Dirceu e a “promessa” de Luiz Fux

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Da revista CartaCapital:

O ex-ministro José Dirceu (PT), condenado a dez anos e dez meses de prisão no processo do “mensalão”, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo e ao portal UOL que o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux prometeu absolvê-lo antes de ser nomeado para o cargo.

De acordo com Dirceu, Fux, então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o procurou em 2010 em busca de apoio para a obter uma vaga no STF. O encontro teria ocorrido num escritório de advocacia, segundo Dirceu, após seis meses de “assédio moral” de Fux sobre o político petista, por meio de advogados e conhecidos em comum. Dirceu afirmou que Fux “tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver” e teria feito isso “textualmente”. Ainda de acordo com Dirceu, Fux, “de livre espontânea vontade, se comprometeu com terceiros, por ter conhecimento do processo, ter convicção” a absolvê-lo.

Esta foi a primeira vez que Dirceu falou abertamente sobre a suposta promessa de Fux. A polêmica surgiu em dezembro passado, semanas após o fim do julgamento, quando o próprio Fux procurou a imprensa para desmentir o que até então eram então boatos dos círculos políticos e jurídicos de Brasília. Em entrevista também à Folha, Fux admitiu ter realizado uma intensa campanha de lobby para obter a indicação ao STF, mas negou ter prometido a absolvição de Dirceu. Fux, inclusive, afirmou não se lembrar de que Dirceu era réu do processo. Na entrevista desta quarta-feira, Dirceu afirmou que o fato de Fux fazer essa afirmação sobre o notório processo é “tragicômico” e “ridículo”.

Os boatos sobre a promessa de Fux a Dirceu teriam crescido na mesma medida que a indignação de petistas com a atuação de Fux durante o julgamento do “mensalão”. O ministro foi o mais ativo apoiador de Joaquim Barbosa, relator do processo que se notabilizou pela linha-dura adotada contra os réus. Fux seguiu Barbosa, e muitas vezes auxiliou sua argumentação, na maior parte das decisões.

Ainda segundo Dirceu, a suposta promessa de Fux, feita a ele e a outros petistas, “não pesou” na decisão da presidenta Dilma Rousseff de nomear Fux para o STF. O ministro foi o primeiro escolhido por Dilma, em março de 2011. Dirceu disse não ter participado das discussões sobre a sucessão no STF pois “evidente, como réu do Supremo tinha que tomar todos os cuidados para evitar que minha situação se agravasse, como o resultado final mostrou”.

“Sou inocente”

Na entrevista, Dirceu lamentou toda a situação pela qual está passando e disse pensar que “teria sido melhor se tivesse morrido” a viver os últimos anos. O petista negou, entretanto, ter cogitado o suicídio. Segundo ele, “é uma apaixonado pela vida”.

Dirceu afirmou que sua defesa vai apresentar recursos à decisão e tentará realizar uma revisão criminal. O ex-ministro confirmou que vai “bater à porta da Comissão Internacional de Direitos Humanos para ir ao Tribunal Penal Internacional de San José”. “Não é que eu fui condenado sem provas (…) Não houve crime, eu sou inocente. Me considero um condenado político. Foi um julgamento de exceção, foi um julgamento político. A cada dia eu me convenço mais disso porque os fatos comprovam isso”, disse.

33 minutos atrás

A gritaria pela alta dos juros

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Carlos Lopes, no jornal Hora do Povo: 
Com a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) marcada para a terça e a quarta-feira da próxima semana, os moedeiros falsos da mídia – e de outros covis – aumentaram a grita pela alta dos juros.

Evidentemente, o motivo para essa grita nada tem a ver com a inflação. O motivo para aumentar juros é, naturalmente, aumentar os juros. Ou seja, aumentar os ganhos parasitários – os ganhos com juros – às custas dos lucros setor produtivo, dos salários, do Tesouro e do Estado. Em suma, aumentar os ganhos de bancos e demais especuladores, sobretudo os externos, às custas de toda a sociedade.

