Um professor dá aula de química usando funk com os alunos

KIKO NOGUEIRA 6 DE ABRIL DE 2013 6

 
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Sobre o autor: Kiko NogueiraVeja todos os posts do autor 
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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6 Comentários »

  1.  
    Clovis Pacheco Filho 6 de abril de 2013 at 19:33 – Reply

    Meu Deus! Espero que meus netos jamais aprendam Química com tal professor!
    Por mais que venham com argumentações babacas, fânque é demais! É asqueroso só penar nisso!
    É baixar o nível até o espaço compreendido entre o solo e a cloaca da cobra!
    Já pensaram eu ensinar Climatologia por esse método, com que é que rimarei orvalho? E na aula de Genética, falando de gameta? Há pelo menos duas rimas, uma começadas com B, outra com P!

    •  
      Thaís 6 de abril de 2013 at 22:14 – Reply

      Clóvis, apesar da música ser um funk, achei genial o fato dele ter se aproveitado de uma melodia “chiclete” – porque, convenhamos, o funk gruda na cabeça que é uma beleza – para ensinar um conteúdo importante. O meio pouco importa, o essencial é o professor passar sua mensagem para os alunos. E isso ninguém pode negar que ele fez.

  2.  
    Graça 6 de abril de 2013 at 19:46 – Reply

    Ah! Clovis, com todo o respeito que sinto por você, hoje vou discordar…embora eu não aprecie o funk, achei a proposta desse professor, excelente. Construir o conhecimento a partir de elementos e dinâmicas da expressão dos alunos. Esquece que é funk e admire o envolvimento dos alunos…não é bonito de se ver?

  3.  
    Graça 6 de abril de 2013 at 19:52 – Reply

    Kiko, achei fantástico ! A alegria com que este professor dá aula é contagiante…isto é amor à profissão…

    Ótima escolha de vídeo.

  4.  
    Joaquim 6 de abril de 2013 at 23:59 – Reply

    Lastimável! O retrato da decadência do ensino no Brasil. Uma tremenda perda de tempo. Deve ter passado a aula inteira para ensinar o poderia ser feito em dez minutos.

  5.  
    Joaquim 7 de abril de 2013 at 0:05 – Reply

    E quando ele tiver que ensinar balanceamento de de uma equação química? Vai compor uma ópera? “A Ópera do Balanceamento” para berimbau, cuíca e reco-reco.

 
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Como Confúcio pode ajudar você a entender a China

PAULO NOGUEIRA 6 DE ABRIL DE 2013 26

Desde crianças os chineses devoram os ensinamentos eternos do grande filósofo.

Confúcio num filme chinês

Confúcio num filme chinês

APRENDER MANDARIM é difícil. Exige uma força de vontade colossal,  digna de Demóstenes, o orador grego que raspava parte do cabelo para assim não poder sair de casa e treinar a arte da retórica, que dominaria como ninguém. Mas há uma maneira bem mais fácil de entender a China e o chinês: ler Confúcio, o grande sábio que é mentor espiritual da nova superpotência.

Que nós, ocidentais, não entendemos a China é fato: até há pouco tempo líamos, nas melhores publicações dos Estados Unidos e da Europa, que se tratava de um país de segunda classe, basicamente vivendo do trabalho semiescravo para exportar produtos baratos e ordinários para o resto do mundo. Havia, também, um problema seriíssimo ambiental na China, líamos exaustivamente.

A China era tratada como o Haiti da Ásia.

Bem, enquanto isso a China lia Confúcio, como sempre, e andava. Andava não: corria. É um caso único de país destruído por pedradores ocidentais (Guerras do Ópio, no século 19) a se reconstruir e voltar a ter as dimensões de outrora. Este milagre tem um nome: Confúcio.

Confúcio explica a China e a China explica Confúcio, numa simbiose raríssima entre um país e um pensador.

Confúcio (551-479 AC) é tão grande, para os chineses, que segundo os relatos históricos tinha 2,30 metros. Ele fez carreira notável como funcionário público no estado de Lu, hoje Xantung. Desistiu do cargo e abandonou a região quando viu que o soberano se entregara à devassidão. O chefe de uma região local enviara ao libertino 30 mulheres lindas com a intenção de tirar seu foco administrativo. A ação foi um sucesso, a despeito dos esforços de Confúcio. Quando ele viu que seu chefe estava mais interessado nas mulheres que no governo, foi embora. Lu se arruinou.

Respeitar as regras da sociedade é um dos conceitos cruciais do confucionismo. Por trás disso havia o objetivo de coibir as múltiplas revoltas que atormentavam os chineses. O respeito aos mais velhos é outro pilar de Confúcio para que se construa uma sociedade justa. Você não passa a vida aflito com a possibilidade de ser desprezado na velhice quando existe uma cultura de reverência aos cabelos brancos.

Como Jesus, Sócrates e Buda, Confúcio não escreveu livros. Seus ensinamentos foram recolhidos pelos discípulos. A essência de sua filosofia está nos Analectos, uma coletânea de reflexões.  (Analecto significa antologia.) Há pelo menos duas versões boas em português, uma da Martins Fontes e outra da Pensamentos. Selecionei 10 máximas confucianas que ajudam a entender o fenômeno chinês e, de quebra, podem ser úteis a você também:

1) “Respeitar os pais e os mais velhos é a raiz da humanidade.”

