20 minutos atrás

No encerramento da campanha: chavista lotam sete avenidas de Caracas

por Betho Flávio
 
Do Evidentemente »

A Avenida Bolívar, onde foi armado o palanque. Maduro no destaque. Uma das consignas: “Os que querem pátria e os que querem futuro, venham com Nicolás Maduro” (Fotos de sítios da Internet)
É impossivel mostrar numa foto a enorme área tomada pela “maré vermelha”

De Salvador (Bahia) – Esses chavistas são uns exagerados. Sete avenidas. Lotar sete avenidas da área mais central de Caracas, no encerramento da campanha eleitoral. Eu estava lá no dia 4 de outubro do ano passado, uma quinta-feira como agora, no dia 11 de abril. No domingo seguinte, 7 de outubro, seria a segunda reeleição de Hugo Chávez. Agora, no domingo, 14 de abril, deve acontecer a eleição de Nicolás Maduro, “filho de Chávez”, indicado por Chávez como seu candidato, no caso – acontecido – de sua “falta absoluta”, de sua morte.

Sete avenidas, um exagero. Primeiro, a Avenida Bolívar. Vou lembrar as outras: México, Universidade, Beralt, das Forças Armadas, tem mais duas, não estou seguro dos nomes: Lecuna e Urdaneta (vou checar no Google: bingo, acertei). Tudo ali pela região mais ou menos próxima do centro, mas são vias compridas. Imagino que tenha sido mais ou menos igual, imagino, e vi e li pela Internet. No 4 de outubro, tentei checar, mas é uma área muito grande, um “mar de gente”, como diz a imprensa chavista, ou uma “maré vermelha”, a grande maioria de camiseta vermelha. Achei que duas das sete avenidas não estavam tão cheias, mas, pra ser honesto, havia as transversais e praças na circunvizinhança onde circulava muita gente. 

“Mar de gente” anti-chavista encheu também a Avenida Venezuela, na capital do estado de Lara, onde Henrique Capriles fez o encerramento de sua campanha

Realmente um exagero. Uma irmã minha que costuma ler meu blog comentou comigo: esse povo da Venezuela só anda nas ruas, já os brasileiros… pois é. Henrique Capriles Radonski, o candidato opositor, “da direita”, “da burguesia”, como dizem lá, contentou-se em encher uma só avenida, a Bolívar: o fez no domingo anterior ao 7 de outubro, 30 de setembro, e repetiu a dose agora, no último domingo, 7 de abril, marcando o encerramento de sua campanha eleitoral na capital. Como na eleição passada, Capriles fechou – também na quinta como Maduro, dia 11 – sua campanha (a campanha geral, vamos dizer assim pra diferenciar) no interior do país, desta vez em Barquisimeto, capital do estado de Lara, onde seus seguidores lotaram a Avenida Venezuela. (Lara é um dos três estados – dentre os 23 – governados pela oposição).

Um detalhe deste fecho de campanha é que se deu em 11 de abril, uma data notável na história recente do país: dia do golpe de Estado em 2002 que deixou Chávez fora do governo 48 horas. No dia 13 o povo nas ruas e militares fiéis a Chávez botaram ele de volta na cadeira presidencial. Lá virou um ditado popular: “todo 11 tem seu 13”, pra dizer “quem dá também recebe”, que dito correspondente seria no Brasil? Tem aquela coisa da ação e reação na Física, mas não estou sabendo… Nos dias 11 e 13 de abril de 2008 eu estava em Caracas, sexto aniversário do golpe e do contra-golpe, há um documentário excelente a respeito: “A revolução não será televisionada (ou não passará na TV)”.

Maradona: “É uma honra poder seguir o caminho traçado por Chávez”

A novidade desta vez foi a participação no comício de Diego Maradona. Chutou bolas de futebol pra imensa platéia com sua famosa canhota e lembrou quando participou, ao lado de Chávez, da célebre concentração popular em Mar del Plata (Argentina), em 2005, quando foi enterrado o sonho neo-colonialista do império estadunidense de implantar a Alca, Área de Livre Comércio das Américas. Famoso o grito do líder bolivariano: “Alca, alca, al carajo!” Outra do saudoso Chávez: “Mar del Plata é o túmulo da Alca”. Memorável vitória latino-americana, na qual se destacaram também o nosso Lula e o argentino Néstor Kirchner. 