Não é sem consequências que temos, dentro do país, segundo o último relatório sobre o setor externo do Banco Central (BC), um estoque de US$ 640,41 bilhões em aplicações estrangeiras meramente especulativas, além da atividade especulativa das empresas de propriedade estrangeira, cujo estoque é maior ainda: US$ 724,34 bilhões em “investimentos diretos” (valores de fevereiro).

Evidentemente, os sujeitos por trás dessa massa de 1 trilhão e 364 bilhões de dólares, que opera internamente fantasiada de reais, estão loucos para que os juros aumentem.

Ou, olhando o mesmo problema por um ângulo diferente: segundo o Tesouro Nacional, em seu Relatório Mensal da Dívida Pública Federal de fevereiro, nada menos que 70,91% dos títulos federais lançados no mercado estão na mão de bancos, entidades controladas por bancos ou “não-residentes” no país. O que quer dizer que eles estão com R$ 1 trilhão e 321 bilhões em títulos públicos federais.

Basicamente, os detentores privados de títulos públicos federais são:

I) “instituições financeiras”: R$ 510,32 bilhões (27,38%);

II) “fundos de investimento”: R$ 468,63 bilhões (25,14%);

III) “não-residentes”: R$ 266,61 bilhões (14,30%);

IV) “seguradoras”: R$ 76,22 (4,09%).

Evidentemente, esses “detentores de títulos federais”, que, em grande medida, são os mesmos que vimos no estoque especulativo estrangeiro, estão sequiosos por um aumento de juros. Até porque, o custo mensal para o Tesouro da DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna – a dívida federal em títulos dentro do país) caiu de 13,34% ao ano, em abril de 2011, para 11,87%, em fevereiro de 2013. Se o Tesouro está gastando menos para “custear” a dívida, evidentemente, seus detentores estão ganhando menos, ainda que seja muito – mas eles não se contentam com nada menos do que o máximo.

Assim, só almas ingênuas – por exemplo, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo – podem acreditar na motivação supostamente “anti-inflacionária” da grita pelo aumento de juros (ou na suposta necessidade, ainda que temporária, de aumentar os juros para, também supostamente, “combater a disseminação da inflação” – no fundo, é a mesma coisa acreditar numa ou noutra).

Evidentemente, aumentar juros significa, em primeiro lugar, diminuir a capacidade do governo de realizar investimentos públicos, pois é óbvio que quanto mais dinheiro o Estado gastar com juros, menos investimentos poderá realizar. Segundo, significa diminuir os salários. Terceiro, tirar lucros das empresas produtivas. Quarto, significa aumentar a desindustrialização do país, pelo efeito que o aumento de juros teria no câmbio, o que rebaixaria os preços das importações e aumentaria os preços dos produtos fabricados no país.

Em resumo, aumentar os juros significaria jogar o crescimento, que já é quase zero, para os insondáveis abismos da recessão e da depressão.

A rigor, aumentar juros significa tirar dinheiro de toda a coletividade para dá-lo a alguns poucos parasitas: no Brasil, apenas quatro bancos privados – dois estrangeiros – mandam no cartel financeiro.

Certamente, a existência de uma rede de bancos públicos faz com que o poder desse cartel possa ser bastante minimizado – exceto pelo servilismo de alguns aos monopólios financeiros externos, que, em geral, se expressa no aumento dos juros.

Os corifeus dos juros altos, talvez por enfrentarem uma resistência muito maior do que esperavam, foram obrigados, nos últimos dias, a expor sua indigência, reacionarismo alucinado – e ódio pelo país. O mais leve que se pode dizer deles é que são uma destrambelhada advocacia administrativa bancária. Ou seja, querem apresentar como interesse público aquilo que é o interesse mesquinho de bancos que nem chegam a meia dúzia.

Em suma, para esses anormais, o problema do Brasil é “excesso de consumo” (sic). Logo, o povo está comendo demais – pois a “inflação” que apontam é sobretudo nos alimentos. E a culpa é do salário mínimo, que, maldito seja o Lula, aumentou demais.

