Ações de sabotagem na Venezuela

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Vinicius Mansur, de Caracas, no blog ComunicaSul:

O presidente em exercício da Venezuela e candidato ao pleito de 14 de abril, Nicolás Maduro, anunciou nesta sexta-feira (5) que uma pessoa foi presa por tentativa de sabotar o sistema elétrico em Mérida, capital do estado de mesmo nome. 

“O capturamos com a mão na massa. Iam apagar a luz de toda Mérida enquanto eu estava no ato”, afirmou o chavista, referindo-se ao comício que realizou ontem na cidade localizada no extremo ocidente venezuelano.

O anúncio foi feito durante o Ato de Saudação da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) ao Comandante Hugo Chávez, na manhã desta sexta-feira, quando o falecimento do ex-presidente completa um mês.

Maduro disse que o episódio de Mérida não foi um caso isolado. “Nestes dias eu ia a Barinas e às 11:30 da noite, quando não exigência de consumo, se cortou a eletricidade. O candidato da direita iria ontem para Aragua e antes de ontem deixaram Aragua sem luz. Hoje temos um ato em 23 de Enero [bairro de Caracas onde está o corpo de Chávez] em homenagem ao nosso comandante e ontem se foi a luz no 23 de Enero”, afirmou.

Na quinta-feira (4), o governo já havia ordenado a presença das Forças Armadas em todas as estações e centrais elétricas do país e a demissão da diretoria da Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec) do estado de Aragua. 

Nesta sexta, Maduro defendeu que o sistema elétrico seja declarado como serviço de segurança nacional e agradeceu às Fanb por agir rápido na proteção das estações de energia.

2 horas atrás

O governo na contramão da história

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Revendo a pesquisa da IAB sobre os hábitos de consumo de mídia no Brasil, com dados de 2012, uma ficha meteórica quase me esmagou. Acompanhem o raciocínio.

Confiram esse gráfico. Como sempre, basta clicar sobre ele para vê-lo em tamanho ampliado.

O que chama atenção é o fato da internet ter superado a televisão. O brasileiro perde (ou investe) mais tempo navegando na rede mundial de computadores do que assistindo tv. A internet está vencendo de longe. 21% dos brasileiros passam ao menos 20 horas por semana na internet, contra 13% que o fazem assistindo TV.

O consumo de internet hoje no Brasil transcende a renda. Todo mundo está acessando. Na verdade, a estatística mostra que os que ganham menos de R$ 1.300,00 usam mais redes sociais que todos que ganham acima disso. Não há diferenças gritantes no consumo de mídia entre as faixas de renda.

E agora confiram a publicidade federal, da presidência e ministérios, nos últimos 2 anos, segundo dados obtidos pelo Cafezinho junto a Secom:

Observe que a internet, de longe a mídia mais usada pelos brasileiros, recebe apenas 5,8% das verbas publicitárias federais, enquanto os jornais, que figuram em último lugar no ranking das mídias mais importantes, recebe 10%.

É evidente que os jornais estão supervalorizados, em função do seu peso político. Repare que a participação dos jornais na divisão do bolo cresceu de 7% para 10% de 2011 a 2012, na contramão da tendência do mercado. Mas qual a lógica da Secom? Ampliar o peso político de um setor em declínio?

Temos que deixar claro uma coisa: o aumento dos investimentos da publicidade estatal na internet não é para beneficiar nenhuma “blogosfera progressista” ou “governista”. É para aumentar a publicidade para todos: sites de notícias, portais especializados em educação, blogs de pesquisa científica, páginas de literatura. O governo poderia inclusive criar uma espécie de “Adsense”, ou seja, um sistema difuso de publicidade, que direcionasse roboticamente os anúncios para toda internet brasileira, bastando se cadastrar e provar que o blog é feito por brasileiros e destinado a brasileiros. A internet hoje é a grande geradora de empregos para os profissionais da área de comunicação, ao contrário dos jornais impressos, cada vez menos relevantes neste sentido. Uma ação pública assim estimularia um aumento dos anúncios privados e, com isso, criaria um círculo econômico virtuoso.

