Jandira questiona Padilha sobre incentivos a planos de saúde, ele pouco fala

por Conceição Lemes
 

da Assessoria de Imprensa da deputada Jandira Feghali, via e-mail

O ministro da Saúde Alexandre Padilha compareceu à audiência na Comissão de Seguridade Social na quarta-feira (3), a pedido de requerimento da deputada federal Jandira Feghali, mas pouco respondeu sobre os questionamentos levantados pelos parlamentares. Entre eles, o da própria deputada, que indagou-o publicamente sobre a posição do governo sobre pacote de incentivos aos planos de saúde, a fiscalização sobre a saúde privada e a regulamentação da jornada 30 horas da Enfermagem: “São perguntas que a própria sociedade e os trabalhadores gostariam de fazer. O que o ministro tem a dizer sobre isso?”, perguntou.

Após o ministro divulgar por uma hora um balanço de programas lançados por sua gestão nos últimos dois anos, Padilha abordou apenas os problemas em relação à fiscalização da Agência Nacional de Saúde (ANS), que levaria até 12 anos para julgar processos. Em reportagens recentes, só em 2012, a agência deixou de arrecadar R$ 2,65 milhões porque permitiu que processos caducassem: “O acúmulo de processos na ANS e a dificuldade de efetivar as sanções fizeram com criássemos outras formas de implementação das normas. Por exemplo, a suspensão das vendas de planos de saúde que descumprirem os prazos máximos de atendimento”, disse Padilha.

Ainda segundo ele, o governo compreende também que existe uma atual falta de médicos no País, criando uma relação de 1.8 profissionais por mil habitantes. De acordo com ele, é considerável a contratação de profissionais do exterior uma das formas de solução deste problema: “O método, desempenhado em países como

Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, é possível aqui também. Ainda assim, a contratação temporária de 500 profissionais de saúde aqui no Brasil já está em curso”, abordou.

Para Jandira, o modelo de formação de novos médicos é prioritário: “É preciso discutir aqui um programa de gestão, de novos médicos pelo País. Os programas de residência médica estão sofrendo nos hospitais, enquanto a carreira pública segue encolhendo”, aponta.

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13 horas atrás

Walter Falceta: A calhordice das aves necrófagas

por Conceição Lemes
 

TRAGÉDIA, AUTORIA E REDUCIONISMO POLITIQUEIRO DE REPETIÇÃO

por Walter Falceta Jr, no Facebook, sugestão de Maria Luiza Tonelli

No Rio, um ônibus caiu do viaduto. Sete cidadãos morreram e outros tantos acabaram feridos gravemente. Nas redes sociais e nas áreas de comentários do jornais, reduzida consternação. O oportunismo, a calhordice e a ignorância mais uma vez folgaram no reducionismo de repetição.

Seguem alguns comentários ilustrativos da comoção de propaganda, devidamente printados.

No UOLAlonso123, escreveu: “Parabéns ao governo aliado do PT por mais esta tragédia. Créditos para Lula e Dilma”.

Dasher23 completou: “(…) enquanto isto, o país continua sendo sangrado, como sempre foi, desde o descobrimento. Ainda não se transformou num deserto árido devido a sua pujança, mas se depender dos Ptralhas, que atualmente se revezam no comando das capitanias, isto logo irá ocorrer”.

Advogadoctba faz sua prece macabra: “(…) Torço para que caia o avião do Cabral, que aliás ano passado quase morreu com o dono da Delta. Pena que não afundou e virou comida de peixe”.

Benevenutti completou: “É isso aí seu governador e prefeito do Rio, aí embaixo dessa lona preta devem estar os corpos das pessoas que os senhores assassinaram”.

No  G1, Alfredo Neves manifestou seu ódio pelo povo do Rio: “(…) Dois cariocas animais em um mesmo ambiente, só pode terminar em tragédia. Cariocas, em geral, são autênticos animais mal educados. (…) A Coreia do Norte podia errar os EUA e acertar o Rio de Janeiro. O mundo ficaria bem melhor”.

