Queima do alho de Araçatuba é sucesso

por Hélio Consolaro
 
 
Em Araçatuba, as pessoas leem, escutam falar sobre a Queima do Alho. Que bicho é esse? Como há esclarecimentos, e elas são convidadas e gostam, então os adeptos estão aumentando.

No domingo, a partir das 11h, no recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado, mais de mil pessoas se fizeram presentes, e outras voltaram por falta de convite. Foi a primeira disputa das comitivas de Araçatuba e região em 2013. Como choveu, a queima do alho foi transferido do Sítio do Peão, com muitas árvores, para um barracão. Perdeu a ambiência, mas valeu a pena.

Como há gente fazendo jantares, comemorando aniversário, contratando uma comitiva para fazer a queima do alho, elas já fazem o seu marketing, à procura de clientela 

ANHANGAÍ 
O evento é organizado pelo Centro de Tradições Culturais, presidido pela professora Cláudia Colli, com apoio da Prefeitura de Araçatuba, pelas secretarias de Cultura e Educação. Há escolas municipais ensinando a dança da catira para os alunos.

A comitiva Anhangaí foi a campeã, a Fogão de Lenha vice, ambas de Araçatuba. A São Francisco, do senhor Chiquinho, de Bento de Abreu, terminou em terceiro, mas houve outras três, que ajudaram a fazer comida para aquele mundão de gente.   

Prefeito Cido Sério (PT) admira a dança da catira do grupo Novos Araçás

Dia 9 de junho, haverá outra disputa, com as comitivas servindo o almoço tropeiro. Enquanto os visitantes chegam, a comissão julgadora fica saboreando a comida para saber qual é a melhor. A comitiva campeã irá representar a região na Festa do Peão em Barretos, em agosto deste ano.

COMITIVAS
Quem são as atuais comitivas? São arremedos, imitações das antigas comitivas,  pessoas que têm como divertimento, prazer, hobby, reviver aqueles momentos da parada da boiada, quando os tropeiros comiam, se alimentavam para prosseguir no estradão. É a busca de nossas raízes culturais.

Queima do alho é culinária típica das comitivas dos peões de boiadeiro que viajavam “mundão afora” levando o gado. Consta que as viagens duravam de três a seis meses, daí a preocupação de levar no lombo de animais, alimentos não perecíveis. 

Cláudia Colli (presidenta do Centro de Tradições Culturais), Jota Carvalho (Barretos – apresentador), Hélio Consolaro (secretário municipal de Cultura) e Antônio Carlos Ferreira (secretário municipal de Turismo). Todos teúdos e manteúdos se posicionaram para a foto. A queima do alho engorda 

QUEIMA DO ALHO EM ARAÇATUBA A Queima do Alho traz em seu cardápio: arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco. A comida é preparada em fogão improvisado, bem próximo ao chão. Se quiser a receita, acesse aqui.O prefeito Cido Sério é um entusiasta da Queima do Alho. 
Tudo começou com as professoras Cláudia Colli e Vera Afonso, que promoviam a queima do alho na rua Coroados, defronte ao Bar do Colli. Com a vitória do prefeito Cido Sério, a Secretaria Municipal de Cultura, junto com a Educação e apoio do Sindicato Rural da Alta Noroeste (SIRAN), a queima foi se tornando um evento institucional. A Prefeitura de Araçatuba apoia significativamente as comitivas.   
Atualmente, há um movimento para que o Ministério da Cultura reconheça a Queima do Alho como patrimônio histórico imaterial.

Apesar da disputa, predomina o companheirismo entre as comitivas

AUTORIDADES Estiveram presentes várias autoridades, como: prefeito, vereadores, secretários municipais e deputado. Prefeito Cido Sério experimentou carneiro no buraco, juntamente com alguns amigos. Vereadores Jaime José da Silva (presidente da Câmara Municipal de Araçatuba), Gilberto Batata Mantovani, Beatriz Nogueira também se fizeram presentes. O deputado estadual Dilador Borges compareceu com seus assessores.  

André Mazon, diretor de Cultura de Mogi Mirim, camisa listrada, sem chapéu, gostou da qeima do alho e aprendeu muito com as comitivas

Secretários: Hélio Consolaro (Cultura), Antônio Carlos Ferreira (Turismo), Jorge Rosas (Meio Ambiente), Marta Dourado (Assistência Social), José Carlos Teixeira (Saúde), coronéis Assis (corregedor) e Kerlis (Segurança Pública). 
O diretor de Cultura de Mogi Mirim, André Mazon, passou o fim de semana em Araçatuba para aprender tudo da queima do alho, pois quer resgatar a cultura caipira da região Mogiana.   