Isso é o mínimo, e o lógico, que poderia ser feito, e corresponderia a um extraordinário incentivo à produção cultural brasileira, para todos os segmentos, ciência, arte, economia, política, culinária, etc.

À diferença da TV, onde apenas um lado fala, e o outro ouve passivamente, a internet permite a interação e dá voz ao consumidor de mídia. Essa é a razão histórica do sucesso da internet e se um dia algum filósofo analisar mais profundamente o processo de seu nascimento, poderá descobrir que ela surgiu justamente como um contraponto político e cultural ao gigantismo anti-democrático de uma mídia privada cada vez mais concentrada em grandes grupos. Uma reação do Ser a um desequilíbrio interno do sistema. Um ajuste de contas da humanidade consigo mesma.

É obrigação de um governo democrático respaldar uma vitória tão emocionante da democracia, e não se posicionar como uma força reacionária, como vem fazendo. O fato de termos um governo com pretensões progressistas torna a situação ainda mais absurda. Se considerarmos, como se deve fazer, a comunicação como um direito humano, a postura não apenas do governo federal, mas do Estado brasileiro em geral (legislativo, judiciário, MP, estados, municípios), tem sido profundamente equivocada, colaborando com o atraso cultural, político, econômico e científico do país.

3 horas atrás

Uma semana que a Globo quer esquecer

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Marco Aurélio Mello, no blog DoLaDoDeLá: 
Começou na sexta-feira da paixão, com a decisão do jornalista Luiz Carlos Azenha de desativar o sítio Viomundo. Logo em seguida, uma rede de solidariedade formou-se nas redes sociais. Viomundo, tocado voluntariosamente, sem recursos públicos e com publicidade apenas do Adsense, que é uma ferramenta do Google que premia cliques, é um dos canais independentes mais acessados do país (ao lado do de Paulo Henrique Amorim, ex-global, e Luis Nassif, que dispensa apresentações).

Na sexta-feira à noite, madrugada do outro lado do mundo, em Tunis, Tunísia, manifestações de solidariedade pipocavam pelo twitter, vindas do Fórum Social Mundial. Ainda no fim de semana da Páscoa, o presidente do Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé, Altamiro Borges, agendou um encontro na sede da organização (na última terça-feira) para discutir um tema reclamado pelos próprios internautas: a criação de um Fundo de Solidariedade para socorrer blogueiros perseguidos por ações judiciais.

Como bem sabemos, a Justiça brasileira – e as estatísticas não nos deixam mentir – só funciona implacavelmente para pretos, pobres e putas. Um documento divulgado pela ONU no início desta semana demonstra que os mais vulneráveis são os alvos preferenciais do aparato de segurança do Estado brasileiro. Neste sentido, os anônimos da internet entenderam o recado: as sentenças em primeira instância contra blogueiros graúdos e miúdos, que começavam a se avolumar, todas nascidas no seio de um dos maiores conglomerados de mídia do planeta, as Organizações Globo, eram um gesto de intimidação.

O principal litigante é um jornalista com carreira feita nas Organizações e que ocupa hoje o mais alto posto do telejornalismo brasileiro, Ali Kamel. Kamel atacou em várias frentes: questionou quem o relacionava a um homônimo, que foi ator pornô nos anos 80; quem criticava o mau jornalismo da emissora, considerando-o pornográfico e, até quem, a partir de situações reais escreveu ficção, como este Doladodelá.

Lima Barreto, Nelson Rodrigues, Danton Trevisan… uma galeria de célebres escritores se notabilizaram por escrever ficção a partir da realidade. Aliás, o que é a ficção, senão a realidade mais ou menos realista? Mesmo assim, a ficção se personificou e teve acolhida da Justiça, que entendeu ataque à honra de um homem que, poderoso, não sabe mais onde começa o jornalista e pai de família dedicado à mulher e às enteadas, e onde termina o executivo, que dá as ordens na emissora. Público, privado, profissional e institucional servem à uma confusão só, o que permite que use convenientemente a persona que melhor o “qualifica” jurisdicionalmente.

