Tá doidona!

por Helio Borba
 
Eliane Cantanhêde  Novidades em 2014  
BRASÍLIA – Lula e Dilma vêm dando um passeio no segundo turno desde 2002, mas vão enfrentar novidades dessa vez. Aécio Neves abre um flanco em Minas, e Eduardo Campos, um outro no Nordeste.
Certamente foi por isso que a presidente foi obrigada a virar candidata tão cedo, apesar de governo nenhum no mundo ter interesse em antecipar tanto as eleições.
Com Aécio e Campos nos calcanhares -sem contar a força de Marina numa faixa mais independente-, a “gaúcha” Dilma precisará ser mais mineira do que nunca. E o também pernambucano Lula da Silva estará na sua fase mais nordestina.
Como todos os presidentes, o maior número de viagens de Dilma tem sido a São Paulo e ao Rio -ao Sudeste, enfim. Mas ela acelerou bruscamente as idas ao Nordeste. Ora a Pernambuco, ora ao Ceará, ora à Bahia do petista Jaques Wagner. Sempre com agenda de candidata e anúncios de presidente.
O Nordeste tem em torno de 27% dos votos. Lula e Dilma atingiram recordes históricos na região nas últimas eleições e, apesar da vitória da oposição em quatro das nove capitais em 2012, este ainda é um obstáculo bastante sólido, mesmo para um governador ousado e bem avaliado como Eduardo Campos.
O problema para Dilma é se ele consegue enfiar uma pesada cunha ali e se Aécio der a si mesmo os votos que não deu a Serra e a Alckmin em Minas, um dos três maiores eleitorados do país. Aí, a coisa pode ficar complicada. Mais ainda se o forte PMDB do Rio balançar.
Além disso, haverá três outras novidades em 2014: São Paulo não tem candidato e será disputado ferozmente, a economia não estará tão exuberante como antes e a expectativa é de aliança dos oposicionistas Aécio e Campos no segundo turno.
Tudo isso para dizer que, sim, Dilma é favoritíssima em 2014, mas eleições não se ganham de véspera. Muito menos um ano e meio antes. 
elianec@uol.com.br
8 horas atrás

FHC disse que atualmente “falta atenção ao povo, carinho, visão humana” e a militância do PSDB precisa ficar atenta a esse fato para que o partido consiga retornar ao comando do governo federal. “Nós sabemos fazer. Nós somos povo e vamos vencer”, disse. Coitado, tá dando pena!

por Helio Borba
 
 
Em congresso de tucanos, FHC reclama de desunião no partido ‘Cansei de ver o PSDB dividido, chega!’, discursa o ex-presidente DE SÃO PAULO Em seu discurso no congresso estadual do PSDB ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reclamou da desunião no partido e disse que a legenda precisa investir em um projeto político que tenha como prioridade a melhora da qualidade dos serviços públicos, principalmente nas áreas de educação e saúde. 
Cardoso também defendeu o legado de seus governos na Presidência da República e fez ataques às gestões petistas no Executivo federal. 
“Cansei de ver o PSDB dividido. Chega! PSDB unido, unido!”, exclamou Cardoso no discurso. 
O ex-presidente afirmou que o relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) apontou que nos governos dele ocorreram os maiores avanços nos indicadores sociais do país. “O social também é nosso”, disse. 
Segundo Cardoso, no governo Lula o Brasil perdeu respeitabilidade internacional por apoiar ditaduras. 
Ele também criticou a política das últimas gestões nas áreas de energia e infraestrutura. Para o ex-presidente, os petistas permitiram que a Petrobras “desse para trás”. 
No discurso, Cardoso também admitiu avanços nas administrações petistas, mas afirmou que isso não foi o “suficiente” para o país. 
De acordo com ele, agora é preciso passar da “quantidade” para a “qualidade” nos serviços sociais e o PSDB tem as melhores condições para realizar essa tarefa. “Somos nós a bola da vez”, afirmou o ex-presidente. 
O tucano disse que atualmente “falta atenção ao povo, carinho, visão humana” e a militância do PSDB precisa ficar atenta a esse fato para que o partido consiga retornar ao comando do governo federal. “Nós sabemos fazer. Nós somos povo e vamos vencer”, disse.
9 horas atrás

A Associação Brasileira de Imprensa é caracterizada pelo lixo que se tornou a imprensa no Brasil.

