Eliane Cantanhêde, aquela da gripe, agora quer juros altíssimos e diz que sabe tudo de tudo.

por Helio Borba
 
Eliane Cantanhêde Tudo de tudo BRASÍLIA – De um analista de poder: “Um problema da Dilma é que ela acha que sabe tudo de tudo, mas o pior é que a Dilma acha que só ela sabe tudo de tudo”. 
O autor do diagnóstico é do setor elétrico, área que alavancou a carreira política de Dilma: o seu cargo no governo gaúcho, o ministério no governo Lula e, enfim, a candidatura à Presidência. Mas o diagnóstico não é só para o setor elétrico, vale para “tudo de tudo”, como ele frisou. E tem sido um complicador, particularmente, na gestão da economia. 
O Brasil vive a curiosa situação de crescimento raquítico, com investimentos e indústria em baixa, ao lado de níveis pujantes de emprego e inflação preocupante. Com a palavra, o Banco Central, certo? Não, errado. 
Da mesma forma com que Dilma jura dar prioridade ao combate à inflação, mas os seus quatro anos de governo registrarão índices sempre acima do centro da meta, ela jura dar autonomia ao BC, mas há controvérsia. Ao se reunir com três grandes economistas a uma semana do Copom (que define a taxa Selic no BC), ela sinaliza que quem decide é ela. Se vai seguir o que os convidados disseram, são outros quinhentos. 
Dilma investe em pronunciamentos impecáveis pela TV para guerrear contra os juros altos e anunciar ora a redução da conta de luz, ora preços menores para a cesta básica. Não é fácil agora, politicamente, justificar aumento de juros, explicar quem afinal financia a luz mais barata e admitir que os produtos da cesta básica não caíram tanto assim. 
Como presidente, Dilma capitaneou ao máximo as quedas de juros. Como candidata, vai engolir um recuo. E agora, José? Ou e agora, João Santana? Camila Pitanga, que comemorava a queda dos juros na CEF, sumiu. Mas ninguém esqueceu. 
O BC, o mercado, os economistas e os acadêmicos sabem que não há alternativa: é subir os juros ou subir os juros, maior rigor fiscal ou maior rigor fiscal. Mas… é a Dilma que sabe tudo de tudo, certo?
5 horas atrás

Alckmin convida sigla de Feliciano para seu governo

por Helio Borba
 
Alckmin convida sigla de Feliciano para seu governo DANIELA LIMA DE SÃO PAULO O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai abrir espaço no governo de São Paulo para o PSC, partido do deputado federal Marco Feliciano, personagem central de uma crise na Câmara desde fevereiro, quando assumiu a Comissão de Direitos Humanos. 
Para Alckmin, os quase 40 segundos a que o PSC tem direito na propaganda eleitoral falaram mais alto do que a recente associação do partido com Feliciano. O ingresso da sigla no governo sela acordo para as eleições de 2014, quando o tucano tentará a reeleição. 
Segundo o presidente do PSC em São Paulo, Gilberto Nascimento, apesar de paulista, Feliciano não se envolve nas articulações da sigla no Estado, que seriam feitas apenas por ele. 
“Eu é que converso. Estivemos com o Alckmin em 2010 e voltamos a falar com ele agora”, afirma. 
O presidente do PSC não tem mandato. Ele será convidado a assumir o cargo de secretário-adjunto de Desenvolvimento Metropolitano. É evangélico, mas não é pastor. 
O PSC elegeu quatro deputados estaduais em 2010. Perdeu três para o PSB e hoje tem apenas um.
5 horas atrás

Feliciano não fala por nós, diz líder da Assembleia de Deus

por Helio Borba
 

Feliciano não fala por nós, diz líder da Assembleia de Deus

Camila Campanerut
Do UOL, em Brasília

  • Antônio Araújo/UOL Presidente do Conselho Eleitoral da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), pastor Antonio Carlos Lorenzetti, participa da 41ª edição da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil) Presidente do Conselho Eleitoral da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), pastor Antonio Carlos Lorenzetti, participa da 41ª edição da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil)

