Maior parte dos filmes baixados no Vaticano é pornografia? Será mesmo?

por literatortura
 

 

Por Gustavo Magnani, 

Uma matéria, postada originalmente no yahoo, gerou um belo escarcéu nestes últimos dias. Aqui vai a postagem original:

Maior parte dos filmes baixados no Vaticano é pornografia

Em fevereiro, o site TorrentFreak divulgou que agentes no prédio do FBI estariam baixando filmes e séries piratas. Talvez fosse uma investigação em andamento, talvez não. Em um comunicado, o FBI disse que pirataria é crime e encerrou o assunto. Dessa vez, o TorrentFreak rastreou outros pontos de acesso e encontrou um local improvável como foco de downloads: o Vaticano.

Mas não eram seriados: a maioria dos arquivos baixados era de filmes pornográficos. Filmes como “Os Vizinhos”, “Toque” e “Lea Lexis and Krissy Lynn” aparecem tendo sido baixados pela “Holy See – Vatican City State” (Santa Sé – Vaticano). A maioria desses filmes tem como tema os fetiches sexuais de submissão, dominação, sadismo e masoquismo.

O rastreamento foi feito pelo serviço ScanEye, a pedido do TorrentFreak. No entanto, pode ser que os autores dos downloads não sejam bispos e cardeais. Há muita gente ligada à Igreja, como guarda-costas dos eclesiásticos, que têm acesso à cidade. Ainda assim, é curioso pensar que tantos filmes “profanos” sejam assistidos no coração da Igreja Católica. (vi na CNet e no TorrentFreak)

A matéria do yahoo deixa claríssimo que existe um dado divulgado pelo Torrent Freak que diz que a maior parte dos downloads no Vaticano são de filmes pornôs. Certo? Certo, é isso o que a matéria diz. É verdade? Não, não é verdade. Basta clicar nos dois links disponibilizados pelo PRÓPRIO Yahoo, que você verá que não há referência para isso. Está escrito, apenas, que filmes pornôs foram baixados, não que são a MAIORIA. Agora, se o site encontrou outra fonte que disponibilizou esse gráfico, não informou na sua matéria. E, a partir da fonte ORIGINAL (TorrentFreak), não há citação sobre pornografia ser a mais baixada no pequenino país do Vaticano. 

“Isso muda algo, Gustavo?!” Ô, se muda! A diferença entre “mais baixado” e “eventualmente baixado” é muito grande! A galera já estava generalizando, dizendo que “todos os padres com internet” baixam pornô e tudo o mais. Na matéria original, fica claro que os casos são exceções e é muito, muito injusto fazer generalizações. Outro detalhe importante:

A população do Vaticano é de aproximadamente 832 pessoas [vale lembrar que ele é o menor país do mundo, tanto em extensão, quanto em número de habitantes] e, nem todas são do clero, ou possuem “ligação oficial” com a Igreja Católica:

Estatística populacional da Cidade do Vaticano
Papa e Cardeais 74
Corpo diplomático da Santa Sé 306
Eclesiásticos e Religiosos (as) 50 (Cidadãos) e 197 (Residentes não-cidadãos)
Leigos (as) 56 (Cidadãos) e 24 (Residentes não-cidadãos)
Guarda Suíça Pontifícia 86
Fonte: Governo do Estado da Cidade do Vaticano – Dados estatísticos

Ou seja, não há como afirmar que o download de pornografia tenha sido por um cardeal, padre ou alguém à serviço do clero. Também não há como afirmar, segundo a postagem original, qual filme é o mais baixado ou não. Assim, a matéria do Yahoo comete uma grande injustiça sensasionalista – não gosto da palavra, mas… – com os integrantes do clero no vaticano.

Veja bem, não quero vitimizar ninguém, ou dizer que o vaticano está recheado de santos, que não fazem nada de errado. É claro que existem um zilhão de problemas, inclusive, já tratados no literatortura em outras matérias. Mas, se é para avaliarmos e criticarmos ações, seja da Igreja ou da Política, é importante que sejam reais, caso contrário, a crítica se desfaz em si mesma. 