por Helio Borba
 
ABI enfrenta ações judiciais, e parte de prédio é penhorada Associação tradicional com sede no Rio é processada por dever mais de R$ 3 mi em contribuições previdenciárias 
O presidente da entidade, Maurício Azêdo, afirma que entidade não passa por problemas financeiros LUCAS VETTORAZZO DO RIO Prestes a completar 105 anos, neste mês, a tradicional Associação Brasileira de Imprensa (ABI) enfrenta processos judiciais que já lhe renderam a penhora de pavimentos de seu prédio histórico no centro do Rio, além de duas lojas que ficam no térreo do edifício.
Folha teve acesso ao documento do imóvel, localizado no 7º ofício do Registro de Imóveis do Estado do Rio de Janeiro. Situado na rua Araújo Porto Alegre, 71, o prédio tem 13 andares e cinco lojas no térreo.
A maior penhora registrada no documento é de R$ 3,238 milhões, referente a um processo da Fazenda Nacional contra a associação, movido em 2007 e que ainda não foi julgado. O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) cobra na Justiça Federal 11 anos de contribuição previdenciária patronal da instituição, que não teria sido paga.
O problema começou em 1996, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, foi negada à ABI a renovação do título de entidade de assistência social, que na época concedia a isenção do pagamento de contribuições previdenciárias aos seus funcionários.
Com cerca de 60 empregados à época, a entidade decidiu não aceitar a cobrança. Como garantia de pagamento dessa ação específica, a Justiça determinou a penhora do segundo, do 11º e do 12º andares do prédio, além de duas lojas comerciais no térreo do edifício.
Aberto na 4ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio, o processo está neste momento no Tribunal Regional Federal do Rio, para serem julgados recursos que retiram da causa as pessoas físicas incluídas nos autos. Na ação original, a Fazenda processa a entidade, seu então presidente, Barbosa de Lima Sobrinho (1897-2000), e outros dois integrantes da diretoria. 
IPTU
As outras 23 penhoras registradas para o imóvel referem-se a antigas dívidas de IPTU da ABI com o município. Segundo a Folha apurou, as dívidas constam como pagas no município, mas a baixa no Registro Geral do Imóvel não foi realizada ainda.
Todas as referências no documento citam processos da administração municipal contra a ABI. Uma busca no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, contudo, não revelou processo em aberto sobre o assunto.
Além das penhoras, a ABI enfrenta oito processos na Justiça do Trabalho. Os dados dos processos são protegidos por sigilo judiciário. A assessoria de imprensa do Tribunal Regional do Trabalho do Rio confirmou a informação. 
OUTRO LADO
O presidente da ABI, Maurício Azêdo, disse que a entidade não passa por problemas financeiros e que as penhoras não significam que o imóvel irá a leilão, já que até o momento não há nenhuma decisão da Justiça para isso.
“É mentira a história de que a ABI está insolvente. Para fazer contestação às cobranças na Justiça, a associação teve que colocar imóveis como garantia. Todas as obrigações da ABI estão em dia.”
A ABI está com eleições marcadas para o dia 24. De acordo com a comissão eleitoral, há somente uma chapa, a do atual presidente, que desde 2004 comanda a casa e concorre à eleição pela terceira vez.
A chapa Vladimir Herzog, de oposição, liderada pelo atual diretor financeiro da ABI, Domingos Meirelles, teve a candidatura impugnada por conter associados inadimplentes com suas mensalidades. A ABI informa que a chapa não cumpriu o prazo. Meirelles disse que vai à Justiça para anular a impugnação.
9 horas atrás

A imprensa brasileira nem se dá mais ao trabalho de disfarçar, partiu para tentar vencer Dilma de qualquer maneira.

por Helio Borba
 
Nas entrelinhas
Eduardo Campos precisa definir a roupagem que usará daqui para frente, se a da candidatura a qualquer custo, ainda que com um viés oposicionista, ou se aliado-competidor do PT. Na primeira hipótese, é recomendável deixar o governo 

por Denise Rothenburg
deniserothenburg.df@dabr.com.br 

 

A encruzilhada do PSB
As cenas no Rio de Janeiro e as desta semana que veremos em Porto Alegre não deixam dúvidas. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se movimenta como candidato a presidente da República e, nos últimos 30 dias, fugiu do script traçado lá atrás pelo PSB. A ideia original era de uma pré-candidatura no campo governista, leia-se aliado a Lula, ao PT e à presidente Dilma Rousseff, colocando-se como uma opção “por dentro”.

A realidade, entretanto, empurra Eduardo a outros campos. Ele conversou com José Serra, ex-candidato a presidente pelo PSDB e um dos baluartes da oposição. Aproximou-se do presidente do PPS, Roberto Freire, seu conterrâneo e crítico feroz do governo Dilma e de Lula. Até o DEM, que frequentemente se refere a petistas como “quadrilha”, tem setores simpáticos à pré-candidatura de Eduardo Campos. Obviamente, o socialista não recusa apoios. E, a essa altura do campeonato, sequer disse com todas as letras que vai mesmo ser candidato, nem poderia. Afinal, o diálogo político faz parte do dia-a-adia. 
No sentido contrário, seguem os demais partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff. Os senadores do PMDB catarinense estavam felizes da vida na última semana no Congresso e fizeram chegar ao presidente do partido, Valdir Raupp, um acordo fechado em Santa Catarina. O PMDB pretende apoiar a reeleição do governador Raimundo Colombo, do PSD, indicando um candidato a vice na chapa. A vaga ao Senado está reservada para a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, do PT. 

E, para completar, Dilma e Lula, aos poucos, vão amarrando os demais aliados. O PR ganhou ministério, o PP se considera bem contemplado. E, dentro do PSD de Gilberto Kassab, começa a se formar um consenso de que em 2014 o partido deve seguir com Dilma. Esse quadro de cerco aos aliados por parte do PT e as conversas de Eduardo com setores da oposição, desenhado ao longo do mês de março, expõem a necessidade de uma definição. Até fevereiro, a conversa interna do PSB era a de que o talentoso governador seria candidato como opção dentro da base de Dilma/Lula, para garantir uma alternativa interna ao PT, na hipótese de se confirmar um naufrágio da economia. 

