Documento divulgado pelo WikiLeaks mostra que governo americano sabia do assassinato de Stuart Angel

por Daniel Dantas Lemos
 
Por Hildegard Angel 
A colunista transcreve a matéria que acaba de ser publicada ainda a pouco, às 18h49m, no portal oficial do Governo Brasileiro, o EBC, da Agência Brasil, confirmando tudo o que minha mãe, Zuzu Angel, bradou sempre aos quatro ventos, enquanto era recebida com frieza, indiferença, olhares distraídos, como se não passe de uma louca, desvairada, uma fantasiosa obcecada.

Obstinação que a levou a também ser assassinada, em 14 de Abril de 1976, um mês após entregar ao Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger um dossiê relatando a morte de meu irmão, Stuart.

Pelo documento enviado pela Embaixada Americana ao Departamento de Estado dos EUA, em 1973, Stuart foi absolvido em sessão secreta pelo Supremo Tribunal Militar, confirmando decisão do Tribunal da Aeronáutica, que já o sabia morto desde 1971. O que aconteceu na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, comandada pelo brigadeiro Burnier.

Em tempo, o assassinato de minha mãe não se deu num “acidente inexplicado” como até hoje a imprensa insiste em equivocadamente afirmar.

Em 1998, no Governo Fernando Henrique Cardoso, o dito “acidente” foi devidamente esclarecido e provado como provocado pelas forças extremas, radicais e malvadas da ditadura militar brasileira, em inquérito da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, liderado pelo relator Miguel Reale Jr., havendo inclusive duas testemunhas oculares do crime, localizadas pelo Governo Brasileiro na Paraíba, em João Pessoa. Ficou faltando identificar os nomes dos algozes de minha mãe. O ex-torturador Claudio Guerra, em seus relatos no livro Memórias de uma guerra suja, chega a nominar um dos possíveis assassinos, mas a Comissão da Verdade ainda não buscou essa pista. Isso é História do Brasil.

Wikileaks: documento relata assassinato de Stuart Angel

Leandro Melito – Portal EBC – 08.04.2013 – 18h49 | Atualizado em 08.04.2013 – 20h14

Brasília – Disponibilizado pelo Wikileaks, documento da embaixada dos EUA em Brasília endereçado aos escritórios de Assuntos Interamericanos do Departamento de Estado dos EUA, em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, no dia 14 de março de 1973, fala sobre o assassinato do militante Suart Edgart Angel Jones, que teria sido absolvido em sessão secreta da Suprema Corte Militar dois anos após sua morte.

Assinado pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, William Manning Rountree, o telegrama narra “o capítulo final do trágico caso” de Stuart Angel. “Na última semana, em uma sessão secreta, a Suprema Corte Militar reafirmou a decisão do Tribunal da Aeronáutica em absolver Jones de sua alegada contravenção ao Ato de Segurança Nacional. Como o departamento está consciente, Jones foi detido no Aeroporto Galeão (Rio) em 1971 e subsequentemente assassinado por agentes da Aeronáutica”.

Na virada das décadas de 60/70, passou a militar no MR-8, grupo de ideologia socialista que fazia a luta armada contra o regime militar, onde usava os codinomes ‘Paulo’ e ‘Henrique’. Em 14 de junho de 1971, Stuart Jones foi preso, torturado e morto por membros do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica). Foi casado com a também militante e guerrilheira Sônia Morais Jones, presa, torturada e morta dois anos depois e também dada como desaparecida.

Então com 25 anos, Stuart era filho do americano Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, figurinista e estilista conhecida internacionalmente. Ele foi estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e possuía dupla nacionalidade, brasileira e americana.

Direitos autorais: Creative Commons – CC BY 3.0

Stuart Edgar Angel Jones, preso, torturado, assassinado na Base Aérea do Galeão, até o Wikileaks sabe e divulga, mas os malfeitores continuam impunes de um crime imprescritível: a TORTURA 

9 horas atrás

Em Fortaleza, cooperativa quer obrigar enfermeiros a abdicar de direitos trabalhistas

por Daniel Dantas Lemos
 
No Diário do Nordeste

Pacientes do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) ainda encontram atendimento precário no hospital devido à paralisação dos funcionários da saúde. Segundo funcionários da unidade, vários leitos das clínicas e das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estão bloqueados, e o Centro Cirúrgico está com a atividade bastante reduzida.

