Qua, 17/08/11 – 21h15

Alckmin discursa no Movimento Endireita Brasil

 

Governador Geraldo Alckmin: Boa noite, boa noite a todas e a todos. Quero cumprimentar e agradecer ao Dr. Ricardo Salles cumprimentá-lo pelo trabalho, cumprimentá-lo pelo entusiasmo e agradecer à generosa homenagem, muito obrigado! Fiquei muito feliz. Cumprimentar aqui, o presidente estadual do meu partido, o deputado Pedro Tobias, um grande cirurgião de mama, professor de medicina. Cumprimentar aqui o deputado federal Rodrigo Garcia, presidente dos Democratas, o deputado Julio Semeghini presidente do PSDB aqui da capital. João Melão. As suas sementes, suas boas ideias e boas propostas. Saudar aqui o João Sampaio, trabalhamos juntos nesses primeiros meses, uma das grandes lideranças da agricultura; o Cesário Ramalho, o nosso sempre deputado Castelo Branco, enfim, eu não vou citar porque senão eu vou repetir aqui o prefeito do interior, Ricardo, que fazia muitas citações, e o governador da época estava com pressa. Aí passado uns meses, houve uma solenidade no cemitério municipal, o prefeito já foi com aquele pacote de fichas pra citar, lembrou do governador, guardou as fichas e pensou, pensou e falou: “Meus conterrâneos e meus subterrâneos!”.

 

Mas amigas e amigos, estou muito feliz de estarmos juntos. Feliz a sociedade que tem movimentos que são políticos e suprapartidários. Movimentos políticos na defesa de valores, de ideais, de princípios. O Franco Montoro dizia que a pior política é a omissão. A participação é importante, a gente participar da vida pública! Santo Agostinho dizia que a política é o ponto mais alto do amor ao próximo, porque você está trabalhando para o teu bairro, trabalhando pela tua cidade, pelo Estado, pelo país, na construção de uma sociedade melhor. Então quero primeiro saudar o MEB, o Movimento Endireita Brasil, acho que é uma força da sociedade civil muito importante. E tenho certeza que ele vai trazer novos valores e estimular uma participação importante. Depois, saudar o Ricardo Salles, que é uma jovem liderança: isso é também uma vocação. Eu era prefeito em Pinda, recém formado médico, e naquele tempo a posse era no dia 1º de fevereiro, eu tomei posse, dez dias depois uma chuva torrencial alagou todo o bairro, chamado Jardim Cristina, lá em Pinda. Prefeitura do interior, com dificuldades, sem dinheiro, então fui fazendo no fim de semana um mutirão, junto com o povo do bairro, para limpar o bairro, limpar o valetão do Bambi (que era como se chamava), ajudar na drenagem, arrumei com o Batalhão de Engenharia de Combate uma retroescavadeira emprestada, e fomos lá arrumar o bairro. Quando lá pelo meio dia, uma da tarde, um sol de verão, aquele sol de arrebentar, eu com lama da cabeça aos pés, dentro da valeta, ajudando o povo, havia uma avenida mais alta, e um colega de escola, me lembro bem, num jipe, aquele Jeep Willys, sem capota, parou lá em cima assim, do valetão do Bambi, e deu uma buzinada. Ele estava com uma menina, uma colega nossa, uma loira muito bonita, deu uma buzinada, na hora em que eu olhei pra cima ele falou: “Essa moleza vai acabar”. Tem que levar na esportiva, né?

 

Mas o fato é que eu fico muito feliz, e eu vejo que nós precisamos ser inovadores, sair desse marasmo de uma política antiquada, que vê no estado brasileiro a solução de todas as coisas, que o estado deve ser provedor de tudo. O estado não tem dinheiro pra tudo, não deve ser o executor de tudo. Nós começamos hoje o Rodoanel Leste, trinta dias antes do prazo; era pra começar em setembro, começou no dia 17 de agosto. O Governo não vai colocar um centavo na obra, vai ser feito pela iniciativa privada em 30 meses, em março de 2014 está entregue a obra. Quarenta e quatro quilômetros de preservação ambiental completa, 11 quilômetros de viadutos pra não mexer nos parques da várzea do Tietê, do Rio Guaió; enfim, inovação de engenharia, engenharia financeira.

