. Quando você quer fazer uma teoria que vai servir imediatamente a um propósito social, ela vira uma teoria ruim que não tem efeito nenhum a longo prazo.

.Do Jornal do Commercio 

4 horas atrás

Evangélicos usam sex shop ‘gospel’ e esquentam a cama

por Betho Flávio
 

Evangélicos usam sex shop ‘gospel’ e esquentam a cama

Casais cristãos compram pela web artigos para apimentar a relação, como fantasias, jogos eróticos, algemas e massageadores

Rio –  Ao contrário do que muita gente pensa, evangélicos sabem muito bem curtir a vida a dois quando o assunto é sexo. Sex shops cristãos estão surgindo em todo o mundo, e o Brasil já tratou de inventar o seu. Fantasias, jogos eróticos, algemas e massageadores são alguns dos apetrechos usados pelos fiéis na hora de animar o casamento. E pela Internet eles sentem menos vergonha de comprar seus acessórios preferidos.

Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

Para o casal cristão Hugo e Lorena Brandão, de 28 e 27 anos, juntos há cinco e pais de bebê de 1 ano, usar brinquedinhos não é pecado | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

O idealizador do site brasileiro SexshopGospel, Maicon Santos, um solteiro de 30 anos, conta que se inspirou em páginas americanas para criar a versão tupiniquim. “A ideia surgiu ao ler livros evangélicos sobre sexo, divórcios e casamentos nas igrejas. Percebi a falta de ‘atrativos’ para ajudar na manutenção do relacionamento. Após pesquisas, descobri que já existem sites no exterior e adotei a ideia”, explicou o mineiro, que mora há 10 anos no Rio.

Maicon conta que o diferencial da sua empreitada está na venda de produtos para casais e produtos sensuais ‘leves’. “Não temos artigos sadomasoquistas, anais, nem homossexuais. O site já está no ar há um ano e vende bem”, anuncia Maicon, que é evangélico mas não frequenta a igreja. Entre os produtos mais vendidos no site estão vibradores, massageadores, bolinhas excitantes, fantasias e lubrificantes. Sobre as críticas, ele rebate: “São naturais do homem, até Cristo foi criticado.”

Para o casal cristão Hugo e Lorena Brandão, de 28 e 27 anos, juntos há cinco e pais de bebê de um ano, usar brinquedinhos não é pecado. “Tudo vale a pena com moderação. Fantasias, gel e algemas deixam o relacionamento renovado, surpreendem o parceiro”, acredita Hugo, que só não vê revistas ou vídeos pornográficos porque quer “sempre manter a esposa como foco principal do desejo”.

O pastor Daniel Lopes, da Assembleia de Deus de Rocha Miranda, encara com naturalidade a novidade, mas diz que ainda há limites. “Não vejo problema de casais casados comprarem artigos de sex shops, contanto que os dois concordem”, explica o pastor, casado há mais de 20 anos.

Tema não deve ser tabu, diz pastor

Para o pastor Daniel, o tema ainda é tabu por causa de pensamentos atrasados. “Existem muitas pessoas retrógradas, que não leem a Bíblia. O livro de Cantares mostra como deve ser uma vida a dois. O mais importante é que haja amor, compreensão, diálogo, sinceridade e respeito entre o casal. Não existe casamento perfeito, mas existe casamento feliz”, esclarece o religiosos, que libera jogos, óleos e uma lingerie especial para apimentar a relação.

A agente de viagens Aline Suzano e o militar André Sanches, ambos de 31 anos, são casados há três anos e não dispensam novidades que agitem a rotina. “Já usei óleos, balas, roupas, bolinhas. Só nunca usei vibrador porque acho muito estranho e acaba estimulando um sexo egoísta”, pondera Aline, que espera ver as igrejas tratarem o tema com mais abertura: “Nas reuniões de jovens que estão se preparando para se casar o assunto deve ser discutido”.

SITES GRINGOS

MY BELOVED’S GARDEN

“Yes even christians have sex” (Sim, até cristãos fazem sexo), é o que diz a página inicial deste site americano Mybelovedsgarden.net.