Maradona (ao lado de Maduro) visitando o túmulo de Chávez no Quartel da Montanha

Maradona também participou da cerimônia que vem sendo feita diariamente no Quartel da Montanha 4F (é o 4 de fevereiro de 1992, data em que os venezuelanos comemoram a rebelião militar que tentou tomar o poder na força, sob o comando do então tenente-coronel Hugo Chávez). Aí está o corpo do ex-presidente. Todo dia, às 16:25 horas (horário em que se deu a morte em 5 de março), é disparado um tiro de canhão em louvor ao líder socialista. 

Algumas das declarações do famoso craque argentino:

“Hugo Chávez mudou a forma de pensar dos latino-americanos, porque praticamente estávamos entregues aos EUA, por toda a vida, e ele nos meteu na cabeça que podíamos caminhar sozinhos. E por isso é tão querido e respeitado e para mim é uma perda enorme, para todos os que o conhecíamos e o queremos”.

“Continuamos na luta… Fisicamente ele não está, mas com Nicolás Maduro vamos seguir na mesma linha, de não deixar ninguém nos pisar. E acima de tudo as pessoas, nas urnas, este domingo, têm que reafirmar as posições de Chávez através de Nicolás, e dizer que isso continua. É uma honra poder seguir o caminho traçado por Chávez”.

Este vídeo foi postado no sítio da Venezuelana de Televisão (VTV – emissora estatal) com uma matéria que tinha como título: “O povo de Bolívar, Maradona e centenas de passarinhos dão as boas-vindas ao filho de Chávez no apoteótico encerramento da campanha” (o uso de “passarinhos” é devido à polêmica na abertura da campanha, quando Maduro declarou que sentiu a presença do espírito de Chávez através de um passarinho).  

Preparando futuros ministros do STF

por Gilmar Crestani
 

A ponte móvel é um ramo da teoria do domínio do fato…

Pela 1ª vez, engenharia tem mais calouros do que direito

Em cinco anos, número de ingressantes na área mais do que dobrou

Dados do MEC mostram que em 2011 foram 227 mil calouros; mesmo assim ainda há deficit de profissionais

FÁBIO TAKAHASHIDE SÃO PAULO

Pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro, o número de calouros em engenharia superou o de direito. A área agora só fica atrás de administração.

Os dados foram levantados pelo Ministério da Educação, a partir dos seus censos.

O aumento do interesse pela engenharia acontece num momento de deficit de profissionais na área, iniciado na década passada.

Em 2006, foram 95 mil ingressantes em engenharia (5% do total). Cinco anos depois, eram 227 mil (10%). Cresceram tanto o número de vagas públicas e privadas quanto o de candidatos.

Já a quantidade de calouros em direito recuou 4%.

A expansão do número de ingressantes em engenharia é um avanço, porém, ainda insuficiente para resolver a carência da área no país, afirma o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Primeiro, não é garantido que os novos ingressantes na área se formem. Levantamentos mostram que, atualmente, menos da metade dos calouros de engenharia consegue terminar o curso.

Em número de estudantes concluintes, direito segue à frente das engenharias.

Além disso, o deficit de profissionais ainda é muito superior ao volume de universitários concluintes. Foram 45 mil em 2011, ante uma necessidade de ao menos 70 mil novos engenheiros ao ano, de acordo com cálculos oficiais.

“Há uma mudança importante no sistema”, disse à Folha o ministro da Educação.

“Nas décadas com hiperinflação e baixo crescimento havia muitos conflitos. A área de interesse era o direito. Agora, há crescimento da construção civil, de obras de infraestrutura, de desenvolvimento tecnológico”, disse.

“Sabemos, por outro lado, que precisamos de mais engenheiros”, completou.