Esse naufrágio até agora não ocorreu e não há certeza de que ocorrerá, apesar da inflação dos alimentos. A presidente continua estourando de popularidade, inclusive no Nordeste. Lula já avisou que estará nas ruas pedindo votos em favor dela. Com esse cenário, o que o PT pretende saber de Eduardo Campos nos próximos 30 ou 60 dias é muito simples: a candidatura é para valer, independentemente do que ocorrer daqui para frente com a economia? Se for para ele ser candidato em qualquer circunstância, haverá uma pressão de setores do PT para que o PSB deixe o governo — em especial, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que, apesar das especulações em sentido contrário, aproveitou a solenidade de inauguração de obras em Serra Talhada (PE), para deixar registrado nas entrelinhas que ficará ao lado do governador e do seu partido, o PSB.

Enquanto isso, nos estados… 
O desfile de Eduardo, ora mais afeito à oposição, ora aos aliados do governo, inquieta o próprio PSB por causa das alianças que o partido tem pelo Brasil afora. Em São Paulo, por exemplo, o PT desconfia do jogo do aliado, que já colocou um pé na campanha pela reeleição de Geraldo Alckmin. Já na Bahia, o DEM do deputado Claudio Cajado, por exemplo, que pertence ao grupo do prefeito ACM Neto, abre diálogo com Eduardo, deixando o PSB estressado por conta da antiga ligação entre socialistas e petistas no estado. Não por acaso, recentemente o vice-presidente do partido, sempre afinado com Eduardo Campos, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o PSB não servirá aos interesses da oposição nem será oposição. Apenas exerce o seu legítimo direito de se apresentar como alternativa.

Ocorre que, Eduardo, aos poucos, vai sendo empurrado para a oposição ao mesmo tempo que (ainda) é governo. E, se demorar para decidir seu caminho, o duradouro casamento com o PT pode terminar mal. Momento mais difícil do que esse impossível. Afinal, o governador está entre a perspectiva de se lançar candidato para, no mínimo, se tornar conhecido — e assim garantir um lugar no primeiro time da política rumo a 2018 — ou recolher os flaps e passar a vida pensando que se deixou sufocar pelo PT, o partido que lhe passou a perna enquanto preparava futuros combatentes, por exemplo, Fernando Haddad em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. É esse o momento atual na conjuntura do PSB.

Em tempo

O senador Jarbas Vasconcelos (mais um oposicionista!) pretende reunir esta semana Eduardo Campos com senadores do PMDB que integram a ala dos sem-ministério. Resta saber se a conversa é para valer ou apenas para forçar o governo a lhes conceder mais espaço de poder.

9 horas atrás

E está bem melhor do que na minha época

por Helio Borba
 
Falta de valorização é a principal reclamação 

O engenheiro da computação Victor Dalton conta que o tio, militar, não aprovou a decisão de trocar as Forças Armadas pelo funcionalismo:  
O engenheiro da computação Victor Dalton conta que o tio, militar, não aprovou a decisão de trocar as Forças Armadas pelo funcionalismo: “O serviço público me garantiu um salto remuneratório que eu nunca teria lá. É difícil resistir”

Formado em engenharia da computação pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) em 1995, André Gustavo de Albuquerque não pestanejou em largar o posto de primeiro-tenente do Exército e buscar melhores oportunidades na iniciativa privada assim que recebeu o diploma do centro de excelência do Exército. “As Forças Armadas não valorizam o engenheiro militar, mesmo que tenha investido em sua formação. Qualquer um da minha turma teria mais chances de conquistar boas posições na profissão fora do Exército”, diz André, que hoje é engenheiro de sistemas sênior na multinacional de tecnologia Cisco Systems.

Na época, o engenheiro prestou concurso público para evitar pagar a indenização à União por deixar as Forças Armadas antes de cumprir o período de cinco anos equivalente à média do círculo de oficiais subalternos do Exército (segundo-tenente e primeiro-tenente). “Seria perda de tempo esperar”, argumenta Albuquerque, hoje com 39 anos. “Além de enfrentar a pressão de ser obrigado a mudar para outras cidades à revelia, o salário baixo era uma realidade que afugenta. Sem falar que a chance de se chegar a general é praticamente nula para um engenheiro”, salientou.

A reclamação por conta dos baixos salários está longe de ser um fenômeno recente. Em 1986, o então capitão de artilharia Jair Bolsonaro publicou um artigo na revista Veja citando o soldo como principal razão para os desligamentos de cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Por ter se manifestado publicamente, Bolsonaro foi condenado a prisão disciplinar, mas colhe os frutos dessa bandeira até hoje, já no seu sexto mandato de deputado federal. Uma foto sua atrás das grades, durante a punição no quartel, está no mural de fotos que decora seu gabinete parlamentar no Congresso. “De lá para cá, a situação só piorou. Não tem nem como criticar o oficial que deixa as Forças, ele está agindo por instinto de sobrevivência”, diz Bolsonaro (PP-RJ).

Funcionalismo público
Também formado pelo IME em engenharia da computação, Victor Dalton deixou o Exército, mas preferiu a estabilidade do serviço público à iniciativa privada. Passou 10 anos na Força, serviu em Manaus, no Rio de Janeiro e em Brasília, mas não resistiu à oportunidade de prestar concurso para a Câmara dos Deputados. “Quando eu passei, meu tio, que é general aposentado, fechou a cara. Ficou chateado mesmo, mas depois se conformou”, lembra Dalton. “Tenho muito orgulho de ter pertencido ao Exército, mas o serviço público me garantiu um salto remuneratório que eu nunca teria lá. É difícil resistir”, diz. “Para você ter uma ideia, são sete especialidades em que os oficiais se formam na Aman. Dos sete melhores de cada turma, na minha geração, apenas dois continuam no Exército. E um está pensando seriamente em sair”, conta Dalton. As mudanças constantes e a dificuldade de sua mulher, Anna Meirelles, migrar de emprego em emprego a cada cidade nova pesaram na decisão do servidor. 