INTIMACY OF EDEN

Considerado o melhor deles, não vende “produtos ofensivos”, como pornografia explícita.

BOOK22

Primeiro site do gênero (www.covenantspice.com), o casal que fundou cansou de procurar turbinar a vida sexual e só encontrar pornografia. O item mais vendido é um vibrador rosa.

Do Jornal O Dia

4 horas atrás

A TEIMOSIA DE 50,6% DOS VENEZUELANOS: A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA SEGUIRÁ COM VITÓRIA DE MADURO

por Betho Flávio
 

A Venezuela está longe de ser a sucursal do paraíso na terra. Mesmo assim, ainda que por uma diferença pequena de votos, seu povo insiste em avançar na contracorrente das advertências oferecidas pela mídia brasileira e por seu colunismo isento, arguto e atilado.

Na Folha deste domingo, Eliane Cantanhêde, por exemplo, salientava que desde 1999 vem alertando para a crise final do processo bolivariano. E não é que passados 14 anos de erros e acertos, golpe de direita, sabotagens, cerco midiático mundial, 17 consultas eleitorais vitoriosas e a incerteza trazida pela dramática morte de Chávez, ainda assim, na 18ª ida às urnas, 50,6% votaram pela continuidade da luta, com Maduro? Por que tanta e tão longa insensatez? Alguns detalhes escapam –lá, como cá– aos analistas de larga visão: quase a metade da população urbana da Venezuela vivia entre a pobreza e a miséria em 1999, quando tudo começou.

 

Hoje, esse percentual caiu a 28%. Caracas é uma capital violenta, mas entre as 26 principais cidades da América Latina,é a que apresenta a menor taxa de desigualdade de renda. Na Venezuela, mais de 80% das residência são de propriedade dos seus moradores. Na prestigiada Colômbia, essa taxa é inferior a 50%. Cerca de 95% dos lares venezuelanos tem saneamento básico. São marcos de um processo inconcluso, que ajudam a entender a vontade soberana dos venezuelanos de continua-lo.

Carta Maior

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Venezuela: Revolução Bolivariana seguirá com vitória de Maduro

No pleito presidencial deste domingo (14), Nicolás Maduro, o candidato da Revolução Bolivariana venceu o direitista Henrique Capriles por 50,6 6% a 49,07%. A diferença é de cerca de 200 mil votos. O comparecimento às urnas foi de 78,71%. Os dados foram divulgados apenas com 99,12% das urnas apuradas, quando o resultado é irreversível, pela presidenta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibissay Lucena.

Por Vanessa Silva, de Caracas

Presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro – Foto: Joka Madruga/ComunicaSul

“Com a morte de Hugo Chávez, acharam que era o fim da história. Temos um triunfo legal, Constitucional, popular. São mais de 200 mil votos de diferença. Se tivesse perdido por um voto estaria aqui para assumir minha responsabilidade e entregar o cargo. Mas estou aqui para assumir a vontade do povo”, disse Maduro em seu discurso de vitória.

O presidente eleito pediu respeito, tolerância e disse que ele mesmo faz questão de que haja uma auditoria para que não sobre dúvidas sobre este processo eleitoral. O CNE anunciou que será realizada uma auditoria cidadã. Desta forma, a orientação é os comandos de campanha solicitem a auditoria de 100% dos comprovantes de votação.

O órgão eleitoral também sugeriu que os acompanhantes internacionais estendam sua estadia no país para acompanhar este novo processo.

Chávez invicto

“Não voltarão. Não voltarão. Não voltarão. Não voltarão”, bradaram as pessoas presentes no Balcão do Povo no Palácio de Miraflores, em referência à burguesia que dominou o país durante toda a Quarta República.