Para Roberto Lobo, ex-reitor da USP e consultor na área de educação superior, “o momento é positivo, mas os ganhos podem se perder”.

Lobo diz que há o risco de a evasão na engenharia crescer, pois, com o aumento no número de alunos, a tendência é que mais estudantes com dificuldades na área de exatas entrem nas faculdades.

“As escolas terão de se preocupar ainda mais em dar reforços de conteúdos básicos.”

Mercadante aponta outra dificuldade nos cursos. “São muito teóricos. O aluno fica anos sem ver nada de engenharia, são só cálculos, física. Muitos desistem.”

A pasta organizará fóruns para influenciar as instituições a colocarem atividades práticas nos primeiros anos do curso e a aumentarem os estágios aos estudantes

Filed under: Engenharia Tagged: Direito  

UNIVERSIDADE E IMBECILIZAÇÃO CULTURAL

por Alexfig
 
 
Por Alexandre Figueiredo

Há um bom tempo, o ensino superior do Brasil apresenta sérios problemas, e com a crise educacional dos dias de hoje, somada à mercantilização do ensino em geral, as universidades de hoje mais parecem cursos secundários, diante da formação cultural ainda precária que exerce sobre nossos estudantes.

Um episódio que caiu no esquecimento foi a farra de estudantes de uma Faculdade de Medicina em Londrina, Paraná, ocorrido em 13 de dezembro de 2008. Eles saíram de uma bebedeira em algum bar para entrar num hospital totalmente embriagados. O episódio gerou um escândalo na época e os estudantes, ao que parece, haviam sido punidos.

Recentemente, porém, uma outra farra ocorreu entre os universitários, só que sem causar o menor escândalo. Estudantes do curso de Estudos de Mídia e Cultura da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal Fluminense escolheram a funqueira Valesca Popozuda como patronesse para sua formatura, há poucos dias.

O episódio bastante tendencioso não só recebeu o apoio da classe acadêmica como fortaleceu a já dominante demagogia dos pretensos ativistas do “funk carioca”, que aproveitaram desse sensacionalismo acadêmico para fortalecerem seu poderio midiático e criar reserva de mercado em Niterói.

Afinal, a cidade é o local de origem do MC Federado & Os Lelekes, hoje empresariado pela Furacão 2000 e apadrinhado pela Rede Globo. A emissora, que promove o Viradão Cultural, já jogou o inexpressivo MC Leozinho – um one hit wonderque o mercado força a barra para continuar fazendo sucesso – para o palco niteroiense.

ESTUDOS DE MÍDIA QUE NADA ESTUDAM

Problemáticas sem problemas. Debates que não debatem. Reflexões críticas que não refletem criticamente. E estudos de mídia que nada estudam. São simulacros de discussões que não debatem, não questionam, só servem para reafirmar o estabelecido através de discursos intelectualoides e prolixos.

O “funk carioca”, com seus empresários riquíssimos, anda comprando a classe acadêmica a varejo e atacado. O ritmo que sempre se alimentou com jabaculê e que cresceu com o apoio das Organizações Globo sempre quer dar a falsa impressão de que não tem a ver com a grande mídia e tenta seduzir a opinião pública com seu falso ativismo.

Toda essa propaganda é feita de forma insistente, para fabricar um “consenso” em relação ao ritmo, camuflando sua mediocridade artística, e fazendo com que a imbecilização cultural triunfasse mais uma vez, através da cooptação da intelectualidade.

DEDO DO PSDB E DO INSTITUTO MILLENIUM

O vínculo do “funk carioca” com o direitismo midiático pode não ser assumido nem observado por mentes pouco atentas, mas nem de longe pode ser considerado implícito. A situação é explícita e comprovada pelas associações notadas a partir de militantes funqueiros.

Se o discurso “socializante” que favoreceu o “funk carioca” já havia sido produzido pelos jornalistas da Folha de São Paulo e das Organizações Globo e propagandeado por celebridades e artistas que trabalham ou divulgam seus trabalhos na Rede Globo, a associação do “funk carioca” à mídia demotucana se estende até mesmo pela ligação de dois ativistas, um antropólogo e um dirigente funqueiro.