Não há que se discutir decisões judiciais. Elas devem ser questionadas tecnicamente, no âmbito dos tribunais. E é bom que seja assim. Ao tirar uma demanda das mãos da sociedade, a Justiça preserva seus cidadãos do impulso natural de fazê-la por seus próprios meios e com suas próprias mãos. Mas a Justiça tem que ter sensibilidade, quando percebe que está sendo manipulada, para fazer prevalecer o discurso autoritário do poder econômico e político, que vez ou outra apela a este artifício, para interditar o debate público de temas relevantes à sociedade.

Na quarta-feira foi a vez da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares prestar sua solidariedade e num encontro com com representantes de movimentos populares, coube ao representante jovem do MST questionar a presidente Dilma sobre o tema da Democratização das Comunicações. 

Neste sentido, o gesto de Azenha, antes de ser um ato de covardia, foi um grito, um alarme à sociedade, que respondeu prontamente. Na Câmara e no Senado Federal o tema ganhou destaque. O Ministro das Comunicações, até então reticente ao tema da regulamentação de dispositivos previstos na Constituição Federal, é bom que se diga – e que já foram objeto de discussão pública em todo o país, antes de virarem proposta de Marco Regulatório – admitiu publicamente que sim, aceita declinar-se sobre o tema.

Justiça seja feita com a coragem do publisher Mino Carta que em uma capa ousada acusou Paulo Bernardo de fazer o jogo das empresas de comunicação e de telefonia, contra o interesse público. Bernardo é acusado de usar o cargo para fazer campanha para a mulher, também ministra, que tem pretensões de disputar o Governo do Paraná, no ano que vem, com o apoio da afiliada da Globo naquele Estado. Temas transversais, caros ao próprio governo Dilma, que se vê envolto em interesses que vão muito além da obstinação pelos pobres e oprimidos, objeto de acertadas políticas sociais e de transferência de renda.

A Rede Globo, acostumada a agir nos bastidores, sem barulho, enquanto ostenta a fleuma do jornalismo ético, da Fundação de amparo à pesquisa e ao desenvolvimento, em defesa da educação, do progresso e da justiça social, viu-se, como em 2006, mais uma vez nas cordas, igual a quando forjou um telejornal desequilibrado jornalisticamente, com o intuito de influenciar o pleito daquele ano.

Naquela ocasião, correram e compraram um espaço publicitário na Revista Carta Capital (pagando preço de tabela cheia), usaram a Organização “a serviço do homem”, e fizeram circular um abaixo-assinado apócrifo (ideia de Willian Bonner e Claudio Latgé), para defender Ali Kamel e depois calaram um a um seus opositores internos; hoje já não conseguem mais esta proeza.

“Insiders” informam que analistas consideraram que Ali Kamel deu mais um tiro no pé quando, impulsivamente, agiu com o fígado, para perseguir jornalistas que nada mais fazem do que contraditá-lo. Também informam que esse “espraiamento” de um tema antes restrito à meia duzia de obstinados blogueiros apelidados por José Serra em 2010, ano da bolinha de papel, de sujos, só prejudica a imagem da emissora, interna e externamente.

Isso não é bom para eles, principalmente num momento em que as próprias agências publicitárias começam a questionar uma mordaça chamada BV (bônus de volume), que é uma forma institucionalizada de corrupção (como um gerente de compras dos Supermercados Extra ganhar “um por fora” para preferir os iogurtes da Nestlé, em vez dos da Danone, por exemplo).

E mais, num momento delicado, em que a audiência não reage, um novo instituto de medição está a caminho, para disputar a hegemonia do IBOPE, e as pessoas começam a adquirir o péssimo hábito de procurar na internet a informação isenta, que tanto procuram. Espero que este “espraiamento” não se transforme em mais uma “ponte estaiada” a atravessar o caminho da nossa tão jovem e tão carente democracia participativa.

3 horas atrás

Onde está o dinheiro sujo

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa: 
O Estado de S. Paulo e o Globo reproduzem nas edições de sexta-feira (5/4) reportagem que circulava havia dois dias na internet, com origem no Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, sobre 2,5 milhões de documentos bancários nos quais são revelados os proprietários de 250 mil contas secretas em paraísos fiscais.

Trata-se potencialmente do maior escândalo financeiro dos nossos tempos. Algumas das primeiras revelações atingem um ex-colaborador do presidente da França, François Hollande, acionista de pelo menos duas empresas que mantém contas na Ilhas Cayman. Também são citados dois filhos do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe e um general venezuelano, além de outras autoridades e empresários de várias partes do mundo.