“Chávez segue invicto. E seu filho será presidente da República e vai mostrar do que é capaz, vai construir uma pátria de amor, de paz, de prosperidade”, vaticinou Maduro.

http://comunicasul.blogspot.com.br/

4 horas atrás

Requião diz estar “falido” e pede mais humor na blogsfera

por Betho Flávio
 
 
por Luiz Carlos Azenha 
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) sugeriu, durante o Segundo Encontro de Blogueiros, Redes Sociais e Cultura Digital do Paraná, que ativistas digitais e militantes políticos usem o humor, a ironia e o sarcasmo em seus espaços para desconstruir a mensagem da direita e enfrentar o pensamento único da grande mídia. Segundo Requião, blogs muito intelectualizados correm o risco de afastar novos leitores ou de falar apenas para os mesmos. A observação veio num dia em que vários participantes falaram sobre o risco de a blogosfera se tornar uma “igrejinha”. A blogueira Maria Frô, por exemplo, saudou a presença de militantes que vão organizar um encontro apenas entre blogueiros de saúde, em São Paulo, uma novidade que demonstra que mais e mais gente se apropria das ferramentas disponíveis no espaço digital para se organizar e reivindicar. 
Antes, o blogueiro Eduardo Guimarães demonstrou preocupação com o tema, lembrando que milhões de brasileiros já se informam prioritariamente pelas redes sociais e que o número de internautas cresce diária e velozmente. 
As mesas do encontro foram marcadas por outra constatação: a de que o poder da Globo e seus veículos associados vem crescendo no Brasil, ainda que o principal veículo das Organizações enfrente perda de audiência. É que, como lembraram Eduardo Guimarães e este que vos escreve, a Globo hoje se utiliza — com sua tradicional competência organizativa — de todas as plataformas de informação disponíveis para chegar ao público. 
Como exemplo, lembrei a notícia segundo a qual a emissora contratou mil artistas para participar das Fun Fest da Copa do Mundo, as festas que acompanharão os jogos nas cidades-sede em 2014. As Organizações montaram uma empresa de eventos exclusivamente para isso. Ou seja, a Globo ganha dinheiro com a transmissão da Copa, com os patrocinadores da Copa, com os jogadores da Copa, com a abertura da Copa, com os torcedores da Copa… 
Requião disse aos participantes que não acredita que o problema da imensa concentração midiática no Brasil — com certeza, uma das maiores do mundo — será enfrentado pelo governo Dilma, mesmo num eventual segundo mandato. O senador sugeriu que se faça uma tranfusão de 10% do sangue da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para sua colega brasileira Dilma Rousseff. 
Na Argentina, Kirchner conseguiu aprovar uma Ley de Medios que barra o avanço do grupo monopolista local, o Clarín, equivalente argentina das Organizações Globo. [Leia aqui sobre as leis de mídia na América Latina]
Requião, o tuiteiro mais influente do Senado brasileiro, disse aos presentes que cuida pessoalmente de sua conta no Twitter, mas que seu perfil no Facebook é administrado por assessores. Ele foi instado pela blogueira Maria Frô a investir mais no Face. O senador foi definido como um “meme vivo”. Memes são mensagens básicas, equivalentes a manchetes de jornais, que pela facilidade de compreensão e poder de fogo recebem grande número de compartilhamentos. 
O senador paranaense é reconhecido pelo estilo direto no Twitter:  Requião descreveu sua tentativa de aprovar no Senado uma lei que garanta o direito de resposta, que está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. Depois de receber apoio praticamente unânime, o projeto passou a enfrentar dificuldades, com o acréscimo de emendas que poderiam descaracterizá-lo. Algumas emendas vieram de senadores que anteriormente haviam dado apoio completo à ideia. O projeto deverá ser analisado na sessão da próxima quarta-feira, mas sem a presença de Requião, que estará no Paraguai como observador de eleições locais. 
Requião não especulou sobre se os senadores foram vítimas da chamada “síndrome de abstinência do Jornal Nacional”. 
Ao falar das dificuldades enfrentadas pela blogosfera, especialmente o cerco judicial — ele dividiu a mesa com o autor do blog do Tarso, multado em 106 mil reais pelo TRE-PR, a pedido do candidato Luciano Ducci, por colocar no blog uma enquete eleitoral –, Roberto Requião disse que chega aos 72 anos de idade “falido”, depois de ter gasto 800 mil reais com a Justiça. 
“Sou o político mais processado do Brasil”, afirmou, “mas nunca por corrupção”. Um dos processos, segundo o senador, foi movido por um político a quem denunciou por corrupção, que alegou que a sentença de condenação por falcatruas ainda não havia transitado em julgado. 
Outra ação, movida pelo Ministério Público Federal, diz respeito à TV Educativa do Paraná. Durante o governo estadual de Requião, a emissora transmitia a chamada Escola de Governo, na qual integrantes do Executivo estadual debatiam e prestavam contas sobre ações de governo. Em caso de condenação, Requião disse que teria de ressarcir aos cofres públicos — pelo tempo usado na TV Educativa — valores que ultrapassam “em mais de dez vezes” todo o seu patrimônio. 
Requião disse que, na época, entusiasmado com o programa Brasil Nação, que debatia temas nacionais na TV Educativa, chegou a procurar o ex-presidente Lula para sugerir que se fizesse o mesmo em nível nacional. O então presidente pediu que o então governador do Paraná fosse ao ministro da Casa Civil, José Dirceu. Procurado, Dirceu afirmou que o governo já tinha “sua TV”. Dirceu disse a Requião, segundo este, que era “a Globo”.