“Antigamente, esse era um movimento dos oficiais da reserva. Hoje, os jovens estão saindo das Forças cada vez mais cedo. É uma perda grande para a Defesa”, diz o consultor legislativo Fernando Rocha. Ele mesmo concluiu o círculo de oficiais superiores do Exército, chegou ao posto de coronel mas, quando entrou para a reserva, preferiu ingressar nos quadros da Câmara a ter que viver apenas com a pensão de militar. “Não foi exatamente uma escolha esperar entrar na reserva. Eu bem que tentei sair antes, mas não encontrei chance”, diz Rocha. “Deixei o coração no Exército, mas a pátria não começa no quartel, ela começa na família. E quando a família sofre, já sabe. Não tem vocação militar que aguente”, afirma o coronel da reserva. (KC)

“Deixei o coração no Exército, mas a pátria não começa no quartel, ela começa na família. E quando a família sofre, já sabe. Não tem vocação militar que aguente”
Fernando Rocha, consultor legislativo e coronel da reserva

“A Força não valoriza o engenheiro militar, mesmo que tenha investido em sua formação. Qualquer um da minha turma teria mais chances de conquistar boas posições fora do Exército”
André de Albuquerque, engenheiro de sistemas

30%
Aumento concedido aos militares no ano passado. O reajuste será escalonado até 2015

Os centros de excelência

 (IME/Divulgação)  

Instituto Militar de Engenharia
Sempre citado no topo do ranking das melhores escolas de engenharia do país, o Instituto Militar de Engenharia (IME) pertence ao Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército. É resultado da fusão da Escola Técnica do Exército com o Instituto Militar de Tecnologia, que aconteceu em 1959, e hoje concentra cursos de graduação e pós-graduação em sete áreas de engenharia. 

 (Tiago Queiroz/AE - 9/8/10)  

Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Com um dos vestibulares mais disputados do país, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ajudou a fazer de São José dos Campos (SP), onde fica sua sede, uma Meca da tecnologia em aviação do país. Grandes empresas brasileiras do setor, como a Embraer, caçam seus talentos nas turmas de formandos do instituto, que oferece cursos em seis áreas de engenharia, incluindo eletrônica e aeroespacial.

 (AMAN/Divulgação)  

Academia Militar das Agulhas Negras 
Localizada em Resende (RJ), a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) é responsável pela formação de oficiais do Exército. Estudantes a partir do terceiro ano do ensino médio entre 16 e 21 anos podem se candidatar em concurso público para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), onde cursam um ano de ensino superior. Só depois, poderão ingressar na Aman, onde passarão pelo ciclo básico de ensino militar antes de se integrar a uma Arma, Quadro de Material Bélico ou Serviço de Intendência.

 (AFA/Divulgação)  

Academia da Força Aérea
Subordinada ao departamento de Ensino da Aeronáutica, a Academia da Força Aérea (AFA) tem como objetivo a formação de oficiais da ativa para os quadros de aviadores, intendentes e de infantaria da Força Aérea Brasileira (FAB). Localizada em Pirassununga (SP), é a sucessora da antiga Escola de Aeronáutica. Abrange os cursos de Formação de Oficiais de Infantaria da Aeronáutica (CFOINF), o Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAV) e o Curso de Formação de Oficiais Intendentes (CFOINT).

 (Marinha/Divulgação)  

Escola Naval
É responsável pela formação dos militares que ocuparão os postos iniciais das carreiras dos Oficiais dos Corpos da Armada, dos Fuzileiros Navais e dos Intendentes da Marinha. Trata-se da mais antiga instituição de ensino de nível superior do Brasil. Tem origem na Academia Real de Guardas-Marinha, criada em 1782, em Lisboa, e migrou para o Brasil em 1808, com o desembarque da família real portuguesa no Rio de Janeiro.

9 horas atrás

Folha troca entrevista com candidato Chavista, na Venezuela, por inquérito policial militar. Seria ótimo se o periódico tivesse a coragem de fazer esse tipo de entrevista com Aécio, Serra ou FHC, mas aqui ela ‘afina’ com os seus candidatos. A imprensa brasileira nos toma como idiotas, mas não somos.

por Helio Borba
 

Lula é o nosso pai, diz ‘herdeiro’ de Hugo Chávez na Venezuela

MÔNICA BERGAMO
fotos MARLENE BERGAMO
ENVIADA ESPECIAIS À VENEZUELA RESUMO Herdeiro de Hugo Chávez diz que “direção coletiva” do chavismo está unida, defende Forças Armadas na política e afirma que TVs públicas têm que educar para a revolução. Em campanha para a Presidência da Venezuela, ele diz que o país enfrenta uma ‘guerra econômica’ e que se inspira na ‘ética’ e na liderança de Lula. 
* Mãos ao volante, Nicolás Maduro, que assumiu a Presidência da Venezuela depois da morte de Hugo Chávez, em março, dá uma guinada à esquerda e breca a perua Ford que dirige em frente ao portão de uma casa de Barinas, cidade do interior da Venezuela que fica a 500 quilômetros de Caracas. 
“Vocês podem me esperar no carro por dois minutinhos? Vou visitar uma pessoa e já volto”, pede ele às jornalistas da Folha, interrompendo uma conversa que já durava quase 20 minutos.