Mas há muito mais. Os documentos compõem um superarquivo digital de 200 gigabytes, cerca de 150 vezes maior do que o conteúdo divulgado pelo site Wikileaks.com sobre segredos diplomáticos dos Estados Unidos. A diferença entre a iniciativa do ativista Julian Assange, que tem sido tratado como terrorista internacional pelo governo americano, e o projeto do consórcio de jornalismo investigativo é que, no caso do Wikileaks, os documentos eram simplesmente postados na rede mundial de computadores, enquanto o consórcio usa as informações primárias como fontes de reportagens e verifica a veracidade delas junto aos suspeitos de serem donos do dinheiro.

A Folha de S. Paulo provavelmente não teve interesse em reproduzir o relato, o que causa estranheza, pois foi o primeiro jornal brasileiro a repercutir os vazamentos do Wikileaks. O desinteresse da Folha se torna ainda mais bizarro se for considerado que a revelação dos nomes de proprietários das contas em paraísos fiscais está sendo feita com o trabalho colaborativo de 38 grandes instituições da imprensa internacional, entre as quais o jornal inglês The Guardian, o americano Washington Post, o francês Le Monde e a rede britânica de televisão BBC.(Veja aqui o texto do Guardian, em inglês e aqui a reportagem do Monde, em francês)

E os outros?

Nem todos os dados se referem a depósitos ilegais, mas o trabalho jornalístico permitiu identificar alguns casos emblemáticos, o que inspirou o Monde a escolher como manchete uma afirmação bombástica: “Como os bancos franceses ajudam seus clientes a praticar a evasão fiscal”.

Essa é a chave-mestra para qualquer política de combate ao crime organizado e à corrupção em todo o mundo, mas até aqui a imprensa nunca tinha se atrevido a devassar a caixa-preta dos paraísos fiscais.

Na primeira lista divulgada, os únicos brasileiros citados são três membros da família Steinbruch, cujo representante mais conhecido é o empresário Benjamin, que controla o grupo Vicunha, o banco Fibra e a Companhia Siderúrgica Nacional. Procurados pelos jornalistas do consórcio investigativo, os Steinbruch explicaram que mantém uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, devidamente registrada no Banco Central do Brasil e legalizada nos órgãos fiscais brasileiros.

No entanto, as primeiras revelações são apenas uma pequena parte do imenso arquivo que está sendo analisado pelos investigadores. O problema da evasão fiscal e do trânsito de dinheiro ilegal por contas bancárias chamadas off shore é considerado por especialistas como um dos maiores problemas da economia mundial. Além de servir de abrigo para o lucro de atividades criminosas que vão desde as grandes fraudes financeiras até o contrabando de armas e o tráfico de drogas e de seres humanos, esse tipo de operação bancária tem servido para ocultar as fortunas acumuladas por tiranos e autoridades corruptas em centenas de países.

A existência dessas ilhas de impunidade e descontrole tem provocado até mesmo incidentes políticos, como o questionamento do rigor fiscal imposto pela Grã Bretanha a negócios legais enquanto o país tolera o trânsito de dinheiro suspeito pelos bancos das Ilhas Virgens, sob sua jurisdição.

O texto distribuído pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (veja aqui, em inglês) afirma que boa parte da crise na Europa é provocada ou agravada pela evasão através dos paraísos fiscais.

Os atuais habitantes do antigo paraíso tropical dos Tupiniquins esperam que a imprensa siga revelando nomes e valores, “duela a quién duela”, como diria aquele ex-presidente.

5 horas atrás

A mídia e a Comissão da Verdade

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

Falta um tema na variada agenda da Comissão Nacional da Verdade. Criada com a finalidade de apurar as violações dos direitos humanos, ela não incluiu na pauta de trabalho a análise do papel da imprensa, como é feito com a Igreja, por exemplo, durante a ditadura, articulada e sustentada por civis e militares.