No encontro de blogueiros, o senador paranaense também se disse descrente dos partidos políticos brasileiros e criticou o governo Dilma. Segundo ele, a presidente está fazendo o que nem mesmo o tucano Fernando Henrique Cardoso fez em seus dois mandatos. Em caso de aprovação da MP dos Portos, que tramita no Congresso, o BNDES será autorizado a financiar a privatização (aqui, um discurso do senador a respeito do tema). 
Requião afirmou que Dilma só pensa na reeleição, não tem um projeto de desenvolvimento nacional coerente e apela às concessões à iniciativa privada numa tentativa de bombar o PIB. 
Questionado pela plateia, disse que não se trata de “correlação de forças”, nem de uma suposta aliança conservadora das bancadas ruralista e evangélica, nem do fato de que o PT não tem maioria no Congresso, ao contrário de forças políticas que sustentam ou sustentavam Hugo Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner ou Rafael Correa. As medidas conservadoras de Dilma, segundo Requião, são formuladas “na cúpula do governo”. 
Requião falou sobre a importância da coragem na política. Citou um exemplo caseiro. Foi quando, durante uma campanha eleitoral no interior do Paraná, criticou o projeto de uma estrada que destruia o meio ambiente e foi vaiado por eleitores (mais tarde, descobriu, obteve 72% dos votos na região). 
Apesar das críticas, Requião diz que se considera da base do governo e não vê opção para 2014. Sobre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a quem chamou de Dudu Beleza, o senador disse que “Eduardo está muito à direita, muito à direita” de Dilma. Sem entrar em detalhes, afirmou que um dos motivos para não apoiar o líder do PSB vem do fato de que ele, Requião, foi relator da CPI dos Títulos Públicos, popularmente conhecida como CPI dos Precatórios. Abaixo, uma entrevista em áudio com o senador e o registro, em vídeo, da mesa de sábado à noite do BlogProg do Paraná: 0314_162638 1 O post “Falido” aos 72, Requião diz que humor na blogosfera é essencial apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia. 
Fonte de áudio original (0314_162638-1.mp3) 
5 horas atrás

Google sofre pressão e vai mudar sistema de busca

por Betho Flávio
 

BRUXELAS – A Google apresentou uma proposta aos órgãos antitruste da União Europeia (UE) para encerrar as investigações sobre seu mecanismo de busca que, segundo rivais, seria danoso à concorrência. Na proposta, ainda sob sigilo, a Google concorda, pela primeira vez, em fazer alterações no seu sistema de procura, segundo o jornal britânico “Financial Times”, que teve acesso ao rascunho do acordo. O jornal americano “New York Times”, também citando fontes que falaram sob anonimato, informou no fim da noite de ontem que a UE aceitou o acordo.