 

O Governo ainda recebeu antes da assinatura do contrato, 389 milhões de reais que foram depositados antes da assinatura do contrato. A tarifa de pedágio pela disputa baixou 63%. O setor privado faz desapropriação, compensação ambiental, constrói a obra, opera a rodovia, mas se o Brasil for esperar pra poder fazer tudo isso, nós vamos levar cem anos. Temos que trazer a iniciativa privada pra logística, infraestrutura, Parceria Público Privada – PPP, as organizações sociais de São Paulo. A revista The Economist, de um mês atrás, colocou o ICESP, o Instituto de Câncer do Estado de São Paulo, como padrão internacional. Hospital do SUS, contrato de gestão. Não tem um funcionário público. Tudo contrato de gestão. Então, temos inovação. Ontem mandamos para a Assembleia Legislativa um PPA, 2012/2015. São Paulo investe R$ 85 bilhões. Sem criar um imposto novo, aumentar uma alíquota, só fazendo ajuste. Então ele dizia: “Olha, isso não é uma visão economicista, porque é com isso que eu vou fazer o hospital de qualidade, de graça pra atender a população. É com esse dinheiro que eu vou fazer as ETECs, as FATECs, a escola técnica, tecnológicas, saneamento básico, melhorar a segurança, valorizar os serviços públicos, melhorar qualidade do atendimento”. Não tem investimento na área social se não tiver dinheiro. E não dá pra aumentar mais a carga tributária. Nós precisamos é reduzi-la. Os ganhos virão pela eficiência, pela transparência, pela inovação de gestão, pela modernidade.

 

Então é com grande alegria que eu quero saudar aqui o Nebi. Cumprimentar o Ricardo Salles, abraçando a ele. Agradecer a presença aqui carinhosa de todos vocês. Que com suas presenças deram brilho aqui a esse encontro. Não tem ninguém mais inteligente do que nós, com uma fórmula mágica no bolso para resolver os problemas do Brasil. Isso não existe. Ou a sociedade assume, lidera, perpassa seus valores, se organiza, ou nós vamos ficando pra trás. Esse é o caminho. E a política bem feita é um ato cristão, porque você está melhorando a vida das outras pessoas, está evitando que dinheiro vá para o ralo, e para que esse dinheiro possa ser usado em benefício da população. Lamentavelmente nós vemos no Brasil que os índices de corrupção crescem mais que a economia, crescem mais que o comércio, que o fluxo financeiro. É muito triste tudo isso. E essas coisas só vão ser corrigidas com uma forte participação e controle da sociedade sobre o aparelho de estado. Participação e aprimoramento.

 

E quero saudar o Ricardo Salles. Aristóteles dizia que a política é arte e ciência, ao encontro do bem comum. Arte é dom, é preciso gostar de gente, senão é muito chato. Então é um dom. E ele tem um belo dom de participação. Uma vocação, que é importante. E ciência, estudo, preparação. São decisões complexas, difíceis, que exigem um nível de aprimoramento no mundo moderno, muito rápido, sofisticado, para se tomar as melhores decisões. Então a gente fica feliz de poder estimular, poder apoiar, poder ajudar, poder fazer com que novas lideranças floresçam para poder servir a população de São Paulo. E como quem já disputou várias eleições, não quero desanimá-lo, mas dizer também que candidato sofre, viu? E eu encerro contando aqui uma historinha de candidato a prefeito da minha terra natal. Em Pindamonhangaba, 30 anos atrás, tinha a maior empregadora da cidade, uma fábrica de papel e celulose do Grupo Cícero Prado, chamava Curuputuba. Então, Curuputuba, naquela época, Melão, tinha um núcleo de casas, uma espécie de uma vila. Ali tinha cinema, campo de futebol, escola de samba, tinha uns bailes muito bons que a gente ia lá quando era estudante. Era uma cidadezinha, a 15 km de Pinda. Então, todo candidato a prefeito tinha que ir a Curuputuba. Porque Curuputuba decidia uma eleição. E eu fui candidato a prefeito, casa por casa lá na vila, levando meu programa de governo, minha proposta. Aí bati numa casa, e a senhora me mandou entrar. Eu entrei, aquela confusão: gato, cachorro, papagaio, criançada chorando, comida no fogo, e eu tentando explicar proposta de saúde, educação, creche, e ônibus, aquela confusão. Depois de uns 40 minutos lá, ela virou e falou: “Olha, o senhor me convenceu. Nós vamos todos votar aqui no senhor”. Eu fiquei muito feliz. Já estou saindo, ela falou: “Olha, só falta o dinheiro do ônibus”. Aí eu voltei e falei: “Olha, mas não há necessidade. A escola é aqui em frente. A escola que vota, Curuputuba, é um quarteirão. Dá pra ir a pé”. “Não, não, Dr. Geraldo, o senhor não entendeu. Todos nós aqui votamos em Itajubá, em Minas Gerais”. Grande abraço, Ricardo.

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