O portão se abre, Maduro estaciona na pequena garagem ao lado da sala da residência. Da porta sai uma senhora que chora. Os dois se abraçam. Ela soluça ainda mais. 
É dona Elena Chávez, a mãe de Hugo Chávez. Outro filho dela, Adán Chávez, governador do Estado de Barinas, se aproxima. Os três desaparecem por 30 minutos. 
Na volta, Maduro assume novamente a direção do veículo. “Ainda dói para ela, ainda mais quando nos vê. Todas as lembranças do filho voltam, é duro demais”, diz ele sobre dona Elena. “Mas siga com suas perguntas”, diz. “Fale, fale tudo, sobre o que você quiser”. 
Depois de seis dias de espera na Venezuela, ele finalmente concedia a entrevista exclusiva. Falava ali mesmo, no carro, no caminho entre o comício que fizera de manhã com cerca de 30 mil pessoas, num ginásio da cidade em que Chávez passou a infância, e o aeroporto, onde embarcaria para nova atividade. 
É comum Maduro dirigir o próprio carro na campanha. Apontado como sucessor por Chávez, ele disputa a Presidência com Henrique Capriles, candidato da oposição. Pesquisas colocam Maduro como favorito nas eleições marcadas para o próximo domingo (14). 
O evento político em Barinas tinha sido especialmente agitado. Parte da família do líder morto estava ao seu lado no palanque. 
“Se todos nós aqui somos filhos de Chávez, o que é Adán para nós? Um tio protetor!”, discursava Maduro, braços dados com o irmão do ex-presidente. “Chávez vive! A luta segue!”, gritava a multidão. 
“Enfrentamos a desaparição física de nosso comandante eterno. Vamos defender esta revolução, o legado de Chávez. Preciso do apoio de vocês, desta linda e gloriosa família de Chávez.” E o público: “O povo unido jamais será vencido!”. 
“Vocês querem o capitalismo?”, perguntava. “Nããão”, respondia a multidão. “Vocês decidem se querem Nicolás Maduro, um filho de Chávez, ou o burguesinho que entrega a pátria!”, dizia, referindo-se a Capriles. “Volta para a sua mansão em Nova York, burguesinho caprichoso. Vou te derrotar com a ajuda desse povo glorioso.” 
No fim, Maduro ergue a mão: “Juro…”, grita ao microfone. A população imita o gesto. E repete: “Juro…”. Segue ele: “Cumprir os ditames do nosso comandante Chávez…”. A multidão ecoa, em uníssono. 
Ex-motorista de ônibus, sindicalista, era deputado e presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, em 2006, quando Chávez o escolheu para ser o chanceler do país. Foi pego de surpresa. Juntou assessores, abriu o mapa-múndi e disse: “O mapa de Caracas eu conheço perfeitamente. Agora tenho que conhecer este aqui”. 
É casado com a advogada Cilia Flores, nove anos mais velha e militante de destaque no chavismo: ela também presidiu a Assembleia Nacional e foi procuradora-geral da República. Têm um filho, o flautista Nicolás Ernesto, e um neto. 
À Folha Maduro disse não acreditar que a oposição chegue algum dia ao poder na Venezuela “no século 21”. Afirmou que os meios de comunicação públicos têm que “educar o povo para a revolução”, defendeu a participação das Forças Armadas no processo político e disse que o socialismo venezuelano prevê uma iniciativa privada forte no país. 
Apoiado por Lula, que enviou a ele um vídeo para ser usado na campanha, Maduro reagiu às declarações de seu opositor, que diz ter o governo do ex-presidente do Brasil, capitalista mas que combate a pobreza, como modelo. “Lula para nós também é um pai.” 
Folha – Como será o chavismo sem Chávez, que era formulador, estrategista e porta-voz do governo?
Nicolás Maduro – O presidente Chávez fundou um movimento revolucionário e de massas na Venezuela. Deu a ele uma ideologia e uma Constituição. Nosso processo revolucionário está constitucionalizado. Ele nos dotou de um corpo de doutrinas e de princípios. Nos deixou um testamento político, o programa da pátria, com objetivos de curto, médio e longo prazos. E promoveu um nível de participação e de protagonismo das amplas maiorias como nunca se viu na história da Venezuela. Estamos preparados para seguir fazendo a revolução. Ele formou um povo. Nos formou para um projeto. 
Mas 44% dos venezuelanos, que votaram na oposição nas eleições presidenciais de 2012, não estão de acordo com esse projeto. E se, agora ou no médio prazo, vocês perderem uma eleição?
Nós aceitamos todas as eleições que perdemos. A Venezuela tem governadores e prefeitos de oposição. Tem deputados, 40% do Parlamento. Se algum dia ganharem, coisa que eu duvido que se passe no século 21, bem, ganhariam e assumiriam a Presidência. E teriam que ver o que fazer com o país. A Venezuela tem um povo consciente e bases sólidas de país independente em vias do socialismo. 
Vocês falam muito de unidade. Mas há vários grupos no chavismo. Não pode ocorrer um racha, como houve com o peronismo na Argentina?
O movimento revolucionário nacional está unido ao redor da imagem, da espiritualidade e da ideologia de Chávez. De um projeto de pátria. Pátria grande. Está unido ao redor de uma direção coletiva que ele construiu. E ao redor da designação do comandante Chávez da minha pessoa como condutor da revolução para essa etapa. Estamos unidos. 
Sem a liderança incontrastável de Chávez, haverá alternância na liderança do chavismo?