2)” Examino a mim mesmo três vezes por dia. Ao intervir em favor dos outros, fui digno de confiança? Na relação com meus amigos, fui leal? Pratiquei o que aprendi?”

3)”Em casa, um jovem tem que respeitar seus pais. Fora de casa, deve respeitar os mais velhos; amar todas as pessoas, mas associar-se aos virtuosos.”

4) “Não se preocupe se as pessoas não reconhecerem seus méritos. Preocupe-se se você não reconhecer os delas.”

5) “Aquele que se apressa demais não vai longe; aquele que procura pequenas vantagens perde as grandes coisas.”

6) “O cavalheiro considera mais o todo que as partes. O homem pequeno considera mais as partes que o todo.”

7) “O verdadeiro cavalheiro prega apenas o que pratica.”

8 ) “Promova os homens retos, e conquistará o respeito do povo. Se você promover os tortos, o povo lhe negará apoio.”

9) “Não agir quando a justiça exige é covardia.”

10) “Armazenar conhecimento em silêncio, permanecer para sempre faminto de aprendizagem, ensinar os outros sem cansar: tudo isso é natural para mim.”

 
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O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

26 Comentários »

  1.  
    Marcelo 11 de janeiro de 2010 at 13:25 – Reply

    Parabens pela materia. Em vias de entender mais a respeito da RPC tambem vale ler a respeito de Padre Matteo Ricci.

  2.  
    Karina 11 de janeiro de 2010 at 13:44 – Reply

    Muito bom o último. Muito verdadeiro o penúltimo. Muito merecedores de atenção o 4º e o 2º.
    Já o 1º…
    Respeitar, sim, como a todos que merecem respeito. Como a todos que merecem respeito, respeitar sem se submeter cegamente. E lembrar que a idade não isenta ninguém de ser um canalha.

    Tirei férias de Londres, mas voltei.
    LOL

  3.  
    Robson M. Gonçalves 11 de janeiro de 2010 at 14:35 – Reply

    Olá Paulo,
    Gostei muito deste post! É certo que temos muito a aprender com outras culturas, principalmente a oriental. Por lá são valorizados quem realmente merece valor. Infelizmente na cultura ocidental vemos uma inexorável inversão de valores; e o pior é que a mídia — precipuamente a televisiva — apoia e dissemina essa inversão, unica e exclusivamente por interesses financeiros. Logo, nota-se que o foco por aqui está desfocado! E a dúvida que fica é: até quando isso prevalecerá? Quando aprenderemos a valorizar o essencial da vida para crescermos juntos e deixar de lado os restos que nos sobram?
    Abs,
    Robson.

  4.  
    josé luciano pereira 11 de janeiro de 2010 at 15:03 – Reply

    Brilhante a análise e a analogia histórica. Só resta cumprimentar e esperar que sempre mantenham este nível.
    Luciano/BH

  5.  
    Luciana 11 de janeiro de 2010 at 15:10 – Reply

    Boa tarde Paulo.
    Desde que batemos um papo no aeroporto vindo de londres, ha alguns meses, venho acompanhando sua coluna, que como sempre, muito bem escrita, é de extrema seriedade e sempre retratando assuntos e detalhes que fazem a diferença no mundo. Parabens pela materia. Simples e valiosa. um abraço, Luciana.

    •  
      Paulo Nogueira 12 de janeiro de 2010 at 10:16 – Reply

      Oi, Luciana

      Puxa, lembro bem de você, a jovem artista que tinha ido a Londres estudar. Espero que tudo esteja correndo pelo melhor com você. Obrigado pelas palavras gentis e um feliz 2010.

      Paulo

  6.  
    thomas luk 12 de janeiro de 2010 at 6:59 – Reply

    Sugiro que imprima este artigo com fonte tamanho 180 e fixe-o no corredor do congresso nacional (tunel do tempo).

  7.  
    Debora Tavares 12 de janeiro de 2010 at 11:47 – Reply

    Paulo, descobri que tenho mais um motivo para ser sua fã: seu bom gosto para filmes. Vi que o senhor gosta de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, é um dos meus filmes favoritos!
    Quanto a Confúcio, gosto também dessas frases-conselho, do tipo “Minutos de sabedoria”, não sei por que existe tanto preconceito quanto aos conselhos em geral (basta ver o dito popular “Se conselho fosse bom ninguém daria.” ou o ataque constante aos livros de auto-ajuda).
    Pratico arte marcial e por isso sou bastante ligada à filosofia e à cultura orientais, acho que isso foi muito importante para ampliar minha visão da vida. A sociedade chinesa tem uma força de coesão surpreendente, mesmo com sua enorme população e sem dúvida isso está relacionado a essa cultura de respeito ao espaço de cada um dentro do grupo.
    Só para acrescentar, mas um ótimo dito atribuído a Confúcio:

    “Para conhecer um homem: veja como ele age, descubra o que ele busca, examine o que lhe faz feliz.”

    •  
      Paulo Nogueira 12 de janeiro de 2010 at 17:42 – Reply

      Oi, Débora

      Obrigado pelas palavras gentis. Sábia frase esta atribuída a Confúcio. Anotada. Feliz 2010.

