Beady Eye revela título e nomes de músicas do álbum que sai em junho

por Mauro Ferreira
 
 Be é o título do segundo álbum do grupo inglês Beady Eye. Com lançamento agendado para 10 de junho de 2013, o disco tem produção assinada por Dave Sitek. Liam Gallagher postou a lista de faixas de Be na página oficial da banda no Facebook. Eis as 11 músicas do álbum que, de acordo com declarações de Liam Gallagher, foi gravado com uma alta dose de experimentação: 
1. Flick of the finger
2. Soul love
3. Face the crowd
4. Second bite of the apple
5. Soon come tomorrow
6. 12 Rita
7. I’m just saying
8. Don’t brother me
9. Shine a light
10. Ballroom figured
11. Start a new
4 horas atrás

Mata oscila nos tons de Jobim entre embate calado de Eumir com Kassin

por Mauro Ferreira
 
 Resenha de show
Projeto: Nívea Viva Tom Jobim
Título: Vanessa da Mata canta Tom Jobim
Artista: Vanessa da Mata (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de abril de 2013
Cotação: * * 1/2

Dentro do peito de Vanessa da Mata bate um coração destemido. A ponto de a cantora ter interpretado a capella a fatalista O que tinha de ser (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), número surpreendentemente bom do show em que a artista de Mato Grosso dá voz ao cancioneiro de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927 – 1994). A valentia vem do fato de o canto de Vanessa da Mata ser considerado – antes com razão, atualmente já com certa injustiça – desafinado quando a compositora vira somente cantora e dá voz a temas alheios. Entre altos e baixos, o show Vanessa da Mata canta Tom Jobim reitera a evolução da intérprete, ainda que Mata oscile nos tons soberanos de Jobim entre o embate silencioso travado entre Kassin – o diretor musical do show feito com banda que inclui músicos afinados com a linguagem moderna do músico, caso do guitarrista Gustavo Ruiz – e o pianista Eumir Deodato, autor dos refinados arranjos que embalam o cancioneiro de Jobim com cordas e um classicismo que se ajusta ao tom de músicas como Fotografia (Antonio Carlos Jobim, 1959), titubeante número inicial do show que vai percorrer seis Capitais do Brasil a partir de 28 de abril de 2013. O cruzamento entre universos musicais tão distintos tendeu a valorizar a maestria de Eumir na condução dos arranjos e do piano, embora tenha saltado aos ouvidos o frescor dos timbres que revestiram Este seu olhar (Antonio Carlos Jobim, 1959), Caminhos cruzados (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1958) e, sobretudo, Só danço samba (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962) – prováveis efeitos das intervenções de Kassin na banda formada por nomes como Dustan Gallas. De todo modo, também houve ousadias estilísticas nos arranjos de Eumir, que transformou Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobi e Vinicius de Moraes, 1959) em bolero. No todo, o tributo resultou  jovial porque jovial é a obra sempre nova de Jobim. Eclipsada pela magnética intervenção de Maria Bethânia, com quem armou feminino jogo de sedução ao fim do samba Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), Vanessa alcançou alguns bons momentos quando seu canto soou naturalmente integrado ao universo jobiniano. Música que evoca as matas e os matos que fertilizaram a inspiração de Jobim, sobretudo a partir da década de 70, a bucólica Chovendo na roseira (Antonio Carlos Jobim, 1971) e a interiorana Correnteza (Tom Jobim e Luiz Bonfá, 1973) se ajustaram bem ao canto da artista nascida em 1976 na ruralista cidade de Alto das Garças (MT). Artista que abriu os braços e expandiu o canto – contido, nos dois números iniciais do show – ao dar voz ao samba Só tinha de ser com você (Antonio Carlos Jobim, 1964).  Neste número, a cantora tentou orquestrar um coro de assovios, procurando se comunicar com a plateia de convidados que permaneceu fria na maior parte da apresentação, ficando acalorada somente ao longo dos três números individuais feitos por Bethânia sob a regência e o piano de seu maestro Wagner Tiso. Se a convidada roubou a cena ao interpretar Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), a lacrimejante Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) e Se todos fossem iguais a você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1956), número em que a cantora baiana dirigiu seu olhar à foto de Jobim exposta no telão ao fundo do palco em homenagem arrebatadora, a anfitriã por vezes deixou pairar no ar a sensação de que não era a intérprete ideal para capitanear o tributo. Faltou coração para aguentar a carga emocional de Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957). Faltou vivência para fazer Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) alçar voo com todo seu significado político. Faltou bossa para surfar na onda de Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967). Faltou estofo para carregar Piano na Mangueira (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1992) na cadência do samba tão bonito. Em contrapartida, o Samba de uma nota só (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959) ganhou frescor. À vontade, Mata brincou com a letra metalinguística.  Assim como pôs certa ironia (talvez involuntária) no canto dos versos de Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1958), tema apresentado com a introdução geralmente omitida nas interpretações deste clássico de Jobim. Os clássicos do compositor, aliás, predominaram no roteiro até certo ponto preguiçoso, já que a vasta obra de Jobim tem muitas joias guardadas em baú pouco vasculhado. No fim, as belas canções Falando de amor (Antonio Carlos Jobim, 1979) e Estrada do sol (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1958) – esta apresentada já na abertura do bis – corroboraram a sensação de que, em que pese toda sua evolução como intérprete, Vanessa da Mata não era a cantora mais vocacionada para prestar a bem-vinda homenagem a Tom Jobim.