Nem um “pitoniso”, um bruxo, um vidente, ninguém pode saber o que nos reserva o destino. O que te digo é que neste momento histórico estamos solidamente unidos. E o mundo deve saber que essa direção coletiva já passou por várias provas de fogo. Estamos prontos para a vitória em 14 de abril e para governar muito bem o nosso país. 
Na Venezuela, canais privados de televisão fazem campanha para o candidato de oposição à Presidência, Henrique Capriles. E canais estatais fazem campanha para o senhor. Os canais públicos são de todos. Não deveriam ser neutros?
Os canais públicos, em uma revolução como a que estamos vivendo na Venezuela, têm que formar o povo, educar o povo, prepará-lo para essa revolução. Têm que sair defendendo a verdade frente a uma ditadura midiática que promoveu um golpe de Estado [em 2002, as emissoras privadas apoiaram a tentativa frustrada de depor Chávez]. Foi o primeiro golpe de Estado dado por canais de televisão. É preciso buscar uma leitura mais próxima do que se passa na Venezuela. Os canais públicos têm sido o contrapeso necessário e são o sustentáculo para estabilizar a sociedade. Se tivessem desaparecido nos últimos seis anos, haveria uma guerra civil. Os canais privados nos teriam levado a uma guerra de todos contra todos. 
A Globovisión, emissora privada de oposição, está sendo vendida a um empresário amigo do governo. E assim é possível que quase todos os meios sejam favoráveis ao governo.
Nós soubemos pela imprensa que a Globovisión estava sendo vendida. Em todo caso, é uma negociação entre empresários amigos. É problema deles, realmente. É preciso ver como termina. Quem sabe a mensagem mais poderosa da venda da Globovisión é a de que sabem que estão perdidos. 
Eles dizem que fizeram de tudo para eleger a oposição a Chávez, o que os levou a uma situação precária.
A Globovisión simplesmente jogou para derrubar o governo e fracassou. E o fracasso político e de comunicação os levou a um fracasso econômico. Estão quebrados, dizem eles. E simplesmente estão separados da sociedade. Sabem que vamos governar este país por muitos anos, a revolução continua. E eu creio que estão cansados já. Se cansaram, se renderam. 
O candidato Capriles diz que não tem acesso às rádios porque as que dão abertura à oposição são perseguidas. Não é importante que as vozes divergentes tenham espaço?
Bem, mas elas têm 80% dos meios de comunicação. Se você vai agora mesmo a qualquer lugar de Barinas e compra os jornais, verá que são privados e contra o governo. As televisões regionais, as rádios, 80% a 90% delas são contra o governo. Fazem seu negócio, vendem seu produto. 
Eles [oposição] têm todos os meios, nós temos um só: a consciência popular, que os derrota todos os dias. Quanto mais veneno jogam, mais as pessoas reagem. Você pode andar por qualquer lugar em Caracas. Encontrará um povo com consciência. Como se criou isso? Com a liderança do presidente Chávez, que era pedagógico, saía à rua, falava, formava as pessoas. 
Não há um culto à personalidade de Chávez na Venezuela?
Não houve em vida e agora o que há é amor. Culto ao amor, ao agradecimento do povo a um líder que já é chamado na América de Cristo Redentor dos Pobres. Um homem que transcendeu as nossas fronteiras. 
A chamada “união cívico-militar” é um dos pilares do chavismo. Em um continente como a América Latina, com histórico de golpes militares, não seria melhor que as Forças Armadas estivessem afastadas do processo político?
Nós temos Forças Armadas que resgataram os valores do libertador Simón Bolívar, que têm uma doutrina anti-imperialista e anticolonialista, latino-americana, própria. Você sabe que os EUA estão funcionando como um vampiro sedento, buscando as riquezas petroleiras e os recursos naturais do mundo com guerras, invasões. E as nossas Forças Armadas têm agora uma doutrina de defesa integral do país, das maiores reservas petroleiras do mundo. Defendem o nosso sonho, a nossa terra. 
Têm uma doutrina nacionalista, revolucionária, assumiram o socialismo como causa da humanidade para construir uma nova moral. Aqui se formavam oficiais com os manuais da Escola das Américas [financiada pelos EUA], que formou as Forças Armadas latino-americanas por cem anos. Ensinavam os nossos oficiais em inglês, quase sem tradução. É uma vergonha que não ocorre mais. 
No Brasil é considerado uma grande conquista o fato de as Forças Armadas não interferirem mais na política interna. Por princípio, não seria melhor que na Venezuela elas também estivessem nos quartéis e a disputa política ocorresse somente entre civis?
Não, é um erro. As Forças Armadas não podem estar nos quartéis. Têm que estar nas ruas, na fábrica, nos bairros, com o povo, para poder defender a pátria. Não podem ser uma elite alijada. Não. Têm que fazer parte do mesmo povo. 
E com forte participação política?
Bom, depende do que você entende por política. O que as nossas Forças Armadas não têm é formação partidária. Você não vai ver nenhum oficial mandando votar por nenhum partido político, nem fazendo campanha por um partido. 
Não, presidente? Quando o ministro da Defesa, Diego Molero, diz que as Forças Armadas tudo farão para atender aos desejos de Chávez, isso é interpretado como um pedido de voto para o senhor.