Olha só que gracinha, leitor, esses trechos, extraídos de uma matéria publicada por um “jornal econômico”, na última segunda-feira: “o salário mínimo [é] outro importante farol para reajustes, principalmente no setor de serviços , cujos preços saltaram 8,6% nos 12 meses encerrados em fevereiro (…) A regra brasileira, que corrige o mínimo pela inflação do ano anterior e a alta do PIB de dois anos atrás (…) vai em sentido contrário ao observado em economias desenvolvidas, que geralmente reajustam seus pisos salariais com base em projeções para a inflação futura. (…) a regra de indexação mais nociva existente é a do salário mínimo”.

Acontece que “reajustar pisos salariais com base em projeções para a inflação futura” significa esquecer as perdas devidas à inflação entre um reajuste e outro – ou, para ser mais claro ainda, significa reduzir o salário real, já que essas perdas não serão repostas.

Por isso, o ex-ministro Delfim Netto declarou que “a empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco, aumentando os juros” (O Globo, 24/03/2013).

Alguns desses “gênios” são entrevistados nessa mesma reportagem – um deles, para dizer que “a saída é frear a economia. É demitir mesmo”. Outro, para declarar que “não dá para fazer omeletes sem quebrar os ovos”. Os dois foram, ou são, “economistas-chefe” de bancos privados, inclusive estrangeiros, depois de terem sido diretores do Banco Central.

O país cresceu 0,9% no ano passado. Mas os “gênios” querem “frear a economia”, “demitir”, “quebrar os ovos” – e, provavelmente, mandar a reeleição da presidente Dilma para o espaço.

2 horas atrás

O extermínio dos moradores de rua

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Fr. Marcos Sassatelli, no sítio da Adital:

De 12 de agosto de 2012 a 6 de abril deste ano, 28 Moradores de Rua foram barbaramente assassinados em Goiânia e na Grande Goiânia, a maioria jovens, adolescentes e até crianças. Pela sua gravidade e pelo seu requinte de crueldade, o caso teve, e ainda tem, uma repercussão nacional e internacional.

Estima-se que, em Goiânia, existam cerca de 900 pessoas em Situação de Rua.

Sábado passado, dia 6 deste mês, foi realizada na capital goiana uma reunião de emergência com a presença de uma Comissão do Governo Federal, coordenada pelo Secretário Nacional da Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel Rocha -que veio de Brasília especialmente para isso- e representantes de diversas entidades locais de defesa dos Direitos Humanos.

Na reunião, da qual participei, ficou claro que existe na Grande Goiânia “uma política de extermínio seletivo”. “Goiânia -diz o Secretário Nacional- tem grupo de extermínio”. O caso é gravíssimo. O medo se espalha entre os Moradores de Rua.

Diante da inoperância do Governo Estadual, de sua incapacidade de resolver o problema e, sobretudo, diante de fundadas suspeitas da existência de um grupo de extermínio, o Governo Federal não pode ser omisso. Ele precisa intervir com urgência e rapidez.

Em nome da Pastoral dos Povos de Rua do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia e, penso poder dizer também, em nome de todos aqueles e aquelas que lutam na defesa dos Direitos Humanos e, de maneira especial, da vida dos Moradores de Rua, faço quatro pedidos à ministra Maria do Rosário da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR):

1.Que, na Grande Goiânia, os Moradores de Rua sejam incluídos, com a máxima urgência, no Sistema de Proteção a Pessoas Ameaçadas do Governo Federal;

2.Que as investigações das mortes de Moradores de Rua sejam federalizadas imediatamente;

3.Que os resultados das investigações sejam públicos e amplamente divulgados na mídia;

4.Que os responsáveis sejam processados, julgados e condenados com rigor e rapidez.

Chega de tanta violência e de tanta barbárie! Chega de extermínio de Moradores de Rua! É o que todos e todas nós esperamos. Os Moradores de Rua são nossos irmãos e irmãs. Eles e elas têm a mesma dignidade e o mesmo valor que nós temos.

