Dilma enfrenta exército pró-juros organizado

por Nogueira Junior
 
 
Pode ser pura coincidência, mas, ontem, os três principais jornais do País deram manchetes idênticas sobre inflação; nesta sexta, dos três jornalões, dois voltaram a se repetir, batendo na tecla dos preços às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária; a dúvida é: Dilma irá se curvar à pressão organizada dos meios de comunicação, que parece ter um comando central, ou recomendará cautela ao Banco Central, diante dos sinais contraditórios da economia?; em editorial, Folha e Estado pedem juro maior 
Brasil 247 
Será que existe um comando central, alinhado e coeso, definindo as manchetes dos principais jornais do País, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária? Pode ser que sim, pode ser que não, mas o fato é que nunca houve tanta coincidência e tanta convergência entre os jornalões. Ontem, quinta-feira, os três principais jornais do Brasil, deram destaques idênticos ao mesmo tema, conforme abaixo: 
Inflação passa teto da meta e juro pode subir – O Globo 
Inflação passa teto e cresce pressão por alta de juros – Estado de S. Paulo 
Inflação estoura meta, e governo prevê juro maior – Folha de S. Paulo 
Nesta sexta, de novo, novas repetições: 
Alta dos preços já derruba vendas em supermercados – O Globo 
Alta de alimentos derruba vendas de supermercados – Folha de S. Paulo 
É por essas e outras e outras que os jornais tradicionais muitas vezes são rotulados como um integrantes de um suposto PIG, Partido da Imprensa Golpista, como se fizessem parte de um partido único. E é também por isso que tantas vozes gritam por um processo de democratização dos meios de comunicação.” Matéria Completa, ::AQUI:: 
37 minutos atrás

O fado fúnebre que ensurdece o Brasil

por Nogueira Junior
 
Carta Maior 
“A ortodoxia está matando nações na Europa. O desemprego passa de  17 milhões de pessoas. Na Espanha, 26% da infância encontra-se  enredada na teia da pobreza, que recobre a 4ª maior economia do euro. A cada 15 minutos uma família é despejada em Madrid, Barcelona ou em algum outro ponto do país. Dizer Estado mínimo é eufemismo. O que restará depois dos sucessivos e inalcançáveis ajustes serão talvez  protetorados, enclaves, colônias. Resíduos de nações expropriadas pelos mercados.  O patrimônio comum esfarela.  O uso de viaturas em muitas repartições portuguesas passou a depender da vaquinha dos funcionários para a gasolina. Papel higiênico deve ser trazido de casa (leia a coluna de Flávio Aguiar; nesta pág).  
Tatcher, o símbolo disso tudo,será enterrada dia 17 próximo. A lógica que encarnou enfrenta  o seu crepúsculo, mas usa as próprias cinzas para tornar irrespirável a vida em sociedade. No Brasil, lamenta-se que Dilma não seja uma ‘ladra do copo de leite’, a exemplo da ‘Dama de Ferro’, que ajustou a merenda da escola pública inglesa. 
O governo resiste em trazer a crise para dentro do país. O  rentismo inconsolável exige o ‘laissez-passer’ para legitimar a ‘purga’  que se inveja na Europa. Desdenha-se do ‘efeito provisório’ das linhas de passagem erguidas para atravessar o cerco que se aperta. Como se o  estado de exceção criado pela desordem neoliberal pudesse ser enfrentado com as ferramentas da rotina. De cada três palavras difundidas pelo noticiário uma é juro ( leia mais aqui) . Colunistas  se ressentem de demissões frescas. Implora-se por números azedos para servir no café  da manhã. 
É preciso abrir espaços à incerteza no jantar. Professores-banqueiros e candidatos à Presidência tem um prazo de validade contratado. A crise deve aportar  antes que o PAC, a reindustrialização do pré-sal e  a indução do investimento surtam efeito. Um centímetro de chão sólido atrapalha tudo.  Abengalados ora no quilo do tomate, ora na novena pervertida em prol da seca, seu futuro pressupõe que o emprego, a casa, a comida, o salário e a autoestima sejam tragados em uma gigantesca restauração rentista, que  solde a economia ao comboio do abismo. Do governo o que se espera é que engrosse o fado fúnebre, a adestrar o país para ser um imenso Portugal.