Maurício Pereira parece satisfeito com a suposta desmoralização das autoridades: “Agora caiu a máscara do Estado. A incompetência, a máfia, o descaso com o sistema de transporte e todos os demais sistemas de apoio à população carioca virão à tona”.

Em redes sociais, repetiu-se a argumentação de maledicência:

“Mais uma vez o descaso das autoridades do Brasil sil sil leva a uma tragédia em que pais de família perdem a vida. Foi o mesmo que aconteceu na boate Kiss, e as pessoas continuam votando nesse petê”.

“Sete pessoas boas perderam a vida, enquanto Genoíno e a corja comunista continua viva, eles que produzem todo esse mal para a sociedade. Mundão injusto”.

Essa tem sido a tônica de comentários públicos sobre acidentes ou ocorrências trágicas no Brasil. Trata-se de um reducionismo dirigido à propaganda e à disseminação seletiva do ódio.

Qualquer episódio negativo (pode ser o incêndio na boate, a enchente em São Paulo ou a queda do ônibus no Rio) serve para que o indignado neoconservador detrate e criminalize o governo federal e qualquer personalidade ou entidade vinculada às lutas populares.

Assustador é saber que parte desses comentários não brota do teclado dos trolls bem pagos pelos bicudos partidos conservadores e neoliberais.

São produzidos por pessoas comuns, idiotas úteis influenciados pela propaganda massiva de intolerância gerida pela mídia hegemônica.

Para o espalhafatoso Arnaldo Jabor, inspirador de certa malta de revoltosos, tudo precisa ser seletivamente estrutural.

Nada de ruim ocorre no mundo sem que haja a intervenção “maligna” de Lula, do PT, do finado Hugo Chávez ou daquilo que ele chama de “esquerdas ultrapassadas e perniciosas”.

Esse oportunismo condenatório criminoso, que alia calúnia e difamação, está presente também no piadismo azedo de Marcelo Madureira, nas pândegas neofascistas do CQC e nos horrores chargísticos de Caruso, este que recentemente retratou Dilma como uma prostituta do velho oeste.

Para que se restitua alguma verdade, a triste ocorrência do Rio nada tem a ver diretamente com falhas em programas governamentais ou com a campanha de Maduro para a presidência da Venezuela.

Na sociedade da violência, divinizada pela mídia de direita, houve uma discussão entre o motorista do coletivo e um passageiro que se achava membro justiceiro de alguma tropa de elite.

Depois que o ônibus passou direto por uma parada, Rodrigo Santos Freire, de 25 anos, estudante de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), decidiu aplicar ao responsável a punição que decidiu cabível.

O brigão reincidente desferiu um poderoso chute na cabeça do condutor que, na sequência, perdeu o controle do veículo.

Na dimensão da realidade, o episódio conclui-se com dor e morte. Na dimensão cibernética, inicia-se mais um feliz banquete para as aves necrófagas.

Walter Falceta Jr. é Jornalista

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14 horas atrás

Paulo Nogueira: Acabar com as mordomias bilionárias da mídia

por Luiz Carlos Azenha
 

Para a sociedade avançar, os privilégios da mídia têm que acabar

PAULO NOGUEIRA 5 DE ABRIL DE 2013 33, no Diário do Centro do Mundo

Li “A Renúncia de Jânio”, do jornalista Carlos Castelo Branco, o último grande colunista político brasileiro.

O que me levou a esse velho livro foram as recentes evocações do infame golpe militar de 1964 em seu aniversário, no dia 31 de março.

O golpe, de alguma forma, começa em Jânio, o demagogo que renunciou à presidência em 1961 quanto estava fazia apenas sete meses no cargo, por motivos jamais explicados.

Mas o que mais me chamou a atenção no livro é um episódio que mostra bem o regime de privilégios fiscais desfrutados há muito tempo pelas empresas jornalísticas brasileiras.