2 horas atrás

Thatcher, a apóstola da guerra fria

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Breno Altman, no sítio Opera Mundi:

Nunca houve uma mulher como Margareth Thatcher. A paráfrase da propaganda do célebre filme “Gilda”, dirigido por Charles Vidor e estrelado por Rita Hayworth, não se refere, evidentemente, a qualquer comparação com a beleza, o charme e a picardia da personagem encarnada pela fascinante atriz hispano-irlandesa. Mas é fato que o movimento operário e socialista jamais teve uma inimiga tão dura e implacável como a falecida primeira-ministra britânica.

Seu papel foi decisivo para a rearticulação da contraofensiva conservadora dos anos 80. Ela irrompe na cena política de seu país e no teatro internacional em um momento no qual o capitalismo vivia novo ciclo de crise e uma onda revolucionária havia, na década anterior, fortalecido posições da União Soviética e seus aliados. A revolução portuguesa (1974), a vitória comunista no Vietnã (1975), a derrubada do xá no Irã e o triunfo sandinista, ambos em 1979, são os principais fatos da última escalada progressista do período histórico aberto com a revolução russa de 1917.

Os efeitos desse avanço do campo socialista foram sentidos, desde o final da Segunda Guerra Mundial, também nos países capitalistas. Os trabalhadores dessas nações obtiveram significativas conquistas salariais e amplos direitos sociais, apoderando-se de um naco expressivo dos gastos públicos e das receitas dos grandes conglomerados. O temor da burguesia mundial, de que a revolução se irradiasse para suas cidadelas mais importantes, animou uma etapa de reformas que alteraram profundamente as condições de vida e labuta da classe operária ocidental.

No curso destas três décadas de recuo do capital, também foram forjadas ou consolidadas poderosas organizações sindicais e populares. Os setores conservadores foram perdendo espaços para o tripé formado por esse movimento, a ampliação do bloco soviético e as lutas de libertação nacional na África e América Latina. Coube a Margaret Thatcher liderar a reação da direita, dotá-la de um novo programa para a acumulação capitalista e romper o cerco que parecia condenar o imperialismo à decadência.

A dama de ferro jogou-se com fúria de guerra para rebaixar os custos de produção e aumentar a taxa de lucro do capital britânico, golpeando duramente os trabalhadores e seus sindicatos, reduzindo drasticamente as despesas estatais com serviços públicos, privatizando companhias e desregulamentando tanto os fluxos comerciais quanto os financeiros. Mais que Ronald Reagan, foi a principal ponta-de-lança do neoliberalismo.

Sua lógica levou à ruptura com a estratégia de concessões dentro e fora de casa. Ao lado do presidente norte-americano e do papa João Paulo II, comandou os ataques que levariam à derrocada da URSS e do projeto socialista internacional fundado pelos bolcheviques, quebrando a coluna vertebral do próprio movimento operário europeu. O trio soube compreender que a exasperação da situação internacional, com o recrudescimento da corrida armamentista, forçaria ao limite as fragilidades da economia soviética e colocaria em xeque sua direção política.

Thatcher foi o buldogue da contra-revolução, aproveitando-se com vigor e inteligência dos erros de seus inimigos, convertidos em poodles do socialismo e convencidos, como Mikhail Gorbatchev, de que a política de pactuação e retirada salvaria o sistema do colapso.

Na hora de sua morte, as forças conservadoras de todo o mundo prestam justa homenagem à grande apóstola da guerra fria. À esquerda, cabe aprender a lição deixada por uma inimiga impiedosa, que não poupou esforços em sua crença de que ideias claras e sem concessões, associadas às condições materiais adequadas e à disposição para o enfrentamento, são o único caminho para a hegemonia.