Hermano Vianna é claramente ligado a Fernando Henrique Cardoso, uma das figuras-chave do PSDB e do qual é vinculado academicamente o ex-presidenciável José Serra. Como antropólogo, era ligado diretamente a Gilberto Velho, do grupo da falecida Ruth Cardoso, que havia sido esposa de FHC.

Já MC Leonardo, por sua vez, é apadrinhado pelo cineasta José Padilha, dos filmes Tropa de Elite 1 e 2, co-produzidos pela Globo Filmes e colaborador do Instituto Millenium, a instituição intelectual que dispensa apresentações.

O “funk carioca” também recebe o apoio de gente como Nelson Motta, o antigo jornalista e ativista cultural hoje ligado também ao Millenium e colunista do Jornal da Globo comandado por William Waack, Gilberto Dimenstein, da Folha de São Paulo e Luciano Huck, apresentador e empresário amigo de Aécio Neves e Eike Batista. Portanto, com essa turma toda, o “funk carioca” nada tem de discriminado nem injustiçado.

ERA ISSO QUE O NEOLIBERALISMO QUERIA

Quanto à imbecilização cultural atingindo as universidades – nem é preciso comentar, aqui, sobre o tal “sertanejo universitário” – , ela tornou-se a realização tardia do desejo de políticos neoliberais e investidores do grande capital, que haviam apelado para golpes militares como o do Brasil, em 1964, justamente para enfraquecer as manifestações sociais, sobretudo estudantis.

As farras universitárias e os conchavos que dirigentes de grêmios estudantis fazem com empresas de música brega-popularesca para realizar as chamadas “choppadas” são uma prova que os universitários de hoje têm muito pouco compromisso, para não dizer nenhum, com a necessidade de evolução cultural do nosso país.

Mesmo nas universidades públicas, há medidas que tentam diluir e domesticar o ativismo acadêmico, sobretudo pelo patrocínio da Fundação Ford e do especulador financeiro George Soros, um dos astros do Fórum Econômico Mundial. Essas pessoas depositam dinheiro para as instituições acadêmicas e sociais brasileiras como forma de minimizar os efeitos e a envergadura do ativismo social no país.

Com isso, cria-se uma classe acadêmica comprometida apenas em manter o estabelecido, seja na economia, na política e na cultura. A influência de âmbito nacional do pensamento neoliberal da turma uspiana, a partir de Fernando Henrique Cardoso, é sintomática.

No âmbito da cultura, isso significa que a cultura popular, aquela manifesta com base do convívio comunitários e da expressão de saberes, foi jogada para escanteio, enquanto a pseudo-cultura brega-popularesca é creditada, tendenciosamente e através de todo um arsenal discursivo acadêmico e jornalístico, como o “novo folclore brasileiro”.

Isso influi na imposição de um pensamento único, no qual a “cultura de massa” é a única via “segura” para a perpetuação da cultura popular. Argumento hipócrita, mas verossímil. E que serve mais para perpetuar o mercado associado e garantir o enriquecimento dos empresários e barões da mídia associados.

Já os universitários de hoje carecem, e muito, da veia crítica que marcou a classe nos anos 60. O antigo discurso libertário, a busca de culturas e políticas de qualidade e mais próximas do interesse público, acabou, e hoje o que se vê é apenas uma busca por um lugar no mercado de trabalho, em detrimento de uma formação substancial de conhecimentos e aprendizados.

Daí o consentimento com a imbecilização cultural do qual o “funk carioca” é um dos exemplos mais típicos. O “funk carioca” glamouriza a pobreza e a ignorância, e faz clara apologia à miséria, desmobilizando as classes populares. Se o “funk” é apoiado por um grupo de formandos acadêmicos que deveria lutar pela melhoria sócio-cultural e combater a imbecilização, então é sinal que a cultura do país está no fundo do poço.

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