A Google teria se comprometido a incluir, nas páginas de resultados de buscas, links para ferramentas rivais de procura na internet. Além disso, a proposta prevê que, na busca, fique mais claro quais resultados remetem a serviços oferecidos pelo própria gigante americana. A proposta foi apresentada após uma investigação de três anos que envolveu órgãos reguladores na UE e nos EUA, a partir de denúncias e ações de concorrentes na Justiça, entre eles a Microsoft, que acusam a empresa de desviar tráfego para seus próprios serviços e impedir a livre concorrência.

Empresas como Expedia, TripAdvisor e Microsoft têm pressionado a UE a denunciar formalmente a Google, em vez de apenas aceitar um compromisso de adequação voluntária oferecido pela empresa.

Páginas serão redesenhadas

Mas, segundo o “FT”, na proposta apresentada à UE, a Google estaria se submetendo a mudanças mais profundas do que as realizadas após a pressão do governo americano.

Na proposta de acordo com Bruxelas, a Google — que detém 90% dos serviços de busca eletrônica na Europa — se compromete a mostrar de modo mais claro aos internautas europeus quando o resultado da busca promove ferramentas do próprio site, como em restaurantes, serviços financeiros e compras. Assim, as páginas de resultados na Europa terão que ser redesenhadas e terão uma aparência bem diferente do restante do mundo.

Nas buscas sobre compras, nas quais varejistas pagam para que seus produtos tenham destaque, a Google passaria a apresentar links gerados por rivais.

5 horas atrás

Direita golpista é derrotada na Venezuela

por Betho Flávio
 
:  Eleição de Nicolás Maduro projeta a continuidade de regimes de esquerda na América Latina; nos últimos anos, com a riqueza gerada pelo petróleo, o regime de Caracas reduziu a desigualdade social e apoiou vários países da região, como a Bolívia, o Equador, a Argentina e, sobretudo, Cuba, além de El Salvador e Nicarágua; Maduro promete dar continuidade à Revolução Bolivariana, mas, sem o carisma de Chávez, terá que construir sua própria liderança; Capriles, no entanto, não reconhecerá o resultado 247 – Hugo Chávez acaba de vencer sua última eleição. Com os resultados oficiais divulgados na Venezuela, Nicolás Maduro, seu herdeiro político, é o novo presidente do país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo e, portanto, ocupa papel central na geopolítica global – e não apenas da América Latina. Maduro, segundo o primeiro boletim oficial, foi eleito com 50,66% dos votos, contra 48,3% do opositor Henrique Capriles e agradeceu a Chávez pela vitória. “Vou me entregar a Cristo redentor para ser presidente de todos e todas, e continuarei enfrentando os que odeiam para que deixem de odiar”, acrescentou. Ele ressaltou que está preparado para o que vier ao argumentar que “não é uma eleição pessoal”, mas de Chávez.  A vitória de Maduro é também decisiva para vários países da América Latina. Com recursos gerados pelo petróleo, a Venezuela não apenas combateu desigualdades internas (foi a país que mais reduziu o Índice de Gini na última década), como também apoiou regimes de esquerda em praticamente toda a América Latina. Chávez deu apoio decisivo à Argentina quando o país rompeu com o Fundo Monetário Internacional e também ajudou a eleger e a sustentar regimes como o de Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador e, sobretudo, de Raúl Castro, em Cuba, com a venda de petróleo subsidiado. Maduro, que foi chanceler de Chávez, deve manter a mesma política. Seu desafio será construir uma liderança própria, sem contar com o mesmo carisma do antecessor. A apoiadores, ele pediu “paz e tolerância”, conforme noticia o Opera Mundi: 
Falando a apoiadores no Palácio de Miraflores, em Caracas, o presidente eleito Nicolás Maduro pediu neste domingo (14/04) que a oposição reconheça o resultado e acenou à paz na Venezuela. Ele também prometeu dar continuidade ao processo político levado a cabo pelo falecido presidente Hugo Chávez e estabelecer um governo de “unidade”. 
Maduro derrotou Henrique Capriles, conquistando 50,7% dos votos, contra 49,07% do candidato opositor. “Saibam administrar o resultado, sem prepotência. Sem chamar à violência. Não! Não queremos violência. Pedimos paz e tolerância. Querem fazer auditoria? Bem vindos à auditoria. Confiamos no poder eleitoral da Venezuela”, afirmou Maduro. Setores da oposição solicitaram recontagem de 100% dos votos depositados neste domingo. “Eles tentaram iniciar a violência, mas nós não. O povo quer cantar pátria. Aqui estamos com a nossa fortaleza, para aguentar o que quiserem fazer com a nossa pátria. O juro no balcão do povo. Serei presidente da paz dessa pátria”, avisou Maduro.