2 horas atrás

Os benefícios fiscais para a mídia

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa: 
O governo federal resolveu dar uma mãozinha às empresas de comunicação social, ao anunciar a desoneração de tributos sobre a folha de pagamentos. A notícia foi publicada no final da noite de segunda-feira (8/4) no boletim eletrônico do grupo Meio&Mensagem, mas não pareceu interessar aos jornais, embora o anúncio tenha sido feito de manhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Pelo menos até onde se podia pesquisar na terça-feira (9/4), a imprensa tradicional não pareceu interessada em discutir o benefício. Nos meios digitais, pode-se localizar uma nota publicada em dezembro de 2012 no site da Associação Nacional de Jornais, na qual se noticiava que a medida havia sido proposta pelo senador fluminense Francisco Dornelles (PP).

Segundo o Meio&Mensagem, Mantega anunciou duas medidas que reduzem tributos de vários setores da economia, entre eles os de mídia e comunicação, “beneficiando diretamente os setores de jornais, revistas, livros, rádio, televisão e internet”. A ideia é reduzir as contribuições sociais dessas empresas, de 20% da folha de pagamento para 1% a 2% do faturamento.

Estima-se que o setor de mídia venha a economizar R$ 1,2 bilhão por ano, a partir de janeiro 2014, quando o benefício entra em vigor. Aparentemente, não há exigência de uma contrapartida, embora o ministro tenha afirmado que o governo espera que as empresas aproveitem para ampliar investimentos e assegurar a renda de seus funcionários.

Paralelamente, desmancha-se nos meios oficiais o debate sobre o projeto de regulamentação da mídia. O tema foi capa da revista Carta Capital na semana passada (edição 742), na qual o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, era apresentado como “o ministro do Plim-Plim e do Trim-Trim”, por supostamente favorecer o grupo Globo e as operadoras de telefonia, ao barrar a modernização da lei da radiodifusão e oferecer benefícios ao setor de telecomunicações.

Falta transparência

Os jornais noticiaram amplamente o anúncio do programa de desonerações de 14 setores da economia, feito há uma semana, que tinha originalmente o objetivo de aumentar a competitividade de áreas ligadas à infraestrutura e exportações, sem as habituais críticas à política econômica do governo.

Trata-se de um movimento que as autoridades monetárias consideram parte de uma reforma tributária, expressão que os jornais ainda não assumiram, e compõe os esforços para manter a inflação sob controle. Estranha, portanto, que ao se concretizar o benefício direto ao setor de mídia, a imprensa tente esconder a informação, evitando destacar esse aspecto no pacote de medidas governamentais.

O leitor atento também haverá de registrar que a oficialização de futuros benefícios para as empresas de comunicação social coincide com a aplicação de nova medida de contenção de gastos no Estado de S.Paulo, que consiste basicamente no enxugamento do jornal e consequente demissão de jornalistas.

Há pelo menos dois aspectos interessantes a serem observados neste caso: em primeiro lugar, os jornais evitam apoiar explicitamente uma decisão governamental que, em todos os aspectos, vai ao encontro de antigas reivindicações de empresas, agasalhadas entusiasticamente pela imprensa, encaminhando mudanças no sistema fiscal e tributário que são uma espécie de mantra dos economistas mais queridos da mídia; em segundo lugar, os jornais noticiam o pacote de incentivos mas não informam que o seu setor será amplamente beneficiado, por depender intensivamente de mão de obra qualificada.

Claro que uma medida que desonera o custo do trabalho deveria suscitar outras discussões, como a crescente informalização das redações e a expansão do uso de free-lancers, por exemplo, que foi tornada oficial pela Folha de S.Paulo na última semana.

A precarização do mercado de trabalho para jornalistas está diretamente relacionada ao custo das contratações, e a medida anunciada pelo ministro da Fazenda cria para a imprensa a obrigação moral de trazer esse tema para o debate público, uma vez que o benefício será concedido com recursos da sociedade brasileira.

Mas transparência nunca foi uma qualidade das empresas de comunicação social no Brasil, principalmente no que se refere ao ambiente interno de seus negócios.

