Um candidato da oposição vivendo num mundo de fantasia

por Rilton Nunes
 



Por Zé Dirceu 
Em entrevista camarada na Folha de S.Paulo no fim de semana (domingo) – “camarada” porque o mesmo espaço e tipo de entrevista não foram dados, ainda, aos outros pré-candidatos presidenciáveis -, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) adota o discurso já disseminado de que a presidenta Dilma é “leniente” com a inflação e intervencionista, ao querer “até controlar o lucro de empresários”. “No governo do PSDB, existia tolerância zero com a inflação”, afirma.

“Defendo que o Banco Central tenha total autonomia para fazer o que considerar necessário. Se avaliar que é preciso subir juros para conter a inflação que ele mesmo diz ser preocupante, então tem de subir os juros. O que não pode é haver interferência política, de viés eleitoral”, completa o senador. Ao mesmo tempo, ainda que evite falar diretamente o que faria, ele deixa claro que não tomaria medidas contra uma questão crucial, o desemprego. Fala apenas em aumento de competitividade e investimentos corretos. 
Sobre as contas de luz, ele diz: “Nós também defendemos a diminuição das tarifas. Propusemos uma redução até maior, mais 6%, com diminuição do PIS/Cofins nas contas de luz. O governo do PT, com um populismo enorme, fez disso uma moeda eleitoral. Dilma fez uma intervenção no setor e viu que foi equivocada. Hoje, todas as distribuidoras (de energia) estão pedindo financiamentos ao governo e vão receber dinheiro do Tesouro, o dinheiro da dona Maria, que tinha de ir para saúde, educação.” 
Isso é falsear a verdade 
É no mínimo escondê-la, escamoteá-la. Quem não se lembra que o senador Aécio liderou a resistência no Congresso à aprovação da Medida Provisória (MP) que a presidenta Dilma baixou reduzindo as contas de luz? E que foram os três principais Estados governados pelos tucanos, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, que boicotaram um aumento maior proposto pela presidenta e que as energéticas desses três Estados não aderiram à renovação das concessões? 
E já que o senador propôs diminuição do PIS/Cofins, tributos federais, por que em nenhum momento sugeriu que os Estados, Minas inclusive, reduzissem um imposto estadual, o ICMS, incidente sobre energia? Aécio Neves com espaço à vontade na mídia fala o que bem entende. 
Agora no fim de semana na Folha, a última dele é sobre inflação, desemprego e câmbio. Esquecendo, é óbvio, que os tucanos deixaram o país com alto desemprego e com o dobro de inflação da meta de hoje. E que usaram e abusaram do câmbio administrado e com a ilusão do câmbio fixo a um real por dólar (paridade), que nos custou juros de até 27,5% reais ao ano. 
Com juros altos, governos tucanos dobraram dívida interna 
Além de, em consequência, nos deixarem a herança da dívida interna que dobrou nos oitos anos de FHC (1995-2002), apesar do aumento da carga tributária em 100% que impuseram ao país e da venda do patrimônio público na privataria tucana. Como vocês podem constatar, o senador Aécio, candidato tucano já lançado e em campanha pela presidência da República no ano que vem, vive num mundo da fantasia. 
O câmbio, a exemplo do que faz atualmente o Brasil, é administrado em todo o mundo. Ao defender uma politica de omissão frente à moeda, o senador condena nossa indústria à destruição. Da mesma forma que, ao se opor a redução do preço da energia e ao papel dos bancos públicos, quer na verdade subir os juros e jogar a economia numa recessão, sonho dos rentistas e do capital financeiro. 
SINTONIA FINA – @riltonsp – com Justiceira de Esquerda 
5 horas atrás

Não há nada contra Lula. Mas MPF precisa abrir a caixa-preta do mensalão tucano de 2002 e na Telesp.

por Rilton Nunes
 
 
A imprensa demotucana ficou excitada com essa nota do MPF:
 Nota à imprensa do MPF/DF sobre abertura de inquérito
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5/4/2013
Foi requisitado instauração de inquérito para apurar um dos fatos descritos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza
O Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) requereu à Polícia Federal a instauração de inquérito para apurar um dos fatos descritos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República (PGR) em setembro de 2012. O teor específico desse relato já foi divulgado na imprensa. Nele, o empresário afirma que teria sido feito um repasse de US$ 7 milhões por parte de fornecedora da Portugal Telecom em Macau (China), ao Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de contas bancárias no exterior.
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Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Distrito Federal
(61) 3313-5460/5458
twitter.com/MPF_DF

Apesar de quererem usar essa nota para atacar o presidente Lula, e o PT, a notícia é preocupante é para o tucanato da privataria.

