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Indiciamento de Lula passa a preocupar, de fato, a cúpula petista

por Helio Borba
 

Indiciamento de Lula passa a preocupar, de fato, a cúpula petista

6/4/2013 13:37
Por Redação – de São Paulo e Brasília 
Lula Lula é, hoje, um dos grandes líderes latino-americanos Os fortes indícios de que aponta no horizonte político brasileiro um novo julgamento espetaculizado, nos moldes do que foi o da Ação Penal 470, no Supremo Tribunal Federal (STF), conhecido como ‘mensalão’, levaram um grupo de líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) a se reunir para uma avaliação mais ampla do quadro de dificuldades que se avizinha. Para um dos integrantes do encontro nesta manhã de sábado, na capital paulista, em uma ligação por telefone com o Correio do Brasil, “o quadro é mais sério do que se imagina”. Não resta dúvida, para este interlocutor de peso na direção da legenda, que os adversários controlam boa parte do Judiciário, em suas camadas mais altas. “É sintomático”, para o líder petista, o fato de a Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) aceitar o inquérito aberto após as denúncias do réu na AP 470 Marcos Valério, condenado a 40 anos de prisão, de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria, de alguma forma, envolvido no escândalo.
Na mesma linha, o autor do Blog da Cidadania, Eduardo Guimarães, publicou nas primeiras horas da manhã que “um ‘passarinho’ muito bem informado” lhe contou que o PT está “preocupadíssimo com o recente indiciamento de Lula” pela PRDF. Ainda segundo Guimarães, que é também advogado, “para todos os efeitos, portanto, Lula foi indiciado. A tecnicalidade não muda a situação. Aliás, o próprio noticiário aponta para isso”, disse.
No artigo publicado, o blogueiro lembra que este “é o primeiro inquérito aberto com o objetivo único de investigar se Lula atuou no ‘mensalão’, apesar de a Ação Penal 470 (iniciada em 2007 pelo Supremo Tribunal Federal) tê-lo investigado antes de aceitar a denúncia da Procuradoria Geral da República. Tanto o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza – autor da denúncia do escândalo – quanto o STF, porém, à época entenderam que não havia elementos para indiciar Lula juntamente aos outros 38 acusados naquela ação penal”.
“Lula, portanto, jamais foi indiciado como alvo específico. Assim, o significado do que acaba de ocorrer é muito maior do que se pensa, ainda que o alarde da mídia sobre o fato (…) esteja esperando a hora certa para ter início”, acrescentou.
De acordo com o articulista, “a investigação que começa a tramitar na Procuradoria do Distrito Federal, segundo petistas graúdos – que só agora começam a se preocupar de verdade com a utilização do MPF e do Judiciário por seus adversários políticos –, tem todas as características da AP 470 e já é dado por aqueles ‘petistas graúdos’ como certo que deverá ter o mesmo destino, se nada for feito enquanto é tempo”.
“Em primeiro lugar, lembremo-nos de que o julgamento do ‘mensalão’ subverteu toda ordem jurídica e as jurisprudências conhecidas, inovando em procedimentos e critérios, chegando ao ponto de dar tratamento diferente àquele inquérito do que foi dado a outros absolutamente iguais, como no caso do desmembramento do processo quanto aos réus que não tinham foro ‘privilegiado’, o que não foi feito com o inquérito do ‘mensalão tucano’. Dessa maneira, esqueçamo-nos de que Lula não tem mais foro privilegiado e de que, assim, não pode ser julgado pelo STF, tendo direito ao que aquela Corte negou a réus da AP 470 que tampouco deveriam ser julgados por ela: o duplo grau de jurisdição”, assinala.
Guimarães também lembra que “a desvantagem do ‘foro privilegiado’ para réus de ações penais é a de que o STF pode, a seu bel prazer, antecipar prazos e criar jurisprudências, como aconteceu no caso da AP 470, com sua teoria do ‘domínio do fato’, ou negar um desmembramento da ação que fora concedido a outra praticamente idêntica, só que envolvendo o PSDB e não o PT. Para réus de ações penais, portanto, o ‘foro privilegiado’ não traz privilégios”.
Mas a armadilha para o ex-presidente Lula, segundo Guimarães, é que o STF pode, “sim, arrogar para si o julgamento do ex-presidente, caso a Procuradoria do Distrito Federal opte pela abertura de ação penal contra ele, pois aquela Corte pode entender que a característica da denúncia a enquadra no mesmo processo que condenou José Dirceu e companhia petista limitada. O Supremo Tribunal Federal começou o julgamento dos 38 réus do escândalo do ‘mensalão’ no dia 2 de agosto de 2012. Já nos primeiros momentos de um processo visto por inúmeros e respeitados juristas como um julgamento de exceção pelas inovações que perpetrou, já era possível prever no que daria. Naquele primeiro momento, movimentos sociais e sindicatos ligados ao PT, tais como MST, CUT etc., prometeram mobilização, manifestações, ações que visassem mostrar aos que pretendiam promover uma farsa jurídica que a sociedade civil não a aceitaria. Porém, ficou só no gogó”, repara.
