Pastor racista ouviu o galo cantar e não sabe onde

por Betho Flávio
 

Via Opera Mundi

Nota contra Maduro mostra conservadorismo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, diz secretária do PT

Iriny Lopes lembrou que, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, mulheres e homossexuais tiveram seus direitos reconhecidos na Venezuela

A aprovação da nota de repúdio ao presidente em exercício da Venezuela, Nicolás Maduro, pela CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (03/04), gerou polêmica. Para a secretária de Relações Internacionais do PT, deputada federal pelo Espírito Santo e ex-ministra da SPM (Secretaria de Políticas para Mulheres) da Presidência da República, Iriny Lopes, a aprovação da nota “é reflexo da maioria que compõe [atualmente] a CDHM, de perfil conservador”.

A petista argumenta que a atitude de incluírem na pauta da reunião a nota de repúdio a Maduro foi oportunista e “desleal por parte de alguns parlamentares, que se aproveitam da ausência da minoria e do instituto de uma sessão fechada ao público”.

Agência Brasil

feliciano

Marco Feliciano, presidente da CDHM, tem sido alvo de protestos por declarações sobre negros e homossexuais

Durante um discurso no dia 12 de março, Nicolás Maduro declarou que: “Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres”. A frase foi seguida de um beijo em sua mulher e então procuradora-geral da Venezuela, Cília Flores. A declaração foi considerada homofóbica pela oposição venezuelana e por alguns grupos LGBTs chavistas. “É bom lembrar que durante os governos de Chávez e Maduro ocorreu uma ampliação dos direitos das mulheres, dos afrodescendentes, dos jovens e da comunidade LGBT”, afirmou Lopes.

A aprovação da nota de repúdio pela CDHM acontece em momento delicado no Congresso Nacional e da própria comissão. Há quase um mês o deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito, também em portas fechadas, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, sob forte resistência do movimento de direitos humanos brasileiro e de parlamentares historicamente compromissados com as causas das mulheres e dos LGBTs.

Marco Feliciano responde no STF (Supremo Tribunal Federal) por denúncias de racismo e estelionato. Desde a posse de Feliciano, há manifestações permanentes na Câmara dos Deputados contra a permanência do parlamentar na comissão.

O PT e o PSOL entraram com representações nas devidas instâncias da Câmara dos Deputados, questionando declarações polêmicas do atual presidente da CDHM sobre os parlamentares que presidiram o órgão anteriormente. “O que está em debate não é qual partido vai presidir a comissão, mas a sua composição, a começar pela presidência. Não é aceitável que pessoas como os deputados Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (PP-RJ), que pregam a intolerância e a truculência, permaneçam em uma comissão que discute as violações de direitos. Isso é um deboche contra a democracia”, concluiu a parlamentar.

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