      Paulo

  8.  
    Lila 6 de abril de 2013 at 18:36 – Reply

    Já admirava a China antiga e Confúcio é um filósofo de que particularmente gosto muito, dada a simplicidade e objetividade de seu pensamento pra lá de prático. Visitei Beijing ano passado – mas não foi em 2009 rs. Fiquei positivamente surpresa com o que vi e ouvi. Então compreendi que se o passado está bem assentado no Confucionismo e em outras filosofias não menos importantes, o futuro a eles está garantido.

  9.  
    Paulo Gurgel 6 de abril de 2013 at 18:51 – Reply
  10.  
    Flavia 6 de abril de 2013 at 18:55 – Reply

    Maravilha de texto, lembrei do I Chig que lia quando adolescente. Abs

  11.  
    Graça 6 de abril de 2013 at 19:36 – Reply

    Paulo,

    Entender a China não é fácil, mas com certeza é um exercício enriquecedor para nós, ocidentais. Só temos a aprender e agradecer com sua cultura e os ensinamentos de Confúcio.

    Analectos XV, 23 – “não faças aos outros o que não queres que façam a ti” é um guia norteador para minha vida, que adotei há muitos anos atrás. Gostei também da sua seleção.

    Não desista do mandarim, é difícil, mas não é impossível…ainda vamos trocar muitas mensagens em chinês.

    •  
      Paulo Nogueira 6 de abril de 2013 at 20:03 – Reply

      Jamais desistirei de avançar além do Ni Hao, Graça.
      Qto à gde frase que vc pescou, ela é idêntica praticamente à de nosso Jesus.

      •  
        Graça 6 de abril de 2013 at 20:11 – Reply

        …e como você explica isso, Paulo?

        •  
          Paulo Nogueira 6 de abril de 2013 at 20:20 – Reply

          Os escribas do Novo Testamento tiveram algum contacto com o confucionismo, que é uma filosofia de 2500 anos, Graça.
          Plagiaram uma gde frase, e a atribuíram a Cristo, e fizeram mto bem.

          •  
            Graça 6 de abril de 2013 at 20:33 –

            entendi…mas…na verdade não deve ter sido “algum contacto” e sim um estudo aprofundado sobre Confucio…ah! Paulo, você foi muito sutil…delicado…você conhece algum estudo que faça essa sobreposição entre o confucionismo e o cristianismo?

          •  
            Paulo Nogueira 6 de abril de 2013 at 20:41 –

            Alguns anos atrás, li muita coisa sobre filosofia, Graça, e aquele ponto foi um dos tocados numa de minhas leituras, que já não lembro qual foi.

            O que é impressionante é o número de coisas em comum entre as filosofias orientais e ocidentais da antigüidade.

            No caso o cristianismo, a maior influencia dos escribas que compuseram o NT foi o estoicismo grego — cuja glorioso lema era ‘abstém-te e suporta’. Isso se aplica no ‘seja feita vossa vontade’ cristão. A mensagem é a mesma: agüente firme …

          •  
            Graça 6 de abril de 2013 at 20:54 –

            Bárbaro isso, não é, Paulo? Estes temas me enlouquecem…fico fascinada…isso sim vale a pena ser discutido sobre as religiões…

  12.  
    Perácio Bicalho 6 de abril de 2013 at 19:37 – Reply

    Um parente meu – mais amigo que parente – foi empregado de uma grande empresa siderúrgica. Em 1974 ele fez um estágio numa siderúrgica em Nagoia, no Japão. Uma tarde, um amigo de estágio reclamou que tinha perdido uma caneta Scheffer, dourada, presente da noiva. Ele havia esquecido a caneta no guichê dos Correios. O tradutor que acompanhava a turma, disse: Vamos lá onde você deixou a caneta que ela está lá. O cara não creditou, mas, foi lá. Já ao término do expediente. O local ainda estava cheio de gente. A caneta estava no mesmo local em que havia sido deixada. Assim é em vários países do oriente. China e Japão são exemplos notáveis. Infelizmente Nossa Terra tem uma história inversa. Seu artigo foi ótimo. Uma excelente oportunidade para tomarmos conhecimento dos princípios que norteiam o País de mais de 1 bilhão de habitantes. Pelo visto, CONFÚCIO teve influência não apenas na CHINA.

    •  
      Paulo Nogueira 6 de abril de 2013 at 20:02 – Reply

      O Japão tb foi mto influenciado por ele, PB. Pelo confucionismo e tb pelo budismo.

  13.  
    Márcio 6 de abril de 2013 at 20:06 – Reply

    Paulo, há um livrinho muito legal: “Gerenciando como a máfia”, é uma espécie de Maquiavel aplicado à administração passado por um “consigliere”, não tão politicamnte correto, mas muito legal. Encontrei um texto bem legal sobre elehttp://blogdavacalouca.blogspot.com.br/2007/08/livro-gerenciando-como-mfia-curtis-l.html

  14.  
    Artus 6 de abril de 2013 at 20:16 – Reply

    “Promova os homens retos, e conquistará o respeito do povo. Se você promover os tortos, o povo lhe negará apoio.”
    Alguém envia este livro pra Dilma por favor.

  15.  
    Frank 7 de abril de 2013 at 0:00 – Reply

    Paulo, se me der a liberdade, desta vez discordarei quase completamente de você. Confúcio pode ter sido isto tudo que você disse, e deve ter sido mesmo, mas a única verdade neste texto é o respeito aos mais velhos.