A indecisão do PT, diante do ataque pesado às forças progressistas em duas frentes: no STF e na mídia conservadora, custará muito caro no futuro, calcula Guimarães: “Lula se calou – e até hoje segue calado – e Dilma manteve uma distância daquela vergonha que, anotem aí, irá lhe cobrar um preço muito mais alto do que pode sequer imaginar. E que não se resumirá à muito maior dificuldade que terá em se reeleger, caso seu principal cabo eleitoral, ano que vem, seja alvo de uma ação penal no Supremo. Lula, hoje, é o alvo mais apetitoso não só da direita midiática brasileira, mas da de toda a América Latina. Não é apenas o maior eleitor do Brasil. Com a morte de Hugo Chávez, vai assumindo o posto de líder máximo da esquerda na região. Levá-lo à desmoralização – e quem sabe até ao cárcere – é um dos sonhos mais acalentados por essa direita”, acrescentou.
O cenário de uma eventual retomada do poder por parte das forças reacionárias, no Brasil, seria o pior possível para a os setores progressistas da sociedade. “Com a esquerda brasileira apeada do poder, um efeito dominó será desencadeado pela América Latina. Com a direita governando a maior potência regional haverá rompimento de acordos e até sufocamento de governos de esquerda em países como Argentina, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela e outros. Para o Brasil, a volta da direita midiática ao poder será a maior desgraça de sua história. Essa retomada do poder visa interromper um processo que está eliminando a característica mais perversa deste país, a de pátria da desigualdade. Alguém acha que não gostam de Lula e do PT por serem feios, sujos e malvados? A direita midiática não gosta deles porque é formada por uma elite étnica e regional minúscula que durante o nosso meio milênio de história concentrou uma parte indecente da renda nacional, colocando o Brasil como o país virtualmente mais injusto do mundo até hoje”, afirma.
Monopólio da mídia
Lula percebeu, há muito tempo, o risco que corre a democracia brasileira e os avanços sociais realizados durante seus oito anos de mandato, caso permaneça como está a política nacional de comunicação, com apenas nove famílias no comando dos principais jornais, revistas e canais de TV do país. A frente da informação, segundo avalia aquele interlocutor, que preferiu o anonimato “para não dar munição aos adversários”, é hoje um dos pontos cruciais para “a sobrevivência não apenas do PT, mas das forças progressistas e do próprio governo Dilma”.
– Está cada vez mais profundo o fosso que separa uma parcela considerável do partido e a política de comunicação social do Palácio do Planalto. Hoje, arrisco dizer que já é visível, para a maioria da direção do PT, que está completamente furada a tese de que é preciso agir, e pagar milhões de reais por isso, como se o país vivesse um período de normalidade democrática, dentro de um setor integralmente moldado pela ditadura militar e o poder econômico que a instituiu e manteve ao longo de mais de 20 anos. Este é o mesmo poder que manipula uma parcela do Judiciário e controla a mídia conservadora. E o que é o pior, exerce esse controle com recursos públicos. É impensável seguir adiante com este modelo, defendido por grande parte da base aliada e os ministros da área, a saber: a secretária de Comunicação Social, Helena Chagas, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo – apontou.
Mesmo Lula, que normalmente evita tocar no assunto, não deixou dúvidas quanto à necessidade de uma reforma no setor, com o estabelecimento de marcos regulatórios que impeçam a formação dos cartéis e da concentração crescente, hoje, na área da Comunicação Social, no Brasil. Em discurso na noite desta quinta-feira, em Montevidéo, Lula foi enfático:
– Não pode haver um monopólio dos meios de comunicação.
O ex-presidente reconhece que, “no Brasil, nós temos nove famílias que determinam praticamente todo o poderio dos meios de comunicação”, e mudar este cenário “não é fácil”.
– Fizemos uma grande conferência, no Brasil, de que participaram milhares de pessoas e aprovamos um programa que agora está sendo discutido no Ministério das Comunicações para ver como se encaminha o debate para a sociedade avançar. Porque nós queremos avançar, não queremos polemizar. O que nós queremos é provar que uma legislação que tem uma regulação feita em 1962 não vale para 2013. Não vale porque a gente não tinha um terço das coisas que nós temos hoje – finalizou.