Provimento das comitivas. Não se esqueceram do lampião

Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

10 horas atrás

A revista Retratos do Brasil desmonta peças do mensalão

por Hélio Consolaro
 
Em primeiríssima mão, 247 divulga a reportagem de capa da próxima edição da revista Retrato do Brasil, de Raimundo Rodrigues Pereira; ela demonstra que os empréstimos bancários tomados pelo PT existiram (com os devidos registros) e que foi preciso grande esforço retórico para transformar as “fragilidades e falhas” no processo de controle dos recursos do Fundo Visanet pelo Banco do Brasil num clamoroso “desvio de dinheiro público”; matéria afirma que Justiça no processo faz lembrar “tempos medievais”; publicação estará nas bancas no próximo fim de semana; leia antes aqui

O acórdão do julgamento do mensalão deve sair nesta semana, mas o mais controverso processo judicial dos últimos anos no Brasil segue com inúmeras questões a serem respondidas. No próximo fim de semana, chega às bancas das principais capitais do País, a R$ 8,00, edição da revista Retrato do Brasil que esmiúça a “construção do mensalão”, e a que você tem acesso em primeira mão no 247. Leia, em primera mão, “A construção do mensalão”, da revista Retrato do Brasil Na reportagem de capa, a publicação promete mostrar que “o mensalão foi uma espécie de maldição aspergida pelo ex-deputado Roberto Jefferson sobre um esquema de financiamento eleitoral por meio do qual o partido do presidente Lula e de seu ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, distribuiu, entre 2003 e 2004, cerca de 56 milhões de reais para vários de seus filiados, para o marqueteiro de muitas de suas campanhas, Duda Mendonça, e para vários partidos da chamada base aliada”. Entre os questionamentos apresentados pela revista está o fato de que os empréstimos do Banco Rural ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e aos dirigentes da empresa SMP&B, que levaram ex-executivos do banco e da agência à condenação, “estavam perfeitamente contabilizados exatamente para confirmar sua existência e para cobrar do PT que os pagasse”, como destacam depoimentos dos ex-executivos do banco. “Eram empréstimos, efetivamente. Esperávamos que o PT os pagasse. Se era dinheiro para corrupção, porque fazer e depois entregar à polícia essa contabilidade minuciosa?”, questiona Ramon Hollerbach, ex-sócio da SMP&B, na reportagem. Destacando que a Justiça no processo faz lembrar “tempos medievais”, a publicação comandada por Raimundo Rodrigues Pereira detalha ainda o caso Visanet, que, no processo, teria provado a existência de dinheiro público no suposto esquema. “Um dos segredos da Visanet nos lugares em que opera é colocar a serviço da venda de seus cartões – e, portanto, do aumento de seu faturamento – bancos rivais entre si, cada um interessado em emitir mais cartões que o outro, disputando cada espaço do mercado”, explica o texto, que exemplifica: “se havia, como de fato houve nesse período, um congresso de magistrados em Salvador e o BB queria fazer uma promoção no local, isso não deveria estar escrito num plano a ser discutido dentro da Visanet, onde estava o Bradesco, por exemplo, com mais ações que o BB na empresa e igualmente ávido para vender cartões Visa aos juízes, pessoas de alto poder aquisitivo”. Visanet A estratégia empresarial explica, segundo a revista, porque “as relações entre Visanet, bancos e agências de publicidade tinham de ser mais frouxas, para que o negócio funcionasse melhor”. “Os negócios foram feitos assim e o truque funcionou, especialmente para o BB, que se tornou, nos anos da gestão Pizzolato, líder no faturamento de cartões de crédito entre os bancos associados à Visanet”, conta a Retrato do Brasil. “Os auditores foram procurar documentos onde esses documentos não estavam. Notas fiscais, faturas e recibos da agência DNA e de fornecedores que teriam feito para ela as ações de incentivo autorizadas pelo BB foram buscados no próprio BB, onde não estavam. Como quem procura acha, os auditores encontraram ‘fragilidades e falhas’: descobriram que, nos dois períodos até então (…), as ações com dinheiro do FIV [Fundo de Incentivos Visanet] alocado para o BB, com falta absoluta ou parcial de documentos nos arquivos do próprio BB, chegavam quase à metade dos recursos despendidos”, lembra o texto. “Ao procurarem os mesmos documentos na Visanet, os auditores os encontraram. Evidentemente, a grande mídia – cujos colunistas mais raivosos chamam os petistas de petralhas – divulgou apenas que os auditores tinham achado, nos arquivos do BB, ‘fragilidades e falhas’ que mostravam indícios de que os serviços da DNA para o BB poderiam não ter sido realizados. A transformação das ‘fragilidades e falhas’ no processo de controle dos recursos do Fundo de Incentivos Visanet pelo Banco do Brasil num clamoroso ‘desvio de dinheiro público’ não se deu por força de afirmações contidas nos frios relatórios da auditoria feita pelo banco nesse fundo. Essa metamorfose ocorreu após a denúncia do escândalo na Câmara dos Deputados, um local no qual o PT sofrera uma grande derrota no início de 2005, com a perda da presidência da Casa, cargo em que estava seu deputado João Paulo Cunha, um ex-metalúrgico, como o presidente Lula”, conta a revista. Leia mais em a “A construção do mensalão”, da revista Retrato do Brasil Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letra