A imprensa foi arauto da trama golpista contra o presidente João Goulart. Sempre conservadores, os “barões da mídia” brasileira agem na fronteira do reacionarismo. Apoiar golpes, por isso, não chega a ser exatamente novidade. Alardeiam o princípio do liberalismo sem, no entanto, se comprometer com a democracia. Assim promovem feitiços, como o de 1964, e tornam a própria imprensa vítima da feitiçaria.

Patrões e empregados são testemunhas importantes de uma história que precisa ser passada a limpo. É necessário ir além do que já se sabe. Isso só ocorrerá com o depoimento daqueles que viveram os episódios ou estiverem próximos deles.

A ditadura “exerceu o terror de Estado e provocou medo na sociedade civil. Não há indícios, porém, de que o medo fosse a razão do consentimento” que a imprensa deu aos generais, como anota a cientista política Anne-Marie Smith, no livro Um Acordo Forçado.

Ela põe o dedo na ferida ainda aberta: “E se outros jornais tivessem protestado quando o general Abreu proibiu qualquer publicidade do governo no Jornal do Brasil em 1978?” E se aproxima da resposta: “Os obstáculos à solidariedade não foram criados, nem reforçados, nem explorados pelo regime. A falta de solidariedade foi uma desvantagem gerada pela própria imprensa”.

Império da mídia brasileira, o apoio do Sistema Globo à ditadura nunca foi negado, embora hoje seja disfarçado. Uma das razões para esse comportamento passado, que se encaixa na reflexão de Smith, encontra explicação no livro Dossiê Geisel, de Celso Castro e Maria Celina D’Araujo.

No governo Geisel, o ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, vetou novas concessões ao nascente Sistema Globo por receio de que Roberto Marinho chegasse ao monopólio da opinião pública. Ele então foi ao ministro da Justiça, Armando Falcão, e falou “do constante apoio” que deu ao governo.

“Disse também que o comportamento da Rede Globo deveria fazê-la merecedora de atenção e favores especiais do governo”, registra o livro.

Marinho apelou sem constrangimentos. Ameaçou vender a Rede Globo, caso não tivesse apoio para continuar a crescer. O resto da história todo mundo sabe.

A mídia reage, hoje, ao projeto sobre a atualização das leis de comunicação com o argumento falso e insensato de que o objetivo é censurar. No entanto, em plena ditadura, adotou a inércia e o silêncio diante dos atos concretos de restrição à liberdade de escrever. Não de escrever sobre tudo, mas somente sobre certos assuntos como tortura e assassinato nos porões da ditadura. Essa é a diferença em relação à genérica denúncia de restrição à festejada liberdade de imprensa.

A censura, nesse contexto, cumpria outro papel. Excluía a responsabilidade direta dos donos da mídia e de muitos editores autoritários coniventes, que sempre se desculparam ao apontar a censura governamental como a razão do silêncio.

A ditadura seria outra – talvez ditabranda – contada a partir do que foi publicado na ocasião.

Para a imprensa conservadora, reacionária nos anos de chumbo, esse tema dói. É um nervo exposto.

5 horas atrás

O gesto corajoso de Daniela Mercury

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho: 
Quem está saindo com quem, quem comeu quem, quem se casou ou se separou de quem, quem anda traindo quem, quem está apaixonado por quem?

Quem ainda se interessa por isso?

Muita, muita gente, a contar pelo número de revistas e colunas eletrônicas dedicadas ao que chamam de “mundo das celebridades”, que vivem de fuxicos, fofocas e futricas sobre personagens chamados de famosos.

É como se um batalhão de espiões e “paparazzis” passasse o tempo todo olhando pelos buracos das fechaduras da intimidade dos artistas para descobrir algo que eles estão querendo esconder.

Trata-se de uma fobia universal que movimenta muito dinheiro e alimenta as conversas em salões de beleza, escritórios, feiras-livres, tablóides ingleses, botecos nativos e até em casamentos de bacanas.

“Você viu???”, perguntam-se uns aos outros para mostrar seu conhecimento sobre as últimas revelações “exclusivas” divulgadas pelos fofoqueiros de plantão.

Pois é exatamente neste clima de celebração da futilidade em torno da vida alheia, que está a grandeza do gesto da cantora Daniela Mercury, 48 anos, cinco filhos, que esta semana anunciou seu casamento com a jornalista Malu Verçosa, de 36, editora-chefe do telejornal “Bahia Meio Dia”.