Ele relatou que manteve uma conversa telefônica com Capriles pouco antes do anúncio do resultado. “Há duas horas, recebemos uma solicitação da MUD porque o candidato queria conversar comigo. Eu decidi receber a chamada, há meia hora, para escutá-lo. Somos democráticos e devemos defender esses princípios. Ele me transmitiu sua visão e eu, a verdade. Em primeiro lugar, há resultados. Há um poder eleitoral. Ele propôs que mandássemos gente ao CNE para fazer um pacto. ‘Não, que o CNE diga o resultado antes!’, disse. Propus que o poder eleitoral fizesse seu trabalho. Ele disse que ia pensar”, contou o presidente venezuelano. Segundo Maduro, Capriles teria dito que o chavismo precisava “levar em conta” os votos da oposição. 
“Vamos manter o país em dúvida por semanas? É brincar com a maioria” da população, respondeu o presidente. Ele em seguida fez um novo chamado à calma “Ao povo bolivariano e patriota, e aos que não votaram em mim, chamo à paz. Eles estão dizendo que ‘motorizados’ estão percorrendo lugares da oposição…que ninguém caia em provocações”, pediu. “Amanhã, a vida continua, o trabalho continua. A construção da pátria continua. E agora com mais avinco e amor pelo gigante [Chávez], continuou Maduro. “A luta continua, que não se equivoquem”, completou.

Próximos passos

De acordo com ele, que estava acompanhado de familiares próprios e de Chávez, além de políticos nacionais e internacionais, “a construção da pátria entra numa nova fase”, ressaltando que quer montar “um governo poderoso do povo. Uma nova, ampla, poderosa maioria da revolução bolivariana.”

Para Maduro, houve “uma vitória trabalhada, lutada, em meio a uma situação de muita dor”, e que agora deve ser iniciada “uma nova etapa da revolução bolivariana, de eficiência, honestidade absoluta, do poder popular.” Fiel a Chávez,  Maduro promete manter e aprofundar a chamada Revolução Bolivariana. Na última sexta-feira, ele publicou artigo no jornal inglês The Guardian a respeito. Leia, abaixo, reportagem do Opera Mundi sobre este artigo, em que ele explicita seus objetivos políticos: O presidente interino da Venezuela e candidato à Presidência, Nicolás Maduro, publicou nesta sexta-feira (12/04) um artigo em inglês no jornal britânico The Guardian no qual garante que irá dar continuidade ao processo revolucionário levado a cabo por Hugo  No texto, intitulado “Sob minha Presidência, revolução de Chávez irá continuar”, Maduro diz que “legado de Chávez é tão profundo que os líderes da oposição (…) agora defendem suas conquistas”. No entanto, pontua, os venezuelanos “se lembram que muitas dessas mesmas figuras apoiaram o fracassado golpe de Estado contra Chávez em 2002 e tentaram reverter políticas que reduziram dramaticamente a pobreza e a desigualdade”. “O mito difundido pela mídia de que nosso projeto político iria desmoronar sem Chávez foi uma má interpretação fundamental da revolução venezuelana. Chávez deixou uma sólida construção, com fundações amplas, com um movimento unido que apoia o processo de transformação”, afirma Maduro. “Perdemos nosso extraordinário líder, mas nosso projeto – construído coletivamente por trabalhadores, fazendeiros, mulheres, indígenas, afro-descendentes e a juventudo – está mais vivo do que nunca”, pontua o presidente interino. No plano internacional, continua o texto, a Venezuela irá continuar a “trabalhar” com seus vizinhos, para “aprofundar a integração regional e combater a pobreza e a injustiça social. É uma visão hoje compartilhada pela região, por isso minha candidatura recebeu apoio tão contundente de figuras como o ex-presidente brasileiro Lula da Silva e de tantos movimentos sociais latino-americanos”. Maduro escreveu que a América Latina está vivendo “uma segunda independência” política e social. “Sob a minha presidência, a Venezuela vai continuar a apoiar esta transformação regional e construir uma nova forma de socialismo para os nossos tempos”, diz o presidente interino. 