7 horas atrás

O mapa do PSDB rumo ao Planalto Tucano revela a estratégia para viabilizar a vitória de Aécio: unir o partido em São Paulo e explorar a redução da influência petista no Nordeste

por Helio Borba
 
  ENTREVISTA SÉRGIO GUERRA
O mapa do PSDB rumo ao Planalto Tucano revela a estratégia para viabilizar a vitória de Aécio: unir o partido em São Paulo e explorar a redução da influência petista no Nordeste 

PAULO DE TARSO LYRA 


 (Monique Renne/CB/D.A Press - 3/4/13)  

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), entrega no mês que vem o comando do partido ao presidenciável Aécio Neves (MG). Para Guerra, ser presidente do PSDB e, ao mesmo tempo, candidato do partido ao Planalto no ano que vem, ajudará o senador mineiro a tornar-se mais conhecido nacionalmente e reforçará os laços dele com a militância tucana. “Aécio chegará à eleição mais conhecido”, disse o deputado. 

Apesar dos altos índices de aprovação pessoal e de governo da presidente Dilma Rousseff e de uma confortável dianteira da petista nas pesquisas de intenção de voto, Sérgio Guerra acredita que a próxima eleição será diferente da anterior. A economia já não tem o mesmo desempenho, a inflação é uma ameaça, o emprego declina e as obras prometidas não saíram do papel. 

Para aproveitar esse cenário, é fundamental a unidade partidária. “Se não tivermos unidade em São Paulo, não seremos beneficiados pela divisão que as candidaturas de Eduardo Campos e Marina Silva provocarão no Nordeste”, comentou, em entrevista exclusiva ao Correio.

O PSDB corre o risco de repetir 2002, 2006 e 2010 e entrar na eleição presidencial sem unidade em torno de uma candidatura própria?
Não dá para olhar para a frente com a visão da última eleição. São mais de 10 anos de governo do PT, notória incapacidade gerencial, insatisfação crescente de setores sociais relevantes e taxas de inflação preocupantes, além de problemas no câmbio. Questões gerais para as quais o governo atual não dá resposta. 

Mas Lula foi eleito, reeleito e conseguiu fazer Dilma como sucessora.
São situações diferentes. As taxas de crescimento eram importantes, a inflação estava sob controle e os investimentos eram anunciados. Hoje, o quadro econômico não tem, de forma alguma, semelhanças com as que tinha naquele período. O ambiente hoje é de mera protelação. Dilma é presidente, sofre críticas da oposição e de todos. Ela tem que se expor e explicar as obras que até agora não foram feitas. 

O PSDB está conseguindo aproveitar politicamente essa situação?
Nas últimas eleições, o PSDB não valorizou como deveria o seu legado. Isso nos custou caro. O partido, em vez de valorizar o governo Fernando Henrique e a sua experiência governamental, perdeu-se ao investir na tese de que o nosso candidato era o melhor para dar continuidade ao governo Lula. Foi a anulação do nosso valor enquanto partido. 

O que muda para a eleição do ano que vem?
Essa eleição começa diferente. A base do governo está fraturada. As eleições brasileiras vão estar equilibradas até chegar ao Nordeste, onde o PT normalmente mostrava sua força. Agora, há um (provável) candidato do Nordeste (Eduardo Campos, governador de Pernambuco) que, seguramente, divide o eleitorado. Ele e Marina Silva são candidaturas que, provavelmente, começarão com 15% ou mais de intenção de voto. 