Castelinho, que foi assessor de imprensa de Jânio, conta que certa vez estava preparando uma sala para um pronunciamento que ele, Jânio, faria naquela noite em rede nacional de televisão.

No lugar escolhido, a biblioteca do Palácio da Alvorada, Castelinho viu sobre a mesma um exemplar do Estadão de domingo. Em cima, estava um bilhete do presidente: “Não toquem neste jornal. Preciso dele”.

“Só soube do que se tratava quando Jânio o ergueu na mão para exibi-lo audaciosamente ao país [na fala em rede] como fruto de privilégios, o esbanjamento de papel comprado com subvenção oficial, pago, portanto, pelo povo”, escreveu Castelinho.

É o chamado “papel imune”. Os contribuintes subvencionam há décadas o papel usado para imprimir jornais e revistas.

Jânio apontou o mal, mas não foi capaz de resolvê-lo. Os mesmos empresários que tanto falam num Estado mínimo não se embaraçam em, nas sombras, mamar nele em coisas como o papel imune, e em muitas outras.

Dinheiro público foi sempre usado também para financiar – em condições de mãe para filho – empreendimentos que deveriam ser bancados por nossos intrépidos, aspas, capitalistas da mídia.

Nos anos 90, Roberto Marinho comemorou ao lado de FHC a inauguração de uma supergráfica projetada para quando o jornal chegasse – hahaha – à marca de 1 milhão de exemplares.

FHC não estava na foto porque Roberto Marinho queria promovê-lo. É que o governo tinha concedido um empréstimo especial às Organizações Globo para fazer a gráfica que hoje parece uma piada.
Na inauguração do parque gráfico da Globo, em 1999, o Estado serviu de babá e evitou o risco de um investimento fracassado
Por que o empréstimo? Ora, a Globo era então já uma potência. Tinha mais de metade do faturamento da publicidade nacional, graças à tevê e a expedientes amorais como o chamado BV (bonificação por vendas).

A empresa poderia, perfeitamente, bancar o passo (torto) que decidira dar com a nova gráfica. Mas não. O Estado babá estava ali, à disposição, na figura sorridente de FHC.

Essencialmente, o resultado é que a fortuna da família Marinho foi poupada do risco de um investimento que poderia fracassar, como aconteceu.

Coisa parecida aconteceu com as outras grandes empresas em suas incursões para fazer novos parques gráficos: dinheiro farto, quase dado.

Fora o papel imune, naturalmente.

E fora, mais recentemente, artifícios como a criação de PJs (pessoas jurídicas) para reduzir os impostos pagos.

Note. As companhias jornalísticas não querem pagar impostos, mas depois esperam que o Estado – com dinheiro alheio, do “Zé do Povo”, como dizia o patriarca Irineu Marinho – esteja com os cofres cheios para bancar seus investimentos.

Para completar a tragicomédia, as empresas promovem campanhas sistemáticas de engambelação coletiva destinadas a provar, aspas, que os impostos são elevados no Brasil.

Não são. A carga tributária brasileira, na casa de 35%, é bem menor que a de países modelos, como a Escandinávia.

A diferença é que, neles, as corporações pagam o que devem. Vá, na Dinamarca ou na Noruega, inventar PJs e você é chutado da esfera corporativa e submetido a desprezo nacional.

Para que o Brasil avance socialmente, as mamatas das empresas de mídia – fiscais e não só fiscais — têm que acabar.

Não é fácil, como vemos ao constatar o que deu do brado janista de meio século atrás. Sucessivos governos têm vergado ao poder de intimidação da mídia. (Para a qual vigora ainda uma inacreditável reserva de mercado, aliás.)

Mas nada é fácil.

O poder de manipulação da mídia se reduziu, graças à internet.

Se há uma hora para fazer o que deve ser feito, é esta.

O dinheiro que custam as mordomias bilionárias da mídia deve servir à sociedade: que se construam escolas, hospitais e estradas com ele, em vez de vê-lo dar acesso à lista de superricos da Forbes.