O presidente do Conselho Eleitoral da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), pastor Antonio Carlos Lorenzetti, diz que as declarações tidas como homofóbicas e racistas do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não refletem e não representam o pensamento geral dos fiéis e pastores da Assembleia de Deus, à qual o parlamentar é vinculado.
“Ele não espelha o pensamento geral dos evangélicos. Ele espelha o pensamento dele. Ele não fala por mim. Se ele quer pensar assim, eu respeito a opinião dele como respeito a de todos.”
Apesar da presença do parlamentar no evento da CGADB em mais de uma ocasião nesta semana, o pastor afirma o poder de influência de Feliciano é “nenhum” entre os 24.200 pastores inscritos na convenção dentro de um universo de 71.525 ministros.
“A influência do pastor Marco Feliciano, dentro da convenção, é nenhuma. O pastor Marco Feliciano não está nem inscrito para poder votar aqui na nossa convenção”, destacou o Lorenzetti.

Feliciano não tem poder de voto e foi à convenção apenas para “visitar amigos”.

Declarações polêmicas

O deputado é acusado de ter dado declarações consideradas racistas e homofóbicas, o que vem causando protestos para que renuncie à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
Feliciano já negou as acusações várias vezes. Ao ser eleito presidente da CDH, disse: “caso eu fosse racista, deveria pedir perdão primeiro a minha mãe, uma senhora de matriz negra.”
Sobre a acusação de homofobia, ele diz  que não é “contra os gays, sou contra o ato e o casamento homossexual”, afirmou em mais de uma ocasião.

Convenção Geral das Assembleias de Deus reúne pastores em Brasília21 fotos

1 / 21 A 41ª edição da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil) acontece em Brasília de 8 a 12 de abril. Durante o evento, pastores de todo ao país discutem questões internas, tratam de prestação de contas, realizam cultos e elegem uma nova Mesa Diretora e o Conselho Fiscal, incluindo presidente, cinco vice-presidentes, cinco secretários, dois tesoureiros e seis conselheiros fiscais (um por região do país). Duas chapas disputam as eleições: a “Amigos do Presidente” e a “CGADB pra todos”  Antônio Araújo/UOL

Outras vozes

A reportagem do UOL também conversou com outros pastores que participaram da votação nova cúpula da convenção e do novo conselho fiscal sobre as impressões das polêmicas que o parlamentar gerou desde o mês passado.
  O pastor Paulo Bom, de São Paulo (SP), defendeu que o deputado do PSC seja responsável pelo que falou e não os demais evangélicos. Ele ressalta ainda que “a igreja evangélica é liberal e que entra nela quem quiser [se referindo a negros e homossexuais]”.
Já Adelia Rodrigues, membro da Assembleia de Deus em Brasília (DF), disse acreditar que as afirmações de Feliciano “vêm sendo distorcidas e tiradas de contexto pela imprensa”. “A Bíblia é para os evangélicos como a Constituição Federal é para todos os brasileiros. Ele [se referindo ao deputado] está exercendo a função dele, o trabalho dele e seguindo a palavra de Deus”, afirmou.
O pastor Walter Santos, de Ponta de Pedras (PA), nega que as falas de Feliciano possam denegrir a imagem dos evangélicos.  “Ele [Feliciano] têm defendido o que somos, o que acreditamos. Não somos contra os homossexuais, mas contra os atos dele [de ter relação sexual com pessoas do mesmo sexo]”.