Apesar desse cenário adverso, a presidente Dilma mantém índices folgados de avaliação positiva pessoal, de governo e de intenção de voto… 
Há uma exacerbação da propaganda pública e da imagem da presidente e uma diminuição da oposição no parlamento. A capacidade de superfaturar as realizações públicas é óbvia quando a presidente da República ocupa, às vésperas das pesquisas, o espaço na televisão para anunciar bondades para a população.

Eduardo Campos divide os votos apenas dos governistas? Existem analistas que acreditam que ele está invadindo o espaço dos tucanos também. 
Ela (candidatura de Eduardo Campos, se confirmada) divide os votos que o governo teria no Nordeste. Por isso, nós precisamos manter as nossas bases no Sudeste. O que implica, de maneira muito clara, já que nosso candidato é mineiro, com fortes laços no Rio de Janeiro, manter nossa posição de hegemonia em São Paulo. 

Uma das bandeiras do PT em 2014 é conquistar o governo de São Paulo. O PSDB caminha para 20 anos de governo no estado. Será uma eleição mais difícil do que as outras?
Não há eleição fácil. Se Fernando Haddad (prefeito de São Paulo, do PT) se confirmar como administrador competente, ele tem mais capacidade de interferir na eleição estadual. Em São Paulo, estamos no poder há muitos anos, e isso gera relativo desgaste. A gente tem que enfrentar isso e resolver os problemas. Precisamos dessa vitória e dessa unidade. Se não tivermos unidade em São Paulo, não seremos beneficiados pela divisão que as candidaturas de Eduardo Campos e Marina Silva provocarão no Nordeste.

O tucanato paulista está mais simpático à tese de um presidenciável mineiro?
Não faz 30 dias que o PSDB de São Paulo recebeu o provável candidato Aécio Neves em uma reunião do partido, na qual estavam presentes dezenas de prefeitos, a executiva estadual inteira e mais de 30 deputados federais, em uma prova de unidade clara.

O ex-governador José Serra não estava presente…
O ex-governador José Serra, sem o qual nossa unidade estará capenga, estava viajando. É indispensável, para o conjunto de nossas forças, contar com a colaboração de José Serra para que elas não fiquem prejudicadas. 

O senhor imagina Serra deixando o PSDB?
Não. O eleitor do Serra confunde o Serra com o PSDB e o PSDB com Serra. 

O presidente de um partido tem trabalho para organizar palanques e fechar coligações. Acumular essa tarefa com a de candidato a presidente da República não é esforço grande demais?
Aécio ainda é desconhecido. Na hora em que ele assumir o partido, terá mais chance de se deslocar pelo Brasil inteiro. E, principalmente, de conquistar os nossos militantes, nossos quadros. 

Antecipar em quase dois anos a eleição presidencial é bom para quem?
A antecipação da eleição presidencial, quem fez foi o governo. Pela razão clara de que quis, desde logo, soldar a sua base. Para Aécio Neves, foi importante porque ele poderá ter maior exposição. Aécio já vai chegar à campanha bem mais conhecido. 

“É indispensável, para o conjunto de nossas forças, contar com a colaboração de José Serra para que elas ão fiquem prejudicadas”

7 horas atrás

Deputados e senadores não aguentam mais prefeitos e vereadores cobrando-lhes apoio na campanha municipal e, dois anos depois, virando as costas para ficar com quem dá mais

por Helio Borba
 
Nas entrelinhas
Deputados e senadores não aguentam mais prefeitos e vereadores cobrando-lhes apoio na campanha municipal e, dois anos depois, virando as costas para ficar com quem dá mais 

por Denise Rothenburg
deniserothenburg.df@dabr.com.br 


 

Reforma encantada
Esta semana, a Câmara dos Deputados promete, mais uma vez, se debruçar sobre a reforma política. Apesar de todo o empenho do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que reservou esta terça-feira e a quarta para a apreciação da proposta, as perspectivas não são das melhores. As divergências entre os partidos, e intrapartidos, são semelhantes ao que ocorre numa partida de futebol em que o time começa a perder e cada torcedor tem uma estratégia diferente para tentar virar o placar. É tanto palpite que tudo termina ficando do mesmo jeito.