Outro detalhe, não estou condenando o Yahoo ou o escritor da matéria, pois eu mesmo já cometi erros e injustiças – e depois me desculpei, logicamente -. Apenas achei justo usar do site para esclarecer alguns pontos do que vem sendo amplamente divulgado. Principalmente porque alguns leitores acreditam que existe uma viés “contra igreja”, tanto no literatortura quanto em outros sites da internet. E, quero deixar claro que, ao menos por aqui, isso é fantasia pra justificar a falta de argumentos em algumas discussões. 

Em suma, sim, pornografia foi baixada no Vaticano. Daí a inferir que foram padres e que são os filmes mais baixados, ou é má fé, ou é um engano perigoso. 

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Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

 

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5 horas atrás

Ernest Hemingway e o “conto mais curto do mundo” | #cantodoconto

por literatortura
 

 

Ernest Hemingway foi um escritor americano, nascido no fim do século XIX, que fez parte da chamada “geração perdida”, ao lado de nomes como Fitzgerald, Pound e T.S. Elliot. Autor de obras célebres como “O sol também se levanta” e “Por quem os sinos dobram”, Hemingway ficou conhecido por ter um estilo próprio de escrita, marcadamente conciso e seco.

O americano não desperdiçava palavras, e não floreava suas cenas desnecessariamente. Suas páginas são simples, sem adornos, e Hemingway não tenta tirar poesia de cada situação, exageradamente, forçadamente, o que acaba por permitir que a poesia surja naturalmente, de palavras cotidianas combinadas com uma narrativa eficiente e bem-cuidada.

Assim chegamos ao ponto principal: os contos de Hemingway. De modo geral, considero que são o que ele de melhor produziu. Digo isso precisamente por conta dessa concisão que caracterizava sua escrita. Os leitores da nossa revista provavelmente viram no texto acerca do conto, escrito pelo Gustavo, as características de concisão e tensão enfatizadas por Edgar Allan Poe. Esse é ponto assentado: o conto não desperdiça palavras e atinge seu efeito pretendido através da tensão advinda das poucas palavras.

Minha intenção aqui é a de mostrar por que considero Hemingway um ótimo contista, e é exatamente pelo que eu disse acima: sua concisão, sua capacidade de falar muito com poucas palavras e nos atingir em cheio. Por isso, não tive dúvida sobre que conto trazer. Bastante famoso, ele continua tão genial a cada vez que o leio:

Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

Pronto. É isso. Não acho que alguém vá perguntar, mas, já adiantando: não tem mais nada, nem precisa. São seis palavras que nos contam toda uma história de tragédia. Segundo a “lenda”, propuseram a Hemingway escrever um conto que não ultrapassasse 6 palavras. E ele assim o fez. Você imagina tudo que veio antes, o casal, a gravidez da mulher – quem sabe aquela tão esperada, desejada? -, a possível preocupação com o dinheiro – no fim eles vendem o sapato, não apenas jogam fora -, a felicidade de pensar na criança, todos os meses de gestação, o nascimento e, por fim, a morte. O bebê não teve nem a chance de usar o enxoval. E o peso da tragédia familiar é atirado em nós sem um mínimo de preparo.

Óbvio que, pelas características do conto, é possível imaginar a história de modo diferente, com exceção do final, que me parece bastante claro. Mas acho que todos vão concordar: é preciso uma capacidade imensa de concisão, e uma grande sensibilidade artística para escrever o que Hemingway escreveu. O conto mais curto que já li, e também um dos melhores.

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João Víctor O. Gomes é estudante de filosofia da UNB. Ocupa seu tempo livre tentanto descobrir a Pergunta Fundamental (a Resposta, nós já temos) sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais. Da filosofia e de seus livros adquiriu problemas de visão, nenhuma perspectiva de um futuro financeiro promissor e muitas dúvidas.

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5 horas atrás

Coréia do Norte e a Internet : a Transformação da Guerra em Piada.

por literatortura
 

 

Por Gabriel Barbosa Rossi, 

No final do mês de março, vimos através dos principais sites de notícias que a Coréia do Norte ameaçou atacar os EUA. O que provavelmente incitaria uma guerra resumida em uma palavra: desastre. Essa semana houve um anúncio que a mesma Coréia do Norte, além de envolver a Coréia do Sul no ataque, também colocou o Japão no meio da história. E finalmente, hoje a internet e a televisão foram presenteadas com uma nota de que a Coréia “envolverá o Japão em “Chamas Nucleares”, caso o país se envolva nos conflitos anunciados. É claro que o Japão respondeu que caso precise vai dar um tapa na bunda da Coréia do Norte.