    Convivi com chineses, vários, diretamente e por um bom tempo para aprender muita coisa sobre a cultura deles. Viajei para a China e vi de perto as novas e grandes cidades cheias de jovens. Infelizmente a corrupção e a ganância toma de assalto esta nova geração de chineses muito bem formados em escolaridade mas vi de perto que os valores aos quais damos prezamos tais como respeito ao próximo, empatia, sinceridade e honestidade estão muito longe de serem uma regra. Para falar a verdade, dos mais de 20 chineses que conheci, 1 ou 2 teriam os nossos valores. Prá ser sincero, tenho extrema adimiração pela cultura chinesa ao mesmo tempo que tenho muito medo de vê-los como império.

    •  
      Paulo Nogueira 7 de abril de 2013 at 0:56 – Reply

      Frank, a cultura confuciana está no todo, e não em indivíduos que vc possa ter conhecido.
      O próprio Confúcio fala de mtos indivíduos corruptos, gananciosos etc.

      Sobre o império, nada pode ser pior do que o que temos e tivemos no ocidente — primeiro os ingleses e depois os americanos.

      Por isso, não há motivos para seu medo.

 
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Sai daí, Adnet, antes que o Zorra Total te pegue

KIKO NOGUEIRA 6 DE ABRIL DE 2013 11

A estreia de Marcelo Adnet na Globo é o que se esperava: não tem nada a ver com Marcelo Adnet.

"Alguém viu onde foi parar a minha graça???"

“Alguém viu onde foi parar a minha graça???”

  • Uma velhinha encontra o protético no dentista. “E aí, está encaixando direitinho?” A dentadura da senhora ameaça cair.
  • Uma mulher se aproxima falando de um abaixo assinado contra o excesso de sexo na televisão. “Essa aí tem cara de quem não faz sexo há anos. Não deve nem usar mais sabonete. Se lava com creolina”.
  • O dentista vai até o consultório vizinho ao seu. Ele era ocupado por um proctologista e agora por uma advogada. Eles batem na porta. “A senhora podia dar um toque pra gente?” Ela responde: “Aqui não é mais proctologia”.

ha. ha. ha.

A estreia de Marcelo Adnet na Globo foi triste. Adnet, um dos humoristas mais talentosos de sua geração, está agora numa série chamada O Dentista Mascarado. Ele é o Doutor Paladino (sacou?). É uma espécie de filme noir só que, ao invés de um detetive solitário e misógino, o protagonista é um dentista. Sacou? Há uma distância razoável entre um humorista e um ator de comédias. Adnet, na MTV, fazia o que queria. Tinha liberdade criativa. Fez algumas bobagens, como A Casa dos Autistas, uma paródia cruel do reality show do SBT com deficientes. Mas, de resto, conseguiu estrelar alguns dos momentos mais engraçados na TV dos últimos anos, com suas imitações de jogadores de futebol (o funk “A Gaiola das Cabeçudas”, com a letra citando Aleijadinho, Camões e Dostoievsky é impagável), seus improvisos e suas sátiras crueis de cantores de MPB, atores etc (ele no papel de Arnaldo Jabor foi impagável). É precipitado dizer que O Dentista Mascarado é um lixo. Mas as perspectivas não são as melhores. Ao que parece, Adnet teve de se adaptar a um formato de humor engessado, trabalhando com o time que faz a Globo o que é em matéria de humor: uma nulidade. Não adianta colocar Diogo Vilela. Não adianta colocar Taís Araújo no papel de uma paciente gostosa. Taís não tem graça não é o fato de colocar um sugador em suas partes íntimas que vai adiantar alguma coisa. O roteiro é dos mesmos de sempre: Fernanda Young e Alexandre Machado (de Os Normais). A direção é de outro mesmo de sempre: José Alvarenga Jr. (cuja obra inclui clássicos como Sai de Baixo, A Diarista, Força Tarefa e O Divã). O máximo de ousadia é a palavra “puta”. “Você sabia que estou gastando uma puta de uma grana?”, diz um sujeito. Parece peça de teatro do Antonio Fagundes em que a plateia cai na risada quando ele diz “merda”. Tomara que Adnet emplaque. Ele merece. Mas, a julgar pelo que O Dentista Mascarado apresentou, ele deveria estar arrependido de não seguir os passos do pessoal do Porta dos Fundos, que faz o que quer porque pode e sabe que esse é o caminho. Corre daí, Adnet, antes que o Zorra Total te pegue.

 

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11 Comentários »

  1.  
    Caco 6 de abril de 2013 at 20:03 – Reply

    O Adnet e o melhor comediante do Brasil e mesmo que você nao goste de 1 personagem que ele esteja fazendo o azar e o seu

    •  
      Marcola 6 de abril de 2013 at 21:53 – Reply

      Baba ovo.

  2.  
    Anita 6 de abril de 2013 at 21:13 – Reply

    Kiko
    Esperava muito mais da estreia de ontem. Sem graça, nem terminei de assistir. Acho que o erro principal está nos texto de Young/Machado.
    Não são engraçados… os seriados do Mel Brooks dos anos 60 são muito mais atuais e hilários do que apresentaram ontem.