Peço licença àqueles familiarizados com o tema para expor os pontos principais do projeto aos leitores que o desconhecem. A proposta do relator, Henrique Fontana (PT-RS), fixa o financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais, acaba com as coligações proporcionais e estabelece a coincidência de mandatos, ou seja, prefeitos, vereadores, governadores, deputados estaduais, federais e senadores seriam eleitos no mesmo dia. Por último, a eleição por lista ao modelo belga, em que o eleitor vota no candidato ou na legenda e pode, com o voto nominal, mudar a “fila” instituída pelo partido.

E ainda tem um ponto extra, esse sim talvez com mais chance de ser aprovado do que os demais. Uma proposta de emenda constitucional para facilitar a apresentação de projetos de lei por parte do cidadão comum. O texto institui a assinatura digital e reduz o número de assinaturas necessárias à apresentação de projetos de lei por parte da sociedade. Num link específico dentro do site da Câmara na internet, instituições como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) colocariam seus projetos de lei, e qualquer cidadão, mediante inclusão do número do Título de Eleitor, nome completo, e ainda nome do pai ou da mãe, poderia apoiar a sugestão. Alcançando 500 mil assinaturas, o projeto passaria a tramitar normalmente.

Enquanto isso, no coração dos políticos…

Esse elenco de propostas inserido na reforma política só tem um problema: faltou combinar com os eleitores, ou seja, os congressistas. Não há um partido fechado em favor dos projetos de Henrique Fontana. Dentro do PSDB, por exemplo, o deputado Marcus Pestana já considera melhor deixar tudo como está do que votar os projetos apresentados pelo relator. Na oposição, há ainda quem diga que o voto do PT em favor do financiamento público exclusivo está diretamente relacionado à tentativa de limpar a biografia do partido do episódio do mensalão.

Talvez existam petistas que passaram a defender o financiamento público depois do escândalo. Não é o caso de Fontana. Ele está convencido, conforme relatou em entrevista ao Correio, que o melhor mesmo é o eleitor pagar mais uma vez pelas campanhas do que deixar o Congresso como servidor das maiores empresas e bancos do país, que são os financiadores das propagandas eleitorais. 

Um dos pontos que tem grandes chances de ser aprovado é a coincidência de mandatos, mas o argumento principal está longe de ser o da economia de recursos eleitorais. É que os políticos não aguentam mais os prefeitos e vereadores cobrando dos deputados e senadores apoio às suas campanhas e, dois anos depois, quando chega a eleição dos congressistas, esses mesmos prefeitos e vereadores viram as costas para aqueles que lhes ajudaram e migram para aqueles que pagam melhor por lote de votos. E também tem sempre a história do prefeito que é oposicionista, mas joga com o governo para simplesmente não perder as emendas orçamentárias no futuro.

Assim, deixando todas as eleições juntas, cada um teria que se assumir, seja oposição, seja governo. E, no que se refere a custos, ainda que o financiamento público fique pendente, o deputado ou senador financiaria a própria campanha, apenas incluiria o material do prefeito ou do vereador na sua propaganda, sem precisar “investir” especificamente na eleição municipal.

Se ficar apenas aí, leitor, o melhor é decretar o fracasso total dos congressistas em mudar regras eleitorais. Nesse caso, não restará outra conclusão senão a de que o desejo dos políticos, de uma maneira geral, é manter o status quo. É muito mais transparente admitir essa verdade do que fazer as excelências, eu, você e toda a sociedade perdermos um tempo precioso analisando um tema que a classe política parece despreparada para enfrentar. O lado bom dessa história é que chegamos ao momento de conhecer, pelo menos, essa verdade.