2 horas atrás

Juventude e o direito à comunicação

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Bruno Marinoni, no Observatório do Direito à Comunicação:

Foi aprovado no dia 4 de abril (quinta) pelo Senado o pedido de urgência na votação do Estatuto da Juventude (PLC 98/2011). O acordo que possibilitou a agilização do processo se deu entre as lideranças dos partidos. A decisão sobre o projeto de lei está prevista para o dia 10 (quarta) na casa e em seguida deve seguir para Câmara do Deputados e para a sanção da presidenta. O documento possui uma sessão específica que trata do direito à comunicação dos jovens.

O Estatuto da Juventude dispõe sobre os direitos dos jovens (15 a 29 anos) e os princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude. A inclusão de um ponto específico sobre o direito à comunicação é fruto do debate que foi travado durante a 2ª Conferência Nacional de Juventude, em dezembro de 2011, e que assimilou apontamentos da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

A seção VII do capítulo que trata do direitos dos jovens, intitulada “Do Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão” traz dois artigos nos quais afirma o “direito à comunicação e à livre expressão, à produção de conteúdo, individual e colaborativo, e ao acesso às tecnologias de informação e comunicação” e define medidas a serem tomadas pelo poder público para a efetivação desse direito.

Nilton Lopes, que esteve no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) durante a realização da 2ª Conferência, considera que “ainda que a discussão não tenha sido colocada como prioridade, é um grande ganho que ela tenha entrado na pauta”. Segundo ele, o tema foi praticamente ignorado na primeira conferência, mas ganhou força e importância na segunda, tendo um documento específico produzido pelo Conjuve, que sistematizou discussões importantes da sociedade civil e serviu ainda para construir a metodologia do encontro.

Para Lopes há um “grande ganho no que se conseguiu avançar em termos de participação política do movimento de juventude no tema da comunicação, embora ainda não tenhamos ainda uma política de comunicação para esse segmento”.

Entre os temas polêmicos do Estatuto da Juventude se destacou o do direito à meia entrada para eventos culturais, artísticos e esportivos. Temendo que o direito à comunicação fosse ameaçado, optou-se pela sua separação da seção que trata da cultura (seção VI).

2 horas atrás

Oportunidade para a paz na Colômbia

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Editorial do sítio Vermelho: 
Em fato inédito na história da Colômbia, o país se uniu na última terça-feira (9) para apoiar os diálogos de paz que se realizam em Havana, Cuba, entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP), para pôr fim ao conflito armado que se estende há mais de meio século. 

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas na Marcha pela Paz e a Esperança, tendo por símbolos a cor branca e a bandeira da Colômbia, expressando o objetivo – a paz com democracia e justiça social – e a união nacional para abrir uma nova página na história do país. A Marcha aglutinou o mais amplo e diversificado leque de forças políticas e movimentos sociais, além de intelectuais, artistas e defensores dos direitos humanos, num pluralismo que atesta o quão arraigado é o desejo de paz no país. 

A manifestação desta terça-feira foi uma forte expressão da grande aspiração nacional por uma reconciliação justa, democrática e duradoura, por uma paz que faça parte da democracia, da participação popular na vida do país e na construção de seu destino. 

O sentido da participação da sociedade e do seu ativo apoio aos diálogos entre as Farc e o governo foi sintetizado pelo escritor William Ospina, no texto “Oração pela Paz”, em que reafirmou a ideia defendida em seus artigos: “Não haverá paz sem uma comunidade que a apoie, exija e acompanhe”.

A unidade nacional se manifestou nas palavras do líder indígena Feliciano Valencia: “A Colômbia é hoje uma só, mestiça e palpitante, onde a identidade alimenta os povos indígenas, os negros e o sangue derramado durante tantos anos em prol de uma redenção social e de um país que seja patrimônio de todos”. 

A manifestação indicou ainda o sentido de urgência que tem o povo colombiano em encontrar uma solução definitiva para o conflito, o que se expressou nas palavras da líder da luta pelos direitos humanos, Piedad Córdoba: “Faz 65 anos que pedimos paz, suplicamos a paz e hoje já não podemos pedir, suplicar e esperar (…) É a hora da paz, porque merecemos tê-la, que viva a paz na Colômbia”.