    •  
      Paulo Nogueira 6 de abril de 2013 at 21:16 – Reply

      … tb comparar qquer roteirista brasileiro com o Mel Brooks é covardia …

  3.  
    Luis Fernando-SP 6 de abril de 2013 at 21:35 – Reply

    Uma pena… o moço é talentoso, mas caiu na globo… já era! vai virar angu pasteurizado e acabar no zorra total ou coisa pior

  4.  
    Leonardo 6 de abril de 2013 at 21:39 – Reply

    Horroroso aquele programa!

  5.  
    gustavo 6 de abril de 2013 at 22:05 – Reply

    realmente esse moço tem talento. é um dos melhores imitadores de todos os tempos. ele tem a sensibilidade de externar os mais suves trejeitos dos imitados captando completamente sua essência. sua imitação do Silvio Santos, que é uma das personalidades mais imitadas do Brasil, é mais fiel que o próprio. sem falar no seu poder de improviso sem precedentes. enfim, o cara é um fenômeno. culto, rápido, certeiro. tenho muito medo dessa sua nova empreita. particularmente achei um lixo apesar do bom elenco. mas torço por ele mesmo assim.

  6.  
    Mariana BH 6 de abril de 2013 at 22:25 – Reply

    Decepcionante!
    Eu já sabia que a Globo ia formatar o talento de Adnet, mas não pensei que pudesse destruí-lo. Adnet sempre foi brilhante e surpreendente, ontem estava medíocre, declamando piadas previsíveis e sem nenhuma graça! Lamentável! Nem tive paciência pra terminar de assistir o episódio.

  7.  
    Richard 6 de abril de 2013 at 22:28 – Reply

    Nossa mano, comparar com Porta dos Fundos não né? Lá sim, tem humor em que falar merda ou caralho parece o supra sumo das piadas.
    Marcelo Adnet sempre fez um humor bem mais evoluído que isso.

  8.  
    Humberto Cavalcanti 6 de abril de 2013 at 23:35 – Reply

    Isso!
    E a mulher dele, a engraçada Dani Calabresa, na MTV, foi pro CQC-Band. Bastou um flash anunciando do que seria o programa, uma cena com ela trocando tapas e puxões de cabelos com Mônica Iozzi.
    Fiquei no flash, claro que nem fui ver o programa.

  9.  
    Leonardo Pozzer 7 de abril de 2013 at 2:49 – Reply

    Ele acabou com a carreira dele indo para a Globo! Passou a ser mais um comediante politicamente correto, controlado para fazer coisas que pessoas alienadas acham engraçado, um grande exemplo é o Zorra Total, que não sei como, muita gente gosta. Um grande artista se submetendo ao controle de uma emissora tão mesquinha. Uma pena. Se não for pra ficar na MTV, deveria ter se focado no teatro. Tudo menos Rede Globo! Ficará sem graça, robotizado. Um adendo sobre o programa dele… UMA BOSTA!

 
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A ira santa de Mino Carta

PAULO NOGUEIRA 6 DE ABRIL DE 2013 29

Numa quase solidão oceânica, ele combate o bom combate.

mino carta editMino Carta é uma referência para os jornalistas brasileiros.

Lúcido, combativo, ativo e dotado de algo que eu chamaria de ira santa.

Mino não se conforma que o Brasil seja tão injusto socialmente, e que a classe a que ele pertence, a dos jornalistas, contribua tão pouco  para mitigar a disparidade.

Mino combate o bom combate numa quase solidão transatlântica.

Para cada Mino, há dezenas de jornalistas que combatem o mau combate. Mas há nele alguma coisa de redenção para os jornalistas:  é como se, mesmo em colossal minoria, Mino representasse o jornalismo brasileiro, e não os inumeráveis escaravelhos que se dedicam a defender um mundo abjetamente desigual e simplesmente insustentável.

Tem todas as virtudes que um jornalista pode ter: é um estilista ao escrever, edita com mestria, dá o título certo para a capa certa.

Mas seu ponto mais alto é a ira santa.

A ira santa dá a Mino um vigor extraordinário. Já quase octogenário, ele encontra tempo, energia e motivação para escrever um romance sobre o mundo que conhece tão bem, o do jornalismo.

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É conhecida sua baixa opinião sobre o jornalismo brasileiro, e não sou, definitivamente, quem haverá de discordar.  Presumo que o livro – que comprarei – retrate esse universo desolador.

Mino tem voz, e dá voz a quem não tem, os 99%.  Os outros, quase todos, apenas reproduzem a voz dos patrões.

Por isso Mino ficará, e os escaravelhos não.

Leia mais: A mídia brasileira segundo Mino Carta.

 
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O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

29 Comentários »

  1.  
    Emília 27 de fevereiro de 2013 at 19:25 – Reply

    Estou contigo, Paulo. Acompanho a carreira do Mino desde o tempo em que ele trabalhou na revista Isto é, e hoje, assino sua grande revista a CartaCapital. Ele é sem sombra de dúvida um grande jornalista e, já encomendei o livro dele que além de mim, tem o meu pai de 86 anos que é um grande fã do Mino.

    •  
      Paulo Nogueira 27 de fevereiro de 2013 at 19:43 – Reply

      Boa leitura para seu pai e vc, Emília.