A todo o momento chegam informações das agências de inteligência de Seul sobre movimentações feitas pelo país vizinho, podendo ou não ser consideradas ameaças de guerra. O estado de Alerta pelos países já foi dado e ao contrário do que dizem as redes sociais, (de que principalmente os EUA não têm medo), as vigilâncias estão prontas para qualquer indício de ataque.

O G8 e a ONU pedem que a Coréia do Norte evite atos provocativos. O ministro de segurança americano também disse que o lançamento de um míssil coreano seria um “erro”, mesmo com os EUA acreditando que há grande possibilidade disso acontecer em breve. A Coréia do sul também acredita que possa ser vítima de um míssil de médio alcance como demonstração de força.

Portanto, a não ser que “cão que ladra não morde” seja verdade, temos uma possível ameaça de guerra (3º Guerra Mundial?). Já que dois dos países “ameaçados” são duas grandes potências e a Coréia do Sul faz fronteira com o país “ameaçador”. Detalhe: mesmo que não morda, os EUA já anunciaram que esse tipo de ameaça não será “aceita” e afirmam também que os norte-coreanos querem alimentos, não um “líder que mostre seus músculos”.

A partir disso, principalmente da ultima afirmação, o mundo começou a falar sobre as reais intenções da Coréia do Norte, bem como a ameaça de guerra (ou não). Em um século, o mundo conheceu DUAS Guerras Mundiais, a guerra fria, as empreitadas dos Estados Unidos no Afeganistão e no Vietnã. Agora, no século seguinte, existe a ameaça de uma possível grande guerra, (talvez maior ainda se algum país de grande porte se aliar a Coréia do Norte, ou mesmo qualquer país) e o que é que o mundo faz? Dá risada!

Principalmente durante a primeira e segunda guerra mundial havia todo um medo da ideologia e da briga entre elas para mostrar qual grupo era o certo, quem era contra a liberdade ou quem era contra a opressão e vice e versa. É ai que surge a “propaganda de guerra”. Principalmente por parte da Alemanha, Rússia e EUA, isso somando as duas Guerras Mundiais. A propaganda geralmente mostrava como o inimigo era perigoso, que a guerra era um risco que os cidadãos livres não precisavam correr por conta de um país ou um grupo de países opressores, mas que mesmo assim deviam lutar para salvar sua nação.

Esses cartazes de propaganda surgiram como forma de informação sobre o que estava acontecendo, (um meio manipulador de informar, que nós já conhecemos bem) já que não havia TV ou Internet e os meios de informações eram mais… arcaicos?!

Havia cartazes de propagandas oficiais e não-oficiais e cartazes antes e depois do país que o produziu entrar na guerra. Mas uma coisa todos os cartazes representavam: o medo da guerra, a “vontade” de lutar e a “opressão sofrida”.

 Primeira Guerra Mundial:

O famoso Tio Sam

outro pôster norte-americano

Pôster alemão

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Segunda Guerra Mundial (Pôsters norte-americanos)

“Quebre o eixo com produção ininterrupta”

“Sua parte pode ajudar a deixá-lo maluco.”

“Não mate seu pai com fofocas”

Propaganda Nazista

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Alguém liga pra polícia da fronteira porque a internet não tem limites “pras zoera”!









 

[Fonte]

Com toda essa polêmica de possível guerra, vemos que a internet… ah, a internet é um monstro. A internet criou seus próprios cartazes de guerra não-oficiais. Que demonstram bem… que não há medo. Veja bem, eu não quero tirar a graça das piadas, porque, de fato, algumas são muito engraçadas. O negócio é que com a afirmação de que a Coréia do Norte é um exemplo de fraqueza, (justamente por ameaçar os EUA) sendo ridicularizada por ser peixe pequeno contra o tubarão americano. Porém, a Coréia do Norte tem arsenal nuclear, e uma, nem que seja uma bomba, faz um estrago gigantesco. Onde o próprio EUA afirmou que não permitirá que a Coréia do Norte se transforme uma potência nuclear (que é um dos motivos da ameaça ao Tio Sam).