Na manhã desta segunda (8), cerca de 100 enfermeiros realizaram uma manifestação em frente ao HGF, cobrando uma posição da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) sobre a nova Cooperativa vencedora da licitação, a Coosaúde. De lá, seguiram para a sede da Sesa, para um encontro com o secretário, Arruda bastos. “Essa nova cooperativa não tem estrutura para receber os mais de 2 mil enfermeiros do Estado, e também não tem o quadro suficiente de funcionários para começar a trabalhar agora”, afirma a presidente da Coopen, Najla Pinheiro.

Paralisação dos enfermeiros prejudica atendimento

“Na Clínica Médica, 13 das 25 enfermarias estão bloqueadas por falta de enfermeiros”, afirmou um médico residente que não quis se identificar. Segundo ele, os pacientes com casos de menor complexidade estão sendo encaminhados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Gonzaguinhas. De acordo com o vice-presidente da Associação de Médicos do HGF, Dr. Sérgio Pessoa, os setores mais prejudicados com a falta de enfermeiros são as UTIs e internações eletivas.

Ao assinar a declaração, os enfermeiros abdicam 
dos direitos trabalhistas. FOTO: Reprodução

Desde o mês passado, os enfermeiros cooperados que trabalham para o Governo do Estado estão paralisados devido ao atraso de 3 meses no pagamento da produção. Além disso, os enfermeiros reclamam do fim do contrato com a Coopearativa dos Profissionais de Enfermagem do Ceará (Coopen) com a Secreatria de Saúde do Estado (Sesa).


Funcionários estariam sendo forçados a migrar de cooperativa

Segundo uma enfermeira do HGF que não quis se identificar, pessoas ligadas à Coosaúde estariam assediando funcionários dentro dos hospitais, levando-os a se filiar à nova empresa.”Estão nos forçando a assinar uma declaração abdicando de todos os direitos trabalhistas”, declarou a enfermeira. De acordo com a funcionária, a Coosaude impõe regras obscuras e ainda não prestou nenhum esclarecimento aos enfermeiros.

A Secretaria de Saúde negou as acusações de assédio dentro dos hospitais e disse que o Governo está dando um prazo para que os enfermeiros se associem à Coosaúde, mas por vontade própria.

9 horas atrás

Geraldão sofre acidente e corre risco de perder movimentos

por Daniel Dantas Lemos
 
No Portal NoAr

Um dos membros mais famosos do Partido dos Trabalhadores no Brasil, Geraldo Saraiva, o Geraldão do PT, corre o risco de ficar tetraplégico após sofrer um acidente no mar neste domingo (7). Segundo a mulher dele, Aparecida Lima, Geraldão se acidentou ao mergulhar de cabeça de um barco na Praia de Barra de Cunhaú. Chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado para o hospital São Lucas, onde continua internado.

Segundo Aparecida Lima, Geraldão teve parte do corpo paralisado após o acidente mas, poucas horas depois, o movimento de alguns membros já voltaram. Porém, ele continua com dificuldade de movimento tanto na parte superior do corpo, quanto na inferior. Por isso, existe a suspeita de uma lesão na coluna.

“O médico pediu um exame de ressonância magnética para ter um diagnóstico mais preciso da condição dele, mas é provável que ele fique um bom tempo sem andar”, revelou ela em contato com o portalnoar.com. O resultado da ressonância deve ser divulgado no início da noite.

Uma das mais populares lideranças petistas no RN e, também, diretor de negócios do CT Gás, Geraldão está consciente, falando, mas não tem previsão de alta no hospital São Lucas

10 horas atrás

Paulo Eduardo Teixeira, ex-presidente da OAB-RN, foi escolhido para o CNJ

por Daniel Dantas Lemos
 
Paulo Eduardo Teixeira deu uma face mais progressista à OAB-RN. Esteve ao lado dos estudantes e da  sociedade natalense, por exemplo, na ocupação da Câmara em 2011.  Agora, foi eleito para o Conselho Nacional de Justiça.

No Jurinews

O Pleno do Conselho Federal da OAB acaba de escolher os dois novos representantes da advocacia no CNJ.

Como o JURINEWS antecipou, o potiguar Paulo Eduardo Teixeira, ex-presidente da OAB-RN e atual conselheiro federal foi indicado para uma das vagas.