Dilma tem que se mexer, em nome do Brasil.

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Abert fala em desoneração para empresas jornalísticas

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14 horas atrás

Abert: Desoneração para jornais e emissoras de rádio e TV

por Luiz Carlos Azenha
 

Aprovada desoneração da folha em empresas jornalísticas e emissoras

posted by admin on qua, 03/06/2013 – 16:41

A Câmara dos Deputados aprovou medida provisória (582/12) que amplia a desoneração da folha de pagamentos para diversos setores da economia, incluindo as empresas jornalísticas e de radiodifusão, que serão beneficiadas com alíquota de 1% sobre a receita. A medida vale até 31 de dezembro de 2014 e não atinge cooperativas.

A MP segue agora para apreciação do Senado Federal, onde precisa ser aprovada até o dia 28 próximo. Se isso não ocorrer, ela perderá sua eficácia e irá para o arquivo.

A desoneração foi aprovada em plenário na quarta-feira, 20. O relator da MP, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), incluiu mais segmentos da economia no benefício. Originalmente, a MP acrescentava 15 setores na desoneração da folha, mas o número de contempladas chegou a 40.

Outros setores contemplados com alíquota de 1% são transportadoras, empresas de táxi aéreo e de reciclagem; já os setores de transportes, prestadoras de serviços de infraestrutura portuária; de engenharia e de arquitetura; manutenção de veículos e a de serviços hospitalares, poderão pagar alíquota de 2%.

Os setores beneficiados poderão substituir a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento por alíquotas de 1% a 2%, conforme o caso, sobre a receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos concedidos. O objetivo, segundo o governo, é aumentar a produtividade e a competitividade de segmentos da economia e ampliar a formalização de mão de obra no País.

Se aprovada no Senado, as vantagens da medida valerão até 2014, a partir do quarto mês após a publicação da lei.

Assessoria de Comunicação da Abert

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18 horas atrás

Ex-editor defende cobertura de economia do JN em 2006

por Luiz Carlos Azenha
 

por Roberto Machado

Caro Azenha:

Queria lhe submeter uma ponderação e uma consulta. Em 2006, eu ocupava o cargo de editor de Economia do Jornal Nacional. Sediado no Rio de Janeiro, onde está a “cabeça de rede”, no jargão de TV.

Marco Aurélio Mello, responsável pela edição do material de economia oriundo de São Paulo, era uma das minhas principais interfaces no dia a dia do jornal. Profissional, aliás, pelo qual sempre tive o maior respeito.

No trecho abaixo de post que circula nas redes sociais, você menciona que a cobertura de economia do JN em 2006 teria sido “esquecida” em função do calendário eleitoral.

Isso não ocorreu.

Entre 2001 e 2007, 2006 incluso, período em que fui o editor de economia do jornal, publicamos notícias positivas e negativas, obedecendo unicamente a critérios jornalísticos e beneficiados, entre outros, pela qualidade e isenção de pesquisas, dados e estatísticas produzidos por órgãos públicos como IBGE, BNDES, IPEA.

Em setembro de 2007, voluntariamente, saí da TV Globo em busca de novos caminhos. Mas, por dever de consciência e em respeito aos jornalistas com quem convivi no Jornal Nacional, lhe consulto sobre a viabilidade da publicação deste registro no “Vi o Mundo”.

Um abraço,
Roberto Machado

Trecho (deste post):
Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

PS do Viomundo: O missivista tem razão quando aponta nosso equívoco ao não dizer que Marco Aurélio Mello era editor de economia do Jornal Nacional em São Paulo, a praça mais importante para a cobertura econômica do Brasil. Tudo o mais fica mantido. O Viomundo reproduziu declaração que Marco Aurélio Mello compartilhou com colegas na própria redação da Globo de São Paulo, na época, inclusive com a frase bem específica e marcante: “tirar o pé”.

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