Portanto, os reis da zoeira mostraram que a subjetividade da ideologia americana está implatada MESMO por trás desses eventos. Veja bem, se a Coréia do Norte é ridicularizada e dita como fraca, em contraponto, os EUA são tidos como fortes demais. Voltam aqui os velhos cartazes de guerra, reformulados pela orientação da nova cultura de que os EUA são oprimidos por um país tido como “alguém” que mal tem condições de oprimir outro país. Ou seja, não há por que temer, afinal, bocas serão caladas assim que abertas pela poderosa “América”.

Com a banalização da informação, que agora chega de forma rápida e acumulada, nada mais impressiona, nada mais é passível de alarde, tudo é teoria conspiratória.

A guerra no Afeganistão foi mostrada tão repetitivamente pelos meios de comunicação que se tornou algo banal, extremamente banal. Quem é que nunca ligou a TV na hora do almoço ou entrou no facebook e viu? “míssil americano bombardeia escola afegã”; “soldados americanos destroem ramificação de grupo terrorista”; “soldados americanos amam filhotinhos”.

O problema é que na verdade informação demais é informação nenhuma! A falta de curiosidade é o que muita informação traz.

Engraçado mesmo é como as relações humanas sobre eventos como a Guerra, passaram a ser interessantes apenas para quem está diretamente envolvido, e diretamente eu digo no modo mais literal, pois guerra é guerra, e em qualquer lugar que for, o mundo inteiro está envolvido. Morte é Morte.

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Gabriel Barbosa Rossi


Gabriel Barbosa Rossi cursa História pela UNIOESTE; Não, não sei todas as datas, Não sei todas as capitanias e seus donatários e muito menos se realmente Hitler se suicidou.

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7 horas atrás

Poemas inéditos de Fernando Pessoa serão publicados pela Revista Granta!

por literatortura
 

 

Por Gustavo Magnani,

A revista Granta é uma importante publicação literária de origem britânica, concebida em 1889, criada por estudantes da Universidade de Cambridge que, em seus primórdios, publicavam assuntos relacionados à universidade e política. Devido a dificuldades financeiras, a revista exportou-se para fora dos limites da faculdade, tornando-se uma revista feita por jovens escritores, como Paul Auster, Ian McEwan e Gabriel García Márquez.

A revista, originalmente em língua inglesa, passou a ser publicada em várias outras línguas, como espanhol, búlgaro, português (do Brasil), entre outras, desde 2009. Em maio desse ano será lançada a versão portuguesa, que contará com uma incrivel novidade: textos inéditos de Fernando Pessoa, prometidos pelo jornalista e responsável pela publicação Carlos Vaz Marques, de acordo com o jornal Folha de São Paulo.

Os textos inéditos são cinco sonetos de Pessoa, que ainda segundo o jornal, ilustram bem o início e objetivo da Granta de Portugal: lançar, semestralmente, textos inéditos de grandes autores, estejam eles vivos ou mortos.

 

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má perfil blog

Maria Carolina Dias, estudante de Letras na UFRJ. A única coisa que realmente queria na vida não pode mais ter: dividir uma cerveja com o Velho “Buk” (o escritor Charles Bukowski, vítima do terrível ano de 1994 que matou muita gente legal e trouxe alguém que pode não ser tão legal assim). 

a caça: o poder da histeria coletiva.

por Leandro Peixoto de Godoy
 

O filme dinamarquês A Caça de 2012, lançado no Brasil neste ano de 2013, nos alerta para o poder da mentira nesta cultura do medo em que estamos inseridos e até onde a histeria pode condicionar o imaginário transformando-o em algo real.

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2 horas atrás

meditações fotográficas

por Valéria Scavone
 

A primeira vez que me deparei com estas imagens tive que voltar o olhar e me cerificar que não se tratavam de pinturas. Feita majestosamente por Richard Tuschman, a série fotográfica intitulada Hopper Meditations é uma homenagem do fotógrafo ao artista plástico Edward Hopper.

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