A outra vaga ficou com a advogada Gisela Gondim, conselheira federal por Santa Catarina.

Eles serão empossados no próximo mês de agosto, quando se encerra o mandato dos conselheiros Jorge Hélio e Jéfferson Kravchychyn.

15 horas atrás

Júri do Carandiru é adiado para a próxima segunda após jurada passar mal

por Daniel Dantas Lemos
 
No UOL

O júri popular de 26 policiais militares acusados pela morte de 15 detentos do antigo complexo penitenciário do Carandiru, que começou nesta segunda-feira (8) no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste de SP), foi adiado por uma semana –para o próximo dia 15, às 9h, no mesmo local.

A decisão, lida em plenário às 14h25 pelo juiz do caso, José Augusto Nardy Marzagão, foi tomada porque o Conselho de Sentença (corpo de jurados) sorteado nesta manhã precisou ser dissolvido. Uma das juradas teve problemas de saúde e teve de ser dispensada.

Segundo o juiz, a equipe médica que dá suporte ao júri constatou “impossibilidade” da jurada de permanecer no tribunal.

A sessão estava suspensa desde as 12h20 para que os jurados pudessem ler peças do processo e almoçar. O retorno deveria ter ocorrido às 13h20.

Na retomada do júri na próxima segunda, um novo Conselho de Sentença será sorteado em um grupo de 43 convocados –os 50 convocados inicialmente, menos os sete que foram sorteados hoje e acabaram dispensados.

Foi o segundo adiamento do júri, que seria realizado em 28 de janeiro deste ano, mas foi adiado pela Justiça a pedido de Ministério Público e defesa dos réus para que nova perícia de confronto balístico pudesse ser feita. Em março, o Instituto de Criminalística respondeu que novo laudo era inviável por razões técnicas.
Adiamento não traz prejuízo, diz promotor

Para o promotor titular do caso, Fernando Pereira da Silva, o adiamento não vai prejudicar a tese da acusação –para a qual os policiais atiraram sem chance de defesa para as vítimas.

“Estamos preparados para esse julgamento, e agora teremos uma semana a mais para focar nele e aguardar – a previsão inicial era que ele durasse duas semanas, adiado, não sofrerá maior prejuízo”, disse.

Se a presença de 24 PMs causaram algum tipo de desconforto nos jurados? “Não me pareceu que tenha sido isso. O jurado [da nova data] pode vir tranquilo para desempenhar bem sua função, que é o julgamento da causa”, afirmou. Indagado sobre réus que riam no plenário, durante a leitura de peças por parte dos jurados, antes da suspensão para o almoço, Silva resumiu: “Não percebi isso, de onde estava sentado, não via o rosto deles”, declarou.

Quanto à ausência de dois dos réus, o representante do MP evitou polemizar:”Foi uma opção deles faltar, não sei se houve alguma justificativa. Mas vamos ver se no próximo estarão presentes”.

Como se trata de réus soltos, a lei faculta a eles a possibilidade de não comparecer ao próprio julgamento. Em entrevista coletiva na sexta (5), o outro promotor do caso, Márcio Friggi, adiantara: “”De fato, o comparecimento não é obrigatório. Mas me causaria muita perplexidade a pessoa que se diz inocente não querer se defender”.
O julgamento

Serão julgados 26 policiais militares acusados pelo assassinato de 15 presos do complexo do Carandiru, em São Paulo, em outubro de 1992.

Segundo informações do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), dos 26 intimados para o julgamento, dois não compareceram ao fórum. São eles: Argemiro Cândido e Reinaldo Henrique de Oliveira. Os demais réus compareceram ao fórum sem farda.

O júri deve durar ao menos dez dias e é o primeiro de uma série de quatro que devem ser realizados até o final do ano para julgar o massacre, considerado o mais trágico na história do sistema prisional brasileiro. Ao todo, 111 presos foram assassinados.
Advogada se irrita com falta de almoço a réus

Compareceram hoje ao fórum seis testemunhas: cinco da acusação (entre sobreviventes e o perito aposentado Osvaldo Negrini Neto) e uma da defesa, cuja qualificação não foi informada. 