Convenção termina hoje

A edição deste ano da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), que acontece na capital federal desde o último dia 8, está prevista para terminar nesta sexta-feira (12). Ela tem como finalidade reunir pastores de todo ao país para discutir questões internas, tratar de prestação de contas, realizar cultos e tentar eleger uma nova Mesa Diretora e o Conselho Fiscal, incluindo presidente, cinco vice-presidentes, cinco secretários, dois tesoureiros e seis conselheiros fiscais (um por região do país).
O presidente do Conselho Eleitoral frisou que, ao contrário, do que se pode concluir a partir das falas de Feliciano, as igrejas evangélicas, em especial a Assembleia de Deus, é inclusiva.
“Ele esboçou a opinião dele numa palavra, num blog, em qualquer outro meio de comunicação, essa não é a imagem da nossa igreja. Ela não tem este sentimento. A Assembleia de Deus é inclusiva. Nós temos aqui uma infinidade de membros que são pessoas que já foram viciadas, já foram ladrões, já foram pessoas de bem, também, que mudaram de religião, que tem as profissões mais diversificadas do país: juiz federal, pessoas que vivem de catar açaí, pessoas humildes e instruídas”, detalhou. 
Questionado sobre o fato de Feliciano ter chamado seus antecessores na comissão da Câmara de “Satanás”, o pastor disse que o parlamentar fez uma interpretação um “tanto medieval” do caso.
“O que não é de Deus é do demônio. Isso é coisa da Idade Média, mas tem muita coisa do homem também. Então, não posso atribuir assim. Acho que é interpretação um tanto da Idade Média”, afirmou. “Ou ele teve uma interpretação equivocada [da Bíblia] ou o contexto que ele falou não se encaixa com a mensagem dele”, completou.

Negros e homossexuais

O pastor Antonio Carlos Lorenzetti afirmou que a Assembleia de Deus lida com a questão do homossexualismo de forma “natural”. “Nós temos pessoas que vem para a igreja, que assistem aos cultos, pessoas que se convertem, ocupam cargos na igreja”, destacou.
Já com relação aos negros, Lorenzetti destaca, inclusive, que a maioria dos fiéis é da cor negra. “Nós temos uma infinidade de negros na nossa igreja. Nós [integrantes da Assembleia de Deus] nunca pregamos que os negros são amaldiçoados nem mesmo que os homens brancos são melhore ou piores, nós pregamos que todos precisam de Deus”, resumiu o pastor.
Menos da metade dos 24 mil pastores inscritos no evento aprovaram nesta última terça-feira (9) o envio de moção de apoio a Feliciano pela sua manutenção como presidente da comissão. A previsão é que o documento seja entregue à presidente da República, Dilma Rousseff, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Mesmo sendo crítico a algumas interpretações apresentadas por Feliciano durante seus cultos, Lorenzetti defende que o deputado está sendo vítima de preconceito por ser evangélico.
“Ele [Feliciano] merece apoio. Por ser evangélico e pensar diferente dos outros, ele não é pior também que os outros. Ele não pode ser discriminado porque ele é pastor ou porque pensa diferente dos outros. Não é crime pensar diferente dos outros. Agora, fazer dele um monstro?” questionou.