8 horas atrás

Tudo isso no pior país do mundo, onde o governo atrapalha os investimentos, a inovação, a infraestrutura e o capital é considerado o satanás, de acordo com Aécio Neves.

por Helio Borba
 

Bradesco é o mais rentável entre maiores bancos da América Latina e EUA 

Do UOL, em São Paulo O Bradesco teve a melhor rentabilidade em 2012 entre os bancos da América Latina e dos Estados Unidos com ativos totais superiores a US$ 100 bilhões, segundo estudo da consultoria Economatica divulgado nesta segunda-feira (8). Em 2011, o líder foi o Banco do Brasil.
A rentabilidade do Bradesco em 2012 foi de 17,27%, valor inferior ao registrado em 2011, quando o banco tinha atingido 19,83%. O Banco do Brasil tinha 21,55% em 2011, mas caiu para 16,89% no ano passado. O terceiro banco mais rentável das Américas em 2012 foi o Itaú, com 16,7%.
A medida utilizada foi a Rentabilidade sobre o Patrimônio (ROE), um indicador financeiro que se refere à capacidade de uma empresa em agregar valor a ela mesma utilizando os seus próprios recursos.

Rentabilidade dos bancos brasileiros é a menor desde 1999

A rentabilidade dos bancos brasileiros atingiu em 2012 o menor patamar desde 1999, ano da liberação da paridade do dólar, segundo a consultoria Economatica.
De 2007 até 2011 a diferença da mediana do ROE dos bancos brasileiros foi de mais de 10 pontos percentuais, em 2012 a diferença caiu para 6,86 pontos percentuais.

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8 horas atrás

Do blog do Saraiva

por Helio Borba
 

A agonia do Estadão

A verdade é que muita árvore foi derrubada à toa pelo jornal dos Mesquitas.
O Estadão está virtualmente morto. Está cumprindo todas as excruciantes etapas da agonia dos jornais (e das revistas) na era da internet: demissões, demissões, demissões. Menos páginas, borderôs menores. E futuro nenhum. Pode ser que, em breve, o Estadão circule duas ou três vezes por semana, como está acontecendo com tantos jornais no mundo. A Folha, em outras circunstâncias, vibraria. Na gestão Frias, um dos dogmas na Barão de Limeira era que apenas um jornal sobreviveria em São Paulo. Semimorto o Estado, ficaria a Folha, portanto. Mas os problemas da Folha são exatamente os do Estado. Pela extrema má gestão dos Mesquitas, eles apenas estão levando mais cedo o Estadão ao cemitério. Isso quer dizer que não vai sobrar nenhum. Lamento, evidentemente, cada emprego perdido por jornalistas que tiveram o azar de estar na hora errada na redação errada sob a administração errada derivada da família proprietária errada. (Os demitidos, importante que eles se lembrem disso,  terão a oportunidade de respirar ares mais enriquecedores, sobretudo na mídia digital.) Mas o jornal, em si, não deixará saudade. Qual a contribuição do Estadão ao país? O golpe de 1964, por exemplo. O Estadão, como o Globo, tem um currículo impecável quando se trata de abraçar causas ruins e misturar genuínos interesses privados com interesses públicos fajutos. No mundo perfeito, segundo o Estadão, os brasileiros serviriam basicamente de mordomos para os Mesquitas. Ainda hoje, moribundo, gasta suas últimas reservas na defesa de um país em que o Estado (governo)  deve servir de babá para uma minoria que, no poder, fez do Brasil um dos campeões mundiais em desigualdade. Que colunista se salva? Quem oferece uma visão alternativa? Quem quer um país melhor, menos injusto? Dora Kramer? Pausa para risada. Os editorialistas mentalmente decrépitos que davam conselhos à Casa Branca mas jamais conseguiram cuidar do próprio quintal? Nova pausa. Articulistas como Jabor? Pausa mais longa, porque é gargalhada. O Estadão pertence a um mundo em decomposição, e cujo passamento não deixa ninguém triste. Combateu o mau combate. Perdeu, e se vai. Poderia ter ido antes. Muitas árvores teriam sido poupadas Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo Postado por zcarlos ferreiraàs 21:30

8 horas atrás

Do blog do Saraiva

por Helio Borba
 

O processo contra Lula e a força do simbolismo

Da Carta Maior – 07/04/2013 

Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povobrasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil. 

 

Mauro Santayana

  
O Ministério Público do Distrito Federal – por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais.

O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo seqüestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena.

Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT.

O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal – mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.

Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.

Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país. 

É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe operária numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de libertação.

Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.

Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.(Grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalga-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.

Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. Qualquer agressão desatinada a esse símbolo desatará uma crise nacional de desfecho imprevisível. 

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Nort