5 horas atrás

Direita não reconhece vitória de Madura e põe a Venezuela em clima de Guerra

por Betho Flávio
 

Por todo esse currículo e considerando que o processo eleitoral na Venezuela está dentro de um sofisticado plano golpista, que começou com a eliminação de Hugo Chávez através de um câncer produzido em laboratório,  tudo  pode acontecer nesse país que tem hoje a maior reserva de petróleo do mundo. E que exerce um grande influência na América Latina e entre os países da OPEP. Para o sistema internacional, Maduro não é o mesmo que Chávez, isto é, é mais vulnerável às pressões de uma elite que não engole o projeto do socialismo bolivariano.

Blog do  Pedro

Reação está dentro do plano golpista que começou  com o câncer de laboratório inoculado em Chávez

Nicolás Maduro é o novo presidente da Venezuela.  Às9h30 da noite, horário de Caracas, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou o resultado das eleições, que tiveram a participação de 78,71% dos eleitores, apontoando-o como irreversível. Lá o voto não é obrigatório.

Com 99,12% dos votos apurados, Maduro teve maioria absoluta, com 50,66% da preferência do eleitorado, ou 7.505.338 votos. O oposicionista Henrique Capriles tinha 49,07%, com 7.270.403. A diferença entre os dois candidatos era de 234.935 sufrágios.

O candidato da coligação oposicionista de centro-direita, Henrique Capriles Radonski, se pronunciou às dez da noite (hora de Caracas), afirmando que não reconhece a derrota até que seja feita uma auditoria voto por voto. Sua posição criou um clima de tensão e levou o comando das Forças Armadas a se manifestar, primeiro,  através do comandante militar estratégico, general Wilmer Barrientos, reafirmando seu apoio à manifestação do povo pelas urnas e à Constituição.

Mais tarde, já depois de meia noite, o ministro da Defesa, general Diego Molero, conclamou a todos a respeitarem os resultados eleitorais, reafirmando que as Forças Armadas bolivarianas estão unidas como guardiãs da Constituição e da vontade popular.

A atitude de Capriles de não reconhecer a derrota levou também a uma mobilização da militância chavisata, sob a liderança de Jorge Rodrigues, que lembrou a vantagem de menos de 30 mil votos que fez de Capriles o governador do Estado de Miranda, nas eleições de dezembro, em que os chavistas ganharam em quase todos os Estados. Disse que a atitude de Capriles já era esperada, dentro de um plano que poderia levar a um gesto extremo e que teve grande influência na campanha eleitoral.

Em seu discurso logo após conhecido o resultado oficial, Nicolás Maduro, que enfatizou sua origem proletária como motorista de ônibus, disse que enfrentou todo tipo de sabotagem na campanha, principalmente no corte de energia elétrica nas cidades onde foi fazer campanha. No dia da eleição sua conta no twitter foi invadida, numa sequência de vários ataques de hakers para desestabilizar sua campanha.

Relatou também que no próprio dia das eleições recebeu uma ligação do adversário Caprilles, propondo um pacto para que os resultados só fossem proclamados depois de uma segunda apuração manual.

Lembrou que 54% das urnas eletrônicas, escolhidas aleatoriamente são auditadas, mas se o Conselho Nacional Eleitoral quiser, apóia a auditoria em todas as urnas, sugerida pelo representante da oposição no CNE. Na Venezuela, ao contrário do Brasil, além do eletrônico, o eleitor imprime seu voto, confere e deposita numa segunda urna.

Enfatizou que em 14 anos de governo chavista, houve 18 consultas eleitorais e que em 2007, quando perderam um referendo por pouco mais de 20 mil votos, imediatamente o presidente Hugo Chávez reconheceu a derrota.