5 horas atrás

Dilma manda pôr cerâmica em imóvel do Minha Casa

por Helio Borba
 
Dilma manda pôr cerâmica em imóvel do Minha Casa Medida pode atingir 400 mil unidades; governo estuda dar vale a famílias 
Na 1ª fase do programa, sob Lula, para reduzir custo, revestimento era colocado apenas no banheiro e na cozinha SHEILA D’AMORIM VALDO CRUZ DE BRASÍLIA O governo Dilma estuda conceder um “vale-cerâmica” às famílias que receberam imóveis a custo praticamente zero na primeira fase do programa Minha Casa, Minha Vida, medida que pode atingir mais de 400 mil unidades. 
A determinação veio da própria presidente Dilma Rousseff, após ela constatar que as residências não dispunham de revestimento cerâmico em todos os cômodos. 
As regras em vigor no lançamento do programa não exigiam a instalação de cerâmica em todo imóvel destinado a famílias com renda até R$ 1.395, mas apenas nas áreas molhadas, como banheiro e cozinha. Nessa situação estão 418.969 imóveis, contratados de 2009 a 2010. 
Agora, técnicos da Caixa e dos ministérios das Cidades e da Fazenda analisam como cumprir a ordem presidencial, viabilizando a colocação de cerâmica em todos esses imóveis, inclusive nos já entregues. Ainda não há estimativa de custo e muitos problemas foram levantados. 
A ideia inicial era que as construtoras fizessem o serviço e fossem remuneradas pelo governo com um acréscimo no valor do contrato original. 
Mas se questiona essa solução por causa dos transtornos para as famílias que já residem nos imóveis e também por dificuldades técnicas. 
Foi sugerido, então, que o governo adquirisse o material e o entregasse às famílias. 
Aí o problema apontado é que muitas já fizeram o serviço por conta própria e não precisam mais do piso. 
A proposta que vem ganhando mais força na área técnica é criar uma espécie de vale que cubra o custo de instalação das cerâmicas. Ele seria entregue a todas as famílias que já moram no imóvel. 
Para as unidades ainda em construção –estima-se que sejam apenas cerca de 50 mil–, as próprias construtoras providenciarão a colocação do revestimento. 
CUSTO MENOR
Na primeira fase do Minha Casa, sob Lula, o governo decidiu não exigir cerâmica em todos os cômodos a fim de baratear a construção dos imóveis que são bancados a fundo perdido pela União (as famílias beneficiadas pagam apenas um valor simbólico). 
Essa regra foi alterada em 2011, quando, já no governo Dilma, foram aprovadas as exigências para a construção de mais 2 milhões de imóveis, na segunda fase do programa. 
A decisão da presidente de rever o padrão estabelecido para os imóveis que foram contratados antes da mudança nas normas foi tomada após visita, no início deste ano, a um conjunto habitacional do programa. 
Ela foi levada a uma unidade preparada para receber a comitiva oficial, com cerâmica em todos os cômodos. 
O que os organizadores do evento não contavam era que a presidente pediria para ver o resto do conjunto habitacional e iria se surpreender ao comparar a qualidade das diferentes unidades. 
INDIGNAÇÃO
Dilma reagiu indignada e exigiu que todos os imóveis tivessem aquele padrão mais elevado. Aí começou a dor de cabeça dos técnicos do governo e das construtoras. 
O problema é que, dos 936.608 imóveis contratados dentro do Minha Casa 1, 418.969 foram destinados a famílias de renda até R$ 1.395, que, por não terem condições financeiras, recebem as unidades praticamente de graça. 
Nesse universo, 268.621 foram entregues e as famílias já moram nos imóveis. 
Para complicar ainda mais, das 150.348 unidades que não foram entregues ainda, a grande maioria já está pronta, faltando apenas desenrolar questões burocráticas, como registro em cartório, ou a instalação de energia e água para serem distribuídas. 
5 horas atrás

Ministro prefere Campos fora da disputa

por Helio Borba
 
Ministro prefere Campos fora da disputa 

JOÃO VALADARES 

Bezerra Coelho defende que o PSB apoie a reeleição de Dilma Rousseff no próximo ano (Ueslei Marcelino/Reuters - 13/11/12)  
Bezerra Coelho defende que o PSB apoie a reeleição de Dilma Rousseff no próximo ano

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), defendeu, ontem à tarde, durante a inauguração de um parque de energia eólica na Bahia, apoio do PSB à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Ele disse preferir que o governador de Pernambuco e presidente do partido socialista, Eduardo Campos, não lance candidatura ao Palácio do Planalto no próximo ano.

“Estamos trabalhando para aprofundar o debate no sentido de que a gente preserve essa aliança, que foi e tem sido tão boa para o Brasil, para o Nordeste e para Pernambuco, em particular”, declarou. Na entrevista, ao Jornal do Commercio, o ministro foi questionado objetivamente se preferia que Eduardo abrisse mão da candidatura. Respondeu, pela primeira vez, de forma direta: “Sim, claro. O momento é de dar sequência a essa aliança”.

Bezerra Coelho salientou que o debate em torno das candidaturas é natural. “É evidente que existe hoje um clima para se avaliar a candidatura própria do PSB. Existe espaço para debate, mas acredito que existe espaço para o entendimento no sentido de preservação da aliança (com o PT)”, afirmou. 

Desde o início do ano, cogita-se em Pernambuco que o ministro pode, inclusive, trocar o PSB pelo PT. Fernando Bezerra Coelho negou esta possibilidade. Para o governador Eduardo Campos, quanto mais tempo Bezerra Coelho permanecer no governo federal é melhor. Em momentos de maior tensão entre Campos e Dilma, o ministro tem atuado como um apaziguador e um canal permanente de diálogo entre os dois. 

O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), comentou que as declarações de Bezerra Coelho não atrapalham os plano da sigla para 2014. “É natural que Fernando diga isso, até porque ele é ministro da presidente Dilma Rousseff. Ninguém está discutindo, agora, a candidatura de Eduardo Campos. Essa discussão só será feita em 2014. Quando chegarmos lá, quem for do PSB vai apoiar a decisão do partido”, ressaltou.