Daniela não esperou que a fofoca se alastrasse, tirando o pão da boca de quem vive disso, e tomou ela mesma a iniciativa de, em vez de desmentir, publicar nas redes sociais a história do seu novo amor, com direito a fotos do álbum de casamento.Virou o assunto da semana.

Desta forma, ao quebrar um velho tabu, a grande dama da música baiana, que já vendeu mais de 11 milhões de discos em todo o mundo, saiu do submundo da futricagem para ganhar as manchetes da chamada imprensa séria e dos principais telejornais.

Quando o último carnaval começou, as duas estavam casadas: Daniela, com o publicitário italiano Marco Scabia, seu terceiro marido, e Malu, com a jornalista Fabiana Catro, que por sete anos cuidava da carreira da cantora.

Flagradas aos beijos em meio à folia, Daniela e Malu descobriram que estavam apaixonadas, e não viam motivos para esconder em público o que sentiam uma pela outra, no mesmo momento em que esquentava no país o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Logo cedo, na manhã de quarta-feira, Daniela postou pelo Instagram uma bela declaração de amor a Malu, acompanhada de fotos em quer as duas aparecem juntas com cara de apaixonadas.

“Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”, escreveu Daniela, sem esconder as palavras dos sentimentos.

E explicou assim seu gesto de coragem: “Comuniquei meu casamento com Malu para tratar com a mesma naturalidade que tratei de outras relaçoes. É uma postura afirmativa da minha liberdade e uma forma de mostrar minha visão de mundo”.

Naturalidade e liberdade são as palavras-chave da decisão tomada pela cantora para tornar pública a sua relação _ e este será um dia direito de todos.

Mais do que mil manifestos, protestos e abaixo-assinados, são atitudes como a de Daniela Mercury que vão tornando o mundo mais civilizado e contemporâneo da época em que vivemos, acima de dogmas, pecados, proibições, e todo o arsenal de intolerância que ainda mantém boa parte das pessoas nas trevas da idade média.

Chamada de “Madonna Brasileira” pela CNN Internacional, Daniela ficou estes dias longe do barulho e do espanto que provocou em muita gente. Está fazendo shows em Portugal e só deve voltar ao Brasil na próxima semana.

Que as grandes e belas mulheres brasileiras Daniela Mercury e Malu Verçosa sejam muito, muito felizes!

5 horas atrás

João, Irineu e José: os donos do BV

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador: 
Chega de falar apenas em Roberto Marinho (morto há dez anos) e Ali Kamel (capataz dos patrões). A Globo tem 3 donos: João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto. Eles mandam. Eles botam dinheiro no bolso. Eles interditam o debate.

É hora de espalhar a foto dos três, e dizer ao povo brasileiro: eles ficaram bilionários, graças ao monopólio da informação – que concentra verbas e verbo. Precisamos colocar os três no centro do debate. Eles precisam rolar na lama da comunicação em que fazem o Brasil chafurdar.

Dilma acha importante reduzir juros. E está certíssima. Mas Dilma acha que não é hora de falar em ”Democratização da Mídia”. E aí Dilma erra feio. Os monopólios da mídia, construídos ao arrepio do que diz a Constituição, e na base de BV– Bônus de Volume (veja texto abaixo publicado por PH Amorim), impedem um debate correto sobre redução dos juros. Parceiros dos bancos, os monopólios da mídia não querem juros baixos. Querem travar o Brasil. E constroem a fortuna bilionária de João, Irineu e José.

Na foto acima, eles aparecem (João, Irineu e José – da esquerda para a direita), com semblante de felicidade contida. Na época, o papai deles (ao centro da foto) ainda mandava. O patriarca fez a fortuna graças à parceria estabelecida com a ditadura militar. Roberto era apenas um milionário. Os filhos são bilionários, segundo a última lista da Forbes. Graças (também) ao BV. Graças ao monopólio.

Passamos anos na blogosfera dizendo que “ninguém sabe quem são os filhos de Roberto Marinho”. Está na hora de saber. Pra eles, é ótima essa situação. Discretos, poderosos, bilionários. Mas e para o Brasil?