Bem, o que as pessoas têm que saber, e oxalá se saiba no Brasil, é que o nosso almirante-em-chefe Molero deu essa entrevista um dia depois da morte do nosso presidente. E o candidato da oposição havia ofendido fortemente a família do presidente. Duvidou da morte do presidente. Colocou em questionamento a possibilidade de eu assumir a Presidência [Maduro era vice]. Nossos oficiais estavam indignados. E ele [Molero] então disse “respeitamos o nosso novo comandante-em-chefe Nicolás Maduro, presidente da República”. Foi um gesto constitucional e também moral. Não eleitoral. 
O governo do ex-presidente Lula diminuiu a pobreza mas nunca falou em mudar as estruturas capitalistas da sociedade brasileira, como pregava Hugo Chávez na Venezuela. O que o senhor acha de quando colocam o “lulismo” em contraponto ao “chavismo”?
Cada país tem o seu ritmo. Eu fui testemunha de pelo menos 14 reuniões do presidente Lula com o presidente Chávez. E posso te dizer que eram dois irmãos. Os dois se entendiam perfeitamente. E os dois sabiam que tanto o que Lula fazia, como grande líder do Brasil, quanto o que Chávez fazia aqui era parte de um só processo, de libertação da América Latina. 
Não tem a esquerda boa, com Lula, e a esquerda má?
Tentou-se por muito tempo [dizer isso]. Em 2007, havia toda essa campanha brutal contra o presidente Chávez. E Lula propôs, para que eles não brigassem… ele dizia assim: [imitando Lula] “‘Chávess’, vamos fazer uma coisa. Vamos nos reunir a cada três meses para acabar com a intriga”. E assim se fez. Foram mais de 14 reuniões a partir daí. Agora, sim, o que posso te dizer: Lula para nós também é um pai. Porque Lula é fundador das correntes de esquerda de novo tipo que surgiram nos anos 80 adiante. Nós nos inspiramos na ética de Lula, na energia dele, em sua liderança trabalhadora. 
Mas Lula, como eu disse, não fala em mudar o capitalismo.
Cada um lidou com a circunstância histórica do seu país. E Lula empurrou o Brasil até uma grande onda progressista, de prosperidade, de desenvolvimento. 
O candidato Capriles diz que o modelo dele é Lula.
Para a direita pega muito mal… para uma direita que nunca trabalhou pega muito mal colocar-se “barba a barba” com Lula. Lula ganhou trabalhando nos fornos da luta, da história. 
Ele elogia Lula por combater a pobreza sem mexer no setor privado.
Se há algo a dizer de Lula, Néstor Kirchner, Cristina [Kirchner] e outros líderes é que são, na essência, antineoliberais. Libertaram nossos países do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. E essa direita que trata de se colocar disfarçada de Lula é, em sua essência, privatizadora, dependente da forma neoliberal e do FMI. Não têm nada que ver com o legado nem com o patrimônio político e cultural dos valores que Lula representa. 
No governo Chávez, a presença do Estado avançou. Mas o setor privado ainda representa 58% da economia. Se vitoriosos, vocês vão estatizar mais empresas, mais setores? Até onde vai o que chamam de “socialismo do século 21”?
O socialismo do século 21 é diverso. Tem as particularidades e está enraizado na dinâmica verdadeira de cada país. Cada um tem a sua realidade. E não podemos achar que há menos ou mais socialismo porque o nosso, o boliviano, o equatoriano, o nicaraguense ou o cubano não se parecem com as experiências da antiga União Soviética ou da Romênia. 
Há lugar então para um setor privado forte?
A história está por ser escrita. Há espaço para investimentos que venham a desenvolver um modelo produtivo e inclusivo. Lamentavelmente na Venezuela os cem anos de modelo de rentismo petroleiro não permitiram que surgisse um capital forte. No fundamental, o capital se articulou à renda petroleira sem gerar capacidade produtiva e desenvolvimento tecnológico. Esse capital não tem visão de país, nacionalista. 
É diferente do que se passou no Brasil ou na Argentina, por exemplo, que tiveram burguesias nacionais. Na Venezuela não há burguesia nacional. Nossas dificuldades são então maiores. Os setores que se dedicaram à atividade econômica privada têm laços de dependência muito forte com o capital estadunidense. 
É por isso que estão em todos os processos de sabotagem da economia e da política. Quem sabe agora comece a surgir, e vem surgindo, um setor misto de capital venezuelano e de investimentos de outras partes do mundo. Capital brasileiro, argentino, uruguaio, em aliança com um novo capital privado na Venezuela. 
Uma burguesia vinculada fortemente ao Estado?
Todo esse modelo está em elaboração. Nesse momento estamos fazendo um chamado e buscando instrumentos para financiar e construir setores privados que sejam nacionalistas e que nos permitam diversificar a economia. 
Privado integralmente?
Claro. Totalmente. Com financiamento, incentivo. De todos os tamanhos, pequeno, médio, grande, vinculado à tecnologia, à indústria, ao comércio. Vinculado ao capital de outras partes do mundo, Brasil, Argentina, Rússia, China. Capital estadunidense. 
Então Cuba é inspiração para o chavismo, mas não o modelo a seguir.