O parlamentar salientou que não há desconforto. “Não existe nenhum desconforto nem quanto ao Fernando nem quanto ao Cid ou o Ciro Gomes.” Ao ser questionado se as declarações do ministro tinham relação com a disputa pelo governo de Pernambuco, o deputado comentou que é cedo para analisar os cenários. “A questão da candidatura ao governo de Pernambuco está sendo conduzida pelo próprio Eduardo. Temos várias opções. O próprio Fernando, o Armando (senador Armando Monteiro) e o João Lyra, atual vice-governador. Tanto a direção do partido quanto o líder da bancada continuam confiando em Fernando Bezerra. Ele foi o nome escolhido para representar o partido no Ministério da Integração Nacional”, concluiu. 

Colaborou Paulo de Tarso Lyra

“É evidente que existe hoje um clima para se avaliar a candidatura própria do PSB. Existe espaço para debate, mas acredito que existe espaço para o entendimento no sentido de preservação da aliança (com o PT)” 
Fernando Bezerra Coelho, ministro da Integração Nacional

5 horas atrás

A Folha tenta, mas o MPF não concorda

por Helio Borba
 

PF instaura inquérito para apurar envolvimento de Lula com mensalão

DE BRASÍLIA A Polícia Federal instaurou na noite de ontem um inquérito para investigar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve participação no escândalo do mensalão. A investigação ficará a cargo da delegacia de crimes financeiros.
Na semana passada, a Procuradoria da Republica do Distrito Federal havia determinado a abertura da investigação baseada no depoimento do operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério. 

Avener Prado – 26.mar.13/Folhapress
Ex-presidente Lula em evento que aconteceu em SP
Ex-presidente Lula em evento que aconteceu em SP

A PF fez uma análise da documentação enviada antes de abrir o inquérito, cuja portaria de instauração foi assinada ontem. O prazo inicial da investigação é de 30 dias. Se for necessário mais tempo, a Justiça terá que autorizar a prorrogação. 
É a primeira vez que será aberto inquérito criminal para investigar se Lula atuou no mensalão. 
No processo principal do escândalo, julgado no ano passado pelo Supremo, Lula não foi investigado. Ele prestou depoimento, por ofício, apenas na condição de testemunha chamada por diferentes réus do processo. 
O depoimento de Valério foi dado à Procuradoria-Geral da República em setembro do ano passado, no meio do julgamento do mensalão. 
Entre outras acusações, o publicitário afirmou que Lula, o ex-ministro Antonio Palocci e Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, negociaram repasse de US$ 7 milhões para o PT. 
Valério afirmou que o ex-presidente e Palocci reuniram-se com Horta no Palácio do Planalto e combinaram que uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, transferiria o valor combinado para o PT. 
O dinheiro seria usado em campanhas petistas e para comprar deputados, segundo Valério. 
No pedido enviado à PF, a Procuradoria solicitou “diligências” para averiguar até a exata data do encontro citado por Valério. Não há ainda previsão de quando depoimentos serão tomados, segundo a Folha apurou. 
O depoimento foi enviado para a primeira instância já que nenhum dos citados têm foro privilegiado. 
A Procuradoria da Republica do DF analisou o depoimento de Valério e, a partir daí, abriu seis procedimentos criminais. Um desses procedimentos foi, agora, transformado em inquérito. Os outros são preliminares e podem ou não ser transformados em investigações policiais. 
Condenado a 40 anos de prisão no julgamento do mensalão, Valério fez outras acusações no depoimento, como a de que Lula se beneficiou com recursos do esquema. O petista sempre negou. 
Na sexta-feira, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, afirmou que “não há nova informação em relação às publicadas há cinco meses”, quando o depoimento de Valério foi remetido à primeira instância. Lula não quis se pronunciar em viagem à Inglaterra esta semana. 
Advogado do ex-ministro Palocci, José Roberto Batochio chamou o depoimento de Marcos Valério de “invencionice” e negou a existência do encontro no Planalto.

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