  2.  
    Clóvis 27 de fevereiro de 2013 at 19:25 – Reply

    Paulo, que bela homenagem a esse GIGANTE, chamado MINO CARTA…

    Admiro-o de longa data, combatendo o “bom combate” com a sua tenacidade peculiar.

    Infelizmente, no momento presente, não se faz JORNALISTAS do quilate desse grande homem!! Justa homenagem !!!

  3.  
    Roni pereira 27 de fevereiro de 2013 at 20:14 – Reply

    Espero um dia, combater o bom combate também.

    •  
      Marcelo 27 de fevereiro de 2013 at 22:54 – Reply

      Belo Avatar, Roni.
      Saudacoes Nietzcheanas.

      •  
        Roni pereira 28 de fevereiro de 2013 at 10:26 – Reply

        Obrigado :)

  4.  
    Gilson 27 de fevereiro de 2013 at 21:00 – Reply

    À moda do DCM, clap, clap, clap, para Mino Carta e clap, clap, clap, para Paulo Nogueira pela homenagem.
    Os relatos de Mino à época da ditadura, dos confrontos com o Civita, mostram a grandeza desse Senhor, um Jornalista com Jotão maiúsculo.

  5.  
    Mario Silveira 28 de fevereiro de 2013 at 8:58 – Reply

    Também gosto muito do Mino Carta.
    Sou assinante da Carta Capital, que apesar de ser governista seu conteúdo não tem nenhum tipo de ranço ideológico que vemos na Veja.
    É uma revista de outro nível, que espero que resista aos infortúnios da mídia impressa.

  6.  
    marcos nunes 28 de fevereiro de 2013 at 9:10 – Reply

    Sou assinante de Carta Capital. Algumas vezes, Mino trai uma altivez primeiromundista, de civilizado, italiano, herdeiro direto do renasciamento artístico e literário, ou o orgulho de ser a pátria de Pirandello, Moravia e outros muito bem votados, além do cinema italiano do pós-segunda grande guerra. Ok, a gente gosta também de tudo isso e não desdenha da “cultura e civilizações européias”, mas o Brasil é diferente e merece uma abordagem que reconheça essas diferenças e não nos coloque sob os estereótipos e distorções do povo indolente, que é como chamavam (e ainda chamam) todos os povos escravizados que não reconheciam (e não reconhecem até hoje) a legitimidade da própria condição, a par da suposta “grandeza” dos seus exploradores.
    Tirando isso, Mino é legal. Quer dizer, tem aquela coisa que ele gosta de usar e acha sinal distintivo: “até o mundo mineral sabe”. Tá na hora de aposentar a expressão.
    No mais, parabéns a ele e à sua revista. Quanto ao livro, tenho um certo receio dele. Primeiro porque deve conter tudo aquilo que ele escreveu e semanalmente reescreve em sua revista. Segundo, porque deve conter tudo aquilo que ele escreveu e semanalmente reescreve em sua revista.

    •  
      Paulo Nogueira 28 de fevereiro de 2013 at 9:14 – Reply

      Vou comprar o livro — ainda que não leia — como um pequeno reconhecimento à luta do Mino por um Brasil melhor, MN.
      Bom mesmo ele é jornalista, não romancista.

  7.  
    MARCELO 28 de fevereiro de 2013 at 9:39 – Reply

    Mino,hoje,mesmo que adule os
    governos Lula-Dilma,consegue
    ser um peixe fora d’água em
    nossa imprensa.E qual é o
    problema em ser “primeiro-
    mundista”?A Itália não é só
    Berlusconi,Beppe Grillo e outros
    populistas de subúrbio.Carta
    Capital foi a única revista que
    não botou em sua capa aquele
    caso Nardoni,onde os pobres
    da direita malufista hostilizavam
    aquele casal a la Escola Base.
    Quando Mino morrer,será um
    encanto.Porque como dizia
    Guimarães Rosa,as pessoas
    (como o Mino)não morrem,ficam
    encantadas.Cheers!

    •  
      marcos nunes 28 de fevereiro de 2013 at 11:26 – Reply

      Bem. a Itália TAMBÉM É Berlusconi,Beppe Grillo e outros – populistas ou não. Sempre é bom lembrar que a Bélgica, que já foi “metado do Brasil” (a outra metade er a Índia) cresceu em economia e “civilização” só depois que fez do anterior Congo seu campo de Morte e De Marte e de exploração extrativista, em paralelo ao genocídio quase sem paralelo. Como é que dizia o Walter Benjamim? Algo assim: “Todo documento da civilização é também um documento da barbárie”. O ponto é esse: primeiro-mundismo o quê, cara-pálida?

      •  
        João Grillo 1 de março de 2013 at 7:13 – Reply

        CLAP, CLAP,CLAP… BOOOA!!! Esperneiam, estrebucham, mas já eram!