No referido depoimento, Valério teria dado o número de uma conta no exterior do publicitário Nizan Guanaes para, supostamente receber por caixa-2, segundo o jornal Estadão, que diz ter lido o depoimento sigiloso. Porém, Guanaes atuou na campanha presidencial de José Serra (PSDB-SP) em 2002, e o noticiário de agosto de 2004 dizia que ainda havia dívidas de campanha para pagar.

A Portugal Telecom foi a compradora da Telesp Celular na privataria de 1998, e de parcela significativa da Telesp fixa. Aliás, às vésperas da privataria, a SMPB de São Paulo, empresa de Marcos Valério, realizou transações milionárias na Telesp, ainda estatal sob domínio tucano, em valores suspeitos, dez vezes acima do contratado. E o caminho do dinheiro foi para 6 empresas com características de serem “de fachada”. Teriam sido abertas apenas para receber dinheiro oriundo do caixa da Telesp, e todas as 6 empresas são dos mesmos donos. A CPI dos Correios chegou a iniciar uma linha de investigação nessa questão, mas acabou não aprofundando. 

A pergunta que o povo precisa de respostas é: Por que o Ministério Público Federal em São Paulo não investigou a conexão Telesp do “mensalão”? Talvez essa investigação no DF abra essa caixa-preta.

Não existe nada contra Lula

Eu sei que contra golpismos todo cuidado é pouco. Mas não existe nada contra o presidente Lula, como já cansamos de falar aqui.

Aliás, se existisse algo que Marcos Valério pudesse usar contra Lula já teria usado em 2005 e 2006, para eleger já naquele ano seus amigos demotucanos, para nomear um engavetador, e arquivar o caso.