No intervalo da sessão de hoje, logo após o sorteio dos jurados, a advogada dos réus, Ieda Ribeiro de Souza, estava irritada e deu declarações a interlocutores, em voz alta, sobre uma representação que pretende enviar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O motivo: o TJ não providenciou alimentação para os réus, sob alegação de que, soltos, eles podem sair do fórum para almoçar. A advogada sugeriu que os PMs acabariam se deparando com jornalistas na lanchonete do prédio.

Para os jurados, a alimentação é por conta do TJ –cerca de R$ 8.000 para as duas semanas de júri.

84 PMs denunciados

No total, 84 policiais militares foram denunciados –destes, cinco já morreram, entre os quais o comandante da operação policial, o coronel da reserva Ubiratan Guimarães, assassinado em São Paulo em 2006, mesmo ano em que acabou sendo absolvido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo de uma condenação a 623 anos que obtivera em 2001 pelas mortes no Carandiru.

Após a sentença, Marzagão –que em setembro de 2012 designou a data do júri– deverá definir a data do próximo júri: dessa vez, o de 28 PMs, da Rota, acusados pela morte de 73 presos do terceiro pavimento. O magistrado disse que espera julgar o caso todo até o final deste ano.

O júri estava marcado para janeiro deste ano, mas foi adiado após pedido da defesa e da acusação para que a pericia de confronto balístico fosse refeita. Mês passado, o Instituto de Criminalística enviou ofício ao Judiciário informando que nova perícia seria inviável por razões técnicas.

De 28 projéteis para laudo, por exemplo, apenas três, segundo o IC, estão em condições de análise em função das mais de duas décadas decorridas. Dos 350 revólveres, 250 estão sem condições, e, no restante, ela não seria conclusiva.

Para o Ministério Público, no entanto, a impossibilidade técnica de se individualizar qual policial matou qual preso não deve dificultar os trabalhos da acusação.

“A imputação feita aos acusados nunca foi a de conduta individualizada, nem precisa, quando se fala em uma situação de concurso de pessoas para a prática de crime. O confronto balístico nunca foi imprescindível, nessa linha”, disse um dos promotores do caso, Márcio Friggi.

“O importante é que não se trata de um julgamento da PM do Estado de São Paulo; não é a instituição, que sempre foi nossa parceira, sentada no banco dos réus: falamos de policiais e ex-policiais que violaram a lei, e, por isso, estão sendo julgados”, completou o promotor titular, Fernando Pereira da Silva.

“Muita gente na sociedade ainda entende que bandido bom é bandido morto. De nada adianta vai adiantar todo um conjunto probatório se os jurados julgarem com base nessa linha”, disse Friggi, nessa sexta (5), na entrevista coletiva em que o MP falou sobre os preparativos para o julgamento.

VEJA COMO SERÁ O JULGAMENTO

Defesa

Ao contrário dos promotores, a advogada de todos os réus, Ieda Ribeiro de Souza, acredita que a falta de provas que individualizem a conduta dos réus prejudica a acusação.

“Esperamos que os jurados analisem provas. Porque é muito fácil atribuir esse caso à PM, mas não tem nada que diga que o policial X matou a vítima Y. Precisamos de isenção de ânimo dos jurados”, declarou.

A advogada sugeriu que nem todos os 26 deverão ser ouvidos pela defesa, possibilidade que a lei coloca, “a fim de abreviar o sofrimento do jurado”.
Testemunhas

Entre as 13 testemunhas arroladas pela acusação, estão ex-internos do Carandiru e o perito responsável pelo laudo do local do massacre, Oswaldo Negrini, hoje aposentado.

Pela defesa, foram arroladas dez testemunhas –entre elas o ex-governador Fleury e o secretário de segurança pública do Estado à época, Pedro Franco, além de juízes de varas criminais e desembargadores.

As testemunhas não são obrigadas a comparecer. Semana passada, por exemplo, a advogada dos PMs disse que Fleury não havia confirmado presença.

“Vai ser a oportunidade de ele dar algumas explicações, é interessante que vá. Por exemplo, pode dizer como foi dada a ordem para a invasão das tropas, onde ele estava naquele momento, por que a informação dos mortos só divulgada dia 3, dia de eleições municipais, já perto do encerramento da votação”, declarou a advogada.

O UOL falou com o ex-governador, por telefone, mas ele não quis comentar o caso. “Tudo o que eu tinha de falar sobre o Carandiru falei nos últimos 20 anos. Não tenho mais nada a acrescentar”, encerrou.

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