  8.  
    Nicolau 28 de fevereiro de 2013 at 10:30 – Reply

    Caro Paulo, assino embaixo de seu texto. Mino é o cara do jornalismo brasileiro, mas não é a cara da mídia que foi impregnada da ideologia fascista ao defender os interesses exclusivos dos donos dos meios de comunicação. Já não vejo mais necessidade de cursos de comunicação social com habilitação em jornalismo. A única habilitação deveria ser em “deontologia da comunicação”, portanto desconfio que os cursos de jornalismo deveriam ser extintos e a cadeira de comunicação passasse para a Filosofia. Hoje a imprensa brasileira está repleta de vaticínios e esvaziada de crítica e autocrítica. Temos nos jornais profetas do apocalipse e pregadores do caos, mas não temos a dialética. Ou seja, não temos a premissa findamental para uma comunicação propriamente “social”, restou apenas a premissa “comercial”, a do capital e da lucratividade concentrada em grupos de poder. São raras as exceções neste cenário de desolamento. Mino e o DCM são exemplos disso. A questão que pode ser mehor analisada é “as exceções estão em extinção ou estão inspirando um futuro mais democrático”?

    •  
      Paulo Nogueira 28 de fevereiro de 2013 at 10:59 – Reply

      A internet vai transformar a exceção em regra, Nicolau.

  9.  
    Benedito 28 de fevereiro de 2013 at 11:56 – Reply

    Comprei o livro no seu lançamento, terça-feira chuvosa, à noite, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. A fila de autógrafos era imensa. Mino Carta está entre aqueles homens (e jornalistas) que Brecht classificou de “imprescindíveis”.Ainda no prólogo de “O Brasil”, lê-se: “Os carunchos não sabem o que é um confessionário, assim como os peixes não sabem o que é o mar”. Penso: e nós, humanos, o que sabemos?

    •  
      Marcus Vinicius 1 de março de 2013 at 9:34 – Reply

      Acho que estamos num aquário e somos peixes pequenos juntos com tubarões. De olho na quirela.

  10.  
    MARCELO 28 de fevereiro de 2013 at 13:13 – Reply

    Sem trocadilhos,mas Mino Carta
    É O CARA!!!!
    E,Marcos,ninguém aqui está
    defendendo o que os colonizadores
    fizeram no passado.É só comparar
    os níveis educacionais dos países
    da Europa com as dos EUA,por
    exemplo.Dão um tsunami nos tais
    Estados Unidos.

    •  
      marcos nunes 1 de março de 2013 at 9:37 – Reply

      Ainda assim, com todo “nível educacional”, os europeus compraram milhões de livros de Paulo Coelho, deram-lhe comendas, honrarias e tudo mais, como a França vexatoriamente o fez. Imagina se o nível fosse baixo. Ok, é melhor do que os EUA, o País dos Idiotas. Mérito pouco, não?

  11.  
    Beatriz Zacarelli Parreiras 1 de março de 2013 at 8:23 – Reply

    Eu tive o prazer e a honra de trabalhar na Veja com ele, naquela época eu estava com 21 anos. Era ele quem dizia “cubra-se de glórias”, quando a gente saía para uma pauta.

    •  
      Paulo Nogueira 1 de março de 2013 at 8:25 – Reply

      Nossa, Bia, repeti sempre isso sem saber autoria …

  12.  
    Marcus Vinicius 1 de março de 2013 at 9:23 – Reply

    Bela homenagem,Paulo. Escolheu idéias e palavras inimagináveis. Sempre encantando com seus textos.
    Uma delícia ler o que pensa.

  13.  
    helcio dias de sa 2 de março de 2013 at 12:01 – Reply

    È triste saber que o Mino ta com o pe na cova,como eu,seu consumidor,existem pessoas que nao tem o direito de morrer,a reencarnaçao deveria funcionar,recortava textos dele ,xerocava,enchia meus amigos/fregueses,tinham que ler na marra,agora metralho com emails textos da carta.O mino sempre foi coerente.Já distribui textos do paulo nogueira tambem desde revista epoca.Tem muita merda escrita/publicada, no mundo,achou uma joia ,tem que compartilhar.

  14.  
    Flávia 3 de março de 2013 at 13:15 – Reply

    Regozijo.Tua opinião sobre o Mino Carta! Abraço

  15.  
    NilvaSader 3 de março de 2013 at 21:48 – Reply

    Abert, Aner, ANJ e Abap dão posse a Ayres Brito
    Enviado por luisnassif, sab, 02/03/2013 – 15:38
    Por Sergio Saraiva
    É dando que se recebe.

    Da Folha / Poder

    Ayres Britto toma posse no Instituto Palavra Aberta

    O ministro aposentado do STF Carlos Ayres Britto e o jornalista e empresário Roberto Muylaert foram empossados membros do Conselho Consultivo do Instituto Palavra Aberta, entidade criada em 2010 pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). O objetivo do conselho é promover e defender a liberdade de imprensa e de expressão.

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/abert-aner-anj-e-abap-dao-posse-a-ayres-brito

    Comentários de Paulo Kautscher

    Associados Fundadores

    ANJ – Associação Nacional de Jornais

    ABERT – Associação Brasileira de emissoras de Rádio e Televisão

    ANER – Associação Nacional de Editores de Revistas

    ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade

    Associados Efetivos

    Organizações Globo
    Souza Cruz

    Membros

    Alexandre Jobim
    Antonio Athayde
    Daniel Pimentel Slaviero
    Fabio Barbosa
    Fernando Bomfiglio
    Fernando Costa
    Fred Kachar
    Judith Brito

    A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.—Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais”

    Luiz Lara
    Paulo Tonet Camargo

    Conselho Consultivo Membros

    Carlos Ayres Britto
    Cristiano Roriz Câmara
    Eugênio Bucci
    Lívia Barbosa
    Marcelo Moscogliato
    Mônica Waldvogel
    Ricardo Gandour
    Sérgio Fausto
    Roberto Muylaert

    •  
      Paulo Nogueira 3 de março de 2013 at 22:03 – Reply

      Mônica Waldvogel … Fred Kachar … Perfeitos Idiotas Brasileiros.