SINTONIA FINA – @riltonsp 

6 horas atrás

EXCLUSIVO ‘ RETRATO’ DESMONTA CONSTRUÇÃO DO MENSALÃO

por Rilton Nunes
 
 
Em primeiríssima mão, 247 divulga a reportagem de capa da próxima edição da revista Retrato do Brasil, de Raimundo Rodrigues Pereira; ele demonstra, com documentos, que os empréstimos bancários tomados pelo PT existiram (com os devidos registros) e que foi preciso um grande esforço retórico para transformar as “fragilidades e falhas” no processo de controle dos recursos do Fundo de Incentivos Visanet pelo Banco do Brasil num clamoroso “desvio de dinheiro público”; matéria afirma que justiça no processo faz lembrar “tempos medievais” e que o chamado mensalão faz por merecer o apelido de mentirão; publicação estará nas bancas no próximo fim de semana; leia antes aqui… 
O SINTONIA FINA REPRODUZ ARTIGO DO 247 O acórdão do julgamento do mensalão deve sair nesta semana, mas o mais controverso processo judicial dos últimos anos no Brasil segue com inúmeras questões a serem respondidas. No próximo fim de semana, chega às bancas das princiais capitais do País edição da revistaRetrato do Brasil que esmiúça a “construção do mensalão”, e a que você tem acesso em primeira mão no 247.Leia, em primera mão, “A construção do mensalão”, da revista Retrato do Brasil Na reportagem de capa, a publicação promete mostrar que “o mensalão foi uma espécie de maldição aspergida pelo ex-deputado Roberto Jefferson sobre um esquema de financiamento eleitoral por meio do qual o partido do presidente Lula e de seu ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, distribuiu, entre 2003 e 2004, cerca de 56 milhões de reais para vários de seus filiados, para o marqueteiro de muitas de suas campanhas, Duda Mendonça, e para vários partidos da chamada base aliada”. Entre os questionamentos apresentados pela revista está o fato de que os empréstimos do Banco Rural ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e aos dirigentes da empresa SMP&B, que levaram ex-executivos do banco e da agência à condenação, “estavam perfeitamente contabilizados exatamente para confirmar sua existência e para cobrar do PT que os pagasse”, como destacam depoimentos dos ex-executivos do banco. “Eram empréstimos, efetivamente. Esperávamos que o PT os pagasse. Se era dinheiro para corrupção, porque fazer e depois entregar à polícia essa contabilidade minuciosa?”, questiona Ramon Hollerbach, ex-sócio da SMP&B, na reportagem. Destacando que a Justiça no processo faz lembrar “tempos medievais”, a publicação comandada por Raimundo Rodrigues Pereira detalha ainda o caso Visanet, que, no processo, teria provado a existência de dinheiro público no suposto esquema. “Um dos segredos da Visanet nos lugares em que opera é colocar a serviço da venda de seus cartões – e, portanto, do aumento de seu faturamento – bancos rivais entre si, cada um interessado em emitir mais cartões que o outro, disputando cada espaço do mercado”, explica o texto, que exemplifica: “se havia, como de fato houve nesse período, um congresso de magistrados em Salvador e o BB queria fazer uma promoção no local, isso não deveria estar escrito num plano a ser discutido dentro da Visanet, onde estava o Bradesco, por exemplo, com mais ações que o BB na empresa e igualmente ávido para vender cartões Visa aos juízes, pessoas de alto poder aquisitivo”.Visanet A estratégia empresarial explica, segundo a revista, porque “as relações entre Visanet, bancos e agências de publicidade tinham de ser mais frouxas, para que o negócio funcionasse melhor”. “Os negócios foram feitos assim e o truque funcionou, especialmente para o BB, que se tornou, nos anos da gestão Pizzolato, líder no faturamento de cartões de crédito entre os bancos associados à Visanet”, conta a Retrato do Brasil. “Os auditores foram procurar documentos onde esses documentos não estavam. Notas fiscais, faturas e recibos da agência DNA e de fornecedores que teriam feito para ela as ações de incentivo autorizadas pelo BB foram buscados no próprio BB, onde não estavam. Como quem procura acha, os auditores encontraram ‘fragilidades e falhas’: descobriram que, nos dois períodos até então (…), as ações com dinheiro do FIV [Fundo de Incentivos Visanet] alocado para o BB, com falta absoluta ou parcial de documentos nos arquivos do próprio BB, chegavam quase à metade dos recursos despendidos”, lembra o texto. “Ao procurarem os mesmos documentos na Visanet, os auditores os encontraram. Evidentemente, a grande mídia – cujos colunistas mais raivosos chamam os petistas de petralhas – divulgou apenas que os auditores tinham achado, nos arquivos do BB, ‘fragilidades e falhas’ que mostravam indícios de que os serviços da DNA para o BB poderiam não ter sido realizados. A transformação das ‘fragilidades e falhas’ no processo de controle dos recursos do Fundo de Incentivos Visanet pelo Banco do Brasil num clamoroso ‘desvio de dinheiro público’ não se deu por força de afirmações contidas nos frios relatórios da auditoria feita pelo banco nesse fundo. Essa metamorfose ocorreu após a denúncia do escândalo na Câmara dos Deputados, um local no qual o PT sofrera uma grande derrota no início de 2005, com a perda da presidência da Casa, cargo em que estava seu deputado João Paulo Cunha, um ex-metalúrgico, como o presidente Lula”, conta a revista. Leia mais em a “A construção do mensalão”, da revista Retrato do Brasil 
SINTONIA FINA – @riltonsp 
14 horas atrás

Os privilégios da mídia têm que acabar

por Rilton Nunes
 
 

Por Paulo Nogueira

Li “A Renúncia de Jânio”, do jornalista Carlos Castelo Branco, o último grande colunista político brasileiro.

O que me levou a esse velho livro foram as recentes evocações do infame golpe militar de 1964 em seu aniversário, no dia 31 de março.

O golpe, de alguma forma, começa em Jânio, o demagogo que renunciou à presidência em 1961 quanto estava fazia apenas sete meses no cargo, por motivos jamais explicados.


