A dama bárbara

por Betho Flávio
 

Morrissey, o cantor inglês que integrou a banda The Smiths, uma das mais importantes dos anos 80, é uma figura politizada e um dos mais rigorosos críticos da política britânica, sobretudo em relação à família real e aos primeiros ministros. Em relação à Margareth Thatcher, Morrissey tornou-se conhecido por sua ácida oposição, a ponto de ter escrito letras como “Margareth On The Guillotine”, que já perguntava, há 25 anos atrás, pela morte da recém-falecida premier britânica.

Thatcher: um terror sem um átomo de humanidade

 

Stephen Morrissey – The Daily Beast, texto em português publicado no Diário Digital – Reproduzido também nos blogues Blog Sujo ,Pizzaria do Poder e Mingau de Aço

Cada movimento que fazia era carregado de negatividade; ela destruiu a indústria manufatureira britânica, odiava os mineiros, odiava as artes, odiava os combatentes da liberdade irlandeses e permitiu que eles morressem, odiava os ingleses pobres e não fez nada para ajudá-los, odiava o Greenpeace e ambientalistas, foi a única líder política da Europa que se opôs a uma proibição do comércio de marfim,  não tinha nenhuma sagacidade e nenhum calor a ponto de seu próprio Gabinete demiti-la. Ela deu a ordem para explodir o Belgrano, mesmo estando fora da zona de exclusão das Malvinas – e navegando em direção oposta ao das Ilhas!  Quando os jovens argentinos a bordo do Belgrano sofreram  uma morte terrível e injusta, Thatcher fez sinal de positivo  para a imprensa britânica.

De ferro? Não. Bárbara? Sim.  Ela odiava feministas apesar de ter sido em grande parte devido ao avanço do movimento de mulheres que o povo britânico permitiu-se a aceitar que um primeiro-ministro pudesse  ser do sexo feminino. Mas por causa de Thatcher, pode ser que nunca mais haja uma outra mulher no poder na política britânica. Em vez de abrir a porta para outras mulheres, ela fechou.

Thatcher só será lembrada com carinho por sentimentalistas que não sofreram sob a sua liderança, mas a maioria dos trabalhadores britânicos já a esqueceu e as pessoas da Argentina devem estar celebrando sua morte. Os fatos mostram, sem sombra de dúvida, que Thatcher era um terror sem um átomo de humanidade.

***********************************************************************************

Polícia se mobiliza para evitar protestos no enterro de Thatcher.

 

 

Diante da ameaça de protestos, um comitê composto por representantes do governo, da polícia, do serviço secreto MI5 e da família real se reunirá diariamente para organizar o esquema de segurança do funeral da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, que faleceu na segunda-feira, aos 87 anos, vítima de um derrame.

A polícia ainda não divulgou o número de oficiais que farão a segurança do cortejo fúnebre que levará o caixão de Thatcher pelas ruas de Londres, de Westminster até a Catedral de São Paulo, no centro da cidade, na próxima quarta-feira, dia 17.

 

O trânsito ficará interrompido ao longo de todo o trajeto, que será acompanho por militares das três forças armadas, entre os quais militares da reserva que lutaram durante a Guerra das Malvinas, na década de 80.

De acordo com o diário britânico The Guardian, um dos focos da operação policial – que estará sob comando do comandante David Martin, chefe da Unidade de Ordem Pública da Polícia Metropolitana de Londres – será conter potenciais ameaças de dissidentes republicanos irlandeses e de simpatizantes da extrema-esquerda.

Em outubro de 1984, o Exército Republicano Irlandês (IRA) detonou uma bomba em uma conferência do Partido Conservador em Brighton, deixando quatro mortos e dezenas de feridos. A premiê, que era alvo do ataque, escapou por pouco.

A Polícia Metropolitana de Londres fez um apelo para que grupos que estejam planejando manifestações no dia do funeral entrem em contato para garantir que o direito de protestar seja respeitado bem como o direito dos que prestarão a última homenagem à polêmica ex-premiê.

Segundo o jornal The Independent, policiais estão monitorando sites de mídia social e fóruns na internet com o objetivo de descobrir se há planos por parte de manifestantes de usar o dia do funeral para protestar contra o legado de Thatcher.

Nos últimos dias, forças policiais foram acionadas em várias partes do país para conter manifestações e “festas” em comemoração à morte da ex-premiê, que até hoje divide opiniões em todas as esferas da sociedade britânica por ter implementado uma série de reformas políticas e econômicas polêmicas durante seus três mandatos, entre 1979 e 1990.

Protestos foram registrados em Brixton, bairro no sul de Londres, palco de violentos protestos contra a premiê em 1981. A polícia também conteve distúrbios em Bristol, no sudoeste da Inglaterra, em Liverpool, no norte, e em Glasgow, capital da Escócia.

BBC

Anúncios