Especialistas preveem queda da inflação nos próximos meses

por Nogueira Junior
 
 
Wellton Máximo, Agência Brasil   “Apesar do forte aumento no início do ano, com o estouro do teto da meta (6,5%) no acumulado de 12 meses, a inflação oficial não deve fugir do controle. Segundo especialistas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve arrefecer nos próximos meses, até encerrar o ano em níveis similares aos do ano passado.

Para os economistas, a possibilidade de o Banco Central (BC) reajustar os juros básicos da economia pela primeira vez em quase dois anos e as novas reduções de impostos anunciadas pelo governo contribuirão para conter os preços. No entanto, o fator decisivo que ajudará a segurar a inflação é o esgotamento das principais pressões sobre os índices.
Mais informações » 

Mais sobre PCs

por Jairo Marques
 

Nos últimos dias, a paralisia cerebral foi o destaque da minha labuta tanto com a história do “Marcão” (se não leu clique no bozo!),  como por meio da coluna que está abaixo deste post. 

A Rede Sarah de hospitais de reabilitação fez uma explicação bem didática e definitiva sobre tudo o que se refere ao mundo dos PCs. Quem quiser se aprofundar mais na temática, é só clicar na florzinha que levo “ceitudo” lá. 

O ponto que martelo bastante em relação ao universo da paralisa cerebral é a relação erronia que comumente se faz entre suas vítimas e a incapacidade intelectual.

Não que ser um deficiente intelectual tenha algum demérito, mas a associação pode determinar muito o futuro das pessoas, suas formas de serem educadas, preparadas para vida.

Dessa forma, convidei minha amiga de profissão, leitora fiel e empurradora oficial da Kombi rumo ao domínio do mundo Patrícia Passarelli, para dar uma aula definitiva sobre a questão.

Em tempo: A Paty tem passado por uns processos cirúrgicos reparadores na face que, em PCs, pode ficar modificada devido a alterações na formação do maxilar (me corrijam se estiver falando bobagem). O resultado tem sido “maraviwondefull”.

Acho que, no futuro, vou falar mais sobre isso aqui no blog!

Para muita gente, uma pessoa que caminha de uma forma meio “estranha”, faz movimentos “estranhos” na cadeira de rodas, que fala tudo meio enrolado e que até baba, do nada, assusta um pouco. Mais do que isso: parece, por esses fatores, ter, além da deficiência física, uma deficiência intelectual.

O que a maioria das pessoas não sabe é que essa gente “estranha” tem Paralisia Cerebral. Essa tal PC, que eu tenho, causa alterações no movimento e na fala. Dependendo de qual área do cérebro foi afetada, a pessoa pode ou não ter a parte mental afetada. A maioria – e é aí que eu tô incluída – não tem.

O “povão” não saca isso e, quando vê um PC, já começa a tratá-lo como se ele não entendesse o que acontece ao seu redor, como se ele fosse criança, como se ele fosse… um bobo da corte.

Ser tratado como criança, receber uma resposta em “alto e em bom tom”, ser ajudado de forma errada. Essas e várias outras situações foram – e são, ainda – bem comuns na minha vida. A vontade de “cair matando” em quem age assim é grande.

“Custa perguntar antes de agir?”, penso. A grande culpada disso é a falta de informação, a ignorância. Afinal, muito pouca gente sabe o que é Paralisia Cerebral e como é alguém com PC.

A fala de um PC, na maioria dos casos, é como a minha: meio prejudicada – há aqueles que não falam e os que falam normalmente. Por muitos serem também meio “babões”, como eu, o povo associa, muitas vezes, isso a uma deficiência intelectual.

A irritação é grande. Eu já passei várias vezes por isso. Antes, eu tentava explicar. Acho que cansei e, agora, às vezes, deixo pra lá.

Mas a ignorância de certas pessoas é tamanha a ponto de elas acharem que Paralisia Cerebral é algo contagioso, algo que se pega só de se olhar pra um PC. Já ouvi uma mãe dizer ao filho pequeno após este me ver e perguntar a ela o que eu tinha:

“Não olha, porque pega”. Naquele instante, eu apenas olhei para a mãe e, sem dizer nada, fui embora (pra quem não sabe, Paralisia Cerebral é uma lesão em uma ou mais áreas do cérebro do bebê. A lesão pode ocorrer quando o bebê ainda está no útero, no momento do parto – como foi o meu caso, que fiquei sem oxigenação no cérebro, a tal anóxia, por cerca de 12 minutos – ou até mais ou menos os dois primeiros anos de vida, quando o cérebro ainda está se desenvolvendo).

Não perdoaram nem quando eu estudava. Certa vez, no fim da aula de gramática do cursinho, o professor me faz a seguinte pergunta: “Você está conseguindo entender bem o que eu passo nas aulas?”. Eu, apesar de achar super estranha a pergunta dele – afinal, se eu tava lá é porque eu tinha terminado o colegial e queria entrar numa faculdade -, respondi que sim. Ele insistiu: “Mesmo?” e minha resposta continuou igual.

Meu espanto foi enorme, afinal, apesar da minha dificuldade para andar e pra falar, eu consigo compreender o que acontece e fazer perguntas se eu quiser.

Na faculdade, passei por algo que também me intrigou: a professora de Metodologia, no primeiro semestre de Jornalismo, me perguntou se eu tinha dificuldade em fazer provas dissertativas. Eu respondi que não. Mesmo assim, ela me aplicou uma prova só com questões de múltipla escolha. De certa maneira, entendo que ela queria me “poupar” de escrever muito. Mas me senti não excluída, mas tratada de uma forma diferente.

Tenho uma vida social normal. Viajo com os amigos, vou a churrascos da turma da faculdade, enfim, faço tudo o que uma pessoa de 24 anos faz. Nessas situações, não me lembro de episódios em que fui tratada como criança. Acho que quando as pessoas veem um deficiente convivendo normalmente com outras pessoas, a ficha “cai” e elas percebem que  PCs não são tão… bobos.

Ainda sobre os amigos, posso afirmar com segurança que eles nunca me trataram de uma forma diferente. Até fazem com que eu faça coisas que, por medo ou pelo simples fato de nunca ter tentado, eu não tinha feito antes. “Vamos lá, Pati. Tenta. Vai ser legal”. E eu, com eles, consigo, muitas vezes, arriscar.

Certa vez, num shopping próximo ao colégio onde eu estudava, assaltaram um banco. Rindo de nervoso, meu amigo me puxou para o chão. Já quase caí na faculdade, já caí na entrada de um bar. O bom é que até hoje essas situações, quando lembradas, rendem risadas gostosas.

Os olhares assustados (principalmente das crianças, curiosas por natureza) quando eu passo ainda continuam – assim como os tratamentos “diferenciados” que eu ainda recebo -, mas isso tudo já diminuiu bastante. Talvez as pessoas estejam mais “acostumadas” com as diferenças. Mas ainda há muito o que se mudar na mentalidade delas.

*Fotos de arquivo pessoal
Anúncios