Mas o que mais me chamou a atenção no livro é um episódio que mostra bem o regime de privilégios fiscais desfrutados há muito tempo pelas empresas jornalísticas brasileiras.

Castelinho, que foi assessor de imprensa de Jânio, conta que certa vez estava preparando uma sala para um pronunciamento que ele, Jânio, faria naquela noite em rede nacional de televisão.

No lugar escolhido, a biblioteca do Palácio da Alvorada, Castelinho viu sobre a mesma um exemplar do Estadão de domingo. Em cima, estava um bilhete do presidente: “Não toquem neste jornal. Preciso dele”.

“Só soube do que se tratava quando Jânio o ergueu na mão para exibi-lo audaciosamente ao país [na fala em rede] como fruto de privilégios, o esbanjamento de papel comprado com subvenção oficial, pago, portanto, pelo povo”, escreveu Castelinho.

É o chamado “papel imune”. Os contribuintes subvencionam há décadas o papel usado para imprimir jornais e revistas.

Jânio apontou o mal, mas não foi capaz de resolvê-lo. Os mesmos empresários que tanto falam num Estado mínimo não se embaraçam em, nas sombras, mamar nele em coisas como o papel imune, e em muitas outras.

Dinheiro público foi sempre usado também para financiar – em condições de mãe para filho – empreendimentos que deveriam ser bancados por nossos intrépidos, aspas, capitalistas da mídia.

Nos anos 90, Roberto Marinho comemorou ao lado de FHC a inauguração de uma supergráfica projetada para quando o jornal chegasse – hahaha – à marca de 1 milhão de exemplares.

FHC não estava na foto porque Roberto Marinho queria promovê-lo. É que o governo tinha concedido um empréstimo especial às Organizações Globo para fazer a gráfica que hoje parece uma piada.

Por que o empréstimo? Ora, a Globo era então já uma potência. Tinha mais de metade do faturamento da publicidade nacional, graças à tevê e a expedientes amorais como o chamado BV (bonificação por vendas).

A empresa poderia, perfeitamente, bancar o passo (torto) que decidira dar com a nova gráfica. Mas não. O Estado babá estava ali, à disposição, na figura sorridente de FHC.

Essencialmente, o resultado é que a fortuna da família Marinho foi poupada do risco de um investimento que poderia fracassar, como aconteceu.

Coisa parecida aconteceu com as outras grandes empresas em suas incursões para fazer novos parques gráficos: dinheiro farto, quase dado.

Fora o papel imune, naturalmente.

E fora, mais recentemente, artifícios como a criação de PJs (pessoas jurídicas) para reduzir os impostos pagos.

Note. As companhias jornalísticas não querem pagar impostos, mas depois esperam que o Estado – com dinheiro alheio, do “Zé do Povo”, como dizia o patriarca Irineu Marinho – esteja com os cofres cheios para bancar seus investimentos.

Para completar a tragicomédia, as empresas promovem campanhas sistemáticas de engambelação coletiva destinadas a provar, aspas, que os impostos são elevados no Brasil.

Não são. A carga tributária brasileira, na casa de 35%, é bem menor que a de países modelos, como a Escandinávia.

A diferença é que, neles, as corporações pagam o que devem. Vá, na Dinamarca ou na Noruega, inventar PJs e você é chutado da esfera corporativa e submetido a desprezo nacional.

Para que o Brasil avance socialmente, as mamatas das empresas de mídia – fiscais e não só fiscais — têm que acabar.

Não é fácil, como vemos ao constatar o que deu do brado janista de meio século atrás. Sucessivos governos têm vergado ao poder de intimidação da mídia. (Para a qual vigora ainda uma inacreditável reserva de mercado, aliás.)

Mas nada é fácil.

O poder de manipulação da mídia se reduziu, graças à internet.

Se há uma hora para fazer o que deve ser feito, é esta.

O dinheiro que custam as mordomias bilionárias da mídia deve servir à sociedade: que se construam escolas, hospitais e estradas com ele, em vez de vê-lo dar acesso à lista de superricos da Forbes.

Dilma tem que se mexer, em nome do Brasil.

SINTONIA FINA – @riltonsp