  16.  
    MUSSUM 4 de março de 2013 at 13:36 – Reply

    Mas,Mônica trabalha num canal
    que tem propagandas da Caixa
    dia e noite,noite e dia.

  17.  
    Adriana Wilner 16 de março de 2013 at 13:50 – Reply

    Ira santa, mesmo, Paulo. Como chefe, posso dizer que o Mino foi sempre incrivelmente justo. Parabéns pelo Diário do Centro do Mundo.

 

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Não existe música independente no Brasil

EMIR RUIVO 7 DE ABRIL DE 2013 0

A música independente é na verdade estatal.

As americanas da Haim, banda independente de sucesso

As americanas da Haim, banda independente de sucesso

Não há música independente no Brasil. Se alguém disser o contrário, está mentindo. Há uma pequena quantidade de artistas sérios, que batalham para não se afogar, uma pequena quantidade de casas sérias que abrem espaço para eles, e uma porção menor ainda de festivais sérios. Todo o resto do que nós chamamos de mercado independente no Brasil, eu chamo de artistas estatais, SESC-dependentes e derivados.

Música estatal, se alguém se interessar em colocar no dicionário: adjetivo que denomina artistas que mamam nas tetas do estado, e logo na minha e na sua, via Lei Rouanet e outros subterfúgios. Música SESC-dependente: bom, deu pra entender, né?

Mas vamos começar pela matemática básica: num mercado saudável, o cachê de um artista é basicamente formatado no lucro que ele pode dar a quem o contrata. Simples assim. Se você vende 1.000 ingressos a 10 reais, seu cachê não pode nunca, jamais passar de R$ 10.000 – até porque, se passar, o cara não vai te contratar. Lei da oferta e da procura.

Em um mercado bizarro como o brasileiro, esta matemática não vale, porque os maiores contratantes não dependem do retorno. É o próprio governo muitas vezes; em outras, são serviços sociais como os SESCs, que usam a persona da “música de qualidade” para incluir artistas irrentáveis na programação; eventualmente, empresas; às vezes, só às vezes, é uma casa de shows ou um produtor que vive do público.

Mallu e seu namorado Camelo

Mallu e seu Camelo

Uma comparação simples com mercados fortes pode ser feita rapidamente. Vamos pegar, aleatoriamente, alguns artistas medianos independentes brasileiros e outros de fora. Digamos… Criolo: sua agenda de março tinha 6 shows – 5 no SESC; Mallu Magalhães: seu site fala em 4 shows confirmados, dos quais dois no Teatro Caixa Cultural (Brasília), um no SESI (Vitória), e apenas 1 numa casa particular.

Vamos aos gringos: a Haim, banda independente americana, que se alguém ouviu falar deve ter ouvido aqui no DCM, faz 4 shows em abril. Até agosto, em sua agenda, há 23 shows e apenas um que poderia passar por assistencialista, no Sony Centre For Performing Arts.

Alguém aí falou em assistencialismo? Sim. Posso até usar uma palavra melhor: esmola. As únicas diferenças entre isto e o Bolsa Família são: 1 – a esmola dos artistas é rica; 2 – ninguém reclama que ela existe.

Criolo e sua bandeira

Criolo e sua bandeira

Há dúvida de que é esmola? Como você chama o dinheiro que ganha uma pessoa que não consegue ser rentável no seu trabalho, e que vive de doações?

É bom lembrar que falo disso sem nenhum tipo de julgamento artístico. A Haim não é melhor que Criolo nem que Mallu Magalhães necessariamente por causa disso. E nem condeno os artistas por usarem esses subterfúgios, que às vezes se fazem necessários quando o contratante que deveria ser o típico foi sufocado pela concorrência imaginária do mundo do dinheiro grátis.

Uma conversa mais precisa sobre o funcionamento dos SESCs é um bom assunto, mas para ir a fundo, precisamos de uma reportagem só sobre ele. Para esclarecer brevemente, aqui vai: é o Serviço Social do Comércio. É mais ou menos como a TV Record, que gasta mais do que ganha porque vive, de verdade, do dinheiro do dízimo. Neste caso, todos os comerciários têm que pagar uma certa taxa que vai para o SESC. Então, o SESC sustenta esses artistas com o dinheiro da tia que lava chão no Shopping. Eles são muito ricos, não precisam do retorno em ingressos, então podem colocar quem bem entendem ali. E da mesma forma, há os SESIs (da indústria), os centros culturais dos bancos, e eles vão impedindo que o produtor, o artista, a casa de shows que depende de verdade do retorno de público (essa coisa do demônio chamada “mercado”) consiga ter força para contratar artistas com valor viável.

E assim nós construímos o mercado fonográfico mais ridículo do mundo contemporâneo.

 

Sobre o autor: Emir RuivoVeja todos os posts do autor 
Emir Ruivo é músico e produtor. Com sua banda Aurélio & Seus Cometas, em que canta e toca guitarra, ele possui dois álbuns lançados pela gravadora Atração Fonográfica.

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