Os três porquinhos da comunicação são os donos do BV. Os três mandam processar quem critica a Globo. Hora de botar a carinha dos três pra circular. Eles sao inimigos da Democracia.

Está na hora – também – de questionar no STF a legalidade do BV. Joaquim Barbosa usou o BV para construir a tese de “corrupção” no julgamento do “Mensalão”. O BV serve pra condenar petistas. Mas o BV da Globo é intocável? Mais que isso: é ético que agências de publicidade recebam esse dinheiro – espécie de propina oficializada pelo mercado?

Se você não sabe direito o que é o tal BV, calma! Quase ninguém sabe. O BV é um segredo que constrói fortunas. E constrói o poder da Globo. Poder que trava a Democracia, trava debate sobre juros, e permite que o capataz de João, José e Irineu use uma concessão pública para praticar um jornalismo de bolinhas de papel.

Leia abaixo a entrevista de um conhecido publicitário escocês que explica a PH Amorim o que é o BV…

***** 
(extraído do Conversa Afiada)
– É a bonificação por volume, essa propina que o Brasil legalizou, o BV.
– Explica isso ao nosso leigo navegante, Mestre, por favor.
– Leigo navegante, é assim. Quanto mais uma agência de publicidade programar a Globo, mais bônus, grana, ela tem. Você sabia que o BV da Globo é o maior item do faturamento das QUARENTA maiores agências de publicidade do país ?
– Que horror !, Mestre. Que horror ! Ou seja, independente da vontade do cliente, a agência vai lá e põe anúncio na Globo para ter bônus.
– Por aí, meu filho. Mas, o diabólico não é isso.
– É que a Globo transformou isso em lei.
– Mais diabólico, ainda.
– O que, Mestre ?
– É que a Globo ANTECIPA o pagamento do BV.
– E daí, Grande Mestre ?
– A agência recebe em janeiro por conta do que ela vai programar na Globo em dezembro.
– É que a Globo é generosa.
– Não, meu filho, é que a Globo prende a agência num cabresto. Obriga a agência a programar a Globo para cumprir a meta e receber o bônus inteiro. Entendeu ?
– É a cenoura. Para obrigar a agência a correr atrás da verba, pelo dinheiro que JÁ recebeu.
– Você é esperto, meu filho.
– Sim, Mestre, mas isso a Globo conseguiu aprovar no Congresso.
– Mas o Supremo rasgou a Lei …
– Sim, disso eu me lembro. Para encanar o Pizollatto e o Dirceu, o Supremo decidiu que o BV da Visanet era do Banco do Brasil e, não, das agências do Marcos Valeriodantas.
– Exatamente ! E isso rasga a Lei ?
– É claro ! O Supremo rasgou tudo para condenar o Dirceu. Por que não iria rasgar o BV ?
– Porque o BV do Pizolatto não é o BV da Globo, Mestre… É óbvio, desculpe.
– Sorry, meu filho. Você não alcançou a dimensão da questão.
– Qual a dimensão, caro Mestre ?
– Um dia, um tresloucado parlamentar, um Procurador ou um blogueiro sujo …
– Você sabe aí na Escócia da existência de blogueiros sujos …
– Meu filho, quem não lê o Azenha ?
– A Dilma por exemplo, ela não lê…
– Lê, meu filho. Lê e não conta … (Clique aqui para ler “Dilma perdeu boa oportunidade de defender o Azenha. Kamel celebra !!!”)
– Bom, vamos lá … Um dia, um blogueiro sujo … o que que é que tem ?
– Um dia um blogueiro sujo entra na Justiça com uma ação de prevaricação, de improbidade contra a SECOM por não recolher ao Banco do Brasil, à Petrobrás, à Caixa e ao Governo Federal o BV que, hoje, fica com a Globo e as agências que nela programaram.
– E o Banco do Brasil, a Caixa, o Governo Federal, a Petrobrás, esse pessoal programa mesmo é a Globo.
– Eles adoram a Globo ! Ouvem o plim-plim e abanam o rabim …
– Mestre, o senhor já foi melhor do que isso.
– Desculpe, mauvais moment …
– Bom, Mestre, se o Globope não medir certo a audiência e se o BV do Banco do Brasil tiver que ser do Banco do Brasil … o Governo Federal, que é um grande anunciante, está jogando o dinheiro do contribuinte no lixo.
– No lixo, não, meu filho, na Globo ! Não é exatamente a mesma coisa.
– É por isso que o senhor diz que o BV é mais importante do que a Ley de Medios.
– You got it, baby !
– Xiii, isso pode dar uma confusão …
– Confusão, não, meu filho. Pode dar cana … Olha o Pizollatto …

Pano rápido.