Cada um tem suas particularidades. A Cuba coube viver uma história dos anos 60, 70, muito marcada pela chamada Guerra Fria. Bem, Cuba foi contra nossos antigos modelos políticos, sociais, econômicos. 
E está se abrindo.
Cuba tem seu próprio processo de aperfeiçoamento do socialismo. Precisamente o bonito da Alba [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, integrada por países como Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua] é que nós todos temos formas diversas de economia. E diversos conceitos do que é o socialismo neste momento em cada país. E podemos andar juntos, e vamos aprendendo uns com os outros. 
Acredita que é possível o socialismo pela via democrática, como Salvador Allende [ex-presidente do Chile que sofreu um golpe militar em 1973] tentou, sem sucesso?
Até agora, sim, creio que é possível. Creio inclusive que, salvo se o império estadunidense ficar louco e pretender nos derrotar pela via da força, ou invadir esse país, o caminho da Venezuela seguirá sendo a democracia ampla, profunda, de amplas liberdades e transformações pacíficas, que são as que de verdade deixam raízes. Toda transformação que se dá pela via do debate democrático e da decisão popular são decisões verdadeiras que têm solidez na soberania e na consciência dos povos. 
Se a Venezuela continuará a ter um setor privado forte, como se chegará então ao socialismo?
O socialismo tem várias dimensões. A principal delas é a espiritual, a moral, a ideológica, de transformação do ser humano. E quando o ser humano dessa sociedade, por todo processo de educação, de nova cultura, de nova prática política, de participação, de novas relações econômicas, de produção, começa a funcionar de outra forma, então existem as condições para a sociedade socialista, que supere o individualismo, o desejo de riqueza individual. E, cavalgando junto, vão as transformações para um novo modelo econômico, que supere, no caso da Venezuela, o capitalismo rentístico, especulador. E que faça as bases de uma economia produtiva, diversificada, que crie riqueza para ser distribuída através da saúde, educação, alimentação, seguridade social, para que o povo tenha níveis de vida dignos, para que se supere a pobreza definitivamente. 
Quando Chávez morreu, a presidente Dilma Rousseff fez elogios, mas disse que em muitas ocasiões o governo brasileiro não concordou com o da Venezuela.
Nós integramos a Unasul [União das Nações Sul-Americanas], o Mercosul, comunidades democráticas onde se debatem ideias. E quando se debatem ideias normalmente surgem opções. 
O Banco do Sul, por exemplo, do qual fariam parte os países da América do Sul, não foi aprovado ainda no Congresso brasileiro. Está lento.
Você sabe que os temas que têm que ver com o parlamento sempre são lentos. Nós temos uma comissão já de caráter presidencial que reúne os delegados de cada presidente do Banco do Sul. Tudo está pronto. Só esperamos que o Congresso brasileiro o aprove para que entre em vigência de maneira rápida, automática. 
O Brasil também não integrou a TeleSur [emissora financiada por vários países latino-americanos], o projeto do gasoduto do sul [que ligaria Venezuela, Brasil e Argentina] não andou.
Bem, são projetos sobre os quais têm havido debates. A TeleSur é uma linda realidade de comunicação alternativa que venceu a ditadura midiática das grandes cadeias de televisão. Quem sabe mais adiante [o governo brasileiro se integre ao projeto]. Seguramente as portas da TeleSur estão abertas para o governo da presidenta Dilma e de qualquer iniciativa que venha a fortalecê-la. 
E a refinaria Abreu e Lima [parceria da Petrobras com a petroleira venezuelana PDVSA que até agora, por divergências em relação ao financiamento, conta com recursos apenas do Brasil], como está?
Não tenho os detalhes atualizados, mas sei que marcha agora melhor. E que vai ter um final feliz. 
A economia é considerada uma má herança de Chávez. A inflação é alta. Há um certo nível de desabastecimento, de 20%. E uma dependência muito grande do petróleo. Haverá ajustes no governo?
No dia 22 de fevereiro, conversamos por cinco horas com o presidente Chávez sobre temas econômicos. E ele disse: “Veja, Nicolás, estamos em uma guerra econômica”. Porque, com a enfermidade do presidente, os interesses econômicos nacionais e internacionais se lançaram a desabastecer [o país] de produtos, a especular com os preços e com o valor do dólar. Eles acreditavam numa hecatombe econômica que chegaria a uma explosão social e a uma desestabilização política. Nós estamos enfrentando. Vamos torcer o braço do dólar paralelo, vamos torcer até lá embaixo. 
E a inflação?
É um problema do funcionamento especulativo do capital. A inflação nos 14 anos antes do presidente Chávez foi de 34%. Nestes 14 anos com ele, baixou para 22%. Planejamos levá-la à metade nos próximos dez anos. Oxalá possamos chegar a um dígito. 
Haverá corte de gastos?
O mais importante é que os gastos se convertam em investimento social para proteger o povo e econômico para girar riqueza no país. E isso é uma dinâmica bendita que vai gerando mudanças na estrutura econômica e vacinando o país da especulação como sistema de fixação de preços e de movimentos da economia.

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