O apoio maciço que as Farc e o governo do presidente Santos conquistaram para o diálogo em que estão empenhados é o mais convincente argumento de que esta é uma oportunidade histórica que não pode nem deve ser desperdiçada.

Obviamente, o sentido de urgência não deve ser confundido com oportunismo eleitoral nem quaisquer outros interesses imediatistas. Por certo, as partes envolvidas no diálogo sabem que há um caminho a percorrer. São animadores os sinais de que estão dispostas a trabalhar com afinco e aturadamente, com seriedade, profundidade e frontalidade para vencer todos os obstáculos e cumprir todas as etapas previstas no acordo inicial geral. 

A paz na Colômbia, para além de ser uma questão nacional, é também uma das principais reivindicações dos movimentos populares, democráticos, patrióticos e anti-imperialistas da América Latina. Se concretizada, será uma vitória de todo o povo colombiano e latino-americano e sem dúvida se incorporará ao conjunto de conquistas democráticas e patrióticas na região, que alteram positivamente o quadro político e pavimentam o terreno para avançar na luta pela definitiva independência. Sendo assim, é uma derrota para as forças que nutrem em relação à América Latina e o Caribe objetivos hegemonistas por meio do militarismo e das ameaças de intervenção.

A Marcha pela Paz e a Esperança foi a mais eloquente demonstração de que o ambiente político e social na Colômbia tornou-se mais propício à paz, assim como para a democracia e a justiça social e de que emergem novos movimentos e novas possibilidades para o desenvolvimento da luta política e social.

3 horas atrás

Amaury x FHC: a privataria é imortal!

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Da Rede Brasil Atual:

Um grupo de jornalistas e acadêmicos decidiu ironizar as intenções do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Em abaixo-assinado lançado na internet, o “antídoto” oferecido à possibilidade de o tucano se transformar em “imortal” é Amaury Ribeiro Júnior, autor de Privataria Tucana, livro lançado em 2011 e logo alçado à lista dos mais vendidos, apesar de ignorado por parte da mídia tradicional.

O texto é apoiado pelos professores Ladislau Dowbor, Gilberto Maringoni e Reginaldo Nasser, pelos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Marcio Pochmann, pelo ex-ministro Samuel Pinheiro Guimarães e por jornalistas e blogueiros como Altamiro Borges, Breno Altman e Paulo Henrique Amorim.

O abaixo-assinado promove desde o começo a ironia em relação à própria ABL, pedindo que volte a acolher um jornalista, como fez com Roberto Marinho, das Organizações Globo, recordado pelo editorial redigido em 2 de abril de 1964 a favor do golpe que levou à ditadura (1964-1985).

Para os apoiadores da candidatura de Amaury, é justo que Merval Pereira, colunista de O Globo, seja acompanhado por um colega de profissão dentro da Academia de Letras. “Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção”, brinca o texto.

“A Privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Junior rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, continua o abaixo-assinado, que passa a abordar as relações entre a obra do jornalista e as vendas de empresas públicas promovidas pelo tucano.

Durante o governo do PSDB (1995-2002), segundo Amaury, foi criado um esquema de evasão de divisas que teria contado com a participação de Verônica Serra, filha do então ministro do Planejamento, José Serra, e com Gregorio Preciado, primo dele. 

“As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso”, ironiza o texto, que conclui: “Se FHC ganhar a indicação, a vitória será da Privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: a Privataria é imortal!”

3 horas atrás

Lula e a força do simbolismo

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Mauro Santayana, em seu blog: 
O Ministério Público do Distrito Federal – por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais. 
O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo sequestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena. 
Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT.
O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal – mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.
Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.
Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país.
É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe trabalhadora numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de soberania.
Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.
Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.
Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalga-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.
Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. Qualquer agressão desatinada a esse símbolo desatará uma crise nacional de desfecho imprevisível.
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