6 horas atrás

Coreia do Norte sabe o que faz

por noreply@blogger.com (Miro)
 
Por Breno Altman, no sítio Opera Mundi:

Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.

Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.

O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.

A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.

Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.

Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.

O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.

Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.

No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.

Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.

* Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

4 de Abril de 2013 22:55

Inglaterra, México, Brasil e a mídia

por noreply@blogger.com (Miro)
 
http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/

Por Venício A. de Lima, na revista Teoria e Debate:

Na Inglaterra, foi anunciado acordo entre os três principais partidos ingleses – Conservador, Trabalhista e Liberal Democrata – para regulação da imprensa (jornais, revistas e internet) apenas quatro meses após a publicação do Relatório Leveson.

Os principais pontos a serem incluídos na Carta Régia que dará amparo legal ao novo órgão regulador são: a escolha dos membros (no mínimo quatro e no máximo oito e um presidente) deve ser “independente, justa e transparente”; os membros indicados pela mídia não podem manter cargos de editores ou publishers nem ser deputados ou senadores; a maioria dos membros deve ser “independente da imprensa”; o novo “código de conduta” deve descrever parâmetros “especialmente no tratamento de pessoas para obtenção de material jornalístico”; avaliar o respeito à privacidade quando não houver interesse público suficiente para quebrá-la; recomendar rigor das informações e a necessidade de prevenir interpretações equivocadas; deve ser criada uma linha direta para reclamações sobre quebra de conduta por parte de jornalistas; decisões sobre reclamações de quebra de conduta serão tomadas pelo órgão regulador antes de encaminhadas à Justiça; o órgão regulador terá o poder de aplicar sanções financeiras (com valor de até 1 milhão de libras esterlinas, ou cerca de R$ 3 milhões).

No México, o novo governo do presidente Enrique Peña Nieto apresentou projeto de alterações no marco regulatório das comunicações com vistas a quebrar o oligopólio de conglomerados, como América Móvil e Televisa, e promover a concorrência no setor.

O projeto prevê a instituição de um novo órgão regulador com poderes para obrigar a venda de ações de empresas com mais de 50% do mercado, além de multas e regulação de preços para beneficiar empresas menores. Será criada uma infraestrutura estatal de telecomunicações que possibilite o acesso à internet para 70% dos domicílios e 85% das empresas do país.

No que se refere à televisão aberta, o projeto prevê a entrada de duas novas redes de transmissão digital, além de um canal estatal nacional com programas educacionais e culturais. As redes existentes seriam obrigadas a oferecer programação gratuita para operadoras de TV a cabo, sem custo. Prevê-se ainda a eliminação de qualquer restrição ao investimento estrangeiro no setor.

O projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados.

E na Terra de Santa Cruz?

Enquanto avanços ocorrem em países tão distintos como a Inglaterra e o México – sem mencionar países vizinhos latino-americanos –, no Brasil autoridades governamentais descartam qualquer iniciativa no que se refere à regulação do setor de comunicações. Ignora-se o que acontece no resto do mundo e se interdita até mesmo o debate público, deliberadamente confundido com ameaças à liberdade de expressão.

É como se, na Terra de Santa Cruz, questões decorrentes das inovações tecnológicas e da ausência de regulamentação de normas e princípios inscritos na Constituição, há um quarto de século, simplesmente não existissem.

Resta à sociedade civil organizada prosseguir trabalhando para mobilizar a “vontade das ruas”.

Todo apoio, portanto, à campanha liderada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), “Para expressar a liberdade – uma nova lei para um novo tempo”, e ao esforço para a elaboração de uma proposta que possa se transformar em Projeto de Lei de Iniciativa Popular.

Existe alguma alternativa?