Assim, espera que a oposição respeite o resultado eleitoral. Mas já sentiu que não vai ser fácil. Quase todos os jornais da Venezuela e dos países vizinhos deram mais destaque à palavra de Capriles do que ao discurso do candidato vitorioso.

Maduro, líder sindical e ex-motorista de ônibus

O candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e presidente interino desde a morte de seu mentor, em 5 de março, iniciou sua carreira política longe dos quartéis, ao contrário de muitos dos homens que estiveram perto de Chávez em seus 14 anos de governo. Maduro foi motorista de ônibus e piloto de trem do metrô de Caracas, além de líder sindical. Conheceu o então tenente-coronel Hugo Chávez durante sua prisão, após o levante militar de 1992. Como muitos outros dirigentes de esquerda, buscou aproximar-se do oficial, que começava a surgir como liderança opositora. Foi nessa época que conheceu sua mulher, Cilia Flores, atual advogada-geral da nação e, em 1992, uma das defensoras de Chávez.

Maduro sempre foi um militante leal à revolução bolivariana. Hoje, atribui a ele tudo o que aprendeu sobre política. O atual presidente venezuelano nasceu em Caracas, numa família humilde que vivia na favela de El Valle. Não tem estudos universitários, e sua falta de formação acadêmica é um dos pontos mais questionados de seu currículo pela oposição. Nos últimos dias de campanha, o candidato do PSUV cometeu alguns erros de geografia, o que redobrou os ataques opositores.

Durante todo o tratamento realizado por Chávez para combater um câncer diagnosticado em junho de 2011, Nicolás Maduro acompanhou o presidente e sua família. O então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, cargo para o qual foi designado em 2006, esteve com ele em Cuba e foi um dos poucos que tiveram acesso à intimidade do chefe de Estado. Aos 50 anos, Maduro tornou-se braço-direito do “comandante supremo” da revolução alardeada por Chávez e, em dezembro de 2012, foi escolhido seu sucessor.

Durante a campanha, Maduro recebeu o apoio de líderes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente argentina, Cristina Kirchner. O candidato do Palácio de Miraflores tem um excelente relacionamento com muitos governos da região, principalmente de Brasil, Argentina, Bolívia, Peru e Cuba, o que lhe garante um importante respaldo. E, internamente, ganhou o polêmico apoio das Forças Armadas.

De família poderosa, Capriles é um golpista por vocação

Nascido em 1972, Henrique Capriles Radonskyvem de uma das mais poderosas famílias venezuelanas, que se encontra à frente de vários conglomerados industrial, imobiliário e midiático, além de possuírem o Cinex (Circuito Nacional de Exibições), a segunda maior cadeia de cinemas do país.

Sua família é proprietária do diário Últimas Notícias, de maior difusão nacional, além de cadeias de rádios e um canal de televisão.

Nos anos 80, militou no grupo de extrema direitaTradição, Família e Propriedade.

Em 2000, fundou o partido político Primero Justicia,com o conservador Leopoldo López, e se aliou aoInternational Republican Institute, braço internacional do Partido Republicano norte-americano. O presidente norte-americano à época era George W. Bush, que ofereceu um amplo apoio à nova formação política que fazia oposição a Hugo Chávez, principalmente mediante o NED (National Endowment for Democracy).

Uns dias antes do golpe de Estado de 2002, Capriles foi à televisão para exigir a renúncia de Hugo Chávez, dos deputados da Assembléia Nacional, do Procurador-Geral da República, do Defensor do Povo e do Tribunal Supremo de Justiça. Após o golpe de 11 de abril, a primeira decisão da junta golpista foi precisamente dissolver todos esses órgãos da República.

Em abril de 2002, o Primero Justicia foi o único partido político a aceitar a dissolução forçada da Assembléia Nacional, ordenada pela junta golpista de Pedro Carmona Estanga.

Durante o golpe de Estado de abril de 2002, Capriles também participou do assalto à embaixada cubana de Caracas, organizado pela oposição venezuelana e pela direita cubano-americana.